sábado, 20 de dezembro de 2014

645. Como Branquear os Dentes com Bicarbonato de Sódio

Quer dentes mais brancos sem ter que gastar dinheiro em tratamentos e produtos caros? Por sorte, há um produto caseiro comum que faz maravilhas no clareamento dentário: bicarbonato de sódio! O bicarbonato de sódio é um abrasivo leve que remove com eficácia as manchas nos dentes causadas por chá, café, cigarros e outras coisas. Saiba como fazer isso.
Método 1 de 2: Básico
1 – Misture o bicarbonato de sódio com água. Em uma pequena xícara, misture meia colher de chá de bicarbonato de sódio com meia colher de chá de água. Misture para formar uma pasta. Mergulhe sua escova de dentes na xícara, para cobrir as cerdas com a pasta de bicarbonato de sódio.
Como alternativa, você pode colocar a escova de dentes húmida directamente no bicarbonato de sódio e o pó irá se prender nas cerdas. Porém, o gosto do bicarbonato será muito forte se você usar este método.
2 – Escove os dentes de um a dois minutos. Escove seus dentes como você normalmente faria, mas concentre-se em passar a escova em todas as aberturas e reentrâncias. Não escove os dentes por mais de dois minutos, já que o bicarbonato de sódio é um abrasivo leve e pode começar a corroer o esmalte dos seus dentes.
Esteja ciente de que o gosto do bicarbonato de sódio não é particularmente agradável!
3 – Enxagúe. Cuspa o bicarbonato de sódio e enxagúe a boca com água ou enxaguante bucal. Lave bem a sua escova de dentes também.
4 – Repita em dias alternados. Você deve repetir o processo de escovação dos dentes com bicarbonato de sódio em dias alternados de uma a duas semanas. Você irá perceber uma leve diferença entre a cor dos seus dentes depois de alguns dias e uma diferença substancial depois de duas semanas.
Depois de duas semanas escovando os dentes com bicarbonato de sódio em dias alternados, você diminuir a frequência para apenas uma ou duas vezes por semana. Isso é porque as propriedades abrasivas do bicarbonato de sódio podem danificar o esmalte dos seus dentes se o bicarbonato for usado com muita frequência.
Esteja ciente de que escovar seus dentes com bicarbonato de sódio não deve substituir a escovação com a pasta de dente. A pasta de dente contém flúor, que é importante para fortalecer os dentes e prevenir cáries.
Método 2 de 2: Alternativos
1 – Misture o bicarbonato de sódio com água oxigenada. Água oxigenada também é outro excelente produto que temos em casa e que pode ser usado para clarear os dentes com eficácia. Basta misturar meia colher de chá de água oxigenada com uma colher de chá de bicarbonato de sódio para formar uma pasta que lembra a consistência de uma pasta de dente. Escove os dentes com esta mistura, depois deixe agir nos dentes por um ou dois minutos. Enxagúe com água ou enxaguante bucal.
A água oxigenada pode ser encontrada na maioria das farmácias e é geralmente vendida em frascos opacos, para prevenir que a solução reaja com a luz. Certifique-se de comprar uma solução de 10 volumes, que é segura para o uso oral.
A água oxigenada também é um eficaz enxaguante bucal anti-bacteriano.
2 – Misture o bicarbonato de sódio com suco de limão. O bicarbonato pode ser misturado com suco de limão fresco, já que o ácido cítrico é um eficaz agente alvejante. Basta misturar meia colher de chá de bicarbonato de sódio com meia colher de chá de suco de limão fresco. Escove esta mistura em seus dentes usando uma escova de dentes e deixe agindo por cerca de um minuto antes de escovar bem.
Esteja ciente de que a maioria dos dentistas não recomenda este método, já que o ácido cítrico é corrosivo e irá danificar seus dentes.
3 – Misture o bicarbonato de sódio com a pasta de dentes. Você pode misturar um pouco de bicarbonato de sódio com a sua pasta de dentes comum para ter os efeitos alvejantes do bicarbonato de sódio, combinados com as propriedades fortificantes e de protecção do flúor existentes na pasta de dentes. Basta colocar a quantidade normal de pasta de dentes em sua escova de dentes, salpicar um pouco de bicarbonato de sódio em cima, depois escovar normalmente.
Dicas:
Certifique-se de não escovar a sua gengiva, já que isso pode causar uma sensação de ardor e sangramento.
Usar uma escova de dentes eléctrica irá ajudar você a escovar seus dentes mais rapidamente e de forma mais eficaz.
Depois de escovar seus dentes, escove sua língua. O mau hálito apenas tem relação com os dentes quando estes estão com pedaços de comida e placa. A principal causa do mau hálito são as bactérias crescendo nas gengivas. Tente escovar levemente toda a superfície interna da sua boca (excepto a garganta) depois de bochechar o enxaguante, logo antes de enxaguar.
Avisos:
O bicarbonato de sódio pode dissolver a cola ortodôntica. Não use este método se você usar aparelho ortodôntico ou uma contenção.
Não use este método frequentemente, já que a abrasão pode danificar permanentemente o esmalte dos seus dentes. Há certas marcas especiais de pasta de dente (geralmente para os fumantes) que contém abrasivos muito mais suaves do que o bicarbonato de sódio. Elas podem ser usadas diariamente sem risco para a saúde dos seus dentes e ajudam a remover não apenas as manchas causadas pelo fumo, mas também aquelas causadas pela ingestão de café, chá e vinho.
Não escove seus dentes com muita força, já que isso pode danificar o esmalte dos seus dentes, causando hipersensibilidade.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

