terça-feira, 15 de Abril de 2014

635. Programa de saúde oral : evolução, intrumentos e resultados

http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/22743/1/TESE%20FORMATO%20DIGITAL%20CORRIGIDA.pdf
* * *
A situação da saúde oral na população infantil e juvenil é tanto mais preocupante pelo conhecimento adquirido de que a cárie e as doenças periodontais, se adequadamente prevenidas ou precocemente tratadas, são de uma elevada vulnerabilidade, com custos económicos reduzidos e ganhos em saúde relevantes. Desde 1985 que a Direção-Geral da Saúde tem em curso um Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. Este programa de saúde oral no Serviço Nacional de Saúde (SNS), iniciou-se com a promoção da saúde oral em meio escolar, sendo alargado posteriormente a medidas preventivas e curativas com a entrada de Higienistas Orais (HO) e à contratualização com os serviços privados de medicina dentária. Em 2008, este modelo contratual foi revisto surgindo o cheque dentista. O estudo pretende contribuir para a compreensão da evolução do programa de saúde oral, os seus instrumentos e os seus resultados mais recentes. No estudo empírico, os dados analisados resultaram da compilação da informação do programa Saúde Oral em Crianças e Jovens e dos rastreios efetuados na escola. O estudo pretende ainda refletir sobre os benefícios/custos de um modelo que privilegie os rastreios de cárie dentária, como medida de triagem versus um modelo de subsídio universal, que permita o acesso a todas as crianças. A contratação de Higienistas Orais poderá ter ganhos importantes não só a curto prazo através da triagem das crianças a atribuir cheque dentista, mas também a longo prazo com a implementação sistemática de medidas de promoção da saúde oral. Na amostra verificou-se que apenas cerca de 45,5% das crianças com 7 anos, apresentam a dentição livre de cáries. Os dados do estudo revelam uma adesão de apenas metade das crianças a um programa totalmente gratuito, sendo que 24.7% das crianças que efetivamente tinham necessidades de saúde oral não fizeram uso do cheque dentista. No entanto, praticamente todas as crianças que utilizam o cheque concluem o plano de tratamento. A exceção que se verifica aos 10 anos, relacionada com a erupção dos pré-molares, sugere uma revisão das coortes etárias de atribuição do cheque dentista. Com aplicação da triagem a um universo de 237 crianças com uma taxa média de 40,7% livre de cárie, seria possível reduzir os custos em 5700 euros. A análise económica do setor da saúde oral poderá dar um importante contributo na tomada de decisões neste setor da saúde.

quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014

633. Qual a proporção dentista : habitantes recomendada pela OMS?

Acredito que todos os dentistas já devem alguma vez ter ouvido a frase "a OMS recomenda a proporção de 1 dentista para cada 1.500 habitantes". Mas o que ela quer dizer com isso? Que se a proporção 1:9.000 é ruim, então a proporção 1: 167 é boa? Não faz muito sentido.
Paulo Capel Narvai escreveu um artigo para o Jornal do Site dizendo que este dado seria uma lenda. Uma espécie de hoax que teria se iniciado antes mesmo da popularização da internet. Diz ele:
"Não basta para o enfrentamento da atual política de formação de recursos humanos em saúde — aí incluídos os recursos humanos odontológicos —, a enfadonha citação de que "a Organização Mundial da Saúde recomenda 1 dentista para 1.500 habitantes." (Há variantes como 1/1.000 ou 1/2.000). Há pelo menos dois erros nisso: em primeiro lugar, a OMS não recomenda coisa alguma. Em algum momento alguém deve ter lido mal em algum lugar, citou erroneamente a OMS e, a partir daí, tem havido uma repetição mecânica e acrítica dessa proporção. Jamais encontrei a referência bibliográfica nos artigos que mencionam a tal proporção. Nos documentos da OMS, aos quais tive acesso, nunca li nada sobre o assunto. Até que algum pesquisador desvende esse mistério, pode-se concluir que trata-se de pura lenda".
Confesso que há muito tempo não tenho sossego, procurando as origens da lenda, pois encontrei publicações até de 1979 com essa informação. Até que me bateu a ideia de procurar onde a coisa começou (ou não) : a própria OMS.
Achei um comunicado da organização que esclarece a coisa toda:
"A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) não recomendam nem estabelecem taxas ideais de número de leitos por habitante a serem seguidas e cumpridas por seus países-membros. Tampouco definem e recomendam o número desejável de médicos, enfermeiros e dentistas por habitante. Não existe, ainda, orientação sobre a duração ideal das consultas médicas ou um número desejável de pacientes atendidos por hora." Grifo meu.
Então, como tudo aconteceu?
No longínquo ano de 1972 ocorreu a III Reunião Especial de Ministros de Saúde das Américas, que resultou no Plano Decenal de Saúde para as Américas. Os ministros ali reunidos combinaram a meta de alcançar "8 médicos, 2 odontólogos, 4,5 enfermeiros e 14,5 auxiliares de enfermaria para cada 10.000 habitantes". Só isso. E o valor nem corresponde à versão consagrada na literaura...
O documento é fruto de um evento da OPAS-OMS, mas não é uma resolução oficial da organização, que diria quanto dentistas deveriam existir pra cada tantos mil habitantes.
Ate porque, em 1972 a realidade era outra, não é? Bem aqui um artigo do Vitor Pinto de 1983, que não me deixa mentir.

domingo, 19 de Janeiro de 2014

632. Dentistas do Bem chegam ao Interior Norte para tratar crianças e jovens carenciados

Os Dentistas do Bem chegaram ao interior norte de Portugal sendo a vila de Mogadouro a primeira localidade desta região a acolher este serviço prestados por médicos dentistas voluntários que vão realizar consultas dentárias a criança e jovens carenciados.
"É importante chegar ao interior do país. Ainda não tínhamos conseguido ativar o projeto no Interior Norte e assim Mogadouro é primeira localidade desta região a acolher a nossa iniciativa", disse à Lusa Carla Graça, representante da Turma do Bem.
A Turma do Bem é uma Organização Não Governamental (ONG), cujo principal projeto é o Dentista do Bem, quer começar o ano de 2014 a espalhar sorrisos de norte a sul de Portugal, e "escolheu" Mogadouro para ajudar a descentralizar o projeto que até agora ainda não tinha chegados aos distritos de Bragança, Vila Real ou Guarda.

segunda-feira, 30 de Dezembro de 2013

630. Tese de Mestrado (Saúde Oral)

Caros Colegas,
O meu nome é Ana Firmino, tenho formação base em Higiene Oral desde 2010 pela FMDUL, não estou a exercer, e de momento encontro-me a preparar a minha tese de mestrado pela ENSP-UNL, cujo tema se encontra relacionado com a Saúde Oral.
Face à presente conjectura económica do nosso país e de acordo com as desigualdades de acesso a que a população está sujeita, nomeadamente em relação à saúde oral como componente de saúde pública, verifica-se cada vez mais uma degradação de saúde oral da nossa população e restantes problemas associados.
Visto ser um campo que muito preocupa os profissionais da nossa área que, na sua maioria, defendem que a saúde oral deveria fazer parte e ser 'entregue' à população de forma gratuita, não fosse um direito por nós adquirido descrito na Constituição da República com as seguintes palavras:

“1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
2. O direito à protecção da saúde é realizado:
a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice (...)
3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde (…).”

