domingo, 1 de maio de 2016

674. O Meu Dentista: reclame o seu crédito até 9 de março

A DECO tem conhecimento de que a clínica dentária O Meu Dentista (DIZIN – Saúde, S.A), a operar em todo o País, atravessa um Processo Especial de Revitalização (PER). Uma análise às reclamações apresentadas pelos consumidores permitiu concluir que grande parte dos tratamentos orçamentados e contratados foi celebrada através do financiamento da Popular Servicios Financieros. Em muitos casos, há tratamentos que não chegaram a ser cumpridos, motivo pelo qual os consumidores mantêm um contrato de crédito ativo.
Estamos perante um crédito ao consumo coligado com o contrato de prestação de serviços. Nestas situações de incumprimento contratual, os consumidores devem reclamar junto da instituição financeira – ou seja, a Popular Servicios Financieros –, uma vez que podem opor-se ao pagamento das prestações. Os consumidores que detenham estes créditos coligados deverão fazer chegar aos nossos contactos uma cópia das suas reclamações, para mediarmos o conflito junto da Popular Servicios Financieros.
Quanto aos consumidores que contrataram e pagaram diretamente à clínica dentária tratamentos que não lhes foram prestados e pelos quais não foram reembolsados, deverão reclamá-los junto do administrador judicial provisório. A carta-tipo que disponibilizamos estápreparada para esse efeito. Deve ser enviada registada e com aviso de receção,acompanhada com uma cópia de toda a documentação relevante.
Esta carta deve ser endereçada até dia 9 de março para o Dr. Carlos Cintra Coimbra Torres, Av. 25 de Abril de 1974, 23 - 1.º A, 2795-197 Linda-a-Velha, no âmbito do processo n.º 2918/16.0T8SNT, que corre os seus termos na Secção de Comércio – J5 de Sintra – da Comarca de Lisboa Oeste.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

673. Em Portugal, 50% população idosa não tem um único dente

Os dados são da Organização Não Governamental (ONG) “Mundo a Sorrir”, no âmbito do Projeto Sorrisos Porta em Porta que, durante cerca de quatro anos, promoveu a melhoria dos índices de saúde oral. Este projeto ajudou à diminuição do risco de infeções periodontais e patologias orais, bem como a prevenção de infeções ou patologias associadas a próteses dentárias na terceira idade. O projeto foi inovador em Portugal e na Europa, nasceu no Porto, em 2012 e associa-se ao novo consórcio Porto4Ageing, criado no âmbito da recente candidatura da região do Porto à classificação de Sítio de Referência Europeu na Área do Envelhecimento Ativo e Saudável.
De acordo com o médico dentista, fundador da ONG Mundo a Sorrir, Miguel Pavão, “a grande maioria da população crê que a perda de dentes é uma consequência natural e inevitável da idade, ideia errada que deriva dos exemplos que temos de familiares e amigos idosos. As principais causas para este fenómeno são o culminar de pouco investimento em saúde e saúde oral, associada a uma reduzida rotina de cuidados de higiene oral”. Miguel Pavão afirma ainda que “A saúde oral na terceira idade é um problema negligenciado que influencia negativamente a qualidade de vida dos idosos e que tem repercussões negativas na saúde geral. É manifesto que uma débil saúde oral tem consequências no relacionamento interpessoal. Pessoas com uma boca saudável são pessoas com uma maior auto estima. É por isso que projetos como o Sorrisos Porta em Porta são tão necessários e é preciso continuar a apostar neste população alvo, pois os mais de 15 mil beneficiários e 300 instituições abrangidos pelo projeto demonstram que não podemos parar e, neste sentido, estamos a preparar uma nova candidatura para este fim”.
Através de uma abordagem preventiva e de caráter formativo, o Projeto visou a sensibilização e consciencialização para o facto de que envelhecer não significa uma diminuição do bem-estar. Miguel Pavão explica que “a saúde oral na terceira idade consiste na manutenção dos dentes e estruturas adjacentes saudáveis, mantendo-se saúde, função e estética na sua plenitude e que  proporciona bem-estar e qualidade de vida ao indivíduo”. Estes objetivos foram conseguidos através de ações de promoção de saúde, rastreios orais aos idosos, formação aos profissionais, encaminhamento para realização de intervenções, monitorização de lesões e o ajuste de próteses, entre outros.
Em 2012, o Projeto Sorrisos Porta em Porta recebeu o 1.º Lugar no prémio CIS-Porto, após a sua implementação no Porto. Um ano depois, em 2013, a Mundo a Sorrir ampliou o projeto a Portugal Continental, tendo sido distinguida com o 1.º Lugar no prémio BPI Séniores. Em 2014, passou a receber o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da empresa VOCO GmbH.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, até 2025, a faixa etária que compreende os indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos seja aquela com maior crescimento. A OMS deixa também o alerta para o facto de milhões de idosos espalhados pelo mundo não estarem a receber os cuidados orais necessários devido à falta de conscientização dos Governos para este problema.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

672. Médicos dentistas defendem novo programa de saúde oral na Madeira

A delegação da Madeira da Ordem dos Médicos Dentistas defendeu hoje, no Funchal, que o Governo Regional deve retomar o programa de informação e promoção da saúde oral, face ao aumento do número de crianças com cáries dentárias.
"Temos, de algum modo, de investir na área da informação e da promoção da saúde oral, não só nas escolas, mas também na informação aos pais. Não podemos perder aquilo que durante 15 anos fizemos nas escolas da região", disse o presidente da delegação da Ordem dos Médicos Dentistas, Gil Alves, após um encontro com o secretário regional da Saúde, João Faria Nunes.
O programa de promoção da saúde oral na Região Autónoma da Madeira encontra-se suspenso e a Ordem dos Dentistas reconhece que, no caso de ser retomado, deverá aplicar-se uma nova metodologia, não por falta de recursos humanos, mas sim financeiros.
Gil Alves sublinhou que há registo de um aumento no índice das enfermidades, sobretudo cáries e doenças gengivares, e lamentou que a comissão, criada pelo anterior Governo Regional, no âmbito da intervenção precoce no diagnóstico do cancro oral, não tenha continuidade.
"Vemos cada vez mais, na nossa prática clínica, crianças de 3 e 4 anos com lesões da doença cárie dentária", alertou Gil Alves, realçando: "constrange-nos estarmos só a fazer o tratamento da doença e não a evitar que ela possa surgir".
O presidente da delegação da Madeira da Ordem dos Médicos Dentistas disse, ainda, que o secretário regional se mostrou recetivo às preocupações, tendo inclusive comunicado que vai nomear um profissional da área da medicina dentária para o coadjuvar na implantação das medidas ao nível saúde oral na Região.
* * *
Os programas de saúde oral devem ser feitos tendo em conta os recursos disponíveis. O Serviço Nacional de Saúde deverá contemplar meios físicos, humanos e financeiros que permitam integrar a saúde oral nos centros de saúde e nas unidades de saúde familiares. O sector privado, ao longo de mais de trinta anos, ainda não contribuiu para solucionar o problema do desigual acesso dos portugueses a cuidados de saúde oral e tem usado, em larga escala, recursos públicos de forma muito duvidosa nos resultados finais obtidos.
Compete às autoridades públicas o dever de integrar a saúde oral no Serviço Nacional de Saúde e garantir a igualdade de acesso de todos os portugueses aos cuidados de saúde oral.Por exemplo, não se pode continuar a permitir que uma pessoa possa assumir comportamento de riscos e contrair determinadas doenças e dessa maneira tenha um acesso privilegiado aos cuidados de saúde oral; é preciso colocar um ponto final nessa discriminação tão negativa para tantos milhões de portugueses.

