sábado, 8 de março de 2008

230) Primeiros cheques-dentista com dois meses de atraso

O despacho que define as condições para as grávidas e idosos beneficiarem de tratamentos dentários foi publicado em Diário da República mas, ao contrário do que está definido pelo Governo, os primeiros cheques-dentista só serão emitidos em Maio e não em Março. O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas refere que está ainda a ser desenvolvido o programa informático que permite ligar os centros de saúde aos consultórios e que falta também lançar o portal onde os dentistas se poderão inscrever no programa. "As inscrições deverão arrancar a partir de 1 de Março e só a partir de Maio surgirão os primeiros cheques-dentista", esclarece Orlando Monteiro de Almeida.
O despacho, ainda assinado pelo anterior ministro Correia de Campos, vem determinar aquilo que foi uma aposta do Governo para o Orçamento de Estado deste ano: permitir a grávidas e idosos o acesso a alguns cuidados de saúde oral, que eram inexistentes no Serviço Nacional de Saúde até aqui. A medida avança nestes dois grupos por serem considerados prioritários. Mas a ideia é alargar estes serviços no futuro à restante população. Cada grávida seguida num centro de saúde terá direito a três cheques - dentista, num valor total de 120 euros. Os idosos receberão 80 euros anuais, divididos por dois vales.
O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas diz que estão já definidos os tratamentos que podem ser efectuados com este dinheiro. No caso das grávidas, passarão por extracções, tratamentos, controlo do tártaro e aconselhamento sobre saúde e higiene oral. "Não é o Gambrinus, mas também não é a sopa dos pobres" para os cuidados dentários, refere o bastonário. "A ideia é tentar atingir os objectivos, dentro do que for possível, sabendo que não será possível fazer tudo. Não dá para fazer implantes, por exemplo", refere.
O programa informático, que está a ser desenvolvido pela Universidade de Aveiro, vai permitir aos médicos de família consultarem a lista dos dentistas que aderiram à iniciativa e, depois, informarem os seus utentes das opções. Orlando Monteiro de Almeida diz que os dentistas poderão depois consultar alguma informação clínica do utente, como por exemplo se este é diabético ou que medicamentos está a tomar.
O responsável da Ordem acredita que haverá muitos dentistas interessados e que a medida será importante para os jovens profissionais. "A inscrição é muito simples, basta darem o nome, assinarem um compromisso de honra, terem as quotas da Ordem em dia e não terem processos deontológicos a correr". E lembra que este programa "tem um aspecto social e uma filosofia própria", oferecendo cuidados a uma população que, de outra forma, não teria dinheiro para ir ao dentista. Além dos dentistas, poderão aderir à iniciativa também os médicos estomatologistas.
O modelo deste programa é inovador no SNS português. O Estado paga pelos serviços que são feitos no privado, através de um acordo e sem necessidade de convenções. É inspirado no modelo inglês e é o primeiro passo para aquela que era uma das grandes lacunas dos cuidados de saúde públicos.
Para avaliar esta experiência, será criada uma comissão de acompanhamento. O despacho prevê também que as autarquias podem avançar com "uma alargamento suplementar a outros grupos - alvo". Além das grávidas e dos idosos, existe ainda outro programa destinado às crianças, que deverá também ser alargado durante este ano.

quinta-feira, 6 de março de 2008

229) Programas de saúde oral

A existência de diversos programas de saúde oral em aplicação actualmente em Portugal carece de uma clarificação em termos processuais ao nível de controlo de qualidade e fiscalização. Assim, preconiza-se uma acção vigilante por parte das autoridades competentes, a fim de assegurar justiça social e efeitos benéficos para os seus destinatários.
Relativamente ao programa destinado à população da terceira idade, só existirá justiça social se o mesmo tiver como destinatário a população “realmente” carente; preconiza-se que a distribuição de fundos seja feito consoante a percentagem de população idosa existente por cada concelho do país, atribuindo a distribuição dos cheques-consulta aos representantes autárquicos das populações; assim se evitará cair na tentação de favorecer determinadas regiões do país, grupos económicos com interesses directos instalados no sector ou outros favorecidos pelos poderes públicos.
Gerofil

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

227) Dentistas querem criação do «dentista de família»

Dentistas portugueses propuseram ao ministro da Saúde a criação da figura do «dentista de família», a ser atribuído às crianças à semelhança do médico assistente, uma proposta que por enquanto não foi acolhida, informa a Lusa. A proposta foi feita por dois representantes da Ordem dos Médicos Dentistas integrados no grupo de análise do programa de saúde oral, disse Paulo Rompante, um dos médicos responsáveis.
A ideia consiste em atribuir a uma criança, quando nasce, um dentista que funcione como uma espécie de médico de família para a saúde oral, mas sem integrar os profissionais nos centros de saúde. «Não estamos a propor médicos dentistas para os centros de saúde. A proposta passa por um sistema de convenção», explicou Paulo Rompante, à margem do Congresso dos Médicos Dentistas, que decorre até sábado em Lisboa.
Quanto ao programa de promoção de saúde oral nas escolas, o médico aponta algumas falhas e defende uma reorganização deste projecto, críticas que são acompanhadas por outros clínicos e pelo próprio bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas. A etapa básica e essencial deste programa passa por promover a escovagem diária na escola, o que não está a ser realizado em grande parte das instituições.
«Como o programa foi concebido, só tinham direito a aceder às outras etapas do programa as escolas que promovessem a escovagem diária. Nenhum programa funciona se esta escovagem não for promovida», comentou o especialista. O argumento invocado por algumas escolas de que não têm condições para promover a saúde oral não colhe entre os dentistas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

226) Dentistas chegam às escolas

Pelo menos 310 mil alunos do ensino fundamental da rede pública devem começar o ano letivo de boca aberta para garantir um sorriso bonito em 2008. Segundo a gerência do programa Dentistas nas Escolas, o edital para contratação da Organização Social que vai oferecer os profissionais de saúde bucal para trabalhar nos colégios, sai até a próxima semana.
Nos planos do governo, dentro de pouco mais de um mês, a escolha da organização capacitada também deve ser anunciada e o serviço poderá ser prestado de imediato. “Estamos trabalhando contra o tempo. Ainda não temos como garantir a data para o início dos tratamentos. Mas, no ritmo que estamos, com certeza será bem antes do final do semestre”, diz o gerente da Pasta, o dentista Reinaldo Maia.
A idéia inicial é contratar cerca de 650 profissionais de saúde bucal (entre dentistas, secretárias, auxiliares e técnicos) para trabalhar nas 123 escolas que abrigam estudantes de seis a 15 anos. Por enquanto, 35 escolas já estão equipadas para atender os alunos e até o final de fevereiro outras 57 engrossarão a lista das credenciadas. As escolas, que funcionarão em período integral, devem ser as primeiras a serem equipadas para o atendimento.
Nestas, a ordem é trabalhar no contra-turno das aulas e nas demais os tratamentos serão agendados no mesmo período das atividades escolares. De acordo com a gerência do programa, a idéia é evitar que os alunos deixem de fazer o tratamento por falta de condução.
O governo quer que até 2010 todas as cerca de 400 escolas públicas do DF sejam atendidas com os serviços do Dentistas nas Escolas. “Nem todas terão consultórios fixos, em alguns casos vamos atender com traillers itinerantes”, explica Reinaldo Maia.
Com o programa, o governo espera diminuir pela metade o índice de tratamentos curativos, mantendo os gastos apenas com prevenção e educação de higiene bucal. “Além de economia no bolso, garantimos auto-estima e saúde ao aluno. O que é muito importante no processo de aprendizagem”, avalia Maia.
Com a iniciativa de levar dentistas para as escolas, o governo vai diminuir também a demanda pelos profissionais nos centros de saúde, ampliando a oferta para idosos, adultos e crianças de zero a seis, fora da faixa etária atendida pela rede pública de ensino. “Se aumentarmos os atendimentos daqueles que ainda não atingiram a idade escolar, quando chegarem nas escolas não precisarão enfrentar tratamentos curativos mais sérios. Ficamos só com limpeza e prevenção”, prevê Reinaldo Maia.
Dentro do projeto governamental, ainda está o treinamento de professores e orientadores educacionais para trabalhar na frente de batalha da prevenção de doenças bucais.“Logo que iniciarmos o ano, vamos oferecer oficinas para qualificar os professores para atuarem em parceria com os dentistas. Já estamos estudando uma maneira de fazer isso sem interferir na rotina das escolas”, garantiu o gerente do programa.
* * *
Será que no Ministério da Educação e da Saúde em Portugal também são capazes de pensar e agir desta forma ? Chega de burocracia e burocratas inúteis para a sociedade e que estão dentro dos ministérios; atribuam essas funções aos professores que estão nas escolas e certamente vão poupar largos milhões de euros no futuro.
Gerofil

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

225) Consultas dentárias a 20 euros

Uma consulta dentária a 20 euros e uma massagem terapêutica a 15 são preços propostos por escolas superiores de Lisboa a quem quer pagar menos por cuidados de saúde e não tem «medo» de ser atendido por estagiários.
«Os alunos estagiários são sempre acompanhados por professores em qualquer tipo de intervenção», alertaram os responsáveis da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa e da Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa para apaziguar quaisquer receios.
Na escola que forma novos dentistas, os estudantes passam por treino pré-clínico em cabeças de bonecos e só depois praticam em pessoas, mas «sempre acompanhados», sublinhou o director da faculdade, António Vasconcelos Tavares.
No leque de serviços oferecidos na clínica dos alunos existem tratamentos preventivos, cirúrgicos, colocação de próteses e aparelhos dentários (ortodontia), higiene oral e até a especialidade de radiologia.
Os preços podem variar desde os cinco euros de uma aplicação de flúor ou um determinado tipo de Raio-X ou 10 euros referentes a uma restauração provisória até 1.450 euros na colocação de uma ponte dentária.
«O que pode acontecer é os tratamentos demorarem mais tempo», alertou o director do estabelecimento, recordando que as funções são desempenhadas por quem ainda está a aprender e por isso os atendimentos também acontecem durante o horário das aulas.
O perfil dos utentes dos serviços abertos ao público vão desde pessoas com dificuldades financeiras, as que pretendem tratamentos com garantia institucional até às que aproveitam o horário mais flexível (que chega a ser até à meia-noite) ou mesmo as condições de estacionamento «muito raras de encontrar em Lisboa», como recordou António Vasconcelos Tavares.
As receitas das consultas são reinvestidas na faculdade e o montante bruto destas iguala ou pode mesmo superar o orçamento estatal. Até Novembro último tinha existido um encaixe de receitas próprias 2,6 milhões de euros.
O número de reclamações tem sido residual e diz sobretudo respeito a tempo de espera e nunca à qualidade, sublinhou Mário Bernardo, vice-director da faculdade.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