Ora, sabemos que em relação à saúde oral não é o que se pratica na realidade. Assim sendo, contacto-vos com objectivos de solicitar alguma informação (estudos, artigos, documentos, posters, etc.) pertinente que me possam facultar.
Essencialmente pretendo fazer uma introdução sobre o higienista, médico dentista, estomatologista, odontologista de maneira a destacar quais os papéis e função de cada um na saúde oral do indivíduo, de que forma poderão trabalhar em equipa e de que forma se complementam.
Pretendo também abordar a oferta e acesso em saúde oral numa vertente pública e privada face as necessidades da população (Nº de profissionais - dos referidos anteriormente, mas essencialmente HO e MD -, nº de espaços públicos e privados, percepção da necessidade da população - idosos, grávidas, crianças e jovens, portadores de HIV, etc.).
Desejo pesquisar novas abordagens e programas aplicados noutros países de referência (Europeus ou não), vanguardista nesta área e que apontem resultados positivos face à implementação dos seus programas.
A fim de abordar a vertente de Gestão de Recursos Humanos (nº profissionais, nº profissionais no activo, nº de profissionais por tipologia publica ou privada, nº cheque dentista emitidos pelos vários escalões e nº de utilização dos mesmos, resultados dos programas de saúde oral anteriormente realizados, etc.) face as necessidades existentes, necessito de informação fidedigna e baseada na evidência.
Pretendo ainda, comparar resultados de saúde oral com outros países e seus programas, por fim tenciono propor novos métodos e programas mais eficazes que criem maiores condições de acesso à população numa vertente pública com igualdade de acesso para todos.
Agradeço imenso se me puderam facultar o máximo de informação que peço e ou que achem que possa ser pertinente para o meu estudo.
Aceito sugestões ou algum tipo de orientação se assim pretenderem ou acharem necessário.
Se eventualmente necessitarem de uma declaração da instituição à qual pertenço pertence, agradeço que ma solicitem o quanto antes, para poder realizar o projecto sem mais demora.
Aguardo feedback.
Obrigada,
Ana M. P. Firmino,
24º Curso de HO (FMDUL),
VIII Curso de Mestrado em Gestão da Saúde (Escola Nacional de Saúde Pública - UNL).
Correio electrónico: margarida_firmino88@hotmail.com ou FaceBook

domingo, 22 de Dezembro de 2013

629. Sete alimentos que deixam dentes e gengivas saudáveis

Alimentos crus - A força feita para mastigar alimentos crus sustentam os dentes mais fortes, garantindo-lhes firmeza. Neste caso, outros alimentos difíceis de mastigar, como a carne e maça, também ajudam.
Vitamina C - A falta de vitamina C causa sangramento das gengivas e diminuição da massa óssea, o que a longo prazo pode levar a perda dos dentes. Não se deve exagerar no consumo de alimentos muito ácidos - como laranja e abacaxi, ricos em vitamina C -, pois deixam os dentes mais porosos. Uma opção é fazer bochecho com água para neutralizar o ácido após a ingestão, não se aconselhando a escovagem imediata, pois o atrito da escova com o esmalte fará com que os dentes se desgastem ainda mais.
Água - Consumir água é importante porque elimina detritos, açúcares e ácidos. Além disso, a água das grandes cidades contem flúor, o que reforça a resistência do esmalte do dente.
Leite e derivados - Neste caso, o que é essencial é o consumo de cálcio, pois o nutriente é parte da composição dos dentes e, em níveis adequados, garante uma boa saúde e formação dentária. Outra fonte de cálcio são as folhas verdes escuras, como a couve.
Alimentos ricos em fibras - Além de contribuir para a saúde gastrointestinal, estes alimentos promovem a auto-limpeza dos dentes, evitando a formação de placa bacteriana - causadora de cáries e gengivite.
Vitamina D - A vitamina D aumenta a eficiência da absorção intestinal de cálcio em até 40% e a de fósforo em 80%; também ajuda na fixação do cálcio nas bases ósseas e dentárias.
Chiclete sem açúcar - Mascar chicletes sem açúcar entre as refeições estimula a formação de saliva, o que contribui para a limpeza dos dentes. As chicletes podem tornar-se ainda mais valiosas quando providas do xilitol (veja o rótulo), um adoçante que ajuda o processo de remineralização dentária e contribui para a longevidade e a protecção dos dentes.
Oneida Werneck