644. Metade dos portugueses vai ao dentista menos de uma vez por ano

De acordo com os dados divulgados no Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, 8,3% dos inquiridos nunca foi ao dentista e 21,2% diz que só vai quando tem um problema dentário, uma urgência ou dor. Dos mais de mil entrevistados, 20,9% revelaram ter diminuído o número de visitas ao dentista no último ano, com a questão monetária "a ser o principal motivo evocado para não ir".
São menos de um quarto os portugueses que indicam ir ao dentista duas ou mais vezes por ano, enquanto cerca de metade (48,8%) dos portugueses afirma realizar um 'check-up dentário' menos de uma vez por ano. Dos inquiridos, 51,5% acreditam que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não disponibiliza serviços de medicina dentária e apenas 10,2% já recorreram a unidades públicas quando precisam de serviços de saúde oral.
Num comentário a estes resultados, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas considerou que Portugal "precisa de trabalhar no acesso dos portugueses ao médico dentista", criando "mecanismos que ajudem as pessoas a poder" tratar da saúde oral. "Não há em Portugal possibilidade de a generalidade da população fazer um acompanhamento adequado da saúde. O país já tinha um problema de acessibilidade, porque o SNS nunca deu resposta a esta área. Como não há mecanismo que comparticipe ou ajude os portugueses à consulta regular, os portugueses pagam do seu bolso estas consultas. E com a crise económica é afectada a capacidade da população que tinha acesso ao dentista", resumiu Monteiro da Silva.
As conclusões do primeiro Barómetro Nacional de Saúde Oral mostram ainda que 70% dos portugueses têm falta de dentes naturais, sendo que mais de 20% tem falta de pelo menos 10 dentes e 7% da população portuguesa não tem qualquer dente natural. O barómetro revela também que "56,1% dos portugueses que têm falta de dentes naturais não têm nada a substituí-los". Apenas 7,7% têm dentes substitutos fixos, sendo que os restantes 36,2% possuem prótese. "Metade dos inquiridos admite que já sentiu dificuldades em comer e/ou beber devido a problemas na boca e nos dentes e 18% confessa que já se sentiu envergonhado por causa da aparência dos seus dentes", constatam.. 
Sobre os hábitos de sáude oral, o estudo revela que os portugueses cumprem o básico "mas poucos têm hábitos mais sofisticados". "Se 97,3% afirma ter por hábito escovar os dentes, contudo, 54,4% não usa elixir e 76,2% admite não usar fio dentário. Dos que escovam os dentes, 72,7% fazem-no duas ou mais vezes por dia", especifica o documento.
Os resultados do barómetro também permitem concluir que "as mulheres apresentam taxas de hábitos de higiene e limpeza superiores aos homens". "A falta de dentes naturais, com exceção dos dentes do siso, está correlacionada com o hábito de escovar os dentes, na medida em que quantos menos dentes naturais possui quem respondeu, menores são os seus hábitos de higiene", lê-se no comunicado com as conclusões.
O inquérito revela ainda que os portugueses (93,5%) estão satisfeitos ou muito satisfetios com o seu médico dentista.  "De sublinhar que 63,7% dos portugueses nunca mudaram de médico dentista. Os principais factores de fidelização são a confiança no médico dentista, a qualidade nos serviços prestados e a habituação", adianta o documento que sublinha ainda que a maioria dos portugueses (64,5%) esclarece as suas dúvidas de saúde oral junto do seu médico dentista, em prejuízo de outros meios, como a internet.
O primeiro barómetro nacional de saúde oral foi feito tendo por base 1102 entrevistas presenciais, tendo validade estatística.
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É muito urgente que seja definida uma estratégia nacional no âmbito da saúde oral e da medicina dentária. Enquanto as organizações ligadas à saúde oral persistirem inocuamente em querer trabalhar sem cooperar colectivamente com todas as restantes entidades, a saúde oral dos portugueses vai-se degradando e são sempre as classes sociais menos favorecidas que pagam os erros dos dirigentes incapazes de dar as necessárias respostas à população.
Para quando uma verdadeira união de vontades entre os médicos de medicina oral, os higienistas orais e os estomatologistas, tanto do sector público como do sector privado, para fazer face à ausência de uma estratégia de saúde oral no nosso país?
Basta de tanta hipocrisia: enquanto alguns sectores da medicina dentária ficam satisfeitos com algumas benesses dadas pelo poder político, os serviços de saúde oral continuam a ser negados à maior parte da população.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

643. TRIBUNAL DE CONTAS: A morte da medicina dentária do sector público em Portugal

O Tribunal de Contas ditou a morte da 
medicina dentária do sector público em Portugal
Para quando uma reacção de repudio por parte da Ordem dos Médicos dentistas e do Ministro da Saúde à forma como é tratada a Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa? Quantos médicos dentistas portugueses foram formados naquela instituição? Quantos elementos do Tribunal de Contas já foram tratados por médicos dentistas formados naquela instituição? Atacar quem presta cuidados de saúde com cariz social diz tudo sobre quem procedeu à auditoria; concerteza algo inédito, extremamente vergonhoso e que nem no mais mais desenvolvido do mundo ocorreria...
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A Clínica Externa da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa vai fechar a 31 de Outubro, na sequência "de irregularidades" encontradas por uma auditoria do Tribunal de Contas(TC). O anúncio foi feito este sábado pelo director da Faculdade de Medicina Dentária, João Aquino Marques, depois de um relatório do TC que indica que a existência daquela unidade não está prevista nos estatutos da faculdade e não tem licença da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo ou de qualquer outra entidade para funcionar.
Embora o Tribunal de Contas considere "não estar em causa a qualidade dos serviços prestados" e reconheça a "função social prestada a estratos desfavorecidos da população", sublinha que a clínica deve "observar as normas e boas práticas aplicáveis às entidades públicas e às actividades prosseguidas". Para João Aquino Marques, a Clínica Externa faz parte "da orgânica da Faculdade", não sendo, assim, uma "unidade privada" que requeira licenciamento por parte do regulador da saúde e tem funcionado ao longo dos últimos 10 anos como "extensão do serviço da universidade", opinião partilhada pelo secretário-coordenador, Dário Vilela.
"As instituições procuram meios de financiamento e, na altura, pareceu-nos uma boa ideia abrir a faculdade à população geral. A clínica externa ou integrada é um serviço hospitalar com médicos, depende da faculdade, utiliza as suas instalações e é uma fonte de receitas", explicou Aquino Marques.  Dário Vilela sublinhou que a clínica é responsável por cerca de 20 mil consultas anuais e que o seu fecho irá pôr fim à "única consulta no sector público para adultos com necessidades especiais".
Tendo em conta as restrições adoptadas pelo Governo para as contratações de funcionários por entidades públicas, João Aquino Marques considerou que não tem grandes alternativas a não ser o fecho da clínica, já que não pode fazer contratos de prestação de serviços, nem de avença. "Pedem que sejamos criativos. Não queremos fechar a consulta externa, mas as alternativas legais passam por criar uma clinica privada, com abertura de um concurso às quais as clínicas privadas podem concorrer. Isso não nos interessa, já que queremos seguir a nossa filosofia de ensino", explicou.
De acordo com o responsável, a dotação do Estado para a faculdade ronda os 1,8 milhões de euros anuais e os salários de docentes e não docentes chegam aos 3,8 milhões de euros. "Quando o Tribunal de Contas diz que a clínica não prova que somos auto-suficientes, a prova é que nunca pagámos dos nossos bolsos os salários. E gastamos 400 mil euros em material clínico. Temos de fazer das tripas coração para isto. Cometemos esta ilegalidade que o TC aponta e somos penalizados por isso", retorquiu.
Segundo o mesmo responsável, a clínica externa funciona há cerca de dez anos, dá emprego a 60 pessoas, das quais 42 médicos dentistas, e atende cerca de 20 mil pessoas, sendo responsável por um acréscimo de 50% às 45 mil consultas realizadas pela faculdade.Do valor pago na consulta pelos doentes, 40 % é para os médicos dentistas, 60% para a faculdade.
PÚBLICO

