quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

599. Campanha DENTISTA SOLIDÁRIO - 19 dezembro 2012



















































Campanha DENTISTA SOLIDÁRIO - 19 dezembro 2012 - Dentista24

 “Dentista Solidário” Proporciona Tratamentos Grátis aos mais Carenciados

 Pelo 3º ano consecutivo, a Clínica Dentária deLisboa - Dentista24 promove o dia do “Dentista Solidário” junto da população mais carenciada de Lisboa, por ocasião do período natalício.
A próxima ação solidária será já no próximo dia 19 de dezembro 2012, dia em que a Clínica Dentária de Lisboa –Dentista 24 e todo o seu corpo clínico vão oferecer dezenas de novos sorrisos à comunidade. Esta iniciativa surge porque os responsáveis da clínica têm consciência que os cuidados dentários não estão acessíveis a todos, principalmente num período em que a austeridade alterou por completo as prioridades das famílias portuguesas.
Segundo a Dra. Ana Rita Costa, diretora clínica da Clínica Dentária de Lisboa – Dentista 24, “esta ação enquadra-se no nosso projeto de responsabilidade social e, por isso, inserimos no nosso programa de atividades da época natalícia, um conjunto de ações que visam ajudar a comunidade. Num período tão crítico da vida dos portugueses em que as pessoas, por vezes, não têm capacidade financeira para satisfazer as necessidades básicas do seu dia a dia, devemos ajudar os mais carenciados. Lançámos o repto ao nosso corpo clínico e técnico que se disponibilizou prontamente e com entusiasmo para este desafio do qual o único pagamento que vai aceitar será o sorriso no final de cada consulta. Com este pequeno gesto, acreditamos estar a contribuir para um mundo melhor e para uma sociedade mais justa.”
Neste dia os “Dentistas Solidários” irão assegurar uma vasta gama de tratamentos completamente gratuitos:

- Destartarizações
- Restaurações Simples
- Extracções Simples
- Rx
- Controlo da dor
- Diagnóstico
- Selantes

No âmbito desta ação não será possível fazer marcação prévia de consultas pelo que os pacientes serão vistos por ordem de chegada até ao limite da capacidade do horário da clínica que funcionará das 9H00 às 20H00. Esta ação solidária é válida para todos os adultos e crianças, com idade superior a 15 anos, sendo que, no caso das crianças, estas devem ser acompanhadas por um dos pais.

 Clínica Dentária de Lisboa – Dentista 24

Rua Marques da Silva, 89-1º-Dt
1170 - 223 Lisboa
Telefone: 213 540 059 / 918 825 088

Para mais informações:
Cristiana G. Lucas da Silva
21 354 00 59 / 96 932 9491
gestoradesorrisos@gmail.com

domingo, 16 de dezembro de 2012

598. Portugal tem a pior higiene oral da Europa


Portugal é o país com pior higiene oral da Europa, com quase todas as crianças a apresentar pelo menos uma cárie e a maioria dos idosos sem um único dente, afirmou o Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas. Segundo Orlando Monteiro da Silva, alguns estudos têm revelado dados preocupantes sobre Portugal que o colocam na cauda dos 25 países da União Europeia. Esses estudos revelam que "65 por cento das pessoas com mais de 60 anos não tem um único dente na boca", indicou o especialista.
"Perto de cem por cento das crianças em idade chave de avaliação – 5/6 anos e 9/10 anos – têm pelo menos um dente com cárie e algumas dessas crianças já têm 70 por cento dos dentes cariados, arrancados ou obturados", adiantou. Se as crianças forem instruídas desde cedo, ganham o hábito de cuidar da dentição e nunca vão deixar de cumprir regras de saúde oral e higiene dentária, explicou Orlando Monteiro da Silva, para quem o grande problema reside na falta de educação dos mais novos, tanto por parte dos pais como do Estado.
Na opinião do médico, os pais não incutem esses hábitos nas crianças porque também não os têm. "Os adultos mesmo quando vão aos dentistas e são devidamente instruídos só seguem os conselhos nos primeiros dias, mas como não há background deixam de cumprir as regras estabelecidas", frisou. Orlando Monteiro da Silva responsabiliza ainda o Estado pela falta de educação da população, e principalmente das crianças, ao não promover políticas de saúde oral em escolas, lares ou centros de dia.
Afirmando que conhece no terreno estas carências, o bastonário disse que nos lares de terceira idade "não há quem saiba como se higieniza uma prótese" e em centros com crianças deficientes profundas acamadas "há um desconhecimento total de que nesses casos deve ser colocado um antibiótico específico na boca para a higienizar". O apoio do Estado deveria passar também pelo investimento no Serviço Nacional de Saúde, defendeu, considerando "inadmissível" que hospitais e centros de saúde não tenham dentistas.
"O Ministério da Saúde trata as pessoas como se não tivessem boca", lamentou, acrescentando que "grande parte dos portugueses não tem acesso aos dentistas – que só exercem em clínicas privadas – por falta de meios económicos e de informação". Para Orlando Monteiro da Silva, este não investimento do Estado é um "erro tremendo" em termos de saúde pública.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

597. Manual da Medicina Dentária na Europa

O Manual of Dental Practice 2008, editado pelo Council of European Dentists (CED), é o documento de referência para compreender o exercício profissional da medicina dentária na Europa. Contém informação sistematizada e de fácil compreensão.
Aceda ao documento seguindo a seguinte hiperligação no site da Ordem dos Médicos Dentistas.