domingo, 1 de Dezembro de 2013

628. O SNS é necessário e sustentável

Por desconhecimento da realidade ou por estratégia política, algumas pessoas dizem que o SNS é despesista e insustentável. É exactamente o contrário!
Falemos de números, com base nos mais recentes dados da OCDE, referentes a 2010. Em termos de percentagem do PIB, Portugal gastou 10,7% na Saúde (despesa pública e privada), a França e a Alemanha 11,6% e a média da OCDE foi de 9,5%. Mas, per capita, a comparação que é justa e honesta, Portugal gastou apenas 2728 dólares, contra 3974 da França, 4338 da Alemanha e 3268 da média dos países da OCDE. Todavia, para o montante anterior, o Estado português apenas contribui com 65,8%. Contra 77,0% em França, 76,8% na Alemanha e 72,2% na média dos países da OCDE. Ou seja, Portugal tem um sistema globalmente barato e, sobretudo, barato para o Estado. Recorde-se que, entretanto, de 2010 para 2012, o Governo reduziu a contribuição pública para o SNS em 20% e que para 2013 o Orçamento do Estado prevê que a despesa pública em Saúde seja apenas de 5,1% do PIB.
E a qualidade? Portugal tem 3,4 camas hospitalares por 1000 habitantes, enquanto a França tem 6,4, a Alemanha 8,3 e a média da OCDE é de 4,9. Não é possível reduzir mais camas hospitalares sem prejudicar os doentes! O tempo médio de internamento hospitalar, em dias, foi de 5,9 em Portugal, 5,7 em França, 9,5 na Alemanha, 7,1 na média da OCDE. Os especialistas hospitalares portugueses trabalham bem!
Esperança de vida das mulheres aos 65 anos: 20,6, 22,6, 20,9 e 20,7 anos, respectivamente em Portugal, França, Alemanha e média da OCDE. Estamos muito bem, mas podemos melhorar, o que passa sobretudo por combater os factores de risco, prevenir e tratar melhor as doenças crónicas.
Mortalidade infantil em 2010 (mortes no primeiro ano por cada 1000 nascimentos vivos): 2,5 em Portugal, 3,6 em França, 3,4 na Alemanha e 4,3 na OCDE. É um dos melhores parâmetros de análise global da qualidade de um sistema de saúde. Portugal foi o melhor em 2010!
Apenas na despesa per capita relativa ao consumo de medicamentos não comparávamos tão bem. Nesse ano gastámos 508,1 dólares, versus 634,5 em França, 640,0 da Alemanha e 495,4 da média da OCDE. Porém, entretanto, de 2010 para 2012, o valor do mercado do medicamento em ambulatório e o custo médio por embalagem decaíram cerca de 20%, fruto das medidas implementadas pelo Governo. O que significa que actualmente já estamos abaixo da média da OCDE e que há folga para introduzir medicação inovadora.
Como demonstra a frieza dos números da OCDE, o SNS é de grande qualidade e barato. Tal como afirmei recentemente em Bruxelas, numa reunião promovida pela European Public Health Alliance (EPHA), o sistema de saúde
português é dos melhores do mundo, não exclui ninguém, é sustentável e deve ser preservado. Quem pretender afirmar o contrário, terá de mostrar em que se baseia!
Se algum Governo quiser ter legitimidade democrática para destruir o SNS, os partidos que o suportarem terão de candidatar-se a eleições com esse programa explícito, ou então submeter a opção para a Saúde em Portugal a um referendo nacional. Não foram os 10% do PIB gastos em Saúde que levaram Portugal à bancarrota. Foi a forma medíocre, despesista e corrupta como “os outros 90%” são gastos por sucessivos Governos.
José Manuel Silva

quinta-feira, 7 de Novembro de 2013

627. Papa recebe a Turma do Bem, maior rede de dentistas voluntários do mundo

Como tem feito desde que se tornou sumo pontífice, o papa Francisco quebrou ontem as regras do Vaticano na audiência em que recebeu a maior rede de dentistas voluntários do mundo, a Turma do Bem, ao lado de chefes de Estado e organizações religiosas. Dispensou a restrita Sala São Paulo e saudou as 348 comitivas na praça São Pedro, lotada por 100 mil pessoas.
Simpático e sorridente, beijou crianças, tocou fiéis, conversou com peregrinos. Após a catequese em que convidou a todos, no Dia Mundial do Ambiente, a trocar a "cultura do descarte e do desperdício pela cultura da solidariedade e do encontro", abençoou fiéis e recebeu bispos e convidados. Entre eles, 2 dos 23 representantes da Turma do Bem: Fábio Bibancos, 50, fundador e vencedor do Prémio Empreendedor Social 2006, parceria da Folha com a Fundação Schwab, e Osvaldo Magro Filho, 47, eleito "melhor dentista do mundo" pela ONG pelo impacto do seu trabalho.
"Vocês são muito bons, rezem por mim", disse o papa a Bibancos, que relatou a Francisco que a organização tem 14 mil dentistas voluntários em 11 países e já atendeu 38 mil crianças e jovens. "Ver os dentistas serem respeitados desta maneira foi lindo", afirmou Bibancos. "Mesmo que você não seja católico, é uma energia de fé, de esperança."
Também emocionado, Magro Filho disse que a expectativa é multiplicar a tecnologia social. "É hora de a sociedade arregaçar as mangas e resgatar a solidariedade."

quinta-feira, 10 de Outubro de 2013

626. Portugal compra submarinos militares e corta na saúde infantil e juvenil

O Governo baixou o valor de cada cheque-dentista de 40 para 35 euros, segundo um despacho hoje publicado em Diário da República.
"A atual conjuntura económico-financeira implica a realização de esforços, que devem ser repartidos por todos. É, pois, diminuído o valor do cheque-dentista, por um lado, sem diminuição do acesso e cobertura da população e, por outro, com reforço da cobertura dos jovens de 15 anos completos", justifica o despacho assinado pelo secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde.
Desta forma, o valor de cada cheque-dentista desce cinco euros, passando dos 40 para os 35 euros.
DESTAK