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

642. Há 30 concelhos em Portugal sem médicos dentistas resgistados

Mais de 150 mil pessoas em 30 concelhos portugueses vivem sem dentista, segundo dados oficiais da Ordem dos Médicos Dentistas, que admite uma distribuição de profissionais “demasiado acumulada nas zonas do litoral”.
Os números da Ordem, a que a agência Lusa teve acesso, mostram que em 30 concelhos (10% do total) não há qualquer médico dentista registado, embora o bastonário admita que possa haver profissionais de concelhos limítrofes a dar algumas consultas nesses locais.
“São concelhos pequenos, relativamente despovoados, fundamentalmente do interior do país. São regiões que estão numa desertificação crescente e que têm dificuldade em atrair médicos dentistas e concelhos com uma população muito baixa”, especificou Orlando Monteiro da Silva em declarações à agência Lusa.
O bastonário defende que o Estado pode e deve criar “mecanismos de estímulo” para atrair médicos dentistas a instalarem-se em “zonas com muito pouca ou mesmo sem cobertura”, lembrando que as câmaras municipais “também têm o seu papel”.
Alcoutim, Aljustrel, Alvito, Arraiolos, Barrancos, Chamusca, Corvo (Açores), Figueiró dos Vinhos, Freixo de Espada à Cinta, Gavião, Marvão, Nisa, Oleiros, Ourique, Penamacor, Viana do Alentejo ou Vila Velha de Ródão são alguns dos concelhos sem dentistas registados.
Nestes 30 concelhos, a média da população residente é de 4.864 pessoas, de acordo com os dados da Ordem relativos a 2014.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

641. Mais de 173 mil pessoas receberam cheques-dentista desde Janeiro

Mais de 173 mil pessoas já receberam cheques-dentista desde Janeiro, com a maior fatia de beneficiários a ser a das crianças dos 7 aos 13 anos, segundo números oficiais da Ordem dos Médicos Dentistas. Nos primeiros cinco meses do ano, 173.259 pessoas receberam cheques-dentista, com uma taxa de utilização total a rondar os 65%, mas que varia dos 24% nos jovens de 15 anos aos 85% nos doentes com VIH/sida.
Os principais beneficiários são as crianças com 7, 10 e 13 anos das escolas públicas, que receberam já mais de 120 mil cheques para usar em tratamentos dentários em consultórios privados. Desde o início do programa, em 2008, cerca de 1,9 milhões de utentes tiveram acesso a cheques-dentista, com os quais foram realizados mais de 6,5 milhões de tratamentos.
Este Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral abrange crianças e jovens que frequentam as escolas públicas aos 7, 10, 13 e 15 anos, bem como grávidas seguidas nos serviços públicos, idosos que recebem o complemento solidário e portadores de VIH/sida. Desde o início do programa, o número de beneficiários tem vindo sempre a aumentar, tendo superado os 413 mil no ano passado, com mais de 633 mil cheques emitidos e 408 mil efectivamente usados.
Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, os dados do programa mostram ainda que a severidade das lesões tratadas tem vindo progressivamente a diminuir, o que vai ao encontro dos objectivos. Cerca de 60% das intervenções realizadas correspondem a procedimentos preventivos, como aplicação de selantes (protectores das fissuras dos dentes contra a cárie dentária), com a incidência das cáries a apresentar diminuições consideráveis nas crianças, "o principal alvo" do programa.
A Ordem dos Médicos Dentistas defende, contudo, que o programa seja alargado aos diabéticos, lembrando que é um grupo com riscos adicionais para problemas de saúde oral. Para o bastonário, Orlando Monteiro da Silva, na actual situação económica do país "deve ser ponderado o alargamento do programa a grupos de risco adicionais, como os diabéticos". Para isso, Monteiro da Silva frisa ser necessário um "aumento da dotação orçamental" do programa, recordando ainda que há cerca de um milhão de diabéticos diagnosticados no país.
Apesar de a questão das verbas necessários para alargar os cheques-dentista ser uma decisão do Ministério da Saúde, o bastonário considera que se trata de "um investimento que permite uma racionalização de custos". "Há uma relação enorme entre diabetes e saúde oral. A diabetes precisa de estar controlada para se ter uma boa saúde oral e vice-versa. É preciso um bom controlo da saúde oral, principalmente ao nível da gengiva e do osso, para que a diabetes não seja exacerbada", explicou à agência Lusa.
Recentemente, a Entidade Reguladora da Saúde questionou a universalidade e equidade no acesso aos cheques-dentista, lembrando que ficam de fora crianças que frequentam escolas privadas e grávidas não seguidas nos serviços públicos. Actualmente, são 3305 os médicos dentistas a colaborar com o programa, que chega a mais de 5500 clínicas e consultórios em todo o país.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

640. Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas premiado pela AMERICAN DENTAL ASSOCIATION

O Dr. Orlando Monteiro da Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), foi eleito membro honorário da American Dental Association (ADA), uma das organizações de Médicos Dentistas mais respeitada mundialmente.
Pela primeira vez, um português é eleito membro honorário da ADA. Esta distinção é atribuída a personalidades que tenham contribuído de forma excepcional para o avanço da Medicina Dentária e globalmente para a promoção da saúde oral.
Para além da eleição como membro honorário da ADA, o Bastonário da Ordem dos Médicos foi também o primeiro português a ser eleito presidente da FDI (Federação Dentária Internacional).
A entrega deste prémio terá lugar na reunião da “House of Delegates”, da ADA, em Outubro, durante o congresso anual da associação, que decorre na cidade de San Antonio, no Texas.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