Direitos de Autor – AVISO
Faz-se notar, que o EU Manual of Dental Practice é uma criação da autoria do Conselho Europeu dos Médicos Dentistas, o qual detém todos os direitos de autor e conexos sobre a obra. Qualquer acto ou tentativa de aquisição, reprodução, cópia, conservação ou distribuição do EU Manual of Dental Practice, que não exclusivamente para fins de uso pessoal pelo utilizador, e na falta de autorização escrita especialmente concedida pelo proprietário dos direitos sobre a obra, constitui violação grave da propriedade intelectual da mesma.

sábado, 1 de dezembro de 2012

596. AÇORES: Região abandonou "cauda do país" e tem níveis elevados de saúde oral

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, elogiou hoje a situação da medicina oral nos Açores. “O balanço da saúde oral nos Açores é muito positivo, na perspetiva da Ordem dos Médicos Dentistas”, afirmou o bastonário, em declarações aos jornalistas em Ponta Delgada.
Para o bastonário, que falava no final de uma audiência com o presidente do Governo dos Açores, a existência de médicos dentistas na generalidade dos centros de saúde do arquipélago e a convenção com o Serviço Regional de Saúde, que permite um maior acesso da população aos cuidados de saúde oral, são alguns dos motivos que justificam a melhoria da situação na região. Para essa melhoria também contribuiu o Boletim de Saúde Oral, que Orlando Monteiro da Silva considerou “fundamental” para o acesso das crianças à saúde oral, além do investimento que as autoridades regionais têm feito ao nível da educação e prevenção.
Atualmente, exercem nos Açores 118 médicos dentistas, garantindo o bastonário que asseguram uma “cobertura eficaz” da população. Por seu lado, o presidente do executivo regional, Carlos César, manifestou satisfação pela avaliação positiva feita pela Ordem dos Médicos Dentistas, frisando que o desafio que se coloca aos Açores é “conseguir ainda melhores desempenhos”.
“O trabalho a fazer é de melhoria, a promoção da saúde oral é um trabalho que ainda está incompleto”, afirmou. A existência de médicos dentistas na generalidade dos centros de saúde do arquipélago e a convenção com o Serviço Regional de Saúde, que permite um maior acesso da população aos cuidados de saúde oral, são alguns dos motivos que justificam a melhoria da situação na região.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

595. Siga-nos no FaceBook

A saúde oral em Portugal – acompanhamento e monitorização das políticas de saúde pública relacionadas com a medicina dentária em Portugal. Tecle sobre a imagem, inscreva-se e siga-nos no Facebook; em português, inglês, alemão, francês, italiano e em espanhol.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

593. Quantos dentistas trabalham nas escolas portuguesas?

Um em cada dez dentistas deixou Portugal para ir trabalhar noutro país, e esta saída está a acentuar-se por falta de alternativas, disse o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas. Orlando Monteiro da Silva disse que, desde finais de 2009, já emigraram cerca de 700 dentistas, o que representa 10% dos profissionais com autorização para exercer medicina dentária em Portugal.
A Ordem tem conhecimento destes dados através dos pedidos de certificado de equivalências que estes médicos dentistas solicitam, para poderem trabalhar em estados-membros da União Europeia e noutros países. Segundo Orlando Monteiro da Silva, esta saída acentuou-se no último ano, existindo turmas inteiras que terminam os cursos de medicina dentária conscientes de que vão trabalhar fora de Portugal. Os principais países de destino destes médicos dentistas são o Reino Unido, Suécia, Suíça, França, Luxemburgo e Noruega.
O bastonário considera que as condições de trabalho, e respectiva remuneração, que estes dentistas encontram nos países de destino, são boas. Um médico dentista recém-formado pode receber entre 500 a 600 euros em Portugal, “se tiver a sorte de arranjar um emprego, e dez vezes mais em Inglaterra, por exemplo”, disse. “É bom poder exercer a profissão em outros países, mas o que é negativo é quando isso surge como uma fatalidade”, disse.
Orlando Monteiro da Silva revelou ainda que, além dos jovens, também os médicos dentistas com dez, 15 anos de carreira procuram cada vez mais um emprego no estrangeiro, por falta de resposta em Portugal. Segundo o documento Os números da Ordem dos Médicos Dentistas, que revela a estatísticas de 2012 da profissão, em 2016 vão existir 11.510 médicos dentistas em Portugal, “um número 55% superior face ao registado actualmente”.
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Aproximadamente 2 milhões de crianças e jovens portugueses continuam a ver a saúde oral por um canudo. Assim vai a saúde oral em Portugal. Sobre este assunto reina o silêncio em Portugal.