segunda-feira, 2 de Setembro de 2013

624. ENTREVISTA: Dentistas brasileiros em Portugal

No início da década de 1990, uma das categorias de imigrantes brasileiros que ficou mais conhecida era a dos "dentistas em Portugal". Munidos de seus diplomas, alguns dentistas brasileiros mudaram-se para Portugal e passaram a exercer lá a sua profissão, um mercado mais favorável. Na época, havia um acordo entre Portugal e Brasil que estabelecia a equivalência direta entre todos os diplomas universitários do Brasil e de Portugal. O fluxo migratório de dentistas brasileiros incomodou tanto os dentistas portugueses que até a legislação foi alterada.
Foi sobre esse assunto que a revista Com Ciência conversou com Igor José de Renó Machado, antropólogo, doutorando em Ciências Sociais (IFCH/Unicamp) e pesquisador do Centro de Estudos de Migrações Internacionais (CEMI). A pesquisa de doutorado de Machado enfoca as diferentes visões produzidas em Portugal sobre os brasileiros. Nessas visões, Machado percebe uma associação entre o estereótipo da malandragem brasileira com a figura dos dentistas imigrantes.
Com Ciência - Resuma para nós o que você conhece do problema dos dentistas brasileiros em Portugal.
Igor Machado
- Por volta de 1991 a APMD, a Associação Profissional de Médicos Dentistas de Portugal, começa a reclamar da presença de dentistas brasileiros ilegais em Portugal. Esse órgão é o que regulamenta a profissão de médico dentista em Portugal e, para exercer a profissão, é necessário ser associado. Portanto, é ela quem concede a equivalência de diplomas. O caso é que as formações de brasileiros e portugueses têm diferenças (que para portugueses são significativas e para os brasileiros não). Diante do impasse diplomático, já que o acordo Cultural Brasil-Portugal, de 7 de setembro de 1966, no seu artigo XIV, regulamenta a equivalência de diplomas de profissionais brasileiros e portugueses, o governo português baixa uma Portaria legalizando administrativamente a prática de cirurgiões dentistas brasileiros em Portugal. A Portaria 180-A/92, de junho de 1992 equiparava dentistas brasileiros a técnicos e permitia-lhes o exercício da profissão e, como não eram médicos dentistas, estavam vinculados ao ministério da saúde e não à APMD. A fragilidade dessa portaria foi contestada judicialmente pela APDM em 16/04/1993, e todos os cirurgiões dentistas brasileiros estavam sendo citados pessoalmente em processos individuais. Em 1998, época do meu primeiro contato com os dirigentes da ABOP, estava em trânsito uma discussão na assembléia para tentar resolver o caso dos dentistas, enquanto o processo corria na justiça.
Com Ciência - A associação dos dentistas brasileiros é relevante em Portugal?
Machado
- A importância da movimentação dos dentistas brasileiros é tanta que em 1994, os governos brasileiro e português começaram negociações para resolver as "pendências diplomáticas". Entre essas negociações, estava a intenção de renegociar o Acordo Cultural Luso-Brasileiro, momento em que o governo brasileiro impôs a condição do reconhecimento dos 416 dentistas brasileiros processados pela APMD. O problema agravou-se devido ao fato da CLAD (Comitê de Ligação da Arte Dentária da União Européia), órgão que regula a equivalência dos currículos de médico dentista na Europa, ter ameaçado o governo português com uma queixa ao Tribunal de Justiça Europeu, caso Portugal reconheça os dentistas brasileiros como médicos dentistas. Por fim, em 1999 as associações brasileira de odontologia e portuguesa de estomatologia (o equivalente a nossa "odontologia"), pressionadas pelas respectivas diplomacias nacionais, conseguem chegar a um acordo que resolveu o problemas destes dentistas, além de forçar a escrita de um novo acordo cultural que passa a contemplar as situações como as dos dentistas brasileiros. O novo tratado prevê que concessão de equivalência de diplomas é um problema das respectivas associações profissionais dos dois países. Tendo conquistado seus objetivos, a associação portuguesa admitiu que os dentistas filiados à ABOP fossem integrados à ordem portuguesa, mediante um cronograma suave de cursos de adaptação dos currículos.
Com Ciência - Qual a reação da mídia portuguesa a essa disputa?
Machado
- Parte da mídia portuguesa misturou desinformação, sensacionalismo e preconceito e parte procurou informar corretamente sobre os problemas. O fato é que ambas as associações estavam em guerra declarada, o que implicava na divulgação de informações caluniosas dos dois lados. Não vi nenhum trabalho sério que procurasse averiguar as afirmações de ambas as partes (como conferir quais são, de fato, as diferenças de formação entre brasileiros e dentistas). Mas as reportagens preconceituosas, que relacionavam os dentistas a estereótipos sobre o brasileiro malandro, espertalhão foram as que mais se destacaram, claro. Elas, por um lado, sensibilizaram a mídia brasileira que deu destaque ao preconceito da cobertura na mídia portuguesa e, por outro, rentabilizaram a posição dos dentistas, que podiam dizer que o seu caso era um caso de defesa da imagem do Brasil, contra os preconceitos, etc.
Com Ciência - Qual o posicionamento político dos líderes dentistas durante o processo de luta pela equivalidação dos diplomas? Dentro do universo dos brasileiros em Portugal a liderança política dos dentistas era ou é significativa?
Machado
- A posição era de enfrentamento declarado. Enquanto a CBL (Casa do Brasil de Lisboa) buscava articular um discurso de extensão de direitos devido a irmandade luso-brasileira, como mostra o Gustavo Adolfo P. D. Santos [na tese de mestrado "Relações Interétnicas em Lisboa: Imigrantes Brasileiros e Africanos no Contexto da Lusofonia", também pesquisador do CEMI], a ABOP queria que a letra do tratado de 1966 fosse cumprida, alegando ainda que Portugal devia aos brasileiros o bom tratamento que o Estado brasileiro deu aos portugueses fugidos da revolução dos cravos e a todos os imigrantes portugueses. O discurso da ABOP era tão duro que o consulado brasileiro impediu a presença de dirigentes desta associação no simpósio internacional sobre imigração brasileira em Lisboa, organizado pelo CEMI e CBL. Para ter uma idéia, à época, ABOP que dizer Associação Brasileira de Odontologia Secção Portugal, num profundo desprezo pela APMD. Claro que a liderança destes dentistas é significativa, basta ver que sempre foram recebidos pelos chefes de Estado brasileiro (Itamar e FHC), entretanto não é representativa. Hoje em dia a grande maioria de brasileiros em Portugal é pobre e com baixa formação escolar, e estes definitivamente não se sentem representados pelos dentistas, vistos como verdadeiros magnatas.
Com Ciência - Quais as conseqüências da resolução do caso dos dentistas para os demais brasileiros?
Machado
- Resumindo, a ABOP resolveu seu problema particular e ao mesmo tempo provocou um novo tratado cultural que dificulta a vida de outros profissionais brasileiros (mesmo de novos dentistas) que agora ficam completamente dependentes das ordens portuguesas e não tem mais o amparo do antigo tratado cultural, que previa a obrigatoriedade da concessão de equivalência. Este processo encerrou-se em julho de 2000, quando o último módulo de cursos de adaptação foi terminado, juntamente com uma solenidade que visava abafar os anos de crise e uma resolução que nada tem de benéfica para a coletividade de brasileiros em Portugal, como tenta afirmar a ABOP. Se antes a ABOP lutava pelo cumprimento da lei, que era benéfica aos brasileiros, agora eles conseguiram resolver o próprio problema e abolir a lei que era boa e permitiu a reivindicação de direitos. Ora, a partir de agora os novos imigrantes qualificados devem resolver suas questões diretamente com as respectivas associações portuguesas, que sempre tentaram defender o seu mercado, como podemos imaginar. Para os brasileiros sem formação o único efeito dessa briga toda foi o reforço de estereótipos por parte da mídia portuguesa, que afeta negativamente a vida de todos.
Com Ciência - Qual a atual posição política dos dentistas após a resolução dos problemas?
Machado
- Se antes eram combativos, agora são "mais realistas que o rei". Durante o congresso que encerrou o problema com os últimos módulos de formação para a equivalência dos diplomas, do qual participei, o que mais se ouvia era sobre a "irmandade" luso-brasileira, sobre os eternos laços de amizade, sobre o estreitamento das relações entre a associação brasileira de Odontologia e a portuguesa, etc. Até o embaixador brasileiro estava lá e fez seu discurso na seção final de encerramento, comemorando o fim das brigas entre os "irmãos" transatlânticos.
IGOR MACHADO

