quarta-feira, 14 de março de 2018

710. Entrevista a Miguel Stanley: A saúde oral é indissociável da saúde geral

Renomado médico dentista é o consultor científico na área da medicina dentária das clínicas Dr. Well’s. Uma conversa sobre o atual momento da saúde dentária em Portugal e sobre a importância da sua democratização.
Nos dias que correm, como explicaria a importância da saúde oral na vida de qualquer pessoa?
Eu sempre tive alguma dificuldade em compreender porque é que para tantas pessoas, a boca não é parte do corpo… digo isto em tom de brincadeira porque obviamente é. A saúde oral é indissociável da saúde geral e, para além disso, é indissociável da nossa felicidade sendo que o sorriso é a expressão máxima dela. Acredito que a consciencialização da população portuguesa para este problema está cada vez melhor, e naturalmente, qualquer coisa que ponha as pessoas a lavar bem os dentes é bom para a população. Obviamente que em termos de saúde ela é profundamente importante, mas não podemos esquecer-nos da estética, um sorriso agradável pode mudar a perceção dos outros sobre nós e pode aumentar a autoestima de forma exponencial, por isso, eu sou um apaixonado desta matéria.
Um dos pilares da sua parceria com a Dr. Well’s, na qualidade de consultor científico na área da medicina dentária, é a democratização do acesso aos cuidados de saúde oral. Explique-me um pouco melhor o que está por detrás deste conceito?
A Dr. Well’s nasceu com o objetivo de democratizar o acesso a serviços de saúde de qualidade. E sabendo que apenas 5 em cada 100 portugueses têm oportunidade de colocar um implante dentário, vem demonstrar que há mais que nós, médicos dentistas, pudemos fazer no setor da medicina dentária.
Como está a saúde da boca e dentes dos portugueses?
A saúde da boca dos portugueses deve ser vista por segmentos. Eu diria que a das crianças está ótima, porque felizmente os pais já aprenderam e têm mais preocupação em lavar os dentes das crianças, o que é ótimo porque as gerações futuras terão mais saúde oral. Obviamente, o mesmo não pode ser dito das pessoas entre os 60 e os 100 anos de idade porque, infelizmente, viveram numa era onde não havia muitos dentistas qualificados no país e consequentemente há uma enorme percentagem deles desdentados e sem capacidade económica para sequer pensar em reabilitar o seu sorriso. Entre estes dois segmentos da população, há um pouco de tudo, dependendo da capacidade económica e nível de educação. Obviamente que não se pode generalizar, porque tenho experiência de pessoas bem formadas e com capacidade económica que tiveram o azar de não ser bem seguidos pelo seu dentista e têm que acabar por fazer tratamentos muito dispendiosos e demorados para recuperar o seu sorriso.
Se fosse ministro da Saúde, quais as primeiras medidas que tomaria na área da saúde oral no país?
Se eu fosse ministro da saúde iria em primeiro lugar dar a volta ao país para ouvir os profissionais e técnicos de saúde, de norte a sul, para tentar compreender as dificuldades que eles têm. Não obstante, penso que em termos de medicina dentária iria pôr um programa obrigatório escolar, um pouco parecido com aquilo que se faz nos países nórdicos, e ter a certeza que a população, principalmente a mais carenciada, faz consultas regulares de higiene oral e rastreio de cáries e tratamento atempado. Sempre achei estranho que os nossos impostos não são aplicados nesta vertente da medicina dentária mais simples e entendo que é algo que deve ser um direito dos cidadãos.
E a medicina estética: é um ramo que definitivamente entrou no dia a dia das pessoas ou ainda é algo reservado apenas a quem tem meios para isso?
A medicina dentária é das poucas áreas médicas que tem um ‘crossover’ absoluto entre estética e saúde. Eu costumo dizer que um sorriso bonito é o reflexo ou espelho de um sorriso saudável. Portanto, o primeiro passo para ter um sorriso estético e bonito, é tê-lo saudável. Como tal, as pessoas não podem esperar resultados estéticos incríveis se não têm a parte funcional e biológica sã.

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