domingo, 28 de outubro de 2012

591. PORTUGAL: Programa de saúde oral infantil suspenso


O governo suspendeu a emissão de cheques dentista a crianças e jovens. O Ministério da Saúde invoca razões orçamentais para suspender a medida para os beneficiários de 7, 10 e 13 anos. A suspensão tem efeitos imediatos e vai vigorar até ano final do ano. Os cheques dentistas foram criados em 2008 no âmbito do Programa Nacional de Saúde Oral. Mais de 1 milhão de pessoas teve acesso por esta via a consultas de especialidade. Só em 2011 mais de 500 mil crianças foram beneficiadas. O Cheque dentista mantêm-se para todos os idosos que recebam o complemento solidário, para as grávidas e portadores do vírus de imunodeficiência adquirida.
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Em Portugal, país que integra a União Europeia, foi suspenso o programa de saúde oral cheque – dentista destinado às crianças. Em Portugal as crianças agora não têm direito a cuidados de saúde oral, violando assim a Declaração Universal dos Direitos da Criança. Todos sabiam que aquele programa abrangia só 10 % das necessidades das crianças; agora o programa foi cancelado.  
Em Portugal antigos e actuais governantes desviam milhares de milhões de euros de fundos públicos para benefícios próprios, sem que sejam julgados e condenados. Entretanto, as crianças são penalizadas por não terem voz que as defenda.
Portugal tem um sistema político que garante protecção a criminosos que governam o país e espezinha os direitos universais das crianças.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

589. Prestação de cuidados de saúde oral: Mentir oficialmente

“Lembro de quando tinha 12 ou 13 anos e ia tratar dos dentes, o dentista aplicava inicialmente anestesia logo em seis ou mais pessoas, independentemente de serem pessoas jovens, adultas ou idosas, julgo que sempre com a mesma seringa e anestesia, e depois começava a fazer extracções, também pela mesma ordem com que tinha dado a anestesia; se porventura algo corresse mal, mandava o paciente voltar passadas duas semanas para continuar o tratamento, o que, por vezes para extrair um dente ou uma raiz, implica duas ou três consultas, levando, em alguns casos, semanas para completar o tratamento.”
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Sem raios – x ou qualquer outro tipo de diagnóstico. E com a cumplicidade do Centro de Saúde, da Administração Regional do Alentejo, da Direcção – Geral de Saúde e Ministério da Saúde. Assim se tratava da saúde oral às crianças nos anos setenta e oitenta do século passado no Centro de Saúde do Alandroal.
Embora com conhecimento de toda a verdade, antigos directores daquele Centro de Saúde, hoje já retirados do cargo, negam categoricamente ter ali havido qualquer serviço de estomatologia; a esses clínicos deseja-se que os seus filhos e netos nunca na vida tenham que passar pelo mesmo, pois há pessoas que ficaram marcadas física e psicologicamente para o resto da vida, em virtude dos tratamentos dentários que tiveram na infância naquele Centro de Saúde.
Infelizmente ninguém está interessado que se faça hoje justiça a quem foram praticados os hediondos actos descritos; tenta-se a todo o custo dar encobrimento aos factos e desmentir a realidade para que não sejam apuradas responsabilidades civis e criminais. É esta a actual política do Ministério da Saúde, da Direcção – Geral de Saúde e da Administração Regional de Saúde do Alentejo.

domingo, 14 de outubro de 2012

588. Cheques - dentistas: Usa alunos para burlar o Estado

Deu consultas dentárias a 50 alunos carenciados, mas quando chegou a altura de pedir o pagamento ao Estado, cobrou a triplicar. No total, o dentista, com um consultório no Porto, burlou em 4 mil euros. Foi constituído arguido, anteontem, pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária por falsificação de documentos e burla.
A investigação durava há vários meses, no âmbito do combate à fraude no Serviço Nacional de Saúde. O dentista colaborava com uma escola do Porto, no Sistema de Informação da Saúde Oral (SISO) que faz parte do programa em que o Estado financia tratamentos dentários a alunos carenciados. A escola dá os cheques-dentista aos alunos e depois o Estado paga as consultas ao dentista.
O médico atendeu 50 alunos da mesma escola. Estes só foram a uma consulta, mas o dentista cobrou ao Estado três consultas a cada um dos alunos, ou seja quatro mil euros. A investigação avançou porque os casos são de alunos de uma só escola. Foram feitas buscas no consultório do médico e as crianças confirmaram que só tiveram uma consulta. A PJ investiga se existem mais casos em outras escolas
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Este é um exemplo real em que a existência dos famigerados cheques – dentistas revela-se completamente absurdo e em que as crianças são tratadas como número, não se atendendo às suas reais necessidades de saúde oral.
As crianças devem ter tratamentos dentários em função das suas necessidades; os cheques – dentistas constituem um programa que limita o acesso das crianças à saúde oral. A Ordem dos Médicos Dentistas deverá denunciar a situação e solicitar urgentemente a substituição do programa de saúde oral baseado nos cheques – dentistas por outro programa que defenda os reais interesses e direitos das crianças e dos jovens.
Pactuar com o atual programa de saúde oral para crianças e jovens significa abrir caminho a todo o tipo de ilegalidades. Só um programa baseado em critérios clínicos poderá dar credibilidade a um real programa de saúde oral infantil.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