224) Inflamações na gengiva podem provocar infarto

BRASIL - Inflamações crônicas na gengiva podem causar infarto do miocárdio. Parece estranho, mas pesquisas feitas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, mostram que bactérias acumuladas, causadas pela infecção nas gengivas, podem migrar para a circulação sangüínea e afetar as artérias coronarianas. Além disso, as bactérias podem gerar uma maior produção de proteínas que facilitam a adesão de gordura no organismo, o que contribui para as doenças do coração.
Por causa disso, especialistas alertam para a necessidade de uma correta higienização bucal: medidas simples como a escovação de dentes adequada após cada refeição e o uso do fio dental podem ajudar a prevenir o problema. Enxagüadores bucais também controlam o crescimento das bactérias.
De forma indireta, a doença periodontal – como é chamada a inflamação crônica na área do periondonto, que circunda os dentes –, também pode acarretar problemas cardíacos. A inflamação acarreta perda de dentes e, caso não haja uso de prótese, o paciente passa a ingerir alimentos pastosos e geralmente mais gordurosos.
“Ele ganha peso e a obesidade é outro fator de risco para o infarte”, explica o pesquisador e doutor em Farmacologia, Fernando Oliveira. Ele é autor da tese Inflamação sistêmica na doença periodontal e doença cardiovascular, desenvolvida na Unicamp. O estudo feito pelo pesquisador foi apresentado no congresso Europerio em Berlim, na Alemanha e pode ser acessado pelo endereço eletrônico http://www.perio.org/. O especialista explica que hoje cerca de 80% dos pacientes que apresentam doenças do coração têm problemas periodontais. Estatísticas revelam ainda que 75% da população brasileira acima de 25 anos sofre de inflamação crônica das gengivas e 11% da população está propensa a desenvolver doença periodontal.
Além disso, pessoas com mais de 30% das unidades dentárias comprometidas com a doença apresentam maior risco de sofrer problemas cardiovasculares. A enfermidade atinge entre 12% e 15% da população no Brasil. Na forma severa, o índice é de 8%.Causas - Entre os principais sintomas da periodontite, como também é chamada a inflamação, estão vermelhidão e sangramento, além de suspensão das gengivas (o dente aparece mais devido à retração gengival). Na maioria dos casos, não há dor, o que faz com que os pacientes não procurem o dentista de imediato.
“As pessoas devem procurar os dentistas periodicamente, mas em caso de sintomas, e se o quadro já estiver avançado, é bom buscar um especialista na área”, recomenda o pesquisador, lembrando em seguida que postos de saúde odontológica do município podem realizar o encaminhamento.
Durante o tratamento, remove-se a placa bacteriana por meio de raspagem ou líquido para a higiene bucal. Também podem ser ministrados antibióticos que exterminam os causadores da periodontite. Quatro meses após a conclusão do tratamento, o paciente deverá retornar ao especialista para evitar que se formem novas placas bacterianas.
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Este texto vem alertar para os efeitos secundários das doenças da boca. Desengane-se quem pense que ensinar as crianças a escovar os dentes resolve todos os seus problemas de doenças da boca.
Gerofil

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

223) BRASIL: Projeto Sorria chega a Corumbá

O Projeto Sorria é uma entidade filantrópica de direito privado e sem fins lucrativos que presta atendimento médico e odontológico gratuito para as famílias de baixa renda. Depois de atender as carvoarias e o assentamento Mato Grande o projeto chega à cidade.
Criado pelo cirurgião dentista Dr. Nelson Nunes Ferreira em 1986 na cidade de Pedro Gomes (MS), o ônibus consultório do Projeto Sorria é totalmente equipado e viaja pelos municípios, sendo que já atendeu mais de 100 mil pessoas, com uma média de 20 a 30 pessoas por dia. Nelson explicou ao Corumbá On Line que esse projeto tem como objetivo atender e bem servir a quem precisa a custo zero.
“Como profissionais que somos, precisamos contribuir e fazer a nossa parte. Por isso resolvi trabalhar e bem servir aos que não tem condições de ir a um consultório odontológico”. Além de prestar atendimento médico e odontológico, o projeto ainda realiza palestras sobre higiene bucal, educação sexual e DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis).
O projeto conta com dois ônibus e permanece no mínimo 30 dias dependendo da demanda de público, podendo se estender por mais tempo em cada município. E já passou pelos municípios de Anastácio, Bodoquena, Camapuã, Dois Irmão do Buriti, Rio Verde, Bonito e mais onze municípios. Sendo que o outro ônibus encontra-se em Miranda e a próxima cidade a ser visitada será Jardim.
Marina Abrão de Oliveira, moradora do bairro Centro América, levou seu filho Luciano de 7 anos, para receber atendimento odontológico, já que o atendimento no posto do bairro conta com poucos profissionais para atender a demanda. “Para sermos atendidos temos que enfrentar uma fila imensa e muitas vezes o dentista nem nos atende direito”, afirmou ao Corumbá On Line Marina.
Após ter seu filho atendido Marina sai muito satisfeita com o trabalho realizado pelo dentista. “Meu filho nunca foi tão bem atendido e graças ao doutor ele não vai perder o dente, mas teremos que voltar aqui na próxima semana para que termine o tratamento. Todos os dentistas deveriam ser como o seu Nelson, pois ele nem conhece meu filho e o atendeu com uma dedicação e um carinho como se eu tivesse pago”.
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Voluntários em acção por uma boa causa. Que o exemplo seja contagioso e ultrapasse fronteiras, num mundo onde os contrastes sociais entre os ricos e os pobres se tornam cada vez maiores.
Um abraço fraterno aos que, no outro lado do Atlântico, trabalham em prol dos desfavorecidos. Fica a esperança que, cá por Portugal, também o voluntário para com o próximo seja uma realidade.
Gerofil

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

222) Remodelação no Governo: Mudança na Saúde mostra que Primeiro Ministro "foi sensível à revolta generalizada"

António Arnaut, criador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mostrou-se hoje satisfeito com a substituição do ministro da tutela, considerando que o primeiro-ministro "foi sensível à revolta generalizada" contra o encerramento de unidades de saúde. Afirmando que "não importa tanto mudar as pessoas", António Arnaut declarou à agência Lusa que "o que é importante é mudar as políticas".
António Arnaut, que foi deputado e ministro dos Assuntos Sociais, é o primeiro subscritor de uma petição nacional, lançada na semana passada, para que as alterações introduzidas pelo Governo de José Sócrates ao nível do SNS sejam debatidas pela Assembleia da República. Na sua opinião, José Sócrates, enquanto responsável máximo do executivo, "varreu a sua testada", abrindo caminho a correcções na política de saúde tendo em vista um "regresso à matriz" do SNS, enquanto serviço "geral, universal e gratuito" consagrado na Constituição da República. "Dá a impressão que o Governo quer mesmo mudar de política de saúde", acentuou.
O fundador do Serviço Nacional de Saúde, antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, frisou que Sócrates decidiu substituir Correia de Campos por Ana Jorge, na parta da Saúde, em resposta a "um clamor nacional insustentável" contra as medidas no sector.
Ana Jorge, a nova ministra da Saúde escolhida pelo primeiro-ministro, "deve agora regressar à filosofia humanista" do SNS e "revogar algumas das posições tomadas" por Correia de Campos, preconizou.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

221) Saúde Oral: novo programa nacional em prática este mês

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) mostra-se confiante de que, até final de Janeiro, vai ser possível colocar em prática as novas medidas do Programa Nacional de Saúde. Um prazo que a Direcção-Geral de Saúde prefere não subscrever.
Em declarações à TSF, o bastonário da Ordem de Advogados, Orlando Monteiro da Silva, revelou que, neste momento, «aguarda-se o despacho do sr. ministro da Saúde, que é fundamental para colocar em marcha, em termos legais, este programa, o que deverá acontecer, numa perspectiva perfeitamente realista, no final de Janeiro». Este prazo não é, no entanto, subscrito pelo responsável pela saúde oral da Direcção-Geral de Saúde (DGS), Rui Calado, o qual diz, também em declarações à TSF, não se atrever «a dar qualquer limite temporal neste momento. O que eu posso dizer é que há ordens explícitas para acelerar o mais possível este processo».
O responsável revelou ainda que, até ao final da semana, podem ficar definidos os prazos para a entrada em vigor de um programa anunciado há cerca de dois meses pelo primeior-ministro, no Parlamento, e que como principais beneficiários os idosos, grávidas e crianças.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

220) O papel da LBV (Legião da Boa Vontade) na saúde comunitária (I)


Intervenção comunitária: dar sem receber

Assinalou-se, a 31 de Agosto, o Dia Internacional da Solidariedade. Considerada um dos valores fundamentais para as relações humanas neste século, dentro da comunidade médica dentista ela parece existir. Os bons exemplos estão aí.
Maria (nome fictício) corre pelo pátio de um dos centros de apoio da Legião da Boa Vontade (LBV), no Porto, juntamente com mais de duas dezenas de amigos. Tenta não ser apanhada pelos «bichinhos» que podem fazer mal aos dentes. Corre, finta e solta alguns gritos de brincadeira, à medida que vai escapando dos colegas que a tentam apanhar.
"O jogo da bactéria" é uma das actividades organizadas pelos voluntários do programa "Sorriso Feliz", que percorre instituições do Porto, promovendo a higiene e a saúde bucal.Com pouco mais de seis anos, Maria não entende ainda muito bem qual o objectivo de todo aquele aparato. «A minha mãe diz que tenho dentes de leite e que não preciso de os lavar porque, mais cedo ou mais tarde, vão cair». Este é um exemplo de como a intervenção comunitária é tão importante.
Portugal tem elevados níveis de cárie dentária entre os jovens, consequência da «falta de uma política de prevenção por parte das autoridades que, ao longo dos anos, têm transmitido a ideia do médico dentista como curador de uma doença e não como preventivo». Afirmação de Cassiano Scapini, médico dentista que investe parte do seu tempo no voluntariado.
«Não podemos ficar reféns do consultório. Devemos, sim, assumir os nossos compromissos para com a comunidade», defende com convicção. «No século XXI já não faz senti-do pensar, apenas, em reabilitação dentária. A nossa função é cada vez mais informar e acompanhar o utente para evitar o aparecimento de doenças», refere. O profissional não concebe a sua função sem dedicar várias horas do seu dia «a trabalho social». Até porque, só assim, acredita, se poderá mudar o panorama da saúde oral em Portugal que, considera, é «catastrófico». Todavia, sugere, «a pergunta a colocar deve ser: qual o papel no médico dentista na sociedade?»