domingo, 13 de março de 2016

671. PORTUGAL: Só há 20 dentistas para todos os hospitais e centros de saúde

Todos os anos formam-se, em média, em Portugal entre 500 a 600 médicos dentistas. Mas para quem sai da faculdade, as opções são basicamente duas: a medicina privada ou a emigração. A saúde oral ainda é uma realidade muito limitada do serviço público. Nos centros de saúde trabalham cerca de 20 dentistas. Ou seja, um para cada meio milhão de utentes. Pela primeira vez um governo assumiu que esta é uma prioridade e até ao final do ano arrancam experiências-piloto com dentistas nos cuidados de saúde primários. A proposta da Ordem dos Médicos Dentistas foi entregue ontem ao Ministério da Saúde.
Dos 20 médicos dentistas a trabalhar para o SNS, a maioria está na região de Lisboa e Vale do Tejo, seis no agrupamento de centros de saúde transmontano, dois na zona centro e um no Algarve. O projeto-piloto está direcionado para responder às necessidades de uma população economicamente mais desfavorecida e com doenças crónicas. Mas no futuro, o que se pretende é que estes cuidados básicos, como destartarização, desvitalização, extração de dentes ou próteses, possam chegar a todos pelo serviço público.
"É disto que grande parte da população precisa e que são os cuidados mais procurados. Saudamos a iniciativa do Governo, que a concretizar-se é um avanço enorme no acesso a cuidados básicos de saúde oral. Será cumprir os requisitos do SNS na equidade do acesso", diz ao DN Orlando Monteiro da Silva, bastonário dos Médicos dentistas. Até agora, uma parte da população - grávidas, crianças e jovens, idosos com complemento solidário e doentes com VIH - tem tido acesso a estes cuidados através do cheque-dentista, "que é importante que se mantenha, pois tem tido ganhos em saúde consideráveis", diz o bastonário. No ano passado foram emitidos 545 mil cheques-dentista e utilizados 413 mil. Em março entrará em vigor o alargamento do projeto aos jovens com 18 anos. Em entrevista ao DN Henrique Botelho, coordenador da Reforma para os Cuidados de Saúde Primários, explicou que este é um projeto que vai continuar.
A Organização Mundial de Saúde recomenda um médico dentistas para cada 2500 habitantes. Portugal mais que cumpre, mas apenas no setor privado, onde existem mais de cinco mil clínicas: um dentista para cada 1236 habitantes. O país tem 8500 dentistas registados na Ordem e outros 1200 estão a trabalhar fora do país, sobretudo em Inglaterra (59%) e França (12%). Mas a oferta traduz-se em cuidados? "Mais de 50% da população não tem acesso a cuidados básicos. Um parte importante não os consegue pagar e um seguro de saúde que garanta esta especialidade é caro", refere, considerando que "deve existir um médico dentista por centro de saúde e nos maiores mais do que um profissional".
Desde a sua criação que o SNS nunca teve cuidados de saúde oral. "Primeiro não havia muitos profissionais, depois foi uma opção política, possivelmente achou-se que não era fundamental. Há a perceção que é uma especialidade que não é barata, que são precisos recursos financeiros para equipar os espaços. É lamentável que existam equipamentos nos cuidados de saúde primários que nunca tenham sido aproveitados", lamenta.
Para Rui Nogueira, presidente da associação dos médicos de família, ter dentistas nos centros de saúde deve ser "prioridade máxima", sugerindo duas formas de o fazer: "um ter é médicos dentistas nos quadros dos centros de saúde, a outra é fazer convenções com os consultórios e garantir acesso direto. Temos de nos perguntar se este é um serviço fácil de instalar e de manter? Um sistema de convenção pode garantir uma resposta mais rápida e com menos custos. Nos centros de saúde mais periféricos e isolados poderíamos ter o serviço. As duas soluções podem funcionar em conjunto". O médico diz ainda que seria fundamental ter higienistas orais em todos os centros de saúde.
Outra prioridade, aponta Orlando Monteiro da Silva, são médicos dentistas nos hospitais públicos para fazer equipa com os estomatologista, uma especialidade que conta com 167 profissionais a trabalhar no SNS. "Mais de 80% tem mais de 50 anos. É preciso pensar a prazo em equipas mistas se quisermos dar uma cobertura multidisciplinar. Precisamos de ter equipas nos hospitais para tratar traumas, doentes operados, hemofílicos, doentes profundos que precisam de anestesia para tratamentos dentários, cancro oral", afirma.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

670. Medicina dentária e SNS

A licenciatura em Medicina Dentária existe em Portugal desde 1976. A sua duração era de seis anos, tal como a licenciatura em Medicina. Os três primeiros anos (ciclo básico) eram sobreponíveis aos três primeiros anos do curso de Medicina, sendo os três últimos (ciclo clínico) referentes ao estudo da patologia da cavidade oral e estruturas anexas. No entanto, nestes três últimos anos o doente não deixava de ser visto como um todo, sendo uma parte do plano curricular referente a manifestações sistémicas da patologia oral e vice-versa. Com este perfil curricular, o médico-dentista seria então um médico que sofreu um processo de diferenciação precoce dentro da medicina.
Os estatutos da Ordem dos Médicos Dentistas referem que o médico-dentista é "responsável pelo estudo, diagnóstico, prevenção e tratamento das doenças dos dentes, boca, maxilares e estruturas anexas". Deste modo, a medicina dentária como profissão autónoma, a exemplo do que acontece com qualquer outra especialidade médica, pode aplicar terapêutica médico-cirúrgica, com autonomia de prescrição, direito de emissão de atestados médicos e de certidões de óbito e outras.
O contributo da medicina dentária para a saúde da população não se esgota no estrito campo da saúde oral, nem tão pouco no exercício como profissão liberal. O médico-dentista deverá atuar sempre como um importante agente de promoção integral da saúde. A importância de uma boca bem tratada, que não seja foco de infeção e/ou inflamação permitiria poupar anualmente milhões de euros no tratamento de doenças como o cancro, a diabetes, doenças renais e doenças cardiovasculares.
Deste modo assume importância crucial envolver ativamente médicos dentistas e outros profissionais que atuam no âmbito da saúde oral em equipas multidisciplinares e em atividades de prevenção e tratamento de todas as doenças. Seria um contributo inestimável na promoção da saúde das populações e no bem-estar dos doentes.
Com a evolução da ciência e arte médico-dentária, um grande desafio se coloca, neste início do século XXI: estar apto e qualificado para intervir em ambiente hospitalar e em qualquer instituição do SNS (centros de saúde, unidades de saúde familiar e outras). Aliás, podendo os médicos-dentistas atuar no domínio da clínica privada, com intervenções por vezes de alto risco em doentes medicamente comprometidos, não se compreende que nestes 40 anos a medicina dentária esteja praticamente excluída do SNS. Dando como exemplo a área hospitalar, os referidos profissionais poderiam atuar beneficiando do apoio de outras especialidades, em equipas multidisciplinares, com benefícios inegáveis para o SNS e para os doentes.
Parece que finalmente o poder político olhou com atenção para a importância da saúde oral, havendo sinais de uma vontade política de dar passos claros e inequívocos neste sentido. Se tal se verificar, estaremos perante uma decisão política histórica, talvez das mais importantes, logo a seguir à criação do SNS em 1979.
Bem-haja à Associação Portuguesa de Medicina Dentária Hospitalar (APMDH) que, com o empenho dos seus dirigentes, amigos e associados clamam nesse sentido há mais de uma década. Aliás, o nascimento da APMDH veio institucionalizar uma luta dos seus fundadores iniciada na década anterior. Bem-haja ao Núcleo Regional Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro NRN - LPCC e aos seus dirigentes que, juntando sinergias com a APMDH e respetivo corpo clínico de voluntários, já efetuaram mais de 6500 consultas gratuitas de diagnóstico precoce de cancro oral. Bem-haja ao atual Governo pela manifestação de vontade de colocar a saúde oral e os médicos-dentistas no lugar que lhe compete no âmbito da saúde geral e no âmbito das ciências médicas, respetivamente.
Para terminar uma palavra de esperança: que a implementação seja efetuada de forma adequada após serem ouvidas as instituições que têm provas dadas neste domínio...