586. Saúde Oral: um complot completo em Portugal

Em Portugal existe um verdadeiro complot formado pelas classes que dirigem o país e que têm completo desprezo quando são colocados problemas decorrentes da falta de igualdade de acesso da população a tratamentos dentários.
Por outro lado, crimes hediondos de saúde oral cometidos dentro do Serviço Nacional de Saúde são completamente abafados pela burocracia criada, em benefício de criminosos e mal feitores que praticam barbaridades sem que sejam devidamente acusados criminalmente.
Pessoas desqualificadas praticam todo o tipo de crimes físicos e psicológicos que afectam permanentemente as vítimas, sem que daí saia culpa alguma.
Tem tudo isto a haver por quem luta por justiça há mais de seis anos (VER AQUI TODA A PEÇA) mas nenhuma instituição deste país assume responsabilidades.
Todas as instituições foram devidamente informadas e solicitadas para a análise da situação descrita, pedindo-se uma profunda e detalhada análise aos actos administrativos e de saúde praticados que resultaram na situação descrita.
Ninguém assume responsabilidades, desde as instâncias governativas às instituições de justiça do país: Ministério da Saúde, Direcção – Geral de Saúde, Administração Regional de Saúde do Alentejo, Inspecção – Geral para as Actividades da Saúde, Provedor de Justiça, Procuradoria _ Geral da República, Presidência da República, Comissão de Saúde da Assembleia da República e Supremo Tribunal de Justiça. A estas instituições foi solicitada a devida reparação dos crimes hediondos descritos e, passados seis anos, nenhuma justiça foi feita. A única resposta obtida foi sempre a mesma: tentativa de passar o caso para outro organismo, tentando sempre nunca resolver o caso, num ciclo vicioso sem qualquer fim.
Afinal, actuando ao serviço do estado, de qualquer maneira e infligindo os piores tratamentos possíveis a pessoa menor de idade, que pediu e confiou nos tratamentos a que foi submetido, vê-se agora completamente desamparado e com a vida seriamente afectada a todos os níveis devido a um conjunto de pessoas a quem o estado devia obrigatoriamente pedir contas e agir criminalmente.
Afinal, foi para que serviu o 25 de Abril de 1974, se os direitos humanos continuam a ser uma simples miragem para quem apenas precisa dos mais elementares direitos de acesso à saúde?
Algum dia será feita realmente justiça e todos os criminosos responsáveis pela situação descrita pagarão pelos seus actos?

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

585. BRASIL: autoridades zelam pela saúde oral da população

O Brasil Sorridente, que faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS), é o maior programa de atendimento odontológico público e gratuito do mundo. Quase 90% das cidades brasileiras contam com alguma das 21.700 equipes de dentistas e técnicos em saúde bucal. Segundo a presidenta Dilma Rousseff, o governo federal vai investir no Brasil Sorridente 3,6 mil milhões de reais até 2014. Além dos consultórios odontológicos dos postos de saúde, o Brasil Sorridente também tem unidades móveis, e está fazendo mutirões para levar o tratamento de dente ou a confecção de próteses, as dentaduras, às regiões onde vive a população mais pobre, áreas rurais e assentamentos por todo o país.