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

219) Boca sana: comienza la campaña 2008

La Dirección de Salud de la Municipalidad de Colón (ARGENTINA), por intermedio del Servicio de Odontología del Centro Preventivo Materno Infantil y conjuntamente con el Círculo Odontológico de Colón, informan la continuación del programa de certificados bucodentales a “Boca Sana”, implementado desde el año 2000 para todas las escuelas del Partido de Colón... Dicho programa estará implementado solamente a alumnos de 1º, 3º, 5º, 7º y 9º de la EGB.
Al igual que el año anterior, el alumno concurrirá al odontólogo de su elección (privado u hospitalario), el cual de encontrar la boca en condiciones de buena salud oral otorgará una constancia de buena estado bucal, la cual será cambiada en el Centro Preventivo Materno Infantil (CPMI) por un certificado oficial, legitimizado con sello hospitalario. En caso contrario, el alumno deberá recibir tratamiento odontológico hasta conseguir el alta, otorgada por el profesional actuante.
Todos los trámites y consultas serán atendidos en el CPMI (calle 51 e/ 10 y 11). Los horarios de atención son de lunes a viernes de 07 a 12 horas y la fecha de inicio es el 11 de febrero de 2008.
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Um exemplo (Argentina) onde é obrigatório as crianças e jovens terem um certificado oficial de saúde oral. À atenção da Senhora Ministra da Educação e do Senhor Ministro da Saúde.
Gerofil

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

218) Barcelos: Centro de Saúde aguarda luz verde do Governo para avançar com consultas de saúde oral

Os barcelenses vão ter que continuar a aguardar para terem consultas de saúde oral nos centros de saúde locais. A ideia avançada pelo Director do Centro de Saúde de Barcelos, em Setembro do ano passado, ainda não saiu do papel. Manuel Vilas Boas acredita, no entanto, que 2008 será um ano de avanços nessa área.
O director do Centro de Saúde de Barcelos garantiu à Voz do Minho que já deu conhecimento da intenção de colocar à disposição da população estas consultas de medicina dentária, mas admitiu que falta agora o “sinal verde” por parte do Ministério da Saúde. “A nível da sub-região de Saúde de Braga já foi falado e ventilado a vinda para cá das consultas de saúde oral e isso não está fora de hipótese. 2008 será o ano chave para isso porque o Ministério da Saúde aposta este ano em duas áreas: o combate à obesidade e a saúde oral, portanto, acredito que 2008 será um ano de avanços nessa área”, vincou o responsável.
Manuel Vilas Boas acredita que a criação de uma consulta de saúde oral e medicina dentária seria benéfica para a população e para o próprio Ministério da Saúde, até porque, mediante este acordo com a CESPU – uma entidade privada de ensino e serviços de saúde – o Centro de Saúde teria, apenas, que pagar aos formadores dos dentistas. “Nós cederíamos a área, a instituição privada montaria todo o equipamento e consumíveis, nós apenas teríamos que pagar umas horas por mês aos formadores dos dentistas que estariam cá”, informou, acrescentando que os utentes do Serviço Nacional de Saúde que tivessem acesso a essa consulta “pagariam apenas uma taxa moderado igual a uma consulta de clínica geral normal”.
Entretanto, os barcelenses vão ter que continuar a aguardar pela decisão de Correia de Campos e vão ter também que continuar a recorrer aos dentistas do sector privado para tratarem as suas bocas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

217) Rastreios visuais para cerca de três mil crianças de Albufeira

A Câmara Municipal de Albufeira está a promover, ao longo deste ano, rastreios visuais a crianças do ensino pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico do concelho. A medida insere-se no Plano de Actividades de Promoção da Saúde em Meio Escolar, implementado pelo município. O objectivo é promover um desenvolvimento saudável e um bom rendimento escolar da criança.
Em Janeiro e Fevereiro vão ser rastreadas as crianças dos jardins-de-infância, e numa segunda fase, as do 1.º ciclo do ensino básico, num total de 2494 crianças. Trata-se de uma acção desenvolvida em parceira com a Opticália, que cede os técnicos de optometria, assim como os espaços onde os rastreios são realizados.
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Mais uma iniciativa em prol da saúde infantil, neste caso em ambiente escolar. Mas tão importante como visão, também a saúde oral das crianças é fundamental para o seu bem-estar e desenvolvimento pessoal. Assim, apelo à Câmara Municipal de Albufeira que incorpore a valência da saúde oral neste programa de promoção da saúde em ambiente escolar.
Gerofil

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

216) O papel da LBV (Legião da Boa Vontade) na saúde comunitária (II)


Cassiano Scapini, médico

Vindo do Brasil há 18 anos, acabou por instalar urn consultório no Porto, mas isso nunca lhe chegou. Acérrimo defensor de uma postura diferente dentro da classe a que pertence, considera que a profissão de médico dentista deve estar voltada para o «acompanhamento» e não para o «tratamento» das doenças bucais. «É importante estar ao lado das crianças, sempre envolvendo a família», porque, muitas vezes, é preciso explicar aos pais alguns conceitos de saúde oral que desconhecem. «Arrancar dentes sempre foi dado como uma fatalidade na mentalidade dos mais velhos».

Cassiano Scapini resume, assim, numa frase, a importância que dá ao trabalho que faz como voluntário, nas diversas acções em que tem participado: «o voluntariado é um bom termómetro para mudar as emoções do profissional. À medida que estiver inserido nesse contexto, vai pensar diferente também». Acredita, pois, que a mudança é imprescindível e premente: «se temos tantas carências, o conhecimento é a melhor arma para mudar o cenário actual». Daí que, defende, a transformação deve surgir dentro da própria classe que não deve temer uma nova filosofia de trabalho, porque o médico dentista vai sempre existir, só com uma atitude diferente: «não de tratar, mas de prevenir».

domingo, 6 de janeiro de 2008

215) Beijo pode transmitir cárie

Seria exagero chamar a cárie de "doenca" e dizer que ela é "contagiosa". De acordo com o dentista Marcelo Rezende, diretor da Smiling Dental Care, nem todas as bactérias encontradas na boca são responsáveis pela cárie, que é uma lesão. Mas uma pessoa infectada com as bactérias da cárie pode abrigar milhares de outros micróbios na boca. Portanto, toda higiene é pouca e o bejjo pode ser o principal meio de transmissão de doenças.
"Certamente, alguns cuidados básicos de higiene podem evitar complicações de saúde, que incluem gengivite, herpes e mononucleose – conhecida como a 'doença do beijo'", diz Rezende. "A bactéria que causa a cárie, chamada Streptococcus mutans, também pode ser transmitida ao se dividir a comida usando o mesmo talher", alerta Laurence R. Rifkin, odontologista da Califórnia.
A bactéria encontra-se geralmente na placa dental das pessoas infectadas. Uma simples prova de saliva pode detectar a bactéria e determinar se a pessoa corre risco de desenvolver cáries. "A escova de dentes, o uso de fio dental e outras formas de higiene bucal são fundamentais para reduzir a quantidade de bactérias que aderem às superfícies dos dentes," diz Rifkin. Aplicação de flúor no consultório também é uma arma poderosa.
Entre as pessoas que correm maior risco de desenvolver cáries estão as que tiveram cáries nos doze meses precedentes, os diabéticos, os hipertensos, os que têm um fluxo de saliva menor e aqueles cujo sistema imunológico esteja deficiente.
O cirurgião-dentista alerta que os bebês também correm grande risco de contaminação. Rezende diz que hábitos maternos, como provar a papinha do bebê com a mesma colher com que servirá a refeição é um dos erros mais comuns.
"Uma simples colher de chá contaminada por uma pessoa infectada pelas bactérias da cárie pode abrigar milhares de micróbios. Dar 'selinhos' na boca do neném, então, nem pensar. Se conseguirmos manter uma criança sem contato com as bactérias da cárie até ela completar nove anos, as chances de nunca ter uma cárie na vida são de 90%", diz o especialista.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

214) 10 razões para ir (periodicamente) ao dentista

PREVENIR - Através do exame clinico e das orientações profissionais fica mais fácil prevenir cáries, doenças periodontais; evitando assim problemas futuros no cuidado com os dentes e gastos em longos tratamentos. Um check up periódico não deixa que os problemas se avolumem;
MANTER OS DENTES CLAROS E LIMPOS - Mesmo com uma higienização bem feita com escovação dos dentes e da língua, o uso de fio dental, de anti-sépticos bucais e de escova lingual, para garantir a não-formação da placa bacteriana, de cáries e tártaro, a visita ao dentista é primordial para tirar as suas dúvidas e verificar se esta fazendo todos os procedimentos de maneira correta. Já existem muitas técnicas para clarear as diversas manchas nos dentes. O seu dentista irá realizar o tratamento indicado para o seu caso. São técnicas que vão desde raspagens e polimento até o uso de laser;
PERDER O MEDO - Dentista não é mais sinônimo de dor. Hoje, o tratamento dentário é muito mais eficaz, rápido e indolor com a tecnologia disponível nos consultórios;
NÃO TER DOR DE DENTE - A melhor solução para a dor de dente é a prevenção. Visitas periódicas ao dentista, mesmo sem a existência de qualquer sintoma, podem detectar o problema desde cedo, garantindo o sucesso do tratamento;
EVITAR O MAU HÁLITO - Uma grande porcentagem das causas do mau hálito está na boca. Escovar os dentes e a língua é essencial para manter um bom hálito. Visitar o dentista duas vezes ao ano também pode evitar uma situação desagradável;
PREVENIR O CÂNCER BUCAL - Exames periódicos ajudam a identificar pequenas lesões que, se não tratadas, poderão evoluir para alguma forma de câncer;
MANTER A SAÚDE DO CORPO - Uma boca bem cuidada reflete na saúde de todo o corpo. Uma má mastigação ou mesmo uma mordida errada podem ocasionar desde dores de cabeça até problemas gástricos;
EVITAR PROBLEMAS CARDÍACOS - Quase ninguém sabe, mas algumas bactérias presentes no meio bucal podem atacar o coração. A endocardite bacteriana, um tipo de problema cardiológico decorrente de processos infecciosos, pode ter origem na cavidade oral e causar a proliferação de bactérias nocivas ao organismo;
RECONQUISTAR OU MANTER A AUTO-ESTIMA - Manter um sorriso saudável e harmonioso é uma boa maneira de você ficar bem consigo mesmo. Gostando mais de sua aparência, você estará mais segura para enfrentar a vida;
SABER DAS NOVIDADES - Atualmente em todas as mídias saem muitas reportagens sobre as novas tecnologias odontológicas, algumas sérias e comprovadas outras são um pouco mais que uma jogada de marketing, por isto é importante ter uma pessoa com conhecimento na área e em quem você confie para tirar todas as suas dúvidas.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