João Leite Moreira - Médico Dentista, Coordenador da Unidade de Estomatologia e Medicina Dentária da Liga Portuguesa Contra o Cancro - Núcleo Regional do Norte e Associação Portuguesa de Medicina Dentária Hospitalar

domingo, 31 de janeiro de 2016

669. Serviço de saúde português cai para 20.º lugar em ranking internacional



Desigualdade no acesso aos serviços de saúde, atrasos nas cirurgias, dificuldade em fazer tratamentos no estrangeiro, elevado número de cesarianas, dificuldade de acesso a médico de família e cuidados de saúde oral de fora do Serviço Nacional de Saúde são algumas das áreas que estão a contribuir para uma avaliação mais negativa do sistema de saúde português. De acordo com o ranking internacional feito pela organização sueca Health Consumer Powerhouse, Portugal surge na edição de 2015 no 20.º lugar do Índice de Assistência Médica Europeu, quando em 2014 estava na 13.ª posição.
(...)
Quanto a Portugal, o país aparece a “vermelho” em temas como o acesso directo a consultas com médicos especialistas, o tempo de espera para cirurgias não urgentes, as infecções por Staphylococcus aureus resistente aos principais antibióticos, a diálise feita fora de meio hospitalar, o acesso público a médicos dentistas e o consumo de álcool. A “amarelo” surgem questões como a publicitação de dados sobre a qualidade dos serviços prestados, o acesso a fármacos inovadores, consultas com o médico de família no próprio dia, tempo de espera para tratamentos oncológicos ou alguns exames complementares de diagnóstico. Os casos de depressão, anos de vida perdidos e sobrevivência ao cancro também são motivo de apreensão. Pelo contrário, o país consegue resultados “verdes” em temas como a prescrição electrónica, acesso a uma linha de saúde 24 horas por dia (Linha Saúde 24, 808 24 24 24), redução de mortes por enfarte e acidente vascular cerebral, cirurgia às cataratas, transplantes renais e vacinação.
(...)
Por outro lado, a Health Consumer Powerhouse destaca que os melhores resultados são encontrados em países com sistemas de saúde baseados em seguros sociais — Portugal tem um serviço público financiado essencialmente pelos impostos.
Romana Borja-Santos

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

667. Monteiro da Silva reeleito bastonário dos dentistas

Orlando Monteiro da Silva foi reeleito para um novo mandato de quatro anos como bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD). As eleições decorreram este fim de semana ao abrigo dos novos estatutos da OMD.
Para além da eleição para o cargo de bastonário foram eleitos os vários órgãos diretivos, incluindo o novo Conselho Geral, uma das principais novidades dos novos estatutos da OMD. O Conselho Geral é um órgão que integrará 50 membros da OMD de todo o país e vai funcionar de forma semelhante a um parlamento.
Foi ainda eleita uma lista independente, única, para o Conselho Deontológico e de Disciplina e liderada pelo médico dentista Luís Filipe Correia.
A prioridade da nova equipa será a elaboração de um projeto-piloto para a inclusão de médicos dentistas nos centros de saúde e unidades de saúde familiares. Este projeto vai ser elaborado a pedido do Ministério da Saúde e traduz uma das exigências do programa com que a Lista A se apresentou às eleições: a necessidade de garantir o acesso de toda a população a cuidados de saúde oral.
A lista liderada por Orlando Monteiro da Silva pretende ainda “apostar na formação e qualificação dos médicos dentistas, melhorar a organização da OMD e a regulação da profissão de acordo com o novo Estatuto da OMD”, refere comunicado de imprensa.
Orlando Monteiro da Silva considera que esta reeleição “marca uma nova fase na vida da OMD. Os novos estatutos trazem novos desafios e a criação do Conselho Geral vai permitir uma maior pluralidade. No total, é uma equipa formada por 104 pessoas de excelência, disponíveis para assumir os novos compromissos, decorrentes dos novos desafios que à profissão estão a ser colocados”.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

665. Dez dentes doentes por português: retrato de um país em que quase todos já tiveram uma cárie

"O grande problema é termos um valor muito elevado de dentes perdidos devido a cárie, seguramente porque as pessoas procuram o dentista muito tarde”, sublinha o coordenador do Programa da Saúde Oral da Direção-Geral da Saúde. Apenas 3% dos adultos em Portugal nunca tiveram problemas de cáries dentárias, com a situação a agravar-se nos idosos, que têm ainda em média 11 dentes totalmente perdidos, segundo um estudo oficial.
O III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, a que a agência Lusa teve acesso, foi realizado em cinco grupos etários representativos da população regional e nacional portuguesa, de acordo com critérios recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Pela primeira vez foram incluídos grupos etários da população adulta no Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, com as crianças, já anteriormente estudadas, a revelarem "melhorias significativas" na sua saúde dentária.
"O grupo dos 35-44 anos é a grande surpresa do estudo nacional. Praticamente todas as pessoas já tiveram contactos com cárie. Só 3% dos adultos em Portugal nunca tiveram problemas de cárie. A partir de uma determinada idade, podemos esperar que todos os portugueses têm ou tiveram problemas relacionados com a saúde dentária", afirmou em entrevista à agência Lusa o coordenador do Programa da Saúde Oral da Direção-Geral da Saúde, Rui Calado. O estudo identificou uma média de 10,3 dentes com problemas por pessoa, mas concluiu que quase cinco daqueles dentes se encontram já tratados, havendo ainda quatro que são dentes perdidos.
"O grande problema é termos um valor muito elevado de dentes perdidos devido a cárie, seguramente porque as pessoas procuram o dentista muito tarde. Mas o acesso a medicina dentária existe e verificou-se, porque dos 10,3 com problemas, só 1,5 estão por tratar", explicou Rui Calado. "Aliás, os níveis de adesão, de acesso, são novidades para nós. Estávamos à espera de piores níveis de acesso. O que acontece é que as pessoas têm acesso mas procuram os dentistas muito tarde", acrescentou.
No grupo dos idosos, entre os 65 e os 74 anos, há uma média de 15 dentes doentes por cada pessoa, sendo que 11,5 são dentes já totalmente perdidos, em relação aos quais a única alternativa é a reabilitação através de próteses. "A única solução é a reabilitação. A forma tem de ser pensada e estudada, porque qualquer conta, por mais ligeira que seja, nos indica que estamos a falar de valores astronómicos, se quisermos fazer uma intervenção pública", ressalvou o coordenador do Programa de Promoção de Saúde Oral.
Em relação às crianças, a DGS diz ter ficado claro "os ganhos de saúde em função do desenvolvimento do Programa" (que fornece os cheques-dentista, entre outras intervenções), com mais de metade das crianças de seis e de 12 anos a estarem totalmente livres de cáries e com todos os dentes saudáveis. A média de dentes com problemas é de 1,6 nas crianças de seis anos e de 1,2 nas crianças de 12, indicadores que se reduziram para metade quando comparados com o que se encontrou no estudo feito em 2000.
"Temos uma excelente situação de saúde dentária nas crianças até aos 12 anos de idade", vincou Rui Calado, considerando que a aplicação de selantes promovida pelo Programa de Saúde Oral tem estado a funcionar, bem como os tratamentos realizados através dos cheques-dentista. O Programa Nacional de Saúde Oral, que tem sido desenvolvido em parceria com a Ordem dos Médicos Dentistas, promove a aplicação de selantes de fissuras em molares permanentes saudáveis em crianças e permite ainda outros tratamentos através de cheques-dentista facultados aos 7, 10, 13 e 15 anos.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