Transcrição
Apresentador: Olá, você, em todo o Brasil, eu sou o Luciano Seixas e estou aqui para mais um Café com a Presidenta Dilma. Bom dia, presidenta!
Presidenta: Bom dia, Luciano! E um bom-dia a você, ouvinte, que nos acompanha aqui no Café!
Apresentador: Presidenta, hoje, eu queria conversar com a senhora sobre o Brasil Sorridente, o programa de atendimento dentário do SUS. O governo está ampliando as ações do Brasil Sorridente, presidenta?
Presidenta: Olha, Luciano, está, sim. O Brasil Sorridente já é o maior programa de atendimento odontológico público e gratuito do mundo. Quase 90% das cidades brasileiras contam com equipes de dentistas e técnicos em saúde bucal do SUS, o Sistema Único de Saúde. Agora, nós estamos ampliando, sabe, Luciano, a parceria com os estados e os municípios. Estamos investindo cada vez mais para que a população possa tratar dos dentes desde a infância até a idade adulta. Isso significa, Luciano, prevenir as cáries, fazer uma obturação ou até um atendimento mais especializado, como é o caso do tratamento de canal ou um tratamento de gengiva. Até 2014, vamos investir R$ 3,6 bilhões no Brasil Sorridente.
Apresentador: Presidenta, conta para nós como é que a população tem acesso aos dentistas do Brasil Sorridente.
Presidenta: Olha, Luciano, a população é atendida por dentistas, técnicos e auxiliares nos consultórios odontológicos dos postos de saúde e, também, nos 181 consultórios móveis que atendem a população das localidades mais pobres e mais distantes do país. Hoje, temos 21.700 equipes com dentistas e técnicos de saúde bucal em todas as regiões do país, Luciano, em todas. Nós estamos mudando aquela história triste das pessoas que não podiam ir ao dentista porque não tinham dinheiro para pagar o tratamento. Só no ano passado, o Brasil Sorridente fez mais de 150 milhões de atendimentos odontológicos em todo o país. Esse número vai crescer ainda mais, porque o governo federal vai, sistematicamente, comprar mais consultórios para oferecer mais serviços nos municípios brasileiros.
Apresentador: Presidenta, é uma pena que muitos brasileiros tenham perdido os dentes antes de ter acesso a todos esses serviços do Brasil Sorridente, não é mesmo?
Presidenta: É sim, Luciano, é sim. Mas o Brasil Sorridente tem uma ação muito importante, que é a colocação de próteses dentárias: nossa conhecida dentadura, Luciano. Essas dentaduras ajudam a resgatar a autoestima, a dar mais qualidade de vida para esses brasileiros e brasileiras, porque muita gente tem vergonha de conversar, de sorrir, tem dificuldade até de conseguir um emprego porque perdeu os dentes. Para você ter uma ideia da importância dessa ação do governo, cerca de 4,3 milhões de adultos no Brasil precisam de algum tipo de prótese dentária. Por isso, Luciano, nós também estamos investindo na instalação de novos laboratórios de prótese para que eles possam produzir essas dentaduras nas diferentes regiões do país. Hoje, nós temos laboratórios em 1.304 municípios brasileiros.
Apresentador: Mas, presidenta, às vezes, essas pessoas moram longe do centro da cidade e é difícil para elas procurar um dentista.
Presidenta: Para atender essas pessoas, nós estamos investindo também nos consultórios móveis, que são equipados com todos os equipamentos de um consultório odontológico. Nesses consultórios móveis se pode fazer tanto tratamento dentário que colocar essas próteses que nós nos referimos antes. O dentista tem até aparelho de raio-X para fazer um diagnóstico mais preciso. Hoje, nós temos 181 consultórios móveis em todo o país, e vamos entregar aos estados e município mais mil unidades odontológicas até o final de 2013. Outra boa notícia, Luciano, é que o governo federal está antecipando o repasse dos recursos aos estados e aos municípios para que eles organizem mutirões e prestem atendimento onde vive a população extremamente pobre, nas áreas rurais, nos assentamentos. Queremos buscar as pessoas que mais precisam do tratamento dentário. Queremos salvar os dentes e, quando não for mais possível, colocar próteses.
Apresentador: Então, presidenta, pelo que a senhora acabou de falar, esses mutirões vão devolver o sorriso a muita gente!
Presidenta: Ah, Luciano, a ideia é essa mesmo. Na próxima sexta-feira, por exemplo, eu vou acompanhar um desses mutirões que estão acontecendo por todo o país. Eu vou a Rio Pardo de Minas, lá no norte de Minas, para conferir como está o atendimento à população. Em Rio Pardo, mais da metade da população vive no campo, como ocorre em vários pequenos municípios do Brasil. Então, o consultório móvel vai ajudar muito a cuidar da saúde bucal dos moradores em toda aquela região. Sabe, Luciano, tratar dos dentes é tratar da saúde integral da pessoa, prevenindo problemas de digestão, prevenindo problemas no coração e até nos rins. Todos os brasileiros e brasileiras merecem um atendimento integral à sua saúde, por isso, Luciano, nós estamos fazendo o Brasil Sorridente como sendo um dos principais programas do SUS.
Apresentador: Presidenta, infelizmente, nós chegamos ao fim do programa de hoje. Obrigado por mais esse Café. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