638. RASTREIO DO CANCRO ORAL: Reivindique os seus direitos

Cada utente do Serviço Nacional de Saúde (SNS) passa, a partir de agora, a ter direito a dois cheques dentista por ano para diagnóstico de cancro oral e a outros dois para biopsia. De acordo com uma norma da Direcção-Geral da Saúde, este alargamento do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral tem como objectivo aumentar a sobrevivência por cancro oral após o diagnóstico da doença.
Está definida como população-alvo as pessoas pertencentes aos grupos de risco (homens fumadores, com mais de 40 anos e com hábitos alcoólicos) e utentes com lesões na cavidade oral e com queixas de dor, alterações da cor ou da superfície da mucosa oral. O valor de cada cheque-diagnóstico é de 15 euros e o de cada cheque-biopsia de 50 euros, podendo cada utente receber, anualmente, dois cheques de cada.
A Ordem dos Médicos Dentistas já estimou que passem a ser realizadas anualmente cerca de cinco mil biopsias ao cancro oral. A intervenção começará sempre no médico de família, ou através de rastreios a utentes de elevado risco ou pelo diagnóstico clínico de lesões na boca potencialmente malignas
A existência de uma lesão suspeita deve ser sempre sujeita a um diagnóstico diferencial, sendo emitido pelo sistema informático dos centros de saúde um cheque-diagnóstico que pode ser usado num médico dentista aderente ao Programa. No caso de o médico dentista ou estomatologista considerar necessária a realização de uma biopsia deve realizar a recolha do produto e enviar para um laboratório de referência, utilizando então um cheque-biópsia.
Quando é detectado um tumor, o laboratório informa, por sistema informático, o Instituto Português de Oncologia da respectiva área, que deve marcar uma consulta com carácter de urgência. No programa participam 240 médicos dentistas, numa rede que pretende cobrir geograficamente todo o país.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

636. Trinta e dois dentes invadem as ruas de Lisboa

Lisboa, 15 de Abril de 2014 – No âmbito do Mês da Saúde Oral que terminou a 31 de Março, 32 dentes gigantes, formando uma verdadeira dentadura gigante, passearam pelas ruas da zona histórica de Lisboa. Quem se encontrava nas zonas da Baixa, Chiado e Rossio foi surpreendido pela passagem de uma dentadura humana composta por 32 dentes que, de forma descontraída, interagiu com os curiosos que passeavam nesta zona e que foram surpreendidos pela animação criada pela Colgate.
Divertidos, os dentes interagiram com quem passeava pela zona, abordando as pessoas para reforçar a importância de uma boa higiene oral e relembrando-os que a saúde bucal pode ser encarada de forma alegre e descontraída.
A passagem da dentadura humana pelas ruas de Lisboa coincidiu com a acção do consultório móvel Colgate, que disponibilizou centenas de check-ups de rotina gratuitos à população entre os dias 12 e 16 de Março. Inserida na 15ª edição do Mês da Saúde Oral Colgate, esta acção foi uma excelente forma de chamar a atenção para a importância de uma higiene e saúde oral cuidada, de uma forma didática, muito divertida e original. Veja aqui o divertido vídeo da dentadura humana Colgate em acção:


terça-feira, 15 de abril de 2014

635. Programa de saúde oral : evolução, intrumentos e resultados

http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/22743/1/TESE%20FORMATO%20DIGITAL%20CORRIGIDA.pdf
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A situação da saúde oral na população infantil e juvenil é tanto mais preocupante pelo conhecimento adquirido de que a cárie e as doenças periodontais, se adequadamente prevenidas ou precocemente tratadas, são de uma elevada vulnerabilidade, com custos económicos reduzidos e ganhos em saúde relevantes. Desde 1985 que a Direção-Geral da Saúde tem em curso um Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. Este programa de saúde oral no Serviço Nacional de Saúde (SNS), iniciou-se com a promoção da saúde oral em meio escolar, sendo alargado posteriormente a medidas preventivas e curativas com a entrada de Higienistas Orais (HO) e à contratualização com os serviços privados de medicina dentária. Em 2008, este modelo contratual foi revisto surgindo o cheque dentista. O estudo pretende contribuir para a compreensão da evolução do programa de saúde oral, os seus instrumentos e os seus resultados mais recentes. No estudo empírico, os dados analisados resultaram da compilação da informação do programa Saúde Oral em Crianças e Jovens e dos rastreios efetuados na escola. O estudo pretende ainda refletir sobre os benefícios/custos de um modelo que privilegie os rastreios de cárie dentária, como medida de triagem versus um modelo de subsídio universal, que permita o acesso a todas as crianças. A contratação de Higienistas Orais poderá ter ganhos importantes não só a curto prazo através da triagem das crianças a atribuir cheque dentista, mas também a longo prazo com a implementação sistemática de medidas de promoção da saúde oral. Na amostra verificou-se que apenas cerca de 45,5% das crianças com 7 anos, apresentam a dentição livre de cáries. Os dados do estudo revelam uma adesão de apenas metade das crianças a um programa totalmente gratuito, sendo que 24.7% das crianças que efetivamente tinham necessidades de saúde oral não fizeram uso do cheque dentista. No entanto, praticamente todas as crianças que utilizam o cheque concluem o plano de tratamento. A exceção que se verifica aos 10 anos, relacionada com a erupção dos pré-molares, sugere uma revisão das coortes etárias de atribuição do cheque dentista. Com aplicação da triagem a um universo de 237 crianças com uma taxa média de 40,7% livre de cárie, seria possível reduzir os custos em 5700 euros. A análise económica do setor da saúde oral poderá dar um importante contributo na tomada de decisões neste setor da saúde.