domingo, 11 de Agosto de 2013

623. Araçatuba (Brasil): 70% dos bebês chegam aos nove anos sem cárie

De cada dez bebês atendidos pela Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) de Araçatuba, sete chegam aos nove anos sem cárie. A média é calculada por meio do trabalho realizado na Bebê Clínica, programa da FOA (Faculdade de Odontologia de Araçatuba), desde sua fundação, em 1996. Durante esse período foram feitos 16 mil atendimentos. O resultado se deve, segundo o coordenador da clínica, Robson Cunha, à orientação dada pelos profissionais que atuam no serviço junto aos pais dos bebês atendidos.
"Os pais são incentivados a cuidarem da saúde bucal das crianças e com, isso, elas também aprendem a ser saudáveis", disse Cunha, lembrando que é difícil detectar cáries nos bebês acompanhados na clínica. "Quando aparece, são manchinhas brancas." O bebê tem que ter até seis meses de vida para ser inscrito no programa. Os pais também devem participar de uma palestra educativa sobre o assunto. A partir daí, há um acompanhamento na clínica a cada três meses, onde a gengiva e a dentição da criança são analisadas pelos alunos do curso de Odontologia.
"Fazemos uma avaliação estrutural bucal, aplicação de flúor, limpeza com gaze, escovação, uso de fio dental", elenca o coordenador. Durante as consultas, os pais recebem orientação para evitar dar refrigerante, que contém muito açúcar, por exemplo. "Levo minha filha na Bebê Clínica desde os dois meses de vida. Hoje ela tem um ano e um mês e os dentinhos são saudáveis porque somos educados a cuidar da boquinha dos nossos filhos", contou a negociadora Renata Ribeiro dos Santos, 30 anos, mãe da Izadora.
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Este artigo retrata o resultado do trabalho feito pela Universidade Estadual de S.Paulo (Brasil) e demonstra que é possível controlar e erradicar a carie dental infantil.
Infelizmente é um exemplo que não existe em Portugal. Pelo contrário, o estado prefere gastar continuamente largas dezenas de milhões de euros todos os anos em tratamentos nas faixas etárias infantis mais velhas, recorrendo a instituições privadas em vez de se utilizar os recursos do Serviço Nacional de Saúde, descorando-se qualquer trabalho de prevenção que deveria ter início logo aos seis meses de vida das crianças e que não é da competência do sector privado.
Portugal retrata um péssimo exemplo para o mundo, na prestação de cuidados de saúde oral, porque aposta-se em idades etárias já demasiado avançadas e com desperdício dos recursos humanos e equipamentos existentes no sector público.

quinta-feira, 1 de Agosto de 2013

622. As consequências da vergonhosa política e dos interesses instalados na medicina oral em Portugal

Uma situação calamitosa oficializada por todas as instituições responsáveis pela saúde oral e medicina dentária em Portugal, desde o Presidente da República, os vários governos, todos os partidos da Assembleia da República (desde os partidos da direita até todos os partidos da esquerda) e as várias organizações representativas dos médicos dentistas e médicos estomatologistas.
Trata-se de um COMPLÔ FECHADO, onde todos colocam os seus interesses acima dos interesses da população portuguesa, gastando largas centenas de milhões de euros dos impostos de quem trabalha em Portugal para formar especialistas candidatos a emigrar para o estrangeiro e a tratar da saúde de pessoas que não contribuíram para a formação dos médicos dentistas, médicos estomatologistas e higienistas orais portugueses.
Em Portugal subsiste um mundo de interesses que beneficiam alguns prejudicando a maioria da população. Portugal vive uma democracia estupidamente doente.
CADA VEZ MAIS DENTISTAS ABANDONAM PORTUGAL
Depois de seis meses sem arranjar trabalho em Portugal, Marina Alves decidiu tentar a sorte em Inglaterra. É um dos cerca de 500 dentistas que foram para aquele país à procura de melhores condições de emprego. Uma fuga que tem crescido nos últimos anos e está até a atrair os profissionais mais experientes. Em Inglaterra, os portugueses já representam 7% dos dentistas.
"São as situações dos eternos recibos verdes e o facto de não existir um serviço público que ofereça estes serviços às pessoas e de o sector privado estar saturado. Os doentes não têm possibilidades para pagar, e o número de consultas diminuiu", diz ao DN Marina Alves, de 27 anos. Há dois anos que está a trabalhar em Inglaterra, onde há 500 portugueses entre os 7500 dentistas registados. Tentou a sorte através de um dos muitos anúncios de empresas de recrutamento na área da saúde. Não se arrepende de nada e confessa que não tem planos para regressar.
"Temos contratos de prestação de serviços renováveis por dois anos. Raramente oferecem menos de sete mil euros a uma pessoa com a minha experiência. Este valor é sem impostos, mas mesmo com a carga fiscal dá para fazer um bom pé-de-meia. Com a situação económica que se vive em Portugal, o regresso é difícil", diz. Marina revela que são muitos os colegas que a contactam para saber as condições que podem encontrar em Inglaterra. "A saída para fora é uma realidade crescente, quer para Inglaterra, Suécia, França... Quer dos mais novos como dos mais velhos".
É fácil encontrar anúncios de recrutamento na Internet. Salários anuais a rondar os 73 mil euros no Reino Unido ou os 127 mil no Dubai. Os contratos podem chegar aos três anos, e é possível aliar o trabalho público e privado. "Nota-se que nos últimos tempos houve um aumento de candidaturas. Só este ano já recrutámos 20 dentistas para o Reino Unido", conta ao DN Luís Teixeira, da Reach Health Recruitment, empresa que também procura enfermeiros e farmacêuticos.
As razões da saída são quase sempre as mesmas. "Estão desempregados e procuram trabalho. No caso dos dentistas, temos pessoas que fecharam as clínicas em Portugal, porque houve um decréscimo de clientes, e procuram agora outras condições", acrescenta Luís Teixeira, referindo que no espaço de um mês receberam entre 30 e 40 candidaturas de portugueses que queriam ir para o Dubai.
Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, diz que a saída de profissionais vai continuar. "A Inglaterra, Irlanda, os países nórdicos vão precisar de mais dentistas. Portugal tem excesso de cursos de Medicina Dentária e muitos profissionais sem colocação. As sete faculdades formam, por ano, cerca de 500 novos dentistas", diz.
Um recém-licenciado ganha no País cerca de 500 euros a recibos verdes, em Inglaterra o vencimento mensal pode ser oito vezes superior. "Há turmas em que 90% dos alunos foram exercer para fora do País. Há o caso de uma turma inteira em que isso aconteceu. Também há colegas mais velhos que vão para Inglaterra para efeitos de reforma, algo difícil de assegurar em Portugal", afirma. Ter dentistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) seria uma solução. "Uma parte enorme da população precisa de assistência e não a pode pagar. Temos entre 30 e 40 médicos dentistas no SNS, o que é manifestamente pouco. Se tivéssemos em média dois ou três dentistas por centro de saúde, seriam cerca de 900 mil dentistas a fazer tratamentos básicos", afirma Monteiro da Silva.

