terça-feira, 16 de junho de 2015

654. Braga vai oferecer seis mil consultas dentárias por ano

A autarquia de Braga aprovou esta segunda-feira, o projeto 'Braga a Sorrir', que visa garantir, de forma gratuita, o acesso da população mais carenciada a cuidados de saúde oral. O programa vai oferecer 6 mil consultas, em parceria com a ONG 'Mundo a Sorrir', num investimento de 200 mil euros. Para beneficiar deste serviço, os utentes terão que estar sinalizados pelos serviços de Ação Social da autarquia, pelas Juntas de Freguesia e IPSS do concelho, como explicou a Câmara Municipal de Braga (CMB) em comunicado.Para além disso, esta ação vai também abranger todas as crianças e idosos do concelho, contando com várias ações na escolas do 1.º ciclo, Lares e Centros de Dia do concelho, promovendo hábitos de higiene oral e a formação dos técnicos e profissionais que trabalham nesses espaços O 'Braga a Sorrir' será desenvolvido em parceira com a ONG 'Mundo a Sorrir', que em nove anos de existência, já realizou cerca de 20 projetos relacionados com a saúde oral, em que foram beneficidas mais de 170 mil pessoas em todo o mundo. Com esta parceria, espera-se que mais de 5 mil crianças e 500 idosos do concelho beneficiem desta ação que ao irá realizar, no total, mais de 6 mil consultas por ano. “Trata-se de um projeto pioneiro no qual o Município de Braga assume políticas de apoio à saúde junto dos mais idosos; de educação da população mais jovem e, também, uma política de inserção social, dando a possibilidade de maior integração no plano social e profissional a quem não tem acesso a cuidados de saúde oral”, refere o presidente da CMB, Ricardo Rio, citado pelo mesmo comunicado.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

653. À procura de voluntários para tratar bocas infantis

Projeto Dentista do Bem precisa de médicos voluntários no concelho de Cascais. Crianças carenciadas agradecem. A missão é simples: melhorar a saúde oral de crianças e jovens carenciados com idades entre os 11 e os 17 anos, proporcionando-lhes tratamento gratuito até completarem 18 anos. Trabalho que a Turma do Bem tem desempenhado em Portugal desde 2010. E que quer continuar a levar a cabo. Mas para isso precisa de voluntários, dentistas que disponibilizem o seu tempo, algo que vai faltando. Cascais é mesmo um concelho onde existe o risco da missão não ser levada a bom termo.
«Meia hora por semana ou de 15 em 15 dias é o tempo que os dentistas têm que disponibilizar nos consultórios», explica ao Destak Alaize Maria da Silva, dentista, voluntária e coordenadora do Projeto Dentista do Bem em Cascais, onde há já 30 voluntários. Mas são precisos mais, para juntar aos 550 que existem um pouco por todo o País. As vantagens para as crianças são muitas. Não só fica salvaguardada a saúde oral, como melhora a sua autoestima. «As crianças chegam-nos ao consultório com a cabeça baixa, os ombros encolhidos porque têm vergonha. Ao serem tratados, tiram o cabelo da frente dos olhos. Passam a estar integrados e a ter outro rendimento», acrescenta.
E volta a apelar: «o que precisamos é de dentistas voluntários». Mais informações no site:

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

segunda-feira, 27 de abril de 2015

652. Estudo divulgado duas vezes...

O dia mundial da saúde oral em Portugal foi este ano comemorado no nosso país com um estudo em que já se tinham sido apresentado as conclusões na comemoração do dia mundial da saúde oral em 2013. Só alguém distraído estaria a pensar que tivesse sido apresentado algum estudo novo, pois este III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais foi feito há vários anos e não retrata a saúde oral das crianças e jovens actualmente em Portugal. 
Era bom que o Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos Dentistas tivessem especificado a data concreta em que foi realizado o estudo, uma vez que o mesmo estudo serviu para comemorar o dia mundial da saúde oral em Portugal em vários anos.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

