quarta-feira, 17 de setembro de 2008

293) Cuidados dentários para 53 mil crianças e jovens: SNS gastou cinco milhões de euros em 2007

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) garantiu o acesso de cerca de 53 mil crianças e jovens a consultas de medicina dentária em 2007, num total de 5 milhões de euros.
Os dados oficiais da Direcção-Geral da Saúde referem que a contratualização de médicos privados para dar resposta ao Programa Nacional de Saúde Oral permitiu que, no ano passado, fosse atingido o número máximo de 53 mil crianças e jovens entre os 3 e os 16 anos abrangidos pelas consultas desta especialidade, o que representa um acréscimo de quatro mil pessoas face ao ano anterior. Ao todo, durante o ano de 2007, o SNS gastou 5 milhões de euros no programa de saúde oral, com verbas distribuídas por todas as administrações regionais de saúde, sendo que a adesão dos centros de saúde manteve-se na ordem dos 90%, à excepção dos localizados nas regiões de saúde do Alentejo e do Algarve que aderiram em massa ao programa.
No período em análise, foram contratados 1 191 estomatologistas e médicos dentistas que efectuaram mais de 112 mil consultas a crianças e jovens entre a faixa etária dos 3 aos 16 anos. A Direcção-Geral de Saúde mostra-se satisfeita com os resultados, ressalvando que «foram tratados 68% dos dentes temporários e 91% dos dentes permanentes que apresentavam lesões de cárie dentária», refere a Lusa.
Recorde-se que o Programa de Saúde Oral está dividido em duas fases distintas, sendo que a primeira contempla uma etapa de educação de higiene oral a efectuar nas escolas e, numa segunda fase, serão encaminhadas para tratamento as crianças que apresentem cáries dentárias.
* * *
Foi você que ouviu falar no Programa Nacional de Saúde Oral na escola do seu filho? Já fez dois anos que pedi ao Ministério de Educação para a divulgação deste programa em todas as escolas do país, fazendo chegar o nome dos estomatologistas e médicos dentistas contratados e indicação dos respectivos consultórios junto de todas as crianças e jovens que precisam de ser tratados urgentemente.
Ainda aguardo resposta; simplesmente vergonhoso o comportamento das entidades oficiais na tentativa indirecta de esconder este programa às crianças e jovens necessitados.
Gerofil

domingo, 14 de setembro de 2008

292) Médico brasileiro faz negócio com turismo dentário

Vicente Belchior, odontologista (médico dentista) brasileiro com consultório apenas em Fortaleza (Brasil), está a promover os seus serviços com anúncios publicitários na imprensa portuguesa. O objectivo? Levar os lusos a sobrevoarem o oceano Atlântico e rumarem ao estado brasileiro do Ceará num misto de férias e tratamento médico.
Fortaleza é um dos destinos preferidos dos portugueses que optam por fazer férias no Nordeste brasileiro. E foi a pensar nisso que Vicente Belchior se lembrou de promover os seus serviços em solo lusitano. "Há vários anos que os portugueses nos procuram para receber algum tipo de tratamento odontológico. Os pacientes fazem o tratamento até sete dias úteis e na hora da folga conhecem praias e belezas turísticas do Ceará, com um motorista colocado à disposição pela nossa clínica", contou o dentista, em entrevista ao DN, por e-mail.
Belchior explica que a oferta aos utentes portugueses funciona através de "uma parceria com a agência de viagens portuguesa Entremares, que oferece pacotes turísticos de 14 dias num dos melhores hotéis de Fortaleza". Mas aqui começam as dúvidas, pois Belchior esquivou-se aos contactos telefónicos e apenas respondeu num depoimento por e-mail que ignorou algumas das questões que tinham sido colocadas. E Paulo Santos, director comercial da Entremares, garantiu ao DN que "não tem qualquer parceria com esse senhor". Até porque a Entremares funciona como operadora turística e só vende serviços directamente a agências de viagens.
Ainda assim, o que levaria um português a escolher fazer tratamento dentário do outro lado do Atlântico? O preço, responde Vicente Belchior: "O valor do tratamento e do pacote turístico é pelo menos a metade do preço cobrado em qualquer país da Europa. E isto sem comprometer a qualidade dos tratamentos, pois temos as últimas técnicas na reabilitação dentária."
O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) portugueses, Orlando Moreira da Silva, tem dúvidas sobre a fórmula proposta pelo brasileiro. "É verdade que o turismo dentário está em crescendo na Europa. Mas, neste caso, não me parece que possam oferecer tratamentos muito mais baratos do que em Portugal, até por causa dos custos inerentes, que não variam assim tanto", apontou ao DN. "Em tempo de crise, não sei como é que os portugueses iriam para o Brasil tratar dos dentes", lembrou, dizendo que se tratou de "uma ideia aventureira" de Vicente Belchior.
Desconhecendo casos de portugueses que já tenham recorrido a serviços do género no estrangeiro, o bastonário da OMD deixa o alerta: "Se estiverem a pensar fazê-lo, informem-se primeiro com a Ordem dos Médicos Dentistas". Nestes casos "é sempre preciso ter em atenção as condições e qualidade do tratamento, a eventual responsabilização dos médicos em causa, as possibilidades de reembolso. Os doentes não podem esquecer isso", frisa.
O anúncio publicado nos jornais portugueses levanta outra questão: em Portugal é proibido prometer resultados em anúncios médicos. "Não se pode prometer resultados. Fazê-lo é enganar o doente", lembra Orlando Moreira da Silva. Mas Vicente Belchior fá-lo, ao garantir "a sua prótese fixa num só dia".
O caso será analisado pelo Conselho Deontológico da OMD - apesar de o brasileiro estar fora da sua alçada disciplinar.

sábado, 13 de setembro de 2008

291) APOSTE NA CRIAÇÃO DE HÁBITOS CORRECTOS DE HIGIENE ORAL PARA GARANTIR UM EFEITO VITALÍCIO E DURADOURO (Conclusão)

Técnicas correctas de combate à placa bacteriana - A escovagem dos dentes inicia-se após a erupção do primeiro dente, devendo ser realizada a seguir às principais refeições, sendo imprescindível escová-los antes de dormir. A escova de dentes é um objecto pessoal que não deve ser partilhado com outras pessoas; é constituída por pêlos de nylon e tem uma duração média de 3 meses.
A escovagem dos dentes deve permitir remover o máximo de placa bacteriana sem causar traumatismo gengival ou dentário; a duração da escovagem não deve ser inferior a dois minutos. Coloca-se a escova com uma inclinação de 45º para que os pêlos penetrem entre o dente e a gengiva; escova-se um maxilar de cada vez (superfície externa e interna), iniciando a escovagem nos molares (atrás), avançando até aos molares opostos. Fazem-se 10 movimentos pequenos de vai e vem em cada área abrangida pela escova; em seguida, as superfícies mastigadoras de ambos os maxilares e no fim deve-se escovar a língua no sentido horizontal, de trás para diante. Bochechar vigorosamente e cuspir; lavar a escova e colocá-la no copo com os pêlos virados para cima. Escova os dentes com uma pasta com flúor
Escovagem intermédia - É a remoção da placa bacteriana dos espaços entre os dentes, aonde a escova não consegue chegar e pode ser feita com o fio/fita dentária ou com o escovilhão interdentário.
Uso do fio/fita dentária - Enrole cerca de 45 centímetros de fita em cada um dos dedos médios. Segure a fita entre os dedos polegar e indicador, deixando um espaço de cerca de 5cm entre ambos. Use os polegares para orientar a fita nos dentes superiores e os indicadores para os dentes inferiores.
Faça deslizar a fita na vertical, contra a superfície do dente e sob a linha da gengiva, com movimentos suaves para trás e para a frente e nunca de uma só vez, sempre com secções limpas de fita para cada dente.
Para a maioria dos jovens com doenças reumáticas a utilização do fio/fita dentária pode ser de difícil execução e em vários casos ser mesmo impossível de usar pelo método acima explicado. Estão disponíveis no mercado vários adaptadores de fio/fita dentária que facilitam o seu uso. Sempre que possível (quando houver espaço suficiente entre dentes) deve-se recorrer ao uso do escovilhão interdentário pois é muito mais fácil de utilizar, bastando empurrá-lo para trás e para a frente.
O papel do flúor na prevenção - O Flúor é uma substância que protege os dentes contra a cárie dentária. Pode ser encontrado em gotas ou comprimidos, sob a forma de elixir para a execução de bochechos em casa, nas pastas dentífricas e ainda sob a forma de gel. Consoante a criança, o médico deverá aconselhar qual destas formas, combinadas ou não será a mais adequada.
Os mecanismos de acção do flúor residem no aumento da resistência do esmalte dentário, remineraliza o esmalte dentário (“restaura” as lesões iniciais de cárie) e tem efeitos anti-bacterianos (reduz o metabolismo dos açucares pelas bactérias, levando a uma menor produção de ácidos e menor desenvolvimento da placa bacteriana).
Reduza a ingestão de açúcares - Sempre que consumir alimentos açucarados a escovagem dos dentes deve ser imediata; a frequência de ingestão de açúcares é mais grave do que a quantidade consumida. Nunca consuma doces no intervalo das refeições, nem antes de dormir.
Selantes de fissura - São resinas (uma espécie de verniz) que tapam os sulcos e fissuras existentes nas faces mastigadoras dos dentes posteriores, formando uma barreira à entrada da placa bacteriana. Quando os dentes são escovados, os pêlos da escova não chegam ao fundo das fissuras ficando aí retida a placa bacteriana. É por isso o local aonde a cárie dentária aparece com mais frequência (dentes molares).
Os Selantes de Fissura devem ser aplicados pouco tempo depois da erupção dos dentes, desde que estes estejam sãos ou tenham pequenas cáries (que só envolvem o esmalte dentário).
Não se esqueça que deve visitar regularmente o dentista ou higienista oral, para verificar se houve alguma alteração na saúde dos seus dentes; a detecção de um problema ainda no seu início torna o seu tratamento menos traumatizante e menos dispendioso.
Tenha em atenção que muitas vezes, mesmo sabendo todas as técnicas correctas para uma boa higiene oral, durante as crises derivadas das doenças reumáticas é impossível haver um controlo efectivo da placa bacteriana, sendo muito importante o controlo profissional de pelo menos duas vezes por ano.
Joana Figueiredo Freire (Higienista Oral)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

290) Dentição infantil: as lesões dentárias sofridas durante a infância e a juventude têm efeitos para o resto da vida