664. Despacho n.º 12889/2015

A Portaria n.º 301/2009, de 24 de março, veio regular o funcionamento do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, no que respeita à prestação de cuidados de saúde oral personalizados, preventivos e curativos, ministrados por profissionais especializados, proporcionando, ao longo dos anos, o acesso a cuidados de saúde oral a diversos grupos -alvo. Neste momento, beneficiam deste Programa as crianças e jovens com idade inferior a 16 anos, as grávidas seguidas no Serviço Nacional de Saúde, os beneficiários do complemento solidário para idosos e os utentes infetados com o vírus do VIH/SIDA. Através do Despacho n.º 686/2014, de 6 de janeiro, o referido Programa foi alargado, passando a incluir, ainda, a intervenção precoce no cancro oral.
Neste contexto, o III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais veio revelar que nos últimos anos se verificou, por um lado, uma acentuada redução nos níveis de doença das crianças e jovens que beneficiaram de um longo trabalho de promoção e prevenção das doenças orais e, por outro lado, um aumento do número e da eficácia dos tratamentos efetuados, o que proporcionou uma enorme melhoria da situação de saúde dentária deste grupo -alvo.
Verificou -se, contudo, que as crianças e jovens com necessidades especiais nem sempre beneficiam do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, pelo que agora se define os requisitos que estabelecem o acesso ao mesmo.
Verificou -se, ainda, que os utentes infetados com o vírus do VIH/SIDA, relativamente aos quais está determinado que podem utilizar até seis cheques -dentista, podem apresentar novas necessidades de tratamento, pelo que, atendendo ao risco acrescido de problemas de saúde oral nestes utentes, são agora previstos ciclos adicionais.
Assim, ao abrigo do disposto no n.º 2 do artigo 2.º e do n.º 3 do artigo 7.º da Portaria n.º 301/2009, de 24 de março, determino:
1 — O Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO) é alargado, passando a incluir:
a) Os jovens de 18 anos que tenham sido beneficiários do PNPSO e concluído o plano de tratamentos aos 16 anos;
b) Os utentes infetados com o vírus do VIH/SIDA que já tenham sido abrangidos pelo PNPSO e que não fazem tratamentos há mais de 24 meses;
c) As crianças e jovens de 7, 10 e 13 anos com necessidades especiais de saúde, nomeadamente portadores de doença mental, paralisia cerebral, trissomia 21, entre outras, que não tenham ainda sido abrangidos pelo PNPSO.
2 — O alargamento previsto no número anterior traduz -se:
a) Aos jovens de 18 anos que tenham sido beneficiários do PNPSO e concluído o plano de tratamentos aos 16 anos, é atribuído um cheque -dentista;
b) Aos utentes infetados com o vírus do VIH/SIDA que já tenham sido abrangidos pelo PNPSO e que não fazem tratamentos há mais de 24 meses, é possibilitado o acesso a um ciclo de tratamentos composto até dois cheques-dentista, que pode ser repetido com uma periodicidade não inferior a 24 meses;
c) Às crianças e jovens de 7, 10 e 13 anos com necessidades especiais de saúde, nomeadamente portadores de doença mental, paralisia cerebral, trissomia 21, entre outras, que não tenham ainda sido abrangidos pelo PNPSO, e na sequência de triagem promovida pela unidade de saúde do Serviço Nacional de Saúde:
i) É atribuído um cheque -dentista ou referenciação para Higienista Oral;
ii) Caso não seja expectável que a criança ou jovem colabore numa consulta de saúde oral, nomeadamente por ser necessário o eventual recurso a sedação, a referenciação pelo médico de família, através da Consulta a Tempo e Horas, para os serviços de estomatologia dos hospitais da sua área de residência.
3 — O presente despacho produz efeitos a 1 de março de 2016.
9 de novembro de 2015. — O Ministro da Saúde, Fernando Serra Leal da Costa

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

663. Prevalência das doenças orais diminuiu significativamente nas crianças e jovens

Os dados sobre a prevalência de doenças orais integram o relatório apresentado pela Direção-Geral da Saúde A Saúde dos Portugueses - Perspetiva 2015 (pdf). Os resultados dos novos estudos de prevalência das doenças orais entre crianças e jovens até aos 24 anos comprovam uma tendência de melhoria geral que abrange todas as idades.
A gravidade da cárie dentária na dentição permanente aos 15 e aos 18 anos tem vindo a diminuir consistentemente desde o ano 2000.
Aos 18 anos, os níveis de doença, medidos através do índice CPO – número de dentes cariados e extraídos por doente revelam uma quebra de 4,7 para 2,5. A percentagem de jovens com pelo menos um selante em dentição permanente, aumentou de apenas 19,8% para 29,3%.
O número de jovens com 15 e 18 anos com gengivas saudáveis praticamente duplicou de 21,1% para 41,8%, confirmando a importância que cada vez mais é dada à higiene oral, pois 96% dos jovens de 18 anos referem escovar os dentes todos os dias.
Já em março, os dados revelados sobre as crianças de seis e 12 anos mostravam uma redução da prevalência das doenças orais. Aos seis anos, 79% das crianças afirma escovar os dentes todos os dias, aos 12 anos são quase 90%
Para o secretário-geral da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Paulo Melo, “esta melhoria que se tem verificado na saúde oral dos portugueses mais jovens deve-se a três fatores. Em primeiro lugar, a existência de um programa público de saúde oral que inclui o cheque dentista e permite que os mais jovens sejam acompanhados regularmente por médicos dentistas. Em segundo lugar porque esse programa permite ensinar a prevenir as doenças orais e introduzindo o hábito de escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia e permitie também que estes jovens sejam tratados quando a doença ainda está no seu início. Depois, este estudo comprova a importância do papel dos médicos dentistas portugueses na saúde oral dos jovens portugueses e que estão no caminho certo no ensinamento dos cuidados preventivos e no tratamento dos casos de doença”.
Face a estes bons resultados, Paulo Melo considera “que deve ser estudado um alargamento do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral por forma a abranger mais faixas carenciadas da população. As consultas de medicina dentária são praticamente inexistente no Serviço Nacional de Saúde (SNS), e é por isso imperativo criar condições para que todos os portugueses tenham acesso a cuidados de saúde oral. Seja com a integração de médicos dentistas nos hospitais públicos e centros de saúde, seja através de convenções entre o Estado e os consultórios e clínicas privadas”.
Os dados sobre a prevalência de doenças orais integram o relatório apresentado pela Direção-Geral da Saúde ‘A Saúde dos Portugueses - Perspetiva 2015’ que evidencia a necessidade de haver uma abordagem, integrada, com as várias especialidades da medicina, na prevenção e tratamento das doenças que mais atingem os portugueses.
O relatório da DGS concluiu que a má alimentação é o fator que rouba mais anos de vida saudável aos portugueses, e como sublinha o secretário-geral da OMD “é também o principal fator de risco, a par do tabaco, para a saúde oral.
O médico dentista pode desempenhar um papel decisivo já que as nossas bocas refletem exatamente os alimentos que ingerimos com perigos graves para doenças como a diabetes e as cardiovasculares, que condicionam especialmente a saúde oral e também são condicionadas pelas doenças orais.
Há aqui um trabalho de promoção da saúde em geral que a saúde oral pode e deve desempenhar, dando um contributo muito importante para prolongar a vida, e sobretudo a qualidade de vida, dos portugueses”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

662. Adolescentes não escovam dentes diariamente

Adolescente é rebelde, não só quando quer sair e voltar tarde, como na hora de escovar os dentes. Uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal, revelou que 20% dos adolescentes não escovam os dentes diariamente e apenas um em cada quatro escova os dentes duas ou mais vezes ao dia.
Segundo a professora de odontopediatria da Faculdade de Odontologia da USP, Mariana Minatel Braga, os problemas bucais mais comuns na adolescência são cárie e gengivite, resultados desse descuido com a higiene. “Muitas vezes, era uma criança que não tinha essas doenças e passam a apresenta-las devido às mudanças típicas da adolescência e da gradativa passagem de responsabilidade do pai para o filho”, diz.
Por outro lado, sabe-se que uma criança que teve cárie na infância tem maior probabilidade de ter cárie também na adolescência. “Isso é compreensível, pois a os maus hábitos ligados à saúde bucal tendem a perpetuar de uma fase para a outra, podendo, inclusive, se agravar na adolescência”, afirma Mariana.
Segundo a especialista, em relação às doenças gengivais, a adolescência pode ser uma fase em que tais problemas sejam facilitados em função das alterações hormonais. Entretanto, sem biofilme dental (placa), eles não ocorrem. “Além dos hormônios (que são facilitadores), deve haver descuido com a higiene, caso contrário, não ocorreriam tais tipos de manifestações”.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

661. PORTUGAL: Os médicos que não existem

Oficialmente, não há dentistas nos cuidados primários de saúde. A carreira de médico dentista  nem sequer está prevista no SNS. Mas há milhares de portugueses que vão ao dentista no centro de saúde e agradecem. São contratados como técnicos, assistentes, administrativos ou com outros títulos profissionais. Uma situação que os coloca fora da lei.
Apesar da clandestinidade, são preciosos para muita gente. Atendem sobretudo doentes de risco, pessoas de menos recursos ou simplesmente quem os médicos de família determinam. Atendem os que podem, porque nalguns agrupamentos de centros de saúde, chega a haver um dentista para 500 mil pessoas, ou mais. Às vezes há critérios para definir quem deve ser atendido, outras vezes não. Serão poucas dezenas, os médicos dentistas nos centros de saúde. Ao certo ninguém ainda conseguiu contá-los. A maioria dos pedidos de informação feitos às Administrações Regionais de Saúde ficaram sem resposta. As excepções são o Alentejo, que diz não ter qualquer dentista nos centros de saúde, e o Algarve, refere que há apenas um, no centro de saúde de Faro.
Os últimos dados disponíveis mostram que há alguns dentistas nalguns centros de saúde, mas também mostram que o número de consultas desta especialidade tem vindo sempre a diminuir. A região de Lisboa e Vale do Tejo, a Administração Regional de Saúde afirma, por escrito, que o Programa de Saúde Oral, em vigor nesta zona, inclui apenas os cheques-dentista. Os dados oficiais mostram, no entanto, que há uma Unidade de Medicina Dentária que recebe utentes de vários centros de saúde da capital. Trabalham aqui 7 dentistas e 1 estomatologista. Não fomos autorizados a fazer reportagem.
A Unidade faz parte dos Serviços Partilhados do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Central. Está aberta das 8 da manhã às 8 da noite. A sala de espera é um lugar tranquilo, confortável. Percebe-se que muitos são utentes habituais. Todos chegam por indicação do seu médico de família e aqui são seguidos pelo “seu” dentista. Há crianças, idosos, doentes crónicos mas também quem simplesmente não pode pagar um dentista privado. Os profissionais desta unidade de saúde não foram autorizados a prestar declarações.
Quem são e como trabalham – José Frias Bulhosa optou por não ter consultório privado. Trabalha no Centro de Saúde de Aveiro, e não só. “No meu Agrupamento de Centros de Saúde sou o único dentista para 369 mil habitantes. Fui colocado em Vagos há 3 anos, o equipamento não estava a funcionar. Para não estar parado fui dar consultas a Aveiro. Vou quando os equipamentos estão livres, quando os higienistas não estão a usar.” Entre cá e lá, não faltam casos reveladores da falta que os dentistas fazem. “Ainda há meses identifiquei uma mulher com um dente no céu da boa. O médico de família nunca tinha reparado. A senhora, teria uns 35, 40 anos, não sabia o que era. Também me estou a lembrar de uma de 4 anos com 20 dentes e que  precisava de intervenção em 18.”
Os utentes são encaminhados pelo médico ou pelo enfermeiro de família. “Caso contrário seria humanamente impossível. A excepção são os casos em que há suspeita de lesão maligna, esses vejo sempre, a qualquer hora. Agora com o cheque-dentista para estas situações já posso encaminhar estas pessoas para outro local.” José Frias Bulhosa também atende as crianças da região que já esgotaram os cheques-dentista a que tinham direito e as que frequentam escolas privadas, que não recebem estes cheques.
Os casos mais difíceis, diz José Frias Bulhosa, são os de “adultos com patologia, transplantados, com problemas imunológicos. Estas pessoas raramente aparecem com uma cárie, geralmente precisam de tratar 20 ou 30 dentes.” A maioria dos dentistas que trabalham em centros de saúde sabem que o seu lugar pode ser eliminado a qualquer momento. Não convém arranjar pretextos. Optámos, por isso, por não identificar os médicos dentistas que se seguem.
“António” é médico dentista, trabalha num centro de saúde da região centro, mas não exerce, é técnico superior da carreira geral. “Já trabalhei como dentista, mas era ilegalmente, não posso, se acontecer alguma coisa…..
“Num centro de saúde da grande Lisboa “Joana” fala dos riscos de trabalhar assim.  “Sou técnica superior, já me disseram que não posso anestesiar sem autorização do médico, a verdade é que tirando a nossa consulta, não há nada nesta zona. Somos 3, mas já fomos apenas dois dentistas para 400 mil habitantes e o nosso Hospital de referência, o Amadora-Sintra, não tem a especialidade de estomatologia.” Esta consulta é para doentes de risco: diabéticos, cirúrgia cardíaca, transplantados, doentes oncológicos. “Mesmo assim, os médicos de família também nos
enviam abcessos.” Para muita gente, estes dentistas são o primeiro e o último recurso.
“Joana” não precisa de puxar pela memória para dar alguns exemplos: “Apareceu-me uma miúda de 13 anos com uma fístula, por baixo do queixo, a drenar pús há mais de 6 meses. Era um abcesso externo gigante. Também é comum aparecerem grávidas a quem os médicos hesitam em dar cheques dentista, por receio dos tratamentos durante a gravidez. Depois há aquelas pessoas que entram no círculo vicioso: não conseguem emprego por terem os dentes estragados, entram na consulta para tirar 5 e 6 raízes de uma vez, mas não podemos dar próteses e elas também não as podem pagar. Também chego a ter doentes que desistem da consulta por já não terem isenção da taxa moderadora.”
A carreira de médico dentista não existe no Serviço Nacional de Saúde, não está portanto previsto que existam nos centros de saúde, mas a tabela de preços oficial está lá afixada. Num centro de saúde é cobrada como consulta de especialidade hospitalar, custa 7,75 euros, e a extracção de um dente, por exemplo, custa mais 3,5 euros.
Cheques-dentista sim, dentistas não – Oficialmente, todos os cuidados de saúde oral, no âmbito dos cuidados primários de saúde são prestados por mais de 3 mil dentistas privados que aderiram ao Programa Nacional de Saúde Oral. O modelo é o do cheque-dentista, um vale para consulta e tratamentos que é disponibilizado a crianças, idosos de baixos rendimentos, doentes com VIH-Sida, grávidas e a quem apresente sinais ou suspeitas de lesões malignas na cavidade oral. Rui Calado, diretor do Programa Nacional de Saúde Mental explica que poderão vir a ser incluídos novos beneficiários do cheque-dentista, mas só quando houver garantia de “financiamento sustentável”. Quanto à inclusão de médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde, os custos são considerados “incomportáveis”.
Dora Pires

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

660. Cancro oral: taxa de utilização de cheques de diagnóstico é reduzida

Segundo dados revelados pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) na véspera do Dia Europeu da Saúde Oral, dos 4.341 cheques emitidos entre março de 2014 e 30 de junho deste ano foram utilizados menos de um terço, ou seja, 1.315 cheques para diagnóstico do cancro oral. “Numa fase inicial do programa houve alguns problemas com o sistema informático que faz a emissão dos cheques”, explicou à agência Lusa Pedro Trancoso, da direção da Ordem, admitindo que a quantidade de cheques realmente usados pelos utentes vá começando a aumentar.
O objetivo do Projeto de Intervenção Precoce do Cancro Oral seria atingir cerca de cinco mil biópsias anuais e, para isso, é necessário que aumentem os cheques emitidos pelos médicos de família e, sobretudo, que os doentes usem na rede de dentistas aderente os cheques que lhe são passados. Apesar de uma reduzida taxa de efetiva utilização dos cheques para diagnóstico do cancro da boca, Pedro Trancoso sublinha que a taxa de execução dos cheques para biópsia é “muito elevada”, na ordem dos 90%, o que “significa que os casos suspeitos estão a ser devidamente encaminhados e acompanhados”.
Do total de cheques diagnóstico usados quase metade avançou para biópsia. As 585 realizadas no âmbito deste programa permitiram detetar 24 cancros e mais 17 lesões com potencial de transformação maligna. Pedro Trancoso lembra que os 24 casos de cancro detetados se referem apenas ao projeto de intervenção precoce, havendo em Portugal muitos mais casos, vários diagnosticados de forma tardia, o que contribui para que a taxa de mortalidade seja inferior a 50% a cinco anos. Se o diagnóstico for efetuado de forma precoce, as taxas de sobrevivência podem ser superiores a 80%”, refere o dirigente da Ordem dos Médicos Dentistas.
Defendendo que é essencial incrementar a utilização dos cheques emitidos pelos médicos de família, a Ordem entende que é necessário conhecer os sinais de alerta para o cancro oral: feridas que não cicatrizam em duas semanas, alterações de cor da mucosa oral, aumentos de volume inexplicados, perdas de sensibilidade ou de mobilidade da língua.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

657. Associação Mundo a Sorrir já cuidou da saúde oral de 33 mil portugueses

Entre projectos de sensibilização, acções de rastreio ou mesmo tratamentos, a organização não-governamental (ONG) Mundo a Sorrir - Associação de Médicos Dentistas Solidários Portugueses chegou a mais de 163 mil pessoas ao longo dos seus nove anos de actividade – com intervenções em Portugal e em vários Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, como Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé. Só em Portugal, o presidente da ONG adianta que foram feitos quase 12 mil rastreios e mais de 21 mil tratamentos, sobretudo a populações vulneráveis. Miguel Pavão acredita que, de futuro, o trabalho passará cada vez mais pela “aposta na prevenção em saúde”, numa área “muito carenciada” no país.
No mês em que a Mundo a Sorrir completa nove anos de actividade, Miguel Pavão conta que o projecto, que nasceu de uma experiência pessoal de voluntariado que este médico dentista teve em Cabo Verde com a colega Mariana Dolores, acabou por caminhar para vários países e que continua a lutar por garantir o “direito universal de acesso” a cuidados de saúde oral, trabalhando junto dos grupos de maior risco, como idosos, crianças, grávidas ou pessoas com poucos recursos financeiros. De 12 voluntários iniciais, passaram para mais de 600, entre médicos, médicos dentistas, higienistas e nutricionistas. “Continuam a existir poucos cuidados em termos de saúde oral no país e pouca aposta na prevenção, mesmo em termos nutricionais. Temos um sistema muito voltado não para o direito à saúde mas para o direito a tratar da doença. Penso que é essa a grande viragem que temos de fazer, não tratar as doenças por si só mas olhá-las de forma interligada”, descreve o dentista, que salienta o trabalho feito neste sentido pelo Programa para a Inclusão e Vida Saudável da Mundo a Sorrir. O projecto, que conta com fundos europeus, já chegou através de acções de formação e de rastreios a 54 mil crianças e jovens e deverá terminar o ano com 70 mil.
Desde que começaram a trabalhar em 2005, só em Portugal já deram 2332 palestras de promoção de saúde e cuidados de higiene e é precisamente na “educação não formal e na introdução de conceitos de forma lúdica” que o especialista mais acredita. Para Miguel Pavão, a cobertura do país em termos de saúde oral tem melhorado, sobretudo com os chamados cheques-dentista, atribuídos a alguns grupos definidos como prioritários pelo Plano Nacional de Promoção de Saúde Oral. O problema, diz, é que a aposta tem estado pouco do lado da prevenção. “Só 3% dos orçamentos de saúde na União Europeia é que são dedicados à promoção e prevenção em saúde”, adianta, exemplificando que tratar um cancro oral, entre cirurgia, quimioterapia e radioterapia, pode custar 100 mil euros, um valor que diz que daria para fazer acções de formação nesta área em todo o país. A ONG não tem ligações directas ao cheque-dentista, mas o médico dentista diz que têm tido uma “lógica de concertação” e adaptado os programas para “ajudar a que políticas como esta sejam melhor executadas” e sem que o trabalho dos voluntários “se sobreponha ao que existe no Estado”. “Nem toda a gente sabe que tem direito aos cheques ou como os utilizar e nos rastreios e acções ajudamos nesse sentido”, ilustra.
As iniquidades no acesso a cuidados de saúde oral continuam a ser um problema em Portugal, com a maior parte dos tratamentos a realizarem-se fora do Serviço Nacional de Saúde. Aliás, em Junho a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) publicou um estudo onde se pronuncia sobre os cheques-dentista disponibilizados a alguns grupos de risco no âmbito do Plano Nacional de Promoção de Saúde Oral. No documento, a ERS defende que o programa deveria ser alargado a crianças e jovens de escolas privadas e também aos idosos não beneficiários do complemento solidário e ainda às grávidas que não são seguidas no Serviço Nacional de Saúde.
Por agora, só as crianças de 7, 10 e os jovens de 13 e de 16 anos que frequentam as escolas públicas têm direito a receber estes cheques no valor de 35 euros cada. Até aos seis anos os cheques só devem ser dados a casos graves. O estudo destaca, ainda, outros limites deste plano, como os que se prendem com a definição de um número máximo de cheques-dentista a atribuir a cada grupo. A ERS acrescenta, aliás, que a maioria dos médicos dentistas considera que o número de cheques e o valor destes “não são compatíveis com as necessidades dos beneficiários”.
Romana Borja-Santos

quinta-feira, 16 de julho de 2015

656. Novo projeto de investigação quer transformar cuidados dentários na Europa

Um novo projeto de investigação, financiado em cerca de 6 milhões de euros pela União Europeia, quer revolucionar as práticas de medicina dentária e saúde oral, transferindo o foco dos tratamentos dentários para as práticas preventivas.
De acordo com dados da UE, os tratamentos dentários têm um custo estimado em cerca de 79 mil milhões de euros anuais na União Europeia.
O projeto durará quatro anos e será ‘comandado’ pela Universidade de Leeds, pelo Centro Académico de Dentisteria de Amesterdão e pela Universidade de Heidelberg. O objetivo é, através de dados de saúde europeus, trabalhar em conjunto com profissionais de medicina dentária e seguradoras de forma a identificar estratégias para a prevenção de problemas de saúde oral em cada um dos países europeus.
“A Organização Mundial de Saúde já disse que as doenças orais são as doenças crónicas mais comuns para o Homem. Queremos mudar isso”, refere Helen Whelton, Reitora da Universidade de Leeds e responsável pelo projeto .“A esperança é de que, através da avaliação da performance de profissionais de medicina dentária, consigamos implementar mudanças e encorajar uma mudança para práticas preventivas nos cuidados dentários.”
A iniciativa vai avaliar dados de saúde de um total de oito países como Reino Unido, Dinamarca, Alemanha, Hungria, Irlanda e Países Baixos.
Ana Rita Costa

sexta-feira, 3 de julho de 2015

655. "Espaço Saúde" serve população de Mire de Tibães

Com o objetivo de proporcionar aos cidadãos o acesso a cuidados básicos e primários de saúde, com a disponibilização de diversos serviços, nasceu o projeto "Espaço Saúde", implementado pela Junta de Freguesia de Mire de Tibães.
A intenção do projeto não consiste na substituição do centro de saúde, mas sim em oferecer uma opção complementar de proximidade à população, apostando na elevada competência dos profissionais que ali prestam serviço.
"Nós avaliamos as necessidades no meio onde as pessoas estão inseridas. Por vezes, o simples facto das pessoas entrarem no Centro de Saúde dificulta a expressão, porque nem sempre verbalizam as necessidades que sentem e às vezes os valores são um bocadinho alterados. Sabemos que frequentemente algumas pessoas alteram, por exemplo, o valor da tensão arterial. De acordo com o perfil de saúde da região Norte tivemos a analisar fatores relacionados com o excesso de peso, consumo de tabaco, consumo de álcool, regime alimentar e regime medicamentoso", explicou Adriana Barbosa, licenciada em enfermagem e mentora do projecto.
Em paralelo com o trabalho desenvolvido junto da população adulta, o "Espaço Saúde" também trabalha junto das crianças. "Na parte do Jardim de Infância tem corrido muito bem. As crianças aceitam muito bem o programa que neste momento está vocacionado para a saúde oral. Estamos a ensinar como deve ser a lavagem dos dentes, quais os benefícios da lavagem correta, quais o alimentos que fazem bem aos dentes, quais fazem mal, etc. Trata-se de uma componente bastante lúdica e interativa de forma a conseguirmos transmitir a mensagem", disse Adriana Barbosa.
José Magalhães, presidente da Junta de Freguesia de Mire de Tibães, explica que o projeto "tem como objetivo o aperfeiçoamento continuado e a identificação das valências que podem ser integradas na iniciativa com o contacto da população".
Numa primeira fase, os profissionais envolvidos no “Espaço Saúde” procedem a uma avaliação dos pacientes que ditará a sua continuidade ou não deste serviço, dependendo da adesão da população.

terça-feira, 16 de junho de 2015

654. Braga vai oferecer seis mil consultas dentárias por ano

A autarquia de Braga aprovou esta segunda-feira, o projeto 'Braga a Sorrir', que visa garantir, de forma gratuita, o acesso da população mais carenciada a cuidados de saúde oral. O programa vai oferecer 6 mil consultas, em parceria com a ONG 'Mundo a Sorrir', num investimento de 200 mil euros. Para beneficiar deste serviço, os utentes terão que estar sinalizados pelos serviços de Ação Social da autarquia, pelas Juntas de Freguesia e IPSS do concelho, como explicou a Câmara Municipal de Braga (CMB) em comunicado.Para além disso, esta ação vai também abranger todas as crianças e idosos do concelho, contando com várias ações na escolas do 1.º ciclo, Lares e Centros de Dia do concelho, promovendo hábitos de higiene oral e a formação dos técnicos e profissionais que trabalham nesses espaços O 'Braga a Sorrir' será desenvolvido em parceira com a ONG 'Mundo a Sorrir', que em nove anos de existência, já realizou cerca de 20 projetos relacionados com a saúde oral, em que foram beneficidas mais de 170 mil pessoas em todo o mundo. Com esta parceria, espera-se que mais de 5 mil crianças e 500 idosos do concelho beneficiem desta ação que ao irá realizar, no total, mais de 6 mil consultas por ano. “Trata-se de um projeto pioneiro no qual o Município de Braga assume políticas de apoio à saúde junto dos mais idosos; de educação da população mais jovem e, também, uma política de inserção social, dando a possibilidade de maior integração no plano social e profissional a quem não tem acesso a cuidados de saúde oral”, refere o presidente da CMB, Ricardo Rio, citado pelo mesmo comunicado.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

653. À procura de voluntários para tratar bocas infantis

Projeto Dentista do Bem precisa de médicos voluntários no concelho de Cascais. Crianças carenciadas agradecem. A missão é simples: melhorar a saúde oral de crianças e jovens carenciados com idades entre os 11 e os 17 anos, proporcionando-lhes tratamento gratuito até completarem 18 anos. Trabalho que a Turma do Bem tem desempenhado em Portugal desde 2010. E que quer continuar a levar a cabo. Mas para isso precisa de voluntários, dentistas que disponibilizem o seu tempo, algo que vai faltando. Cascais é mesmo um concelho onde existe o risco da missão não ser levada a bom termo.
«Meia hora por semana ou de 15 em 15 dias é o tempo que os dentistas têm que disponibilizar nos consultórios», explica ao Destak Alaize Maria da Silva, dentista, voluntária e coordenadora do Projeto Dentista do Bem em Cascais, onde há já 30 voluntários. Mas são precisos mais, para juntar aos 550 que existem um pouco por todo o País. As vantagens para as crianças são muitas. Não só fica salvaguardada a saúde oral, como melhora a sua autoestima. «As crianças chegam-nos ao consultório com a cabeça baixa, os ombros encolhidos porque têm vergonha. Ao serem tratados, tiram o cabelo da frente dos olhos. Passam a estar integrados e a ter outro rendimento», acrescenta.
E volta a apelar: «o que precisamos é de dentistas voluntários». Mais informações no site:

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

segunda-feira, 27 de abril de 2015

652. Estudo divulgado duas vezes...

O dia mundial da saúde oral em Portugal foi este ano comemorado no nosso país com um estudo em que já se tinham sido apresentado as conclusões na comemoração do dia mundial da saúde oral em 2013. Só alguém distraído estaria a pensar que tivesse sido apresentado algum estudo novo, pois este III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais foi feito há vários anos e não retrata a saúde oral das crianças e jovens actualmente em Portugal. 
Era bom que o Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos Dentistas tivessem especificado a data concreta em que foi realizado o estudo, uma vez que o mesmo estudo serviu para comemorar o dia mundial da saúde oral em Portugal em vários anos.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

651. Mais de metade das crianças com seis e 12 anos nunca tiveram cáries

Na saúde oral dos mais jovens, Portugal está no bom caminho, apesar de ainda haver muito trabalho a fazer. Os números são expressivos: se no início deste século apenas 33% das crianças com seis anos estavam livres de cáries, em 2013 mais de metade (54%) já se encontravam nesta situação. Uma evolução semelhante à observada nas crianças de 12 anos: nesse ano, 53% nunca tinham tido cárie dentária. À medida que a idade avança, a situação não é tão positiva – aos 18 anos, só um terço (32,4%) dos jovens nunca tinham tido lesões de cáries – mas este agravamento é expectável à medida que a idade avança.
São dados do “III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 6, 12 e 18 anos” a que o PÚBLICO teve acesso e que esta sexta-feira vai ser divulgado numa cerimónia para assinalar o Dia Mundial da Saúde Oral. Elaborado pela Direcção-Geral da Saúde em parceria com a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), o estudo permite perceber que, além de estar a diminuir o número de crianças e jovens com cáries, os hábitos básicos de higiene oral nas crianças e jovens estão a melhora: enquanto aos seis anos 79% das crianças diz escovar os dentes todos os dias, aos 12 são quase 90% os que garantem fazê-lo e, aos 18, a percentagem sobe para 96%.
“Todos os indicadores melhoraram. Passamos para uma situação em que o nível de cárie dentária já é muito razoável em relação à média europeia”, comenta Paulo Melo, um dos autores do estudo e secretário-geral da OMD. A evolução foi, de facto, significativa, a crer nos dados deste estudo: nas crianças de seis anos, entre 2000 e 2013 o número de cáries dentárias diminuiu 21%. Mas a redução das cáries não é a única boa notícia que emerge deste trabalho. Também é favorável a evolução da situação dos dentes tratados e da quantidade de dentes perdidos e esta melhoria é transversal a todas as regiões do país.
Ao longo do período referido, aos 12 anos a média de dentes cariados por pessoa baixou 50%, enquanto a média de dentes tratados aumentou cerca de 15%, o que significa que dois em cada três dentes cariados estão tratados, sublinha ainda a OMD. Os níveis de doença são medidos através de um índice médio por pessoa que contabiliza o número de dentes cariados, obturados e extraídos (perdidos), o indicador que é utilizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Destaque merece o facto de que os resultados deste índice aos 12 anos já terem ultrapassado as metas preconizadas pela OMS para 2020. "Além de haver menos pessoas com cárie, há menos indivíduos com lesões graves de cárie", sintetiza Paulo Melo.
A melhoria observada na dentição permanente nas crianças e jovens com menos de 18 anos justifica-se em grande parte devido ao Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (os chamados cheques-dentista) que foi lançado em 2009 para estas faixas etárias. Este programa permite que as crianças, mesmo as mais carenciadas, acedam a consultas de medicina dentária onde, além do tratamento de eventuais lesões, colocam selantes de fissuras nos dentes para prevenirem o aparecimento da doença e ainda aprendem hábitos de higiene oral (escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia) e de alimentação saudável.
Paulo Melo está optimista, porque acredita que a aposta na prevenção e no tratamento precoce se vai traduzir “em enormes ganhos no futuro”. "Seguramente que não vamos ter, daqui a 30 ou 40 anos, um número de idosos desdentados tão elevado como temos agora”, antecipa. De acordo com os resultados do barómetro apresentado em 2014, cerca de 7% dos portugueses não têm um único dente.
O secretário-geral da OMD lembra também que ainda há um caminho a percorrer para se atingirem as metas traçadas pela OMS para 2020, em especial na primeira infância, na dentição temporária (os chamados dentes de leite). “É preciso reduzir a percentagem das crianças que chegam aos seis anos sem cáries. Aqui, ainda há algum trabalho a fazer, mas tem que ser feito pelos pais e pelas famílias”, acentua.
As crianças e jovens são os principais utilizadores do programa cheque-dentista, que abrange também os idosos com o complemento solidário, as grávidas e os portadores de VIH. No ano passado, a taxa de utilização dos cheques-dentista subiu para 74%, tendo sido utilizados no total 406.689. Sessenta por cento foram usados em procedimentos preventivos, na aplicação de selantes de fissuras. No total, foram tratadas 4.334.877 de cáries contra apenas 207.239 extracções de dentes, refere a OMD. Desde o início deste programa, já foram utilizados 2.378.363 de cheques.
Alexandra Campos

quinta-feira, 2 de abril de 2015

650. Programa de Saúde Oral: Evolução, Instrumentos e Resultados

O programa de saúde oral no SNS iniciou-se com a promoção da saúde oral em meio escolar, sendo alargado posteriormente a medidas preventivas e curativas. As medidas preventivas foram introduzidas numa fase inicial com a entrada de higienistas orais para o SNS. Como estes profissionais eram insuficientes para as necessidades da população, a política adotada para colmatar este problema foi a contratualização com os serviços privados de medicina dentária. Incluindo-se assim para alem da aplicação de selantes de fissuras, também os tratamentos dentários. Em 2008 este modelo contratual foi revisto e implementado o cheque dentista.
Decorridos mais de 25 anos de programa, as crianças e jovens portugueses ainda apresentam problemas de saúde oral relevantes. Na amostra estudada verificou-se que aos 7 anos de idade, apenas cerca de 45,5% das crianças apresentam a dentição livre de cáries. A OMS preconizava que para 2010, 65% das crianças estivessem livres de cáries aos 6 anos de idade. De acordo com as orientações da OMS o índice de CPOD aos 12 anos não deveria ultrapassar 1,5, à data de 2010. Nos dados recolhidos no estudo este valor não é ultrapassado apenas nas crianças com 10 anos, mas aproxima-se (1,2), sendo que aos 13 se atinge um valor largamente superior (2,1).
Os dados do estudo revelam uma adesão de metade das crianças a um programa  totalmente gratuito e tal como foi demonstrado, aplicado a crianças que efetivamente tinham necessidades de saúde oral e não fizeram uso do cheque dentista (24,7%). No entanto praticamente todas as crianças que utilizam o cheque concluem o plano de tratamento. A exceção que se verifica aos 10 anos relacionada com a erupção dos pré-molares sugere uma revisão das coortes etárias de atribuição do cheque dentista.
O rastreio prévio das crianças como um procedimento a adotar em todas as situações, podendo este ser efetuados por higienistas orais contratados pelo SNS, significaria uma redução dos custos do programa e permitiria assegurar serviços de saúde oral acessíveis às crianças e aos jovens, que integrem estratégias universais, isto é, dirigidas a toda a população, seletivas, quando pretendemos intervir sobre grupos de risco e, indicadas, porque os que têm doença necessitam de cuidados orais regulares. A definição de crianças de risco ou grupos de risco como base para a definição das políticas de saúde é largamente defendida na literatura.
Considerando a evidência que os métodos atuais e sistemas de prestação de cuidados orais são relativamente ineficazes, caros. A missão da Administração de Saúde consiste em melhorar o funcionamento e aumentar a eficiência e a efetividade das instituições de saúde, promovendo os modelos de gestão que permitam uma maior autonomia administrativa e financeira e a correspondente responsabilização dos respetivos órgãos de gestão pela obtenção de resultados em termos de ganhos em saúde. Esta missão só poderá concretizar-se, através do desenvolvimento de instrumentos de influência e de critérios de acompanhamento e avaliação, que permitam apoiar a sua evolução (Ministério da Saúde, 1998).
Os serviços de saúde são parte integrante da estrutura política, económica e administrativa de qualquer sociedade. A simples importação de um modelo assistencial para uma sociedade, sem levar em conta as suas características pode ter efeitos negativos. O país que importa os referidos modelos pode não ter capacidade para suportar os custos. Exemplo desta prática é a aplicação de modelos de países desenvolvidos a países menos desenvolvidos, assentes em medidas curativas, baseadas em atendimento clínico por profissionais altamente especializados (Traebert, 1996).
As políticas deverão ser orientadas para estratégias de promoção e prevenção em saúde pública. A questão das doenças orais é simples e medidas de saúde pública baratas estão disponíveis para as prevenir e controlar pois as causas são conhecidas: dieta, deficiente controlo de placa, tabaco, stress e acidentes. O fator principal que torna o tratamento dentário tão caro é a limitação resultante da postura “restaurativa” dominante para tratar e prevenir a doença. Apesar da saúde oral ser o objetivo a atingir foi desviada pelo tratamento dentário, que é uma estratégia e não um objetivo. As estratégias de tratamento podem assegurar melhor cuidado para alguns e uma dependência dos profissionais, mas pouco é feito em termos de promoção da saúde e trabalho intersectorial. As abordagens com base clínica e capital intensivo para tratar doenças são irrealistas dados os altos custos e inadequada cobertura (Sheiham, 2005).
A Organização Mundial da Saúde aponta para 2020, metas para a saúde oral que exigem um reforço das ações de promoção da saúde e prevenção das doenças orais, e um maior envolvimento dos profissionais de saúde e de educação, dos serviços públicos e privados.
Ações futuras para melhorar a saúde oral e reduzir desigualdades requerem uma abordagem de saúde pública. A prevenção clínica e a educação para a saúde oral isoladamente tem um efeito mínimo e pode aumentar as desigualdades na sociedade. Um programa de saúde que procure as causas profundas de uma pobre saúde oral, através de uma implementação com um largo espectro de ações complementares é o melhor caminho para o sucesso.
Estimar a necessidade de cuidados de saúde oral é fundamental para a saúde pública. Até ao momento não se registam progressos nessa área. Existem grandes deficiências nas abordagens normativas das necessidades orais. Uma abordagem alternativa à convencional, a abordagem sociooral que leve em consideração o impacto que o estado oral tem na qualidade de vida, desejo das pessoas e comportamentos, a sua propensão para alterar comportamentos e importância, evidenciando que o tratamento recomendado é eficiente.
Os governos europeus estão a fazer reformas nos seus sistemas de saúde oral para fazer uma análise profunda. O grande desafio é a habilidade para controlar o que ocorre dentro do sistema. Problemas como a indução da procura e excesso de tratamento. O desenvolvimento de medidas apropriadas e apropriados mecanismos de incentivos são mais importantes na aquisição de equidade e sucesso do que aumentar o número de dentistas (Batchelor, 2005).
A análise económica do setor da saúde poderá dar um importante contributo na tomada de decisões neste setor da saúde. Apesar de alguma especificidade dos serviços de saúde oral, os mesmos conceitos e métodos aplicados à compreensão dos serviços médicos podem ser aplicados à análise dos serviços de saúde oral.
Teria sido importante perceber as razões que levam à não utilização do cheque, através da aplicação de um inquérito aos encarregados de educação. Este estudo pretende apenas ser um contributo e o “despertar” do interesse para futuras investigações na área das parcerias do serviço público com o serviço privado de medicina dentária em detrimento de outras políticas.
Estela Maria Malheiro de Castro

NOTA: O autor do deste blogue publica excerto da tese tendo em conta o seu interesse para a sociedade civil. Qualquer ilícito acerca da reprodução deste texto deverá ser comunicado por email ao autor do blogue.