651. Mais de metade das crianças com seis e 12 anos nunca tiveram cáries

Na saúde oral dos mais jovens, Portugal está no bom caminho, apesar de ainda haver muito trabalho a fazer. Os números são expressivos: se no início deste século apenas 33% das crianças com seis anos estavam livres de cáries, em 2013 mais de metade (54%) já se encontravam nesta situação. Uma evolução semelhante à observada nas crianças de 12 anos: nesse ano, 53% nunca tinham tido cárie dentária. À medida que a idade avança, a situação não é tão positiva – aos 18 anos, só um terço (32,4%) dos jovens nunca tinham tido lesões de cáries – mas este agravamento é expectável à medida que a idade avança.
São dados do “III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 6, 12 e 18 anos” a que o PÚBLICO teve acesso e que esta sexta-feira vai ser divulgado numa cerimónia para assinalar o Dia Mundial da Saúde Oral. Elaborado pela Direcção-Geral da Saúde em parceria com a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), o estudo permite perceber que, além de estar a diminuir o número de crianças e jovens com cáries, os hábitos básicos de higiene oral nas crianças e jovens estão a melhora: enquanto aos seis anos 79% das crianças diz escovar os dentes todos os dias, aos 12 são quase 90% os que garantem fazê-lo e, aos 18, a percentagem sobe para 96%.
“Todos os indicadores melhoraram. Passamos para uma situação em que o nível de cárie dentária já é muito razoável em relação à média europeia”, comenta Paulo Melo, um dos autores do estudo e secretário-geral da OMD. A evolução foi, de facto, significativa, a crer nos dados deste estudo: nas crianças de seis anos, entre 2000 e 2013 o número de cáries dentárias diminuiu 21%. Mas a redução das cáries não é a única boa notícia que emerge deste trabalho. Também é favorável a evolução da situação dos dentes tratados e da quantidade de dentes perdidos e esta melhoria é transversal a todas as regiões do país.
Ao longo do período referido, aos 12 anos a média de dentes cariados por pessoa baixou 50%, enquanto a média de dentes tratados aumentou cerca de 15%, o que significa que dois em cada três dentes cariados estão tratados, sublinha ainda a OMD. Os níveis de doença são medidos através de um índice médio por pessoa que contabiliza o número de dentes cariados, obturados e extraídos (perdidos), o indicador que é utilizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Destaque merece o facto de que os resultados deste índice aos 12 anos já terem ultrapassado as metas preconizadas pela OMS para 2020. "Além de haver menos pessoas com cárie, há menos indivíduos com lesões graves de cárie", sintetiza Paulo Melo.
A melhoria observada na dentição permanente nas crianças e jovens com menos de 18 anos justifica-se em grande parte devido ao Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (os chamados cheques-dentista) que foi lançado em 2009 para estas faixas etárias. Este programa permite que as crianças, mesmo as mais carenciadas, acedam a consultas de medicina dentária onde, além do tratamento de eventuais lesões, colocam selantes de fissuras nos dentes para prevenirem o aparecimento da doença e ainda aprendem hábitos de higiene oral (escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia) e de alimentação saudável.
Paulo Melo está optimista, porque acredita que a aposta na prevenção e no tratamento precoce se vai traduzir “em enormes ganhos no futuro”. "Seguramente que não vamos ter, daqui a 30 ou 40 anos, um número de idosos desdentados tão elevado como temos agora”, antecipa. De acordo com os resultados do barómetro apresentado em 2014, cerca de 7% dos portugueses não têm um único dente.
O secretário-geral da OMD lembra também que ainda há um caminho a percorrer para se atingirem as metas traçadas pela OMS para 2020, em especial na primeira infância, na dentição temporária (os chamados dentes de leite). “É preciso reduzir a percentagem das crianças que chegam aos seis anos sem cáries. Aqui, ainda há algum trabalho a fazer, mas tem que ser feito pelos pais e pelas famílias”, acentua.
As crianças e jovens são os principais utilizadores do programa cheque-dentista, que abrange também os idosos com o complemento solidário, as grávidas e os portadores de VIH. No ano passado, a taxa de utilização dos cheques-dentista subiu para 74%, tendo sido utilizados no total 406.689. Sessenta por cento foram usados em procedimentos preventivos, na aplicação de selantes de fissuras. No total, foram tratadas 4.334.877 de cáries contra apenas 207.239 extracções de dentes, refere a OMD. Desde o início deste programa, já foram utilizados 2.378.363 de cheques.
Alexandra Campos

quinta-feira, 2 de abril de 2015

650. Programa de Saúde Oral: Evolução, Instrumentos e Resultados

O programa de saúde oral no SNS iniciou-se com a promoção da saúde oral em meio escolar, sendo alargado posteriormente a medidas preventivas e curativas. As medidas preventivas foram introduzidas numa fase inicial com a entrada de higienistas orais para o SNS. Como estes profissionais eram insuficientes para as necessidades da população, a política adotada para colmatar este problema foi a contratualização com os serviços privados de medicina dentária. Incluindo-se assim para alem da aplicação de selantes de fissuras, também os tratamentos dentários. Em 2008 este modelo contratual foi revisto e implementado o cheque dentista.
Decorridos mais de 25 anos de programa, as crianças e jovens portugueses ainda apresentam problemas de saúde oral relevantes. Na amostra estudada verificou-se que aos 7 anos de idade, apenas cerca de 45,5% das crianças apresentam a dentição livre de cáries. A OMS preconizava que para 2010, 65% das crianças estivessem livres de cáries aos 6 anos de idade. De acordo com as orientações da OMS o índice de CPOD aos 12 anos não deveria ultrapassar 1,5, à data de 2010. Nos dados recolhidos no estudo este valor não é ultrapassado apenas nas crianças com 10 anos, mas aproxima-se (1,2), sendo que aos 13 se atinge um valor largamente superior (2,1).
Os dados do estudo revelam uma adesão de metade das crianças a um programa  totalmente gratuito e tal como foi demonstrado, aplicado a crianças que efetivamente tinham necessidades de saúde oral e não fizeram uso do cheque dentista (24,7%). No entanto praticamente todas as crianças que utilizam o cheque concluem o plano de tratamento. A exceção que se verifica aos 10 anos relacionada com a erupção dos pré-molares sugere uma revisão das coortes etárias de atribuição do cheque dentista.
O rastreio prévio das crianças como um procedimento a adotar em todas as situações, podendo este ser efetuados por higienistas orais contratados pelo SNS, significaria uma redução dos custos do programa e permitiria assegurar serviços de saúde oral acessíveis às crianças e aos jovens, que integrem estratégias universais, isto é, dirigidas a toda a população, seletivas, quando pretendemos intervir sobre grupos de risco e, indicadas, porque os que têm doença necessitam de cuidados orais regulares. A definição de crianças de risco ou grupos de risco como base para a definição das políticas de saúde é largamente defendida na literatura.
Considerando a evidência que os métodos atuais e sistemas de prestação de cuidados orais são relativamente ineficazes, caros. A missão da Administração de Saúde consiste em melhorar o funcionamento e aumentar a eficiência e a efetividade das instituições de saúde, promovendo os modelos de gestão que permitam uma maior autonomia administrativa e financeira e a correspondente responsabilização dos respetivos órgãos de gestão pela obtenção de resultados em termos de ganhos em saúde. Esta missão só poderá concretizar-se, através do desenvolvimento de instrumentos de influência e de critérios de acompanhamento e avaliação, que permitam apoiar a sua evolução (Ministério da Saúde, 1998).
Os serviços de saúde são parte integrante da estrutura política, económica e administrativa de qualquer sociedade. A simples importação de um modelo assistencial para uma sociedade, sem levar em conta as suas características pode ter efeitos negativos. O país que importa os referidos modelos pode não ter capacidade para suportar os custos. Exemplo desta prática é a aplicação de modelos de países desenvolvidos a países menos desenvolvidos, assentes em medidas curativas, baseadas em atendimento clínico por profissionais altamente especializados (Traebert, 1996).
As políticas deverão ser orientadas para estratégias de promoção e prevenção em saúde pública. A questão das doenças orais é simples e medidas de saúde pública baratas estão disponíveis para as prevenir e controlar pois as causas são conhecidas: dieta, deficiente controlo de placa, tabaco, stress e acidentes. O fator principal que torna o tratamento dentário tão caro é a limitação resultante da postura “restaurativa” dominante para tratar e prevenir a doença. Apesar da saúde oral ser o objetivo a atingir foi desviada pelo tratamento dentário, que é uma estratégia e não um objetivo. As estratégias de tratamento podem assegurar melhor cuidado para alguns e uma dependência dos profissionais, mas pouco é feito em termos de promoção da saúde e trabalho intersectorial. As abordagens com base clínica e capital intensivo para tratar doenças são irrealistas dados os altos custos e inadequada cobertura (Sheiham, 2005).
A Organização Mundial da Saúde aponta para 2020, metas para a saúde oral que exigem um reforço das ações de promoção da saúde e prevenção das doenças orais, e um maior envolvimento dos profissionais de saúde e de educação, dos serviços públicos e privados.
Ações futuras para melhorar a saúde oral e reduzir desigualdades requerem uma abordagem de saúde pública. A prevenção clínica e a educação para a saúde oral isoladamente tem um efeito mínimo e pode aumentar as desigualdades na sociedade. Um programa de saúde que procure as causas profundas de uma pobre saúde oral, através de uma implementação com um largo espectro de ações complementares é o melhor caminho para o sucesso.
Estimar a necessidade de cuidados de saúde oral é fundamental para a saúde pública. Até ao momento não se registam progressos nessa área. Existem grandes deficiências nas abordagens normativas das necessidades orais. Uma abordagem alternativa à convencional, a abordagem sociooral que leve em consideração o impacto que o estado oral tem na qualidade de vida, desejo das pessoas e comportamentos, a sua propensão para alterar comportamentos e importância, evidenciando que o tratamento recomendado é eficiente.
Os governos europeus estão a fazer reformas nos seus sistemas de saúde oral para fazer uma análise profunda. O grande desafio é a habilidade para controlar o que ocorre dentro do sistema. Problemas como a indução da procura e excesso de tratamento. O desenvolvimento de medidas apropriadas e apropriados mecanismos de incentivos são mais importantes na aquisição de equidade e sucesso do que aumentar o número de dentistas (Batchelor, 2005).
A análise económica do setor da saúde poderá dar um importante contributo na tomada de decisões neste setor da saúde. Apesar de alguma especificidade dos serviços de saúde oral, os mesmos conceitos e métodos aplicados à compreensão dos serviços médicos podem ser aplicados à análise dos serviços de saúde oral.
Teria sido importante perceber as razões que levam à não utilização do cheque, através da aplicação de um inquérito aos encarregados de educação. Este estudo pretende apenas ser um contributo e o “despertar” do interesse para futuras investigações na área das parcerias do serviço público com o serviço privado de medicina dentária em detrimento de outras políticas.
Estela Maria Malheiro de Castro