Os índices de cárie dentária, no nosso país, são assustadores. A meta apontada pela Organização Mundial de Saúde para o ano 2000 era a de que Portugal atingisse um índice de cariados, perdidos e obturados (CPO) de dois em cada criança. Isto significa que, se tivessem sido toma-das medidas adequadas de saúde oral, já devíamos estar abaixo dos dois, em vez dos actuais três a quatro dentes estragados.
A situação ainda é mais grave quando se sobe no escalão etário. "Aí, o índice é tão elevado que nem vale a pena citá-lo. O número de dentes em mau estado já ultrapassa a barreira do que é comportado em termos de prevenção", afirma o Professor Acácio Jorge, presidente da Associação Portuguesa de Saúde Oral (APSO). "Os dentes lesionados não se curam. É possível substituir a textura dentária por materiais de obturação, mas a sua solidez e durabilidade são muito limitadas. Esta é a razão pela qual as lesões dentárias sofridas durante a infância e a juventude têm efeitos para o resto da vida. Quanto menos problemas com os dentes tiver um adolescente ao terminar a escolaridade obrigatória e quanto menos dentes tratados, menores serão os custos ligados à manutenção do bom estado da sua dentição durante o resto da sua existência", salienta aquele especialista em Medicina Dentária Preventiva.
O problema parece estar no facto de se praticar, em Portugal, "uma saúde oral de péssimo nível". Isto é, continua a combater-se a doença, em vez de se apostar na prevenção. "Países como a Noruega, a Dinamarca, a Suíça, o Canadá ou o Japão levam-nos 40 anos de avanço", acrescenta Acácio Jorge.
Os problemas de saúde oral são, de um modo geral, perfeitamente evitáveis. As crianças não são capazes de avaliar as consequências de um comportamento inadequado, tanto no que diz respeito à alimentação como à higiene oral. A atitude dos mais pequenos depende da boa vontade dos adultos, que devem assumir a responsabilidade que ainda falta às crianças. É sabido que os pais e educadores desempenham um papel importante na sensibilização das crianças para os cuidados dentários, mas isso não é suficiente para alterar o cenário "catastrófico" que se vive no nosso país.
Os profissionais do sector defendem a criação de programas de saúde oral autárquica. "É conhecido, em muitas cidades da Europa e não só, o elevado sucesso dos programas de saúde oral de responsabilidade municipal. Comparando com os órgãos do poder central - o Ministério da Saúde ou a Direcção-Geral de Saúde -, a autarquia, estando mais próxima do indivíduo, consegue uma resposta mais adequada e eficaz às suas necessidades."
Uma das formas de actuação municipal podia ser a criação de equipas de saúde oral que procedessem ao rastreio da cárie dentária e das doenças da boca da população abrangida, de forma sistemática e regular, e encaminhar devidamente as necessidades de tratamento. Uma tarefa que pode ser feita pelos médicos dentistas a nível autárquico, nos centros de saúde, nos hospitais e nos consultórios privados. "Tais acções não devem ser confundidas com campanhas de marketing frequentemente desenvolvidas por fabricantes de dentífricos ou de outros produtos da área da medicina dentária", sublinha Acácio Jorge.
De acordo com o presidente da APSO, o Ministério da Saúde tem, ao longo dos anos, "preterido e esquecido" este sector da saúde. "Não há mais justificação para que assim continue, uma vez que há 4300 médicos dentistas em Portugal e as faculdades continuam a formar mais." A Ordem dos Médicos Dentistas criou um grupo de trabalho para estudar e desenvolver um programa de saúde oral autárquica. Uma das propostas avançadas implica a inscrição voluntária das crianças em idade escolar no Programa de Saúde Oral. Ao inscrever-se, a criança fica automaticamente abrangida por todas as medidas preventivas, incluindo eventuais tratamentos dentários de que necessite, mas deverá cumprir um certo número de regras, tais como a visita regular ao médico dentista e a aplicação de determinados tratamentos preventivos indicados.
Estas visitas e estes tratamentos serão registados num boletim dentário (que poderá estar contido no Cartão de Saúde), cuja actualização será obrigatória para que cada criança possa manter-se inscrita no programa. Cada sessão de rastreio, controlo ou tratamento será paga no acto pelos encarregados de educação, que serão reembolsados de imediato nas tesourarias da respectiva Câmara Municipal. Estes programas começarão pelas crianças, mas irão abrangendo progressivamente todos os restantes grupos da população. Para cada grupo, o Programa de Saúde Oral terá a estratégia e a metodologia adequada.
Uns dentes saudáveis são meio caminho andado para um sorriso bonito e agradável. A primeira regra é simples e tem a ver com a higiene. Os dentes devem ser escovados a seguir às refeições, suavemente, sobre todas as superfícies internas e externas, com movimentos circulares e de vaivém ao longo da gengiva. A escova deve ser substituída de três em três meses. Recomenda-se também o uso regular do fio dental, que permite remover o que a escova não alcança. Um hábito saudável, que poderá praticar antes de deitar.
A alimentação é outro factor importante para a saúde dentária. Evite os excessos de açúcar (todos sabemos como são prejudiciais para os dentes) e reforce a sua dose diária de legumes, peixe e produtos lácteos.
E como no prevenir é que está o ganho, há que dar especial atenção aos mais novos. Se o bebé gostar de chucha, não a passe em açúcar, mel ou doces, pois potenciam as cáries. Use apenas chuchas ortodônticas e adequadas à idade. Evite também pendurar cordões ou fraldas de pano na chucha, pois o peso deforma a arcada dentária. Lave e ferva a chucha com frequência, uma vez que a boca é a maior porta de entrada de infecções no corpo humano. Finalmente, ao escolher uma chucha, tenha em conta que o aro deve acompanhar a curvatura da face do bebé, para um fechamento labial mais adequado, e deve ter orifícios para ventilação lateral. É ainda sabido que o uso prolongado da chucha pode influenciar o desenvolvimento da arcada dentária. Há o risco de os dentes nascerem tortos e projectados para a frente ou de os dentes superiores e inferiores não encaixarem. Por isso, os médicos estabeleceram os dois anos de idade como limite para o uso da chucha, defendendo que ela seja retirada, no máximo, até essa idade.
Maria do Rosário Lopes

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

289) Análise ao Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 2008 (3ª Parte)

NOTA PRÉVIA (do documento de trabalho)

Citando o Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 2008, o actual estudo “abrangeu as crianças e os jovens que frequentavam os estabelecimentos de educação do ensino público”. Tratando-se de um estudo de âmbito nacional, os autores referem que “todos os estudos realizados com alunos que frequentam estas instituições (instituições privadas) evidenciam uma prevalência e gravidade das doenças orais, mais baixa ou muito mais baixa quando comparada como a dos que frequentam os estabelecimentos públicos". Então os autores deveriam ter deixado claro que o panorama nacional, no cômputo geral, será ainda melhor relativamente às conclusões que retiram das análises efectuadas ao universo dos estabelecimentos públicos.
Seria óptimo que se fizesse uma abordagem mais aprofundada no sentido de detectar a conclusão apontada - a gravidade das doenças orais afecta em menor grau os alunos dos estabelecimentos de ensino privado. Que factores poderão explicar as diferenças, em termos de saúde oral, entre crianças que frequentam o ensino público e as crianças que frequentam o ensino privado? Estaremos bem em considerar que tal se deve à origem social das crianças ou as diferenças encontradas terão mais relacionadas com as responsabilidades que (não) são assumidas pelas diversas instituições de ensino públicas e privadas? Quais os aspectos positivos / vantagens que a frequência de estabelecimentos de ensino privado que podem e devem ser utilizadas pelos estabelecimentos de ensino público (e vice-versa)?
O estudo nacional permitiu recolher “uma colheita de saliva e placa bacteriana aos jovens de 12 anos, que servirá para o estudo epidemiológico do Streptococcus mutans e Streptococcus sobrinus, conduzido pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Abel Salazar, e que visa servir de suporte à produção de uma vacina contra a cárie dentária”. Sem dúvida, uma excelente iniciativa que deverá ter todo o apoio das entidades oficiais, nomeadamente as ligadas à saúde e à investigação.

domingo, 7 de setembro de 2008

288) APOSTE NA CRIAÇÃO DE HÁBITOS CORRECTOS DE HIGIENE ORAL PARA GARANTIR UM EFEITO VITALÍCIO E DURADOURO (1ª parte)

A saúde oral está intimamente ligada com o bem-estar geral de cada um de nós, sendo um factor que contribui para manter ou restabelecer as condições físicas, emocionais e sociais necessárias ao aumento das nossas capacidades individuais, melhorando a nossa qualidade de vida. Infelizmente podemos dizer que quase 100% da nossa população em geral sofre das principais doenças orais, a Cárie dentária e a Doença periodontal (doença das gengivas). É assim urgente que a educação e promoção da saúde oral se torne uma realidade no nosso país.
Uma criança com doença reumática tem frequentemente dificuldades acrescidas na prática da sua higiene oral diária:
1. Dificuldades motoras nos membros superiores podem complicar o acesso à cavidade oral (não consegue chegar com a escova de dentes à boca);
2. Distúrbios na Articulação Temporo-Mandibular que podem limitar a abertura da boca (não consegue alcançar bem os dentes de trás);
3. Deformações na mandíbula podem originar uma má oclusão dentária (maior retenção de alimentos);
4. Por vezes (embora raramente na criança a própria doença reumática pode originar secura na boca “Xerostomia” (aumenta a probabilidade de cárie dentária e maior propensão à inflamação gengival).
Todos estes factores dificultam as técnicas de higiene oral e contribuem para aumentar a prevalência das doenças na cavidade oral.
Para combater esta tendência a prevenção é a abordagem básica - Apostando na iniciativa individual, com a aprendizagem de técnicas especializadas e adequadas às necessidades de cada um, é sem dúvida nenhuma o melhor meio de alcançar um bom nível de saúde oral.
Vamos agora conhecer um pouco sobre os nossos dentes, suas principais doenças e origem, as suas consequências e por fim a melhor maneira de mantermos sãos os nossos dentes, ao longo de toda a nossa vida.
Qual a origem das principais doenças orais?
O inimigo nº1 dos nossos dentes é a placa bacteriana. A placa bacteriana é uma massa esbranquiçada, que se forma diariamente, colonizada por bactérias, fortemente aderente à superfície dos dentes e gengivas. A placa acumula-se em maior quantidade no sulco gengival (espaço entre o dente e a gengiva) e nos espaços inter-dentários.
São as bactérias da placa bacteriana que provocam a cárie dentária e doenças periodentais (doenças da gengiva), mas felizmente a placa bacteriana pode e deve ser removida diariamente, utilizando as técnicas correctas de higiene oral que mais adiante serão explicadas.
O que é a cárie dentária?
É uma doença infecciosa que se manifesta após a erupção do dente e que origina o amolecimento progressivo das estruturas dentárias levando à formação de cavidade. Para que se inicie uma cárie, as bactérias da placa bacteriana produzem ácidos que vão destruir o esmalte dentário. Estes ácidos são o resultado da fermentação dos alimentos ricos em açucares, também chamados hidratos de carbono (por exemplo os doces).
O que são doenças periodontais (doenças das gengivas) ? A gengivite e a periodontite são doenças que afectam os tecidos que envolvem e suportam os dentes e podem mesmo chegar a envolver todo o periodonto (o que rodeia o dente, a gengiva, o osso e outros tecidos que são responsáveis por manter os dentes firmes nos maxilares). Mais uma vez são as bactérias da placa bacteriana que dão início à infecção.
A gengivite surge quando deixamos acumular a placa bacteriana no sulco gengival (espaço entre o dente e a gengiva). A gengiva fica inflamada, vermelha e sangra com facilidade. Para voltar ao seu estado normal, basta remover a placa bacteriana do sulco gengival (escovar os dentes com a técnica correcta).
Se a gengivite não for tratada, pode evoluir para uma periodontite, ou seja o ligamento e o osso de suporte do dente vão se perdendo e os dentes ficam com mobilidade. Nestes casos há também uma predisposição do indivíduo para esta doença.
Há ainda a salientar a existência do tártaro (pedra nos dentes), que não é removida, mineraliza, torna-se dura e contribui fortemente para as infecções das gengivas.
(Continua)
Joana Figueiredo Freire (Higienista)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

