sábado, 1 de setembro de 2007

187) PROJECTO DE LEI N.º 154/IX

PROJECTO DE LEI N.º 154/IX
Discussão na Assembleia da Republica

22 de Fevereiro de 2006
* * *
O Sr. Presidente: — Vamos dar início à discussão conjunta, na generalidade, dos projectos de lei n.os 86/X - Consagra a integração da medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde e a carreira dos médicos dentistas (BE) e 195/X — Inclusão dos médicos dentistas na carreira dos técnicos superiores de saúde (CDS-PP).
Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Ana Drago.

A Sr.ª Ana Drago (BE): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Sabemos que a situação de saúde oral da população portuguesa é preocupante. A OMS tem vindo a referir Portugal como um dos piores países no quadro da União Europeia em termos de acesso a cuidados de saúde e tratamento de saúde oral. Os sucessivos inquéritos e estatísticas têm mostrado números preocupantes.
Cerca de 60% dos cidadãos portugueses não têm acesso a cuidados nem a tratamento no âmbito da saúde oral por razões estritamente económicas. Ou seja, o seu orçamento familiar não lhes permite aceder a tratamento, mais de 70% dos hospitais públicos, em Portugal, não disponibilizam o acesso a médicos dentistas e o mesmo acontece com 90% dos centros de saúde. Aliás, num último inquérito feito pela Ordem dos Médicos Dentistas, ficámos a saber que apenas um centro de saúde, dos 340 existentes, é que disponibiliza aos seus utentes, da sua área de residência, uma urgência o âmbito da medicina dentária.
Portanto, esta é a situação que temos. Os técnicos que conhecem a situação e têm reflectido sobre estas matérias costumam dizer que a situação da população portuguesa é dramática – o termo é deles, penso mesmo que foi usado pelo próprio Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas – e o acesso ao tratamento no âmbito da saúde oral é geralmente definido como um luxo. Não são apenas os técnicos que o dizem, qualquer pessoa, na rua, poderá dizer o mesmo a um dos Srs. Deputados.Ora, esta situação de profunda desigualdade social no acesso a cuidados de saúde que são essenciais e esta situação de profunda carência da população portuguesa constituem o resultado da política que tem sido seguida em termos de saúde oral nos últimos 25 anos, no âmbito da estruturação do Serviço Nacional de Saúde. Podemos mesmo dizer que a desigualdade social e a profunda carência da população portuguesa são o resultado de uma política de contratualização com privados e com baixíssimas comparticipações por parte do Serviço Nacional de Saúde, o que mostra o exacto falhanço deste género de orientação política.
É verdade que, quando começou a construir-se o Serviço Nacional de Saúde em Portugal, em 1979, este era um processo de construção difícil, alargado, que pretendia melhorar os níveis de saúde da população em geral, e, portanto, havia falhas. Ora, foi nesse exacto sentido, de colmatar essas falhas, que se admitiu a ideia de uma contratualização com privados para permitir o acesso a alguns cuidados que os serviços de saúde pública não podiam prestar, num momento em que ainda se estava a estruturar o Serviço Nacional de Saúde.
Hoje, estamos perante uma estranha equação: continuamos com uma população manifestamente carenciada no que toca aos cuidados de tratamento e de prevenção no âmbito da saúde oral e, contudo, temos um número alargado e mais do que suficiente de médicos dentistas formados, aliás, com uma formação que pode ser entendida como de referência no quadro da União Europeia, visto que se trata de uma formação alongada, de 6 anos. Esta Câmara tem de decidir – o Partido Socialista, em particular – e fazer algumas escolhas centrais no que toca a esta situação.Em primeiro lugar, a Câmara – o Partido Socialista e os demais Srs. Deputados – tem de decidir se a saúde oral é ou não um elemento central da saúde global dos indivíduos e dos cidadãos portugueses e se é, portanto, uma prioridade do Governo do Partido Socialista. Em segundo lugar, se a resposta à primeira questão for positiva, se considerarem que, com certeza, este é um elemento central na saúde dos portugueses, então há que decidir qual é o caminho político a escolher: integrar a medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde ou continuar uma política que tem sido desastrosa em termos dos níveis e da qualidade de vida dos portugueses, uma política de contratualização com privados, que é dificilmente explicável, porque todas as especialidades que temos tendem a estar integradas no SNS (elas servem mesmo de referência para as práticas que se fazem no privado), além de que sempre entendemos que é o SNS que deve prestar os melhores cuidados de saúde à população portuguesa.Pergunto se o Governo do PS, pelo contrário, talvez interpretando de forma mais aberta as palavras do Sr. Ministro da Saúde proferidas na anterior sexta-feira, entende que todas as especialidades podem ser prestadas aos portugueses com contratualização de privados e, portanto, pura e simplesmente, pretende desarticular e desestruturar a construção que foi o Serviço Nacional de Saúde nos últimos 25 anos. A escolha do Bloco de Esquerda é muito clara: entendemos que devemos integrar no SNS os médicos dentistas, estruturar uma carreira, fazer essa discussão no âmbito desta Assembleia, criando, provavelmente, um grupo de trabalho que permita articular os Deputados das Comissões de Trabalho e de Saúde, chamando as pessoas que estão a trabalhar nesta matéria.Sabemos que a estruturação de uma carreira médica é sempre um processo complexo. Estamos dispostos a fazê-lo, é fundamental integrar nos quadros dos estabelecimentos públicos de saúde os médicos dentistas de modo a que, em três anos, possamos verdadeiramente responder às nossas responsabilidades, ou seja, garantir a todos os cidadãos o acesso a cuidados de saúde de base — não estamos a falar de tratamentos de cosmética mas, sim, de problemas de saúde basilares —, …
Vozes do BE: —
Exactamente!
A Oradora: — … e permitir políticas orientadas para os grupos mais carenciados: idosos, toxicodependentes e reclusos. É tão simples quanto isto! É isto que o Bloco de Esquerda propõe nesta Assembleia, porque só assim conseguiremos ter níveis decentes de saúde oral em Portugal e só assim teremos verdadeiramente uma política democrática de acesso à saúde.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente:
Para pedir esclarecimentos, tem a palavra a Sr.ª Deputada Marisa Costa.
A Sr.ª Marisa Costa (PS): —
Sr. Presidente, Sr.ª Deputada Ana Drago, o Partido Socialista considera este debate sobre a saúde oral da maior importância. Por isso entendemos que esta questão deve enquadrar-se no processo já em curso de reorganização geral das equipas funcionais com intervenção na comunidade, como, aliás, consta do Documento do Grupo Técnico para a Reforma dos Cuidados Primários, de 15 de Julho de 2005, onde se prevê, entre outras medidas: «Incluir no processo de reconfiguração dos centros de saúde, desde o seu início, a organização de equipas funcionais multidisciplinares responsáveis por programas e projectos de intervenção na comunidade (por exemplo, cuidados continuados e paliativos, projectos com forte componente de apoio psíquico-social, saúde escolar, saúde oral, saúde ocupacional (…), entre outros». Colocamos, assim, à consideração de VV. Ex.as se acham conveniente, oportuno e adequado a criação de uma carreira de médicos dentistas no actual contexto de reorganização dos serviços de saúde.
Por outro lado, o Partido Socialista defende e tem sido defensor do Serviço Nacional de Saúde, pelo que o caminho aqui proposto pelo Bloco de Esquerda suscita algumas dúvidas para as quais gostávamos de obter respostas. Determinou e quantificou o Bloco de Esquerda os custos inerentes à implementação das propostas constantes do projecto de lei que hoje apresenta, designadamente, a integração da medicina dentária em todas as instituições do SNS, a criação da carreira de médico dentista e as comparticipações dos beneficiários do SNS de acordo com a tabela da ADSE?
Vozes do PS: —
Muito bem!
A Oradora: —
Em caso afirmativo, considera o Bloco de Esquerda que os custos inerentes à implementação destas propostas são comportáveis no orçamento existente para a área da saúde, ou em que áreas sugere o Bloco de Esquerda que se procedam a cortes para viabilizar as propostas que hoje apresenta?
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: —
Para responder, tem a palavra a Sr.ª Deputada Ana Drago.
A Sr.ª Ana Drago (BE): —
Sr. Presidente, Sr.ª Deputada Marisa Costa, sobre a questão dos custos, deixe-me dar-lhe alguns números que, provavelmente, ajudam a esclarecer um pouco o debate.
A DECO fez um estudo e um inquérito alargado, perguntando aos portugueses quais eram os custos que, em geral, despendiam no acesso a cuidados de saúde oral, nos tais 98% de consultórios privados que existem em Portugal, e consultou essas clínicas privadas, tentando perceber exactamente quanto custa para uma família aceder a cuidados no âmbito da saúde oral. Deixe-me dizer-lhe alguns valores que, em média, são pagos nos consultórios dentários: um checkup custa entre 42 € e 55 €; uma obturação entre 51 € e 70 €; a extracção de um dente entre 44€ e 62 €; umadesvitalização custa 150 €; uma prótese ou uma dentadura entre 483 € e 717 €. São estes os custos para os portugueses.
A Sr.ª Deputada acaba de responder à pergunta que coloquei, ou seja, a Sr.ª Deputada não vê a saúde oral como um elemento central da saúde global do indivíduo e, portanto, não considera que seja uma prioridade. Pensa, portanto, que um investimento a longo prazo que possa dotar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) dos recursos humanos que temos, e bem formados, e de equipamentos que venham a ser adquiridos e que possam ser rentabilizados ao longo do tempo deve ser abandonado em favor de uma política decontratualização com privados ou, por exemplo, em favor de uma política em que, pura e simplesmente, nenhum tipo de cuidados de saúde oral é prestado aos portugueses? Devo depreender isso?
A Sr.ª Helena Terra (PS): —
Responda a Sr.ª Deputada à pergunta!
A Oradora: —
A Sr.ª Deputada disse que este não é o momento para o que propomos, devendo ser feitos cortes noutros sectores. Deixe-me lembrar-lhe, contudo, que um responsável do Partido Socialista, para mais governante, disse que se hoje em dia a carreira de medicina dentária não está integrada no Serviço Nacional de Saúde se deve ao facto de «haver pressão financeira e de nunca se considerar a saúde oral uma grande prioridade». Disse ainda o mesmo governante, num tom descontraído, segundo a notícia, ter toda a disponibilidade para avançar com os serviços de saúde dentária nos principais hospitais centrais do País. Estas afirmações foram proferidas pelo Ministro Correia de Campos, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Helena Terra (PS): —
Quando?
A Oradora: —
Em 28 de Novembro de 2005! Pedirei aos serviços que lhe entreguem uma fotocópia, Sr.ª Deputada. Como tal, ou o Ministro Correia de Campos diz que isto não é praticável com o que vai ocorrer no âmbito da política de saúde do Governo, ou o Grupo Parlamentar do Partido Socialista tem uma posição divergente da do Governo. Uma outra possibilidade é que fique tudo na mesma, em «águas de bacalhau».O que é fundamental perceber é se os senhores encaram a saúde oral como uma prioridade ou não, ...
A Sr.ª Helena Terra (PS): —
Já foi dito, Sr.ª Deputada!
A Oradora: —
… porque o Plano Nacional de Saúde entende-a como tal. Está lá escrito de uma forma consensual, dizendo-se o seguinte: «Serão abertos aos médicos dentistas os quadros dos Hospitais do Serviço Nacional de Saúde.» É este ponto, que consta da pág. 81 do Plano Nacional de Saúde, que continua por cumprir, e é apenas isto que o Bloco de Esquerda vem hoje propor a esta Assembleia.
O que é fundamental é que o Partido Socialista assuma as suas responsabilidades e diga aos portugueses que, se querem ter saúde oral, continuarão a pagar nas clínicas privadas os preços que enunciei, apesar de as universidades públicas portuguesas formarem médicos dentistas e apesar de o Serviço Nacional de Saúde incluir esta área da medicina nas suas competências.
É um facto que a saúde é cara, mas a apresentação de soluções é da nossa responsabilidade. Os portugueses contribuem para o Serviço Nacional de Saúde pagando os seus impostos, e pagam do seu bolso aquilo que é um direito seu!
Aplausos do BE.
A Sr.ª Helena Terra (PS): —
E a resposta à pergunta, Sr.ª Deputada?
O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Teresa Caeiro.
A Sr.ª Teresa Caeiro (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Ao apresentar o projecto de lei em discussão, o CDS-PP teve em atenção três realidades dentro das quais delineou o que propõe. Em primeiro lugar, a preocupante situação da saúde oral em Portugal, que se encontra, como todos sabemos, entre as piores da União Europeia no que respeita ao acesso a este tipo de cuidados de saúde.Por outro lado, tivemos em atenção instrumentos tão importantes como as recomendações da Organização Mundial da Saúde e a Lei de Bases da Saúde, que determinam o dever do Estado na promoção e garantia do acesso de todos os cidadãos aos cuidados de saúde, nomeadamente os de saúde oral. Há sensivelmente um ano, em Janeiro de 2005, ainda no decurso do governo de coligação PSD/CDS-PP, foi aprovado e apresentado o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, que constituiu um passo significativo na abordagem desta questão, tornando-a uma prioridade e revelando a sensibilidade da tutela de então relativamente a esta grave falha.
Vozes do CDS-PP:Bem lembrado!
A Oradora:Por outro lado, tivemos em atenção um estudo levado a cabo pela Ordem dos Médicos Dentistas em Novembro de 2005 — muito recentemente, portanto —, que concluiu que 72% dos hospitais e 93% dos centros de saúde não prestam este serviço aos utentes. Esta ausência é dramática, desde logo pela falta dos cuidados de saúde prestados, sendo, por outro lado, geradora de uma grande injustiça social, por fazer com que as pessoas com menos recursos sejam impedidas de ter este tipo de cuidados.
Mas há mais, visto que se regista uma clara degradação face aos números de há quatro anos atrás. A explicação para esta regressão na prestação pelo SNS de cuidados de saúde oral leva-nos à segunda realidade na qual assenta o nosso projecto, ou seja, o esvaziamento de estomatologistas que se tem vindo a verificar no Serviço Nacional de Saúde. Na sequência do encerramento desta especialidade no curso de medicina, o número de estomatologistas tem vindo, natural e progressivamente, a decrescer nos hospitais e nos centros de saúde, pelo que desde logo lamentamos que a lei não tenha acautelado a sua substituição nos quadros dos serviços de saúde públicos. Na verdade, seis anos após a criação desta licenciatura, os médicos dentistas apenas podem exercer as suas funções como profissionais liberais, já que não existe legislação que os integre no SNS, nem existe um sistema convencional adequado, nos termos do qual prestem cuidados «para» o SNS. De resto, este problema foi detectado e incluído no Plano Nacional de Saúde actualmente em vigor e não alterado nem revogado pelo Governo socialista.A terceira realidade em que o nosso projecto assenta passa pelo facto de o CDS ser sensível à realidade conjuntural do País e à necessidade de racionalização e contenção da despesa pública, que, a par da reestruturação da Administração Pública, aconselham prudência e parcimónia na criação de novas carreiras autónomas.
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP):Exactamente!
A Oradora:Foi, pois, atendendo à necessidade urgente de dotar o SNS de médicos dentistas mas também tendo em conta a conjuntura financeira do Estado, que o CDS-PP balizou esta proposta. Assim, o nosso projecto de lei visa a integração da medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde através da inclusão dos médicos dentistas numa carreira já existente, que é a dos técnicos superiores de saúde. Do ponto de vista prático, esta via tem o mesmo valor e os mesmos efeitos que a criação de uma carreira autónoma, com a diferença de que a retribuição e as condições não serão diferenciadas em relação às outras profissões que integram já a carreira de técnico superior de saúde.
Vozes do CDS-PP: — Muito bem!
A Oradora: — Na verdade, a carreira dos técnicos superiores de saúde, consagrada no Decreto-Lei n.º 414/91, de 22 de Outubro, foi criada tendo em conta a especificidade que envolve as profissões originariamente abrangidas, o que evidencia a diferenciação e qualificação profissionais dos seus ramos. Por outro lado, no caso concreto dos médicos dentistas, quer o elevado grau de especialização, quer as normas da União Europeia, não deixam margem para dúvidas quanto à especialidade deste ramo da saúde.Assim, procedemos a uma definição do conteúdo funcional de forma abrangente e adequada ao seu perfil profissional, que inclui a prática de actos médicos, como é evidente, e de actos técnicos. Parece-nos evidente a necessidade urgente de, em alternativa ao processo mais oneroso da criação de uma carreira própria, incluir a medicina dentária no âmbito da carreira dos técnicos superiores de saúde, cujo regime legal prevê expressamente a possibilidade de inclusão de outros ramos de actividade para além dos originalmente previstos.
Esta solução, como já disse, tem, por um lado, a virtude de assegurar aos utentes o atendimento e tratamento necessários a uma população com uma enorme incidência de pessoas total ou parcialmente desdentadas e, por outro lado, tem a virtude de permitir uma maior flexibilidade, quer à tutela, quer às administrações e direcções dos hospitais e centros de saúde, no preenchimento de lugares, em função da sua disponibilidade financeira, não representando, assim, qualquer ónus. Salientamos este último aspecto porque, sendo o CDS-PP um partido institucional e responsável, tem consciência dos constrangimentos conjunturais que o País enfrenta.
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): —
Exactamente!
A Oradora: — Deixamos, em todo o caso, duas notas. Em primeiro lugar, para dizer que esta solução deverá ser transitória até que a conjuntura político-financeira de Portugal permita a criação de uma carreira própria e autónoma. Em segundo lugar, para salientar que a entrada dos médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde, enquanto técnicos superiores de saúde, não pode, para efeitos de organização dos serviços e distribuição de responsabilidades, gerar uma lógica de subalternização em relação a profissionais com carreiras autónomas já criadas.
Qualquer crispação decorrente de questões de hierarquização será profundamente negativa para o regular funcionamento dos referidos serviços e para a prestação dos cuidados de saúde oral. Importa, por tanto, zelar para que não existam sobreposições e para que sejam atendidas as diferenças funcionais óbvias, delimitando-se as áreas de intervenção dos médicos dentistas e dos estomatologistas ainda em funções, por um lado, e as áreas de intervenção dos cirurgiões maxilofaciais, por outro. As próteses, a patologia ATM, a endodontia, a periodontologia e o diagnóstico oncológico são, claramente, matérias da competência específica dos médicos dentistas.
Aplausos do CDS-PP.
O Sr. Presidente: —
Para pedir esclarecimentos, tem a palavra a Sr.ª Deputada Marisa Costa.
A Sr.ª Marisa Costa (PS): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Sr.ª Deputada Teresa Caeiro, se bem percebi, através do projecto de lei que ora se discute, visa o Grupo Parlamentar do CDS-PP promover a integração da medicina dentária no âmbito do Serviço Nacional de Saúde através da inclusão dos médicos dentistas na carreira dos técnicos superiores de saúde. Permitam-me, então, que leia um breve trecho da intervenção da Sr.ª Deputada Isabel Gonçalves, do Grupo Parlamentar do CDS-PP, aquando da discussão do projecto de lei apresentado pelo Bloco de Esquerda na anterior Legislatura, mais concretamente no dia 6 de Fevereiro de 2003, que visava a integração da medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde através da inclusão da classificação dos médicos dentistas como técnicos superiores de saúde. Passo a ler:
«(…) todos nós gostaríamos de ter dermatologistas, pneumologistas ou oftalmologistas nos centros de saúde, transformando os centros de saúde em autênticas policlínicas com todas as especialidades ao serviço dos utentes, só que, infelizmente, a situação financeira do Serviço Nacional de Saúde não permite ao Governo a concretização desta realidade…!»
A Sr.ª Fátima Pimenta (PS): — Bem lembrado!
A Oradora: —
Mais à frente, continua a Sr.ª Deputada Isabel Gonçalves, do Grupo Parlamentar do CDS-PP, dizendo o seguinte: «Não nos parece (…) que a criação de mais uma carreira técnica superior seja a resposta adequada para esta problemática. Seria, provavelmente, a mais fácil e a mais populista, mas seria aquela que iria contribuir com mais um agravamento financeiro, um agravamento das despesas do Serviço Nacional de Saúde».
Vozes do PS: —
Bem lembrado!
A Oradora: —
A primeira coisa que importa perguntar, desde logo, ao Grupo Parlamentar do CDS-PP, é o que é que mudou, de há três anos para cá, além do agravamento das condições financeiras em que o vosso governo deixou este país.
Vozes do PS: —
Muito bem!
A Oradora: —
Por outro lado, não consideram VV. Ex.as incoerente e contraditório propor a introdução de um outro ramo na actual carreira dos técnicos superiores de saúde, engrossando, assim, o sistema de carreiras da Administração Pública, quando sempre defenderam e defendem o emagrecimento do Estado?
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente:
Para responder, em meio minuto, tem a palavra a Sr.ª Deputada Teresa Caeiro.
A Sr.ª Teresa Caeiro (CDS-PP): — Serei sintética, Sr. Presidente. Sr.ª Deputada, agradeço a leitura que fez de uma intervenção anterior proferida por uma Deputada desta bancada. Mas, não perdendo tempo, convido-a a ler também a intervenção que o Partido Socialista produziu na altura.
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Exactamente!
Vozes do PS: — Nós lemos!
A Oradora: —
Respondendo muito directamente à sua pergunta, direi que o que mudou desde então foi a saída massiva de estomatologistas, deixando lugares por preencher nos hospitais e nos centros de saúde. Os dados estatísticos existem e a Sr.ª Deputada tem de os procurar, mas, se não os conseguir encontrar, tenho o maior gosto em lhos fazer chegar. De todo o modo, desde já lhe digo que estes dados confirmam que, como disse há pouco, 72% dos hospitais e 93% dos centros de saúde não proporcionam este tipo de cuidados de saúde, que, aparentemente, o Partido Socialista não considera fundamentais nem prioritários para o cidadão comum.
A Sr.ª Helena Terra (PS): — Ninguém disse isso!
A Oradora: —
VV. Ex.as consideram, com certeza, que quem pode pagar várias centenas de euros para aceder a esses cuidados, fá-lo, recorrendo ao sector privado, onde estes médicos dentistas funcionam como profissionais liberais, e que quem não tem rendimentos para tal, fica sem dentes, que é o que acontece a grande parte da população portuguesa!
Aplausos do CDS-PP.
A Sr.ª Helena Terra (PS): —
Isso é demagogia. Nós temos prioridades!
A Oradora: —
Eu debrucei-me sobre os hipotéticos gastos massivos que a adopção do nosso projecto representaria, Sr.ª Deputada, mas V. Ex.ª estaria já a ler o seu pedido de esclarecimento e, como tal, não me ouviu! De qualquer modo, repito que o que nos motivou, ao contrário do que fez o Bloco de Esquerda, a não apresentar um projecto de lei a defender a criação de uma carreira autónoma foi exactamente a preocupação com a conjuntura financeira.
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Exactamente!
A Oradora: —
Como a Sr.ª Deputada saberá, há uma diferença entre criar uma carreira autónoma na função pública, com os respectivos escalões, e alargar o âmbito de aplicação de uma carreira já existente, que, neste caso, é a dos técnicos superiores de saúde.
O Sr. Nuno Teixeira de Melo (CDS-PP): —
Esta discussão é diferente da discussão de há três anos!
A Oradora: — Aliás, os senhores sabem perfeitamente que a medida que propomos não pressupõe os encargos massivos de que a Sr.ª Deputada falou.
Aplausos do CDS-PP.
A Sr.ª Helena Terra (PS): —
E aumenta ou não o número de funcionários públicos?
O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Miranda.

O Sr. Carlos Andrade Miranda (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O serviço nacional de saúde inglês tem estado a recrutar médicos dentistas portugueses. Entretanto, por cá, o crescimento descontrolado de licenciados em medicina dentária pelas sete faculdades portuguesas provocará, imediata e inevitavelmente, desemprego e acelerará a emigração. Enquanto isso, Portugal permanece detentor dos piores índices de saúde oral da União Europeia. Tudo isto porque o Estado, em Portugal Continental, não contrata serviços de medicina dentária para os hospitais e centros de saúde. Assim, não se garante o direito à saúde nem se aproveitam os excelentes recursos humanos disponíveis.
Vozes do PSD: —
Muito bem!
O Orador: — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Consciente de que as doenças orais constituem, pela sua elevada prevalência, um dos principais problemas de saúde da população infantil e juvenil, o XVI Governo Constitucional, por despacho do Sr. Ministro da Saúde de 5 de Janeiro de 2005, aprovou o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, destinado aos profissionais e estruturas do Serviço Nacional de Saúde. Trata-se, ou tratava-se, do programa de saúde oral mais avançado que alguma vez se gizou neste país, desenvolvendo uma estratégia global de intervenção, visando a promoção da saúde e a prevenção das doenças orais ao longo da vida.
A Sr.ª Fátima Pimenta (PS): — Esse programa foi criado pelo PS!
O Orador: —
Tal como muitas outras coisas de qualidade que se estavam a fazer neste país, designadamente na saúde, também este programa foi negligenciado com a chegada do Partido Socialista ao poder, em Março de 2005.
Vozes do PSD:Muito bem!
O Orador:
Compete a esta Assembleia, no exercício da sua actividade fiscalizadora, pugnar para que o Governo actue neste domínio, dando cumprimento urgente ao programa da saúde oral antes delineado. Observemos, no entanto, as propostas em presença. O Bloco de Esquerda parte de um diagnóstico correcto, mas prescreve uma solução errada. Propõe-nos o Bloco de Esquerda que o Estado inverta a actual situação, mediante a absorção maciça dos médicos dentistas nos quadros do Serviço Nacional de Saúde. Ora, num momento em que o Serviço Nacional de Saúde se encontra no limiar da sua sustentabilidade e no momento histórico em que o Sr. Ministro da Saúde, quase em desespero de causa, já clama pelos copagamentos dos serviços, propor uma medida destas corresponde, na prática, a conformar-se com a perpetuação da inacção.
Mas o Bloco de Esquerda não se limita a exigir o impossível. Avança com outras propostas, essas, sim, de exequibilidade possível. Permitam-me que realce três exemplos. Em primeiro lugar, o que tem a ver com a revisão do regime da comparticipação do Estado no preço dos tratamentos de saúde oral, que é realizável! Outro está relacionado com a dedução fiscal dos custos destes tratamentos. E o último, finalmente, tem a ver com o fomento da participação dos municípios na tarefa nacional de promoção e prevenção da saúde oral.
Efectivamente, neste último caso, perante o incumprimento das administrações regionais de saúde, que não prosseguem com a contratualização dos serviços médico-dentários apesar de disporem de meios financeiros suficientes, alguns municípios portugueses tomaram a seu cargo a promoção da saúde oral nos seus concelhos. Foi o caso exemplar do município de Mangualde que, durante o ano de 2005, celebrou um protocolo com a Associação Portuguesa de Saúde Oral e a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade Católica em Viseu, na sequência do qual todos os alunos do 1º ciclo do ensino básico do concelho de Mangualde foram observados, tendo o custo destas consultas sido suportado pela câmara municipal e não pela administração regional de saúde.
Este exemplo pode multiplicar-se, desde que o Ministério da Saúde faça cumprir as soluções que estão hoje já previstas. Do que não há dúvida, Sr.as e Srs. Deputados, é que o tempo de o Estado assumir as suas responsabilidades em matéria de saúde oral chegou. Os hospitais e centros de saúde devem promover de imediato a selecção dos parceiros médicos dentistas com quem têm de contratar, tanto na modalidade de contrato de prestação de serviços como na de parceria público-privada, ou mesmo abrindo o acesso dos médicos dentistas às unidades de saúde familiar, algo que me parece que lhes está, por enquanto, vedado.
A Sr.ª Regina Ramos Bastos (PSD):
Muito bem!
O Orador:Dispõe, assim, o Estado de um leque muito variado de modelos contratuais ao seu dispor, sem que tenha de transformar os médicos dentistas em funcionários públicos.
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente:
Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Fátima Pimenta.
A Sr.ª Fátima Pimenta (PS):
Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sr.as Deputadas: O Serviço Nacional de Saúde é parte integrante do património que construímos com a nossa democracia. Em 32 anos, assegurámos cuidados de saúde a milhões de cidadãos. O Serviço Nacional de Saúde cumpriu, assim, uma exigência imposta pelo povo português. Os indicadores de saúde, em Portugal, contribuem, hoje, de forma relevante, para que possamos comparar com orgulho a maioria dos índices normalmente usados na avaliação do estádio de desenvolvimento dos povos.
Todos concordarão, nesta Assembleia, que, neste domínio, nada temos a recear no confronto com alguns países ditos desenvolvidos, por exemplo, os EUA e a Inglaterra, onde, na saúde, existem amplas camadas de população sem qualquer
tipo de assistência médica.
Vozes do PS: Bem lembrado!
A Oradora: —
Discutimos, hoje, nesta Câmara, os projectos dos Grupos Parlamentares do Bloco de Esquerda e do CDS-PP. Os subscritores pretendem que dentro do Serviço Nacional de Saúde se incorpore uma nova classe profissional: a dos médicos dentistas. Não questionamos a nobreza dos seus objectivos. Todavia, por mais nobres que sejam, se não cuidarmos de analisar os seus efeitos, colocaremos em risco todo o Serviço Nacional de Saúde.
Todos consideramos que a prestação de cuidados em saúde oral deve ser parte integrante da saúde geral dos cidadãos.
Vozes do PS: —
Muito bem!
A Oradora: — No Serviço Nacional de Saúde, particularmente nos hospitais e nos centros de saúde, esta valência tem sido desenvolvida por médicos estomatologistas e higienistas orais, sendo certo — sabemo-lo — que não asseguram uma cobertura adequada face às necessidades da população. Mas, Sr. Presidente, Srs. e Sr.as Deputadas, a decisão em política de saúde tem de nortear-se forçosamente por princípios de obtenção de ganhos em saúde.
Os estudos comprovam que a maioria das doenças orais são evitáveis desde que as necessárias medidas básicas de prevenção sejam disponibilizadas. O PS assumiu e assume esta estratégia. Assim, o investimento no Programa Nacional de Saúde Oral, a Rede Nacional de Escolas Promotoras de Saúde e o programa de saúde oral na deficiência são disso bons exemplos. Dados da Direcção-Geral de Saúde indicam que, entre 1994 e 1998, se consolidou uma estratégia de prevenção das doenças orais com a integração dos higienistas orais nos centros de saúde.
Em 2000, realizou-se o primeiro estudo Nacional de Prevenção da Cárie Dentária e redefiniu-se a estratégia de intervenção em saúde oral. É num Governo socialista que se assume, pela primeira vez, o tratamento das crianças e adolescentes. Para a concretização de tal objectivo celebrámos, em 1999, através de um sistema de contratualização, um acordo entre a Direcção-Geral de Saúde e a Ordem dos Médicos Dentistas e, em 2000, consolidámos a contratualização para o tratamento das crianças, atribuindo para o efeito um valor de 1,150 milhões de euros para o efeito.
A Sr.ª Helena Terra (PS): —
Muito bem!
A Oradora: —
Paralelamente ao programa de saúde oral, o Governo socialista apostou na educação para a saúde. Assim, a colaboração activa entre escolas e centros de saúde, com o objectivo de assumirem, de forma complementar, a promoção da saúde oral, deu origem, em 1994, à criação da Rede Nacional de Escolas Promotoras de Saúde. Em 2002, o Governo tinha cumprido o seu objectivo, conseguindo a adesão de 3400 escolas apoiadas por 370 centros de saúde.
As boas práticas desenvolvidas pelas escolas que pertenciam à rede levou a Organização Mundial de Saúde a considerá-las prioritárias nas suas estratégias para os próximos anos. A aposta dos governos socialistas na prevenção foi uma decisão acertada e a evidência científica comprovou-o. Senão, vejamos os dados do estudo sobre a prevalência da cárie dentária em crianças e jovens: de acordo com o dados do último estudo, de 2000, concluiu-se que houve uma redução significativa quando comparada com o início do programa em 1986, principalmente nos grupos etários entre os 6 e os 12 anos.
O grupo etário dos 12 anos apresentava um índice CPO (que marca o número de dentes cariados, perdidos e obturados) que estava nos padrões admitidos pela OMS. Portanto, não estávamos tão mal como isso porque a Organização Mundial de Saúde tem para este grupo etário um índice de 3% e nós tínhamos 2,9% em 2000. É preciso que sejam publicados os dados de 2005 para se verificar se este índice não cumpre os padrões da Organização Mundial de Saúde.
O Sr. José Junqueiro (PS): —
Bem lembrado!
A Oradora: —
No grupo etário dos 6 anos, 33% das crianças estavam livres de cárie, contra 10% em 1986. Estes resultados, comparados com os do início do programa, traduzem importantes ganhos em saúde que é preciso sublinhar. Conseguimos, assim, reduzir em 50% a prevalência da doença. Aqui está a prova da boa escolha que fizemos.
A Sr.ª Helena Terra (PS): —
Muito bem!
A Oradora: — Relativamente ao tratamento das crianças e jovens, iniciativa do Partido Socialista, entre 2000 e 2004 foram tratadas gratuitamente, ou seja, sem qualquer custo para a família, 143 700 crianças entre os 6 e os 16 anos de idade.
Em 2006, num claro sinal de aposta na estratégia iniciada em 2000, compromisso assumido no programa do governo socialista, foi atribuída uma verba de 4 milhões de euros. Portanto, Sr. Deputado Carlos Miranda, não desinvestimos, como disse há pouco, aumentámos a verba. Compare-a com a que o seu partido deu a este programa: aumentámos quase em dobro o plafond que tínhamos em 2004.
Portanto, importa referir que a contratualização tem tido uma adesão progressiva dos estomatologistas e dos médicos dentistas. Senão, vejamos os números: em 2000, tínhamos 400 estomatologistas e médicos dentistas e, em 2004. tínhamos 1136. O que quer dizer que este modelo tem dado os seus frutos. Assim, os cuidados médico-dentários não satisfeitos pelo Serviço Nacional de Saúde são realizados através de uma parceria responsável entre o público e o privado.
A prevenção é assumida pelos serviços de saúde e no presente — é bom lembrar — temos 115 profissionais de saúde oral nos quadros dos centros de saúde — portanto, fizemos muita coisa — e trabalham 115 higienistas orais nestes equipamentos, que são, na totalidade, 113. Portanto, é importante relembrar que não há aqui um oásis, mas também não há um vazio. É importante que tenhamos em atenção que a responsável pelos serviços de saúde oral da Direcção-Geral de Saúde afirma que mais importante do que ter médicos dentistas nos centros de saúde é ter higienistas orais. Verifica-se, assim, que decisões políticas e técnicas estão em consonância, e isso é que é importante.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O CDS e o BE pretendem incluir no Serviço Nacional de Saúde os médicos dentistas. No caso do CDS até é curioso que um partido cuja matriz ideológica privilegia a iniciativa privada, logo, menos Estado, venha agora pedir que os médicos dentistas integrem a carreira superior de saúde. Portanto, Srs. Deputados, haverá com certeza razões que a razão sempre desconheceu…
Esta atitude, para além de curiosa, é demagógica.
O Sr. Presidente: —
Sr.ª Deputada, faça favor de concluir.
A Oradora: — Concluo já, Sr. Presidente. O que é imperioso é que se poupe recursos, que se combata o desperdício para se obter ganhos em eficiência, para se conseguir melhorar os níveis de acesso e qualidade dos cuidados prestados às populações. Só desta forma conseguiremos a viabilidade do Serviço Nacional de Saúde.
O Partido Socialista cumprirá os seus compromissos eleitorais. Prosseguiremos nos próximos anos o esforço de investimento em saúde oral das crianças e jovens, por forma a assegurar a cobertura de 100% no prazo previsto, dando cumprimento às metas do Plano Nacional de Saúde. Os ganhos em saúde obtidos no Plano Nacional de Saúde Oral demonstram que esse é o caminho.
O que importa é que, apesar dos problemas que ainda subsistem na acessibilidade aos cuidados de saúde pelas populações, o relatório da Organização Mundial de Saúde de 2000, que compara os sistemas de saúde de 191 países, classificou Portugal num honroso 12.° lugar, o que nos devia fazer estar orgulhosos. Não subestimemos agora o que de bom construímos na nossa democracia. Saibamos nós dar-lhe sustentabilidade. O Partido Socialista orgulha-se de uma das maiores conquistas de Abril: o Sistema Nacional de Saúde.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: -
Srs. Deputados, não haverá tempo para pedir esclarecimentos à Sr.ª Deputada que acabou de intervir, porque não há tempo para as respostas, mas os Srs. Deputados que ainda dispõem de tempo podem inscrever-se para segundas intervenções. Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Bernardino Soares.
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados, reeditamos hoje um debate que fizemos em legislaturas anteriores sobre um tema muito importante, que é o da saúde oral, e que é o exemplo do incumprimento da Constituição em matéria de acesso aos cuidados de saúde. A Constituição diz que o Serviço Nacional de Saúde, instrumento para a realização do direito à saúde, deve ser universal e geral, isto é, deve abranger todos os cuidados de saúde considerados necessários para uma saúde completa e global. No nosso país, este «geral» foi sempre com dentes à parte, porque os cuidados de saúde oral nunca estiveram abrangidos pelos cuidados prestados pelo Serviço Nacional de Saúde, e cada vez estão menos, com o desaparecimento progressivo dos estomatologistas e com a não inclusão da medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde.
Já sabemos como é que o Governo interpreta a Constituição, tem uma interpretação sui generis. Onde se lê «tendencialmente gratuito», o Governo lê «tendencialmente pago», onde se lê «socialização dos custos com medicamentos» o Governo lê «transferência para os utentes de cada vez mais custos com medicamentos» e onde se lê «Serviço Nacional de Saúde geral» o Governo lê «Serviço Nacional de Saúde com cada vez menos respostas».
A questão parece ser apenas abstracta, mas tem aqui um afloramento concreto muito importante: precisamos de ter uma resposta, nos centros de saúde, nos hospitais, de dimensão muito superior à que temos hoje, que permita que as pessoas, os cidadãos, tenham acesso aos cuidados de saúde oral. Se isso é assim, então só se faz integrando no Serviço Nacional de Saúde, não em massa, como disse o PSD, números significativos de médicos dentistas, abrindo para tal uma carreira de médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde, para que, tal como noutras áreas, haja, nos serviços públicos, resposta para esta tão grande necessidade de cuidados de saúde.
Não vale a pena dizer que isto pode ser resolvido só com convencionados. Não é verdade! Neste momento, a carência é tal que certamente precisamos de recorrer aos convencionados. Mas uma coisa é recorrer aos convencionados abdicando de uma resposta pública, outra — essa, sim, correcta, e cumpridora da Constituição — é manter, perante as necessidades, o recurso à prestação convencionada, mas trabalhar para que haja mais resposta nos serviços públicos, e é isso que os governos não têm feito ao longo dos anos.
Também não vale a pena dizer, como disse a Deputada Fátima Pimenta (ou pareceu-me querer dizer), que isto se resolve apenas com a prevenção. A prevenção é muito importante, mas, depois, há tudo o resto. Porque se assim fosse, bastava fazermos prevenção em todas as especialidades no Serviço Nacional de Saúde, e o resto logo se via. Ora, não é assim; é preciso prevenção — e por isso valorizamos os passos muito importantes que foram dados nesse sentido —, mas também é preciso atacar o grave problema de saúde oral que temos na generalidade da população do nosso país, e isso este Governo não está a dar sinais de fazer.
Este debate apresenta-nos uma realidade muito interessante, e até curiosa, que é a de, nesta matéria, termos até o CDS, embora de uma forma mitigada, a defender a vinculação à função pública destes profissionais de saúde.
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): —
Porque é justo!
O Orador: — Penso que isto é muito curioso. Mas mais curioso ainda do que esta súbita conversão do CDS aos benefícios da vinculação pública e das carreiras da Administração Pública é a resposta do Partido Socialista.
Percebemos já, durante este debate, por que é que o Partido Socialista não quer médicos dentistas nos serviços de saúde. Não quer que os serviços públicos sejam públicos, como temos vindo a ver pelas declarações e pelas medidas do Governo. O PS não quer os médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde público porque está a planear que, tal como a medicina dentária, outras especialidades também passem a ser cada vez mais privadas, e isto é que vai de encontro à sua política.
Este é um bom exemplo da desigualdade no acesso aos cuidados de saúde. Quem tem dinheiro pode ter acesso aos cuidados de saúde no nosso país, e com grande qualidade, porque temos bons profissionais e consultórios e clínicas bem equipadas. Mas quem não tem dinheiro não pode, e aí é que está o problema. É neste exemplo concreto que vemos como é indispensável, para que o direito à saúde seja para todos, que o Serviço Nacional de Saúde tenha resposta. E, neste caso, o Serviço Nacional de Saúde não tem resposta.
Qual é a consequência? Quem não tem dinheiro tem mais dificuldade em aceder a estes cuidados de saúde oral e, por isso, é que é tão importante a dignificação e o aumento da resposta do Serviço Nacional de Saúde. Assim, é preciso relembrar, tal como refere a Constituição, que para assegurar o direito à saúde o País tem um instrumento fundamental: o Serviço Nacional de Saúde geral, universal e tendencialmente gratuito. Assim ele se mantenha na Constituição, assim ele se mantenha também na prática governativa, o que não tem acontecido nos últimos tempos.
A verdade é que a integração destes profissionais no Serviço Nacional de Saúde custa dinheiro. Mas muito mais caro custa a falta de saúde oral que as populações do País têm, muito mais caro custa ter um País em que o direito à saúde não é para todos, porque, por não haver resposta pública, temos a discriminação a funcionar e temos um grave problema de saúde oral na generalidade da população do nosso país.
Aplausos do PCP.

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Francisco Madeira Lopes.
O Sr. Francisco Madeira Lopes (Os Verdes): — Sr. Presidente, Srs. Deputados, a situação da saúde oral dos portugueses é francamente grave. Como é conhecido, 60% da população portuguesa não tem possibilidades económicas para aceder à saúde oral. É sabido também que, em geral, não existe medicina dentária nos nossos hospitais e centros de saúde e só 10% dos doentes que perderam a sua dentição é que estão reabilitados com prótese dentária. Tudo isto conduz a que Portugal tenha dos piores níveis de saúde oral da União Europeia.
Por isso mesmo, o Partido Ecologista «Os Verdes» entende que é fundamental a integração da saúde oral, de uma forma completa e abrangente, no Serviço Nacional de Saúde para prevenir e para tratar, desde logo e antes de mais nada, enquanto cuidados de saúde primários, porque é fundamental que se comece por este campo. Não me refiro a correcções com mero significado estético, aos quais, a seu tempo, poderíamos chegar,
mas, sim, a cuidados de saúde primários, basilares, que deveriam estar garantidos à luz da nossa Constituição da República.
Muitas outras doenças poderiam ser despistadas e detectadas a tempo, pois, muitas vezes, os seus primeiros sintomas são reflexo da saúde oral do paciente. Uma dentição em mau estado é causa de múltiplos emas e mal-estar dos doentes, tais como alimentares e nutricionais, problemas sociais de integração e até do acesso a certas profissões em que a imagem é fundamental.
Para terminar, diremos que não há saúde geral sem haver saúde oral e, nesse sentido, é fundamental a integração de cuidados de saúde oral no Serviço Nacional de Saúde, não apenas do ponto de vista da prevenção, mas no do tratamento. Esta é, além do mais, uma questão fundamental de igualdade. Devido aos elevados custos de acesso aos cuidados de saúde oral fora do Serviço Nacional de Saúde, aos médicos privados, há uma questão de igualdade no acesso que só o Serviço Nacional de Saúde poderia garantir em condições. O Partido Socialista demonstrou, neste debate, que considera que este problema se resolve com o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral.
Sem dúvida que a prevenção é muito importante, nomeadamente em relação às crianças e aos jovens, mas não responde à globalidade dos problemas, nem ao universo das pessoas necessitadas de cuidados de saúde oral, designadamente ao nível do diagnóstico, tratamento e reabilitação. O Partido Socialista argumentou com a falta de meios financeiros, com o défice na área da saúde e ainda com a insistência de que há outras especialidades que também não estão incluídas no Serviço Nacional de Saúde.
Mas, das duas uma: ou o PS aceita e defende, como disseram, que a conquista do Serviço Nacional de Saúde é uma conquista de Abril e da Constituição da República Portuguesa, e dá passos claros no sentido do alargamento do âmbito do Serviço Nacional de Saúde, e não ao contrário; ou, então, o PS entende que as questões financeiras de curta vista estão em primeiro lugar, e não dá passos claros. Porque, Sr.ª Deputada Fátima Pimenta, é preciso pensar que esta questão tem custos financeiros não
só a curto prazo, mas também a longo prazo.
Estamos convencidos de que o investimento, a longo prazo, na área dos cuidados primários de saúde e, de uma forma abrangente, no Serviço Nacional de Saúde para os cuidados de saúde oral pode trazer benefícios económicos para o Governo e também para o País. E é isto que os senhores não querem aceitar, o que é muito preocupante.
O Sr. Presidente: — Para uma segunda intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Ana Drago.
A Sr.ª Ana Drago (BE): — Sr. Presidente, durante este debate foram apresentados alguns argumentos que são particularmente preocupantes, sobretudo por parte do Partido Socialista. Houve até um momento em que a Sr.ª Deputada Fátima Pimenta, do PS, falou e em que poderíamos pensar que estava a brincar: quando apresentou a inclusão da medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde como uma potencial «bomba atómica», que vai colocar fim àquilo que é uma experiência meritória de democratização de acesso aos cuidados de saúde, em Portugal, durante os últimos 25 anos,…
A Sr.ª Fátima Pimenta (PS): — Não foi isso que eu disse!
A Oradora: —
… considerando que a saúde oral vai dar cabo do Sistema. O problema é que este começa a ser um argumento recorrente por parte do Partido Socialista. Começa
a haver, sucessivamente, por parte dos responsáveis ministeriais e por parte dos Srs. Deputados da bancada do Partido Socialista, o seguinte discurso: «Isto está a chegar ao fim. Vamos ter de espartilhar isto. Vamos ter de contratualizar com privados, vamos ter de introduzir privatizações em numerosos serviços».
A Sr.ª Fátima Pimenta (PS): —
Temos de cuidar daquilo que conquistámos!
A Oradora: — Portanto, aquilo que nós conhecíamos e pretendíamos, e que a Sr.ª Deputada aqui disse ser uma conquista do regime democrático, está prestes a acabar!
Vozes do PS: —
Eh!…
A Oradora: — O Partido Socialista entende que a saúde oral é fundamental, que começou um conjunto de estudos, protocolos, iniciativas e programas exactamente porque acha que isso é fundamental, contudo a realidade teima em não satisfazer a vontade do Partido Socialista, porque 60% dos portugueses continuam a não ter acesso ao tratamento de cuidados dentários, um em cada cinco portugueses já perdeu mais de 10 dentes. Esta é a realidade!
A Sr.ª Fátima Pimenta (PS): — Por isso é que estamos em 12.º lugar na Organização Mundial de Saúde!
A Oradora:
Ou seja, aquilo que temos actualmente parece não estar a resultar. O nosso projecto de lei propõe exactamente a mesma filosofia da conquista do regime democrático, ou seja, o Estado fazer um investimento a longo prazo, que isso seja feito ao longo de três anos, por forma a integrar os recursos humanos existentes, e que seja adquirido equipamento, com vista a rentabilizar a longo prazo, na saúde dos portugueses, esse mesmo investimento.
O que a Sr.ª Deputada não explicou e não disse é quanto é que custa fazer contratos com as clínicas privadas que hoje temos com um tipo de tratamento e um acesso que sejam universais.
A Sr.ª Fátima Pimenta (PS):
Mas posso explicar!
A Oradora:
Essas contas a senhora não faz! E aquilo que lhe posso dizer é que vai sair mais caro. Essa lógica de «espartilhar» o Serviço Nacional de Saúde e de fazer contratualizações privadas, isso sim, é que vai ser a «bomba atómica» no Serviço Nacional de Saúde…
A Sr.ª Fátima Pimenta (PS):
Não vai!
A Oradora: —
… e naquilo que é uma conquista e uma democratização de acesso dos portugueses aos cuidados de saúde. E é uma pena que seja o Partido Socialista a fazê-lo.
Aplausos do BE.

A Sr.ª Fátima Pimenta (PS): — Vai ver que não vai ser assim!
O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, terminámos o debate dos projectos de lei n.os 86/X e 195/X, concluindo, assim, a nossa ordem de trabalhos de hoje.
A próxima reunião plenária realizar-se-á amanhã, quinta-feira, dia 23, às 15 horas, com um período de antes da ordem do dia e um período da ordem do dia, do qual constará a discussão da proposta de lei n.º 51/X e dos projectos de lei n.os 105/X, 208/X, 209/X e 106/X, a que se seguirá um período regimental de votações.
Srs. Deputados, está encerrada a sessão.

Eram 17 horas e 40 minutos.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

186) O papel da LBV (Legião da Boa Vontade) na saúde comunitária (VI)

Futuro auspicioso
Apesar de todos os obstáculos, o cenário está mudar. «Existem mais de cinco mil médicos dentistas registados e estamos a formar 600 por ano. Seguramente, com a implementação do estágio obrigatório no final do curso, poder-se-á sensibilizar os futuros profissionais para o trabalho do voluntariado, nem que seja», ressalva Manuel Fontes de Carvalho, «como arranque de uma carreira, como já acontece noutras profissões».
Jacinto Durães defende, também, que os bons exemplos vão produzir o efeito bola-de-neve. «Às vezes, a iniciativa de alguém leva a que outro o acompanhe», explica o coordenador do "Ambulatório", que não se coíbe de dar o exemplo. «Tenho aprendido que o país, precisa deste género de actividades, para que as populações se sintam protegidas. Também tenho percebido que a solidariedade é um bem essencial para vivermos uns com os outros».
Manuel Fontes de Carvalho acredita que há disponibilidade de muita gente e mostra-se esperançoso: «campanhas como as que faço com os meus alunos poderiam existir em todo o país porque há empresas de equipamento prontas a ajudar e instituições com vontade em as acolher».
Em Outubro, decorre mais uma "Mês da Saúde Oral". Uma campanha que poderá ser, nas palavras do presidente da SPEMD, a actividade «mais abrangente, a nível nacional, e que envolve mais utentes e médicos dentistas num mesmo objectivo: «ajudar quem precisa».
Desde que a iniciativa foi criada, há sete anos, foram abrangidas 50 mil pessoas e o número tem vindo a crescer anualmente. Ainda assim, Cassiano Scapini não desarma e sublinha a mudança necessária. «O médico dentista precisa de sair do consultório. É preciso mais, e todas as boas vontades, por muito pequenas que sejam, têm que ser aproveitadas».
O médico dentista lança o desafio à classe e aponta baterias já para o próximo congresso da OMD), que se realiza em Novembro. «É só colocar esta questão na lista de assuntos a debater».
Depois de terminado "o jogo das bactérias", Maria lava os dentes e aprende como, na pratica, se matam os «bichinhos» que lhe «fazem mal à boca». Mostra um largo sorriso e diz: «já está. Agora não me posso esquecer de os lavar antes de deitar». Esperemos que não.
LBV - Legião da Boa Vontade

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

185) S. Domingos de Benfica apoia assistência médica: dentista a 20 euros (2ª parte)

A opinião dos leitores:
* * *
Aqui ficam algumas opiniões dos leitores do CORREIO DA MANHÃ referentes ao título da notícia. Será bom que as tutelas dos respectivos serviços (Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Direcção-Geral da Saúde, deputados da Assembleia da República, Presidência da República, Associação Nacional de Municípios, Ordem dos Médicos Dentistas, ...) ouçam também a opinião pública. Espero assim contribuir para alertar publicamente da necessidade urgente de implantar uma política de saúde oral no país, com garantias absolutas de igualdade para todas as pessoas.
Gerofil
* * *
- É uma vergonha, Portugal no seu melhor! Esse presidente de Junta devia ser homenageado e condecorado, por prestar um serviço público que é dever do Estado!
- Um acontecimento de louvar a todos os níveis! É a "prova provada" de que, quando há vontade, as coisas acontecem e também de que a regionalização com regras e fiscalização é o melhor que pode acontecer ao país! Só a população e os eleitos que são gente próxima do povo, pode fazer com que os problemas sejam resolvidos. Quando o povo quer as coisas acontecem!
- A minha estupefacção não tem limites! É o primeiro Presidente de Junta deste país desde o 25 de Abril/74, há muitos anos portanto, que merece os meus aplausos e sinceros parabéns! Até que enfim, que um político de proximidade se preocupou com os seus eleitores!
- Sou Médico Dentista há 8 anos, estando neste momento a trabalhar em Inglaterra e considero a situação da Medicina dentária em Portugal calamitosa, quer na desordem na formação, quer no acesso da população a tratamento dentário. Bem sei que é uma especialidade dispendiosa mas há que ter coragem politica para avançar e reformar o SNS... Boa sorte para o colega e o Presidente da Junta...
- A propósito da política de saúde oral fica aqui também o registo do blog SAUDE ORAL: http://saudeoral.blogspot.com/Já é tempo de nos revoltar contra o aparelho político-partidário que são os únicos e exclusivos responsáveis pela actual saúde oral dos portugueses; muitos desses senhores deveriam ser chamados à justiça pela sua responsabilidade criminosa em termos de saúde oral em Portugal.
- Há muitos anos que "alguém" controla a não existência de dentistas nos hospitais ou centros de saúde, porque será? Não é uma das doenças com maiores ramificações a nível do corpo humano, estômago, etc.? Isto já me faz lembrar quando se vai a um centro de saúde e depois mandam-nos fazer análises e ecografias a privados, porque será?
- Mas que bom exemplo, limitar os custos das profissões liberais a 20 euros por hora, isto dá 3500 euros mês ou 700 contos. Sr. Ministro mais uva vez o mercado da saúde não funciona tal como com as farmácias. Que tal liberalizar o mercado com a entrada de dentistas ou médicos ou clínicas cubanas.
- É incrível, como é possível uma coisa destas, e o Sr.Ministro da Saúde sabe? Cuidado, senão fecha tudo e pronto...Pena os que têm menos idade não terem direito porque também não têm dinheiro. Maria
- Ora vejam um "simples" presidente de Junta de Freguesia a dar um estalo sem mãos ao governo e SNS! Que vergonha não haver medicina dentária nos centros de Saúde. Neste país sejam crianças, sejam idosos, estão condenados a andarem desdentados e careados se não tiverem dinheiro para o privado. Excelente exemplo, este, que deve ser seguido pelos outros PJF.
- Estão de Parabéns os autores desse projecto. No meu caso só agora que estou a viver no Brasil que posso arranjar os dentes, pois aqui já existe consultórios populares faz muito tempo. Até implantes vou fazer ao preço da banana. Portugal deveria generalizar esses consultórios populares.
- Dou o meu exemplo: ganho o ordenado médio do Norte, a minha esposa menos ainda, e há mais de 10 anos que não temos dinheiro para o dentista, eu minha esposa, meu filho (18), minha filha (10), não somos esbanjadores; roubam-nos é tudo (Estado... etc). Chamo a isso terroristas sociais.
- O Estado deveria pagar indemnização aos cidadãos de Lisboa que têm a boca podre, pois a agua que se bebe das torneiras contribui, e muito, para o apodrecimento dos dentes. É um verdadeiro crime o que se faz em Portugal: só quem tem dinheiro é que tem direito a sorrir. Injustiça não se poder sorrir se tem dentes estragados, que é o meu caso: há 5 anos que conto pelos dedos da mão as vezes que sorri.
- Haja concorrência! Aqui há anos gastei mil e tal contes só por colocar uma ponte com 6 dentes (é uma prótese, tem um encaixe metálico, é cimentada em dentes que foram destruídos p/servirem de pilares) e por fora tem os dentes em simples cerâmica. Mil e tal contos, cerca de 6000 euros, como é possível?! E sou remediado, gastei quase todas as economias! Haja concorrência c/dentistas novos e serviço do Governo.
- Como dizia os tratamentos são inexplicavelmente tão caros que eu e familiares estivemos privados de tratamentos essenciais, como disse uma comentadora, c/graves consequências. Mesmo agora tenho um dente partido já há um ano que não trato porque já sei que vou ser "assaltado" com coroas e pontes a 600-2000 euros! É a saúde pública que temos em Portugal.
- Só em Portugal, dito país europeu, é um luxo tratar da saúde oral! É preciso pedir empréstimo ao banco para ir aos especuladores dos dentistas! Não se entende o porquê de tratamentos custarem fortunas e do Governo não regular essa selva! Aliás, entendo; os Srs. dentistas têm pagar jipe, barco, vivenda, etc. Talvez em Espanha seja + Barato. Só aos 34 anos é que pude tratar dentes, já c/sem alguns. É uma VERGONHA.
- De facto, o preço tanto nos médicos de clínica geral como nos dentistas, devem ser os mais caros da UE. Em Paris, uma limpeza aos dentes a tabela da S.Social é de 23E,35 na clínica geral são 22E, tanto faz ser em consultórios privados como em públicos. Há alguns médicos que ultrapassam essas tabelas, mas nos temos direito à escolha, e se não for urgente, o máximo de espera, nunca ultrapassa; 3 dias.
- Não façam muita "publicidade", não vá dar-se o caso do (des)Ministro da Saúde mandar fechar o Centro.....
- Parabéns aos responsáveis da Junta de Freguesia que tão boa ideia tiveram. Um exemplo a seguir por todas as outras do País. Porque nem toda a bolsa chega aos preços exorbitantes que os médicos cobram. (Coimbra)
- Se com consultas a preços módicos os médicos continuam a ter bons lucros, não se compreende porque nesta e noutras especialidades a grande maioria opta por cobrar preços exorbitantes. Partindo do princípio que hoje em dia já todos passam recibos, pagariam eles menos impostos e beneficiariam os utentes, se praticassem preços mais acessíveis!
- Boas notícias nunca são demais! Isto sim, é serviço público. As Juntas de Freguesia podem fazer coisas assim, até porque aquele dinheiro é dos contribuintes, só que, desta vez, é bem utilizado. Parabéns Srs. Presidente da Junta e estomatologista. Aqui o médico também tem mérito porque, de uma forma geral, eles só querem facturar a preços proibitivos...
- Ai está uma boa noticia, finalmente. Pena não tomarem esta iniciativa para outras freguesias, nomeadamente na zona do Barreiro, onde moro. Pode ser com o tempo...
- Que notícia agradável. Parabéns a todos os promotores desta iniciativa e ao médico dentista Pedro Melo e Castro. Ainda há pessoas diferentes neste mundo.
- Será que o Sr. primeiro-ministro não lê o Correio da Manhã? Por que não segue este exemplo no SNS? Por que é que só os funcionários públicos têm consultas a 7,50 euros? Enquanto uns tudo têm os pobres de Portugal que não têm 50 ou 60 euros são marginalizados. O Sócrates só se preocupa com os ricos (funcionários públicos).
- Finalmente uma boa notícia que me deixa muito feliz. É pena que não haja mais e em especial na minha área de residência e não só. Portugal deve estar no topo da lista de pessoas com os dentes e a saúde mais negligenciados. Assim ainda vale a pena efectuar descontos...Há por aí dentes que são uma vergonha!... Não ganhamos para os tratar e o sistema de saúde é o que se vê!
- A noticia não podia ser melhor para todos os portugueses, eu não tive essa sorte o meu pai faleceu devido a problemas dentais (varias infecções) que não podemos assumir eu só aos 27 anos é que pode corrigir os meus dentes; quando pequena a minha família não tinha possibilidades e mesmo assim não puderam ficar como ficariam se tivesse um aparelho aos 9 anos. Desejo ao Sr. presidente muitas felicidades.
- Bem-haja Senhor Presidente da Junta de Freguesia, Rodrigo Gonçalves, eleito pelo PSD. Sou Socialista e militante, mas venho por este meio dar os parabéns, porque isto sim, é solidariedade e amor ao próximo, e o SENHOR está a dar o exemplo, e que seja seguido por muitas Freguesias, não importa o Partido, porque eu Socialista, apoio a sua acção, seja do PSD ou de outro Partido Politico. Bem-haja.
- Moro perto de Sintra, a única maneira que vou ter para arranjar os meus dentes é através de um empréstimo bancário. Há 2 anos a minha esposa gastou 1100 euros. Entretanto e melhor esconder o sorriso. Bem-haja esse dentista, nao quererá vir para essa zona ou o lobby não deixa?
- Isto só vem provar que as autarquias se quiserem, podem fazer mais do que fazem! Algumas não fazem nada...só falam!
- Concordo que os preços dos dentistas são elevados! Mas a maioria dos portugueses tem péssima higiene dentária (não sabem o que é uma escova e pasta de dentes) e só se lembram dos dentes quando tem dores. E preferem investir o dinheiro em coisas menos essenciais à vida e à saúde. Quantas vezes não se vêem pessoas com roupas, calçado, telemóveis, etc... de marcas caras, mas dentes de bradar aos céus.
- Não generalizem, p.f. Sou médico dentista, trabalho em duas clínicas na região metropolitana do Porto, cuja consulta custa 30 e 40 euros com o médico a receber no máximo 50%,dos quais ainda deve fazer os respectivos descontos, com o restante a ficar para despesas da clínica e para o bolso do patrão (que não tem de ser obrigatoriamente dentista). Os jovens dentistas têm na maioria empregos precários.
- É incrível é como alguns tratamentos a um só dente chegam a custar 300 euros! Os dentistas são demasiado exploradores e o governo pactua com isto! Deveria haver dentistas em todos os hospitais e com preços baixos!
- Bem hajam, ainda ontem fui ao dentista tratar de um dente deixei lá em moeda antiga 12 contos, dentes, vista e ouvidos são das coisas que deviam ter assistência a preços mais acessíveis e paga-se ao preço do ouro alguém enche os bolsos com isso.
- A maioria dos Portugueses não vai ao dentista porque os salários são de terceiro mundo e os preços das consultas são à Europa, aqui neste País fazem-se milagres todos os dias para se conseguir sobreviver com dignidade!
- Uma boa notícia. Algo a seguir por todos. As juntas de freguesia e até pela autarquias. Os cuidados dentários são dos poucos em Portugal que não existem nos centros de saúde. Os particulares são pagos a peso de ouro, por isso os Portugueses têm os dentes e a boca no estado que têm. Uma miséria. Os aparelhos e placas são carissimos. Os dentistas particulares não são fiscalizados e praticam preços que querem.
- Que este exemplo sirva para todos os autarcas do País, mas principalmente par o Sr. Primeiro-ministro e para o Sr. Ministro da Saúde possam reflectir sobre as carências que as pessoas têm no acesso à assistência médica.
- O que os nossos governantes parecem esquecer-se ou fazem-se de esquecidos, são os preços exorbitantes dos dentistas, um dos mais altos da UE. Ainda se queixam que os portugueses não tratam da boca..pois bem! Iniciativas como esta são de louvar! Só graças a pessoas generosas que têm estas ideias.
- Seria excelente que todos os autarcas desta Pais fizessem o mesmo que está a fazer este SENHOR Presidente de Junta. É que este SENHOR não olha só para ele mas também para aqueles que o elegeram. Continue e boa sorte na sua vida Sr. Presidente, e que todos os outro ponham os olhos na sua iniciativa... Obrigado.
- Ainda bem que de vez enquanto aparecem aqui boas noticias para nos animar um pouco. Parabéns à Junta de Freguesia de S.Domingues de Benfica por esta louvável iniciativa. Oxalá outros lhe sigam o exemplo.
- Parabéns pela excelente iniciativa. Em quanto temos o 1º ministro mais preocupado com as OTAS e os hotéis em Montargil, finalmente temos alguém c/ coragem e c/ vocação olhando para o povo que não tem possibilidade de pagar 2000€ por um aparelho de ortodontia ou 100€ por consulta. Ponham os olhos neste presidente de Junta e já que se importam tantos modelos do estrangeiro olhem mas é para o nosso país.
- Não é só na área de estomatologia que os cuidados são só para ricos. A ganância dos profissionais sente-se em todas as áreas da saúde. Parabéns ao Sr. P da Junta e aos profissionais que colaboram com ele. Outros que lhe sigam o exemplo.
- Costumo dizer que a boca é um "cartão de visita".Parabéns Sr. Presidente! É um exemplo a seguir por todas as juntas de freguesia, eu moro na de S. Domingos de Rana. Tires
- É um exemplo a seguir e só mostra que não custa ajudar os outros a viver melhor. Talvez o (des)governo possa aprender com este exemplo e repense o SNS que é uma vergonha nacional.
- Um exemplo que todas as juntas deviam seguir. Parabens ao Presidente.
- É de louvar esta iniciativa, espero que a mesma se pudesse estender todos os pontos do pais, assim mais pessoas poderiam beneficiar da mesma.
- Uma boa iniciativa que devia servir como exemplo aos Srs. Drs. Dentistas que praticam preços ofensivos para a média da população portuguesa. Será que os Srs. Drs. não podem abdicar de férias noutros continentes ou trocar o carro de luxo por um normal? É que os portugueses estão fartos de apertar o cinto para outros encherem a barriga!
- Ora ai está uma notícia bem positiva. Parabéns à Junta de Freguesia de S. Domingos de Benfica pela iniciativa. Agora falta as outras juntas seguirem este louvável exemplo.
- De vez em quando ainda aparecem boas notícias. Os preços praticados pela maioria dos dentistas são um autêntico escândalo 60 e 80 euros por consulta e um tratamento nunca se fica por uma consulta só. Gente desumana.

sábado, 11 de agosto de 2007

184) Um em cada cinco açorianos nunca foi ao dentista

Um em cada cinco açorianos com mais de dois anos nunca foi ao dentista ou ao estomatologista, apesar os Açores serem a única região do país que disponibiliza consultas de medicina dentária no serviço público de saúde. Os dados constam do Inquérito Nacional de Saúde 2005-2006, e indicam que a proporção de população das Regiões Autónomas a partir dos dois anos que já alguma vez na vida utilizou consultas de saúde oral é menor do que no Continente. No Continente, 86,3 por cento já foi assistido por estomatologistas, dentistas ou outros técnicos de saúde oral, enquanto na Madeira esse valor desce para os 81,8 e nos Açores para os 78,7 por cento.
Confrontado com estes números, o coordenador regional açoriano do Programa de Promoção de Saúde Oral, Ricardo Cabral, desvalorizou a percentagem mais baixa registada nos Açores, alegando que, há cinco anos, a região "partiu da cauda profunda". Garantiu que os Açores estão a aproximar-se dos indicadores médios nacionais nesta área, com medidas que permitiram "ganhos em saúde" nos últimos anos.
O dentista lembrou que a Região Autónoma dos Açores é a única do país que disponibiliza medicina dentária pública, através de um programa regional com medidas inovadoras ao nível do país. Cada um dos centros de saúde dos Açores, à excepção do da ilha do Faial, já asseguram uma média de duas mil consultas de saúde oral por ano, adiantou à agência Lusa.
Com a este programa, têm-se registado "ganhos em saúde consideráveis", assegurou o especialista, lembrando que os dados do inquérito hoje divulgados coincidem com o início da aplicação do programa.
Em declarações à Lusa, o especialista reconheceu, porém, que "ainda há muito a fazer" nesta área na região, mas salientou que os Açores já se estão a aproximar das médias nacionais. Apontou o exemplo de medidas inovadoras desenvolvidas no arquipélago, como o Boletim Individual de Saúde Oral, disponibilizado às crianças das nove ilhas e que permite registar toda a informação e historial clínico do seu portador.
Este boletim, que pode ser solicitado gratuitamente nos centros de saúde das nove ilhas, constitui mais um contributo para a saúde oral dos açorianos, no âmbito do programa em curso. Segundo disse, entre 2000 e 2005 registou-se uma evolução na saúde oral da população, comprovada, por exemplo, pelo índice de cáries dentárias nas crianças, que passou de 4,5 para 2,1 neste período (indicador internacional). Quanto à percentagem de crianças isentas de cáries aos seis anos (bocas saudáveis), a região passou de 30,8 por cento em 2000 para os 37,3 por cento em 2005, uma evolução positiva, mas ainda longe das metas da Organização Mundial de Saúde.
Ricardo Cabral defendeu que a saúde oral está mais acessível a toda população, com a entrada de novas profissionais em ilhas que não disponham de médicos dentistas.
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Com esta notícia chama-se à atenção dos governentes: a quem hoje negam o acesso à saúde irão amanhã ter que pagar obrigatoriamente impostos ?
Gerofil

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

183) O papel da LBV (Legião da Boa Vontade) na saúde comunitária (VII)


PAULO OLIVEIRA
Todos os dias, centenas de crianças, de bairros carenciados do Porto, são recolhidas pela Legião da Boa Vontade (LBV) e distribuídas pelos centros da instituição ou outros locais onde passam o dia, como escolas e ATLs. Contratado pela LBV para trabalhar no programa "Sorriso Feliz", Paulo Oliveira acompanha a saúde oral de mais de 1200 menores, «muitos dos quais nunca pegaram numa escova».
Decidiu trabalhar neste projecto «porque gosto da comunidade e ou estava num centro de saúde ou vinha para a LBV e, aqui, trabalho com uma maior variedade de pessoas, desde toxicodependentes a prostitutas». Já esteve em Braga e no Alentejo, «onde há menos cáries que no Norte», afirma, mas este «é um meio [Grande Porto] mais carenciado».
Além da parte teórica, o higienista oral desenvolve uma série de actividades práticas que tentam promover a prevenção de problemas bucais na população. «Já tivemos propostas para trabalhar em Guimarães e noutros locais, mas não temos capacidade». As acções vão variando: «hoje falamos sobre o açúcar, da próxima vez que fizermos a visita a este centro poderá ser sobre a cárie ou a placa bacteriana».
As crianças respondem bem e participam, porque muitas não têm esta atenção em casa, e não são incentivadas pela família. Por isso, o trabalho passa, também, por falar com os progenitores, uma tarefa que «nem sempre é fácil».
Ainda assim, Paulo Oliveira reconhece que «era bom que houvesse mais médicos dentistas a ajudar. Mas, por falta de tempo, disponibilidade ou informação, poucos participam».”

terça-feira, 7 de agosto de 2007

182) S. Domingos de Benfica apoia assistência médica: dentista a 20 euros (1ª parte)

Pagar uma consulta de dentista a 20 euros e fazer tratamentos dentários por um preço 50 a 60 por cento mais barato do que o praticado no sector privado faz com que muitos moradores na freguesia de S. Domingos de Benfica, em Lisboa, tratem da boca. Asseguram que de outra forma não cuidavam da saúde oral por não terem dinheiro para pagar os preços pedidos pelos estomatologistas de consultórios particulares.
O Gabinete Clínico do Bairro do Calhau, inaugurado há três semanas, é um projecto da Junta de Freguesia de S. Domingos de Benfica e nasceu da necessidade da população em aceder a algumas especialidades médicas, especialmente à medicina dentária. Além da estomatologia, o Gabinete Clínico presta consultas de clínica geral, serviços de enfermagem e de fisioterapia. Nestes dois últimos casos podem ser prestados cuidados no domicílio, mas a deslocação tem um custo acrescido de três euros e meio.
A procura da assistência clínica, sujeita a marcação prévia, tem sido grande e é aberta à população lisboeta, não apenas aos residentes na freguesia. Os utentes com o Cartão Freguês (custa 2,5 euros) beneficiam de descontos na assistência médica e no comércio aderente.
MEDOS PASSADOS - O médico dentista Pedro Melo e Castro não tem tido mãos a medir, apesar de se estar em período de férias. “Uma percentagem muito elevada da população, cerca de 95 por cento, não tem acesso aos cuidados da saúde oral no Serviço Nacional de Saúde e os resultados vêem-se nos dentes estragados ou na falta de dentes.”
Melo e Castro sublinha um factor que tem mantido afastados dos gabinetes médicos muitos portugueses: “Muita gente diz ter medo de ir ao dentista, o que revela episódios traumáticos do passado. Todavia, as técnicas evoluíram e hoje não se sente o tratamento dentário.”
Quem se mostra satisfeito com o êxito deste projecto, ainda em fase inicial, é o seu promotor, o presidente da Junta de Freguesia, Rodrigo Gonçalves, eleito pelo PSD. “Decidimos avançar com estes cuidados de proximidade à população, destinados em especial aos idosos com carências económicas, porque ouvíamos as suas queixas de falta de acesso à saúde, na demora das consultas no centro de saúde e nos elevados preços no privado. O objectivo não é ter lucro, pretendemos que o projecto seja auto-sustentável.”
A Junta de Freguesia, a quarta maior de Lisboa, com 29 mil eleitores e cerca de 90 mil residentes, investiu no projecto oito mil euros.
DEPOIMEMTOS - "ESTOU MUITO SATISFEITA": Rosa Balão (68 anos) “Estou muito satisfeita com o tratamento dentário que estou a fazer. Se não fossem os preços baixos não podia arranjar os dentes porque não tinha dinheiro para pagar num consultório privado e não existe médico dentista nos centros de saúde. A minha família vem cá tratar-se.”
"EVITO PERDER OS DENTES": Elvira Videira (67 anos) “O meu tratamento consiste numa limpeza e arranjar quatro dentes. Vou pagar 175 euros mas se fosse num consultório privado estou certa que iria pagar mais. Como não podia suportar esse preço alto, o mais certo seria perder os dentes nos próximos anos, o que não vai acontecer com este tratamento.”
"VOU TER UMA BOCA BONITA": José Teles (56 anos) “Nunca gostei de dentistas mas mudei de opinião quando conheci o dr. Pedro Melo e Castro no Gabinete Clínico. Vou continuar com o tratamento e sei que no final vou ficar com uma boca bonita. Como estou desempregado, estes preços são acessíveis.”
Correio da Manhã (Cristina Serra)

quinta-feira, 26 de julho de 2007

181) Contratualização no SNS

Quando determinados sectores do poder político apontam as contratualizações por parte do SNS para minorar carências de saúde oral em Portugal, vejamos o ponto da situação traçado este mês na Assembleia da República acerca da sua (não) efectiva aplicação no país: link (tecle no link)

terça-feira, 17 de julho de 2007

180) Queixa: Entidade visada - Centro de Saúde de Odivelas

Há uns meses atrás, telefonei para o Centro de Sáude de Odivelas para marcar consulta para o dentista. Informaram-me que só passado um mês é que começavam a marcar consultas para o mês seguinte. Isto é, no dia 1 de Abril marcavam consultas para o mês de Maio.
Aceitei o dia que me propuseram para consulta no mês de Maio. Quando lá cheguei, fui informada que alguém se enganou a marcar consultas. Com muito esforço da minha parte, pedi-lhes para voltar no dia seguinte...depois de muito batalhar lá consegui. Depois de esperar que todos os pacientes impacientes se fossem embora, lá consegui que o dentista me deixasse entrar.
Assim que me viu disse que só me tratava se tivesse com dores, porque tinha mais que fazer. Entretanto, examinou-me os dentes à pressa e disse-me que eu precisava de aparelho. Aliás, ele indicava-me uma clinica privada para o colocar. Está-se mesmo a ver...
Já fui a diversos dentistas e nenhum me disse que precisasse de aparelho. Conclusão, passados meses à espera da consulta, deparo com a falta de vontade em me atenderem devidamente. Vim de lá conforme tinha ido, sem problema nenhum resolvido e irritada.
Optei por uma clínica privada. Aquelas condições são deploráveis, as recepcionistas que marcam consultas demasiado ineficientes, as instalações físicas também se vê que não apresentam as condições mínimas, ouvem-se berros de crianças impacientes que atordoam quem está doente. É uma vergonha o serviço prestado neste Centro de Saúde, está ao nível de um país de 3º mundo...
25 de Agosto de 2006
Pesquisa do Google (Termos "queixa" e "dentista")
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Espero que a ARS e o Ministério da Saúde já tenham resolvido todos os problemas referentes ao funcionamento das consultas no Centro de Saúde de Odivelas.
Gerofil

segunda-feira, 16 de julho de 2007

179) Saúde dentária passa pelos bons alimentos

Para uma boa saúde dentária, segundo o estomatologista Avelino Cachilandala, é importante uma boa alimentação com frutas como banana, mamão, maça, bem como outros alimentos como cereais, carne, peixe, vegetais, verduras, pão, queijo, leite e iogurtes, que são ricos em cálcio, vitamina A e ajudam a cuidar e fortalecer os dentes.
A cárie, de acordo com Avelino Cachilandala, é uma doença transmissível e infecciosa. Ela acontece quando há a associação entre a placa bacteriana cariogênica (uma espécie de película composta por bactérias vivas e de resíduos alimentares que se depositam sobre e entre os dentes), dieta inadequada e higiene deficiente.
O especialista disse que a perda dos dentes, problemas de audição e de fala, dentes permanentes tortos, baixa de auto estima, são os principais efeitos da cárie na infância.
Jornal de Angola Online
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Este recado fica bem aos responsáveis pelas políticas de saúde primária em Portugal. Pena que os órgãos de comunicação social sejam sistematicamente utilizados para fins sem quaisquer interesses para a população, quando deveriam ser a melhor forma de divulgação da cultura e de hábitos e estilos de vida saudáveis - seria bonito mas não dão votos nas urnas no imediato.
É o amadorismo político que temos no país.
Gerofil

terça-feira, 10 de julho de 2007

178) «Mundo a Sorrir» debatido na Maia: Intervenção em Cabo Verde e Guiné-Bissau

O projecto «Mundo a Sorrir» vai ser discutido no próximo dia 30 de Maio, durante a reunião do Rotary Club da Maia. «Mundo a Sorrir» é um projecto da Associação de Médicos Dentistas Solidários Portugueses, que tem por objectivo «melhorar as condições da Saúde Oral em Portugal e no Mundo».
De acordo com um comunicado da associação, o projecto tem actualmente em curso duas medidas de apoio à saúde oral em países carenciados de Língua Portuguesa, como Cabo Verde e a República da Guiné-Bissau, levadas a cabo por médicos dentistas voluntários que para além de realizarem vários tratamentos dentários, promovem também campanhas de sensibilização da Higiene Oral.
A próxima missão do «Mundo a Sorrir», desenvolvida pelo Rotary e pelo Rotaract Club da Maia, visa recolher material médico «consumível e medicamentos», a ser utilizado pela associação durante os meses de Agosto e Setembro, na Guiné-Bissau.
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Todas as iniciativas tomadas em prol dos desfavorecidos são sempre de louvar. Mas atenção, jamais esqueçamos as crianças que em Portugal sofrem tanto ou mais que as crianças em Cabo Verde ou na Guiné-Bissau.
Infelizmente, nenhum poder político quer resolver o problema da saúde oral em Portugal, preferindo todos enterrar a cabeça na areia. É assim os políticos que temos em Portugal: incapacidade de sentir emoções ou de qualquer tipo de sentimentos por crianças e jovens indefesos perante o completo desleixo do Serviço Nacional de Saúde pela sua saúde oral. Uma vergonha de um país membro da União Europeia.
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COMENTÁRIO RECEBIDO VIA E-MAIL (17.07.2007):
Apenas uma pequena informação adicional. A noticia corresponde ao projectos desenvolvidos no Ano Passado. Actualmente a ONG Mundo a Sorrir, desenvolve projectos de Saúde Oral na Guiné-Bissau e Cabo-Verde, tendo no próximo Outubro um projecto em parceria com a AMI.
Todavia, por sermos uma ONG Portuguesa, e por estarmos conscientes da realidade de Saúde Oral existente nas comunidades mais desfavorecidas em Portugal a Mundo a Sorrir, desenvolve campanhas de Saúde Oral na zona Norte e Sul do País. É parceira também do projecto "Dentes Saudáveis" da EntrAjuda.
As instituições que a Mundo a Sorrir dá apoio são: Casa Pia, Casa do Gaiato, Bairros do Lagarteiro, Escolas, Orfanatos, Lares e instituições particulares de Solidariedade Social. Sabemos que em Portugal não devemos ultrapassar os órgãos competentes para actuarem e mudarem a triste realidade da Saúde Oral, mas podemos alertar, denunciar e confrontar as autoridades para que estas se envergonhem da sua inoperância.
DESDE JÁ O MUITO OBRIGADO PELAS INFORMAÇÕES. ASSIM TENHAM O APOIO TOTAL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE E DA EDUCAÇÃO PARA ALARGAREM A VOSSA ACTIVIDADE.
Gerofil

quarta-feira, 4 de julho de 2007

177) SNS: mais pobres pagam mais pela saúde, diz estudo

Quem é mais pobre paga cada vez mais pela generalidade dos serviços de saúde do Estado. Essa tendência está demonstrada num relatório realizado há quatro meses por um grupo de trabalho nomeado pelo Governo para estudar soluções para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), revela o Jornal de Notícias esta quarta-feira. «São os agregados mais pobres que suportam o maior encargo com o financiamento dos medicamentos (maior fatia das despesas das famílias)". As despesas com aparelhos e material terapêutico, bem como despesas com serviços médicos, de enfermagem, paramédicos e outros aumentaram o significativamente o seu nível de regressividade entre 1980 e 2000», refere o documento citado pelo jornal.
As taxas moderadoras pouco ou nada adiantam, representando 0,77% da despesa total de saúde. Por outro lado, especialidades como Estomatologia, Ginecologia, Oftalmologia ou Cardiologia têm vindo a desaparecer do SNS em benefício dos privados.
Os autores do documento alertam também para o facto de a regressividade (pagam mais os mais pobres) estar presente também nas deduções à colecta do IRS, chamando também a atenção para o facto de o sistema ser generoso a esse nível.

176) Crescimento de consultas e cirurgias nos Hospitais do SNS

NOTA DE IMPRENSA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE
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Crescimento da Consulta Externa e Cirurgia em cinco
especialidades nos Hospitais do SNS - 2004-2006
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CONSULTA EXTERNA
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Entre 2004 e 2006, as consultas hospitalares, para o total do SNS, cresceram 9,8%, com as 1ªs consultas a crescerem 8,8% nesse período. Analisou-se, em particular, a evolução das consultas de Oftalmologia, Ginecologia/obstetrícia, Estomatologia, Cardiologia e Ortopedia (as especialidades referidas na comunicação social como sendo alvo de «crescente privatização»).
Em todas as especialidades se verifica um aumento da produção do SNS. No entanto, à excepção da Cardiologia, em todas elas o crescimento é inferior ao crescimento médio do total de consultas no SNS, no período 2004-2006.
1) Em Oftalmologia, constata-se um aumento das consultas, no período, de 7,5%, inferior ao do total do SNS (para todas as especialidades). No caso das 1ªs consultas, o aumento foi apenas de 2,8% em 2 anos, contrastando com o aumento de 8,8% do total das 1ªs consultas no SNS. Em termos relativos, portanto, o acesso piorou nesta especialidade.
2) Em Ginecologia/obstetrícia, o aumento total, nos 2 anos em causa foi de 4,22% e houve uma melhoria relativa do acesso, pois o aumento das 1ªs consultas deu-se ao ritmo de 7,7% (inferior, no entanto ao da média das 1ªs consultas do total do SNS, que foi de 8,8%).
3) Em Estomatologia, o aumento médio foi de 7,53% e verificou-se uma melhoria relativa do acesso a 1as. consultas, que cresceram a 11,02% nos 2 anos (mais intenso, portanto, do que para o total do SNS). No entanto, o nº total de 1ªs consultas em 2006 (35.949) é ainda muito reduzido face às necessidades da população.
4) Cardiologia apresenta-se como o único caso de evolução favorável dos 5 estudados: aumento do total de consultas superior ao dos SNS nesses 2 anos e crescimento das 1ªs consultas (13,88%) superior ao das consultas totais (11,85%).
5) Em Ortopedia, tal como em Oftalmologia, constata-se que em termos relativos o acesso piorou nesta especialidade. Houve um aumento das consultas, no período, de 7,2%, inferior ao do total do SNS (9,8%). No caso das 1ªs consultas, o aumento foi de 4,8% em 2 anos, contrastando com o aumento de 8,8% do total das 1ªs consultas no SNS.
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Intervenções cirúrgicas
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Entre 2004 e 2006, as intervenções cirúrgicas (IC), para o total do SNS, cresceram 5,4%.
Analisou-se, em particular, a evolução das IC de Oftalmologia, Ginecologia/obstetrícia, Estomatologia, e Ortopedia (as especialidades referidas na comunicação social como sendo alvo de «crescente privatização»).
Em todas as especialidades se verifica um aumento da produção do SNS no período, e superior ao da média do SNS (excepto para o caso particular da obstetrícia): Oftalmologia com 13,7% nos 2 anos em análise, Ginecologia/obstetrícia com 6,7%, Estomatologia com 24,3% (mas um númeno total de IC muito reduzido) e Ortopedia com um crescimento de 11,9%.

175) Faria Gomes homenageado

No passado dia 26 de Maio de 2007, na Reitoria da Universidade do Porto em sessão solene presidida pelo Magnifico Reitor, realizou-se a apresentação oficial da Academia de Medicina Dentária e fez-se a imposição das insígnias aos académicos fundadores. Entre os distinguidos estavam o ilustre barroense, médico estomatologista e ex-professor associado convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, António Augusto Faria Gomes, e o aguedense Olávio Sereno.
Faria Gomes nasceu em 12 de Maio de 1931, filho de Marcolino Gomes, mecânico dentista, de Barrô, e Olinda Faria, de Mogofores. Embora não tendo nascido em Barrô, desde sempre adoptou esta como sua terra, onde, aliás, os pais viveram largos anos, até para além da morte do pai. Licenciado em medicina pela Universidade de Coimbra, em 1957, efectuou o exame de especialidade de estomatologia à Ordem dos Médicos em 1961, com aprovação por unanimidade.
Responsável pela cirurgia oro-maxilo-facial no Hospital Conde de Sucena, em Águeda, de 1962 a 1965, foi mobilizado como tenente meliciano médico para o Hospital de Luanda, entre 1965 e 1967, tendo sido nomeado médico chefe do serviço de estomatologia. Foi nomeado director do serviço de estomatologia do Hospital Distrital de Aveiro em 1978. Foi presidente do Colégio de Especialidade da Ordem dos Médicos, de 1987 a 1989, presidente da Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária, de 1980 a 1983, professor convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, sendo regente da disciplina de prótese fixa do Departamento de Medicina Dentária, Estomatologia e Cirurgia Maxilo-Facial, de 1988 a 2001, data em que atingiu a reforma por limite de idade.
A sua área de maior interesse clínico-científico tem sido a implantologia, onde é um dos pioneiros e dos mais conceituados profissionais do país. Proferiu inúmeras conferências em reuniões científicas nacionais e internacionais, tendo publicado vários artigos em revistas da especialidade, sendo mesmo correspondente de uma revista espanhola. Foi organizador de vários eventos científicos, tendo sido galardoado pela Sociedade Espanhola de Estomatologia, com o Diploma de Honor, em 1983. É um dos principais impulsionadores das relações profissionais entre Portugal e Espanha, tendo sido presidente e secretário-geral do primeiro e terceiro congresso luso-espanhol organizados em Braga e Coimbra respectivamente. É membro efectivo do “Comité de Liaision Dentaire” da Comunidade Europeia. V.C.

sábado, 30 de junho de 2007

174) Cárie dentária afecta 70% das crianças do Norte do país

Cárie dentária afecta 70% das crianças do Norte do paísRastreios organizados pelo Instituto Superior de Saúde do Alto Ave (ISAVE) indicam que 70% das crianças do Norte do país têm cárie dentária, disse hoje à agência Lusa fonte do ISAVE. Das mais de três mil crianças, entre os seis e os nove anos, alunas do ensino pré-escolar e do 1º Ciclo, de algumas escolas públicas do norte de Portugal analisadas, apenas 30% não apresentam problemas de cárie.
O estudo, iniciado há cinco anos, pelo Departamento de Saúde Oral Comunitária do ISAVE, percorreu já escolas dos distritos de Bragança, Porto, Viana do Castelo e Braga. Em todos os estabelecimentos de ensino percorridos pelos estudantes do Instituto Superior de Saúde do Alto Ave, a junção dos «maus hábitos alimentares com os fracos hábitos de higiene oral», deixam marcas.
«São raras as crianças que não têm problemas de cáries», referiu à Lusa Estela Castro, coordenadora do departamento de saúde oral no Instituto Superior da Póvoa de Lanhoso. Depois de agrupamentos escolares em toda a zona Norte (como Torre de Moncorvo, Vinhais, Miranda do Douro, Carvalhido e Santa Maria da Feira), os técnicos estiveram no agrupamento de escolas de Vermoim, na Maia.
Em parceria com a autarquia local, foram realizados rastreios a 197 crianças para saber pormenores específicos sobre a sua saúde oral e, ao mesmo tempo, promover sessões de educação para a saúde apelativas, de forma a criar hábitos de prevenção de saúde oral. Com esse rastreio, foi criada uma base de dados que permitiu retirar informação precisa sobre problemas orais nas crianças.
Também na Maia, a percentagem de crianças com cárie é de 70%, idêntica à dos restantes concelhos nortenhos.
Para Estela Castro «a melhor forma de assegurar saúde, segurança e bem-estar na área da saúde oral é investir na formação de higienistas orais altamente qualificados de forma a atingir com sucesso as medidas de saúde oral implementadas no nosso país». Com protocolos celebrados com agrupamentos, câmaras municipais, centros de saúde e sub-regiões de saúde, os técnicos que efectuam o rastreio, seguem as indicações do Programa Nacional de Saúde Oral do Ministério da Saúde.
«Queremos ensinar a cuidar os dentes, a comer melhor e a viver melhor», diz Estela Castro. Na maioria dos casos sinalizados, cada escola informou os pais ou encarregados de educação das crianças dos procedimentos que deveriam tomar. Os casos mais graves foram comunicados aos respectivos centros de saúde.
«Depois de tratar, é necessário investir para que esses tratamentos não voltem a ser necessários. As doenças orais são muito caras para as pessoas e para o erário público. É preciso aumentar os níveis educacionais de saúde da população e melhorar os índices de percepção da importância da saúde oral na saúde geral», afirma a coordenadora. Segundo o responsável do curso de Higiene Oral do ISAVE, Mário Rui Araújo, «é urgente investir na saúde oral em Portugal».
«Não podemos somente pensar em tratar dentes. É preciso investir na criação de uma cultura forte de saúde oral, um trabalho que começa nas escolas e nos infantários», disse. Na Maia, disse, «os casos mais urgentes de crianças a necessitarem de tratamento oral serão enviados para o ISAVE, de forma a serem selados os dentes em risco». No futuro, «todas as crianças que necessitem serão atendidas ao abrigo deste programa e do programa nacional de saúde oral», salienta Rui Araújo.
Diário Digital / Lusa
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Este problema tão gravíssimo de saúde oral em Portugal, logo na infância, carece de medidas imediatas; basta de promessas e de mais estudos. O problema é tão grave de tal forma que é necessário alertar toda a comunidade e exigir respostas concretas no terreno por parte dos organismos competentes. Copie e divulgue esta notícia, pelo bem das crianças e jovens de todo o país.
Gerofil

segunda-feira, 25 de junho de 2007

173) Política de saúde a bater mesmo no fundo

De acordo com um estudo realizado por investigadores da Universidade Católica Portuguesa e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, os internamentos motivados pelo tabagismo custaram 126 milhões de euros, uma verba que acresce aos mais de 308 milhões gastos em medicamentos, consultas e meios complementares de diagnóstico.
Diário Digital
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Até quando pode um país gastar 432 milhões de euros a tratar viciados em tabaco e depois atribuir 5 milhões de euros para o Programa de Saúde Oral Escolar, que abrange largas centenas de milhar de crianças e adolescentes sem recursos para tratamentos de saúde oral ? É a política de saúde nacional a bater mesmo no fundo.
Gerofil

quarta-feira, 20 de junho de 2007

172) 100 centros de saúde equipados sem aproveitamento !!!

Existem cerca de 100 centros de saúde espalhados por todo o País, com todo o material para a prática de medicina dentária. No entanto, o equipamento nunca foi utilizado por falta de médicos da especialidade.
* * *
Já se canstatou que não é a falta de recursos que impede o SNS de servir toda a população portuguesa em termos de saúde oral; aqui basta apenas a vontade política.
Gerofil

171) BRASIL: Saúde oral nas Escolas

DOURADOS – A Escola do Sesi de Dourados realizou com sucesso a "I Semana: Para ter Dentes Bonitos – Creme Dental e Escova". Durante esta semana, os alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental I iniciaram suas atividades com escovação, avaliação odontológica e aplicação de flúor, leitura de textos informativos sobre como escovar os dentes, entre outras atividades.
Além das informações prestadas pela professora em sala de aula, a escola contou com o apoio de orientação, aplicação de flúor e avaliação odontológica da dentista do Sesi, Emanuelle Campos de Menezes.
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Não se entende a razão pela qual este exemplo não é seguido em todas as escolas de Portugal, país membro da UNIÃO EUROPEIA. Também não se entende que não haja uma divulgação do PROGRAMA DE SAÚDE ORAL junto de todas as crianças e adolescentes a frequentarem as escolas do ensino básico e secundário; sem informação, logicamente o programa não funciona correctamente e jamais chegará de quem o precise.
Aguarda-se explicações urgentes por esta lamentável situação por parte dos Ministérios da Educação e da Saúde.
Gerofil

terça-feira, 12 de junho de 2007

170) Patrocínios para o desenviolvimento de projectos de saúde oral nas escolas

Várzea Grande (Brasil) - SECRETARIA BUSCA PARCERIAS PARA O PROJETO "Aprender Sorrindo": O secretário municipal de saúde, Guilherme Maluf, reuniu ontem (01) pela manhã com empresários e representantes de entidades de classe para apresentar o projeto Aprender Sorrindo criado com a finalidade de retomar o programa de prevenção em saúde bucal nas escolas da rede municipal de ensino.
De acordo com a coordenação de Saúde Bucal da SMS, Rita Sinohara, a prevenção traz resultados extremamente importantes na prevenção de cáries e extrações. “Além de ensinar a escovar os dentes, nossas equipes aplicam flúor e distribuem kits odontológicos às crianças”, explica.
Hoje o secretário Guilherme Maluf reuniu parceiros em potencial para a retomada do programa. Participaram da reunião representantes de redes de supermercados, hotéis, farmácias, entidades de classe, dentais, convênios odontológicos e empresários de outros ramos que terão retorno em mídia, na forma de patrocínio.
“Percebemos que a classe empresarial está cada vez mais consciente de suas responsabilidades sociais e acreditamos que o projeto será muito bem recebido principalmente pelo fato de representar mais qualidade de vida para a população cuiabana”, finaliza o secretário.
Durante a reunião o presidente da Associação dos Camelôs do Shopping Popular, Misael Galvão, garantiu participação na parceria. “Conhecemos bem a realidade da periferia e sabemos o quanto este projeto vai pode representar em termos de redução de cáries e extrações”, frisou.
Gustavo Moreira de Oliveira – Presidente do Sindicato dos Odontólogos de Mato Grosso (Sinodonto), elogiou a iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde. “Cuidando da saúde bucal do cidadão é possível ainda evitar inúmeras outras complicações à saúde das pessoas”, disse Gustavo, referindo-se a problemas de baixo peso, partos prematuros, problemas cardíacos, dentre outros. “O nosso sindicato está à disposição desta parceria”, garantiu ele.
O projeto ainda recebeu apoio irrestrito do Conselho Regional de Odontologia. “Faltam campanhas preventivas em saúde bucal na mídia e este projeto, com apoio dos parceiros, permitirá que as orientações cheguem às escolas e consequentemente às famílias cuiabanas”, ponderou o presidente da entidade, Hani Fares.
Representantes dos supermercados Comper e Modelo também participaram da reunião e reconheceram a importância do Aprender Sorrindo. A Universidade de Cuiabá também se fez presente e ratificou a disposição de retomar a parceria em recursos humanos.
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Tenho aqui apresentado toda uma série de exemplos de iniciativas tomadas em Portugal e no estrangeiro, no campo da saúde oral. Espero e desejo que as entidades competentes possam tirar daqui também algumas iniciativas para que as possam colocar em pratica. Porque o tempo urge, é já necessário agir hoje.
Gerofil

domingo, 10 de junho de 2007

169) Palestra: Crianças atentas

Crianças atentas à palestra sobre saúde bucal em Cuiabá

Saúde bucal foi o tema da palestra ministrada hoje (08) pela manhã por agentes comunitários de saúde a alunos da Escola Municipal Silvino Leite de Arruda no bairro Planalto. Trata-se de uma ação preventiva e cuja iniciativa partiu dos próprios agentes, sob a coordenação da enfermeira Luciana Regina de Aguiar Silva, responsável pelo Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS).
“Nós estamos trabalhando com a prevenção de doenças através da promoção da saúde”, disse a enfermeira aos alunos ao abrir as atividades. Na oportunidade, os agentes cantaram uma música cujo tema também era saúde, animando a atenta platéia. A professora Irani Ribeiro Gnoatto, responsável pela equipe gestora da escola, enalteceu o trabalho dos agentes comunitários. “A prevenção é a melhor maneira de promover a saúde”, reconheceu, lamentando que muitos pais não se preocupam com cuidados preventivos, favorecendo o surgimento de cáries e a perda de dentes prematuramente.
O secretário municipal de saúde, Guilherme Maluf, considerou louvável a ação dos agentes comunitários e anunciou: “estamos nos organizando para retomar o programa de descentralização do procedimento coletivo odontológico a partir do segundo semestre”. Trata-se de um trabalho preventivo articulado pela Coordenação de Saúde Bucal da SMS e público alvo são alunos de escolas públicas.
24 horas News
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Esta notícia ilustra o interesse que os temas de saúde têm junto dos mais novos. É neste sentido que também se terá de começar a agir e praticar, de forma sistemática, junto da comunidade educativa, fornecendo-lhe as armas de que necessitam para se prevenirem de doenças perfeitamente evitáveis.
Basta de simples intenções emanadas de gente colocada em gabinetes, desconhecedora muitas vezes da realidade do dia a dia.
Gerofil

quarta-feira, 6 de junho de 2007

168) Saúde oral nos centros de saúde

As últimas semanas trouxeram algumas novidades à inépcia que se tem vivido acerca da falta de capacidade dos Centros de Saúde e Hospitais darem resposta às necessidades de saúde oral das populações. A hipótese da presença de médicos dentistas nos Centros de Saúde foi de novo levantada e apoiada por diferentes personalidades da área da Saúde.
É um facto que sucessivamente todos os governos e políticos presentes no Parlamento têm feito questão de não levantar muito o problema. Excepção feita ao Bloco de Esquerda que ainda recentemente apresentou uma proposta para integração dos médicos dentistas no SNS, que foi liminarmente recusada.
Mas, realmente a (não) política seguida até agora é escandalosamente irresponsável e com repercussões de qualidade de vida e de aumento de custos em saúde perfeitamente desproporcionadas.
Parece que finalmente estão criadas as condições para que se comece a fazer sentir uma pressão da opinião pública e da comunicação social sobre este tema. Até a própria Organização Mundial de Saúde deu orientações a todos os países no sentido de dar prioridade à saúde oral das suas populações. A opinião sobre este assunto solicitada recentemente por diferentes órgãos de comunicação social ao Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Dr Orlando Monteiro da Silva, é paradigmática das repercussões negativas que ausência de médicos dentistas no SNS tem tido sobre a população.
No nosso país, são cada vez mais as vozes que se levantam contra o facto de não haver médicos dentistas nos Centros de Saúde. De um lado temos as famílias com menor capacidade económica que não têm qualquer possibilidade de recorrer ao médico dentista privado, para resolver os seus problemas. Do outro, são os professores das escolas, que falam do absentismo e referindo que as crianças cada vez têm os dentes piores e que vêm para as aulas com imensos problemas, sem que eles saibam como os encaminhar para verem resolvidos esses problemas.
Também os médicos de família têm vindo a sentir cada vez mais dificuldade em dar resposta aos problemas de saúde oral com que os seus utentes se confrontam. A nossa população tem mesmo necessidade de ter médicos dentistas no SNS para dar resposta às suas necessidades de tratamento!
A desculpa de que a inclusão duma valência como a medicina dentária no SNS acarretaria custos acrescidos para o Ministério da Saúde é pouco fundamentada. Inclusivamente, os custos envolvidos nesta falta de apoio de saúde oral por parte do SNS são incalculáveis, pois teríamos que somar os dias de baixa dos trabalhadores e falta às aulas dos alunos por problemas dentários, o recurso ao serviço de urgência dos hospitais por rotina com decisões, exames e medicações nem sempre apropriadas, as repercussões a nível da saúde geral com agravamento de determinadas doenças ou início de outras, entre um número interminável de implicações.
Como já referi várias vezes, considero que a disponibilização de cuidados de saúde oral às populações no âmbito do SNS é uma medida fundamental, num país com as carências que mais de metade da população evidencia. A actual dinâmica do Ministério da Saúde, com a abertura das unidades de saúde a parcerias público-privado, parece ter criado outro tipo de oportunidades e de possibilidade de decisão, muito longe dos jogos dos lobbies anti-médicos dentistas no SNS. Estas estruturas, mais viradas para a optimização de recursos e melhoria da capacidade de resposta às necessidades da população, vão certamente dar passos sólidos e determinantes para que um anseio mais que legitimo da população possa vir a ser correspondido a curto-médio prazo.
PAULO MACEDO

167) O que é gengivite? Sinais e sintomas


O que é gengivite? Gengivite - uma inflamação da gengiva - é o estágio inicial da doença da gengiva e a mais fácil de ser tratada. A causa direta da doença é a placa - uma película, grudento e sem cor de bactérias que se forma, de maneira constante, nos dentes e na gengiva.
Se a placa não for removida pela escovação e uso de fio dental diários, ela produz toxinas (venenos) que irritam a mucosa da gengiva causando a gengivite. Neste estágio inicial da doença da gengiva, os danos podem ser revertidos, uma vez que o osso e o tecido conjuntivo que segura os dentes no lugar ainda não foram atingidos. Entretanto, se a gengivite não for tratada, ela pode evoluir para uma periodontite e causar danos permanentes aos dentes e mandíbula/maxilar.
Como sei que tenho gengivite? Os sintomas clássicos da gengivite incluem gengivas vermelhas, inchadas e sensíveis que podem sangrar durante a escovação. Outro sintoma de doença é o recuo ou retração da gengiva, conferindo aos dentes uma aparência alongada. A doença da gengiva pode formar bolsas entre os dentes e a gengiva, onde se acumulam restos de comida e placa. Algumas pessoas têm mau hálito freqüente ou sentem gosto ruim na boca, mesmo se a doença não estiver em estágio avançado.
Como posso prevenir a gengivite? Uma boa higiene bucal é essencial. A limpeza profissional também é extremamente importante, pois uma vez que a placa se acumula e endurece (ou torna-se tártaro), apenas o dentista ou um higienista podem removê-la. Você pode prevenir a gengivite pela:
-A correta escovação e uso apropriado do fio dental para remover placas e restos, e do controle do aparecimento de tártaro.
-Alimentação correta para garantir nutrição adequada para o osso da mandíbula/maxilar e dos dentes.
-Evitar cigarros e outras formas de tabaco.
-Ir ao dentista regularmente.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

166) Confrangedor

O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou um programa para garantir a meio milhão de pessoas - estudantes, professores e trabalhadores em formação - o acesso a preços reduzidos a um computador e à Internet de banda larga.
Falando na abertura do debate mensal, José Sócrates disse que já a partir de Setembro todos os estudantes que se inscrevam no 10º ano terão acesso a um computador e à ligação à banda larga.
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Esta notícia faz perguntar, a quem quer que seja, quais as reais intenções do governo relativamente às políticas destinadas à infância e juventude do país. Sem querer menosprezar o alcance das medidas preconizadas, é deveras confrangedor o contraste gritante entre as iniciativas governamentais e as reais necessidades que as crianças e jovens de hoje necessitam em Portugal.
Como pão para a boca, a cada dia que passa restringe-se e cortam-se direitos sociais e atiram-se pessoas para largos anos para filas de espera em simples tratamentos dentários muito mais baratos que toda a panóplia assumida pelo governo relativamente à aposta que faz nas novas tecnologias …
E esperava eu que o Senhor Primeiro Ministro iria finalmente divulgar ao país que todas as crianças e adolescentes deste país iriam finalmente ter acesso a consultas de saúde oral.
Gerofil

quarta-feira, 9 de maio de 2007

165) Cuidado com os dentes

Os dentes são fundamentais para diversas tarefas vitais, tais como a alimentação (através da mastigação), a fala, o sorriso e a aparência, contribuindo, de forma inequívoca, para o bem-estar e a auto-estima das nossas crianças. Vamos, pois, aprender a cuidar do sorriso dos nossos pequenos!
Promover uma boa saúde oral nos progenitores - A primeira medida preventiva deverá passar pelo cuidar da sua própria boca. As primeiras bactérias a invadir as bocas dos nossos bebés são, muitas vezes, provenientes da bocas das pessoas mais íntimas!
Iniciar os cuidados com os dentes o mais cedo possível - Lavar as gengivas com uma compressa embebida em água quente deve fazer parte das regras de higiene logo após o nascimento. A utilização de escovas de dentes ficará protelada para o momento em que os primeiros dentinhos começarem a aparecer.
Na criança mais crescida é de reforçar a importância da lavagem dos dentes. Não faça disso uma obrigação, pois poderá estar a tornar o simples acto de escovar os dentinhos um verdadeiro martírio para o seu filho. Opte por entrar 'na onda', dando o exemplo e acompanhando-o sempre que chega a hora de pegar na escovinha.
Mostrar que lavar os dentes é uma tarefa de 'grandes' pode ser muito útil para incentivá-los. É uma estratégia pedagógica que se tem mostrado bastante eficaz, pelo menos até por volta dos 6 anos, altura em que os bons hábitos já deverão estar bem enraizados. Nesta altura, esta pequena tarefa já deverá constituir uma rotina saudável, tão básica como o chichi antes de dormir.
A selecção da escova - A primeira 'escova' não será mais do que uma compressa embebida em água quente, com a qual deverá massajar as gengivas do seu bebé após cada mamada. Logo que surja o dentinho 'inaugural', deverá comprar-se uma escova pequena e macia, tão colorida e atractiva quanto possível.
As escovas deverão ser substituídas quando os filamentos começarem a abrir (aproximadamente de 3 em 3 meses). As escovas eléctricas não são mais eficazes do que as manuais usadas de modo adequado. Contudo, são mais fáceis de utilizar. Além disso são, por vezes, mais apelativas pelo que, não sendo milagrosas, podem constituir um excelente incentivo.
A selecção da pasta dentífrica - Deverá ser de criança, com gosto agradável. Os dentífricos com flúor só estão indicados a partir dos 3 anos, altura em que os miúdos começam a conseguir evitar a sua deglutição. Depois dos 6 anos já serão permitidas pastas de adulto e bochechos com elixir.
Deve utilizar-se sempre uma pequena quantidade de pasta, pois uma pequena porção é suficiente para garantir uma lavagem eficaz. Idealmente dever-se-ia lavar os dentinhos sempre após as refeições ou ingestão de alimentos açucarados. No dia-a-dia será mais prático estipular um mínimo de duas lavagens (uma de manhã e outra à noite).
Assim sairá reforçada a qualidade da lavagem, não a quantidade. Mais vale fazer duas lavagens cuidadas do que várias em dois tempos!
Reconhecer a importância do flúor na higiene oral - O flúor é fundamental na prevenção da cárie dentária, actuando pela inibição da desmineralização do esmalte, ou seja, aumentando a resistência dos dentinhos à cárie. Deve ser administrado na forma de suplemento oral a partir dos 6 meses, através da pasta dentífrica depois dos 3 anos e sob a forma de elixir nas crianças com mais de 6 anos. Em quantidade adequada, o flúor não tem efeitos secundários.
Usar fio dentário - Os espaços entre os dentes são especialmente propensos à acumulação de restos alimentares e, consequentemente, de placa bacteriana. Para além disso constituem os locais menos acessíveis na escovagem regular, pelo que o uso de fio dentário funciona como um complemento da escovagem, não como alternativa.
Consultar regularmente o dentista - A primeira consulta deverá ocorrer por volta dos 12-24 meses. Nesta altura, o objectivo é mais pedagógico do que médico, procurando-se estabelecer desde cedo empatia com o local e as pessoas. Muitas vezes o primeiro contacto faz-se durante uma consulta dos pais, durante a qual o pequenote se familiariza com novos odores e ruídos, inspirando-lhes confiança para um próximo encontro.
Depois uma visita anual será, à partida, suficiente. Nunca, em circunstância alguma, deverá assustar o seu filho com histórias ou ameaças relacionadas com dentistas. Isso só irá contribuir para acalentar os seus receios!
Aproveite para questionar o dentista do seu filho sobre selante de fissuras. É um produto que se aplica nas pequenas reentrâncias dos dentinhos sãos, habitualmente a partir dos 6 anos, actuando como barreira física contra a cárie dentária. Uma excelente arma na prevenção desta doença!
Instituir uma alimentação saudável e equilibrada - Uma alimentação saudável é particularmente benéfica para a saúde da boca do seu filho. Diminuir a ingestão de alimentos açucarados é a chave para uma boca sã!
Não vamos pedir o impossível e tentar transformar as nossas crianças em adultos pequenos, pedindo-lhes que abdiquem das suas guloseimas. Era o mesmo que partir para uma corrida já com a derrota estabelecida. Opte por explicar o mal que os refrigerantes, doces e chocolates podem fazer aos seus dentinhos, tentando 'negociar' de forma a estabelecer dois ou três excessos por semana. Estes deverão ocorrer de preferência após as refeições, altura em que os nossos dentes estão mais protegidos contra a agressão dos açúcares.
Ariana Afonso (Interna Complementar de Pediatria)
Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos de Braga

segunda-feira, 7 de maio de 2007

164) ONG recruta dentistas voluntários para atender as crianças carentes

O Programa Dentista Do Bem, da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Turma do Bem, vai começar a atender crianças carentes de Bauru e Lençóis Paulista. Para isso, está recrutando dentistas voluntários.
Atualmente, quatro profissionais da região fazem parte do projeto, que já existe em todo o País.A cirurgiã-dentista Elizandra Paccola Moretto, coordenadora do projeto, explica que crianças de 5ª a 8ª séries da rede pública de ensino passarão por uma triagem e depois iniciarão o tratamento gratuito com os especialistas voluntários. As ações em Bauru ainda dependem de aval da prefeitura, mas a expectativa é que logo as avaliações comecem. Em Lençóis Paulista, a triagem também começará logo.
Moretto explica que as crianças são encaminhadas aos consultórios particulares dos dentistas e receberão o tratamento odontológico necessário. Para aumentar a capacidade de atendimento, ela espera que especialistas se inscrevam no projeto. Cada dentista poderá adotar o número de crianças que tiver interesse. A triagem das crianças será feita por Moretto.
Serão levadas em conta prioridades como dores, cáries e extração de dentes. Ainda sem data prevista para iniciar os atendimentos, o programa mantém profissionais cadastrados na região desde 2002. “Ainda não havia um coordenador regional”, explica Moretto. Ela conheceu o projeto no começo deste ano, quando participou de um congresso internacional. “Eu fui até o stand do programa e me interessei pelo projeto. Então, fui convidada para participar”, lembra.
Os dentistas interessados em participar do Programa Dentista Do Bem podem obter informações no site www.turmadobem.org.br ou com Moretto pelos telefones (14) 3226-2331, (14) 9714-3189 ou e-mail elizandra. moretto@gmail.com
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Bem-haja às pessoas que se prestem no bem das crianças. Que em Portugal também haja quem olhe pelos mais necessitados e que o Estado assuma a sua obrigação de proteger todos aqueles que não encontram respostas de tratamento nas instituições já existentes. A saúde oral tem de ser entendida como um bem de primeira necessidade e não como mais uma actividade económica destinada apenas às classes sociais mais favorecidas pelo sistema.
Gerofil

quarta-feira, 2 de maio de 2007

163) Associação Nacional dos Técnicos de Estomatologia de Angola (ANTEA)

A Associação Nacional dos Técnicos de Estomatologia de Angola (ANTEA) vai realizar o 1º Congresso nacional sobre “Medicina dentária no país”, durante os dias 20 e 21 de Julho do ano em curso. O evento enquadra-se no âmbito da formação contínua dos técnicos de estomatologia, em colaboração com a Ordem dos Médicos Dentistas de Portugal.
A informação foi avançada recentemente, em Luanda, pelo vice-presidente da Antea, Avelino Cachilandala, no final da palestra sobre “a importância da saúde buco oral e sobre a prevenção das doenças da boca” no seminário de “Formação dos formadores de agentes comunitários” que decorre nas instalações do Hospital Pediátrico de Luanda. Ao congresso participarão médicos, especialistas em estomatologia, enfermeiros, técnicos de diagnósticos, bem como empresas do ramo da distribuição de medicamentos.
Segundo Avelino Cachilandala, a situação dentária no país está controlada porque em todas as províncias a Antea possui técnicos e em colaboração com o Ministério da Saúde têm desenvolvido acções de capacitação e campanha sobre a saúde dentária. O especialista pontualizou que a higiene oral consiste na execução de uma série de actividades, utilizando diferentes elementos para retirar os resíduos de alimentos, placa bacteriana entre outros das superfícies dentárias, gengivas, língua e mucosa.
Para uma boa saúde dentária, Avelino Cachilandala recomendou uma boa alimentação com frutas como banana, mamão, maçã, outros alimentos como cereais, carne, peixe, vegetais, verduras, pão, queijo, leite e iogurtes, que são ricos em cálcio, vitamina A e ajudam a cuidar e fortalecer os dentes.
Quanto à escova individual, o especialista aconselha o cidadão a substituir de três em três meses e substituir sempre que estiver muito usada.“Após o uso da escova, lava-se com água e sacode-se para ser guardada. Deve-se evitar comer muitos doces para o cidadão não contrair cáries nem gengivites”, rematou.
A cárie, segundo Avelino Cachilandala, é uma doença transmissível e infecciosa. Ela acontece quando há a associação entre placa bacteriana cariogênica (uma espécie de película composta de bactérias vivas e de resíduos alimentares que se depositam sobre e entre os dentes), dieta inadequada e higiene deficiente.
“Quando o açúcar entra em contacto com a placa bacteriana, formam-se ácidos que serão responsáveis pela saída de minerais do dente”, frisou.
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Vamos ver também se a OMD desenvolve os devidos esforços no sentido de olhar cá para dentro e resolver os graves problemas de saúde oral que afectam grande parte da população portuguesa.
Gerofil