NOTA: O autor do deste blogue publica excerto da tese tendo em conta o seu interesse para a sociedade civil. Qualquer ilícito acerca da reprodução deste texto deverá ser comunicado por email ao autor do blogue.

sexta-feira, 13 de março de 2015

649. Missão Saúde Oral: Crianças portuguesas não fazem uma correta higiene oral

No âmbito da “Missão Saúde Oral”, uma parceria entre a Colgate e a Associação Portuguesa de Higienistas Orais, a Colgate realizou um inquérito onde revela que as crianças portuguesas não têm uma rotina correta de higiene oral. O inquérito foi realizado a uma amostra de 500 mulheres portuguesas, com um ou mais filhos, de idades compreendidas entre os 2 e os 7 anos.
As conclusões mostram que muitas crianças não escovam corretamente os dentes, o que resulta num empobrecimento da saúde oral da população infantil portuguesa. Além disso, de forma global os pais revelam dificuldade em conseguir que os filhos façam a correta escovagem dentária quer em termos de tempo que dedicam à higienização oral, quer à forma e abrangência da lavagem.
Os resultados indicam ainda que 31,4% das mães inquiridas revelou que tem alguma ou muita dificuldade em fazer com que os seus filhos lavem os dentes de forma regular e que quase metade (47,6%) refere que os filhos não escovam os dentes durante tempo suficiente. Cerca de 40% das crianças apenas escova os dentes da frente e mais de 12% dos filhos das inquiridas já teve um ou mais dentes extraídos.
As mães questionadas acreditam também que os hábitos de higiene oral da criança estão diretamente associados ao exemplo dado pelos pais, por isso, quase 55% das mães afirmam escovar os dentes ao mesmo tempo que as crianças para dar um bom exemplo.
Segundo Carlos Pereira, higienista oral e responsável pelas Relações Profissionais da Colgate em Portugal, “é muito importante evitar as doenças orais. Com atos de prevenção simples, que devem ser diários e partilhados em família, podemos conservar a nossa saúde oral para toda a vida. É importante ensinar desde cedo às crianças os cuidados de Higiene Oral corretos. Os pais devem começar por dar o exemplo: cuidar bem dos seus próprios dentes passa a ideia de que a saúde oral é algo a valorizar. Para facilitar a aquisição dos hábito de lavagem de dentes (indispensável a uma boa saúde oral), os pais podem experimentar por exemplo tornar este momento numa brincadeira. Incutir nos nossos filhos uma boa rotina de higiene oral desde a infância é um investimento para a saúde das crianças com resultados visíveis no futuro.”
Ana Rita Costa

sábado, 14 de fevereiro de 2015

648. ACESSO A CUIDADOS DENTÁRIOS: Portugueses são os mais queixosos

O relatório da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - “Health at a Glance — Europe 2014” (PDF) divulgado esta semana revela que os portugueses são dos europeus que mais se queixam de necessidades de cuidados dentários não satisfeitas.
Entre os 35 países analisados pelo relatório, incluindo todos os estados-membros da União Europeia, e em relação às queixas sobre cuidados de saúde oral, a par de Portugal estão países como a Roménia, a Bulgária e a Itália. A OCDE sublinha ainda no seu relatório as desigualdades, incluindo em Portugal, no acesso a cuidados de saúde oral entre as classes sociais mais altas e as mais baixas.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