287) A saúde oral no Canadá

O Canadá é uma federação de dez províncias e três territórios de aproximadamente 32 milhões de habitantes. O acesso e a disponibilidade de serviços de saúde e a regulamentação dos profissionais da área de saúde são de responsabilidade dos governos provinciais e territoriais. É estimado que os gastos governamentais e privados com serviços de saúde foram de 130,3 mil milhões em 2004, 5, 9% mais do o ano anterior. O gasto governamental é responsável por sete de cada dez dólares gastos com saúde.
O objetivo do programa de seguro-saúde financiado pelo poder público é assegurar que todos os residentes canadenses tenham um acesso justo a serviços médicos e hospitalares sem custos diretos ao paciente. Serviços dentais cirúrgicos proporcionados em hospitais também estão cobertos.
Aproximadamente 18.300 dentistas, 14.800 higienistas , 2.200 auxiliares de prótese dental, 2.000 técnicos de prótese dental e 27.000 assistentes de Odontologia estão envolvidos com o fornecimento de serviços odontológicos no Canadá, a maioria no setor privado. Existem 57 dentistas e 46 higienistas para cada 100.000 canadenses. O número de dentistas subiu 6% entre 1988 e 1997, enquanto o número de higienistas subiu 64% no mesmo período. Existem nove especialidades dentais reconhecidas no Canadá e os especialistas compõem 10% da população de dentistas.
Dos 9,28 mil milhões gastos com saúde oral no Canadá em 2004, cerca de 95% foram originados de pagamentos fornecidos por seguros privados ou pagamentos diretos dos pacientes. Aproximadamente 63% dos canadenses têm cobertura de seguros dentais particulares, que são um benefício empregatício não sujeito a cobrança de imposto de renda. Esse tratamento favorável de isenção de imposto também está disponível para planos odontológicos adquiridos por profissionais autônomos sem vínculos empregatícios.
As pessoas que possuem seguro odontológicos privado utilizam o serviço odontológico consideravelmente mais do que aqueles que não o possuem. De acordo com uma pesquisa de 2003, 74% dos canadenses que possuem o seguro e 48% dos que não possuem, visitaram o dentista no ano anterior. De acordo com os números da agência governamental de estatísticas do Canadá, aproximadamente 76% dos canadenses que têm as maiores rendas visitaram o dentista em 2003, enquanto apenas 35% dos canadenses com menores ganhos visitaram o dentista.
Em uma pesquisa de 2006, conduzida pela Associação da Indústria Odontológica do Canadá , 60% dos dentistas canadenses (1.011 pesquisados) realizam atividades odontológicas em áreas urbanas, 22% em subúrbios, enquanto 18% descrevem o local da prática dentária em áreas rurais. A maioria dos pesquisados (79%) são donos de seus próprios negócios, sendo que menos da metade de todos os pesquisados (47%) indicaram que atuam sem a companhia de outros profissionais.
Apenas metade das clínicas odontológicas pesquisados apresentam quatro ou mais consultórios. Um quarto dos pesquisados não emprega higienistas dentais e outro quarto emprega um higienista, enquanto quase metade emprega dois higienistas ou mais. A porcentagem de consultórios que empregam dois higienistas ou mais aumentou 14% desde 1997.
Consultórios dentais canadenses estão se tornando cada vez mais high-tech. Desde 2001, a porcentagem de consultórios com terminais computadorizados na área de atendimento (ao contrário de apenas na recepção) aumentou de 20% para 36% em 2006. Metade dos dentistas sem computadores nas áreas de atendimento, atualmente, afirmam que irão adquirir tais aparelhos dentro de dois anos. Atualmente, 57% dos dentistas possuem conexão à Internet tanto em casa como no escritório. Esse número mais do que dobrou de 24% em 2000.
A radiografia digital também tem sido adotada por um crescente número de profissionais. Atualmente 21% possuem tal sistema, frente a 3% em 2000. Aproximadamente 8% dos profissionais contam com instrumentos computa­dorizados no auxílio do atendimento; porcentagem parecida possui lasers para o tratamento de tecidos mole e duro). Em 2000 menos de 2% dos profissionais utilizaram tais equipamentos. Restaurações de resina e serviços de higiene dental representam as duas maiores fontes de receita para a maioria dos profissionais.
O Ministério Federal de Saúde paga serviços dentais para pacientes de comunidades organizadas de aborígines por meio de taxas de serviço em consultórios dentários particulares. O governo federal também organiza programas odontológicos para refugiados e seus dependentes, prisioneiros em penitenciárias, membros da Real Polícia Montada do Canadá, Forças Armadas do Canadá e antigos membros das Forças Armadas.
Os programas públicos de serviços odontológicos oferecidos na maioria das províncias e territórios são parecidos em termos de grupos populacionais elegíveis de alto risco e os tipos de serviços cobertos. Muitos desses programas não pagam seguros completos. A água potável na maioria das áreas urbanas, com a exceção de Montreal e Vancouver, possui flúor.
Como a saúde é administrada pelas províncias e as pesquisas epidemiológicas dentais são conduzidas diferentemente nas várias jurisdições, existem muitas lacunas em nosso conhecimento sobre a situação da saúde bucal dos canadenses. Pesquisa nacional com esse enfoque, a primeira em 30 anos, está atualmente no estágio de planejamento. A coleta de dados se iniciará no início de 2007.
A recém-criada Secretaria de Coordenação de Saúde Bucal tem a missão de coletar dados epidemiológicos da situação da saúde oral dos canadenses e promover a saúde oral. A partir das informações atualmente disponíveis, é seguro dizer que a situação da saúde oral da maioria dos canadenses e a qualidade dos serviços dentais disponíveis no Canadá estão entre os melhores do mundo.
A profissão de dentista é auto-regulada no Canadá; as autoridades reguladoras provinciais são responsáveis pelo processo de concessão de licença de dentistas e pelo controle que garanta uma alta qualidade dos serviços prestados aos canadenses. As autoridades reguladoras criaram uma organização, a Canadian Dental Regulatory Authorities Federation (CDRAF), uma instituição sem poderes reguladores cujo objetivo é antecipar e solucionar desafios de regulamentação nos níveis global, nacional e interprovinciais.
Os dentistas recebem treinamento em 10 escolas dentais (oito de língua inglesa e duas de língua francesa) no Canadá, com uma estimativa de 520 graduados por ano. Enquanto apenas 25% dos dentistas canadenses são mulheres, aproximadamente 50% dos estudantes de saúde bucal são do sexo feminino. Os programas de educação oferecidos por essas escolas recebem credenciamento da Comissão de Credenciamento Dental do Canadá (CDAC).
Em razão de um acordo de credenciamento entre o CDAC e a Comissão de Credenciamento Dental da Associação Dental Americana , os graduados de escolas odontológicas dos EUA e do Canadá são elegíveis para a realização do Exame de Certificação fornecido pelo Canada's National Dental Examining Board (NDEB). De todos os profissionais é exigida a obtenção de um certificado NDEB para prática odontológica no Canadá.
Para graduados em programas não-credenciados (atualmente, apenas a América do Norte é credenciada), existe um caminho especial para se submeter ao exame NDEB. Esses graduados devem completar um programa de qualificação de duração de dois anos oferecido pela escola odontológica canadense. O primeiro passo nesse sentido é o Exame de Qualificação administrado pela Associação das Faculdades Canadenses de Odontologia (ACFD).
Esses exames do Royal College of Dentists of Canada são utilizados por muitas autoridades odontológicas das províncias como parte das exigências para a concessão de licença de especialista e são conhecidas como o Exame Nacional de Especialidade Dental (NDSE). Aqueles que buscam a licença de especialista devem buscar informação da autoridade odontológica na província que pretender realizar a prática.
Em quatro províncias, o órgão regulatório funciona também como uma associação que cuida dos interesses dos dentistas, enquanto em outras províncias, os papéis de associação e órgão regulatório são realizados por instituições separadas. A Associação Odontológica Canadense (CDA) é a associação nacional que atua como porta-voz de todos os profissionais canadenses de odontologia. Ela mantém ligação com as associações provinciais, as escolas odontológicas, outras organizações de saúde, a indústria de seguro odontológico, assim como com o governo federal para o avanço da saúde oral dos canadenses.
A CDA é membro regular da Federação Dentária Internacional (FDI) e participa ativamente das discussões desta entidade global. Em 2007, pela primeira vez, um canadense, dr. Burton Conrod, será o presidente da FDI. O diretor executivo da CDA, George Weber, é o presidente do Comitê de Desenvolvimento Dental Mundial e Promoção de Saúde da FDI, que administra o Comitê de Desenvolvimento Dental Mundial e coordena projetos em países em desenvolvimento. O coordenador de Saúde Bucal do Canadá, dr. Peter Cooney, é o presidente da Seção de Saúde Pública da FDI.
John P. O'Keefe, Cirurgião dentista, E-mail: mailto:jokeefe@cda-adc.ca

domingo, 31 de agosto de 2008

286) Os Médicos Dentistas e o Serviço Nacional de Saúde (SNS)

Ao afirmarmos que o SNS deveria englobar Médicos Dentistas nos seus quadros, o que queremos dizer com tal afirmação? Podemos concluir que deveria haver Médicos Dentistas nos Hospitais públicos? Que deveriam ser distribuídos pelos Centros de Saúde?
Ora bem, para responder a estas perguntas comecemos por lembrar que, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a Saúde é o completo bem – estar físico, psíquico e social, e não consiste somente na ausência de doença ou enfermidade. Ora, à luz desta definição toda e qualquer especialidade médica e paramédica deveria estar integrada no SNS. Penso que este raciocínio está correcto.
Regressemos, então, ao assunto principal. Há ou não urgências em Medicina Dentária que justifiquem a presença de um Médico Dentista num serviço de urgência? Efectivamente, não há. Na área da Saúde Oral poucas “verdadeiras urgências” podemos ter. Assim, serão urgências de facto, as fracturas maxilares, e estas estarão à mercê do Cirurgiões Maxilo – faciais. Serão urgências de facto a avulsão de dentes, e aí temos em muitos hospitais centrais Estomatologistas para resolver o caso. Uma odontalgia, vulgo dor de dentes, não é uma situação de urgência que justifique a presença de um profissional num serviço de urgência.
Põe-se o problema dos pacientes que não têm condições económicas para tratar os seus dentes. Ora, para estes pacientes poderiam as Faculdades de Medicina Dentária ter convenções com a Segurança Social. Se fizermos uma análise sobre o investimento a fazer na montagem de um consultório dentário mediano, cerca de 20,000 € só em equipamento, não será difícil, utilizando a matemática, perceber o dinheiro necessário para um investimento nacional nesta área. Somando a estes valores os ordenados dos Médicos Dentistas, a manutenção dos consultórios e equipamentos, a factura a pagar por estes serviços será muito elevada.
Estou convencido que a melhor maneira, e mais económica de servir uma população na Especialidade de Medicina Dentária é a de o SNS fazer convenções com as Clínicas e Consultórios dentários. Com esta medida o Estado obrigava todos os Consultórios e Clínicas a trabalhar na legalidade. Ao comparticipar as consultas conseguia harmonizar os preços entre prestadores e assim as pessoas ficavam mais salvaguardadas da especulação. O Estado arrecadaria mais em impostos, pois todos os pacientes pediriam recibo para serem reembolsados. A população ficaria melhor servida pois assim recorreria apenas aos Médicos Dentistas com qualificações. Os Médicos Dentistas estariam assim integrados no SNS o que seria benéfico para todas as partes.
Colocar Médicos Dentistas nos Hospitais ou Centros de Saúde seria dar força à Ordem dos Médicos Dentistas de uma forma que, a meu ver, é perfeitamente desprovida de racionalidade. O grave problema da Saúde em Portugal tem dois grandes responsáveis. O Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos. O primeiro porque tem medo de dar ordens, o segundo porque dá ordens a mais. Não queiram colocar um terceiro interveniente na desordem da Saúde.
Carlos Borrego