segunda-feira, 15 de Julho de 2013

620. Médicos estomatologistas versus Médicos dentistas

A Estomatologia em Portugal é um campo de actuação por dois profissionais distintos: Médicos Estomatologistas e Médicos Dentistas. Os Médicos Estomatologistas são profissionais licenciados em Medicina que se especializam posteriormente em Estomatologia, exercendo em hospitais públicos/privados e clínicas. Os Médicos Dentistas são profissionais licenciados em Medicina Dentária e exercem quase exclusivamente em clínicas, sendo esta licenciatura algo recente no panorama português, ao passo que há uma tendência para diminuir o número de Médicos Estomatologistas, pois as vagas disponíveis para o internato de especialidade em Estomatologia são cada vez menos.
Ambos têm formação para identificar, diagnosticar e tratar todas as patologias orais e maxilares, bem como as estruturas anexas a estas, quer de forma médica ou cirúrgica. A grande diferença reside na sua classificação profissional e anos de formação: os Médicos Estomatologistas estão contemplados na carreira médica hospitalar, enquanto que os Médicos Dentistas não têm, actualmente, qualquer carreira associada.
Após a licenciatura em Medicina, para obterem a especialidade de estomatologia, os médicos frequentam o Internato de Especialidade que tem a duração de 4 anos. Depois do exame final do internato de Estomatologia passam a ser Assistentes Hospitalares de Estomatologia e podem obter o título de Especialistas em Estomatologia pela Ordem dos Médicos.

domingo, 26 de Maio de 2013

618. Iniciativa pede apoio de profissionais de dentária em todo o mundo

Em 2010, o projecto ucraniano Quality of Life for Our Parents foi criado. Profissionais da Dentária dedicado à iniciativa, que tem como objectivo oferecer cuidados de implante livre para pessoas carentes com idades entre 65 anos ou mais, colocaram cerca de 2.000 implantes até hoje, ajudando assim 500 pessoas totalmente desdentadas. Agora, os fundadores do projecto estão a pedir aos colegas de todo o mundo para apoiar o Dia Mundial do Tratamento Dentário Gratuito no dia 31 de Maio.
O projecto foi iniciado pelo Prof Yaroslav Zablotskyy, presidente da Associação dos Implantologistas ucranianos, e se espalhou para outros países, como a Polónia, a Rússia e a Geórgia. Os organizadores realizaram eventos beneficentes em diferentes lugares para fornecer o cuidado profissional para os idosos. Até agora, os médicos de mais de 20 países apoiaram a causa. Os eventos são divulgados através do rádio, televisão e anúncios impressos.
Desde 2012, este projecto foi organizado pela International Implantologists Alliance (IAA)  e o projecto recebeu o apoio oficial da  European Association for Osseointegration este ano. No Dia Mundial do Tratamento Dentário Gratuito, introduzido em 2012 em homenagem ao 60 º aniversário da descoberta da osseointegração do Brånemark e programada para a última sexta-feira em Maio de cada ano, dentistas e Implantologists são convidados para tratar um paciente totalmente desdentado, gratuitamente, em seu local de trabalho, que poderia ser um particular ou uma universidade clínica e de acordo com o protocolo preferido do médico. Na situação ideal, uma empresa de fabricação de implantes dentários apoiaria o médico, fornecendo o material necessário.
Profissionais de Dentária em todas as áreas são bem-vindos para se juntar a IAA, a fim de apoiar a Quality of Life for Our Parents  Os membros também têm a oportunidade de se juntar a outras iniciativas existentes e apoiá-los em um nível local ou internacional, bem como a oportunidade de iniciar seu próprio projecto social baseado nas suas próprias ideias com o apoio do IAA.

segunda-feira, 6 de Maio de 2013

segunda-feira, 29 de Abril de 2013

615. 40 % das crianças portuguesas com cáries dentárias aos 6 anos de idade

São cada vez menos as crianças entre os seis e os 12 anos que apresentam cáries dentárias. Pelo menos é o que indicam os dados preliminares do III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais, apresentado no âmbito do Dia Mundial da Saúde.
Segundo o estudo, 60% das crianças com seis anos não tem cáries, um número que subiu 9% em relação a 2006 e 27% em relação a 2000. Apesar disso ainda persistem algumas desigualdades entre as várias zonas do país, com a zona centro a ser a que apresenta mais crianças com cáries: 53%. Segue-se o norte com 46%, Lisboa e Vale do Tejo com 40%, Algarve com 34% e Alentejo com 29%.
Em relação às crianças com 12 anos, Cristina Cádima, do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, da Direção-Geral da Saúde, referiu que 56% não tinham cáries, sendo igualmente a zona centro que apresenta piores resultados, com 51% das crianças desta idade sem cáries, seguido do norte com 53%, Algarve e Lisboa e Vale do Tejo com 58% e Alentejo com 53%.
O estudo avaliou ainda o índice CPOD (média do número de dentes com cáries, perdidos ou obturados que as crianças apresentam) e também aqui se registaram melhorias. Como o programa começa aos seis anos, o índice focou-se nas crianças com 12 anos e percebeu-se que cada uma tinha, em média, 0,77 dentes cariados, perdidos ou obturados, quando em 2006 este número ficava nos 1,48. Relativamente a este índice, a meta definida pela Organização Mundial de Saúde, a atingir até 2020, corresponde a 1,50, pelo que Portugal já ultrapassou a meta.
No encerramento da conferência, o ministro da Saúde Paulo Macedo destacou as escolas como “autênticas instituições promotoras da saúde oral” e anunciou que o projeto SOBE, que intervém nas bibliotecas escolares, venceu os World Dental Hygienist Awards.
Saúde Oral
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Este estudo diz que em Portugal há 40 crianças em cada 100 com cáries dentárias, ou seja, quase metade das crianças portuguesas apresentam cáries dentárias aos seis anos de idade.
O desprezo quase absoluto para combater o flagelo desta doença infecto-contagiosa nos primeiros anos de vida nota-se na quase ausência de uma verdadeira política de saúde de cuidados primários para a primeira infância no país.
É extremamente dramático assistir que um país da União Europeia tenha quase metade das suas crianças com cáries dentárias, antes de ingressarem no primeiro ciclo do ensino básico.
Confrangedor comparar os dados recentes com anos em que o número de crianças era largamente superior; o efeito dramático da redução da taxa de natalidade é o resultado directo da destruição de direitos sociais e que vai criar gravíssimos problemas de sustentabilidade inter-geracional.
As palmas de hoje serão substituídas por lamentos muito brevemente.