647. Dentista vai ao domicílio tratar idosos

A iniciativa partiu da ideia de que quem está acamado, com pouca mobilidade física ou dependente de outros, necessita de uma boa higiene oral para conseguir ter mais saúde. Foi exactamente este o pensamento de Sónia Santos, médica dentista que trabalha nas zonas do Peso da Régua e de Vila Real, Trás-os-Montes. O projecto é único no País e, para já, a dentista faz consultas ao domicílio só nestas áreas e àquele tipo de utentes.
Durante anos, as consultas eram gratuitas. Há cerca de três anos, Sónia passou a cobrar o mesmo que uma consulta nas clínicas onde trabalha: 80 euros. Mas as deslocações ao domicílio continuam a não ser cobradas. Um pequeno gabinete que cabe numa espécie de mala de avião é levado a casa dos utentes. "A estas pessoas que estão acamadas, é mais fácil ter alguém que cuide delas para os cuidados básicos do que da higiene oral, porque é sempre uma área mais pessoal. Estas pessoas começam a ter placa bacteriana, tártaro, cáries. Estão em sofrimento. Deixam de comer. Para haver uma saúde física total, temos de tratar da saúde oral", explica Sónia Santos.
A consulta ao domicílio é praticamente igual à que é feita na clínica. "Há três anos que fazemos todo o tipo de serviço ao domicílio: restauros, limpezas, extracções. Só colocar implantes e cirurgia avançada é que é impossível fazer em casa", adianta.
Foram dois os casos que mais marcaram esta médica dentista. "A primeira paciente que atendi sofria de obesidade mórbida e estava acamada. Não consegui fazer nada quando lá cheguei. Foi medicada e só passados oito dias é que reuni tudo aquilo que era possível e fui até casa dela. Chocou-me porque há pessoas que morrem com uma infecção errada e ela estava nessa situação", recorda Sónia Santos. O outro caso era de um menino, de nove anos, paraplégico, a quem fez uma extracção dentária. "Correu tudo bem", conta.
Segundo a médica, são os próprios utentes e os familiares destes que apelam a que seja feito o tratamento no domicílio. Não o encaram como um luxo, mas sim como uma ajuda, uma vez que muitos não têm possibilidade de os levar ao gabinete de medicina dentária mais próximo.
Ana Sofia Coelho

sábado, 20 de dezembro de 2014

645. Como Branquear os Dentes com Bicarbonato de Sódio

Quer dentes mais brancos sem ter que gastar dinheiro em tratamentos e produtos caros? Por sorte, há um produto caseiro comum que faz maravilhas no clareamento dentário: bicarbonato de sódio! O bicarbonato de sódio é um abrasivo leve que remove com eficácia as manchas nos dentes causadas por chá, café, cigarros e outras coisas. Saiba como fazer isso.
Método 1 de 2: Básico
1 – Misture o bicarbonato de sódio com água. Em uma pequena xícara, misture meia colher de chá de bicarbonato de sódio com meia colher de chá de água. Misture para formar uma pasta. Mergulhe sua escova de dentes na xícara, para cobrir as cerdas com a pasta de bicarbonato de sódio.
Como alternativa, você pode colocar a escova de dentes húmida directamente no bicarbonato de sódio e o pó irá se prender nas cerdas. Porém, o gosto do bicarbonato será muito forte se você usar este método.
2 – Escove os dentes de um a dois minutos. Escove seus dentes como você normalmente faria, mas concentre-se em passar a escova em todas as aberturas e reentrâncias. Não escove os dentes por mais de dois minutos, já que o bicarbonato de sódio é um abrasivo leve e pode começar a corroer o esmalte dos seus dentes.
Esteja ciente de que o gosto do bicarbonato de sódio não é particularmente agradável!
3 – Enxagúe. Cuspa o bicarbonato de sódio e enxagúe a boca com água ou enxaguante bucal. Lave bem a sua escova de dentes também.
4 – Repita em dias alternados. Você deve repetir o processo de escovação dos dentes com bicarbonato de sódio em dias alternados de uma a duas semanas. Você irá perceber uma leve diferença entre a cor dos seus dentes depois de alguns dias e uma diferença substancial depois de duas semanas.
Depois de duas semanas escovando os dentes com bicarbonato de sódio em dias alternados, você diminuir a frequência para apenas uma ou duas vezes por semana. Isso é porque as propriedades abrasivas do bicarbonato de sódio podem danificar o esmalte dos seus dentes se o bicarbonato for usado com muita frequência.
Esteja ciente de que escovar seus dentes com bicarbonato de sódio não deve substituir a escovação com a pasta de dente. A pasta de dente contém flúor, que é importante para fortalecer os dentes e prevenir cáries.
Método 2 de 2: Alternativos
1 – Misture o bicarbonato de sódio com água oxigenada. Água oxigenada também é outro excelente produto que temos em casa e que pode ser usado para clarear os dentes com eficácia. Basta misturar meia colher de chá de água oxigenada com uma colher de chá de bicarbonato de sódio para formar uma pasta que lembra a consistência de uma pasta de dente. Escove os dentes com esta mistura, depois deixe agir nos dentes por um ou dois minutos. Enxagúe com água ou enxaguante bucal.
A água oxigenada pode ser encontrada na maioria das farmácias e é geralmente vendida em frascos opacos, para prevenir que a solução reaja com a luz. Certifique-se de comprar uma solução de 10 volumes, que é segura para o uso oral.
A água oxigenada também é um eficaz enxaguante bucal anti-bacteriano.
2 – Misture o bicarbonato de sódio com suco de limão. O bicarbonato pode ser misturado com suco de limão fresco, já que o ácido cítrico é um eficaz agente alvejante. Basta misturar meia colher de chá de bicarbonato de sódio com meia colher de chá de suco de limão fresco. Escove esta mistura em seus dentes usando uma escova de dentes e deixe agindo por cerca de um minuto antes de escovar bem.
Esteja ciente de que a maioria dos dentistas não recomenda este método, já que o ácido cítrico é corrosivo e irá danificar seus dentes.
3 – Misture o bicarbonato de sódio com a pasta de dentes. Você pode misturar um pouco de bicarbonato de sódio com a sua pasta de dentes comum para ter os efeitos alvejantes do bicarbonato de sódio, combinados com as propriedades fortificantes e de protecção do flúor existentes na pasta de dentes. Basta colocar a quantidade normal de pasta de dentes em sua escova de dentes, salpicar um pouco de bicarbonato de sódio em cima, depois escovar normalmente.
Dicas:
Certifique-se de não escovar a sua gengiva, já que isso pode causar uma sensação de ardor e sangramento.
Usar uma escova de dentes eléctrica irá ajudar você a escovar seus dentes mais rapidamente e de forma mais eficaz.
Depois de escovar seus dentes, escove sua língua. O mau hálito apenas tem relação com os dentes quando estes estão com pedaços de comida e placa. A principal causa do mau hálito são as bactérias crescendo nas gengivas. Tente escovar levemente toda a superfície interna da sua boca (excepto a garganta) depois de bochechar o enxaguante, logo antes de enxaguar.
Avisos:
O bicarbonato de sódio pode dissolver a cola ortodôntica. Não use este método se você usar aparelho ortodôntico ou uma contenção.
Não use este método frequentemente, já que a abrasão pode danificar permanentemente o esmalte dos seus dentes. Há certas marcas especiais de pasta de dente (geralmente para os fumantes) que contém abrasivos muito mais suaves do que o bicarbonato de sódio. Elas podem ser usadas diariamente sem risco para a saúde dos seus dentes e ajudam a remover não apenas as manchas causadas pelo fumo, mas também aquelas causadas pela ingestão de café, chá e vinho.
Não escove seus dentes com muita força, já que isso pode danificar o esmalte dos seus dentes, causando hipersensibilidade.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

