quarta-feira, 12 de julho de 2017

699. A importância da Medicina Dentária no SNS

Desde a década de 80, quando terminei a minha licenciatura em Medicina Dentária, que ouço falar da importância de termos médicos dentistas a prestar cuidados de saúde oral no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Nessa altura, todos os que terminavam o curso de medicina dentária começavam de imediato a trabalhar. Todos! Os que eram muito bons alunos, os “médios” e até os menos habilidosos. Todos conseguíamos ter trabalho. E todos, ou quase todos, no exercício privado da profissão.
Mas essa abundância de trabalho e a facilidade com que nos instalávamos no “mundo profissional” não impediu, desde essa altura, que os primeiros dirigentes da Associação Profissional dos Médicos Dentistas (APMD) se batessem para fazer ver ao poder político de então o quão importante era a entrada de médicos dentistas no serviço público de saúde para que, desse modo, pudessem, largas franjas da população, ter acesso aos cuidados de saúde oral. Desde a primeira hora que os responsáveis máximos da APMD, nesse tempo liderada pelo Prof. Doutor João Carvalho, tudo fizeram para se conseguir esse objectivo. Note-se, pelo atrás referido, que não era por termos alguma dificuldade em trabalhar, mas sim porque não podíamos ficar indiferentes ao facto de uma percentagem grande da população, muito mais que hoje em dia, não ter capacidade económica para aceder aos consultórios e às clínicas privadas.
Uma questão de justiça, consagrada na Constituição da República Portuguesa: “O direito á protecção da saúde é realizado através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito”. “Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação”.
Infelizmente, desde a sua criação, a medicina dentária foi excluída do Serviço Nacional de Saúde. Foi, portanto, com grande naturalidade que desde 1991, quando a APMD foi criada, este assunto fez parte das preocupações, das “lutas” e das negociações havidas com a tutela. Passaram mais de 25 anos. Não o foi por falta de empenho, ou falta de vontade, dos médicos dentistas e dos seus dirigentes que, com excepção de alguns casos dispersos no Continente e da realidade da Madeira e dos Açores, a saúde oral se manteve de fora do serviço público.
Foi porque os políticos, as pessoas com capacidade de decisão a esse nível, nunca quiseram dar o passo em frente e sempre preferiram ir adiando a decisão, servindo-se de uma grande variedade de desculpas para o fazer. Quero salientar, por ser verdade e por uma questão de justiça, que todos os bastonários, secretários-gerais e dirigentes da APMD e da OMD sempre defenderam e sempre se bateram para alterar este “estado das coisas”. Só que a classe política, primeiro não nos ouvia e depois, quando nos começou a ouvir, foi adiando a resolução do problema.
E assim se chegou a Janeiro de 2016 quando, em plena cerimónia de tomada de posse dos actuais órgãos sociais da OMD, o senhor Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Prof. Doutor Fernando Araújo, anunciou a intenção do seu Governo, de criar as condições para que a medicina dentária “entrasse” no SNS. Para tal, propunha dialogar com a OMD, para se chegar à tão desejada presença de médicos dentistas no SNS.
A solução proposta pelo Governo, em Abril do ano passado, não veio ao encontro das “nossas pretensões”, como é do conhecimento geral. Por esse motivo, decidiu unanimemente o Conselho Directivo da OMD não assinar com o Governo o protocolo que definia as condições do projecto-piloto de 2016 e que conduziu à entrada de 13 colegas, noutros tantos centros de saúde, para a prestação de cuidados primários de saúde oral. Mas, não tendo assinado o protocolo, entendeu também o Conselho Directivo da OMD manter abertas as portas do diálogo, de modo a ser ouvido e a poder contribuir para melhoraras condições dos cuidados prestados, caso o Governo decidisse, como veio a acontecer, prolongar o referido projecto-piloto, findo o primeiro ano.
Seria responsável outra posição? Seria sério termos “amuado” e termos fechado esta porta que se acabava de abrir? Mesmo que não se tenha aberto como todos queríamos? Efectivamente algumas melhorias foram conseguidas do primeiro para este segundo modelo de prestação de cuidados de saúde oral nos centros de saúde: os contratos a estabelecer passam preferencialmente de um para dois anos, de 13 centros de saúde podem passar para cerca de 50, a área geográfica deixa de ser apenas Lisboa, Vale do Tejo e Alentejo para abranger o Norte, o Centro e o Sul do país, os vencimentos do médico dentista e do assistente dentário são melhorados, etc.…
Todos temos a consciência que as condições actuais não são, ainda, as desejáveis e que muito mais há para fazer. Ninguém podia esperar que, depois de mais de 25 anos sem nada de muito relevante ter acontecido, de imediato, num ou dois anos, se alcançassem todas as condições por nós desejadas para o exercício profissional da medicina dentária dentro do SNS.
A recente decisão do Governo de formar um grupo de trabalho, que visa criar as condições para chegar à carreira de medicina dentária no SNS, deve concentrar os nossos esforços para, de uma forma séria e responsável, continuarmos a bater-nos por tão importante desiderato. Lembro que do programa eleitoral com que a actual direcção da OMD se apresentou a eleições, este ponto, referente ao serviço público no SNS, está como uma das prioridades.
É realmente importante assegurar que, mesmo para os mais desfavorecidos, para os mais pobres, possam haver, dentro do SNS, consultas de medicina dentária onde se prestem cuidados primários de saúde oral. Sabemos que este processo ainda vai demorar a dar frutos. Não criemos falsas expectativas. Vamos querer ouvir todos os órgãos sociais da OMD. Contamos com a colaboração de todos os médicos dentistas; vamos querer ouvir toda a classe numa consulta pública sobre esta matéria.
Os médicos dentistas portugueses são necessários, com uma carreira digna, no Serviço Nacional de Saúde. A população portuguesa merece, e precisa, que isso aconteça.
Dr. Pedro Pires, vice-presidente do Conselho Directivo da OMD