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

285) DENTE POR DENTE, o verdadeiro impacto da saúde oral

Um sorriso bonito vale ouro. E anos de vida, também. Cada vez mais estudos estão a encontrar relações imprevistas entre a saúde oral e patologias crónicas, como doenças cardiovasculares e degenerativas do cérebro.
Se se questionarem cem portugueses, apenas um não se vai queixar do estado de saúde dos seus dentes. Os resultados pouco animadores pertencem ao estudo sobre Saúde Oral apresentado pela Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD) e referem-se a mais de 13 mil rastreios efectuados durante 2006. O diagnóstico apurado foi, mais uma vez, francamente negativo e varreu população adulta e crianças de igual forma, o que revela que a educação para a saúde oral não tem beneficiado os dentes portugueses.
Principais problemas: cáries, dentes obturados, falta de dentes, infecções. Dos oito aos 16 anos, 47% das crianças apresentam cárie dentária na dentição permanente; 16% já tiveram infecções, sensibilidade ou dor, mas apenas 50% procuraram tratamento. Os adultos dos 17 aos 30 anos são os que mais dentes cariados apresentam - em média 3,45. Trinta e oito por cento experenciaram dor ou abcessos e 71 % problemas periodontais, mas apenas 42% procurou resolver estes problemas com tratamento dentário.
Esta "alergia" à cadeira do dentista afasta os portugueses da média do cidadão europeu: o mais recente Eurobarómetro revela que o check up anual mais frequente dos europeus é exactamente à saúde dos dentes. Não é possível adivinhar o que está na origem deste exemplar comportamento preventivo dos cidadãos europeus, mas a assiduidade pode dar brilho a muito mais do que o esmalte dentário.
Um estudo publicado na revista científica Heart de Setembro revela que quanto mais cáries e dentes em falta um adulto jovem apresentar, maior o risco de sofrer de doenças cardiovasculares no futuro. Sugere o artigo que as bactérias alojadas na boca podem chegar de alguma forma à corrente sanguínea e provocar infecções ou inflamações crónicas.
Embora sem identificar uma relação causa-efeito, também a American Dental Association admite existir ligação entre a periodontite e a doença cardiovascular, Ave e pneumonia de origem bacteriana. Outros estudos encontraram ainda uma relação perigosa entre doença periodontal em grávidas e nascimentos prematuros, bem como complicações na diabetes. Não a causando, as infecções nos dentes e na boca podem provocar aumento de insulina no sangue e tornar a patologia crónica mais difícil de controlar.
Uma das investigações mais faladas este ano, na área da saúde oral, deu direito a destaque no Wall Street journal. Talvez por se tratar de um dos cancros mais mortíferos ou pela relevância da amostra: 51 mil homens. Em comparação com os que apresentavam bocas sãs, os homens com doenças de gengivas apresentam um risco 64% maior de sofrer de cancro do pâncreas. Embora raro, este risco representa mais 36 casos por 100 mil pessoas.
Na altura, os investigadores de Harvard "acusaram" a Porphyromonas gingivalis, bactéria que afecta as gengivas e que também pode despoletar a formação química de nitrosamidas, uma substância cancerígena, no organismo.
Mas negligenciar a saúde oral pode também reflectirse no cérebro. Um estudo britânico efectuado com cerca de 2500 idosos concluiu que não ter qualquer tipo de dentição eleva 3,57 vezes as probabilidades de se sofrer de algum tipo de disfunção cognitiva. Para além dos já referidos riscos derivados da exposição contínua a uma infecção bacteriana, o estudo de Robert Stewart e Vasant Hirani acrescenta uma outra explicação possível - a alimentação pobre e desequilibrada que os idosos sem dentes tendem a manter pode abrir caminho a doenças degenerativas no cérebro, como o Alzheimer.
Fonte: Revista Performance - Out07

terça-feira, 26 de agosto de 2008

284) Análise ao Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 2008 (2ª Parte)

RESUMO

No resumo do documento é referido que “Portugal, nos últimos 20 anos, tem desenvolvido programas de promoção da saúde e de prevenção das doenças orais assentes em estratégias universais (para toda a população), selectivas (para grupos risco) e indicadas (para os que têm doença), cuja monitorização tem sido feita, regularmente, pela Direcção-Geral da Saúde.” Surge aqui ao leitor a dúvida sobre quais os programas a que se pretende referir; deveria ter-se sido mais específico e listar quais os programas implementados no país nos últimos vinte anos e respectiva população – alvo de cada um deles. A pergunta fica feita: qual foi o programa que o Ministério da Saúde aplicou de forma a promover a prevenção das doenças orais, numa estratégia universal e destinada a toda a população.
O presente estudo é o resultado do levantamento da situação no ano lectivo de 2005/06, tendo como base o diagnóstico da “prevalência da cárie dentária, das doenças periodontais e da fluorose, bem como compreender alguns dos seus determinantes, nomeadamente, os relacionados com os hábitos alimentares e de higiene oral” tendo por base uma amostra de 2612 crianças de 6, 12 e 15 anos de idade das escolas públicas das várias regiões do país, incluindo as regiões autónomas. Sabendo-se que a maior parte das crianças frequentam o ensino público, fica aqui em aberto a possibilidade de avançar também com outro estudo ao universo residual constituído pelas crianças que estão fora do ensino público: em que medida haverá coincidências ou contrastes entre os dois universos e quais as razões para que isso aconteça?
Poderá a amostra de 2612 crianças ser segura, de forma a fazer-se uma extrapolação para o universo global de crianças existentes no país, para aquelas idades? O documento aponta para “índices de confiança intra e inter-observadores atingiram valores de 92,8% e 88,9%, respectivamente”, relativamente à cárie dentária.
O estudo permitiu apurar conhecimentos e os comportamentos relacionados com a saúde oral. Assim, apurou-se que “aos 6 anos de idade, 51% das crianças portuguesas estarem livres de cárie, quer na dentição temporária, quer permanente”; por outras palavras, aos 6 anos de idade, metade das crianças já apresentavam problemas de cárie dentária. Mais agravante é o facto de o CPOD (Índice de Cárie Dentária) passar de 0,07 aos 6 anos de idade para 1,48 aos 12 anos de idade e 3,04 aos 15 anos de idade.
Tais valores, embora de populações distintas, levam a concluir que existe a tendência dos problemas de saúde oral se agravarem de forma acentuada no final da infância e primeiros anos da adolescência dos jovens, no nosso país. Assim, torna-se indispensável que as autoridades competentes apostem na prevenção e tratamento dos problemas dentários da população escolar do ensino básico, generalizando a sua acessibilidade a consultas de saúde oral, apostando ao mesmo tempo na educação, fomentando a aquisição de comportamentos responsáveis.
A análise dos mesmos indicadores demonstra que a situação ainda é mais preocupante nas regiões autónomas, pelo que a existência de um cartão de saúde oral para todas as crianças e jovens deve constituir elemento vital para um controlo epidemiológico desta nefasta situação em alguns pontos do território nacional.
Constata o estudo de que, entre 2000 e 2006, “verificou-se um aumento de 30% de jovens com os dentes tratados. Estes ganhos em saúde oral resultaram, em grande parte, do processo de contratualização com o sector privado para a prestação de cuidados médico-dentários às crianças e jovens”. Se assim é, então que haja a possibilidade imediata de todas as crianças e jovens poderem ter acesso a esses processos de contratualização, uma vez que resultará em ganhos em saúde oral.
Avança o estudo que “a higiene oral, questionada através da execução da escovagem dos dentes, duas vezes por dia com uma pasta dentífrica fluoretada, era realizada por 50% das crianças de 6 anos e aos 12 e 15 anos, por 67% e 69% dos jovens respectivamente”, ou seja, entre um terço a metade das crianças e jovens não tem os melhores hábitos de higiene oral; esta situação é grave, na medida em que a escola e a sociedade não estão a cumprir com os deveres de formação parta a saúde de grande fatia da sua população infanto-juvenil. Como ninguém nasce ensinado, compete às autoridades competentes tomarem, no imediato, medidas que alterem este panorama, facilitando a aquisição de uma educação para a saúde, não apenas na teoria mas fundamentalmente prática, por parte das crianças e jovens; esse papel compete à escola, para além da família.
Refere o estudo que “a autopercepção que os jovens portugueses tinham da sua saúde oral era boa ou muito boa para 50% e razoável para outros tantos”; ora acontece que a realidade é muito diferente daquela que é percebida pelos jovens, pelo que há muito, mas mesmo muito, por fazer em termos de controlo epidemiológico das doenças orais junto das crianças e dos adolescentes.
“Após 20 anos de programas de saúde oral, dirigidos, prioritariamente às crianças e aos jovens, a percentagem de crianças livres de cárie dentária, aos 6 anos, passou de 10% em 1986 para 51% em 2006, o índice de CPOD de 1,1 para 0,07 e, aos 12 anos de 3,97 para 1,48”. Demasiado pouco, muito pouco, para um país-membro da União Europeia, onde entraram largos milhares de milhões de euros para tudo e mais alguma coisa, onde se organizaram todo o tipo de eventos à escala planetária, mas onde a saúde oral para uma larga maioria de crianças e jovens é apenas e tão só uma miragem, com as consequentes sequelas permanentes e irreversíveis para o resto das suas vidas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