644. Metade dos portugueses vai ao dentista menos de uma vez por ano

De acordo com os dados divulgados no Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, 8,3% dos inquiridos nunca foi ao dentista e 21,2% diz que só vai quando tem um problema dentário, uma urgência ou dor. Dos mais de mil entrevistados, 20,9% revelaram ter diminuído o número de visitas ao dentista no último ano, com a questão monetária "a ser o principal motivo evocado para não ir".
São menos de um quarto os portugueses que indicam ir ao dentista duas ou mais vezes por ano, enquanto cerca de metade (48,8%) dos portugueses afirma realizar um 'check-up dentário' menos de uma vez por ano. Dos inquiridos, 51,5% acreditam que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não disponibiliza serviços de medicina dentária e apenas 10,2% já recorreram a unidades públicas quando precisam de serviços de saúde oral.
Num comentário a estes resultados, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas considerou que Portugal "precisa de trabalhar no acesso dos portugueses ao médico dentista", criando "mecanismos que ajudem as pessoas a poder" tratar da saúde oral. "Não há em Portugal possibilidade de a generalidade da população fazer um acompanhamento adequado da saúde. O país já tinha um problema de acessibilidade, porque o SNS nunca deu resposta a esta área. Como não há mecanismo que comparticipe ou ajude os portugueses à consulta regular, os portugueses pagam do seu bolso estas consultas. E com a crise económica é afectada a capacidade da população que tinha acesso ao dentista", resumiu Monteiro da Silva.
As conclusões do primeiro Barómetro Nacional de Saúde Oral mostram ainda que 70% dos portugueses têm falta de dentes naturais, sendo que mais de 20% tem falta de pelo menos 10 dentes e 7% da população portuguesa não tem qualquer dente natural. O barómetro revela também que "56,1% dos portugueses que têm falta de dentes naturais não têm nada a substituí-los". Apenas 7,7% têm dentes substitutos fixos, sendo que os restantes 36,2% possuem prótese. "Metade dos inquiridos admite que já sentiu dificuldades em comer e/ou beber devido a problemas na boca e nos dentes e 18% confessa que já se sentiu envergonhado por causa da aparência dos seus dentes", constatam.. 
Sobre os hábitos de sáude oral, o estudo revela que os portugueses cumprem o básico "mas poucos têm hábitos mais sofisticados". "Se 97,3% afirma ter por hábito escovar os dentes, contudo, 54,4% não usa elixir e 76,2% admite não usar fio dentário. Dos que escovam os dentes, 72,7% fazem-no duas ou mais vezes por dia", especifica o documento.
Os resultados do barómetro também permitem concluir que "as mulheres apresentam taxas de hábitos de higiene e limpeza superiores aos homens". "A falta de dentes naturais, com exceção dos dentes do siso, está correlacionada com o hábito de escovar os dentes, na medida em que quantos menos dentes naturais possui quem respondeu, menores são os seus hábitos de higiene", lê-se no comunicado com as conclusões.
O inquérito revela ainda que os portugueses (93,5%) estão satisfeitos ou muito satisfetios com o seu médico dentista.  "De sublinhar que 63,7% dos portugueses nunca mudaram de médico dentista. Os principais factores de fidelização são a confiança no médico dentista, a qualidade nos serviços prestados e a habituação", adianta o documento que sublinha ainda que a maioria dos portugueses (64,5%) esclarece as suas dúvidas de saúde oral junto do seu médico dentista, em prejuízo de outros meios, como a internet.
O primeiro barómetro nacional de saúde oral foi feito tendo por base 1102 entrevistas presenciais, tendo validade estatística.
* * *
É muito urgente que seja definida uma estratégia nacional no âmbito da saúde oral e da medicina dentária. Enquanto as organizações ligadas à saúde oral persistirem inocuamente em querer trabalhar sem cooperar colectivamente com todas as restantes entidades, a saúde oral dos portugueses vai-se degradando e são sempre as classes sociais menos favorecidas que pagam os erros dos dirigentes incapazes de dar as necessárias respostas à população.
Para quando uma verdadeira união de vontades entre os médicos de medicina oral, os higienistas orais e os estomatologistas, tanto do sector público como do sector privado, para fazer face à ausência de uma estratégia de saúde oral no nosso país?
Basta de tanta hipocrisia: enquanto alguns sectores da medicina dentária ficam satisfeitos com algumas benesses dadas pelo poder político, os serviços de saúde oral continuam a ser negados à maior parte da população.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