213) ESPINHO: Concelho é uma referência na saúde oral

Com mais de 20 minutos de atraso, Joaquim Barbosa, director do Centro de Saúde de Espinho, deu início à apresentação do Programa para a Saúde Oral para o ano lectivo de 2007/2008. O director começou por falar das grandes mudanças ocorridas na saúde nos últimos tempos e dos resultados satisfatórios do programa da Saúde Oral desde o seu início, acrescentando que o grande objectivo deste programa é o cumprimento de metas nacionais e europeias.
O programa de Saúde Oral envolve várias entidades do concelho de Espinho, entre elas o Centro de Saúde, o Lions Club, as diferentes autarquias de Espinho, vários dentistas particulares, as escolas do concelho e a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto.
O programa de Saúde Oral inclui três grandes fases: a higienização, o rastreio e o tratamento. Na fase da higienização, o objectivo é, segundo a coordenadora do programa, Margarida Albuquerque, “ensinar as crianças a lavar correctamente os dentes”, oferecendo-lhes, ainda, pasta e escova. Nesta fase da higienização é ainda frequente serem organizadas sessões de esclarecimento que pretendem envolver “não só os alunos, mas também os professores e os pais”.
Este ano, o programa inclui rastreio e tratamento de três tipos de problemas ligados à saúde oral nas crianças espinhenses do pré-primário, primeiro e segundo ciclo. Entre as doenças rastreadas incluem-se a cárie, a fluorose e a doença periodontal ou periodontite.A última, mas talvez a mais importante fase do programa é o tratamento, que se efectua desde 2001. No ano passado, o programa da Saúde Oral tratou 336 crianças com ajuda estatal e outras 16 contando com o subsídio de autarquias espinhenses.
Margarida Albuquerque deixou bem claro que, “em termos genéricos, o trabalho é favorável” e isso vê-se quando constatamos que “as crianças de Espinho, em comparação com o resto do país, estão muito melhores. O sonho de há 18 anos atrás valeu a pena”. Desde 2001 que a Saúde Oral abrange as crianças do 2º ciclo, e desde 2004 as do pré-escolar, porque inicialmente o programa só contemplava os alunos de primeiro ciclo. Os valores do Programa Saúde Oral de 2007 são, segundo a coordenadora do projecto, “bastante satisfatórios”.
Ao longo dos anos, o valor de CPO, o indicador de cárie dentária, tem vindo a diminuir. Tanto que, a nível do segundo ciclo, é de 1,3 por cento, enquanto que a média nacional se situa nos 2,95 por cento. Para 2020, a meta europeia é atingir um índice de CPO menor do que um. Ora, Espinho já não está muito longe desse objectivo e ainda faltam 13 anos para lá chegar.
Em termos europeus, Espinho também está bem colocado a nível de saúde oral, porque a meta estabelecida no continente europeu propunha que em 2007 apenas 50 por cento das crianças entrassem na escola com cárie dentária. Espinho está muito próximo desse valor, com cárie detectada em 54% das crianças da pré-primária.
A discrepância entre os valores obtidos na cidade de Espinho e o resto do país volta a ser evidente quando falamos na cárie ao nível do primeiro ciclo. Enquanto que o programa de Saúde Oral espinhense registou um índice de CPO de 0,7 por cento nas dentições definitivas, o valor nacional situa-se entre os 2 e 3 por cento.
Quanto ao rastreio da fluorose e das doenças periodontais, não há estudos nacionais ou europeus com que se possa comparar os valores de Espinho. No entanto, os valores da fluorose indicam que na pré-primária, cinco por cento das crianças têm problemas de excesso de flúor, no primeiro ciclo seis por cento e no segundo ciclo 28 por cento. Já as doenças periodontais, como a gengivite e o tártaro, registam um total de 28 por cento de todas as crianças rastreadas.
O primeiro passo para o nascimento do programa de Saúde Oral deu-se no início dos anos 90 quando Dulce Santos foi convidada para apresentar uma palestra no Hotel Praia Golf, em Espinho, no âmbito da medicina dentária. A ideia, que Dulce Santos já tinha há muito tempo, era promover um programa de saúde oral dirigido às crianças. Na altura, e segundo a ex-secretária da Associação Portuguesa de Saúde Oral, “uma série de circunstâncias felizes criaram um envolvimento propício para a continuação do programa de saúde oral”. Houve, desde logo, “um interesse pedagógico”, mas para a sua concretização, acrescenta Dulce Santos, era “necessária a colaboração de mais entidades”.
A exigência foi sendo cada vez maior e os “resultados foram sendo cada vez melhores”. Margarida Albuquerque concorda que o programa começou por “carolice”, mas que actualmente é algo muito bem organizado e que, para assegurar o seu funcionamento correcto, “o trabalho não pode ser feito sem a colaboração de todos”. A coordenadora do programa acredita que a maior colaboração dos pais era essencial, porque muitas vezes os educadores, “que são no fundo os maiores interessados, não aproveitam a oportunidade dada pelo programa” e faltam mesmo muitas das vezes às consultas marcadas para os filhos, não dando assim continuidade aos rastreios e aos próprios tratamentos.
* * *
Aqui e ali por carolice. Até quando ? Estamos em Portugal (país membro da União Europeia) mas, na saúde oral e especialmente no apoio a crianças e jovens, as coisas ainda surgem por carolice. Infelizmente.
Gerofil

domingo, 16 de dezembro de 2007

212) Pais desconhecem prejuízos dentais que medicamentos podem causar

Pesquisa mostra que grande parte dos responsáveis não realiza higiene bucal em seus filhos após o uso de fármacos e não consegue estabelecer claramente a relação de causa e efeito existente em tal associação. Muitos medicamentos líquidos pediátricos apresentam açúcares em sua composição a fim de mascarar o gosto desagradável de alguns ingredientes ativos. O gosto agradável, no entanto, acaba escondendo os danos que esses medicamentos podem causar à saúde bucal das crianças, uma vez que sua ingestão freqüente pode provocar cáries.
Levando em consideração que os pais atuam como responsáveis pela administração e cuidados relacionados ao uso de medicamentos infantis, Beatriz Neves e equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro resolveram avaliar as percepções e atitudes de responsáveis quanto aos potenciais cariogênico e erosivo de medicamentos líquidos pediátricos. Foram realizadas entrevistas sobre a associação do uso de medicamentos infantis com cárie e erosão dentária, bem como os cuidados com a higiene bucal após sua ingestão. De acordo com artigo publicado na edição de setembro/outubro de 2007 da revista Ciência & Saúde Coletiva, “em geral, os responsáveis desconhecem os açúcares adicionados a muitos alimentos ou bebidas, incluindo medicamentos líquidos infantis, e, quando reconhecem a existência do açúcar, não identificam o tipo utilizado para adoçar as formulações pediátricas, e nem mesmo a sua concentração, fatos que podem induzir comportamentos que contribuem para o desenvolvimento da doença cárie”.
(...)
Segundo os pesquisadores, “apesar dos responsáveis considerarem os medicamentos doces e relacionarem seu uso à presença de cárie e defeitos na estrutura dental, grande parte destes não realiza higiene bucal em seus filhos após o uso desses fármacos e não consegue estabelecer claramente a relação de causa e efeito existente em tal associação”. Dessa forma, os especialistas alertam para a importância de os profissionais de saúde orientarem os responsáveis em relação à presença de açúcar e ao baixo pH destas formulações infantis, levando-se em consideração a necessidade de administrá-las preferencialmente durante as refeições e antes da criança adormecer, e devendo ser seguida pela devida higienização da cavidade bucal.
“Considerando que a doença cárie é passível de prevenção, os médicos pediatras se encontram em condições ideais para alertar e transmitir aos pais e responsáveis informações e orientações sobre os riscos inerentes ao uso contínuo de medicamentos açucarados e o desenvolvimento de cárie dental, quando não existe adequada higiene bucal posterior”, destacam no artigo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

211) O papel da LBV (Legião da Boa Vontade) na saúde comunitária (III)


Educar para mudar

É uma questão que talvez poucos coloquem a si próprios. A Assistência Médica Internacional (AMI), por exemplo, só tem registo de um médico estomatologista que tenha participado em campanhas de voluntariado dentro daquele organismo e a associação "Médicos do Mundo" nem sequer tem nomes dentro deste espectro profissional.
Ainda assim, existem diversas actividades às quais dezenas de médicos dentistas acabam por aderir. Só que esta é uma realidade que não se verifica com frequência. «O Sistema Nacional de Saúde (SNS) ao não abarcar esta classe, obriga a que o médico dentista seja forçado a operar no sector privado e, por isso, ou ele está no consultório ou então não consegue rendimentos para vive», explica Jacinto Durães. O gestor do "Ambulatório da Saúde Oral", da Universidade Fernando Pessoa, reconhece que, «no geral, a cultura voluntária é fraca, comparada com o que acontece no estrangeiro». E até a solidariedade entre pares parece não existir. «Muitos pensavam que seríamos concorrentes», segreda, em relação a críticas que recebeu depois de lançar o projecto que coordena.
Cassiano Scapini explica que esta atitude dentro da própria classe é criada logo na Faculdade. «O ensino em Portugal está assente numa filosofia que não se baseia na prevenção. Cientificamente, sabe-se que o atendimento curativo não se traduz numa melhoria das necessidades. Só a prevenção. E, sendo esta uma questão de saúde pública, deve-se mudar a formação académica. Talvez, depois, tenhamos mais profissionais a participar em projectos de cariz social», opina o brasileiro, radicado em Portugal há 18 anos. «A Universidade tem que se abrir à comunidade», resume.
Apesar de reconhecer a importância do voluntariado, Cassiano Scapini considera que «a discussão é muito mais profunda. Temos que chamar, para dentro da comunidade, estas questões que têm a ver com a forma como as faculdades ensinam. Enquanto isso não acontecer, continuaremos a ter, somente, iniciativas pioneiras».

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

210) Saúde oral no Orçamento 2008 mas longe das necessidades

A saúde oral entrou pela primeira vez como prioridade assumida pelo Governo no relatório do Orçamento de Estado para 2008 (OE2008), mas ainda fica aquém das propostas elaboradas pelo grupo de trabalho nomeado por Correia de Campos para elaborar os caminhos de uma política para o sector.
Num país sem oferta pública de medicina dentária e onde cerca de metade da população não tem acesso a ela por manifesta falta de poder de compra, a inserção do tema no orçamento é recebida como positiva pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD). O relatório do OE2008 limita-se a adiantar a saúde oral como "domínio prioritário, especialmente focalizado na prevenção da doença de modo a que alguns segmentos da população, em particular crianças, grávidas e idosos com baixos rendimentos, possam ter dentes saudáveis".
Certo é que esta pequena declaração de intenções não acata todas as recomendações do grupo de trabalho, que Correia de Campos já tem na sua secretária desde Junho. Os peritos sugerem a oferta de cuidados a mais grupos, nomeadamente diabéticos.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

209) A importância do flúor

A idade ideal para iniciar as aplicações tópicas de flúor é por volta dos dois anos e meio a três anos de idade, no momento em que a criança está completando a dentição decídua. Essa aplicação deve ser realizada pelo odontopediatra.
Os pais das crianças sabem que uma dentição bonita é fundamental para o convívio em sociedade. O flúor é um dos agentes importantes na redução da cárie dentária que é uma doença infecto-contagiosa, associados a outros métodos de prevenção, tais como: a dieta equilibrada, a escovação, o fio dental, aplicação de selante, e muito importante à água fluoretada.
O fluoreto tem efeito preventivo de cárie não só em crianças, mas também nos adultos. As lesões cariosas podem ser paralisadas pela aplicação local de flúor, além de aumentar a tendência de remineralização de cáries iniciais. Os fluoretos fortalecem o esmalte e dentina, reduzindo a solubilidade dos mesmos em meio ácido; diminuem a capacidade de adesão aos dentes pelos microrganismos; e têm efeito antimicrobiano, reduzindo a capacidade da placa bacteriana para produzir ácido.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