283) A SAÚDE ORAL É UM DIREITO DE TODOS OS CIDADÃOS

COMUNICADO DE IMPRENSA Nº 011/08
(CGTP-IN)
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O Governo, em vez de implementar uma política a sério de prevenção e tratamento da saúde oral nos Centros de Saúde, para abranger a generalidade da população, alarga um programa existente, reconhecidamente insuficiente, às grávidas e idosos beneficiários do complemento solidário de idosos, representando estes últimos apenas cerca de 60 mil pessoas.
Foi publicado o despacho n.º 4324/2008, do Gabinete do anterior Ministro da Saúde Correia de Campos, para alargar o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, a grávidas seguidas no Serviço Nacional de Saúde e aos idosos, beneficiários do complemento para idosos, que sejam utentes do SNS. O Programa Nacional, aprovado em 2005, definiu como objectivo a redução de incidência e da prevalência das doenças orais nas crianças e adolescentes e, como é referido no despacho, apesar de proporcionar a cerca de 60 mil crianças e jovens cuidados curativos é reconhecido que se encontra desajustado, e que deve ser revisto até final de 2008.
Esta constatação do desajustamento do programa não surpreende, porque é demonstrativa do fracasso das políticas que não têm presente objectivos estratégicos, como é o caso da saúde oral. A CGTP-IN reclamou, ao longo dos tempos, que o SNS fosse apetrechado de consultas de estomatologia, dado que a generalidade da população não tem acesso a estas consultas e, sabendo nós, que a saúde oral, como reconhece o próprio despacho, é um importante problema de saúde pública, uma vez que afecta grande parte da população e influencia os seus níveis de saúde, bem-estar e qualidade de vida.
Em Portugal, a situação é uma vergonha nesta área e, por essa razão, somos dos países da U.E. onde há mais problemas de saúde oral, dado que só quem tem avultados meios ou se endivida, pode recorrer ao sector privado, dado os custos elevados, tanto na prevenção como no tratamento. Os dados da Direcção Geral de Saúde, de 2006, caracterizam bem a situação caótica existente nos Centros de Saúde.
Em todo o País Continental, para cerca de 10 milhões de habitantes, só existem 32 médicos especialistas: 12 estomatologistas e 20 em medicina dentária.

Como se pode verificar em toda a região do Alentejo não existe um único especialista e há sub-regiões de saúde, como Braga, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu, Leiria, Guarda, Castelo Branco e Santarém, onde não existe também nenhum especialista. Na sub-região de Lisboa, onde vivem centenas e centenas de milhar de pessoas, só existem 15 especialistas nos Centros de Saúde.
O Governo, perante esta situação gravíssima no País, em vez de implementar uma política a sério de prevenção e tratamento da saúde oral nos Centros de Saúde, para abranger a generalidade da população, alarga um programa existente, reconhecidamente insuficiente, às grávidas e idosos beneficiários do complemento solidário de idosos, representando estes últimos apenas cerca de 60 mil pessoas.
E a grande questão que se coloca é que a grande maioria da população, continua sem ter acesso a estes cuidados no SNS e não tem condições económicas para recorrer ao sector privado, que até já aceitam pagamentos a prestações para que algumas pessoas possam a ele ter acesso. Esta política de tipo caritativa não pode deixar de ser rejeitada, a saúde oral é um direito básico de toda a população.
Não é um cheque-dentista de 120 euros no total para as grávidas e de 80 euros anuais para os idosos que são abrangidos pela rede mínima social, para irem a consultórios privados aderentes do programa, que se resolvem as carências existentes. Estas medidas com carácter populista só servem para gastar dinheiros públicos, quando o País necessita é que o Serviço Nacional de Saúde preste estes cuidados a toda a população.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

282) AFID: Associação Nacional de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente

Saúde Oral na AFID
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Actualmente, há um crescente interesse da população em manter a sua saúde oral num bom estado, apesar continuar a haver limitações no que diz respeito a condições económicas, disponibilidade de horários e poucos recursos médicos.
Alguma coisa tem sido feita, mas ainda muito está por fazer, principalmente para este tipo de população. É fundamental continuarmos este trabalho. A formação dos técnicos e pais é para nós motivo de orgulho, uma vez que todos juntos podemos ajudar os utentes com deficiências motoras, físicas ou sensoriais a terem menos problemas de saúde. Os utentes agradecem que lhes sejam retirados, ou pelo menos, minimizados os problemas de saúde oral para que a sua qualidade de vida seja cada vez maior.
Contactos: Centro Social e de Reabilitação do Zambujal, Quinta do Paraíso, Bairro do Zambujal, 2720-502 Amadora, Telefone: 214724040 Fax: 214724041 Correio Electrónico: afid@afid.org.pt

terça-feira, 19 de agosto de 2008

281) Higiene Oral/ Higienista Oral (Caracterização)

D.L. 261/93, de 24 de Julho e D.L. 564/99 de 21 de Dezembro - Realização de actividades de promoção da saúde oral dos indivíduos e das comunidades, visando métodos epidemiológicos e acções de educação para a saúde; prestação de cuidados individuais que visem prevenir e tratar doenças orais.
Classificação Nacional de Profissões / 2006 - Exerce funções no âmbito da promoção da saúde oral dos indivíduos e das comunidades, utilizando métodos epidemiológicos e acções de educação para a saúde:
-planeia, executa e avalia programas de saúde pública oral;
-participa em acções de educação para a saúde no domínio de sensibilização das populações, ministrando conhecimentos sobre a aplicação de cuidados de higiene oral individual no âmbito da prevenção das doenças orais;
-execução técnicas clínicas adequadas à prevenção e controlo da gengivite, periodontite e cárie dentária, recolhendo informação clínica através da avaliação do registo da história médica, dentária e alimentar do individuo, da medição, avaliação e registo de sinais vitais, dos exames da cabeça, pescoço e intra-oral, da avaliação da saúde do periodonto e da higiene oral, do exame da dentição e oclusão, resultados dos exames radiográficos intra-orais, do reconhecimento de situações de emergência e da execução de impressões dentárias para obtenção de modelos de estudo;
-executa e avalia a eficácia dos tratamentos efectuados, nomeadamente, remoção de cálculo supra e sub gengival, alisamento de raízes, polimento de coroas e amálgamas, aplicação de flúor tópico, de selantes de fissuras e dessensibilização dos dentes hipersensíveis;
-executa outras tarefas clínicas, designadamente a aplicação e remoção de pensos cirúrgicos; detecção de obturações debortantes, manipulação de materiais de impressão, aplicação do dique e limpeza de próteses removíveis; presta informações sobre a aplicação de higiene oral individual.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

280) Análise ao Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 2008 (1ª Parte)

NOTA PRÉVIA

Esta é uma nota prévia ao Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 2008 publicado pela Direcção-Geral de Saúde. Seguir-se-ão novos comentários, oportunamente, onde será feita uma análise detalhada e cuidada de cada um dos capítulos que integram o referido estudo.
A publicação, pela Direcção-Geral de Saúde, do Estudo Nacional de Prevalências das Doenças Orais 2008, aliás, referente ao ano lectivo de 2005/06, vem constituir mais um documento para o necessário diagnóstico e análise da saúde dos portugueses, na vertente que diz respeito à saúde oral.
Louvando-se todo o trabalho realizado pela equipa que o levou a efeito, desde já sugere-se que não se perca a sua dinâmica de trabalho de equipa, persuadindo-a a prosseguir o seu valiosíssimo trabalho e a aprofundar a temática, estendendo-a a um universo maior. Sendo um dos raros trabalhos de investigação, no âmbito da saúde oral, levados a cabo a nível nacional, permita-se sugerir à Direcção-Geral de Saúde o reforço da equipa que o elaborou e que possa dar prosseguimento às suas actividades, agora mais favorecido com a expansão das novas tecnologias de recolha, processamento e análise de dados. Sugere-se mesmo o estabelecimento de parcerias de trabalho entre a equipe que realizou o estudo e as várias entidades nacionais que possam de algum modo contribuir para a investigação nesta área, quer por estarem directamente relacionados com a saúde oral, por exemplo as várias ordens profissionais e entidades de formação associadas à saúde oral, quer outras entidades independentes do próprio Ministério da Educação e que possam contribuir para a recolha e tratamento da informação, quer abrindo iniciativas que possibilitem a contribuição de terceiros, individualmente ou colectivamente, para a resolução dos problemas detectados.
Assim sendo, que o Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 2008 não seja um fim mas sim o início de um amplo programa nacional de combate aos problemas de saúde oral que afectam a população portuguesa.
Outra sugestão que se faz à Direcção-Geral de Saúde é que permita a disponibilização do Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 2008 num endereço directamente na Internet, sem ter a necessidade de fazer obrigatoriamente o seu download a partir do site da D.G.S., possibilitando assim um acesso mais fácil ao seu conteúdo.
Gerofil

sábado, 16 de agosto de 2008

279) DIRECÇÃO-GERAL DE SAÚDE: Cáries dentárias aumentam 21 % nos últimos 20 anos

As cáries dentárias aumentaram em Portugal nos jovens entre os seis e os 15 anos. Os dados são de um estudo nacional da Direcção-Geral de Saúde que dá conta de um aumento de 21 pontos percentuais nos últimos 20 anos.
Os jovens entre os seis e os 15 anos estão mais descuidados na atenção que devem ter com os seus dentes e, por isso, as cáries dentárias aumentaram no nosso país nos últimos 20 anos em 21 pontos percentuais. Os dados chegam de um estudo nacional da Direcção-Geral de Saúde, que mostra a evolução em 20 anos da saúde oral das crianças e jovens portugueses, documento que analisa o período entre 1986 e 2006.
O estudo também indica que com o passar da idade há mais problemas nas gengivas, assim como um maior hábito de escovar os dentes, pelo menos duas vezes por dia, mas revela igualmente uma tendência positiva quanto à população com dentes sãos. Olhando ainda ao estudo e centrando as atenções nas regiões verifica-se que Lisboa e Vale do Tejo surge com os melhores resultados, enquanto a Madeira e os Açores registavam os valores mais baixos. O documento refere ainda que, com a contratualização de serviços privados, também aumentou o número de jovens com dentes tratados entre 2000 e 2006.
Num dos pontos mais importante da higiene dentária, como o escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia, a percentagem também tende a aumentar com a idade, passando dos 50 por cento aos seis anos, para 69 por cento aos 15 anos.
Depois de revelar todos os dados o estudo recomenda a implementação das estratégias do Programa Nacional de Promoção Saúde Oral, "o mais cedo possível, na vida das crianças" e que a prevenção seja integrada na promoção da saúde em geral. O estudo da Direcção-Geral de Saúde recomenda ainda a criação de serviços de saúde oral acessíveis às crianças e aos jovens, bem como de um sistema de recolha de informação epidemiológica para permitir uma avaliação de custo-efectividade das intervenções.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