domingo, 16 de março de 2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

633. Qual a proporção dentista : habitantes recomendada pela OMS?

Acredito que todos os dentistas já devem alguma vez ter ouvido a frase "a OMS recomenda a proporção de 1 dentista para cada 1.500 habitantes". Mas o que ela quer dizer com isso? Que se a proporção 1:9.000 é ruim, então a proporção 1: 167 é boa? Não faz muito sentido.
Paulo Capel Narvai escreveu um artigo para o Jornal do Site dizendo que este dado seria uma lenda. Uma espécie de hoax que teria se iniciado antes mesmo da popularização da internet. Diz ele:
"Não basta para o enfrentamento da atual política de formação de recursos humanos em saúde — aí incluídos os recursos humanos odontológicos —, a enfadonha citação de que "a Organização Mundial da Saúde recomenda 1 dentista para 1.500 habitantes." (Há variantes como 1/1.000 ou 1/2.000). Há pelo menos dois erros nisso: em primeiro lugar, a OMS não recomenda coisa alguma. Em algum momento alguém deve ter lido mal em algum lugar, citou erroneamente a OMS e, a partir daí, tem havido uma repetição mecânica e acrítica dessa proporção. Jamais encontrei a referência bibliográfica nos artigos que mencionam a tal proporção. Nos documentos da OMS, aos quais tive acesso, nunca li nada sobre o assunto. Até que algum pesquisador desvende esse mistério, pode-se concluir que trata-se de pura lenda".
Confesso que há muito tempo não tenho sossego, procurando as origens da lenda, pois encontrei publicações até de 1979 com essa informação. Até que me bateu a ideia de procurar onde a coisa começou (ou não) : a própria OMS.
Achei um comunicado da organização que esclarece a coisa toda:
"A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) não recomendam nem estabelecem taxas ideais de número de leitos por habitante a serem seguidas e cumpridas por seus países-membros. Tampouco definem e recomendam o número desejável de médicos, enfermeiros e dentistas por habitante. Não existe, ainda, orientação sobre a duração ideal das consultas médicas ou um número desejável de pacientes atendidos por hora." Grifo meu.
Então, como tudo aconteceu?
No longínquo ano de 1972 ocorreu a III Reunião Especial de Ministros de Saúde das Américas, que resultou no Plano Decenal de Saúde para as Américas. Os ministros ali reunidos combinaram a meta de alcançar "8 médicos, 2 odontólogos, 4,5 enfermeiros e 14,5 auxiliares de enfermaria para cada 10.000 habitantes". Só isso. E o valor nem corresponde à versão consagrada na literaura...
O documento é fruto de um evento da OPAS-OMS, mas não é uma resolução oficial da organização, que diria quanto dentistas deveriam existir pra cada tantos mil habitantes.
Ate porque, em 1972 a realidade era outra, não é? Bem aqui um artigo do Vitor Pinto de 1983, que não me deixa mentir.

domingo, 19 de janeiro de 2014

632. Dentistas do Bem chegam ao Interior Norte para tratar crianças e jovens carenciados

Os Dentistas do Bem chegaram ao interior norte de Portugal sendo a vila de Mogadouro a primeira localidade desta região a acolher este serviço prestados por médicos dentistas voluntários que vão realizar consultas dentárias a criança e jovens carenciados.
"É importante chegar ao interior do país. Ainda não tínhamos conseguido ativar o projeto no Interior Norte e assim Mogadouro é primeira localidade desta região a acolher a nossa iniciativa", disse à Lusa Carla Graça, representante da Turma do Bem.
A Turma do Bem é uma Organização Não Governamental (ONG), cujo principal projeto é o Dentista do Bem, quer começar o ano de 2014 a espalhar sorrisos de norte a sul de Portugal, e "escolheu" Mogadouro para ajudar a descentralizar o projeto que até agora ainda não tinha chegados aos distritos de Bragança, Vila Real ou Guarda.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

630. Tese de Mestrado (Saúde Oral)

Caros Colegas,
O meu nome é Ana Firmino, tenho formação base em Higiene Oral desde 2010 pela FMDUL, não estou a exercer, e de momento encontro-me a preparar a minha tese de mestrado pela ENSP-UNL, cujo tema se encontra relacionado com a Saúde Oral.
Face à presente conjectura económica do nosso país e de acordo com as desigualdades de acesso a que a população está sujeita, nomeadamente em relação à saúde oral como componente de saúde pública, verifica-se cada vez mais uma degradação de saúde oral da nossa população e restantes problemas associados.
Visto ser um campo que muito preocupa os profissionais da nossa área que, na sua maioria, defendem que a saúde oral deveria fazer parte e ser 'entregue' à população de forma gratuita, não fosse um direito por nós adquirido descrito na Constituição da República com as seguintes palavras:

“1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
2. O direito à protecção da saúde é realizado:
a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice (...)
3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde (…).”

Ora, sabemos que em relação à saúde oral não é o que se pratica na realidade. Assim sendo, contacto-vos com objectivos de solicitar alguma informação (estudos, artigos, documentos, posters, etc.) pertinente que me possam facultar.
Essencialmente pretendo fazer uma introdução sobre o higienista, médico dentista, estomatologista, odontologista de maneira a destacar quais os papéis e função de cada um na saúde oral do indivíduo, de que forma poderão trabalhar em equipa e de que forma se complementam.
Pretendo também abordar a oferta e acesso em saúde oral numa vertente pública e privada face as necessidades da população (Nº de profissionais - dos referidos anteriormente, mas essencialmente HO e MD -, nº de espaços públicos e privados, percepção da necessidade da população - idosos, grávidas, crianças e jovens, portadores de HIV, etc.).
Desejo pesquisar novas abordagens e programas aplicados noutros países de referência (Europeus ou não), vanguardista nesta área e que apontem resultados positivos face à implementação dos seus programas.
A fim de abordar a vertente de Gestão de Recursos Humanos (nº profissionais, nº profissionais no activo, nº de profissionais por tipologia publica ou privada, nº cheque dentista emitidos pelos vários escalões e nº de utilização dos mesmos, resultados dos programas de saúde oral anteriormente realizados, etc.) face as necessidades existentes, necessito de informação fidedigna e baseada na evidência.
Pretendo ainda, comparar resultados de saúde oral com outros países e seus programas, por fim tenciono propor novos métodos e programas mais eficazes que criem maiores condições de acesso à população numa vertente pública com igualdade de acesso para todos.
Agradeço imenso se me puderam facultar o máximo de informação que peço e ou que achem que possa ser pertinente para o meu estudo.
Aceito sugestões ou algum tipo de orientação se assim pretenderem ou acharem necessário.
Se eventualmente necessitarem de uma declaração da instituição à qual pertenço pertence, agradeço que ma solicitem o quanto antes, para poder realizar o projecto sem mais demora.
Aguardo feedback.
Obrigada,
Ana M. P. Firmino,
24º Curso de HO (FMDUL),
VIII Curso de Mestrado em Gestão da Saúde (Escola Nacional de Saúde Pública - UNL).
Correio electrónico: margarida_firmino88@hotmail.com ou FaceBook