208) Intervenção do Ministro da Saúde na sessão de encerramento do XVI Congresso dos Médicos Dentistas, em Lisboa

Intervenção de S. Ex.ª o Senhor Ministro da Saúde na sessão de encerramento do XVI Congresso dos Médicos Dentistas, realizado em Lisboa (23-11-2007)
* * *
Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Dr. Orlando Monteiro da Silva, Senhor Presidente da Comissão Científica, Dr. António Felino, Presidente da Comissão Organizadora, Dr. Marcus Veiga, Senhoras e Senhores Congressistas:
É com muita honra e satisfação que participo na sessão de encerramento do XVI Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas e na assinatura do Protocolo de Colaboração entre o Ministério da Saúde e a Ordem dos Médicos Dentistas no Centro de Congressos de Lisboa. Trata-se do principal acontecimento científico e social da Medicina Dentária e um dos principais eventos médicos realizados em Portugal, contando com a presença de profissionais e estudantes e sendo ponto de encontro entre os médicos dentistas estrangeiros e portugueses.
As principais linhas de actuação da política de saúde definidas no programa do XVII Governo Constitucional são a reforma dos cuidados de saúde primários, a reforma dos cuidados continuados a idosos e o reforço de sustentabilidade do SNS (Serviço Nacional de Saúde). São políticas assentes na promoção da saúde e na prevenção da doença mas também baseadas na proximidade entre o médico e o cidadão e na melhoria da acessibilidade aos cuidados de saúde.
Permitam-me que dirija a minha intervenção sobre o conteúdo do protocolo que vai ser hoje assinado com a Ordem dos Médicos Dentistas, no que se refere ao desenvolvimento do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, concretamente aos projectos «Saúde Oral na Grávida» e «Saúde Oral nas Pessoas Idosas», mantendo a colaboração com a Saúde Oral das Crianças.
No passado dia 6 de Novembro, durante a apresentação do Orçamento do Estado para 2008 ao Parlamento, o Governo anunciou novas metas e novos públicos-alvo na área da Saúde Oral. Elas enquadram-se num objectivo mais vasto, o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, que passo a anunciar:
O primeiro objectivo do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral consiste em alargar o acesso de grupos prioritários e vulneráveis a cuidados de medicina dentária, em especial as crianças, as grávidas e os idosos com baixos rendimentos. Alargar o acesso para todos estes grupos é o nosso primeiro objectivo.
O segundo objectivo do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral consiste em diminuir a incidência e a prevalência das doenças orais nestes grupos-alvo (crianças, grávidas e idosos) para que conhecimentos e comportamentos relacionados com a saúde oral sejam precocemente interiorizados e progressivamente assumidos ao longo do ciclo de vida. No que se refere às crianças, o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral vigente, apesar de já cobrir 60 000 crianças e jovens, encontra-se desajustado. Vamos rever e reestruturar, até ao final de 2008, o que está no terreno e avaliar os cuidados médicos-dentários contratualizados para as crianças, de forma a assegurar a prestação equitativa de cuidados de saúde oral com base em procedimentos simplificados e orientados para a satisfação das necessidades de saúde, garantindo o melhor acesso aos serviços e o alargamento progressivo até 80 000 crianças e jovens.
As mulheres grávidas representam um grupo populacional a merecer a atenção dos profissionais de saúde, uma vez que as alterações hormonais características deste período aumentam a frequência das doenças periodontais que, por sua vez, condicionam negativamente as práticas de higiene oral e favorecem o aumento da incidência e da gravidade da cárie dentária. O programa visa abranger 65 000 mulheres grávidas.
Finalmente, no que respeita aos idosos, o processo de envelhecimento contribui também para uma maior ocorrência de problemas de saúde oral, designadamente de periodonpatias e perda de peças dentárias, gerando uma maior necessidade de cuidados médicos dentários. O programa irá abranger até um total inicial de 90.000 pessoas idosas com menos rendimentos (abaixo de 360 euros).
O Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral visa atingir os seus objectivos através da contratualização. O programa assenta na execução de um conjunto de actividades de promoção, prevenção e tratamento das doenças orais, realizadas através da contratualização simplificada destes serviços, cuja avaliação tem demonstrado ganhos para a saúde da população abrangida.
Relativamente às crianças, o valor máximo dos serviços contratualizados por criança tratada, do grupo etário dos 3 aos 16 anos de idade, será de 75 euros. No que respeita às mulheres grávidas, foi definido que o valor máximo contratualizado para as consultas e tratamentos seja de 120 euros, distribuídos em três cheques-dentista.
Quanto aos idosos, o Governo participa financeiramente em 75% na despesa de aquisição e reparação de próteses dentárias removíveis, até ao limite de 250 euros, para as pessoas idosas beneficiárias do complemento solidário e que sejam utentes do Serviço Nacional de Saúde. Para estes utentes passam agora a estar cobertos os encargos com as consultas médicas necessárias à aplicação de próteses e suas posteriores afinações. O valor máximo das consultas e tratamentos contratualizados para os idosos será de 80 euros distribuídos em dois cheques-dentista por ano.
Em Portugal, de acordo com o Estudo Nacional de Prevalência da Cárie Dentária na População Escolarizada (2000), a cárie dentária apresenta na população infantil e juvenil um índice de gravidade moderada, isto é, o número de dentes cariados, perdidos e obturados (CPOd) por criança aos 12 anos de idade é de 2,95 e a percentagem de crianças livres de cárie dentária aos 6 anos é de 33%. Outro estudo da Organização Mundial da Saúde (1999) apresenta valores médios de dentes cariados, perdidos e obturados por criança de 1,5, com desvios acentuados entre grupos de diferentes níveis socioeconómicos.
Apesar de os valores terem vindo progressivamente a melhorar, estes dados reforçam a necessidade de manter o investimento nesta área, se queremos contribuir para a redução das desigualdades em saúde. A estratégia europeia e as metas definidas para a saúde oral, pela OMS (Organização Mundial da Saúde), apontam para que, no ano 2020, pelo menos 80% (e nós vamos apenas em 51%) das crianças com 6 anos estejam livres de cárie e, aos 12 anos, o número de dentes cariados, perdidos e obturados não ultrapasse o valor de 1,5.
A estratégia do Programa Nacional de Saúde Oral para 2008, acompanhada da vertente curativa para o tratamento da cárie, será decisiva para a resolução dos problemas dentários que afectam as crianças e jovens, as grávidas e as pessoas idosas. A Direcção-Geral da Saúde, com o apoio da OMS e da Ordem dos Médicos Dentistas, continuará a realizar estudos de prevalência das doenças orais para avaliar a prevalência da cárie dentária, da fluorose dentária e das doenças periodontais aos 6, 12 e 15 anos.
É importante avaliar sistematicamente a situação de Portugal em termos de comportamentos, em termos de hábitos de higiene oral e de alimentação. Mas não é suficiente. Um bom programa de saúde dental, para além de reduzir substancialmente a carga da doença dental a dezenas de milhares de crianças, mulheres grávidas e idosos, tem outra meta cuja importância merece ser destacada: a diminuição das desigualdades sociais na saúde oral.
Minhas senhoras e meus senhores,
Este protocolo que vai ser hoje assinado é um bom acordo e uma base para o relacionamento futuro entre a Ordem dos Médicos Dentistas, os médicos dentistas e o Ministério da Saúde. O Governo sente satisfação em poder contribuir através deste protocolo simplificado, desburocratizado e baseado na confiança entre os agentes e os prestadores, para dar uma resposta pronta e eficaz às necessidades dos cidadãos que ajude a assegurar e incentivar a promoção da saúde oral e a prevenção das doenças orais através do Serviço Nacional de Saúde.
Pretendemos que seja um método de acesso fácil, de livre adesão, com utilização da capacidade instalada. Nos concursos para o efeito da contratualização poderão candidatar-se através de um formulário electrónico, os estomatologistas e médicos dentistas inscritos nas respectivas ordens profissionais, a exercer em clínicas ou consultórios licenciados ou que possuam condições hígio-sanitárias e de segurança devidamente comprovadas para o exercício da actividade. A lista de médicos aderentes estará disponível nos sites do Ministério da Saúde (Portal da Saúde) e das Administrações Regionais de Saúde (ARS), de forma a facilitar o acesso e a livre escolha regional dos utentes. A facturação também seguirá um procedimento simplificado através da validação de cheques-dentista, que serão enviados pelo médico aderente à ARS respectiva, acompanhados da informação necessária, registada no sistema de informação.
O esforço que fizemos de responsabilidade orçamental para garantir a sustentabilidade do SNS permite-nos agora lançar este programa sem pôr em causa a qualidade dos cuidados de saúde. O Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral para 2008 é uma proposta inovadora do SNS, cumprindo boas contas, sem pôr em causa a qualidade dos cuidados de saúde. Esperamos tê-lo em prática ao longo do primeiro trimestre do próximo ano. Graças a uma gestão eficiente e rigorosa, que é essencial à sustentabilidade do SNS, vamos contribuir para aumentar a confiança dos cidadãos no Serviço Nacional de Saúde.
O papel da Ordem dos Médicos Dentistas é fundamental para credibilizar as orientações técnicas, a ética deontológica profissional e a validação dos dados dos utentes abrangidos pelo Programa. Mas também a melhoria da saúde oral das crianças, das grávidas e dos idosos passa pela divulgação do Programa na comunidade, por um maior envolvimento dos pais, da autarquia e dos parceiros institucionais que possam apoiar a promoção e a prevenção da saúde oral. Quero agradecer-vos o apoio que já concedesteis a esta iniciativa, a qual se insere na linha de boa cooperação pré-existente.
Estamos empenhados em melhorar, de forma sustentada, a saúde oral dos Portugueses, mantendo um sistema de saúde mais eficiente, mais justo, mais flexível e orientado para o cidadão.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

207) Dúvidas ...