278) Plano de saúde oral deixa 1,7 milhões de euros por gastar

O plano que dá cuidados dentários a crianças dos três aos 16 anos só gastou 3,3 dos cinco milhões de euros disponíveis em 2007. E nem cobriu os 65 mil sujeitos previstos. "Lamentável", diz a Ordem dos Médicos Dentistas.
O Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral da Direcção-Geral da Saúde (DGS) integrou 52.771 crianças e jovens no ano passado. Mais cinco mil do que em 2006, mas abaixo das 65 mil previstas, apesar do reforço orçamental. O que equivale a uma taxa de execução de 81%, bem inferior aos 92% de 2006.
Apesar dos "assinaláveis" ganhos em saúde face às condições disponíveis, o bastonário da OMD lamenta que a execução continue "inexplicavelmente a não ser total". Isto num país que conta com cerca de 1,3 milhões de crianças e jovens naquelas faixas etárias.
Admitindo que não é possível chegar a todos - até porque muitas famílias optam pelo privado -, Orlando Monteiro da Silva entende que, no mínimo, as crianças acompanhadas nos centros de saúde deveriam ser gradualmente abrangidas, começando pelas mais novas. Se forem tantas quantos os filhos de grávidas assistidas no Serviço Nacional de Saúde (65 mil/ano), serão, entre os três os 16 anos, 795 mil. "A cobertura não chega a 7%. Há crianças em lista de espera para entrar no programa e o país dá-se ao luxo de nem gastar o dinheiro disponível".
Orlando Silva atribui a baixa execução à escassez de médicos dentistas contratualizados para o programa (que envolve escolas e centros de saúde). São 1191, num processo de recrutamento cuja burocracia "trava" novas adesões e cujo preço - 75 euros/ano/criança - são impraticáveis.
Diz a DGS que as 52 771 crianças implicaram 112 850 consultas, isto é, uma média de 2,3 cada. Atentando no número de cáries tratadas (eram 150 147 antes da intervenção médico-dentária, passando para 34 321 depois), a que se devem somar selagens e obturações, percebe-se que "o número de tratamentos é muito superior ao número de consultas". E, adianta, "a maior queixa dos colegas é que os casos mais frequentes são crianças com dez ou mais cáries".
Para a OMD, a solução para melhorar um programa que o ex-ministro Correia de Campos considerou "desajustado" (num despacho de Janeiro em que determinava o alargamento a 80 mil crianças este ano) seria aplicar-lhe o esquema de cheques-dentistas criado para grávidas e idosos carenciados. Os dentistas inscrevem-se voluntariamente e recebem 40 euros por consulta.
As poucas crianças dos três aos cinco anos abrangidas (4711, quando há em Portugal cerca de cem mil) é outra crítica de Orlando Silva. Porque é acompanhando-as desde cedo que se previne e evita o aparecimento de cáries e se cumpre o programa.
Jornal de Notícias
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É lamentável que um governo socialista arrase quase por completo o acesso das crianças e adolescentes aos programas de saúde oral; trata-se de um gravíssimo crime de negligência pública por parte do Ministério da Saúde, pelo que desde já peço a todos os leitores deste blogue que denunciem este atentado perpetuado pelo governo e façam chegar as suas reclamações junto de todas as instituições de direitos cívicos e humanos, tanto em Portugal como no estrangeiro.
O governo não pode continuar a actuar de forma criminosa por negligência, colocando a saúde das crianças e jovens em risco permanente e para o resto das suas vidas, com todos os gravíssimos problemas físicos e psicológicos irreversíveis que daí advêm; é tempo de dizer basta. Que alguém possa colocar termo a esta barbaridade praticada por um governo de um país que faz parte da União Europeia.
Gerofil

terça-feira, 12 de agosto de 2008

277) HOSPITAL DE SÃO JOSÉ: Apelo de uma mãe

helena disse...Ao ler o comentário lamento informa-lo que o sistema de saúde continua igual ou pior que a 34 anos atrás, pois tendo eu 2 filhos um com 6 e outro com 5 anos pedi a medica de família um consulta de dentista exactamente para prevenção de cáries e outros problemas que possam vir a existir, foi feito o pedido de marcação de consulta para o Hospital de São José em Abril e ainda estou a espera de uma resposta - estamos em Agosto certo?
10 Agosto, 2008 21:44
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Por favor, agradeço a esta mãe que deixe os seus contactos no meu endereço de correio electrónico (tempogero@gmail.com), a fim de eu próprio apurar as razões e dar seguimento imediato ao seu pedido.
Entretanto saiu o balanço do Programa de Saúde Oral para crianças e adolescentes referente ao ano passado; será aqui feito a sua análise dentro de alguns dias. À partida parece que vai pecar dos mesmos erros que já aconteceram nos programas dos anos anteriores, ou seja, ao actual ritmo só dentro de 40 / 50 anos é que todas as actuais crianças e jovens de Portugal Continental terão direito a uma consulta integrado no referido programa, isto se nesse prazo a natalidade vier a ser nula no país.
Gerofil

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

276) Estado vs Saúde Oral: Uma bagunça

No início era o PICSO: Programa Integrado de Cuidados de Saúde Oral. Era um programa de saúde oral na comunidade. Executado em 7 dos 11 concelhos do distrito de Castelo Branco, o PICSO durou 6 anos, tendo terminado em 1997.
Atendendo aos bons resultados conseguidos, a Ordem dos Médicos Dentistas (Associação Profissional dos Médicos Dentistas, à data considerada), da mesma forma que a Ordem dos Médicos, celebrou com a Direcção Geral da Saúde um acordo de parceria prevendo a contratualização dos profissionais seus associados que, nos respectivos consultórios, efectuariam os necessários tratamentos aos dentes definitivos das crianças escolarizadas do ensino público, discriminando negativamente as do ensino privado. Iniciava-se assim o PAMDIA – Programa de Medicina Dentária para a Infância e Adolescência. O tratamento dos dentes definitivos de cada criança valia 15.000$00.
Veio, de seguida, o PPSOCA: Programa de Promoção da Saúde Oral em Crianças e Adolescentes, destinado ainda e apenas aos alunos das escolas públicas. Os tratamentos dentários dos dentes definitivos de cada criança passaram a valer 75 Euros (conversão dos 15.000$00).
Finalmente, surge o actual PNPSO: Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. A sua primeira vertente exige o tratamento dos dentes temporários (decíduos, de leite ou caducos) e dos dentes definitivos de cada criança ou adolescente. Apesar do aumento do volume de trabalho, do aumento dos impostos e do aumento dos materiais dentários, a totalidade dos tratamentos continua a valer 75 Euros por indivíduo tratado.
Outra das vertentes deste PNPSO é a Saúde Oral da Grávida. As grávidas têm direito à emissão de cheques dentários emitidos nos Centros de Saúde, destinados aos tratamentos que necessitem efectuar. No entanto, apenas as grávidas que sejam seguidas nos Centros de Saúde têm direito aos referidos cheques. As restantes, ainda que sejam seguidas no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, não têm direito aos cheques-dentários. A discriminação é evidente. Segundo opiniões jurídicas várias, subscritas também por peritos médico-legais, este facto constitui um atropelo à Constituição da República Portuguesa. Trata-se, portanto, de uma situação ferida de inconstitucionalidade.
A totalidade dos tratamentos dentários da grávida vale 120 Euros – uma valorização surpreendente relativamente ao valor dos tratamentos efectuados às crianças e aos adolescentes. Mas há mais: nenhum cheque-dentário pode ser emitido se não houver tratamentos dentários a realizar. Uma destartarização (limpeza) não justifica a emissão de um cheque, tal como consta na Circular Normativa da Direcção Geral da Saúde. Ora o primeiro cheque emitido a uma grávida seguida no Centro de Saúde dos Olivais e apadrinhado pela Sr.ª Ministra da Saúde serviu, segundo a beneficiária, para fazer uma limpeza, já que não tinha necessidade de outros tratamentos. A televisão mostrou e deu voz àquela utente do referido Centro de Saúde. A conclusão parece óbvia: as regras veiculadas através de Circular Normativa não são para cumprir.
Para finalizar, atente-se sobre a terceira vertente do PNPSO: emissão de cheques dentários, pelos Médicos de Família, nos Centros de Saúde, aos reformados que beneficiem do complemento solidário para idosos. Se bem que moralmente aceitável – são pessoas de parcos recursos – a presente situação configura, uma vez mais, um atropelo à Constituição, dada a discriminação explícita nas regras do Programa de Saúde Oral da Pessoa Idosa.
No que respeita ao pagamento dos actos médico-dentários, assiste-se a mais uma surpresa: os tratamentos efectuados na cavidade oral do idoso valem 80 Euros por idoso e por ano, sem especificar o volume de trabalho que se pretende conseguir. Assim, a saúde oral do idoso, que vale 80 Euros, vale mais que a saúde oral da criança ou do adolescente (75 Euros) e menos que a saúde oral da grávida (120 Euros). Ninguém explicou os critérios que levaram à atribuição daqueles valores. Também ninguém explicou porque os Centros de Saúde de Oleiros, Vila Velha de Ródão, Belmonte e Covilhã não foram autorizados a emitir cheques dentários, se a Sr.ª Ministra afirmou que todos os Centros de Saúde do País o poderiam fazer.
Outras situações existem que configuram algo de errado no Ministério da Saúde, no âmbito da Saúde Oral. A circular normativa que institui o PNPSO diz claramente que serão tratados pelos profissionais contratualizados os utentes em programa que não consigam tratamento nas instituições do Serviço Nacional de Saúde. A Sr.ª Ministra da Saúde certamente não concorda com esta postura que o PNPSO determina uma vez que exclui a hipótese de um cidadão usufruir de uma consulta médico-dentária num Centro de Saúde. Pergunta-se: que devem fazer os Médicos Dentistas em funções nos Centros de Saúde? Há ainda que aconselhar a verificação dos recursos existentes, no que aos Médicos Dentistas diz respeito. Não há apenas “uns 20” daqueles profissionais a trabalhar no SNS. Esclareça-se: nos 16 Centros de Saúde dos Açores trabalham 17 Médicos Dentistas; em Castelo Branco, encontram-se mais 2; no IPO do Porto, 2; em Viseu, 2; acrescem ainda mais daqueles profissionais de saúde oral em Aveiro, Bragança, Hospital de S. João, etç.
A ligação dos Médicos Dentistas ao Serviço Nacional de Saúde constitui uma verdadeira surpresa em termos de atropelos legais: há Médicos Dentistas no Quadro de Pessoal, como Técnicos Superiores da Carreira Geral, no exercício de actividades clínicas. Dentro da mesma carreira, há Médicos Dentistas proibidos de exercerem clínica no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, com funções exclusivamente administrativas. Há Médicos Dentistas com contrato resolutivo a termo certo que têm por base a Carreira Médica Hospitalar e outros que têm por base a Carreira Geral dos Técnicos Superiores. Ambos exercem funções clínicas e praticam o mesmo horário de trabalho. No entanto, têm ordenados diferentes. A todos estes acrescem ainda os recibos verdes.
As conclusões, certamente, pertencem ao leitor. Da mesma forma a indignação que possa conduzir à acção.
Manuel Nunes
Médico Dentista

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

275) Área de Projecto do 12º ano da Escola Secundária de Tondela

Link: Tecle aqui
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Somos um grupo de área de projecto do 12º ano da Escola Secundaria de Tondela. Estamos a realizar um projecto intitulado “Saúde Oral: Como aumentar o orgulho nos nossos dentes?”