domingo, 22 de dezembro de 2013

629. Sete alimentos que deixam dentes e gengivas saudáveis

Alimentos crus - A força feita para mastigar alimentos crus sustentam os dentes mais fortes, garantindo-lhes firmeza. Neste caso, outros alimentos difíceis de mastigar, como a carne e maça, também ajudam.
Vitamina C - A falta de vitamina C causa sangramento das gengivas e diminuição da massa óssea, o que a longo prazo pode levar a perda dos dentes. Não se deve exagerar no consumo de alimentos muito ácidos - como laranja e abacaxi, ricos em vitamina C -, pois deixam os dentes mais porosos. Uma opção é fazer bochecho com água para neutralizar o ácido após a ingestão, não se aconselhando a escovagem imediata, pois o atrito da escova com o esmalte fará com que os dentes se desgastem ainda mais.
Água - Consumir água é importante porque elimina detritos, açúcares e ácidos. Além disso, a água das grandes cidades contem flúor, o que reforça a resistência do esmalte do dente.
Leite e derivados - Neste caso, o que é essencial é o consumo de cálcio, pois o nutriente é parte da composição dos dentes e, em níveis adequados, garante uma boa saúde e formação dentária. Outra fonte de cálcio são as folhas verdes escuras, como a couve.
Alimentos ricos em fibras - Além de contribuir para a saúde gastrointestinal, estes alimentos promovem a auto-limpeza dos dentes, evitando a formação de placa bacteriana - causadora de cáries e gengivite.
Vitamina D - A vitamina D aumenta a eficiência da absorção intestinal de cálcio em até 40% e a de fósforo em 80%; também ajuda na fixação do cálcio nas bases ósseas e dentárias.
Chiclete sem açúcar - Mascar chicletes sem açúcar entre as refeições estimula a formação de saliva, o que contribui para a limpeza dos dentes. As chicletes podem tornar-se ainda mais valiosas quando providas do xilitol (veja o rótulo), um adoçante que ajuda o processo de remineralização dentária e contribui para a longevidade e a protecção dos dentes.
Oneida Werneck

domingo, 1 de dezembro de 2013

628. O SNS é necessário e sustentável

Por desconhecimento da realidade ou por estratégia política, algumas pessoas dizem que o SNS é despesista e insustentável. É exactamente o contrário!
Falemos de números, com base nos mais recentes dados da OCDE, referentes a 2010. Em termos de percentagem do PIB, Portugal gastou 10,7% na Saúde (despesa pública e privada), a França e a Alemanha 11,6% e a média da OCDE foi de 9,5%. Mas, per capita, a comparação que é justa e honesta, Portugal gastou apenas 2728 dólares, contra 3974 da França, 4338 da Alemanha e 3268 da média dos países da OCDE. Todavia, para o montante anterior, o Estado português apenas contribui com 65,8%. Contra 77,0% em França, 76,8% na Alemanha e 72,2% na média dos países da OCDE. Ou seja, Portugal tem um sistema globalmente barato e, sobretudo, barato para o Estado. Recorde-se que, entretanto, de 2010 para 2012, o Governo reduziu a contribuição pública para o SNS em 20% e que para 2013 o Orçamento do Estado prevê que a despesa pública em Saúde seja apenas de 5,1% do PIB.
E a qualidade? Portugal tem 3,4 camas hospitalares por 1000 habitantes, enquanto a França tem 6,4, a Alemanha 8,3 e a média da OCDE é de 4,9. Não é possível reduzir mais camas hospitalares sem prejudicar os doentes! O tempo médio de internamento hospitalar, em dias, foi de 5,9 em Portugal, 5,7 em França, 9,5 na Alemanha, 7,1 na média da OCDE. Os especialistas hospitalares portugueses trabalham bem!
Esperança de vida das mulheres aos 65 anos: 20,6, 22,6, 20,9 e 20,7 anos, respectivamente em Portugal, França, Alemanha e média da OCDE. Estamos muito bem, mas podemos melhorar, o que passa sobretudo por combater os factores de risco, prevenir e tratar melhor as doenças crónicas.
Mortalidade infantil em 2010 (mortes no primeiro ano por cada 1000 nascimentos vivos): 2,5 em Portugal, 3,6 em França, 3,4 na Alemanha e 4,3 na OCDE. É um dos melhores parâmetros de análise global da qualidade de um sistema de saúde. Portugal foi o melhor em 2010!
Apenas na despesa per capita relativa ao consumo de medicamentos não comparávamos tão bem. Nesse ano gastámos 508,1 dólares, versus 634,5 em França, 640,0 da Alemanha e 495,4 da média da OCDE. Porém, entretanto, de 2010 para 2012, o valor do mercado do medicamento em ambulatório e o custo médio por embalagem decaíram cerca de 20%, fruto das medidas implementadas pelo Governo. O que significa que actualmente já estamos abaixo da média da OCDE e que há folga para introduzir medicação inovadora.
Como demonstra a frieza dos números da OCDE, o SNS é de grande qualidade e barato. Tal como afirmei recentemente em Bruxelas, numa reunião promovida pela European Public Health Alliance (EPHA), o sistema de saúde
português é dos melhores do mundo, não exclui ninguém, é sustentável e deve ser preservado. Quem pretender afirmar o contrário, terá de mostrar em que se baseia!
Se algum Governo quiser ter legitimidade democrática para destruir o SNS, os partidos que o suportarem terão de candidatar-se a eleições com esse programa explícito, ou então submeter a opção para a Saúde em Portugal a um referendo nacional. Não foram os 10% do PIB gastos em Saúde que levaram Portugal à bancarrota. Foi a forma medíocre, despesista e corrupta como “os outros 90%” são gastos por sucessivos Governos.
José Manuel Silva