643. TRIBUNAL DE CONTAS: A morte da medicina dentária do sector público em Portugal

O Tribunal de Contas ditou a morte da 
medicina dentária do sector público em Portugal
Para quando uma reacção de repudio por parte da Ordem dos Médicos dentistas e do Ministro da Saúde à forma como é tratada a Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa? Quantos médicos dentistas portugueses foram formados naquela instituição? Quantos elementos do Tribunal de Contas já foram tratados por médicos dentistas formados naquela instituição? Atacar quem presta cuidados de saúde com cariz social diz tudo sobre quem procedeu à auditoria; concerteza algo inédito, extremamente vergonhoso e que nem no mais mais desenvolvido do mundo ocorreria...
* * *
A Clínica Externa da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa vai fechar a 31 de Outubro, na sequência "de irregularidades" encontradas por uma auditoria do Tribunal de Contas(TC). O anúncio foi feito este sábado pelo director da Faculdade de Medicina Dentária, João Aquino Marques, depois de um relatório do TC que indica que a existência daquela unidade não está prevista nos estatutos da faculdade e não tem licença da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo ou de qualquer outra entidade para funcionar.
Embora o Tribunal de Contas considere "não estar em causa a qualidade dos serviços prestados" e reconheça a "função social prestada a estratos desfavorecidos da população", sublinha que a clínica deve "observar as normas e boas práticas aplicáveis às entidades públicas e às actividades prosseguidas". Para João Aquino Marques, a Clínica Externa faz parte "da orgânica da Faculdade", não sendo, assim, uma "unidade privada" que requeira licenciamento por parte do regulador da saúde e tem funcionado ao longo dos últimos 10 anos como "extensão do serviço da universidade", opinião partilhada pelo secretário-coordenador, Dário Vilela.
"As instituições procuram meios de financiamento e, na altura, pareceu-nos uma boa ideia abrir a faculdade à população geral. A clínica externa ou integrada é um serviço hospitalar com médicos, depende da faculdade, utiliza as suas instalações e é uma fonte de receitas", explicou Aquino Marques.  Dário Vilela sublinhou que a clínica é responsável por cerca de 20 mil consultas anuais e que o seu fecho irá pôr fim à "única consulta no sector público para adultos com necessidades especiais".
Tendo em conta as restrições adoptadas pelo Governo para as contratações de funcionários por entidades públicas, João Aquino Marques considerou que não tem grandes alternativas a não ser o fecho da clínica, já que não pode fazer contratos de prestação de serviços, nem de avença. "Pedem que sejamos criativos. Não queremos fechar a consulta externa, mas as alternativas legais passam por criar uma clinica privada, com abertura de um concurso às quais as clínicas privadas podem concorrer. Isso não nos interessa, já que queremos seguir a nossa filosofia de ensino", explicou.
De acordo com o responsável, a dotação do Estado para a faculdade ronda os 1,8 milhões de euros anuais e os salários de docentes e não docentes chegam aos 3,8 milhões de euros. "Quando o Tribunal de Contas diz que a clínica não prova que somos auto-suficientes, a prova é que nunca pagámos dos nossos bolsos os salários. E gastamos 400 mil euros em material clínico. Temos de fazer das tripas coração para isto. Cometemos esta ilegalidade que o TC aponta e somos penalizados por isso", retorquiu.
Segundo o mesmo responsável, a clínica externa funciona há cerca de dez anos, dá emprego a 60 pessoas, das quais 42 médicos dentistas, e atende cerca de 20 mil pessoas, sendo responsável por um acréscimo de 50% às 45 mil consultas realizadas pela faculdade.Do valor pago na consulta pelos doentes, 40 % é para os médicos dentistas, 60% para a faculdade.
PÚBLICO

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

642. Há 30 concelhos em Portugal sem médicos dentistas resgistados

Mais de 150 mil pessoas em 30 concelhos portugueses vivem sem dentista, segundo dados oficiais da Ordem dos Médicos Dentistas, que admite uma distribuição de profissionais “demasiado acumulada nas zonas do litoral”.
Os números da Ordem, a que a agência Lusa teve acesso, mostram que em 30 concelhos (10% do total) não há qualquer médico dentista registado, embora o bastonário admita que possa haver profissionais de concelhos limítrofes a dar algumas consultas nesses locais.
“São concelhos pequenos, relativamente despovoados, fundamentalmente do interior do país. São regiões que estão numa desertificação crescente e que têm dificuldade em atrair médicos dentistas e concelhos com uma população muito baixa”, especificou Orlando Monteiro da Silva em declarações à agência Lusa.
O bastonário defende que o Estado pode e deve criar “mecanismos de estímulo” para atrair médicos dentistas a instalarem-se em “zonas com muito pouca ou mesmo sem cobertura”, lembrando que as câmaras municipais “também têm o seu papel”.
Alcoutim, Aljustrel, Alvito, Arraiolos, Barrancos, Chamusca, Corvo (Açores), Figueiró dos Vinhos, Freixo de Espada à Cinta, Gavião, Marvão, Nisa, Oleiros, Ourique, Penamacor, Viana do Alentejo ou Vila Velha de Ródão são alguns dos concelhos sem dentistas registados.
Nestes 30 concelhos, a média da população residente é de 4.864 pessoas, de acordo com os dados da Ordem relativos a 2014.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