domingo, 4 de junho de 2017

698. Supermercados com consultas de medicina oral (2ª parte)

Médicos dentistas contra abertura de Dr. Wells
António de Sousa diz-se “envergonhado”

No seguimento da notícia da abertura de uma rede de clínicas de medicina dentária e medicinaestética pelo gigante Sonae, vários médicos dentistas demonstraram o seu desagrado nas redes sociais. O médico dentista António de Sousa foi um deles e disse estar “envergonhado” pois quando abraçou a profissão foi por amor à mesma e não “pela roupa Prada ou pelos carros topo de gama”. Eis a opinião do médico dentista:


Envergonhado 
Sr. Bastonário e colegas dirigentes da OMD,
Estando o senhor e grande parte da sua equipa como responsáveis da OMD há 16 anos são os colegas os únicos responsáveis pela vergonha que sinto hoje como médico dentista. Quando abracei a opção por esta profissão há 30 anos fi-lo pelo gosto à mesma; não foi a segunda ou terceira opção, foi mesmo a primeira.
Não o fiz pela roupa Prada ou pelos carros topo de gama, mas pelo gosto da arte dentária, pela independência como trabalhador que posso ter nessa profissão. Os carros, a roupa, as casas, as viagens são a consequência do empenho que possamos ter no nosso trabalho e esta profissão até determinada altura permitia ambicionar uma boa qualidade de vida.
Mesmo com o chavão do dentista é caro, era uma profissão respeitada pela população; o respeito por parte dos colegas de medicina é outra história. Este ano marca a muitos níveis o atingir do ponto mais baixo na medicina dentária. Não é o excesso de profissionais que justifica o estado lastimável a que a arte chegou. A única justificação que encontro está nos órgãos sociais da OMD. Tudo o que está a acontecer era previsível e o senhor e os seus pares nada fizeram para o evitar.
Quando a Autoridade da Concorrência acabou com a tabela de preços, os senhores nada fizeram para contornar o problema que daí surgiu. Em devido tempo deveriam ter sido criadas as guidelines para os diversos tratamentos dentários; essas guidelines associadas à tabela de nomenclatura permitiriam ter o manual de boas práticas médico-dentárias, com isso e com os custos imputados à realização de cada ato médico seria fácil instaurar processos por dumping aos agentes que notoriamente fizessem anúncio a práticas clínicas perto do grátis.
Por outro lado, o aparecimento de clínicas dentárias em espaços comerciais devia ter despertado nos senhores um olhar para o futuro e perceberem que esse iria ser o caminho previsível de alguns grupos económicos.
Evitar esta situação? Simples, caros senhores. Chama-se código de conduta. A existência de um código de conduta do médico dentista e da atividade da medicina dentária permitiria regulamentar a prática da atividade. Mais, se em devido tempo tivessem implementado a certificação positiva das clínicas dentárias, baseando-se nos códigos de conduta e na lei que regulamenta a atividade, podiam os colegas proprietários de clínicas solicitar essa certificação à OMD; este seria um processo complementar e voluntário a todas as certificações que necessitamos. Neste processo de certificação entrariam em consideração, entre outros, as condições que são dadas aos colegas que aí exercem.
A existência de clínicas certificadas ou recomendadas pela OMD faria diferença no mercado. É papel da Ordem que os senhores dirigem regular a atividade médico-dentária sendo o garante das boas práticas clínicas para a população que servimos.
Com um bom serviço, certamente que nós médicos dentistas também estaríamos bem, não é assim caros senhores?
São os senhores os responsáveis pelo que têm vindo a acontecer sistematicamente com clínicas ligadas a grupos económicos, que têm tido o fim que todos sabemos.
Não têm os senhores cumprido com o papel que o Estado delega na Ordem; regular e assegurar o serviço médico-dentário com qualidade à população.
Hoje é tarde. Qualquer medida que se venha a tomar não surtirá qualquer efeito.
É por isto que me envergonho de ser médico dentista numa ordem liderada pelos senhores. A anunciada abertura massiva de clínicas pelo maior agente económico do país envergonha-me senhor bastonário e caros colegas. Não gosto de me sentir comparado a um eletrodoméstico Worten ou a uma agência viagens.
Envergonha-me que colegas se aliem a este e outros grupos como diretores clínicos, fazendo baixar ainda mais o bom nome que a nossa profissão merece. Tivessem os senhores precavido estas situações, hoje esses grupos económicos teriam sérias dificuldades em contratar diretores clínicos e seria impossível obterem certificação por parte da OMD. Pode argumentar que poderiam abrir as clínicas, pois a lei geral assim o permite, mas não seria a mesma coisa.
Como um prezado e ilustre colega escreveu “somos todos irmãos”, mas não caros senhores, não sou irmão de quem deixou a profissão chegar onde chegou, nem sou irmão de diretores clínicos que em última análise também são responsáveis pelo que está a acontecer.
É o mercado a funcionar, podem os senhores argumentar, mas é um mercado sem qualquer regra por culpa inteiramente vossa. É este mercado que vai absorver o excedente de médicos dentistas, mas só absorve porque os senhores assim o têm permitido; sem ovos não se fazem omeletes, e por mais clínicas que possam abrir, se existisse regulamentação esses ovos seriam muito caros.
Por último, gostava de saber se os mais de 100 colegas que fazem parte dos órgãos sociais da OMD, muitos dos quais estão neste grupo, se se continuam a rever nesta política da OMD. Não têm também os colegas vergonha do estado a que chegámos?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