domingo, 21 de Abril de 2013

614. Facturação dos dentistas diminuiu cerca de 40 por cento em 2012

A facturação dos consultórios de medicina dentária diminuiu cerca de 40 por cento, em 2012, em resultado da crise que leva as pessoas a não gastar na prevenção, revelou o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, avança a agência Lusa. “A crise afecta, e de que maneira, os consultórios de medicina dentária”, disse Orlando Monteiro da Silva à Lusa, à margem das cerimónias do Dia Mundial da Saúde Oral, que se assinalou esta quarta-feira.
O bastonário disse que a facturação dos 5.000 a 6.000 consultórios de medicina dentária diminuiu entre 30 a 40 por cento, no ano passado, em relação a 2011. Esta diminuição, adiantou, deve-se à crise e ao facto de as pessoas “adiarem, sempre que podem, a ida ao dentista, a menos que seja para tratar a dor e o desconforto evidentes”. Para Orlando Monteiro da Silva, as consequências deste afastamento dos consultórios pode traduzir-se numa inversão dos resultados optimistas em termos de saúde oral, que se têm registado em Portugal.
“Em tempos de austeridade, a crise afecta a saúde e, nomeadamente, a saúde oral”, lamentou.
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A equidade entre a prestação de serviços de medicina dentária entre o público e o privado, a criação do Boletim Individual de Saúde Oral, a reformulação completa dos programas de prevenção, a fixação de tabelas de preços máximos pelos tratamentos dentários e a mobilidade geográfica dos médicos dentistas são propostas já feitas há vários anos que podem inverter a situação calamitosa da medicina oral em Portugal.
Os problemas de saúde oral em Portugal não têm nada a haver com a crise económica; todos os problemas existentes na medicina dentária devem-se à mentalidade conservadora e interesses instalados no sector, que impedem a adopção de novas estratégias que coloquem a saúde oral ao alcance de todos, mantendo-se restrita aos interesses cooperativistas e monopolistas, visando apenas o lucro.

sexta-feira, 12 de Abril de 2013

613. Cheques-dentista vão ser alargados a jovens de 15 anos

O programa dos cheques-dentista vai ser estendido aos jovens com 15 anos, abrangendo cerca de 50 mil utilizadores, um alargamento sem encargos adicionais para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), segundo a Ordem dos Médicos Dentistas. Em declarações à agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, explicou que já houve acordo com o Ministério da Saúde sobre este alargamento do programa de saúde oral nos jovens. Até agora, o programa abrangia crianças em idade escolar até aos 13 anos, que só no ano passado beneficiaram de 300 mil cheques-dentist
Além das crianças, em 2012, o programa permitiu dar cheques a cerca de 100 mil grávidas, idosos com complemento solidário e doentes com VIH/Sida. O orçamento do programa em 2013 é de 16 milhões de euros, o mesmo do que no ano anterior. Após o acordo com o Ministério da Saúde, a Ordem dos Médicos Dentista diz que neste momento está a ser feito «trabalho técnico para operacionalizar» o alargamento aos jovens de 15 anos, não adiantando quando é que podem começar a ser emitidos cheques para este novo público-alvo. O bastonário justificou a possibilidade de extensão do programa sem custos adicionais para o SNS com a melhoria dos índices de saúde oral das crianças já abrangidas no programa: «Melhoraram os índices de saúde oral e diminuiu o risco que está implícito a um alargamento do programa. É totalmente diferente apanhar uma criança aos 15 anos que nunca foi vista ou ter uma criança ou jovem que já foi seguido».
Além disso, Orlando Monteiro da Silva afirma que a Ordem dos Dentistas «não se coloca de fora do esforço de contenção de custos que se pede transversalmente à área da saúde». No início deste mês, o ministro da Saúde anunciou também no parlamento que o acordo com a Ordem resultou nos primeiros passos para a realização de rastreios ao cancro oral. Orlando Monteiro da Silva explicou agora à Lusa que a «operacionalização técnica» está praticamente concluída e que já há linhas de orientação sobre números de rastreios, de biópsias e grupos populacionais a atingir.
Entre a população com maior risco de cancro oral estão os fumadores e consumidores excessivos de álcool e a população mais velha, com o risco a aumentar sobretudo a partir dos 50 anos. Segundo o bastonário, os tumores na boca em fase inicial podem ser curados e representam menos custos financeiros e pessoais. «Se tudo estiver aprovado para este ano, estamos disponíveis para acolher esta vertente de rastreio e tratamento de lesões malignas. É uma questão de definir quando vamos começar», afirmou Monteiro da Silva em declarações recolhidas pela Lusa.
TVI 24
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No caminho da direcção certa. Mas falta implementar o cartão de saúde oral para todas as crianças e jovens; o programa de cheque-dentista apenas abrange uma reduzida percentagem das necessidades reais de saúde oral das crianças e jovens, deixando de fora a esmagadora maioria de quem precisa, como por exemplo quem frequenta o ensino secundário ou universitário (aqueles que mais precisam de apoio).
Não se entende a atribuição de cheque-dentistas a quem por assumida negligencia social contraiu o HIV/SIDA (o dinheiro dos impostos pagos por quem trabalha jamais deveria ser canalizado para esse tipo de pessoas). Também não se entende a falta de implementação de uma rede de cuidados de saúde de medicina oral pública, em igual circunstâncias que o sector privado; uma autêntica vergonha de política de saúde pública que ninguém ousa denunciar.


quinta-feira, 28 de Março de 2013

611. Ao Ex. Sr. Presidente da Administração Regional de Saúde do Alentejo

Para pessoas que têm memória curta por interesse próprio

(...) Não me conformo com gestos de moralidade e de o que aconteceu comigo não se voltará a repetir com outra pessoa; pretendo sim que os actos sejam assumidos e as responsabilidades apuradas (actos médicos de medicina dentária ou estomatologia praticados ou que me tenham sido negados) até onde seja possível e exequível a justiça, nem que a mesma venha apenas ter um efeito moralizador dos actos hediondos praticados dentro do Serviço Nacional de Saúde e de que V. Ex.ª jamais deverá permitir que sejam esquecidos ou que se lhe passe um pano por cima deles. Não persigo ninguém; apenas quero entender quem e porquê fui sujeito a determinados cuidados de saúde dentários e fui impossibilitado de ter acesso a outro tipo de tratamentos dentários, pois julgo que fui severamente mal tratado, quando confiei plenamente nos tratamentos que fizeram-me, e que os mesmos se repercutem permanentemente e de forma extremamente negativa sobre a minha actual qualidade de vida.
 