domingo, 27 de julho de 2008

274) ENTRONCAMENTO: A Câmara paga as escovas

As crianças que pela primeira vez frequentam o ensino pré-escolar vão ser envolvidas em sessões sobre saúde oral, organizadas pelo Centro de Saúde e pelo Agrupamento Alpha dos Jardins de Infância. A ideia é alertar as crianças e os pais "para a importância da saúde oral no bem estar geral, em especial a prática da escovagem diária dos dentes".
A Câmara decidiu por unanimidade atribuir um subsídio de €43,56, para a aquisição de 200 escovas de dentes, a indispensável "ferramenta pedagógica".

segunda-feira, 21 de julho de 2008

273) DENTES SÃOS - 1º PASSO PARA UMA VIDA SAUDÁVEL

Esteve hoje presente na nossa escola uma Técnica Superiora de Higiene Oral do Centro de Saúde do Cacém, no âmbito do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral da Direcção Geral de Saúde. Segundo a simpática senhora, este programa desenvolve-se através de várias observações feitas aos alunos de idades compreendidas entre os 7 e os 12/13anos. Por vezes são também observados alunos dos jardins de infância. A 1ª observação dá-se no 2º ano, fazendo-se outra no 4º e uma terceira no 6º ano com alunos já anteriormente referenciados como portadores de alguma cárie.
Ainda de acordo com números fornecidos pela higienista oral contactada, no anterior ano lectivo (2006/07) a percentagem de crianças livres de cárie nos jardins de infância públicos da zona do Cacém foi de 71% e o grupo dos meninos de 7 anos foi de 42% livres de cárie. A nível nacional não há nenhuma estatística actualizada.
Ora, aos 7 anos de idade, 42% de alunos de uma zona citadina estavam livres de cáries, o que significa que 58% apresentam já cáries dentárias. Estes casos são referenciados e depois transmitidos aos pais dos alunos. Infelizmente, muitos não se apresentam nos centros de saúde para posterior tratamento dos filhos. Lamentável atodos os níveis!
Daqui se faz um apelo aos pais para que tratem da higiene oral e da boa saúde dos garotos.
O LENCASTRE, BLOGUE-JORNAL
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Um número a não esquecer: 58 % das crianças com 7 anos de idade já apresentam cárie dentária. Será que este número não diz absolutamente nada aos Ministérios da Saúde e da Educação ? Depois há quem diga que existem médicos dentistas a mais em Portugal.
Gerofil

quinta-feira, 17 de julho de 2008

271) Guiné-Bissau: ONG portuguesa Mundo a Sorrir vai abrir clínica dentária e dar consultas gratuitas

A organização não-governamental (ONG) Mundo a Sorrir vai abrir uma clínica dentária na Guiné-Bissau e prestar tratamentos dentários gratuitos a toda a população guineense, disse hoje o seu presidente Miguel Pavão. Criada há três anos, a Mundo a Sorrir é uma associação de médicos dentistas portugueses que se propõe trabalhar na área da saúde oral, especialmente junto das comunidades mais desfavorecidas, excluídas e marginalizadas.
Além de ter projectos em Portugal, a ONG também desenvolve trabalhos na Guiné-Bissau e em Cabo-Verde, países onde voluntários da Mundo a Sorrir prestam cuidados médicos e sensibilizam as populações para a higiene oral. A ideia de abrir uma clínica na Guiné-Bissau surgiu porque a ONG apenas dispunha de uma cadeira de dentista portátil que limitava o trabalho dos voluntários. "Tínhamos dificuldades em trabalhar. O único meio técnico era uma cadeira dentária portátil, que ajuda mas tem limitações", disse hoje à Agência Lusa Miguel Pavão.
A Mundo a Sorrir contactou com o Orfanato Casa Emanuel, em Bissau, "um parceiro no terreno", que se aliou à iniciativa e ofereceu um espaço nas suas instalações para se montar a clínica, indicou o responsável. "Já foi enviada uma cadeira dentária cedida pela Associação Abraço e 15 caixas de material de estomatologia e medicina dentária que o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento nos fretou num contentor", disse o presidente da ONG.
De acordo com Miguel Pavão, no próximo mês seguem para a Guiné-Bissau um grupo de voluntários, entre os quais dois finalistas universitários, que vão instalar a cadeira, devendo a clínica abrir a meio de Agosto. A clínica vai prestar serviço gratuito a toda a população guineense.
Esperando "muita clientela", Miguel Pavão disse que vão ter de ser definidas algumas regras no atendimento, devendo ser dada prioridade às entidades parceiras e aos casos prioritários. Para já, o atendimento prestado será "quase paliativo", centrando-se nos tratamentos de cáries, tratamento da dor, prescrições médicas e nos cuidados com os mais jovens.
"Como têm um consumo de açúcar muito baixo, vale a pena apostar quando não lhes surge a primeira cárie. Até aos 12 anos podemos aplicar-lhes um tratamento que evita aparecimentos de cáries", explicou o responsável.
Além da vertente clínica, outra das apostas da organização é a formação dos técnicos locais e a sensibilização da população para os cuidados com a higiene oral.

terça-feira, 15 de julho de 2008

270) Portugal Continental: 5 distritos sem médicos dentistas no S.N.S.

O distrito de Santarém é um dos cinco a nível nacional onde as populações são obrigadas a recorrer a dentistas privados porque esta especialidade não existe nos serviços de saúde públicos, revela um levantamento da Ordem dos Médicos Dentistas. Os restantes são Viana do Castelo, Guarda, Viseu e Portalegre.
De acordo com o “Levantamento informativo efectuado nos centros de saúde e hospitais do continente” pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), e que foi apresentado no XIV Congresso destes profissionais, nove em cada dez centos de saúde não tem médicos dentistas e sete em cada dez hospitais sofrem da mesma carência. A situação é pior nos cinco distritos citados, dado que nenhum dos hospitais ou centros de saúde que servem estas populações tem esta especialidade.
O coordenador da Sub-Região de Saúde de Santarém, Fernando Afoito, confirma que não há sequer quadros de pessoal para médicos dentistas nos centros de saúde e a especialidade não entra também nas contas dos hospitais públicos do distrito. Mas ressalva que “Santarém não está a zero nesse campo”.
Está em curso há cinco anos um programa de higiene oral, garantido por técnicos habilitados, inicialmente destinado às crianças em idade escolar. Já este ano foi alargado a grávidas e utentes de centros de recuperação infantil.
“Temos dez higienistas orais que fazem a cobertura em onze centros de saúde – Benavente, Salvaterra, Coruche, Cartaxo, Rio Maior, Almeirim, Torres Novas, Tomar, Entroncamento, Fátima e Ourém”, explica Fernando Afoito. Para garantir o serviço nos restantes centros de saúde, a Sub-Região de Saúde contratou médicos dentistas. “Só em Santarém temos contrato com cinco”, diz o mesmo responsável.
O trabalho feito é sobretudo de prevenção de cáries e manutenção da higiene oral. A partir daí, dentista só mesmo no mercado privado. Onde por vezes se paga o serviço a peso de ouro.
O levantamento agora efectuado pela OMD actualiza um anterior, realizado em 2001, e revela que, em relação à oferta de tratamento em saúde oral, “a situação não evoluiu, antes pelo contrário, agravou-se”. A OMD salienta que os médicos dentistas “apenas podem exercer as suas funções como profissionais liberais, uma vez que não existe legislação que os enquadre no Serviço Nacional de Saúde”.
O levantamento da OMD abrangeu 410 estabelecimentos de saúde, repartidos por 79 hospitais e 340 centros de saúde, dos 18 distritos de Portugal continental. Tendo em conta todos os estabelecimentos de saúde inquiridos, “apenas em 11 por cento dos casos existe a especialidade” de medicina dentária ou estomatologia, o que representa uma redução em relação a 2001", conclui a OMD.
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É lamentável que neste país se veja nas televisões digníssimos governantes nacionais na inauguração de unidades de saúde de âmbito privado e esses mesmos governantes nada fazem pelo estado cada vez mais calamitoso da saúde oral nos hospitais centrais e centros de saúde.
Como é possível que o dinheiro dos impostos pagos por todos os que trabalham neste país continue a ser canalizado para negócios chorudos de hospitais privados, onde só os ricos podem entrar ? Quais os políticos responsáveis por esta situação ?
Gerofil

sexta-feira, 11 de julho de 2008

269) Mais de 5.000 cheques-dentista entregues a grávidas e idosos, mas apenas 10% utilizados

Mais de 5.000 cheques-dentista foram entregues a grávidas e idosos em pouco mais de um mês de funcionamento deste projecto de saúde oral, a grande maioria a futuras mães, segundo dados oficiais fornecidos hoje à Lusa. Os cheques-dentista foram criados pelo Governo como forma de colmatar a falta de oferta de saúde oral no Serviço Nacional de Saúde.
De acordo com os números da Ordem dos Médicos Dentistas, de 27 de Maio a 07 de Julho foram emitidos mais de 4.483 cheques-dentista destinados a grávidas e apenas cerca de 600 cheques para idosos. Cada grávida seguida nos centros de saúde tem direito a três cheques-dentista, num valor máximo total de 120 euros, num programa que prevê abranger 65 mil grávidas. Os idosos beneficiários do complemento solidário poderão usufruir de um máximo de dois cheques-dentista, num total anual de 80 euros.
Apesar de terem sido emitidos mais de cinco mil cheques, os números recolhidos até segunda-feira mostram que ainda só foram usados 559 cheques (cerca de 10 por cento dos já emitidos). Para o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, a diferença entre os cheques emitidos e os já utilizados terá a ver com o facto de as pessoas agendarem as consultas para mais tarde, sublinhando que o uso dos cheques está a ter "nos últimos dias um crescimento exponencial". Esta situação é demonstrada pelo número de chamadas com pedidos de informação para a Ordem dos Dentistas, que têm rondado uma média de 60 telefonemas diários, tendo o bastonário decidido afectar dois funcionários exclusivamente para responder a dúvidas dos utentes.
Na distribuição geográfica da emissão dos cheques-dentista, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte surge como a que mais cheques tem entregue, seguida da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, da ARS do Centro, do Algarve e do Alentejo. No Norte há 92 centros de saúde a passar estes vales aos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), 87 no Centro, 79 em Lisboa e Vale do Tejo, 23 no Alentejo e 15 no Algarve, num total de 296 estruturas em todo o país.
Até ao momento há mais de 2.300 médicos privados que aderiram ao programa dos cheques passados pelo SNS, com mais de 3.000 locais diferentes a que os utentes se podem dirigir para realizar as consultas ou tratamentos. A Ordem dos Dentistas estima que haverá 195 mil consultas para grávidas – num total de 7,8 milhões de euros – e 190 mil consultas para idosos, num total de 7,6 milhões de euros. Se houvesse uma distribuição equitativa dos cheques pelos médicos aderentes, cada clínico teria proveitos superiores a 6.800 euros anuais.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

268) Grupo Parlamentar do Grupo Socialista (Açores)

