sexta-feira, 28 de agosto de 2009

381) Odontologia à noite e em oito anos

Entre os projetos de reestruturação e expansão da UFRGS para 2010, a que promete ter maior impacto é a criação do curso noturno de Odontologia, já aprovado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Expansão (Cepe). Com aulas exclusivamente à noite, a tradicional formação foi redesenhada e vai exigir oito anos de estudo (16 semestres) para que os alunos consigam cumprir 18 a 22 horas semanais.
* * *
Este exemplo concreto, oriundo do Brasil (Rio Grande do Sul) mostra-nos como é possível rentabilizar os recursos disponíveis para a formação de técnicos de medicina oral, existindo meios e havendo necessidade de haver um maior número de especialistas de saúde oral para atender a população.
Também por cá, em Portugal, se deverá apostar na diversificação da oferta formativa, ao nível das várias valências da saúde oral, aproveitando os recursos disponíveis e possibilitando uma via alternativa de formação para os adultos já activos e que não tiveram a possibilidade de se formarem enquanto jovens.
Fica aqui o repto às várias faculdades de medicina oral espalhadas pelo país para que criem também cursos pós-laborais idênticos aos cursos de regime diurno, com as devidas adaptações dos planos curriculares. Seria dada resposta à larga procura de formação e, por outro lado, constituiria mais uma formula de possibilitar o aumento substancial de recursos humanos da área da saúde oral, ainda tão escassos face às tremendas necessidades básicas actuais da população do nosso país, em termos de saúde oral.
Gerofil

2 comentários:

Anónimo disse...

atenção, gerofil!

há cursos de md em excesso e já se começa a sentir algum desemprego entre dentistas....

Gerofil disse...

Caro amigo anónimo:
Permita-me que discorde da sua opinião, uma vez que ainda existe uma grande fatia da população portuguesa sem possibilidade de acesso a médicos dentistas. As razões são variadíssimas, mas uma delas é a escassa oferta em termos de número de dentistas no país, o que implica custos acrescidos a quem queira ter acesso a uma consulta (particularmente nas zonas suburbanas e as áreas mais rurais do interior do país).
Houvesse o dobro ou o triplo de médicos dentistas em Portugal e verificaria que não existiria falta de pacientes a necessitar de tratamentos. Assim, só apostando no aumento do número de médicos dentistas e numa reorganização das respectivas associações profissionais, quiçá muito menos dependentes do aparelho estatal e tendo uma visão menos corporativista, é que conseguiremos melhorar efectivamente a saúde oral dos portugueses, que dada têm a haver com os números estatísticos publicados oficialmente e que aqui sistematicamente têm sido desmontados, relativamente à cabala que traduzem.