584. SINAS@Saúde.Oral


Nesta área é disponibilizada informação sobre a avaliação da qualidade em prestadores de cuidados de saúde oral. A designação “Saúde Oral” prende-se com a intenção de incluir os diversos tipos de cuidados disponíveis – medicina dentária, estomatologia, odontologia… – numa área global e abrangente.
Até ao surgimento do SINAS, a Saúde Oral, em Portugal, não estava sujeita a qualquer tipo de avaliação em termos da qualidade dos serviços prestados: até à data inexistem, no nosso país, trabalhos sistemáticos e estruturados no âmbito da avaliação da qualidade relativamente à Saúde Oral; adicionalmente, verificou-se a carência de um documento agregador das indicações e guidelines clínicas em uso na prática diária, apesar da existência de manuais técnicos. Com o objetivo de colmatar esta lacuna em termos de sistematização documental, foi criado um grupo de trabalho dedicado à produção de um sistema de avaliação da qualidade para a área da Saúde Oral, que pudesse ser integrado no Projeto SINAS.
O grupo contou com a colaboração de elementos externos à ERS, convidados pela sua experiência e reconhecido mérito, procurando abranger vários âmbitos de especialidade clínica e técnica, desde a área dos cuidados de saúde oral até à da qualidade, higiene e segurança. Não se pretende aqui avaliar a prática clínica na sua vertente técnica ou deontológica, mas antes aferir da existência e cumprimento de procedimentos e requisitos conducentes à melhor qualidade dos serviços prestados.
São objeto de avaliação todos os estabelecimentos onde se prestam cuidados de saúde oral, sejam clínicas ou consultórios, com medicina dentária, estomatologia ou odontologia, que estejam registados na ERS e, quando aplicável, devidamente Licenciados. Os dados que servem de base à avaliação são submetidos pelos prestadores e da sua exclusiva responsabilidade. No entanto, são realizadas pela ERS auditorias sistemáticas, a estabelecimentos selecionados aleatoriamente, com o intuito de verificar, in loco, a consistência da informação submetida.
É do conhecimento de todos os intervenientes que, nos termos do artigo 51.º, n.º 1, al. c) do Decreto-lei n.º 127/2009, de 27 de maio, a não prestação de informações, e a prestação de informações inexatas ou incompletas pelos prestadores de cuidados de saúde, quando requeridas pela ERS, no uso dos seus poderes, constitui prática de contraordenação, punível com a aplicação de uma coima de €750 a €3740,98 (Pessoa Singular) ou de €1000 a €44.891,81 (Pessoa Coletiva), nos termos previstos na primeira parte da al. c) do n.º 1 do art.º 51.º do mesmo diploma.
A Comissão de Acompanhamento do SINAS@Saúde.Oral, constituída por diversas personalidades de referência e reconhecida idoneidade, tem vindo a seguir o desenvolvimento do Projeto desde o seu início. A ERS procura assim assegurar-se de que estão representados todos os atores, intervenientes e interessados no processo.
A Comissão reúne com a periodicidade entendida como necessária e oportuna, avaliando o próprio sistema, dando conselhos e opiniões relativamente ao mesmo. Apesar de se tratar de um aconselhamento não vinculativo, o trabalho da Comissão tem sido uma mais-valia inestimável, designadamente enquanto guia para a linha de orientação do projeto no seu global.
Composição da Comissão de Acompanhamento SINAS@Saúde.Oral:
Professor Doutor Américo Afonso (Médico Dentista / Professor da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto / Professor da CESPU - Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário), Doutor António Faria (Médico Dentista), Doutor Carlos Falcão (Médico Dentista), Professora Doutora Filomena Salazar (Médica Dentista / CESPU - Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário), Professor Doutor Germano Rocha (Médico Dentista / Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto), Professor Doutor Jaime Portugal (Médico Dentista / Professor Associado da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa), Professor Doutor José Pedro Figueiredo (Médico Estomatologista / Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra), Doutor Luís Tovim (Médico Dentista), Engenheiro Manuel Batista (Engenheiro Civil), Doutor Nuno Afonso (Médico Dentista), Professora Doutora Patrícia Manarte Monteiro (Médica Dentista / Universidade Fernando Pessoa), Professor Doutor Paulo Maurício (Médico Dentista / Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz), Professor Doutor Pedro Nicolau (Médico Estomatologista / Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Coimbra), Professor Doutor Rui Amaral Mendes (Médico Dentista / Universidade Católica Portuguesa – Centro Regional das Beiras), Professor Doutor Rui Pinto (Médico Dentista) e Doutora Vanda Urzal (Médica Dentista). 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