641. Mais de 173 mil pessoas receberam cheques-dentista desde Janeiro

Mais de 173 mil pessoas já receberam cheques-dentista desde Janeiro, com a maior fatia de beneficiários a ser a das crianças dos 7 aos 13 anos, segundo números oficiais da Ordem dos Médicos Dentistas. Nos primeiros cinco meses do ano, 173.259 pessoas receberam cheques-dentista, com uma taxa de utilização total a rondar os 65%, mas que varia dos 24% nos jovens de 15 anos aos 85% nos doentes com VIH/sida.
Os principais beneficiários são as crianças com 7, 10 e 13 anos das escolas públicas, que receberam já mais de 120 mil cheques para usar em tratamentos dentários em consultórios privados. Desde o início do programa, em 2008, cerca de 1,9 milhões de utentes tiveram acesso a cheques-dentista, com os quais foram realizados mais de 6,5 milhões de tratamentos.
Este Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral abrange crianças e jovens que frequentam as escolas públicas aos 7, 10, 13 e 15 anos, bem como grávidas seguidas nos serviços públicos, idosos que recebem o complemento solidário e portadores de VIH/sida. Desde o início do programa, o número de beneficiários tem vindo sempre a aumentar, tendo superado os 413 mil no ano passado, com mais de 633 mil cheques emitidos e 408 mil efectivamente usados.
Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, os dados do programa mostram ainda que a severidade das lesões tratadas tem vindo progressivamente a diminuir, o que vai ao encontro dos objectivos. Cerca de 60% das intervenções realizadas correspondem a procedimentos preventivos, como aplicação de selantes (protectores das fissuras dos dentes contra a cárie dentária), com a incidência das cáries a apresentar diminuições consideráveis nas crianças, "o principal alvo" do programa.
A Ordem dos Médicos Dentistas defende, contudo, que o programa seja alargado aos diabéticos, lembrando que é um grupo com riscos adicionais para problemas de saúde oral. Para o bastonário, Orlando Monteiro da Silva, na actual situação económica do país "deve ser ponderado o alargamento do programa a grupos de risco adicionais, como os diabéticos". Para isso, Monteiro da Silva frisa ser necessário um "aumento da dotação orçamental" do programa, recordando ainda que há cerca de um milhão de diabéticos diagnosticados no país.
Apesar de a questão das verbas necessários para alargar os cheques-dentista ser uma decisão do Ministério da Saúde, o bastonário considera que se trata de "um investimento que permite uma racionalização de custos". "Há uma relação enorme entre diabetes e saúde oral. A diabetes precisa de estar controlada para se ter uma boa saúde oral e vice-versa. É preciso um bom controlo da saúde oral, principalmente ao nível da gengiva e do osso, para que a diabetes não seja exacerbada", explicou à agência Lusa.
Recentemente, a Entidade Reguladora da Saúde questionou a universalidade e equidade no acesso aos cheques-dentista, lembrando que ficam de fora crianças que frequentam escolas privadas e grávidas não seguidas nos serviços públicos. Actualmente, são 3305 os médicos dentistas a colaborar com o programa, que chega a mais de 5500 clínicas e consultórios em todo o país.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

640. Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas premiado pela AMERICAN DENTAL ASSOCIATION

O Dr. Orlando Monteiro da Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), foi eleito membro honorário da American Dental Association (ADA), uma das organizações de Médicos Dentistas mais respeitada mundialmente.
Pela primeira vez, um português é eleito membro honorário da ADA. Esta distinção é atribuída a personalidades que tenham contribuído de forma excepcional para o avanço da Medicina Dentária e globalmente para a promoção da saúde oral.
Para além da eleição como membro honorário da ADA, o Bastonário da Ordem dos Médicos foi também o primeiro português a ser eleito presidente da FDI (Federação Dentária Internacional).
A entrega deste prémio terá lugar na reunião da “House of Delegates”, da ADA, em Outubro, durante o congresso anual da associação, que decorre na cidade de San Antonio, no Texas.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

638. RASTREIO DO CANCRO ORAL: Reivindique os seus direitos

Cada utente do Serviço Nacional de Saúde (SNS) passa, a partir de agora, a ter direito a dois cheques dentista por ano para diagnóstico de cancro oral e a outros dois para biopsia. De acordo com uma norma da Direcção-Geral da Saúde, este alargamento do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral tem como objectivo aumentar a sobrevivência por cancro oral após o diagnóstico da doença.
Está definida como população-alvo as pessoas pertencentes aos grupos de risco (homens fumadores, com mais de 40 anos e com hábitos alcoólicos) e utentes com lesões na cavidade oral e com queixas de dor, alterações da cor ou da superfície da mucosa oral. O valor de cada cheque-diagnóstico é de 15 euros e o de cada cheque-biopsia de 50 euros, podendo cada utente receber, anualmente, dois cheques de cada.
A Ordem dos Médicos Dentistas já estimou que passem a ser realizadas anualmente cerca de cinco mil biopsias ao cancro oral. A intervenção começará sempre no médico de família, ou através de rastreios a utentes de elevado risco ou pelo diagnóstico clínico de lesões na boca potencialmente malignas
A existência de uma lesão suspeita deve ser sempre sujeita a um diagnóstico diferencial, sendo emitido pelo sistema informático dos centros de saúde um cheque-diagnóstico que pode ser usado num médico dentista aderente ao Programa. No caso de o médico dentista ou estomatologista considerar necessária a realização de uma biopsia deve realizar a recolha do produto e enviar para um laboratório de referência, utilizando então um cheque-biópsia.
Quando é detectado um tumor, o laboratório informa, por sistema informático, o Instituto Português de Oncologia da respectiva área, que deve marcar uma consulta com carácter de urgência. No programa participam 240 médicos dentistas, numa rede que pretende cobrir geograficamente todo o país.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

636. Trinta e dois dentes invadem as ruas de Lisboa

Lisboa, 15 de Abril de 2014 – No âmbito do Mês da Saúde Oral que terminou a 31 de Março, 32 dentes gigantes, formando uma verdadeira dentadura gigante, passearam pelas ruas da zona histórica de Lisboa. Quem se encontrava nas zonas da Baixa, Chiado e Rossio foi surpreendido pela passagem de uma dentadura humana composta por 32 dentes que, de forma descontraída, interagiu com os curiosos que passeavam nesta zona e que foram surpreendidos pela animação criada pela Colgate.
Divertidos, os dentes interagiram com quem passeava pela zona, abordando as pessoas para reforçar a importância de uma boa higiene oral e relembrando-os que a saúde bucal pode ser encarada de forma alegre e descontraída.
A passagem da dentadura humana pelas ruas de Lisboa coincidiu com a acção do consultório móvel Colgate, que disponibilizou centenas de check-ups de rotina gratuitos à população entre os dias 12 e 16 de Março. Inserida na 15ª edição do Mês da Saúde Oral Colgate, esta acção foi uma excelente forma de chamar a atenção para a importância de uma higiene e saúde oral cuidada, de uma forma didática, muito divertida e original. Veja aqui o divertido vídeo da dentadura humana Colgate em acção:


terça-feira, 15 de abril de 2014

635. Programa de saúde oral : evolução, intrumentos e resultados

http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/22743/1/TESE%20FORMATO%20DIGITAL%20CORRIGIDA.pdf
* * *
A situação da saúde oral na população infantil e juvenil é tanto mais preocupante pelo conhecimento adquirido de que a cárie e as doenças periodontais, se adequadamente prevenidas ou precocemente tratadas, são de uma elevada vulnerabilidade, com custos económicos reduzidos e ganhos em saúde relevantes. Desde 1985 que a Direção-Geral da Saúde tem em curso um Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. Este programa de saúde oral no Serviço Nacional de Saúde (SNS), iniciou-se com a promoção da saúde oral em meio escolar, sendo alargado posteriormente a medidas preventivas e curativas com a entrada de Higienistas Orais (HO) e à contratualização com os serviços privados de medicina dentária. Em 2008, este modelo contratual foi revisto surgindo o cheque dentista. O estudo pretende contribuir para a compreensão da evolução do programa de saúde oral, os seus instrumentos e os seus resultados mais recentes. No estudo empírico, os dados analisados resultaram da compilação da informação do programa Saúde Oral em Crianças e Jovens e dos rastreios efetuados na escola. O estudo pretende ainda refletir sobre os benefícios/custos de um modelo que privilegie os rastreios de cárie dentária, como medida de triagem versus um modelo de subsídio universal, que permita o acesso a todas as crianças. A contratação de Higienistas Orais poderá ter ganhos importantes não só a curto prazo através da triagem das crianças a atribuir cheque dentista, mas também a longo prazo com a implementação sistemática de medidas de promoção da saúde oral. Na amostra verificou-se que apenas cerca de 45,5% das crianças com 7 anos, apresentam a dentição livre de cáries. Os dados do estudo revelam uma adesão de apenas metade das crianças a um programa totalmente gratuito, sendo que 24.7% das crianças que efetivamente tinham necessidades de saúde oral não fizeram uso do cheque dentista. No entanto, praticamente todas as crianças que utilizam o cheque concluem o plano de tratamento. A exceção que se verifica aos 10 anos, relacionada com a erupção dos pré-molares, sugere uma revisão das coortes etárias de atribuição do cheque dentista. Com aplicação da triagem a um universo de 237 crianças com uma taxa média de 40,7% livre de cárie, seria possível reduzir os custos em 5700 euros. A análise económica do setor da saúde oral poderá dar um importante contributo na tomada de decisões neste setor da saúde.

domingo, 16 de março de 2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

633. Qual a proporção dentista : habitantes recomendada pela OMS?

Acredito que todos os dentistas já devem alguma vez ter ouvido a frase "a OMS recomenda a proporção de 1 dentista para cada 1.500 habitantes". Mas o que ela quer dizer com isso? Que se a proporção 1:9.000 é ruim, então a proporção 1: 167 é boa? Não faz muito sentido.
Paulo Capel Narvai escreveu um artigo para o Jornal do Site dizendo que este dado seria uma lenda. Uma espécie de hoax que teria se iniciado antes mesmo da popularização da internet. Diz ele:
"Não basta para o enfrentamento da atual política de formação de recursos humanos em saúde — aí incluídos os recursos humanos odontológicos —, a enfadonha citação de que "a Organização Mundial da Saúde recomenda 1 dentista para 1.500 habitantes." (Há variantes como 1/1.000 ou 1/2.000). Há pelo menos dois erros nisso: em primeiro lugar, a OMS não recomenda coisa alguma. Em algum momento alguém deve ter lido mal em algum lugar, citou erroneamente a OMS e, a partir daí, tem havido uma repetição mecânica e acrítica dessa proporção. Jamais encontrei a referência bibliográfica nos artigos que mencionam a tal proporção. Nos documentos da OMS, aos quais tive acesso, nunca li nada sobre o assunto. Até que algum pesquisador desvende esse mistério, pode-se concluir que trata-se de pura lenda".
Confesso que há muito tempo não tenho sossego, procurando as origens da lenda, pois encontrei publicações até de 1979 com essa informação. Até que me bateu a ideia de procurar onde a coisa começou (ou não) : a própria OMS.
Achei um comunicado da organização que esclarece a coisa toda:
"A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) não recomendam nem estabelecem taxas ideais de número de leitos por habitante a serem seguidas e cumpridas por seus países-membros. Tampouco definem e recomendam o número desejável de médicos, enfermeiros e dentistas por habitante. Não existe, ainda, orientação sobre a duração ideal das consultas médicas ou um número desejável de pacientes atendidos por hora." Grifo meu.
Então, como tudo aconteceu?
No longínquo ano de 1972 ocorreu a III Reunião Especial de Ministros de Saúde das Américas, que resultou no Plano Decenal de Saúde para as Américas. Os ministros ali reunidos combinaram a meta de alcançar "8 médicos, 2 odontólogos, 4,5 enfermeiros e 14,5 auxiliares de enfermaria para cada 10.000 habitantes". Só isso. E o valor nem corresponde à versão consagrada na literaura...
O documento é fruto de um evento da OPAS-OMS, mas não é uma resolução oficial da organização, que diria quanto dentistas deveriam existir pra cada tantos mil habitantes.
Ate porque, em 1972 a realidade era outra, não é? Bem aqui um artigo do Vitor Pinto de 1983, que não me deixa mentir.

domingo, 19 de janeiro de 2014

632. Dentistas do Bem chegam ao Interior Norte para tratar crianças e jovens carenciados

Os Dentistas do Bem chegaram ao interior norte de Portugal sendo a vila de Mogadouro a primeira localidade desta região a acolher este serviço prestados por médicos dentistas voluntários que vão realizar consultas dentárias a criança e jovens carenciados.
"É importante chegar ao interior do país. Ainda não tínhamos conseguido ativar o projeto no Interior Norte e assim Mogadouro é primeira localidade desta região a acolher a nossa iniciativa", disse à Lusa Carla Graça, representante da Turma do Bem.
A Turma do Bem é uma Organização Não Governamental (ONG), cujo principal projeto é o Dentista do Bem, quer começar o ano de 2014 a espalhar sorrisos de norte a sul de Portugal, e "escolheu" Mogadouro para ajudar a descentralizar o projeto que até agora ainda não tinha chegados aos distritos de Bragança, Vila Real ou Guarda.