 
A posição ocupada num determinado cargo não pode servir de desculpa alguma para a desresponsabilização civil e criminal de actos médicos praticados, nomeadamente sobre pessoas que à data dos factos eram menores de idade. Ninguém tem o direito de impedir o exercício da justiça quando estão em causa direitos fundamentais do homem.
Portugal ainda é um estado de direito e não se pode permitir determinado tipo de abusos que condicionam e determinam a qualidade de vida de outra pessoa, de forma permanente e para o resto da sua vida; esta situação é ainda mais gravosa por ser praticada sobre crianças.

 

quinta-feira, 7 de Março de 2013

610. CANCRO ORAL

Perguntas e respostas úteis
1 - O QUE É O CANCRO ORAL?
O cancro oral é definido pela Classificação Internacional de Doenças pelo conjunto de tumores malignos que afectam qualquer localização da cavidade oral, dos lábios à garganta, (incluindo as amígdalas e a faringe). A sua localização mais comum é no pavimento da boca (mucosa abaixo da língua), bordo lateral da língua e no palato mole.
Mais de 90% destes cancros são designados por carcinomas afectando o epitélio da mucosa oral. Os restantes correspondem a formas mais raras de tumores e incluem os linfomas, sarcomas, melanomas, etc. O cancro oral está associado a índices de mortalidade elevados, que se deve em grande parte ao seu diagnóstico tardio.
2 - O CANCRO ORAL É FREQUENTE?
O carcinoma da cabeça e pescoço é o 6º cancro mais comum em todo o mundo e corresponde a cerca de 2.8% de todos os cancros. O cancro oral é mais frequente nos homens, acima dos 45 anos de idade, aumentando consideravelmente até aos 65 anos.
3 - QUAIS OS FACTORES DE RISCO DO CANCRO ORAL?
O tabaco e o álcool são os principais factores de risco no desenvolvimento do cancro oral. O fumo do tabaco está relacionado com diversas transformações na mucosa oral e tem um efeito carcinogénico directo nas células epiteliais. Calcula-se que 8 em cada 10 doentes diagnosticados com cancro oral consumam ou tenham consumido tabaco, tendo estes doentes um risco 5 a 7 vezes superior de desenvolverem cancro oral quando comparados com não fumadores.
O cancro oral está, portanto, fortemente associado a um estilo de vida menos saudável, isto é, ao consumo de tabaco e álcool, associado a uma reduzida ingestão de vegetais e frutas e por isso pobre em alimentos contendo agentes anti-oxidantes.
4 - COMO SE MANIFESTA O CANCRO ORAL? QUAIS SÃO OS SEUS PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS?
Os carcinomas da cavidade oral podem manifestar-se como uma mancha, de cor variável, geralmente branca ou avermelhada, uma massa mais ou menos endurecida ou uma úlcera que não cicatriza. A maior parte das lesões são indolores na sua fase inicial, tornando-se progressivamente dolorosas.
São exemplo de sinais e sintomas: úlceras persistentes, áreas endurecidas, áreas de crescimento tecidular, lesões que não cicatrizam, mobilidade dentária, dor, parestesia (perdas de sensibilidade), disfagia (dificuldade em deglutir), lesões brancas e vermelhas, linfadenopatia (gânglios linfáticos aumentados).
5 - COMO SE TRATA O CANCRO ORAL?
O cancro oral trata-se essencialmente com cirurgia e radioterapia, isoladas ou combinadas. O factor chave para o tratamento é o diagnóstico precoce das lesões, factor que melhora significativamente as taxas de sobrevivência à doença.  
6 - O CANCRO ORAL MATA!
Apesar dos avanços ocorridos nos últimos anos no diagnóstico e tratamento do cancro oral este continua a ter uma taxa de mortalidade bastante elevada. Estima-se que cerca de 6 em cada 10 doentes de cancro oral morram nos 5 anos após a data do seu diagnóstico. O insucesso parece estar ligado ao facto de grande parte dos
casos não serem diagnosticados atempadamente.
7 - COMO POSSO PREVENIR O CANCRO ORAL?
A prevenção do cancro oral passa por:
  • adopção de um estilo de vida saudável;
  • cessação do consumo de tabaco;
  • diminuição do consumo de álcool;
  • consumo regular de vegetais frescos e frutas como factor protector;
  • visitas regulares ao médico dentista que permitam que tais lesões sejam diagnosticadas nas suas fases mais precoces.
  8 - EM QUE CONSISTE UMA CONSULTA DE RASTREIO DE CANCRO ORAL?
Na consulta de rastreio de cancro oral o médico dentista procede a um exame visual de todas as estruturas orais (lábios, língua, gengivas, palato, bochechas, pavimento da boca, etc.) bem como das estruturas anexas à cavidade oral (ex.: glândulas salivares, pescoço). A palpação das estruturas orais e peri-orais é também efectuada para detectar eventuais aumentos de volume e áreas endurecidas. Podem ainda ser solicitados exames complementares de diagnóstico (ex.: radiografias).
Quando uma lesão suspeita é observada, a biopsia da mesma poderá ser aconselhada,
permitindo a confirmação do diagnóstico inicial e os seus sinais de malignidade.
 SABIA QUE?
  • O cancro oral é o 6º cancro mais comum em todo o mundo;
  • Os principais factores de risco são o tabaco e o álcool;
  • Surge de uma forma assintomática, persistindo uma lesão por um tempo indeterminado, só se tornando dolorosa tardiamente;
  • O índice de mortalidade do cancro oral é elevado;
  • A chave para o seu tratamento é um diagnóstico atempado;
  • O risco de desenvolver um cancro na cavidade oral diminui com os anos de cessação tabágica. Após 15 anos da cessação, o risco aproxima-se dos valores de um não fumador.

O seu médico dentista é o profissional de saúde responsável pelo estudo, prevenção, diagnóstico e tratamento das anomalias e doenças dos dentes, boca, maxilares e estruturas anexas.
O médico dentista, pelo contacto regular com os seus pacientes, encontra-se numa posição privilegiada para contribuir no rastreio precoce e prevenção do cancro oral. Consulte-o regularmente, pelo menos 2 vezes por ano.