581. SUGESTÃO: estágio obrigatório de 1 ano nos centros de saúde do S.N.S.


O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, defendeu hoje, em Penafiel, que o curso superior que forma aqueles profissionais de saúde volte a ter seis anos, invertendo as recomendações de Bolonha. "Com Bolonha, perdeu-se um sexto ano, importantíssimo em termos de experiência clínica e de integração dos médicos dentistas no mercado de trabalho", afirmou, em declarações à Agência Lusa. Para o bastonário, em relação a essa matéria, "é crescente o consenso dentro da profissão e das faculdades de medicina dentária".
Orlando Monteiro da Silva criticou, por outro lado, o facto de Portugal ter sido "demasiado lesto" a adotar a declaração de Bolonha, "particularmente na área da saúde e da medicina dentária". Revelando que, em breve, em Coimbra, aquela ordem profissional vai discutir a questão com o secretário de Estado do Ensino Superior, o bastonário admitiu que desse encontro poderá "sair um documento oficial a solicitar o sexto ano". "Vários países europeus estão a seguir esta linha e nós não podemos ficar para trás nesta matéria", recordou.
O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas falava em Penafiel à margem de um congresso da sociedade científica GIRSO, promovido pela Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário (CESPU), que reúne algumas dezenas de especialistas de saúde oral de vários países europeus. Nesse congresso, o presidente da entidade organizadora, Almeida Dias, aproveitou a sessão de abertura para defender o prolongamento de cinco para seis anos na formação académica dos médicos dentistas. À Lusa, o bastonário admitiu que o prolongamento até pode ser substituído por um estágio, se "for bem estruturado e coordenado entre todos os intervenientes", nomeadamente "faculdades, hospitais, centros de saúde e alguma prática privada da profissão".
"O estágio ou um período de internato clínico poderá ser bastante útil", observou à Lusa, defendendo, porém, a introdução de "regras bem claras". Orlando Monteiro da Silva lembrou que "a nova lei das ordens profissionais, que está em revisão na Assembleia da República, já prevê um estágio". "Julgo que essa é uma oportunidade a ter em linha de conta", disse.
O prolongamento da formação vai, insistiu, "criar um consenso para uma atividade da saúde, onde a saída demasiado cedo para o contacto com a profissão deve ser repensada a bem da qualidade da medicina dentária e da formação".

