terça-feira, 15 de novembro de 2016

686. LISBOA: Sem-abrigo vão contar com consultas dentárias

As cerca de 800 pessoas que vivem na rua e que recebem apoio da Câmara Municipal de Lisboa vão passar a contar com cuidados de saúde oral. Numa primeira fase, irá ser feito um rastreio, para posteriormente serem realizadas as intervenções dentárias necessárias.
Para a concretização do programa ‘Sorrir não Custa’, foi esta quinta-feira assinado, na Câmara Municipal de Lisboa, um protocolo entre a autarquia e o responsável pelo projeto. "O programa deverá arrancar ainda este mês", referiu Mário Almeida, responsável pelo Programa Municipal para a Pessoa Sem-Abrigo. O objetivo é consultar toda a população sem-abrigo da capital.
Paulo Varela, médico dentista e diretor clínico do ‘Sorrir não Custa’, referiu que "muitas pessoas queixam-se de que não vão a entrevistas de emprego por não terem os dentes em condições". Para inverter esta situação, o projeto visa "identificar as pessoas que precisam de ajuda, educá-las a nível da higiene oral e tratá-las através de implantes dentários, sempre que possível".
No sentido de chegar junto de toda a população sem-abrigo da capital, o projeto irá contar com o apoio do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) de Lisboa, num trabalho articulado com as equipas técnicas de rua, explicou o coordenador do núcleo, João Marrano.
O vereador dos Direitos Sociais da autarquia, João Afonso, referiu que não existe uma data para a conclusão do programa. "A Câmara vai ser um facilitador para implementar este programa, que não terá custos para o município", frisou.
Correio da Manhã

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

685. Médicos dentistas do SNS “sem condições para atender todos” em lista de espera

Centenas de milhares de utentes portugueses encontram-se em lista de espera para consulta de Medicina Dentária através do Serviço Nacional de Saúde, que conta com apenas 58 médicos dentistas para a totalidade dos atendimentos. Os profissionais reuniram este sábado em Aveiro, no 1º Encontro Nacional de Medicina Dentária do SNS, para debater prioridades no atendimento.
O debate fez parte de uma iniciativa do Ministério da Saúde teve como objetivo reunir vários médicos dentistas que exercem no SNS, a fim de analisar as condições de trabalho, as formas de acesso à consulta por parte dos utentes e a interligação entre os diferentes níveis de cuidados. “Procuramos criar um consenso relativamente ao tipo de utentes a quem se deve dar prioridade, porque, com os recursos que existem, não há condições para atender todos”, afirmou o membro da organização do evento, José Farias Bulhosa.
As dificuldades no acesso à consulta sentem-se por todo o país: no Baixo Vouga, por exemplo, há 380 mil utentes em lista de espera e em Lisboa, há médicos com 200 mil potenciais utentes a aguardar vez.
Relativamente aos profissionais, apenas existem 18 médicos-dentistas no continente, 11 na Madeira e 29 nos Açores, todos sem carreira clínica, uma vez que o Estado os considera técnicos superiores administrativos.
“A dimensão da solicitação da patologia oral não é um tipo de consulta em que é feita pela primeira vez, e se dá alta ao doente. Às vezes, é necessário o agendamento de várias consultas para o tratar, mas não podemos dizer-lhe para vir passados cinco anos, porque a lista é bastante grande”, explicou José Bulhosa.
Muitos dos utentes que esperam vez no SNS são pessoas com fragilidade económica para aceder aos cuidados privados. Apesar de haver equipamentos, estes encontram-se parados ou subutilizados por não abrirem vagas para os profissionais.
Os médicos dentistas reconhecem a atenção dada ao assunto por parte do Governo. Contudo, procuram evitar falhas já assinaladas a nível dos projetos-piloto anunciados para o Alentejo e Vale do Tejo. Para tal, pretendem que haja uma coordenação nacional e regional exercida por pessoas que tenham sensibilidade para a Medicina Dentária, preferencialmente formadas na área, a fim de chegar às realidades distintas de cada serviço.
Na passada semana, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, já tinha apelado à abertura de vagas dentro do serviço público: “Num país com tantas carências no acesso à saúde oral, era de particular bom senso aproveitar os médicos dentistas no subemprego, e colocá-los a servir a população mais necessitada, no âmbito do SNS.”
Monteiro da Silva falou a propósito do documento “Números da Ordem 2016”, que comprovou um aumento de 4,6% no número de profissionais inscritos na Ordem, um crescimento considerado muito acima das necessidades do país e da recomendação da OMS de um médico dentista por cada dois mil habitantes”.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

684. Médicas dentistas da ULS Nordeste no 1º Enc. Nac. da Especialidade

As médicas dentistas da Unidade Local de Saúde do Nordeste participaram, no dia 8 de julho, no 1.º Encontro Nacional de Medicina Dentária no Serviço Nacional de Saúde, que decorreu em Aveiro. Esta iniciativa teve como objetivo promover uma discussão e análise "das condições de trabalho, formas de acesso por parte dos utentes, interligação entre os diferentes níveis de cuidados e partilha de experiências organizativas".
Na apresentação efetuada no evento, a responsável da Medicina Dentária na ULS Nordeste, Dr.ª Susana Silva (à direita na foto), destacou o trabalho desenvolvido nesta área no distrito de Bragança, ao nível da prevenção e promoção da Saúde Oral. A dispersão geográfica (sendo o distrito de Bragança o 5.º maior do País), associada aos problemas ao nível das acessibilidades e às condições específicas da interioridade são as principais características do território servido pela ULS Nordeste.
Neste contexto, a equipa, composta por cinco Médicas Dentistas, assegura esta valência em todos os Centros de Saúde do distrito de Bragança. O trabalho desenvolvido nesta especialidade é direcionado para os utentes com idades entre os 3 e os 16 anos inseridos no Parque Escolar da localidade associada a cada Centro de Saúde. O trabalho desenvolvido pela ULS Nordeste nesta área tem-se revelado uma mais-valia para a população-alvo e para o distrito, nomeadamente ao nível do aumento do número de crianças livres de cárie dentária, diminuição da gravidade da cárie dentária,  maior  personalização  no  contacto  com  o  utente,  maior facilidade no acesso à consulta e melhoria da Saúde Pública.
Na sequência da sua comunicação, a equipa da ULS Nordeste recebeu “rasgados elogios” ao nível do seu método de trabalho por parte  do Dr. Manuel Oliveira, membro da Comissão da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários. As profissionais da ULS Nordeste foram ainda convidadas a participar no próximo Congresso dos Médicos Dentistas do SNS do Arquipélago dos Açores, pelo seu responsável Dr. Ricardo Viveiros Cabral.

sábado, 1 de outubro de 2016

683. Dentistas pedem carreira no SNS dentro de um ano

Por dia 250 utentes estão a ter consultas nos centros de saúde. Há quem nunca tenha estado num dentista por falta de dinheiro. O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas espera que dentro de um ano o Ministério da Saúde tenha criado a carreira que integra estes profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), dando regras e uma grelha salarial igual para todos. O projeto-piloto, criado pelo Ministério da Saúde, arrancou no início do mês em 13 centros de saúde das zonas de Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo. Por dia, são 250 utentes com consulta, pagando sete euros de taxa moderadora.
"Se o ministério pretende ter dentistas a exercer no SNS, seja nos centros de saúde ou nos hospitais, dada a especificidade da profissão, tem de criar uma carreira de médico dentista. O compromisso para a sustentabilidade do SNS dá início ao processo. A avaliação da experiência piloto permitirá que sejam dados passos nesse sentido. Espero que dentro de um ano ela exista", disse ao DN Orlando Monteiro da Silva, bastonário dos Médicos Dentistas.
A questão já foi abordada com o ministério e para a Ordem é fundamental que a futura carreira garanta a independência do dentista, formação continua, trabalho em equipa, idoneidade dos serviços, grelha salarial igual para todos que tenha como referência o salário bruto de um médico assistente sénior. A referência dos 13 novos dentistas do SNS é a carreira de técnico de superior de saúde, com um salário bruto a rondar os 1500 euros. Mas os poucos que já estavam no SNS recebem menos.
O bastonário acredita que este "é um passo histórico" e que a tendência será alargar o projeto. O Ministério da Saúde explica que a expansão a outros centros de saúde está prevista, mas que "o número e abordagem do processo está dependente das avaliações que forem efetuadas". O projeto será avaliado em várias fases, a primeira no início de 2017.
Ana Filipa Neto é a dentista da Unidade de Saúde Familiar Monte da Caparica, um dos centros de saúde com projeto-piloto. Não tem dúvidas do sucesso da medida. "Quando chegam à receção contam como correu bem, que não deu nada. Uns dizem que foi a primeira vez que foram ao dentista porque não tinham condições económicas, outros porque têm várias complicações as clínicas privadas não as atendiam por receio", conta.
Os utentes que atende, todos os dias da semana entre as 8.00 e as 18.00, são referenciados pelos médicos de família. Quando a assistente lhes liga "ficam muito contentes e dizem que esperam por isto há muito tempo". O projeto vem dar cuidados de saúde oral a doentes crónicos: pessoas com diabetes, cancro, doenças renais, respiratórias ou cardíacas.
O trabalho de Ana começa com a pergunta se tem queixas ou dores de dentes, faz-se um raio-x, traça-se o diagnóstico e o plano de ação. Um trabalho em parceria com outros médicos como cardiologistas, quando em caso de cirurgia é preciso rever a medicação que o doente já faz. "Muitos ficam entusiasmados quando pergunto se podemos começar o tratamento na primeira consulta. Sentimos todos os dias que estamos a ajudar as pessoas", conta, recordando uma das histórias que mais a marcou até agora: "Uma senhora, na casa dos 50 anos, que teve vários problemas de saúde, fez radioterapia, nunca pode ir ao dentista por falta de condições económicas. Tinha uma infeção, tratamos dos dentes do lado esquerdo. Queria receitar paracetamol e disse-me que não valia a pena porque não conseguia pagar".
Para a médica dentista, faz todo o sentido alargar, no futuro, esta oferta a toda a população. "É preciso integrar mais médicos dentistas. Se isso se conseguir fico muito contente. Não são só os pacientes de risco que precisam de cuidados. É toda a população", afirma.
Ana Maia

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

680. ESPOSENDE: Parceria garante cuidados de saúde oral a crianças e jovens carenciados do concelho

O Conselho Local de Acção Social (CLAS) de Esposende estabeleceu parceria com a Clínica Senhora da Saúde, de Esposende, no sentido de garantir apoio à saúde oral de crianças e jovens de famílias carenciadas do concelho.
O protocolo com vista à operacionalização do projeto +Saúde Oral foi formalizado no passado dia 12, pelo Presidente do CLAS e Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, e pelo Diretor Técnico da Clínica, Thierry Zão da Silva.
Este projeto surge no âmbito da intervenção da Loja Social de Esposende e pretende responder à frágil situação económica de algumas famílias, nomeadamente no acesso a serviços de saúde oral, nomeadamente rastreios e tratamentos médico-dentários.
A Clínica Senhora da Saúde compromete-se a receber e assistir mensalmente, de forma gratuita, até três crianças ou jovens com idade inferior ou igual a 18 anos, referenciados e encaminhados através da Loja Social e que se encontrem em situação de comprovada carência socioeconómica.
Esta parceria traduz, por um lado, a singular dinâmica da Loja Social na procura e diversificação de respostas para a população mais vulnerável do concelho e, por outro, espelha a responsabilidade social da Clínica Senhora da Saúde e a sua preocupação em assegurar serviços de saúde oral a crianças e jovens cujos agregados familiares não possuem capacidade financeira para garantir estes cuidados. Um exemplo que poderá seguido por outras entidades/empresas que queiram associar-se à Loja Social na melhoria das condições de vida da população.

terça-feira, 26 de julho de 2016

679. Estado gastaria 280 milhões de euros por ano com medicina dentária para todos em regime convencionado

O Estado precisaria de 280 milhões de euros anuais para dar a todos os utentes acesso a cuidados de medicina dentária em regime de convenção com consultórios privados, segundo um estudo da Universidade Nova de Lisboa.
O estudo, a que a agência Lusa teve acesso, apresentou vários cenários para aumentar o acesso dos portugueses a cuidados de saúde oral e recomenda que se opte pelo aumento da cobertura pública através de prestação privada, um regime convencionado como já acontece noutras áreas (análises clínicas, por exemplo). A aplicação deste regime aponta para um encargo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 280 milhões de euros por ano, o que daria uma despesa de 28 euros por cada português.
O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, entidade que encomendou o estudo, refere que "a opção mais razoável em termos de custos e de equipamentos já instalados" seria "aproveitar os cerca de 10 mil médicos dentistas que estão distribuídos por quase sete mil clínicas e consultórios". Em entrevista à agência Lusa, Orlando Monteiro da Silva, explicou que o custo anual de 280 milhões de euros permitiria incluir cerca de 90% dos cuidados de saúde para todos os utentes do SNS. Ou seja, naqueles custos estão contemplados os cuidados e tratamentos mais frequentes, como extrações, desvitalização ou limpezas.
O bastonário reconhece o peso económico da medida, admitindo que não seja realizada de forma repentina, mas sim numa perspetiva gradual, abrindo sucessivamente os cuidados de saúde oral à população, começando, por exemplo, pelos mais desfavorecidos ou utentes com patologias crónicas. "Há um caminho gradual que pode ser percorrido. E deve ser feito, já se perdeu demasiado tempo, com outros custos: o custo de não fazer nada é muito superior a isto, o custo de ter uma população a evitar alimentos, o custo do absentismo ao trabalho, de crianças a faltarem à escola, o custo social de andar desdentado", afirmou.
O estudo de Alexandre Lourenço e Pedro Pita Barros, da Nova School of Busines & Economics, traçou ainda o cenário de uma prestação de cuidados de saúde oral integralmente pública, equipando centros de saúde e contratando médicos dentistas. Para cobrir as necessidades do país, seria preciso contratar 6.500 médicos dentistas, o que representaria um encargo anual de 182 milhões de euros, apenas destinados ao pagamento de salários destes profissionais.
O estudo não realizou outras contas para este cenário, mas a Ordem dos Médicos Dentistas estima que o valor triplicaria se fossem contabilizados os gastos com ordenados de assistentes dentárias, obras de adaptação, custos com equipamentos e manutenção, além dos consumíveis usados nas consultas. "Quarenta anos depois, o panorama do SNS mudou radicalmente, com quase sete mil consultórios e clínicas dentárias. O estudo recomenda não duplicar e procurar que haja uma possibilidade de aproveitar o investimento privado que está desaproveitado", sintetizou.
Para o bastonário, o caminho futuro não tem de passar por uma solução integralmente pública ou totalmente convencionada, podendo haver uma combinação de ambas. Uma dessas possibilidades de solução mista poderia passar por ter um regime convencionado juntamente com uma "pequena rede de centros de saúde com médicos dentistas" para alguns grupos de doentes, como os oncológicos ou insuficientes renais ou outro tipo de doentes crónicos.
O estudo avalia ainda o cenário de aumentar a cobertura privada de cuidados de saúde oral através de seguros com prestação privada, cabendo ao Estado negociar com o setor segurador. De acordo com os autores, esta hipótese poderia "permitir uma redução do risco financeiro das famílias" e rentabilizar a oferta privada existente, mas "o enquadramento político e social é adverso ao recurso ao setor segurador para assegurar funções do Estado".
O bastonário dos Dentistas vinca que o país "já esperou" demasiado por um acesso universal de cuidados de saúde oral, considerando que as decisões políticas devem ser ponderadas com as bases científicas e técnicas e sem "preconceitos ideológicos" como pano de fundo.

terça-feira, 5 de julho de 2016

678. Consultas de saúde oral em centros de saúde arrancam a partir de sábado

A partir de sábado começam a ser introduzidas de forma faseada consultas de saúde oral nos centros de saúde, numa primeira fase dirigida a utentes mais vulneráveis e a partir de 2017 a todos os utentes inscritos. De acordo com um despacho esta sexta-feira publicado em Diário da República, a partir de dia 2 de Julho arrancam as experiências piloto, em alguns centros de saúde da Grande Lisboa e do Alentejo, para ampliar o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO).
Numa primeira fase, que decorre até 31 de Dezembro deste ano, têm acesso a consultas de saúde oral os doentes portadores de diabetes, neoplasias, patologia cardíaca ou respiratória crónica, insuficiência renal em hemodiálise ou diálise peritoneal e os transplantados, inscritos nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) onde decorrem as experiências piloto. Na segunda fase, a partir de 1 de Janeiro de 2017, em função da avaliação das necessidades não satisfeitas e dos tempos de espera, pode o projecto ser alargado a todos os utentes inscritos nos referidos ACES, de forma faseada e progressiva, dependendo da referenciação pelo médico de família.
Na zona da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, as experiências piloto vão decorrer nos ACES de Almada-Seixal (Centro de Saúde do Monte da Caparica), Arco Ribeirinho (Centro de Saúde da Moita), Médio Tejo (Centro de Saúde de Fátima), Lezíria (Centros de Saúde de Salvaterra de Magos, do Cartaxo e de Rio Maior), Estuário Tejo (Centros de Saúde da Azambuja, Alenquer e Arruda dos Vinhos) e Oeste Sul (Centros de Saúde da Lourinhã e de Mafra-Ericeira).
No âmbito da Administração Regional de Saúde do Alentejo, as experiências piloto realizam-se no ACES Alentejo Central, designadamente nos Centros de Saúde de Montemor-o-Novo e de Portel.
Os utentes inscritos nestes centros de saúde poderão ser referenciados para consultas de saúde oral, na sequência de decisão do médico de família, devendo o médico que presta a consulta de saúde oral manter "estreita articulação" com os restantes profissionais da equipa de saúde familiar. O despacho especifica que os cuidados de saúde oral incluídos nas experiências piloto incluem apenas os tratamentos considerados necessários em termos clínicos, deixando de forma intervenções de natureza estritamente estética.
Actualmente, no âmbito do PNPSO, beneficiam do cheque-dentista, crianças e jovens com idade inferior a 18 anos, grávidas em vigilância pré-natal no Serviço Nacional de Saúde, idosos beneficiários do complemento solidário e utentes infectados com o vírus do VIH/Sida. O PNPSO é revisto pela Direcção-Geral da Saúde até ao dia 29 de Julho de 2016.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

677. MIGUEL STANLEY: Há consultórios com 16 consultas diárias; os gestores conspurcam o conceito de medicina dentária.

A celebrar 20 anos de profissão e associado de várias organizações estrangeiras, Miguel Stanley deixa vários alertas e fala dos benefícios do serviço público.
O governo anunciou que pretende reforçar os centros de saúde com médicos dentistas. Este é um passo importante?
Existem vários tipos de medicina dentária: de urgência, de cuidados básicos e de reconstrução total. A introdução da medicina dentária no SNS é muito bom para os portugueses. Os tratamentos mais simples devem estar no SNS. Eu exijo que os meus impostos sejam aplicados para ajudar os portugueses que estão a sofrer com problemas básicos.
O que são os cuidados básicos?
A restauração, a desvitalização simples, o branqueamento dentário, próteses removíveis. Isso acredito que o SNS pode garantir sem grandes custos. Acima desta escala, caso das desvitalizações complexas, reconstrução de gengivas, implica equipamento e stocks de material mais caros.
Quanto custa montar o consultório de medicina dentária?
Para montar um consultório licenciado, com todas as regras, o custo por gabinete é tremendo. São precisas várias certificações e equipamento para os cuidados mais básicos e para os tratamentos mais complexos. Se tirar o valor da renda, decoração e os custos com os recursos humanos, montar um consultório pode chegar aos cem mil euros. Pode ficar mais barato sem raio-X panorâmico ou TAC, que considero fundamental para fazer implantes dentários. O médico dentista quase que é obrigado a trabalhar a vertente mais cara para poder ter uma clínica aberta. Existem mais de cinco mil clínicas, que têm de fazer face à concorrência e a um mercado cada vez mais agressivo.
Quais os efeitos da competição?
O negócio em Portugal é 100% privado, o que leva a que muitas vezes o único foco seja o lucro. Pode ser que haja sobrevenda do aspeto estético versus os cuidados básicos. Se existem tantos dentistas e sem apoio do Estado, isto pode acontecer. Se existirem cuidados básicos no SNS, e com isso regulamentação estatal, pode ser bom para o negócio pois as pessoas já não chegam reféns dos problemas básicos.
Mas existe regulamentação que os consultórios têm de cumprir.
Nos negócios de medicina dentária só se pode investir ou poupar em três coisas: materiais, médico dentista e tempo da consulta. Para muitos a única forma de sobreviver é poupar no médico dentista, no preço dos materiais - desde que estejam reconhecidos pelo Infarmed e dentro da validade é aceitável - e no tempo das consultas. Existem consultórios com 16 consultas por dia. Os gestores conspurcam o conceito de medicina dentária. A qualidade e a excelência vêm através do tempo. Acho fundamental a existência de medicina dentária no SNS e que o tempo médio de consulta seja de uma hora para que o SNS, que é pago com os nossos impostos, possa ensinar a qualidade do ato do médico às pessoas.
Quais os riscos de consultas com menos tempo? É um problema de falta de higiene?
Esta é a minha nova batalha. Quando as pessoas perguntam nas clínicas e consultórios qual o preço de determinado tratamento, devem também perguntar quanto tempo vão gastar com elas. A média nacional de tempo por consulta em Portugal é de 30 minutos. As pessoas fazem mais consultas e depois acabam por perder o dente. As seguradoras pagam por ato e o mesmo valor a todos. Não há incentivo à qualidade. Não é um problema de falta de higiene.
Como é que o SNS pode mudar isso?
Entendo que o SNS vai aumentar a fasquia da qualidade em relação ao tempo por consulta. As guidelines dizem que o tempo médio de desinfeção entre consultas deve ser entre oito e dez minutos. Não posso dizer que o fazem ou não, mas espero que o façam. Não tenho indicação de falhas, mas é um alerta.
Ana Maia

terça-feira, 31 de maio de 2016

676. Conceptsmile

Dentisteria Operatória: é a área da Medicina Dentária que está relacionada com as restaurações dos dentes cariados. Estas restaurações hoje em dia são altamente estéticas em que a cor da restauração é igual á do dente, melhorando assim o seu aspecto.
Endodontia: A endodondia (Desvitalização) é o procedimento médico a ser executado quando a lesão cárie atinge a polpa dentária, (vulgarmente conhecida por Nervo). ou por outro motivo e a polpa necrosa, temos que proceder à sua remoção total eliminando assim as bactérias presentes no canal e posteriormente fazer a obturação/preenchimento dos mesmos.
Cirurgia Oral: Esta área inclui um vasto leque de tratamentos, desde a extracção de dentes, simples e complexas, apicetomias, remoção de quistos, cirurgia pré-protética quando necessário e ainda regeneração óssea, quando existe osso insuficiente que impossibilita a colocação de implante.
Branqueamento Dentário: é um tratamento estético, que pode ser efectuado quando há poucas restaurações. Trata-se de um clareamento da superfície dentária através do contacto de substâncias activas. O branqueamento externo pode ser feito em casa através de umas moldeiras ou no consultório. Cada um deles tem as suas indicações e contra indicações e como tal deve-se aconselhar com o seu médico dentista.
Um dente desvitalizado e escurecido também pode ser branqueado através do branqueamento interno.feito no consultório.
Peridontologia: é a área responsável pela prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças das gengivas e das estruturas de suporte dos dentes. A gengivite é uma situação clínica muitas vezes relacionada com a inflamação gengival e sangramento. É reversível aquando da remoção do agente agressor (Bactérias). A periodontite é resultado da acumulação da placa bacteriana calcificada (Tártaro) originando assim perda de suporte ósseo envolta do dente, que origina mobilidade dentária e por vezes perda precoce de dentes.
Prótese Removível: A prótese removível é uma solução que poderemos utilizar quando não é possível reabilitações fixas (implantes ou prótese fixa). Estas próteses podem ser de dois tipos: Acrílicas (Apoiadas directamente na gengiva) ou Esqueléticas (apoiadas em dentes e tem uma base metálica).
Odontopediatria:Esta área reservada às crianças. O principal objectivo é prevenir as cáries e para isso podemos colocar Selantes de Fissura na superfície oclusal do dente sem cárie de maneira a esta ficar mais lisa. Nesta consulta é importante também explicar à criança as técnicas de escovagem, aplicação tópica de flúor e fio dentário.
Implantologia: especialidade da medicina dentária que está em constante evolução e também apresenta uma grande taxa de sucesso. O implante é um dispositivo de titânio que não é mais do que uma raiz artificial, permitindo a substituição de um ou mais dentes, contribuindo para uma melhor mastigação, fonética e estética. Posteriormente à fase da colocação do implante que é completamente indolor através da técnica anestésica, avançamos para a fase protética, isto é, colocação do dente.
Ortodontia: Esta área tem por objectivo diagnosticar, prevenir e tratar irregularidades dento-faciais (“dentes tortos”) que impedem a correcta oclusão. Nesta área são utilizados aparelhos fixos (brackets metálicos ou estéticos) ou removíveis que desta forma vão corrigir estes problemas estabelecendo assim uma harmonia estética do sorriso e promover a saúde do sistema mastigatório pela movimentação dentária e orientação do crescimento ósseo.
Prótese Fixa: As próteses fixas são estruturas cerâmicas fixas ao dente. Esta solução destaca- se sobretudo pela alta estética, resistência e conforto. Existem coroas e pontes. As coras colocam-se quando um dente está muito destruído e assim dar-lhe maior resistência. As pontes são indicadas para casos de inexistência de um ou mais dentes, fixando-se um ou mais dentes artificiais aos adjacentes, reproduzindo a estética de dente natural.

sábado, 14 de maio de 2016

675. Plano de Reformas: Médicos alertam para constrangimentos na Saúde

O Plano Nacional de Reformas, apresentado na quinta-feira pelo Governo, prevê, entre outras medidas, rastreios oftalmológicos em 28 agrupamentos de centros de saúde (ACES) e consultas dentárias gratuitas no âmbito de projetos-piloto em desenvolvimento.
Em declarações à Lusa, o bastonário José Manuel Silva considerou "positivas" estas duas medidas, destacando a inclusão da medicina dentária e da estomatologia nos cuidados primários do SNS.
"Saudamos a medicina dentária nos cuidados de saúde primários. Saudamos os rasteiros oftalmológicos que vão ser implementados, mas devem ser feitos com médicos e médicos dentistas do SNS", disse José Manuel Silva, defendendo ainda uma carreira de medicina dentária/ estomatologia nos cuidados de saúde primários dentro do SNS.
O bastonário reconheceu ainda que o próprio Estado contribui para a saída de médicos para o setor privado, ao "pagar mais aos médicos do setor privado que trabalham para o SNS".
"Vemos com muita preocupação, a manter-se para o setor publico a filosofia do 'entra um, saem dois' ou 'saem dois, entra um'. Ainda recentemente se falou muito de infeções hospitalares, e percebemos todos que há uma dramática carência de meios humanos nos hospitais. Reforçar a contratação de enfermeiros e assistentes técnicos e operacionais não está previsto, aparentemente, e isso vai continuar a colocar constrangimentos ao funcionamento", afirmou.
José Manuel Silva chamou ainda a atenção para a necessidade de as medidas que estão previstas no Plano Nacional de Reformas não serem feitas através de 'outsourcing'.
"Vamos ver como a experiência piloto vai ser implementada e depois como vai ser analisada, mas é positivo, tem sido uma lacuna [ausência] da medicina dentária no SNS", frisou.

domingo, 1 de maio de 2016

674. O Meu Dentista: reclame o seu crédito até 9 de março

A DECO tem conhecimento de que a clínica dentária O Meu Dentista (DIZIN – Saúde, S.A), a operar em todo o País, atravessa um Processo Especial de Revitalização (PER). Uma análise às reclamações apresentadas pelos consumidores permitiu concluir que grande parte dos tratamentos orçamentados e contratados foi celebrada através do financiamento da Popular Servicios Financieros. Em muitos casos, há tratamentos que não chegaram a ser cumpridos, motivo pelo qual os consumidores mantêm um contrato de crédito ativo.
Estamos perante um crédito ao consumo coligado com o contrato de prestação de serviços. Nestas situações de incumprimento contratual, os consumidores devem reclamar junto da instituição financeira – ou seja, a Popular Servicios Financieros –, uma vez que podem opor-se ao pagamento das prestações. Os consumidores que detenham estes créditos coligados deverão fazer chegar aos nossos contactos uma cópia das suas reclamações, para mediarmos o conflito junto da Popular Servicios Financieros.
Quanto aos consumidores que contrataram e pagaram diretamente à clínica dentária tratamentos que não lhes foram prestados e pelos quais não foram reembolsados, deverão reclamá-los junto do administrador judicial provisório. A carta-tipo que disponibilizamos estápreparada para esse efeito. Deve ser enviada registada e com aviso de receção,acompanhada com uma cópia de toda a documentação relevante.
Esta carta deve ser endereçada até dia 9 de março para o Dr. Carlos Cintra Coimbra Torres, Av. 25 de Abril de 1974, 23 - 1.º A, 2795-197 Linda-a-Velha, no âmbito do processo n.º 2918/16.0T8SNT, que corre os seus termos na Secção de Comércio – J5 de Sintra – da Comarca de Lisboa Oeste.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

673. Em Portugal, 50% população idosa não tem um único dente

Os dados são da Organização Não Governamental (ONG) “Mundo a Sorrir”, no âmbito do Projeto Sorrisos Porta em Porta que, durante cerca de quatro anos, promoveu a melhoria dos índices de saúde oral. Este projeto ajudou à diminuição do risco de infeções periodontais e patologias orais, bem como a prevenção de infeções ou patologias associadas a próteses dentárias na terceira idade. O projeto foi inovador em Portugal e na Europa, nasceu no Porto, em 2012 e associa-se ao novo consórcio Porto4Ageing, criado no âmbito da recente candidatura da região do Porto à classificação de Sítio de Referência Europeu na Área do Envelhecimento Ativo e Saudável.
De acordo com o médico dentista, fundador da ONG Mundo a Sorrir, Miguel Pavão, “a grande maioria da população crê que a perda de dentes é uma consequência natural e inevitável da idade, ideia errada que deriva dos exemplos que temos de familiares e amigos idosos. As principais causas para este fenómeno são o culminar de pouco investimento em saúde e saúde oral, associada a uma reduzida rotina de cuidados de higiene oral”. Miguel Pavão afirma ainda que “A saúde oral na terceira idade é um problema negligenciado que influencia negativamente a qualidade de vida dos idosos e que tem repercussões negativas na saúde geral. É manifesto que uma débil saúde oral tem consequências no relacionamento interpessoal. Pessoas com uma boca saudável são pessoas com uma maior auto estima. É por isso que projetos como o Sorrisos Porta em Porta são tão necessários e é preciso continuar a apostar neste população alvo, pois os mais de 15 mil beneficiários e 300 instituições abrangidos pelo projeto demonstram que não podemos parar e, neste sentido, estamos a preparar uma nova candidatura para este fim”.
Através de uma abordagem preventiva e de caráter formativo, o Projeto visou a sensibilização e consciencialização para o facto de que envelhecer não significa uma diminuição do bem-estar. Miguel Pavão explica que “a saúde oral na terceira idade consiste na manutenção dos dentes e estruturas adjacentes saudáveis, mantendo-se saúde, função e estética na sua plenitude e que  proporciona bem-estar e qualidade de vida ao indivíduo”. Estes objetivos foram conseguidos através de ações de promoção de saúde, rastreios orais aos idosos, formação aos profissionais, encaminhamento para realização de intervenções, monitorização de lesões e o ajuste de próteses, entre outros.
Em 2012, o Projeto Sorrisos Porta em Porta recebeu o 1.º Lugar no prémio CIS-Porto, após a sua implementação no Porto. Um ano depois, em 2013, a Mundo a Sorrir ampliou o projeto a Portugal Continental, tendo sido distinguida com o 1.º Lugar no prémio BPI Séniores. Em 2014, passou a receber o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da empresa VOCO GmbH.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, até 2025, a faixa etária que compreende os indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos seja aquela com maior crescimento. A OMS deixa também o alerta para o facto de milhões de idosos espalhados pelo mundo não estarem a receber os cuidados orais necessários devido à falta de conscientização dos Governos para este problema.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

672. Médicos dentistas defendem novo programa de saúde oral na Madeira

A delegação da Madeira da Ordem dos Médicos Dentistas defendeu hoje, no Funchal, que o Governo Regional deve retomar o programa de informação e promoção da saúde oral, face ao aumento do número de crianças com cáries dentárias.
"Temos, de algum modo, de investir na área da informação e da promoção da saúde oral, não só nas escolas, mas também na informação aos pais. Não podemos perder aquilo que durante 15 anos fizemos nas escolas da região", disse o presidente da delegação da Ordem dos Médicos Dentistas, Gil Alves, após um encontro com o secretário regional da Saúde, João Faria Nunes.
O programa de promoção da saúde oral na Região Autónoma da Madeira encontra-se suspenso e a Ordem dos Dentistas reconhece que, no caso de ser retomado, deverá aplicar-se uma nova metodologia, não por falta de recursos humanos, mas sim financeiros.
Gil Alves sublinhou que há registo de um aumento no índice das enfermidades, sobretudo cáries e doenças gengivares, e lamentou que a comissão, criada pelo anterior Governo Regional, no âmbito da intervenção precoce no diagnóstico do cancro oral, não tenha continuidade.
"Vemos cada vez mais, na nossa prática clínica, crianças de 3 e 4 anos com lesões da doença cárie dentária", alertou Gil Alves, realçando: "constrange-nos estarmos só a fazer o tratamento da doença e não a evitar que ela possa surgir".
O presidente da delegação da Madeira da Ordem dos Médicos Dentistas disse, ainda, que o secretário regional se mostrou recetivo às preocupações, tendo inclusive comunicado que vai nomear um profissional da área da medicina dentária para o coadjuvar na implantação das medidas ao nível saúde oral na Região.
* * *
Os programas de saúde oral devem ser feitos tendo em conta os recursos disponíveis. O Serviço Nacional de Saúde deverá contemplar meios físicos, humanos e financeiros que permitam integrar a saúde oral nos centros de saúde e nas unidades de saúde familiares. O sector privado, ao longo de mais de trinta anos, ainda não contribuiu para solucionar o problema do desigual acesso dos portugueses a cuidados de saúde oral e tem usado, em larga escala, recursos públicos de forma muito duvidosa nos resultados finais obtidos.
Compete às autoridades públicas o dever de integrar a saúde oral no Serviço Nacional de Saúde e garantir a igualdade de acesso de todos os portugueses aos cuidados de saúde oral.Por exemplo, não se pode continuar a permitir que uma pessoa possa assumir comportamento de riscos e contrair determinadas doenças e dessa maneira tenha um acesso privilegiado aos cuidados de saúde oral; é preciso colocar um ponto final nessa discriminação tão negativa para tantos milhões de portugueses.

domingo, 13 de março de 2016

671. PORTUGAL: Só há 20 dentistas para todos os hospitais e centros de saúde

Todos os anos formam-se, em média, em Portugal entre 500 a 600 médicos dentistas. Mas para quem sai da faculdade, as opções são basicamente duas: a medicina privada ou a emigração. A saúde oral ainda é uma realidade muito limitada do serviço público. Nos centros de saúde trabalham cerca de 20 dentistas. Ou seja, um para cada meio milhão de utentes. Pela primeira vez um governo assumiu que esta é uma prioridade e até ao final do ano arrancam experiências-piloto com dentistas nos cuidados de saúde primários. A proposta da Ordem dos Médicos Dentistas foi entregue ontem ao Ministério da Saúde.
Dos 20 médicos dentistas a trabalhar para o SNS, a maioria está na região de Lisboa e Vale do Tejo, seis no agrupamento de centros de saúde transmontano, dois na zona centro e um no Algarve. O projeto-piloto está direcionado para responder às necessidades de uma população economicamente mais desfavorecida e com doenças crónicas. Mas no futuro, o que se pretende é que estes cuidados básicos, como destartarização, desvitalização, extração de dentes ou próteses, possam chegar a todos pelo serviço público.
"É disto que grande parte da população precisa e que são os cuidados mais procurados. Saudamos a iniciativa do Governo, que a concretizar-se é um avanço enorme no acesso a cuidados básicos de saúde oral. Será cumprir os requisitos do SNS na equidade do acesso", diz ao DN Orlando Monteiro da Silva, bastonário dos Médicos dentistas. Até agora, uma parte da população - grávidas, crianças e jovens, idosos com complemento solidário e doentes com VIH - tem tido acesso a estes cuidados através do cheque-dentista, "que é importante que se mantenha, pois tem tido ganhos em saúde consideráveis", diz o bastonário. No ano passado foram emitidos 545 mil cheques-dentista e utilizados 413 mil. Em março entrará em vigor o alargamento do projeto aos jovens com 18 anos. Em entrevista ao DN Henrique Botelho, coordenador da Reforma para os Cuidados de Saúde Primários, explicou que este é um projeto que vai continuar.
A Organização Mundial de Saúde recomenda um médico dentistas para cada 2500 habitantes. Portugal mais que cumpre, mas apenas no setor privado, onde existem mais de cinco mil clínicas: um dentista para cada 1236 habitantes. O país tem 8500 dentistas registados na Ordem e outros 1200 estão a trabalhar fora do país, sobretudo em Inglaterra (59%) e França (12%). Mas a oferta traduz-se em cuidados? "Mais de 50% da população não tem acesso a cuidados básicos. Um parte importante não os consegue pagar e um seguro de saúde que garanta esta especialidade é caro", refere, considerando que "deve existir um médico dentista por centro de saúde e nos maiores mais do que um profissional".
Desde a sua criação que o SNS nunca teve cuidados de saúde oral. "Primeiro não havia muitos profissionais, depois foi uma opção política, possivelmente achou-se que não era fundamental. Há a perceção que é uma especialidade que não é barata, que são precisos recursos financeiros para equipar os espaços. É lamentável que existam equipamentos nos cuidados de saúde primários que nunca tenham sido aproveitados", lamenta.
Para Rui Nogueira, presidente da associação dos médicos de família, ter dentistas nos centros de saúde deve ser "prioridade máxima", sugerindo duas formas de o fazer: "um ter é médicos dentistas nos quadros dos centros de saúde, a outra é fazer convenções com os consultórios e garantir acesso direto. Temos de nos perguntar se este é um serviço fácil de instalar e de manter? Um sistema de convenção pode garantir uma resposta mais rápida e com menos custos. Nos centros de saúde mais periféricos e isolados poderíamos ter o serviço. As duas soluções podem funcionar em conjunto". O médico diz ainda que seria fundamental ter higienistas orais em todos os centros de saúde.
Outra prioridade, aponta Orlando Monteiro da Silva, são médicos dentistas nos hospitais públicos para fazer equipa com os estomatologista, uma especialidade que conta com 167 profissionais a trabalhar no SNS. "Mais de 80% tem mais de 50 anos. É preciso pensar a prazo em equipas mistas se quisermos dar uma cobertura multidisciplinar. Precisamos de ter equipas nos hospitais para tratar traumas, doentes operados, hemofílicos, doentes profundos que precisam de anestesia para tratamentos dentários, cancro oral", afirma.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

670. Medicina dentária e SNS

A licenciatura em Medicina Dentária existe em Portugal desde 1976. A sua duração era de seis anos, tal como a licenciatura em Medicina. Os três primeiros anos (ciclo básico) eram sobreponíveis aos três primeiros anos do curso de Medicina, sendo os três últimos (ciclo clínico) referentes ao estudo da patologia da cavidade oral e estruturas anexas. No entanto, nestes três últimos anos o doente não deixava de ser visto como um todo, sendo uma parte do plano curricular referente a manifestações sistémicas da patologia oral e vice-versa. Com este perfil curricular, o médico-dentista seria então um médico que sofreu um processo de diferenciação precoce dentro da medicina.
Os estatutos da Ordem dos Médicos Dentistas referem que o médico-dentista é "responsável pelo estudo, diagnóstico, prevenção e tratamento das doenças dos dentes, boca, maxilares e estruturas anexas". Deste modo, a medicina dentária como profissão autónoma, a exemplo do que acontece com qualquer outra especialidade médica, pode aplicar terapêutica médico-cirúrgica, com autonomia de prescrição, direito de emissão de atestados médicos e de certidões de óbito e outras.
O contributo da medicina dentária para a saúde da população não se esgota no estrito campo da saúde oral, nem tão pouco no exercício como profissão liberal. O médico-dentista deverá atuar sempre como um importante agente de promoção integral da saúde. A importância de uma boca bem tratada, que não seja foco de infeção e/ou inflamação permitiria poupar anualmente milhões de euros no tratamento de doenças como o cancro, a diabetes, doenças renais e doenças cardiovasculares.
Deste modo assume importância crucial envolver ativamente médicos dentistas e outros profissionais que atuam no âmbito da saúde oral em equipas multidisciplinares e em atividades de prevenção e tratamento de todas as doenças. Seria um contributo inestimável na promoção da saúde das populações e no bem-estar dos doentes.
Com a evolução da ciência e arte médico-dentária, um grande desafio se coloca, neste início do século XXI: estar apto e qualificado para intervir em ambiente hospitalar e em qualquer instituição do SNS (centros de saúde, unidades de saúde familiar e outras). Aliás, podendo os médicos-dentistas atuar no domínio da clínica privada, com intervenções por vezes de alto risco em doentes medicamente comprometidos, não se compreende que nestes 40 anos a medicina dentária esteja praticamente excluída do SNS. Dando como exemplo a área hospitalar, os referidos profissionais poderiam atuar beneficiando do apoio de outras especialidades, em equipas multidisciplinares, com benefícios inegáveis para o SNS e para os doentes.
Parece que finalmente o poder político olhou com atenção para a importância da saúde oral, havendo sinais de uma vontade política de dar passos claros e inequívocos neste sentido. Se tal se verificar, estaremos perante uma decisão política histórica, talvez das mais importantes, logo a seguir à criação do SNS em 1979.
Bem-haja à Associação Portuguesa de Medicina Dentária Hospitalar (APMDH) que, com o empenho dos seus dirigentes, amigos e associados clamam nesse sentido há mais de uma década. Aliás, o nascimento da APMDH veio institucionalizar uma luta dos seus fundadores iniciada na década anterior. Bem-haja ao Núcleo Regional Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro NRN - LPCC e aos seus dirigentes que, juntando sinergias com a APMDH e respetivo corpo clínico de voluntários, já efetuaram mais de 6500 consultas gratuitas de diagnóstico precoce de cancro oral. Bem-haja ao atual Governo pela manifestação de vontade de colocar a saúde oral e os médicos-dentistas no lugar que lhe compete no âmbito da saúde geral e no âmbito das ciências médicas, respetivamente.
Para terminar uma palavra de esperança: que a implementação seja efetuada de forma adequada após serem ouvidas as instituições que têm provas dadas neste domínio...

João Leite Moreira - Médico Dentista, Coordenador da Unidade de Estomatologia e Medicina Dentária da Liga Portuguesa Contra o Cancro - Núcleo Regional do Norte e Associação Portuguesa de Medicina Dentária Hospitalar

domingo, 31 de janeiro de 2016

669. Serviço de saúde português cai para 20.º lugar em ranking internacional



Desigualdade no acesso aos serviços de saúde, atrasos nas cirurgias, dificuldade em fazer tratamentos no estrangeiro, elevado número de cesarianas, dificuldade de acesso a médico de família e cuidados de saúde oral de fora do Serviço Nacional de Saúde são algumas das áreas que estão a contribuir para uma avaliação mais negativa do sistema de saúde português. De acordo com o ranking internacional feito pela organização sueca Health Consumer Powerhouse, Portugal surge na edição de 2015 no 20.º lugar do Índice de Assistência Médica Europeu, quando em 2014 estava na 13.ª posição.
(...)
Quanto a Portugal, o país aparece a “vermelho” em temas como o acesso directo a consultas com médicos especialistas, o tempo de espera para cirurgias não urgentes, as infecções por Staphylococcus aureus resistente aos principais antibióticos, a diálise feita fora de meio hospitalar, o acesso público a médicos dentistas e o consumo de álcool. A “amarelo” surgem questões como a publicitação de dados sobre a qualidade dos serviços prestados, o acesso a fármacos inovadores, consultas com o médico de família no próprio dia, tempo de espera para tratamentos oncológicos ou alguns exames complementares de diagnóstico. Os casos de depressão, anos de vida perdidos e sobrevivência ao cancro também são motivo de apreensão. Pelo contrário, o país consegue resultados “verdes” em temas como a prescrição electrónica, acesso a uma linha de saúde 24 horas por dia (Linha Saúde 24, 808 24 24 24), redução de mortes por enfarte e acidente vascular cerebral, cirurgia às cataratas, transplantes renais e vacinação.
(...)
Por outro lado, a Health Consumer Powerhouse destaca que os melhores resultados são encontrados em países com sistemas de saúde baseados em seguros sociais — Portugal tem um serviço público financiado essencialmente pelos impostos.
Romana Borja-Santos

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

667. Monteiro da Silva reeleito bastonário dos dentistas

Orlando Monteiro da Silva foi reeleito para um novo mandato de quatro anos como bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD). As eleições decorreram este fim de semana ao abrigo dos novos estatutos da OMD.
Para além da eleição para o cargo de bastonário foram eleitos os vários órgãos diretivos, incluindo o novo Conselho Geral, uma das principais novidades dos novos estatutos da OMD. O Conselho Geral é um órgão que integrará 50 membros da OMD de todo o país e vai funcionar de forma semelhante a um parlamento.
Foi ainda eleita uma lista independente, única, para o Conselho Deontológico e de Disciplina e liderada pelo médico dentista Luís Filipe Correia.
A prioridade da nova equipa será a elaboração de um projeto-piloto para a inclusão de médicos dentistas nos centros de saúde e unidades de saúde familiares. Este projeto vai ser elaborado a pedido do Ministério da Saúde e traduz uma das exigências do programa com que a Lista A se apresentou às eleições: a necessidade de garantir o acesso de toda a população a cuidados de saúde oral.
A lista liderada por Orlando Monteiro da Silva pretende ainda “apostar na formação e qualificação dos médicos dentistas, melhorar a organização da OMD e a regulação da profissão de acordo com o novo Estatuto da OMD”, refere comunicado de imprensa.
Orlando Monteiro da Silva considera que esta reeleição “marca uma nova fase na vida da OMD. Os novos estatutos trazem novos desafios e a criação do Conselho Geral vai permitir uma maior pluralidade. No total, é uma equipa formada por 104 pessoas de excelência, disponíveis para assumir os novos compromissos, decorrentes dos novos desafios que à profissão estão a ser colocados”.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

665. Dez dentes doentes por português: retrato de um país em que quase todos já tiveram uma cárie

"O grande problema é termos um valor muito elevado de dentes perdidos devido a cárie, seguramente porque as pessoas procuram o dentista muito tarde”, sublinha o coordenador do Programa da Saúde Oral da Direção-Geral da Saúde. Apenas 3% dos adultos em Portugal nunca tiveram problemas de cáries dentárias, com a situação a agravar-se nos idosos, que têm ainda em média 11 dentes totalmente perdidos, segundo um estudo oficial.
O III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, a que a agência Lusa teve acesso, foi realizado em cinco grupos etários representativos da população regional e nacional portuguesa, de acordo com critérios recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Pela primeira vez foram incluídos grupos etários da população adulta no Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, com as crianças, já anteriormente estudadas, a revelarem "melhorias significativas" na sua saúde dentária.
"O grupo dos 35-44 anos é a grande surpresa do estudo nacional. Praticamente todas as pessoas já tiveram contactos com cárie. Só 3% dos adultos em Portugal nunca tiveram problemas de cárie. A partir de uma determinada idade, podemos esperar que todos os portugueses têm ou tiveram problemas relacionados com a saúde dentária", afirmou em entrevista à agência Lusa o coordenador do Programa da Saúde Oral da Direção-Geral da Saúde, Rui Calado. O estudo identificou uma média de 10,3 dentes com problemas por pessoa, mas concluiu que quase cinco daqueles dentes se encontram já tratados, havendo ainda quatro que são dentes perdidos.
"O grande problema é termos um valor muito elevado de dentes perdidos devido a cárie, seguramente porque as pessoas procuram o dentista muito tarde. Mas o acesso a medicina dentária existe e verificou-se, porque dos 10,3 com problemas, só 1,5 estão por tratar", explicou Rui Calado. "Aliás, os níveis de adesão, de acesso, são novidades para nós. Estávamos à espera de piores níveis de acesso. O que acontece é que as pessoas têm acesso mas procuram os dentistas muito tarde", acrescentou.
No grupo dos idosos, entre os 65 e os 74 anos, há uma média de 15 dentes doentes por cada pessoa, sendo que 11,5 são dentes já totalmente perdidos, em relação aos quais a única alternativa é a reabilitação através de próteses. "A única solução é a reabilitação. A forma tem de ser pensada e estudada, porque qualquer conta, por mais ligeira que seja, nos indica que estamos a falar de valores astronómicos, se quisermos fazer uma intervenção pública", ressalvou o coordenador do Programa de Promoção de Saúde Oral.
Em relação às crianças, a DGS diz ter ficado claro "os ganhos de saúde em função do desenvolvimento do Programa" (que fornece os cheques-dentista, entre outras intervenções), com mais de metade das crianças de seis e de 12 anos a estarem totalmente livres de cáries e com todos os dentes saudáveis. A média de dentes com problemas é de 1,6 nas crianças de seis anos e de 1,2 nas crianças de 12, indicadores que se reduziram para metade quando comparados com o que se encontrou no estudo feito em 2000.
"Temos uma excelente situação de saúde dentária nas crianças até aos 12 anos de idade", vincou Rui Calado, considerando que a aplicação de selantes promovida pelo Programa de Saúde Oral tem estado a funcionar, bem como os tratamentos realizados através dos cheques-dentista. O Programa Nacional de Saúde Oral, que tem sido desenvolvido em parceria com a Ordem dos Médicos Dentistas, promove a aplicação de selantes de fissuras em molares permanentes saudáveis em crianças e permite ainda outros tratamentos através de cheques-dentista facultados aos 7, 10, 13 e 15 anos.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

664. Despacho n.º 12889/2015

A Portaria n.º 301/2009, de 24 de março, veio regular o funcionamento do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, no que respeita à prestação de cuidados de saúde oral personalizados, preventivos e curativos, ministrados por profissionais especializados, proporcionando, ao longo dos anos, o acesso a cuidados de saúde oral a diversos grupos -alvo. Neste momento, beneficiam deste Programa as crianças e jovens com idade inferior a 16 anos, as grávidas seguidas no Serviço Nacional de Saúde, os beneficiários do complemento solidário para idosos e os utentes infetados com o vírus do VIH/SIDA. Através do Despacho n.º 686/2014, de 6 de janeiro, o referido Programa foi alargado, passando a incluir, ainda, a intervenção precoce no cancro oral.
Neste contexto, o III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais veio revelar que nos últimos anos se verificou, por um lado, uma acentuada redução nos níveis de doença das crianças e jovens que beneficiaram de um longo trabalho de promoção e prevenção das doenças orais e, por outro lado, um aumento do número e da eficácia dos tratamentos efetuados, o que proporcionou uma enorme melhoria da situação de saúde dentária deste grupo -alvo.
Verificou -se, contudo, que as crianças e jovens com necessidades especiais nem sempre beneficiam do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, pelo que agora se define os requisitos que estabelecem o acesso ao mesmo.
Verificou -se, ainda, que os utentes infetados com o vírus do VIH/SIDA, relativamente aos quais está determinado que podem utilizar até seis cheques -dentista, podem apresentar novas necessidades de tratamento, pelo que, atendendo ao risco acrescido de problemas de saúde oral nestes utentes, são agora previstos ciclos adicionais.
Assim, ao abrigo do disposto no n.º 2 do artigo 2.º e do n.º 3 do artigo 7.º da Portaria n.º 301/2009, de 24 de março, determino:
1 — O Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO) é alargado, passando a incluir:
a) Os jovens de 18 anos que tenham sido beneficiários do PNPSO e concluído o plano de tratamentos aos 16 anos;
b) Os utentes infetados com o vírus do VIH/SIDA que já tenham sido abrangidos pelo PNPSO e que não fazem tratamentos há mais de 24 meses;
c) As crianças e jovens de 7, 10 e 13 anos com necessidades especiais de saúde, nomeadamente portadores de doença mental, paralisia cerebral, trissomia 21, entre outras, que não tenham ainda sido abrangidos pelo PNPSO.
2 — O alargamento previsto no número anterior traduz -se:
a) Aos jovens de 18 anos que tenham sido beneficiários do PNPSO e concluído o plano de tratamentos aos 16 anos, é atribuído um cheque -dentista;
b) Aos utentes infetados com o vírus do VIH/SIDA que já tenham sido abrangidos pelo PNPSO e que não fazem tratamentos há mais de 24 meses, é possibilitado o acesso a um ciclo de tratamentos composto até dois cheques-dentista, que pode ser repetido com uma periodicidade não inferior a 24 meses;
c) Às crianças e jovens de 7, 10 e 13 anos com necessidades especiais de saúde, nomeadamente portadores de doença mental, paralisia cerebral, trissomia 21, entre outras, que não tenham ainda sido abrangidos pelo PNPSO, e na sequência de triagem promovida pela unidade de saúde do Serviço Nacional de Saúde:
i) É atribuído um cheque -dentista ou referenciação para Higienista Oral;
ii) Caso não seja expectável que a criança ou jovem colabore numa consulta de saúde oral, nomeadamente por ser necessário o eventual recurso a sedação, a referenciação pelo médico de família, através da Consulta a Tempo e Horas, para os serviços de estomatologia dos hospitais da sua área de residência.
3 — O presente despacho produz efeitos a 1 de março de 2016.
9 de novembro de 2015. — O Ministro da Saúde, Fernando Serra Leal da Costa

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

663. Prevalência das doenças orais diminuiu significativamente nas crianças e jovens

Os dados sobre a prevalência de doenças orais integram o relatório apresentado pela Direção-Geral da Saúde A Saúde dos Portugueses - Perspetiva 2015 (pdf). Os resultados dos novos estudos de prevalência das doenças orais entre crianças e jovens até aos 24 anos comprovam uma tendência de melhoria geral que abrange todas as idades.
A gravidade da cárie dentária na dentição permanente aos 15 e aos 18 anos tem vindo a diminuir consistentemente desde o ano 2000.
Aos 18 anos, os níveis de doença, medidos através do índice CPO – número de dentes cariados e extraídos por doente revelam uma quebra de 4,7 para 2,5. A percentagem de jovens com pelo menos um selante em dentição permanente, aumentou de apenas 19,8% para 29,3%.
O número de jovens com 15 e 18 anos com gengivas saudáveis praticamente duplicou de 21,1% para 41,8%, confirmando a importância que cada vez mais é dada à higiene oral, pois 96% dos jovens de 18 anos referem escovar os dentes todos os dias.
Já em março, os dados revelados sobre as crianças de seis e 12 anos mostravam uma redução da prevalência das doenças orais. Aos seis anos, 79% das crianças afirma escovar os dentes todos os dias, aos 12 anos são quase 90%
Para o secretário-geral da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Paulo Melo, “esta melhoria que se tem verificado na saúde oral dos portugueses mais jovens deve-se a três fatores. Em primeiro lugar, a existência de um programa público de saúde oral que inclui o cheque dentista e permite que os mais jovens sejam acompanhados regularmente por médicos dentistas. Em segundo lugar porque esse programa permite ensinar a prevenir as doenças orais e introduzindo o hábito de escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia e permitie também que estes jovens sejam tratados quando a doença ainda está no seu início. Depois, este estudo comprova a importância do papel dos médicos dentistas portugueses na saúde oral dos jovens portugueses e que estão no caminho certo no ensinamento dos cuidados preventivos e no tratamento dos casos de doença”.
Face a estes bons resultados, Paulo Melo considera “que deve ser estudado um alargamento do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral por forma a abranger mais faixas carenciadas da população. As consultas de medicina dentária são praticamente inexistente no Serviço Nacional de Saúde (SNS), e é por isso imperativo criar condições para que todos os portugueses tenham acesso a cuidados de saúde oral. Seja com a integração de médicos dentistas nos hospitais públicos e centros de saúde, seja através de convenções entre o Estado e os consultórios e clínicas privadas”.
Os dados sobre a prevalência de doenças orais integram o relatório apresentado pela Direção-Geral da Saúde ‘A Saúde dos Portugueses - Perspetiva 2015’ que evidencia a necessidade de haver uma abordagem, integrada, com as várias especialidades da medicina, na prevenção e tratamento das doenças que mais atingem os portugueses.
O relatório da DGS concluiu que a má alimentação é o fator que rouba mais anos de vida saudável aos portugueses, e como sublinha o secretário-geral da OMD “é também o principal fator de risco, a par do tabaco, para a saúde oral.
O médico dentista pode desempenhar um papel decisivo já que as nossas bocas refletem exatamente os alimentos que ingerimos com perigos graves para doenças como a diabetes e as cardiovasculares, que condicionam especialmente a saúde oral e também são condicionadas pelas doenças orais.
Há aqui um trabalho de promoção da saúde em geral que a saúde oral pode e deve desempenhar, dando um contributo muito importante para prolongar a vida, e sobretudo a qualidade de vida, dos portugueses”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

662. Adolescentes não escovam dentes diariamente

Adolescente é rebelde, não só quando quer sair e voltar tarde, como na hora de escovar os dentes. Uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal, revelou que 20% dos adolescentes não escovam os dentes diariamente e apenas um em cada quatro escova os dentes duas ou mais vezes ao dia.
Segundo a professora de odontopediatria da Faculdade de Odontologia da USP, Mariana Minatel Braga, os problemas bucais mais comuns na adolescência são cárie e gengivite, resultados desse descuido com a higiene. “Muitas vezes, era uma criança que não tinha essas doenças e passam a apresenta-las devido às mudanças típicas da adolescência e da gradativa passagem de responsabilidade do pai para o filho”, diz.
Por outro lado, sabe-se que uma criança que teve cárie na infância tem maior probabilidade de ter cárie também na adolescência. “Isso é compreensível, pois a os maus hábitos ligados à saúde bucal tendem a perpetuar de uma fase para a outra, podendo, inclusive, se agravar na adolescência”, afirma Mariana.
Segundo a especialista, em relação às doenças gengivais, a adolescência pode ser uma fase em que tais problemas sejam facilitados em função das alterações hormonais. Entretanto, sem biofilme dental (placa), eles não ocorrem. “Além dos hormônios (que são facilitadores), deve haver descuido com a higiene, caso contrário, não ocorreriam tais tipos de manifestações”.