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

627. Papa recebe a Turma do Bem, maior rede de dentistas voluntários do mundo

Como tem feito desde que se tornou sumo pontífice, o papa Francisco quebrou ontem as regras do Vaticano na audiência em que recebeu a maior rede de dentistas voluntários do mundo, a Turma do Bem, ao lado de chefes de Estado e organizações religiosas. Dispensou a restrita Sala São Paulo e saudou as 348 comitivas na praça São Pedro, lotada por 100 mil pessoas.
Simpático e sorridente, beijou crianças, tocou fiéis, conversou com peregrinos. Após a catequese em que convidou a todos, no Dia Mundial do Ambiente, a trocar a "cultura do descarte e do desperdício pela cultura da solidariedade e do encontro", abençoou fiéis e recebeu bispos e convidados. Entre eles, 2 dos 23 representantes da Turma do Bem: Fábio Bibancos, 50, fundador e vencedor do Prémio Empreendedor Social 2006, parceria da Folha com a Fundação Schwab, e Osvaldo Magro Filho, 47, eleito "melhor dentista do mundo" pela ONG pelo impacto do seu trabalho.
"Vocês são muito bons, rezem por mim", disse o papa a Bibancos, que relatou a Francisco que a organização tem 14 mil dentistas voluntários em 11 países e já atendeu 38 mil crianças e jovens. "Ver os dentistas serem respeitados desta maneira foi lindo", afirmou Bibancos. "Mesmo que você não seja católico, é uma energia de fé, de esperança."
Também emocionado, Magro Filho disse que a expectativa é multiplicar a tecnologia social. "É hora de a sociedade arregaçar as mangas e resgatar a solidariedade."

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

626. Portugal compra submarinos militares e corta na saúde infantil e juvenil

O Governo baixou o valor de cada cheque-dentista de 40 para 35 euros, segundo um despacho hoje publicado em Diário da República.
"A atual conjuntura económico-financeira implica a realização de esforços, que devem ser repartidos por todos. É, pois, diminuído o valor do cheque-dentista, por um lado, sem diminuição do acesso e cobertura da população e, por outro, com reforço da cobertura dos jovens de 15 anos completos", justifica o despacho assinado pelo secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde.
Desta forma, o valor de cada cheque-dentista desce cinco euros, passando dos 40 para os 35 euros.
DESTAK

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

624. ENTREVISTA: Dentistas brasileiros em Portugal

No início da década de 1990, uma das categorias de imigrantes brasileiros que ficou mais conhecida era a dos "dentistas em Portugal". Munidos de seus diplomas, alguns dentistas brasileiros mudaram-se para Portugal e passaram a exercer lá a sua profissão, um mercado mais favorável. Na época, havia um acordo entre Portugal e Brasil que estabelecia a equivalência direta entre todos os diplomas universitários do Brasil e de Portugal. O fluxo migratório de dentistas brasileiros incomodou tanto os dentistas portugueses que até a legislação foi alterada.
Foi sobre esse assunto que a revista Com Ciência conversou com Igor José de Renó Machado, antropólogo, doutorando em Ciências Sociais (IFCH/Unicamp) e pesquisador do Centro de Estudos de Migrações Internacionais (CEMI). A pesquisa de doutorado de Machado enfoca as diferentes visões produzidas em Portugal sobre os brasileiros. Nessas visões, Machado percebe uma associação entre o estereótipo da malandragem brasileira com a figura dos dentistas imigrantes.
Com Ciência - Resuma para nós o que você conhece do problema dos dentistas brasileiros em Portugal.
Igor Machado
- Por volta de 1991 a APMD, a Associação Profissional de Médicos Dentistas de Portugal, começa a reclamar da presença de dentistas brasileiros ilegais em Portugal. Esse órgão é o que regulamenta a profissão de médico dentista em Portugal e, para exercer a profissão, é necessário ser associado. Portanto, é ela quem concede a equivalência de diplomas. O caso é que as formações de brasileiros e portugueses têm diferenças (que para portugueses são significativas e para os brasileiros não). Diante do impasse diplomático, já que o acordo Cultural Brasil-Portugal, de 7 de setembro de 1966, no seu artigo XIV, regulamenta a equivalência de diplomas de profissionais brasileiros e portugueses, o governo português baixa uma Portaria legalizando administrativamente a prática de cirurgiões dentistas brasileiros em Portugal. A Portaria 180-A/92, de junho de 1992 equiparava dentistas brasileiros a técnicos e permitia-lhes o exercício da profissão e, como não eram médicos dentistas, estavam vinculados ao ministério da saúde e não à APMD. A fragilidade dessa portaria foi contestada judicialmente pela APDM em 16/04/1993, e todos os cirurgiões dentistas brasileiros estavam sendo citados pessoalmente em processos individuais. Em 1998, época do meu primeiro contato com os dirigentes da ABOP, estava em trânsito uma discussão na assembléia para tentar resolver o caso dos dentistas, enquanto o processo corria na justiça.
Com Ciência - A associação dos dentistas brasileiros é relevante em Portugal?
Machado
- A importância da movimentação dos dentistas brasileiros é tanta que em 1994, os governos brasileiro e português começaram negociações para resolver as "pendências diplomáticas". Entre essas negociações, estava a intenção de renegociar o Acordo Cultural Luso-Brasileiro, momento em que o governo brasileiro impôs a condição do reconhecimento dos 416 dentistas brasileiros processados pela APMD. O problema agravou-se devido ao fato da CLAD (Comitê de Ligação da Arte Dentária da União Européia), órgão que regula a equivalência dos currículos de médico dentista na Europa, ter ameaçado o governo português com uma queixa ao Tribunal de Justiça Europeu, caso Portugal reconheça os dentistas brasileiros como médicos dentistas. Por fim, em 1999 as associações brasileira de odontologia e portuguesa de estomatologia (o equivalente a nossa "odontologia"), pressionadas pelas respectivas diplomacias nacionais, conseguem chegar a um acordo que resolveu o problemas destes dentistas, além de forçar a escrita de um novo acordo cultural que passa a contemplar as situações como as dos dentistas brasileiros. O novo tratado prevê que concessão de equivalência de diplomas é um problema das respectivas associações profissionais dos dois países. Tendo conquistado seus objetivos, a associação portuguesa admitiu que os dentistas filiados à ABOP fossem integrados à ordem portuguesa, mediante um cronograma suave de cursos de adaptação dos currículos.
Com Ciência - Qual a reação da mídia portuguesa a essa disputa?
Machado
- Parte da mídia portuguesa misturou desinformação, sensacionalismo e preconceito e parte procurou informar corretamente sobre os problemas. O fato é que ambas as associações estavam em guerra declarada, o que implicava na divulgação de informações caluniosas dos dois lados. Não vi nenhum trabalho sério que procurasse averiguar as afirmações de ambas as partes (como conferir quais são, de fato, as diferenças de formação entre brasileiros e dentistas). Mas as reportagens preconceituosas, que relacionavam os dentistas a estereótipos sobre o brasileiro malandro, espertalhão foram as que mais se destacaram, claro. Elas, por um lado, sensibilizaram a mídia brasileira que deu destaque ao preconceito da cobertura na mídia portuguesa e, por outro, rentabilizaram a posição dos dentistas, que podiam dizer que o seu caso era um caso de defesa da imagem do Brasil, contra os preconceitos, etc.
Com Ciência - Qual o posicionamento político dos líderes dentistas durante o processo de luta pela equivalidação dos diplomas? Dentro do universo dos brasileiros em Portugal a liderança política dos dentistas era ou é significativa?
Machado
- A posição era de enfrentamento declarado. Enquanto a CBL (Casa do Brasil de Lisboa) buscava articular um discurso de extensão de direitos devido a irmandade luso-brasileira, como mostra o Gustavo Adolfo P. D. Santos [na tese de mestrado "Relações Interétnicas em Lisboa: Imigrantes Brasileiros e Africanos no Contexto da Lusofonia", também pesquisador do CEMI], a ABOP queria que a letra do tratado de 1966 fosse cumprida, alegando ainda que Portugal devia aos brasileiros o bom tratamento que o Estado brasileiro deu aos portugueses fugidos da revolução dos cravos e a todos os imigrantes portugueses. O discurso da ABOP era tão duro que o consulado brasileiro impediu a presença de dirigentes desta associação no simpósio internacional sobre imigração brasileira em Lisboa, organizado pelo CEMI e CBL. Para ter uma idéia, à época, ABOP que dizer Associação Brasileira de Odontologia Secção Portugal, num profundo desprezo pela APMD. Claro que a liderança destes dentistas é significativa, basta ver que sempre foram recebidos pelos chefes de Estado brasileiro (Itamar e FHC), entretanto não é representativa. Hoje em dia a grande maioria de brasileiros em Portugal é pobre e com baixa formação escolar, e estes definitivamente não se sentem representados pelos dentistas, vistos como verdadeiros magnatas.
Com Ciência - Quais as conseqüências da resolução do caso dos dentistas para os demais brasileiros?
Machado
- Resumindo, a ABOP resolveu seu problema particular e ao mesmo tempo provocou um novo tratado cultural que dificulta a vida de outros profissionais brasileiros (mesmo de novos dentistas) que agora ficam completamente dependentes das ordens portuguesas e não tem mais o amparo do antigo tratado cultural, que previa a obrigatoriedade da concessão de equivalência. Este processo encerrou-se em julho de 2000, quando o último módulo de cursos de adaptação foi terminado, juntamente com uma solenidade que visava abafar os anos de crise e uma resolução que nada tem de benéfica para a coletividade de brasileiros em Portugal, como tenta afirmar a ABOP. Se antes a ABOP lutava pelo cumprimento da lei, que era benéfica aos brasileiros, agora eles conseguiram resolver o próprio problema e abolir a lei que era boa e permitiu a reivindicação de direitos. Ora, a partir de agora os novos imigrantes qualificados devem resolver suas questões diretamente com as respectivas associações portuguesas, que sempre tentaram defender o seu mercado, como podemos imaginar. Para os brasileiros sem formação o único efeito dessa briga toda foi o reforço de estereótipos por parte da mídia portuguesa, que afeta negativamente a vida de todos.
Com Ciência - Qual a atual posição política dos dentistas após a resolução dos problemas?
Machado
- Se antes eram combativos, agora são "mais realistas que o rei". Durante o congresso que encerrou o problema com os últimos módulos de formação para a equivalência dos diplomas, do qual participei, o que mais se ouvia era sobre a "irmandade" luso-brasileira, sobre os eternos laços de amizade, sobre o estreitamento das relações entre a associação brasileira de Odontologia e a portuguesa, etc. Até o embaixador brasileiro estava lá e fez seu discurso na seção final de encerramento, comemorando o fim das brigas entre os "irmãos" transatlânticos.
IGOR MACHADO