domingo, 24 de junho de 2012

580. Ameaça à saúde em 50 falsas clínicas dentárias

Em Portugal, mais de meia centena de laboratórios de prótese dentária prestam serviços de forma ilegal. O JN visitou alguns e encontrou um perigoso cenário de ameaça à saúde pública e ao direito à imagem.
Utensílios médicos e moldes de próteses com ferrugem, seringas guardadas em garrafas de Coca-Cola, técnicos a manusearem a cavidade oral sem luvas e com objectos não esterilizados, empregadas de limpeza a auxiliar “dentistas”, “consultórios” a funcionar em moradias privadas, instalações velhas e com sanitários decrépitos, lixo por separar, câmaras de vídeo (não autorizadas pela Comissão Nacional de Protecção de Dados, confirmou o JN) à porta e na sala de espera dos “consultórios”, técnicos de prótese dentária a fazer biscates em consultórios de dentistas e dentistas a extrair dentes em casas particulares, protésicos que anestesiam, arrancam dentes e removem implantes. Nas duas semanas que percorremos o país, fazendo-nos passar por cliente, testemunhamos situações tão insólitas quanto impensáveis para o século XXI.
O mais inacreditável é que quase todos os laboratórios que visitamos continuam a trabalhar normalmente, sem temer fiscalizações, não obstante a denúncia feita e divulgada pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), em Maio, à Inspecção – Geral das Actividades em Saúde, Administração Central do Sistema de Saúde, Infarmed e Ministério da Saúde, entidades a quem enviou uma vasta lista de laboratórios que prestam cuidados de saúde directamente aos utentes, o que não é permitido por Lei.
Em espinho, há um laboratório de prótese dentária que, sem receios, afixa, na rua, um placard com o horário de atendimento ao público e até anuncia serviço de urgência, sabendo que a intervenção na cavidade oral é da exclusiva competência do dentista ou estomatologista e, em alguns casos, do odontologista.
O repórter do JN entrou nas referidas instalações, aguardando na sala de espera pela saída do outro “doente”. Quando chegou a sua vez, contou à “médica” a sua história clínica: “Tenho um implante que quero retirar e substituir por uma prótese. Fazem esse serviço? O que propõem e quanto cobram?”.
“Para remover o implante, sugerimos um dentista da nossa confiança. Tudo o resto nos fazemos. Cobramos 250 euros por cada dente”, respondeu, muito naturalmente, a “doutora”.
Antes disso, já o JN havia visitado outro laboratório, no edifício contíguo. Na sala de espera, comum a outros serviços prestados no mesmo piso, perguntámos se era ali que arrancavam dentes e colocavam próteses. Uma idosa apressou-se a responder, sem rodeios: “É aqui, sim, mas este é fraquinho. Cobra barato, mas não é tão bom quanto outro no prédio aqui ao lado. Esse leva mais dinheiro, mas tem mais qualidade e fama”.
Ainda em Espinho, visitamos um outro protésico, a quem contamos a mesma história clínica. O técnico, que nos atendeu na sala de espera, sem luvas, nem de um minuto precisou para fazer o diagnóstico: “Vá a um dentista retirar o implante e venha cá que fazemos e colocamos a prótese”.
Em Castro Daire, o laboratório que visitamos é uma barafunda. O técnico assumiu que, não fosse faltar-lhe ali “ferramenta”, e até extracção de implantes faria. Para esse efeito, sugeriu, como quase todos os protésicos, a ida a um “médico amigo” – de imediato sacou de um maço de cartões de visita, que tinha logo ali à mão, com o nome (curiosamente, ambos com o mesmo sobrenome) e contacto do dentista – e esclareceu: “Vai lá que ele extrai o implante e depois tratamos aqui da prótese. Ele é rapaz novo, mas já começa a ter experiência. Eu próprio também vou lá algumas vezes ajudar”. Trezentos euros por uma prótese esquelética e 1 200 euros por cinco dentes numa prótese fixa foi quanto nos pediram.
Em Viseu, num velho edifício, algo assustador, a assistente do protésico, na ausência deste, garante que o serviço ali prestado aos doentes “é de excelente qualidade”, seja prótese esquelética, acrílica, fixa ou ortodontia. “Sabe, o senhor MC tem muita experiência a lidar com a boca dos doentes”, explica.
Em Valongo, o “consultório” visitado funciona numa modesta casa de habitação, com videovigilância à porta. A assistente do “dentista” é a empregada de limpeza, que muito diligente, explica ao JN que “nunca nenhum doente” ali atendido – “e têm sido muitos” garante – “teve razão de queixa”. “Se precisar de extrair algum dente, vem aqui a casa, todas as quartas-feiras à tarde, um dentista, que lhe pode fazer esse serviço. Se preferir ser atendido no Porto, pelo senhor FS, ele também tem lá um consultório”, esclareceu a “auxiliar de acção médica”, facultando um cartão com as moradas médicas.
Na Marinha Grande, o centro integrado de saúde oral – assim anunciado à porta de uma habitação – conta com um técnico bastante conhecido na terra, que tem também consultório em Leiria. Entrámos no seu consultório, sentámo-nos na cadeira de dentista e o protésico viu a boca do repórter do JN, fez o diagnóstico, apontou para uma tabela de preços de próteses e deu uma boa notícia: “Se quiser que lhe retire o implante que tem na boca, para lhe aplicar uma prótese feita por mim, faço-o, sem problemas e sem custos. Quanto à prótese, se forem três dentes, cobro 16º euros (acrílica) ou 340 euros (esquelética)”.
Em Leiria, o “consultório” visitado pelo JN, cuja sala de espera tem videovigilância – “uma situação ilegal”, garante a CNPD –, assume aplicar “todo o tipo de próteses e aparelhos fixos e removíveis”. “Só não fazemos extracções de dentes e cirurgias. Aí, recomendamos um dentista aqui ao fundo da rua”, disse uma técnica, numa conversa rápida, já que, lá dentro, alguém aguardava por si. E quando o repórter do JN deixava as instalações, quatro idosos entravam no prédio e questionavam-nos sobre a localização do “consultório do dentista, que mete próteses”.
O mais luxuoso dos laboratórios visitados pelo JN, a funcionar num moderno e imponente edifício de serviços, fica localizado em Leiria, ao lado de um dentista. Na sala de espera, um doente confidencia ao repórter que foi ali mandado por um médico de um hospital. “Fiz uma operação e partiram-me a placa. Assumiram que me pagavam uma nova e disseram para vir aqui, que depois eles faziam contas com este laboratório”, disse. Ao que o jornalista pergunta: “Mas vem só fazer o molde ou é aqui que também lhe aplicam e ajeitam a placa?”. Resposta: “Não, os técnicos, aqui, fazem tudo. Depois, o hospital paga-lhes”. De facto, o repórter, minutos depois, acabou por confirmar isso mesmo, lá dentro, sentado numa cadeira de dentista. Na presença de um protésico, que o observou e prometeu aplicar uma prótese esquelética, com três dentes, por 380 euros, contando já com a necessária remoção prévia de um implante. “Depois ainda lhe posso fazer uma atenção no preço”, prometeu.
Ali, como em tantos outros laboratórios visitados pelo JN, os cartões de visita têm um espaço para assinalar o dia e a hora das consultas. “É mais uma prova que atendem doentes, o que é ilegal”, diz o bastonário da OMD que não encontra explicação para o facto de alguns laboratórios – em Espinho, por exemplo – anunciarem acordos com subsistemas de saúde.
Em Matosinhos, o único local visitado pelo JN cujos funcionários tiveram um discurso mais defensivo – um vistoso sistema de videovigilância à porta, de resto, deixa logo transparecer um certo receio com visitas indesejadas –, o serviço, também ilegal, mas que toda a vizinhança sabe ali existir, prende-se com a aplicação de aparelhos de correcção dentária a crianças. