domingo, 13 de novembro de 2011

554. Saúde oral em Portugal sem novidades

A mudança de governo em Portugal deixava prever uma mexida nas politicas de saúde oral seguidas no nosso país nos últimos anos e que contribuíram para a enorme degradação dos cuidados de saúde oral oferecidos à população, nomeadamente a mais carente e que não tem qualquer capacidade económica de recorrer a serviços de saúde privados.
Passados já alguns meses, ainda não se perspectivou, por parte do governo, quaisquer medidas que façam antever uma profunda alteração da prática da saúde oral e dentária no nosso país, continuando a assistir-se aos mesmos padrões procedentes do governo socialista.
Começa a ser um péssimo exemplo para o país vermos o governo continuar políticas de saúde oral que são puras cosméticas, que têm um impacto reduzidíssimo e que servem apenas uma percentagem ínfima das necessidades da população (menos de 10 % das necessidades infantis; mais de 90 % das necessidades infantis e juvenis não são colmatadas).
Entretanto os grupos privados continuam a ganhar fortunas, à custa da mão – de – obra de profissionais altamente qualificados e formada à custa dos impostos de quem trabalha e que continua a ver que os seus filhos jamais terão os devidos cuidados de saúde dentários.
Qual o destino dado à nova equipa do Ministério da Saúde às propostas que recebeu por escrito e que constam das postagens número 535 e 536 deste blogue?

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Governo mantém verbas para cheque-dentista
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O Governo vai manter as verbas para o programa dos cheques-dentista e está a estudar a possibilidade de alargar esta medida ao cancro oral, uma doença que está a aumentar em Portugal, anunciou este domingo a Ordem destes profissionais. Durante o XX Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, que durante três dias reuniu em Lisboa mais de 2.600 participantes de todo o país, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa, anunciou a manutenção da dotação do Programa Nacional de Promoção Oral que institui os cheques-dentista.
Em comunicado divulgado no final do encontro, o bastonário da ordem, Orlando Monteiro da Silva, congratulou-se com a decisão da tutela, lembrando que «este programa é essencial para a população com menores recursos, porque o Serviço Nacional de Saúde [SNS] não tem, internamente, resposta para os doentes de saúde oral». Em Portugal, à semelhança do resto do mundo, 90% da população sofre de cárie dentária e doença periodontal (osso e gengivas).
«Apostar na intervenção precoce permite minorar a despesa com estas doenças para os pacientes e para o Estado», explicou Orlando Monteiro da Silva, acrescentando que o cheque-dentista garante o acesso aos tratamentos da população mais sensível, nomeadamente grávidas, crianças e idosos. O bastonário sublinhou ainda a possibilidade em estudo pelo Governo de alargar o cheque-dentista ao cancro oral, uma doença que afecta este ano 35 mil pessoas na Europa e provoca a morte a 7.500. Segundo o responsável, este tipo de cancro está a aumentar no país, em grande parte devido aos estilos de vida, já que na origem desta doença estão sobretudo factores como o tabaco, o excesso de álcool ou uma alimentação deficiente em legumes e frutas frescos.
Ao abrigo do cheque-dentista, mais de um milhão de portugueses já teve acesso a consultas de especialidade desde 2008, 600 mil dos quais só este ano: 500 mil crianças de sete, dez e 13 anos e 100 mil grávidas, idosos e crianças com menos de seis anos. No Congresso, foi ainda apresentada pelo Bastonário a Tabela da Nomenclatura dos médicos dentistas que, a partir de agora, será referência obrigatória para todos os profissionais da área, uniformizando a designação de procedimentos e tratamentos até aqui descritos em vários documentos, nem sempre coincidentes.
A Tabela de Nomenclatura regula a designação dos atos próprios da medicina dentária, certificando-se que todos os envolvidos, médicos dentistas, doentes, sistema de saúde, subsistemas, convenções, seguradoras, planos de saúde e outras entidades reguladoras, utilizam a mesma terminologia.
TVI24

1 comentário:

Mariana disse...

Uma boa saúde oral começa no início da vida das crianças, e seus pais são os encarregados de tudo o que acontece nas suas vidas.
De maiores, há que ter cuidado também, e escovar bem os dentes.
A periodontia é um área onde todos podem aprender como fazer uma boa higiene pessoal.