697. Supermercados com consultas de medicina oral (1ª parte)

A unidade de retalho da Sonae – Sonae MC – quer reforçar a aposta na área da saúde e bem-estar com a abertura de 75 clínicas de medicina dentária e estética nos próximos oito anos. O primeiro espaço Dr. Wells, o nome escolhido para a rede de clínicas, foi inaugurado esta sexta-feira, dia 19 de maio, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.
A primeira clínica é constituída por uma equipa de 25 colaboradores, 15 dos quais médicos. O espaço inclui seis gabinetes médicos (três de medicina dentária, dois de estética e um misto), uma zona de esterilização e uma sala de espera. Funciona todos os dias das 09h00 e às 24h00, com possibilidade de marcação de consultas até às 22h00.
O grupo Sonae quer abrir cinco novas clínicas ainda este ano, uma em Gaia e outra no Norte Shoping, estando as restantes localizações a serem estudadas pelo grupo. Até 2018, a Sonae quer abrir 10 novas lojas e chegar às 75 clínicas espalhadas de norte a sul do país. Na área da medicina dentária, a clínica Dr. Well’s oferece serviços de implantologia, prostodontia, ortodontia, dentisteria, cirurgia oral, endodontia, periodontologia e higiene oral.
A estratégia não passa só por crescer em número. Está a ser estudada a inclusão de outras especialidades, como oftalmologia, assim como a internacionalização do conceito a longo prazo.
Durante a conferência de imprensa que decorreu durante a abertura da nova clínica, Inês Valadas, administradora da Sonae MC, referiu que “há abertura neste mercado para criar uma marca forte”, não excluindo a hipótese do crescimento poder passar pela aquisição de clínicas já existentes. Foi ainda avançado que uma das estratégias das clínicas vai passar por “preços e soluções de pagamentos acessíveis”, bem como acordos com as seguradoras das redes Multicare e AdvanceCare.
Os beneficiários do Plano de Saúde Well’s beneficiam de um desconto directo até 40% nas consultas na rede Dr. Well’s, a que acresce um crédito de 15% do valor pago pelas consultas em Cartão Continente.

domingo, 19 de março de 2017

695. VERGONHA (Só em PORTUGAL): Um milhão de cheques-dentista ficaram por usar

Quase um terço (27%) dos cheques-dentistas emitidos desde 2008 não chegou a ser utilizado, segundo os dados publicados esta segunda-feira, 20 de Março, pelo Jornal de Notícias.
Dos 4,3 milhões de vales lançados nos últimos oito anos ao abrigo do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, houve 1,14 milhões que acabaram por ser desperdiçados.
Citado pelo jornal, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, disse que "é uma pena que os cheques não sejam aproveitados ao máximo", frisando que "a necessidade existe, mas nem sempre se transforma em procura".
Os cheques-dentista podem ser utilizados nos consultórios ou clínicas privadas aderentes, não havendo restrição quanto à área de residência do utente. As grávidas, os idosos que recebem o complemento solidário e as crianças e jovens até 16 anos são os maiores beneficiários desta medida, que há um ano foi alargada até os 18 anos no caso de já terem sido utilizadores.
Segundo os dados disponibilizados pela Ordem dos Médicos Dentistas, 69% dos beneficiários durante o ano passado foram crianças e jovens, enquanto as grávidas representaram 19% do total de mais de 544 mil cheques-dentistas emitidos em 2016.
* * *
A realidade dos factos revela a política de saúde oral dos governos em Portugal. Ao poupar 1 140 000 cheques-dentistas, os governos nos últimos anos pouparam dezenas de milhões de euros à custa da saúde oral das crianças e adolescentes portugueses. Um crime aberrante e atroz que traduz o real interesse do governo e da Direcção – Geral de Saúde em promover efectivamente uma verdadeira saúde oral para todas as crianças e adolescentes em Portugal, ao subtrair mais de um milhão de cheques-dentistas.
A pergunta é simples: quantos filhos e netos de todos os ministros que passaram pelo Ministério da Saúde e da Educação, dos senhores deputados à Assembleia da República ou altos dirigentes da Direcção – Geral de Saúde nos últimos dez anos não tiveram acesso a cuidados de saúde oral? As crianças e jovens sem direitos são os primeiros a sentir o desprezo que os governos têm para com a saúde oral. Se os governantes tivessem algum interesse, todos os cheques-dentista teriam sido usados; infelizmente não é esse o interesse dos governantes nem da Direcção – Geral de Saúde.

segunda-feira, 6 de março de 2017

694. Março é o mês da saúde oral

Para assinalar o Dia Mundial da Saúde Oral, que se celebra no dia 20 de Março, a Colgate, em parceria com a Associação Portuguesa de Higienistas Orais, irá promover a 17ª edição da “Missão Saúde Oral”, durante os meses de março e abril. O objetivo é sensibilizar a população para a importância da saúde oral e da adoção de boas práticas de higiene oral através da promoção dos 4 passos: escovagem com dentífrico fluoretado pelo menos duas vezes ao dia, uso do elixir, utilização do fio dentário e visita regular ao dentista/higienista.
Desde o ano 2000 que a Colgate promove este evento e nestes 17 anos já foram oferecidos mais de 130.000 check-ups dentários. Este ano a marca líder em higiene oral volta a colocar na rua, e por mais dias, a carrinha-consultório itinerante que passará não só por Lisboa e Porto, como no ano passado, mas também por Coimbra,oferecendo check-ups dentários gratuitos e fazendo  o aconselhamento personalizado, sobre os hábitos diários de higiene oral, por  profissionais de saúde oral. Estes check-ups terão lugar igualmente em hipermercados nacionais, de norte a sul do país. Existe ainda a possibilidade de quarenta portugueses usufruírem de 100€ em tratamentos dentários. Para isso basta aceder ao site da Colgate – www.colgate.pt – e participar no passatempo respondendo a um quiz sobre higiene oral.
Apesar da promoção deste tipo de campanhas de sensibilização, os estudos indicam que ainda há uma grande margem para melhorar os cuidados de saúde oral dos portugueses. Exemplo disso é o facto de os profissionais de saúde oral recomendarem a troca de escova de dentes pelo menos de três em três meses, mas os portugueses apenas comprarem escovas de dentes, em média, duas vezes por ano. Outro indicador é o facto de apenas36% dos lares portugueses ter comprado elixires, pelo menos uma vez num ano. Quanto à população infantil, estudos recentes concluíram que quase metade das crianças com idades entre os 2 e 7 anos não escovam corretamente os seus dentes (não escovam os dentes durante tempo suficiente; apenas escovam os dentes da frente), existindo consequentemente uma diminuição da saúde oral das crianças portuguesas, o que acarreta uma elevada incidência de cárie dentária nestas idades.(…)

Calendário Carrinha-consultório itinerante Missão Saúde Oral

LISBOA:
  • 7/Março | C.C. Colombo (entrada principal) com a presença da Embaixadora desta edição da “Missão Saúde Oral”, Carolina Patrocínio.
  • 8/Março | Praça Luís de Camões
  • 9/Março | Terreiro do Paço
  • 10/Março | Jumbo Cascais
  • 11/Março | Gare de Oriente
  • 12/Março | Campo Pequeno
  • 13/Março | Campo Grande 
PORTO:
  • 14/Março | Campanhã
  • 15/Março | São Bento
  • 16/Março | Rua de Santa Catarina
  • 17/Março | Av. França (Casa da Música)
COIMBRA:
  • 18/Março| Praça da República
  • 19/Março | Largo da Portagem
  • 20/Março | CC Gira Solum (Rua João Deus Ramos)
shoppingspirit

domingo, 19 de fevereiro de 2017

693. Cuidados de saúde oral vão ser alargados a todos os utentes do SNS

Menos de um ano depois, o Governo vai expandir a experiência-piloto de ter dentistas nos cuidados primários. Uma norma publicada esta quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde adianta que a assistência em saúde oral vai deixar de ser garantida apenas às pessoas mais vulneráveis e a incluir todos os utentes das unidades que fazem parte do grupo experimental.
Nos 13 centros de saúde do Alentejo (Montemor-o-Novo e Portel) e da Região de Lisboa e Vale do Tejo (Monte da Caparica, Moita, Fátima, Salvaterra de Magos, Cartaxo, Rio Maior, Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Lourinhã e Mafra-Ericeira) todos os utentes inscritos podem agora aceder ao dentista. A consulta é pedida pelo médico de família.
No ano passado, quando tive início o projeto-piloto, os cuidados de saúde oral estavam limitados aos utentes considerados mais vulneráveis. No caso, com diabetes, cancro, doenças cardíacas ou respiratórias, insuficiência renal ou sujeitos a transplante. Ao todo, 3396 doentes foram encaminhados para o dentista e foram realizadas 5316 consultas de saúde oral.
A oferta de cuidados dentários nos centros de saúde, que exclui todas as intervenções estéticas, vai continuar a ser avaliada para a eventual extensão a todas as unidades de cuidados primários do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e assim a toda a população. A ausência de dentistas nos serviços de saúde do Estado tem sido sempre referida como uma das fragilidades do SNS.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

692. Entidades privadas: 80 % cobram serviços fictícios de medicina oral

Aos 58 anos, a procuradora Leonor Furtado orgulha-se de uma carreira dedicada ao combate à corrupção. Passou por Timor-Leste, pelo Ministério do Ambiente, pelo Tribunal de Contas, pelo Conselho da Europa e pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal. Desde 2015 que se dedica a descobrir de quantas formas se pode enganar o Estado à custa das doenças: é inspectora-geral das actividades em saúde, uma área onde as fraudes valem milhões.
Jornal PÚBLICO – Quais as fraudes na saúde que mais a chocam?
Procuradora Leonor Furtado – Tanto é fraude um cidadão que adquire óculos de sol para a família toda pedir comparticipação à ADSE como o caso do médico que prescrevia tantos antibióticos ao pai idoso que ou já o tinha morto ou então aquilo não era verdade. No ano passado interviemos na área da saúde oral e do cheque-dentista. Chocou-me encontrarmos sítios onde não se fazia desinfecção dos instrumentos. Foi uma acção que visou as cinco maiores entidades privadas da região de Lisboa. Mais chocante ainda – e aí já raia a fraude – é que em quatro delas tinham sido facturados ao Estado serviços nunca prestados.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

691. BRAGA: Saúde oral e urbanismo marcam Conselho Económico e Social

A reunião do Conselho Económico e Social do Município de Braga ficou marcada pelo balanço ao projeto municipal sobre a saúde oral. O encontro, que teve lugar na sede da Associação Industrial do Minho, serviu ainda para  a autarquia anunciar novos projetos na área do urbanismo.
«Nesta reunião, foi apresentado aos parceiros sociais um balanço do projeto "Braga a Sorrir" – Centro de Apoio à Saúde Oral», disse a fonte, acrescentando que os indicadores relativos à execução deste projeto inovador  [são] francamente positivos».
Os números  relativos à medida lançada pelo Município de Braga, e que beneficia as populações em situação de vulnerabilidade socioeconómica, dão conta que, desde 2015, foram abrangidos 1281 beneficiários do projeto. Ao todo foram realizados 9 598 tratamentos, realizadas 7 914 consultas e doadas 252 próteses.
Os responsáveis pelo projeto distribuíram ainda  2 387 pastas e escovas, sendo que os serviços envolveram um conjunto de 17 voluntários.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

690. PORTUGAL: Maioria dos adolescentes não usa cheques-dentista

Desde que foi lançado, em 2008, o programa dos cheques-dentista já chegou a cerca de 2,5 milhões de pessoas. Mas de acordo com o jornal Público, que cita dados da OMD, na população mais jovem o programa ainda não teve grande impacto, com apenas 38% dos jovens com 16 anos a revelar que utilizaram estes cheques e 43% dos jovens com 18 anos.
De acordo com o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, a condicionante poderá ser “o facto de, em ambos os grupos, os cheques terem de ser emitidos pelos centros de saúde, a pedido do interessado ou por iniciativa do médico de família. Como este alargamento do programa a estes dois grupos etários tem sido pouco divulgado, ainda são poucos os utilizadores”.
Segundo os dados da OMD, entre janeiro e setembro de 2016, cerca de 227 mil pessoas utilizaram os cheques-dentista, uma taxa de utilização de 83%. As crianças e os jovens de 7, 10 e 13 anos são as que mais usufruem desta possibilidade (92% do total).
* * *
O SAUDE ORAL já comprovou que o cheque – dentista não responde às necessidades das crianças e jovens do país. A notícia refere que os jovens com acesso ao cheque – dentista é muito reduzida, para além que só as crianças com 7, 10 e 13 anos podem ter acesso aos cuidados de saúde oral. Os governos mudam, as promessas surgem mas as entidades competentes não dão resposta às necessidades da esmagadora maioria das crianças e dos jovens.
Portugal continua a ser um país onde as entidades oficiais continuam a negar o acesso a cuidados de saúde oral à maioria das crianças e jovens, com a conveniência de múltiplos interessados que persistem em não dar solução ao problema.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

689. 15 mil crianças aprendem boas práticas de higiene oral

A Colgate acaba de lançar uma nova edição do Programa Escolar “Sorrisos Saudáveis, Futuros Brilhantes”, em colaboração com a associação Mundo a Sorrir, chegando a cerca de 15 mil crianças escolarizadas em Portugal, com o objetivo de fornecer as ferramentas necessárias para a criação de bons hábitos de saúde oral.
Em Portugal, para a edição deste projeto, a Colgate estabeleceu uma parceria com o Mundo a Sorrir – Associação de Médicos Dentistas Solidários Portugueses - para apoiar dois dos seus projetos sociais, junto das comunidades mais desfavorecidas: o projeto Aprender a ser Saudável cujo objetivo é melhorar os hábitos de higiene oral e de alimentação das crianças do 1.º ciclo de escolaridade sendo, para tal, implementada a escovagem dentária diária nas escolas, após o almoço, em contexto de sala de aula, com supervisão do professor; e o projeto “Dr. Risadas”, direcionado para as crianças dos 3 aos 16 anos de idade comprovadamente carenciadas e apoiadas por instituições de solidariedade social.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

686. LISBOA: Sem-abrigo vão contar com consultas dentárias

As cerca de 800 pessoas que vivem na rua e que recebem apoio da Câmara Municipal de Lisboa vão passar a contar com cuidados de saúde oral. Numa primeira fase, irá ser feito um rastreio, para posteriormente serem realizadas as intervenções dentárias necessárias.
Para a concretização do programa ‘Sorrir não Custa’, foi esta quinta-feira assinado, na Câmara Municipal de Lisboa, um protocolo entre a autarquia e o responsável pelo projeto. "O programa deverá arrancar ainda este mês", referiu Mário Almeida, responsável pelo Programa Municipal para a Pessoa Sem-Abrigo. O objetivo é consultar toda a população sem-abrigo da capital.
Paulo Varela, médico dentista e diretor clínico do ‘Sorrir não Custa’, referiu que "muitas pessoas queixam-se de que não vão a entrevistas de emprego por não terem os dentes em condições". Para inverter esta situação, o projeto visa "identificar as pessoas que precisam de ajuda, educá-las a nível da higiene oral e tratá-las através de implantes dentários, sempre que possível".
No sentido de chegar junto de toda a população sem-abrigo da capital, o projeto irá contar com o apoio do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) de Lisboa, num trabalho articulado com as equipas técnicas de rua, explicou o coordenador do núcleo, João Marrano.
O vereador dos Direitos Sociais da autarquia, João Afonso, referiu que não existe uma data para a conclusão do programa. "A Câmara vai ser um facilitador para implementar este programa, que não terá custos para o município", frisou.
Correio da Manhã

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

685. Médicos dentistas do SNS “sem condições para atender todos” em lista de espera

Centenas de milhares de utentes portugueses encontram-se em lista de espera para consulta de Medicina Dentária através do Serviço Nacional de Saúde, que conta com apenas 58 médicos dentistas para a totalidade dos atendimentos. Os profissionais reuniram este sábado em Aveiro, no 1º Encontro Nacional de Medicina Dentária do SNS, para debater prioridades no atendimento.
O debate fez parte de uma iniciativa do Ministério da Saúde teve como objetivo reunir vários médicos dentistas que exercem no SNS, a fim de analisar as condições de trabalho, as formas de acesso à consulta por parte dos utentes e a interligação entre os diferentes níveis de cuidados. “Procuramos criar um consenso relativamente ao tipo de utentes a quem se deve dar prioridade, porque, com os recursos que existem, não há condições para atender todos”, afirmou o membro da organização do evento, José Farias Bulhosa.
As dificuldades no acesso à consulta sentem-se por todo o país: no Baixo Vouga, por exemplo, há 380 mil utentes em lista de espera e em Lisboa, há médicos com 200 mil potenciais utentes a aguardar vez.
Relativamente aos profissionais, apenas existem 18 médicos-dentistas no continente, 11 na Madeira e 29 nos Açores, todos sem carreira clínica, uma vez que o Estado os considera técnicos superiores administrativos.
“A dimensão da solicitação da patologia oral não é um tipo de consulta em que é feita pela primeira vez, e se dá alta ao doente. Às vezes, é necessário o agendamento de várias consultas para o tratar, mas não podemos dizer-lhe para vir passados cinco anos, porque a lista é bastante grande”, explicou José Bulhosa.
Muitos dos utentes que esperam vez no SNS são pessoas com fragilidade económica para aceder aos cuidados privados. Apesar de haver equipamentos, estes encontram-se parados ou subutilizados por não abrirem vagas para os profissionais.
Os médicos dentistas reconhecem a atenção dada ao assunto por parte do Governo. Contudo, procuram evitar falhas já assinaladas a nível dos projetos-piloto anunciados para o Alentejo e Vale do Tejo. Para tal, pretendem que haja uma coordenação nacional e regional exercida por pessoas que tenham sensibilidade para a Medicina Dentária, preferencialmente formadas na área, a fim de chegar às realidades distintas de cada serviço.
Na passada semana, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, já tinha apelado à abertura de vagas dentro do serviço público: “Num país com tantas carências no acesso à saúde oral, era de particular bom senso aproveitar os médicos dentistas no subemprego, e colocá-los a servir a população mais necessitada, no âmbito do SNS.”
Monteiro da Silva falou a propósito do documento “Números da Ordem 2016”, que comprovou um aumento de 4,6% no número de profissionais inscritos na Ordem, um crescimento considerado muito acima das necessidades do país e da recomendação da OMS de um médico dentista por cada dois mil habitantes”.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

684. Médicas dentistas da ULS Nordeste no 1º Enc. Nac. da Especialidade

As médicas dentistas da Unidade Local de Saúde do Nordeste participaram, no dia 8 de julho, no 1.º Encontro Nacional de Medicina Dentária no Serviço Nacional de Saúde, que decorreu em Aveiro. Esta iniciativa teve como objetivo promover uma discussão e análise "das condições de trabalho, formas de acesso por parte dos utentes, interligação entre os diferentes níveis de cuidados e partilha de experiências organizativas".
Na apresentação efetuada no evento, a responsável da Medicina Dentária na ULS Nordeste, Dr.ª Susana Silva (à direita na foto), destacou o trabalho desenvolvido nesta área no distrito de Bragança, ao nível da prevenção e promoção da Saúde Oral. A dispersão geográfica (sendo o distrito de Bragança o 5.º maior do País), associada aos problemas ao nível das acessibilidades e às condições específicas da interioridade são as principais características do território servido pela ULS Nordeste.
Neste contexto, a equipa, composta por cinco Médicas Dentistas, assegura esta valência em todos os Centros de Saúde do distrito de Bragança. O trabalho desenvolvido nesta especialidade é direcionado para os utentes com idades entre os 3 e os 16 anos inseridos no Parque Escolar da localidade associada a cada Centro de Saúde. O trabalho desenvolvido pela ULS Nordeste nesta área tem-se revelado uma mais-valia para a população-alvo e para o distrito, nomeadamente ao nível do aumento do número de crianças livres de cárie dentária, diminuição da gravidade da cárie dentária,  maior  personalização  no  contacto  com  o  utente,  maior facilidade no acesso à consulta e melhoria da Saúde Pública.
Na sequência da sua comunicação, a equipa da ULS Nordeste recebeu “rasgados elogios” ao nível do seu método de trabalho por parte  do Dr. Manuel Oliveira, membro da Comissão da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários. As profissionais da ULS Nordeste foram ainda convidadas a participar no próximo Congresso dos Médicos Dentistas do SNS do Arquipélago dos Açores, pelo seu responsável Dr. Ricardo Viveiros Cabral.

sábado, 1 de outubro de 2016

683. Dentistas pedem carreira no SNS dentro de um ano

Por dia 250 utentes estão a ter consultas nos centros de saúde. Há quem nunca tenha estado num dentista por falta de dinheiro. O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas espera que dentro de um ano o Ministério da Saúde tenha criado a carreira que integra estes profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), dando regras e uma grelha salarial igual para todos. O projeto-piloto, criado pelo Ministério da Saúde, arrancou no início do mês em 13 centros de saúde das zonas de Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo. Por dia, são 250 utentes com consulta, pagando sete euros de taxa moderadora.
"Se o ministério pretende ter dentistas a exercer no SNS, seja nos centros de saúde ou nos hospitais, dada a especificidade da profissão, tem de criar uma carreira de médico dentista. O compromisso para a sustentabilidade do SNS dá início ao processo. A avaliação da experiência piloto permitirá que sejam dados passos nesse sentido. Espero que dentro de um ano ela exista", disse ao DN Orlando Monteiro da Silva, bastonário dos Médicos Dentistas.
A questão já foi abordada com o ministério e para a Ordem é fundamental que a futura carreira garanta a independência do dentista, formação continua, trabalho em equipa, idoneidade dos serviços, grelha salarial igual para todos que tenha como referência o salário bruto de um médico assistente sénior. A referência dos 13 novos dentistas do SNS é a carreira de técnico de superior de saúde, com um salário bruto a rondar os 1500 euros. Mas os poucos que já estavam no SNS recebem menos.
O bastonário acredita que este "é um passo histórico" e que a tendência será alargar o projeto. O Ministério da Saúde explica que a expansão a outros centros de saúde está prevista, mas que "o número e abordagem do processo está dependente das avaliações que forem efetuadas". O projeto será avaliado em várias fases, a primeira no início de 2017.
Ana Filipa Neto é a dentista da Unidade de Saúde Familiar Monte da Caparica, um dos centros de saúde com projeto-piloto. Não tem dúvidas do sucesso da medida. "Quando chegam à receção contam como correu bem, que não deu nada. Uns dizem que foi a primeira vez que foram ao dentista porque não tinham condições económicas, outros porque têm várias complicações as clínicas privadas não as atendiam por receio", conta.
Os utentes que atende, todos os dias da semana entre as 8.00 e as 18.00, são referenciados pelos médicos de família. Quando a assistente lhes liga "ficam muito contentes e dizem que esperam por isto há muito tempo". O projeto vem dar cuidados de saúde oral a doentes crónicos: pessoas com diabetes, cancro, doenças renais, respiratórias ou cardíacas.
O trabalho de Ana começa com a pergunta se tem queixas ou dores de dentes, faz-se um raio-x, traça-se o diagnóstico e o plano de ação. Um trabalho em parceria com outros médicos como cardiologistas, quando em caso de cirurgia é preciso rever a medicação que o doente já faz. "Muitos ficam entusiasmados quando pergunto se podemos começar o tratamento na primeira consulta. Sentimos todos os dias que estamos a ajudar as pessoas", conta, recordando uma das histórias que mais a marcou até agora: "Uma senhora, na casa dos 50 anos, que teve vários problemas de saúde, fez radioterapia, nunca pode ir ao dentista por falta de condições económicas. Tinha uma infeção, tratamos dos dentes do lado esquerdo. Queria receitar paracetamol e disse-me que não valia a pena porque não conseguia pagar".
Para a médica dentista, faz todo o sentido alargar, no futuro, esta oferta a toda a população. "É preciso integrar mais médicos dentistas. Se isso se conseguir fico muito contente. Não são só os pacientes de risco que precisam de cuidados. É toda a população", afirma.
Ana Maia