Pergunta: Boa tarde; por acaso sabe-me dizer se à data de hoje saiu alguma circular do ministério que proíbe o uso de escovas dentárias nos jardins de infância por risco acrescido de contaminação (troca de escovas) ?
Resposta: Olá; não tenho conhecimento do facto. Sugiro que consulte o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, teclando aqui.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

206) Saúde: Dentistas querem programa de saúde oral alargado a mais de 400 mil crianças

A Ordem dos Médicos Dentistas defende que o programa de saúde oral deveria abranger entre 400 e 500 mil crianças, mas o Governo apenas prevê atingir 80 mil, o que representa apenas um quinto do pretendido. Em declarações à agência Lusa a propósito do Congresso dos Médicos Dentistas que começa quinta-feira em Lisboa, o bastonário Orlando Monteiro da Silva elogiou as medidas recentemente anunciadas pelo Executivo para promover a saúde oral dos portugueses, mas pediu um alargamento do universo de pessoas abrangidas.
As medidas foram anunciadas no início do mês pelo primeiro-ministro, que na Assembleia da República informou que "pela primeira vez desde sempre", o SNS passaria a integrar um Programa Nacional de Saúde Oral", que abrangeria crianças, idosos e grávidas.
No que respeita às crianças entre os sete e os 12 anos, existe actualmente um programa, que abrange 60 mil crianças e que o Governo vai estender a outras 20 mil. O programa é constituído por três fases: educação para a saúde oral (onde se ensina nomeadamente técnicas de escovagem dos dentes), prevenção de cáries e intervenção médico-dentária. Esta última fase prevê duas consultas em médicos dentistas, pelas quais o Estado paga 75 euros.
"Esse programa devia ser alargado, de modo a abranger entre 400 e 500 mil crianças", afirmou o bastonário, que durante o Congresso pedirá ainda ao ministro da Saúde que aumente a outros extractos da população os apoios para consultas de saúde oral. Além das crianças, as novas medidas dirigem-se aos idosos e às grávidas.
Cerca de 90 mil idosos vão beneficiar de dois cheques dentista por ano, enquanto no caso das grávidas, o médico de família do centro de saúde, ao identificar a gravidez, emite em computador um cheque para que a mulher faça um rastreio dentário e mais dois para eventuais tratamentos ao longo da gravidez. Os cheques dentista, que podem ser usados em clínicas privadas, vão ser distribuídos a 65 mil grávidas acompanhadas em centros de saúde.
Na sexta-feira, durante o Congresso dos Médicos Dentistas, o ministro da Saúde, Correia de Campos, deverá assinar um protocolo com a Ordem para definir estes programas. Na mesma ocasião deverão ser conhecidos os montantes atribuídos a estes cheques, que ainda não foram anunciados.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

205) Cerca de mil crianças integram programa de higiene gratuito

A Leandra e a Matilde, de apenas três anos, sentaram-se hoje, em Matosinhos, pela primeira vez na cadeira do dentista para "matar os bichinhos" que teimavam em percorrer-lhes os dentinhos, apesar do hábito de higiene oral que disseram manter. “Eu tenho três bichos nos dentes, porque como doces, mas poucochinhos", garantiu a pequena Leandra quando questionada sobre a razão da sua visita ao dentista. Sentada ao lado da amiga Matilde, assistia serenamente às consultas dos colegas, enquanto aguardava a sua vez.
Leandra, que assegurou lavar os dentes na escolinha e em casa, com "a ajuda da mamã", foi uma das cinco crianças que hoje inauguraram um programa de acompanhamento de saúde e higiene oral, promovido por uma clínica privada em colaboração com a Junta de Freguesia de Matosinhos. A iniciativa envolve um total de cerca de mil crianças de jardins infantis e escolas do primeiro ciclo, públicas e privadas, da freguesia de Matosinhos.
E foi assim que, também pela primeira vez, o André, de cinco anos, se deslocou ao dentista para tentar resolver um problema que já sabia existir. Segundo a mãe, a médica de família já tinha aconselhado a ida ao dentista, por ter detectado cáries nos dentes da criança – o que aliás foi hoje confirmado –, mas "a consulta pela caixa demorava um ano". "No meu centro de saúde não há dentista, tinha que ir a Leça", disse Sónia Soares. Perante esta dificuldade, decidiu aproveitar a oportunidade e aderir a esta iniciativa, que considera "uma maravilha" para quem, como ela, não tem posses económicas.
Este programa oferece gratuitamente conhecimentos de saúde oral e consultas de prevenção até aos 12 anos de idade. De segunda a quarta-feira cinco crianças vão ser assistidas por médicos dentistas na Clínica do Parque da Cidade, localizada em Matosinhos. Entre outros métodos de avaliação vão ser apreciados os riscos de cárie, índice e controle de placa bacteriana, ensinamentos de escovagem e alimentação, higiene oral e aplicação de flúor.
Em declarações à Lusa, o director clínico daquela unidade de saúde, José Maria Côrte-Real, explicou que pretende que esta iniciativa funcione como um complemento ao programa que o Governo irá desenvolver. O Ministério da Saúde prevê uma aposta no alargamento do programa de saúde oral às crianças entre os seis e os 12 anos, passando dos actuais 66 mil para 80 mil abrangidos.
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 50 por cento das crianças portuguesas sofrem de cáries dentárias. São dados que José Maria Côrte-Real conhece e considera preocupantes, razão pela qual resolveu avançar com a iniciativa que não tem qualquer custo, além do transporte, para as famílias. "Se as crianças não faltarem quando são convocadas e se cumprirem todo o programa garanto que, daqui a nove anos, 95 por cento deste grupo está livre de cáries", disse.
As crianças serão divididas por níveis, consoante a gravidade da situação. Haverá o grupo Médio, Alto e Baixo risco e a frequência das consultas depende do grupo a que pertencem. José Maria Côrte-Real salientou, contudo, que se trata de consultas de prevenção. "Todos os casos que necessitem de tratamento serão encaminhados para os respectivos centros de saúde para serem incluídas no programa que o Estado determinou", frisou.
* * *
Um exemplo que deve chegar a todas as autarquias do país.
Gerofil

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

204) A importância do aleitamento materno

O aleitamento materno contribui para a saúde biológica e emocional tanto da mãe quanto do filho. O leite humano é um alimento completo, resultante da combinação única de proteínas, hidratos de carbono, minerais, vitaminas e células vivas, cujos benefícios nutricionais, imunológicos, psicológicos e económicos são bem reconhecidos e inquestionáveis.
A maior parte da produção científica afirma que a introdução de chupeta é a principal causa de desmame precoce, actuando negativamente na oclusão dentária, nas estruturas moles e duras do sistema estomatognático, por fim, na saúde e, principalmente, na vida das crianças. O aleitamento materno é apontado como importante factor no desenvolvimento craniofacial adequado, permitindo óptimo exercício da musculatura orofacial, estimulando as funções de respiração e deglutição. É certo ainda que o uso de chupetas pode provocar desvio no crescimento dos maxilares, provocando “má oclusão” (mordida aberta anterior).

domingo, 11 de novembro de 2007

203) O papel da LBV (Legião da Boa Vontade) na saúde comunitária (IV)


Até dar é difícil

É caso da associação "Mundo a Sorrir", que engloba já mais de 240 médicos dentistas portugueses que, «do seu próprio bolso», participam em iniciativas de apoio e promoção da saúde oral no estrangeiro. «Existimos há dois anos e não temos capacidade para acolher todas as inscrições, por isso vamos alternando os voluntários», explica Manuel Fontes de Carvalho, presidente da Associação Dentária Lusófona (ADL) e também presidente da Mesa da Assembleia da "Mundo a Sorrir". Mas os contactos que tem encetado com outros países de língua oficial portuguesa levam-no a acreditar que era possível haver mais. «É consequência do mercado que temos», assume.
Estes, também, são outros tempos. Recentemente, numa entrevista à "Rádio Renascença", Fernando Nobre, presidente da AMI, confirmou que «ser solidário e arranjar voluntários, neste início de século, é cada vez mais difícil». Depois de 22 anos à frente da instituição, o médico constata que «esta sociedade é extremamente neo-liberal, que aposta, sobretudo, no estrato social».
Ao trabalhar com motivos altruístas, carimba-se um contrato de gratuitidade, é certo, mas também de obstáculos que, por vezes, revelam-se caricatos. «Na altura em que era bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, estive em Moçambique, em visita oficial, e depois da realidade precária que lá encontrei, decidi ajudar. Mas o material que consegui reunir em Portugal nunca chegou a partir por falta de organização da parte deles». Não é o único a queixar-se. «Cheguei a encontrar muito entraves em autarquias onde pretendíamos levar o Ambulatório», recorda Jacinto Durães, sem revelar casos concretos. «É preciso muita determinação» e, ao que tudo indica, bastante paciência. «Todos os anos, enviamos milhares de cartas para empresas e instituições a pedir qualquer contribuição que seja e a resposta que obtemos é quase sempre negativa».

terça-feira, 6 de novembro de 2007

202) Para grávidas e idosos: Governo vai dar «cheques-dentista»

O ministro da Saúde anunciou hoje que vão ser distribuídos «cheques-dentista» no programa de saúde oral para grávidas e idosos.Mas não revelou o seu valor por não estar ainda negociado com a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD). No total, e de acordo com os cálculos do ministro Correia de Campos para o próximo ano, o executivo prevê aumentar as verbas do programa de saúde oral de seis milhões para 21 milhões de euros, podendo os «cheques-dentista» ser utilizados em clínicas privadas.
O anúncio da ampliação dos cuidados do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que integrará pela primeira vez um programa nacional de saúde oral, foi anunciado pelo primeiro-ministro, José Sócrates, na abertura do debate do Orçamento de Estado de 2008, no Parlamento, e mais tarde explicada em conferência de imprensa por Correia de Campos. O anúncio da ampliação dos cuidados do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que integrará pela primeira vez um programa nacional de saúde oral, foi anunciado pelo primeiro-ministro, José Sócrates, na abertura do debate do Orçamento de Estado de 2008, no Parlamento, e mais tarde explicada em conferência de imprensa por Correia de Campos.
Questionado pelos jornalistas, o governante disse ser-lhe impossível avançar com os valores do «cheque-dentista» por não estarem ainda concluídas «as conversações» com a OMD. O ministro da Saúde explicou que as cerca de 65 mil grávidas, com gravidez acompanhada em Centros de Saúde, receberão, no total, três «cheques-dentista».
Os idosos com o Complemento Solidário podem receber dois «cheques-dentista» para poderem ser usados em tratamentos e próteses. Além disso, o ministro sublinhou que o Governo vai investir 42 milhões de euros em programas de cuidados de saúde, destinado a três grupos de risco-crianças, grávidas e idosos-e que só é possível por o Governo «ter conseguido pôr as contas públicas em ordem».
«Pela primeira vez desde sempre, o Serviço Nacional de Saúde passará a integrar um Programa Nacional de Saúde Oral. Em três vertentes: será alargada ao conjunto das crianças de 6 a 12 anos a intervenção de prevenção da cárie dentária, realizada nas escolas; será assegurada a cobertura de 65 mil grávidas; serão aumentados os apoios aos idosos beneficiários do Complemento Solidário na aplicação de próteses», anunciou o primeiro-ministro, José Sócrates, no discurso de abertura do primeiro dia de debate do OE2008 na Assembleia da República.
* * *
Finalmente aparece uma feliz notícia. Ficamos à espera que o Governo passe das promessas aos actos concretos.
Gerofil

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

201) Programa de Saúde Oral no Funchal arranca este ano e abrange 3.774 crianças: Vinte mil previnem cáries

O programa de Saúde Oral — da responsabilidade da Secretaria Regional dos Assuntos Sociais — vai abranger, a partir deste ano, o concelho do Funchal, único município que ainda não era coberto pela iniciativa. São três mil e 774 alunos de 183 turmas de pré-escolar que vão poder, a partir de agora, usufruir de cuidados de medicina dentária. A primeira fase, a arrancar já em Outubro, abrangerá apenas o pré-escolar mas a intenção é a de, posteriormente, levar o projecto ao 1.º ciclo.Estes dados foram disponibilizados ao JORNAL da MADEIRA, pela Secretaria Regional dos Assuntos Sociais.
O secretário regional, Francisco Jardim Ramos sublinhou a importância deste programa que passa a cobrir cerca de 20 mil alunos de todos os concelhos da Madeira. Destacou a importância da prevenção por forma a evitar que os futuros adultos venham a necessitar de colocar próteses ou fazer outros tratamentos que acabam por sair mais caros. Considerando que este é um programa de sucesso na Região, o titular da pasta dos Assuntos Sociais sublinhou ainda a colaboração prestada por alguns médicos dentistas da Madeira no sentido de fazer com que haja uma maior participação possível da parte das famílias, das escolas e dos alunos.
Segundo os dados disponibilizados ainda pelo secretário regional dos Assuntos Sociais, no ano lectivo de 2006/2007, 12 mil e 141 foram abrangidos. Por concelhos, na Calheta, o programa de saúde oral chegou a 959 alunos. Já na Ponta do Sol, 833 foram alvo da iniciativa num total de 9 escolas. Na Ribeira Brava e em Machico, 1.225 e 1.823, respectivamente, receberam cuidados de medicina dentária. Em Santa Cruz, foram 2.603, as crianças que foram alvo do programa. Já em Santana, 571 crianças mostraram a boca aos dentistas deste programa, assim como 449 em São Vicente. No Porto Moniz, foram 203, as crianças abrangidas, no Porto Santo, 408 e em Câmara de Lobos, 3.067.
Em Junho deste ano, na abertura da X Semana Sorridente, o recém-empossado secretário regional dos Assuntos Sociais traçou uma meta a atingir até 2010 no âmbito do programa de Saúde Oral. Francisco Jardim Ramos definiu que até aquela data, 50 por cento das crianças do ensino pré-primário e básico, deverão estar livres de cárie dentária. Na altura, o presidente da delegação regional da Ordem dos Médicos Dentistas, e membro do grupo de especialistas que integra o programa de Saúde Oral da Madeira admitiu que é possível atingir esta proposta feita pelo secretário regional dos Assuntos Sociais.
Gil Alves lembrou também a importância de se arrancar, o mais breve possível, com o programa de saúde oral no concelho do Funchal, único município que estava de fora e onde o programa não avançou mais cedo por falta de meios humanos.Gil Alves vê agora concretizado este anseio.
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Por alguma razão parece que os programas de saúde oral funcionam na Madeira; o mesmo não se pode dizer no Continente. Tendo como actividade principal ligada ao ensino básico e secundário, nunca vi plas escolas por onde passei (Portugal Continental) qualquer iniciativa de saúde oral. É mesmo de perguntar como são gastos cinco milhões de euros anualmente em programas de saúde oral em Portugal Continental ?
Gerofil

200) Sistema Nacional de Saúde entre os piores da Europa

Portugal cotou-se no 19.º lugar numa análise ao sistema de saúde mais amigo do consumidor entre 29 países europeus, segundo os resultados divulgados pelo Índice Europeu do Consumidor de Serviços de Saúde. Portugal obtém maus resultados nos tempos de espera em vários serviços públicos, na mortalidade por ataque cardíaco, nas operações às cataratas e nos cuidados dentários no sistema público.
O relatório sublinha que o sistema de saúde português «não é tão avançado como o de Espanha», mas valoriza os resultados positivos quanto à mortalidade infantil.
Todos os anos, A Health Consumer Powerhouse classifica os sistemas nacionais de saúde com base em cinco áreas: direitos e informação dos pacientes, tempos de espera, resultados dos cuidados de saúde, 'generosidade' do sistema e acesso a medicação. Os resultados do relatório desta organização vão de encontro às opiniões expressas ao Destak por Santos Cardoso, do Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde: «as listas de espera estão entre os principais problemas, constituindo uma verdadeira vergonha».
O Ministério da Saúde fez saber que concorda com o diagnóstico do estudo e que está a tratar das soluções.
Ranking dos sistemas de saúde europeus: 1.º Áustria (806 pontos) 2.º Holanda (794) 3.º França (786) 4.º Suíça (770) 5.º Alemanha (767) ... 19.º PORTUGAL (570)... 25.º Roménia (508) 26.º Lituânia (496) 27.º Polónia (447) 28.º Bulgária (445) 29.º Letónia (435).
Comentários:
-O que é de lamentar em Portugal (eu estou em França) é o preço que custa uma consulta num médico; a minha mulher nas férias aleijou-se num pé escorregou e partiu uma unha, fomos a um centro de enfermagem custou nos 60 euros entre o curativo e uma passagem obrigatória pelo medico pois recusaram a fazer o curativo sem ver o médico. Em França teve uma queimadura grave numa mão foi a um mesmo centro de enfermagem a consulta no médico e o curativo custou 30 Euros, sem falar do facto que mesmo estes 30 euros serão reembolsados pela segurança social.
O que eu acho vergonhoso é que em Portugal não é que não reembolsem, porque no hospital seria mais barato, o problema é que um médico em Portugal leva mais de o dobro por uma consulta que em França. Mesmo sendo caros conheço alguns que são mal educados e vigaristas, pois fazem tudo por tudo para tirarem as pessoas do sistema de saude do estado e fazem as pessoas fazer analises e exames no privado, pois esquecem de dizer que certas pessoas que estas são prioritárias em certos casos e não tem de esperar, mas claro se não enviarem para os seus amigos não recebem comissões.
-Todos nós sabemos que na Saúde há muitos profissionais excelentes. Mas infelizmente também sabemos que alguns que precisam de serem "abanados" e, em último caso convidá-los a mudar de emprego. A cotação atribuída ao nosso país envergonha-nos. Mas há que perante esta triste realidade se encabrite corporativamente e grite que temos o melhor sistema de saúde do mundo. Claro que com tal cegueira o sistema nunca mais melhoraria.
O que nos vale é que na Saúde também há muitos profissionais que não aceitam baixar os braços e tudo fazem para prestar à colectividade cuidados de saúde de excelência. A esses é devido o nosso reconhecimento público!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

199) Estudo em Saúde Oral - Crianças da Terceira com problemas gengivais

A ilha Terceira apresenta o maior índice regional de problemas gengivais em crianças com idade de 12 anos, revela um estudo regional sobre a prevalência de doenças orais na população escolar. Cerca de cinquenta por cento das crianças estudadas, na ilha, apresentam problemas periodontais (gengivais).
Este problema deve-se essencialmente à falta de cuidados de saúde oral ou uma má escovagem dos dentes, explicou o coordenador do estudo, ao nosso jornal. Ricardo Viveiros Cabral, o coordenador do Programa de Promoção de Saúde Oral do Açores, assegura que esta dificuldade será ultrapassada com um trabalho intensivo na promoção da higiene oral junto das crianças em idade escolar. Os indicadores científicos de comparação entre regiões - o índice de cárie dentária em crianças de 12 anos e a percentagem de crianças isentas de cáries na dentição mista (6 anos) – demonstram que a região está evoluir muito rapidamente em matéria de saúde oral.
O especialista em medicina dentária garante que a região em cinco anos (de 2000 a 2005) apresentou "ganhos em saúde consideráveis", registando uma substancial redução da prevalência da cárie dentária, com uma diminuição do índice CPO (cariados, perdidos e obturados) de 4.5 (dentes afectados) para 2.1. “Apesar de ainda estar longe das metas definidas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para 2020, que é de 1.5, os ganhos conseguidos na região são um exemplo nacional”, esclarece Ricardo Viveiros Cabral.
Em relação ao segundo indicador, a percentagem de crianças isentas de cárie, a região, em cinco anos, passou de 30,8% para 37,3%. A meta da OMS é de 80 por cento. A evolução destes índices aumenta com a idade, explica, lembrando que estamos “longe do desejado”, mas que, neste momento, estamos muito perto da média nacional. Houve, segundo Ricardo Viveiros Cabral, uma evolução muito positiva desde a implementação do Programa de Saúde Oral na região e com o aumento de profissionais nas ilhas.
O dentista lembrou que a Região Autónoma dos Açores é a única do país que disponibiliza medicina dentária pública, através de um programa regional com medidas inovadoras ao nível do país. Os centros de saúde dos Açores, à excepção do da ilha do Faial, já asseguram uma média de 27 mil consultas de saúde oral por ano, revelou, alegando “que a próxima meta são 30 mil consultas”.
O especialista reconhece que "ainda há muito a fazer nestas áreas”, mas lembra que a região "partiu da cauda profunda". “Em 2002 os Açores tinham três profissionais na Sistema Regional de Saúde, neste momento são 16 nos quadros e quatro contratados”.
Ricardo Viveiros Cabral recorda a implementação de novas medidas, como o Boletim Individual de Saúde Oral, que é disponibilizado às crianças das nove ilhas e que permite registar toda a informação e historial clínico do seu portador. Este boletim, que pode ser solicitado gratuitamente nos centros de saúde das nove ilhas, constitui mais um contributo para a saúde oral dos açorianos, no âmbito do programa em curso.
A evolução da região em matéria de saúde oral “é reconhecida e elogiada pela comunidade científica e o programa regional será tido como exemplo para o futuro programa nacional” de Saúde Oral. A Ordem dos Médicos Dentistas estima que cerca de 50% da população portuguesa não tem capacidade para pagar uma consulta na medicina dentária privada e defende a implementação do sistema dos Açores em todo o país.“Enquanto não houver médicos dentistas nos centros de saúde ou sistemas de concessão, as pessoas estarão excluídas da saúde oral", afirmou recentemente à agência Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva. A Ordem tem pugnado para que haja dentistas nos centros de saúde e hospitais portugueses ou para que se criem sistemas de convenção com os privados.
O exemplo dos Açores é várias vezes referenciado pela Ordem e pelos especialistas nacionais. Ricardo Viveiros Cabral espera que o investimento regional seja reforçado, nesta área, no sentido de evitar uma regressão na saúde. “Uma pessoa sem saúde oral, não está de perfeita saúde” – lembra.
O estudo regional sobre a prevalência de doenças orais na população escolar, que deverá ser publicado brevemente pela secretaria regional dos Assuntos Sociais, revela ainda que as ilhas com maior índice de cárie dentárias são as do Grupo Ocidental e que Vila do Porto (Santa Maria) tem a maior percentagem de dentes selados. Os dados revelados, referentes a 2005 e 2006, apontam ainda para um elevado número de crianças com traumatismos dentários (dentes fracturados) na ilha do Faial. Deficiências nos edifícios escolares podem estar a contribuir para esta situação, uma vez que é no início do ano lectivo que se regista o maior número de problemas.
O Pico e S. Miguel apresentam os maiores índices de fluorose dentária, uma alteração que ocorre devido ao excesso de ingestão de flúor, durante a formação dos dentes (provoca manchas nos dentes).