SR. Presidente, SR.ª e SRS. Secretários, SR.AS e SRS. Deputados:
A situação de crianças e jovens em risco, manifesta-se de formas diversas, sendo as mais comuns situações de maus-tratos físicos e psicológicos, problemas de saúde, negligência, abusos sexuais, regulação do poder paternal e abandono escolar. As crianças até aos cinco anos são as que mais sofrem atentados contra o seu bem-estar, seguindo-se a faixa dos seis aos 11anos. Na maioria dos casos, as crianças são vítimas da própria família.
(…) Nos Açores, esta realidade tem de ser considerada. Aprofundando a problemática, somos conduzidos a um paradoxo: 13 anos após a proclamação da Convenção dos Direitos da Criança, a qual coloca definitivamente a criança como titular de direitos, nunca como agora foram tão amplas as políticas de protecção das crianças. Assim sendo, a situação actual da infância, já referida, parece dever-se, fundamentalmente, à profunda desigualdade da sociedade contemporânea, com relevo para as situações de pobreza material e destituição escolar que afectam largas parcelas da população, propiciando, no seio das famílias, terrenos estruturais de risco de mau trato na infância, muito especialmente no domínio das grandes negligências de cuidados básicos.
Assim, a resolução do paradoxo só pode situar-se na adopção de políticas económicas e sociais de efectiva transformação e mudança das realidades sociais que promovem a exclusão. Em Portugal, desde 1990 que se vêm desenvolvendo esforços para a implementação de políticas a vários níveis que valorizam o estatuto da criança e do adolescente. Desde a gratuitidade dos cuidados de saúde na infância e na adolescência, alargando-se a idade pediátrica nos centros de saúde e nos hospitais, até ao efectivo desenvolvimento de uma rede pública de estabelecimentos para a educação pré-escolar, ao mesmo tempo que se instituem mecanismos de combate ao insucesso e ao abandono escolar.
(…) Nos Açores, a abordagem da problemática das crianças e jovens em risco baliza-se, por um lado, pela legislação nacional e, por outro, pela execução no terreno dessas determinações com as regulamentações e adaptações que se vão verificando necessárias para que haja uma protecção eficaz, e, não menos importante, para que se previna atempadamente o aparecimento de contextos vulneráveis àquelas situações.
(…) Previne-se o aparecimento de terrenos estruturais de risco, quando:
• Se decide a integração nas escolas das crianças e jovens com necessidades educativas especiais e se colocam docentes com especialização na área;
• Se dota o quadro das escolas de psicólogos (em breve serão 46);
• Se vacinam as crianças;
• Se cria, iniciativa única no País, o boletim de Saúde Oral para as crianças, e o Plano Regional de Saúde Oral;
• Se promove e apoia o debate sobre o tema e a formação de educadores, professores, profissionais de saúde, técnicos sociais, psicólogos, sociólogos, agentes da autoridade, magistrados, etc.
(…) Falando um pouco mais sobre a fase da Sinalização, deve contar-se com o espaço escola como o privilegiado para o efeito, dado que toda a criança vai à escola e está lá muitas horas. Assim, os educadores devem estar sensibilizados para a observação dos comportamentos das crianças e dos jovens, e deve ser-lhes dada formação para os habilitar à observação dos comportamentos, detectando eventuais sinais de maus-tratos.
Por outro lado, é fundamental que a instituição escola se organize de modo a oferecer oportunidades e contextos que permitam aos seus alunos descarregar as suas tensões, fazer confidências, serem autênticos sem receios de críticas. É preciso que se estabeleça uma relação de confiança entres eles e a comunidade educativa, de modo a que os mesmos sintam que podem contar com a instituição escola para tudo o que necessitarem, incluindo a denuncia de eventuais maus tratos a que são sujeitos, com especial referência para o abuso sexual, assunto de abordagem difícil, como é do conhecimento de todos nós.
(…) Muitas vezes, o encaminhamento da criança ou jovem em perigo passa pela institucionalização em casas de acolhimento temporário ou lares. Actualmente, há, em toda a Região Açores, cerca de 580 crianças e jovens institucionalizados. Para dar resposta a esta realidade, a política do Governo Regional tem-se pautado por:
• Construir e/ou criar novos equipamentos, dotando todas as ilhas (excepto o Corvo), de um centro de acolhimento ou de um lar, evitando que as crianças saiam da sua própria ilha;
• Remodelar os lares de grandes dimensões para jovens – conhecidos por Internatos, substituindo-os por equipamentos com características de acolhimento familiar para 10/12 utentes, em que se proporciona um tratamento mais humano, uma educação mais personalizada e por conseguinte melhor desenvolvimento pessoal e bem estar para o jovem;
• Todas as crianças e jovens, com deficiência, têm centros específicos, não necessitam mais de ficar trancados em casa em condições sub-humanas;
As rotinas de vida da criança e dos jovens promovem o seu desenvolvimento sob o ponto de vista emocional, social, motor, intelectual e afectivo. Assim, o que é necessário é definir políticas de intervenção que, de forma continuada, melhorem essas rotinas no dia-a-dia da criança, como tem vindo a ser feito pelos governos da responsabilidade do PS/A.
A pluridimensionalidade da área exige conjugação de vários esforços numa intervenção que tem de ser cada vez mais territorializada. Por isto, a articulação estreita entre a tutela e todos os parceiros sociais que desenvolvem trabalho na área, com especial referência para as Autarquias, Instituições Particulares de Solidariedade Social, Organizações não Governamentais, não esquecendo a própria família, é imprescindível para que se conceba e desenvolva um eficaz plano de intervenção que previna e combata situações de crianças e jovens em perigo.
DISSE!
Horta, Sala das Sessões, 19 de Setembro de 2003
A Deputada Regional do P.S.: Maria Natividade Luz

segunda-feira, 7 de julho de 2008

267) VILA REAL: Informar as camadas mais jovens da população sobre a prevenção na saúde oral

Criada em 2002, a Clínica de Medicina Dentária Dr. Daniel Azevedo (Qt. St Iria Lt. 6-Lj 1 Vila Real 5000-722 VILA REAL Vila Real telef.: 259327004) tem vindo a crescer, apostando em novas especialidades e contribuindo para a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde prestados no concelho de Vila Real. Informar as camadas mais jovens da população sobre a prevenção na saúde oral é cada vez mais importante.
Ciente dessa realidade, Daniel Azevedo está a desenvolver um projecto, em conjunto com as autarquias, que se prende com triagens nas escolas e, ao mesmo tempo, motivar as crianças para a importância da prevenção. “Inicialmente este projecto vai ser feito apenas com as escolas da cidade de Vila Real, e mais tarde será alargado a todo o concelho”.
De acordo com o nosso entrevistado, nos últimos dez a 15 anos a medicina dentária sofreu várias modificações, sobretudo ao nível dos materiais. “Os materiais estão cada vez mais evoluídos, o que dá uma maior segurança aos médicos, pois consegue-se resolver com maior rapidez e qualidade os problemas dos utentes”. Este aspecto é bastante importante para as pessoas deixarem de ter medo de ir ao dentista, “travamos uma luta diária no sentido de combater a fobia de consultar o dentista e lentamente temos conseguido grandes resultados a esse nível, o que é bastante importante, sobretudo se tivermos em conta que dez por cento da população mundial é totalmente desdentada. A nossa ida às escolas também irá contribuir bastante para que as crianças deixem de ter medo de ir ao dentista e depois elas próprias irão incentivar os pais a terem mais cuidado com a sua higiene dentária, pois por incrível que pareça, muitos portugueses ainda não sabem o que é uma escova de dentes”.
Na saúde oral, os problemas mais frequentes surgem ao nível da fixação das próteses. Apesar de à primeira vista esta questão parecer muito simples, acaba por ser complexa, porque os utentes que têm este problema acabam por não conseguir um relacionamento agradável com outras pessoas, ficam mais deprimidas e isolam-se da sociedade. “Somos bastante procurados para resolver esse tipo de problemas. Hoje já começa a haver uma mudança de mentalidades e os implantes têm cada vez mais procura”.
Contrariamente ao que se pensa, por vezes, é mais fácil reabilitar um doente que fez um implante do que um que fez uma extracção, “conseguimos que entre três a quatro horas o utente saia daqui com os dentes fixos e pronto para mastigar”, adianta. Por outro lado, Daniel Azevedo aconselha aos pais das crianças que estas devem começar a escovar os dentes desde muito novas, assim como a consultarem o dentista, por forma a se familiarizarem com os consultórios e os com os próprios médicos dentistas. “Ao manterem uma higiene dentária diária desde muito cedo, conseguem evitar problemas mais graves no futuro”.
A Clínica estabeleceu protocolos com a Medis, com a Caixa Geral de Depósitos, com o SAMS Quadros e com a Visavital. Este último protocolo foi estabelecido há cerca de um ano e, de acordo com o nosso entrevistado, está a ter resultados bastante positivos, “porque se trata de um seguro que reduz bastante o custo da medicina dentária em qualquer tratamento”.
O custo dos tratamentos dentários continua a ser um dos factores que mais afasta as pessoas dos consultórios médicos. “É difícil para nós contornarmos esse problema, porque as despesas com os materiais são muito elevadas, devido à sua qualidade, porque alguém que prima pela qualidade tem de usar materiais melhores e logicamente que isso aumenta o custo para o cliente. Por isso mesmo é que tentamos apresentar várias soluções, tais como os financiamentos e os seguros com que trabalhamos”.
Daniel Azevedo confessa que tentou estabelecer protocolos com outras instituições, o que não foi possível por já terem prestadores suficientes nesta região. “Deparamo-nos com uma procura cada vez maior de alguns subsistemas de saúde. Penso que as necessidades dessas pessoas não estão a ser tidas em conta. Por outro lado, é uma injustiça para os novos profissionais que surgem no mercado com conceitos mais actualizados e que não conseguem dar uma resposta por nos serem negadas as convenções, o que acaba por condicionar alguns tratamentos”.
O investimento no espaço, nos materiais e nos equipamentos exigiu um grande esforço financeiro. A Clínica adquiriu todos os equipamentos necessários para desenvolver o melhor trabalho possível. “Hoje, apostamos sobretudo ao nível dos materiais que colocamos na boca dos utentes, porque é isso que nos dá resultados mais imediatos. Ao nível dos equipamentos, as diferenças não são muitas de marca para marca. Penso que acompanhamos sempre as evoluções tecnológicas e de momento não existe nada no mercado que justifique a aquisição de um novo equipamento. O meu sonho, desde que criei a clínica, era acabar com a broca, mas isso ainda não é possível. Existe um tratamento a laser que substitui a broca, mas apenas em casos muito específicos e não se justifica gastar uma verba bastante avultada num equipamento para tratar cerca de um por cento das situações”.
O futuro passa por estar sempre na linha da frente ao nível das evoluções tecnológicas. Daniel Azevedo adianta ainda que nos meses de Outubro ou Novembro, juntamente com outros profissionais do país, irá orientar um curso de medicina dentária na área da implantologia. Este curso terá lugar nas instalações da clínica e destina-se a todos os médicos generalistas que se queiram iniciar em implantologia.

domingo, 6 de julho de 2008

266) Divulgação de outros blogues e sites

O amigo leitor conhece outros blogues e sites referentes à área da saúde e, especialmente, sobre a saúde oral? Nacionais ou estrangeiros, em qualquer língua?
Utilize o correio electrónico tempogero@gmail para fazer as suas sugestões.
Gerofil