domingo, 11 de agosto de 2013

623. Araçatuba (Brasil): 70% dos bebês chegam aos nove anos sem cárie

De cada dez bebês atendidos pela Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) de Araçatuba, sete chegam aos nove anos sem cárie. A média é calculada por meio do trabalho realizado na Bebê Clínica, programa da FOA (Faculdade de Odontologia de Araçatuba), desde sua fundação, em 1996. Durante esse período foram feitos 16 mil atendimentos. O resultado se deve, segundo o coordenador da clínica, Robson Cunha, à orientação dada pelos profissionais que atuam no serviço junto aos pais dos bebês atendidos.
"Os pais são incentivados a cuidarem da saúde bucal das crianças e com, isso, elas também aprendem a ser saudáveis", disse Cunha, lembrando que é difícil detectar cáries nos bebês acompanhados na clínica. "Quando aparece, são manchinhas brancas." O bebê tem que ter até seis meses de vida para ser inscrito no programa. Os pais também devem participar de uma palestra educativa sobre o assunto. A partir daí, há um acompanhamento na clínica a cada três meses, onde a gengiva e a dentição da criança são analisadas pelos alunos do curso de Odontologia.
"Fazemos uma avaliação estrutural bucal, aplicação de flúor, limpeza com gaze, escovação, uso de fio dental", elenca o coordenador. Durante as consultas, os pais recebem orientação para evitar dar refrigerante, que contém muito açúcar, por exemplo. "Levo minha filha na Bebê Clínica desde os dois meses de vida. Hoje ela tem um ano e um mês e os dentinhos são saudáveis porque somos educados a cuidar da boquinha dos nossos filhos", contou a negociadora Renata Ribeiro dos Santos, 30 anos, mãe da Izadora.
* * *
Este artigo retrata o resultado do trabalho feito pela Universidade Estadual de S.Paulo (Brasil) e demonstra que é possível controlar e erradicar a carie dental infantil.
Infelizmente é um exemplo que não existe em Portugal. Pelo contrário, o estado prefere gastar continuamente largas dezenas de milhões de euros todos os anos em tratamentos nas faixas etárias infantis mais velhas, recorrendo a instituições privadas em vez de se utilizar os recursos do Serviço Nacional de Saúde, descorando-se qualquer trabalho de prevenção que deveria ter início logo aos seis meses de vida das crianças e que não é da competência do sector privado.
Portugal retrata um péssimo exemplo para o mundo, na prestação de cuidados de saúde oral, porque aposta-se em idades etárias já demasiado avançadas e com desperdício dos recursos humanos e equipamentos existentes no sector público.