domingo, 21 de outubro de 2007

197) Sorria no Porto Canal

O Porto Canal, que iniciou as suas emissões no dia 29 de Setembro de 2006, apresenta, agora, uma grelha com 18 horas diárias de transmissão televisiva (das 10h às 4h). A programação contempla uma forte aposta na informação de interesse específico para os 14 concelhos que integram o Grande Porto, contando com a colaboração de empresas, autarquias e outras entidades desta área metropolitana, nomeadamente, a Universidade do Porto.
O Porto Canal está a apostar em novos programas. O Sorria, assim se chama o magazine informativo, consta na nova grelha de programação. Trata-se de uma rubrica da autoria do médico dentista João Espírito Santo, sobre saúde oral, e vai para o ar todos os domingos e quartas-feiras, às 12h45.
«Quem trata dos nossos dentes? Os tratamentos mais caros serão os melhores?» Estas e outras questões são abordadas no programa Sorria, garante o autor do formato, João Espírito Santo. Esta estação metropolitana de televisão é sintonizável no canal 13 do pacote digital e no 39 do pacote analógico da TV Cabo Portugal.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

196) O papel da LBV (Legião da Boa Vontade) na saúde comunitária (V)


Descoordenação nacional

Outro dos problemas apontados resume-se numa palavra: descoordenação. A saúde dentária tem sido maltratada em Portugal e embora muitos responsáveis reconheçam melhorias, «ainda há um longo trabalho pela frente», como não esquece Manuel Fontes de Carvalho.
Em matéria de trabalho de campo, o país vive num limbo, pautando-se pelas iniciativas locais, as quais pecam por serem esporádicas e sem perspectivas de longo prazo. «É necessário concertar o trabalho feito por todos para que não haja sobreposição de actividades», começa por sugerir Manuel Fontes de Carvalho. «Lá fora, o voluntariado está sedeado em instituições onde as pessoas se dirigem para prestar ajuda. Em Itália, por exemplo, existem duas organizações dentárias, em Espanha há um grupo que está, neste momento, em África. Em Portugal, está tudo disperso», desabafa o presidente da ADL, que admite chegar a incorrer nesse erro quando, por iniciativa própria, e sem nenhum plano nacional perfeitamente estruturado, monta, juntamente com os seus alunos, um consultório «no meio da rua, para ensinar a população algumas regras básicas de saúde dentária».
Embora seja uma iniciativa «louvável», frisa, «não produz efeitos a longo prazo». Pode-se, então, afirmar que o panorama da saúde oral, em Portugal, é o resultado de décadas sem educação cadenciada. «Só poderemos ultrapassar estes problemas se tivermos um plano a nível nacional. O que o Governo implementa no terreno [Programa de Promoção de Saúde Oral nos Adolescentes] tem sido importante e dará os seus resultados», garante o ex-bastonário, mas não chega e, até nas palavras de Cassiano Scapini, «não produz efeitos visíveis».
Ainda que reconhecendo a falta de organização existente no trabalho de intervenção comunitária, o presidente da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária (SPEMD) acredita que esta é, também, a explicação para a falta de números a nível nacional. «Há muito mais voluntários do que pensamos, mas como não estão registados, não temos maneira de os contabilizar. Essa é, aliás, uma das características do voluntariado: a ausência de promoção pessoal».
Além das iniciativas conhecidas do público, os responsáveis acreditam que «um número incontável de médicos dentistas» são voluntários dentro do seu consultório. «Por vezes, o que acontece é que uma escola contacta determinada clínica para ajudar em certos casos ou fazer uma campanha. Há, ainda, faculdades que percorrem uma região em trabalho de prevenção mas, depois, já não voltam lá. Acaba tudo por ser resultado de um impulso imediato», atira Manuel Fontes de Carvalho.
A solução, sugere o presidente da ADL, é que seja o Ministério da Saúde a liderar este trabalho, porque, avisa, «estamos a gastar dinheiro e não temos depois resultados a longo prazo, nem dados epidemiológicos concretos». O cerne do problema mantém-se. «Existem projectos vastos que precisam muito de voluntariado e ainda não sentimos que haja uma grande disponibilidade por parte das pessoas», frisa Manuel Fontes de Carvalho.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

195) ESPANHA: Dentistas grátis para crianças entre os 7 e os 8 anos em 2008; vacina gratuita contra o cancro do colo do útero

As crianças com idades entre os 7 e os 8 anos a viver em Espanha vão passar a ter consultas dentárias gratuitas a partir de 2008, no âmbito de um programa negociado pelo governo central e comunidades autónomas. O plano foi já aprovado pelo Conselho Inter-territorial de Saúde que aprovou ainda a inclusão da vacina contra o papiloma humano, para prevenir o cancro do colo do útero, no calendário de vacinas gratuitas.
Bernat Soria, ministro da Saúde e Consumo, explicou aos jornalistas que até 2012 o acesso gratuito ao dentista será progressivamente alargado a todas as crianças até aos 15 anos. O plano de saúde dental inclui revisões periódicas nos dentistas, instruções sobre dieta e saúde da boca, aplicação de flúor tópico, avaliação das cáries e emplastres, entre outros aspectos.
No que toca à vacina do cancro do útero, caberá a cada região autónoma determinar a idade em que começará a ser ministrado e decidir quando arranca o programa, que terá que estar universalizado até 2010.
Os custos das iniciativas serão divididos em partes iguais pelos orçamentos geral de Estado e de cada uma das comunidades autónomas.
RTP
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Espera-se igual iniciativa para Portugal também já a parir de Janeiro de 2008; vamos aguardar pela apresentação do Orçamento Geral do Estado. Desta vez as expectativas são grandes e espera-se finalmente que o governo tome a iniciativa; afinal, somos tão europeus como Espanha.
Gerofil

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

194) OUTUBRO: "Mês da Saúde Oral"

A oitava edição do “Mês da Saúde Oral” decorre neste mês (Outubro), possibilitando a realização de rastreios dentários gratuitos à população. Para obter mais informações sobre o consultório mais próximo da área de residência e marcar a respectiva consulta, basta ligar para o número de telefone 808 205 206, linha Azul, disponível entre as 09h00 e as 23h00.
Gerofil

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

193) Metade dos portugueses não pode pagar dentista; profissionais começam a procurar trabalho fora

Cerca de metade da população portuguesa não tem capacidade para pagar uma consulta de medicina dentária, o que prejudica a saúde oral e está a levar os dentistas a procurarem outros países para exercer a profissão. “Estimamos que cerca de 50 por cento da população portuguesa não tenha capacidade para pagar sequer uma consulta na medicina dentária privada. Enquanto não houver médicos dentistas nos centros de saúde ou sistemas de concessão, as pessoas estarão excluídas da saúde oral", afirmou em entrevista à agência Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva.
A Ordem tem pugnado para que haja dentistas nos centros de saúde e hospitais portugueses ou para que se criem sistemas de convenção com os privados. Orlando Monteiro da Silva citou um estudo realizado pela Universidade de Liverpool, onde Portugal figura com "o cenário mais negro na Europa" nos cuidados de saúde oral.
E é em grande parte o facto de não existir oferta por parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ao nível da medicina dentária que também está a criar um excesso destes profissionais no país e a Ordem lamenta a "ausência de planeamento de recursos humanos". "Se a população portuguesa passasse a ter toda acesso aos cuidados de saúde oral, os médicos dentistas provavelmente mão chegariam", estimou Orlando Monteiro da Silva. Mas como isto não se verifica, os dentistas portugueses estão a procurar outros países: "Estamos a exportar recursos humanos para países deficitários, como a Inglaterra e a Holanda, porque nos países nórdicos a profissão deixou de ser atractiva". Portugal e Polónia são os países que mais contribuem para os serviços de saúde oral do SNS inglês, por exemplo.
As estimativas da Ordem indicam que dentro de três anos, em 2010, haverá um dentista por cada 1.180 habitantes em Portugal. Em comparação, Espanha terá um profissional por cada 2.667 habitantes, a Holanda um para cada 2.118 habitantes e o Reino Unido um por cada 2.105 cidadãos. As projecções do número de médicos dentistas para os próximos anos revelam "um descontrolo por excesso de formação de licenciados". "O resultado será inevitavelmente o do aumento do desemprego e sub-emprego na classe", refere a Ordem.
Em Portugal, apenas as regiões autónomas têm sistemas de saúde oral a servir os utentes do SNS. Nos Açores há 19 médicos dentistas no sistema público regional de saúde e a Ordem prevê que, em alguns anos, os Açores tenham os melhores indicadores de saúde oral. Já na Madeira, há uma convenção entre o serviço regional de saúde e os privados, em que o sistema público reembolsa em parte o custo dos utentes que recorrem a dentistas privados.
RTP
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Este BLOG existe exactamente para alertar a comunidade nacional e a comunidade internacional sobre a política de saúde oral seguida em Portugal por todos os governos desde o 25 de Abril de 1974. Peço e solicito que façam chegar este apelo a todos os organismos da área da saúde existentes em Portugal e, no caso de se encontrar no estrangeiro, faça chegar a sua voz de revolta junto de todos os organismos internacionais onde Portugal esteja representado, denunciando a violação dos direitos fundamentais da população portuguesa nos acessos a cuidados de saúde oral dentro do país.
Agradeço também a ajuda que possam dar para a tradução deste BLOG para a Língua Inglesa, possibilitando uma maior devulgação e denúncia internacional sobre o que se passa na área da saúde oral em Portugal.
Gerofil

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

192) Obrigação de indemnização

CÓDIGO CIVIL
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Art. 562.º (Princípio geral) - Quem estiver obrigado a reparar um dano deve reconstituir a situação que existiria, se não se tivesse verificado o evento que obriga à reparação.
Art. 563.º (Nexo de causalidade) - A obrigação de indemnização só existe em relação aos danos que o lesado provavelmente não teria sofrido se não fosse a lesão.
Art. 564.º (Cálculo da indemnização) - 1. O dever de indemnizar compreende não só o prejuízo causado, como os benefícios que o lesado deixou de obter em consequência da lesão.
2. Na fixação da indemnização pode o tribunal atender aos danos futuros, desde que sejam previsíveis; se não forem determináveis, a fixação da indemnização correspondente será remetida para decisão ulterior.
Art. 565.º (Indemnização provisória) - Devendo a indemnização ser fixada em execução de sentença, pode o tribunal condenar desde logo o devedor no pagamento de uma indemnização, dentro do quantitativo que considere já provado.
Art. 566.º (Indemnização em dinheiro) - 1. A indemnização é fixada em dinheiro, sempre que a reconstituição natural não seja possível, não repare integralmente os danos ou seja excessivamente onerosa para o devedor.
2. Sem prejuízo do preceituado noutras disposições, a indemnização em dinheiro tem como medida a diferença entre a situação patrimonial do lesado, na data mais recente que puder ser atendida pelo tribunal, e a que teria nessa data se não existissem danos.
3. Se não puder ser averiguado o valor exacto dos danos, o tribunal julgará equitativamente dentro dos limites que tiver por provados.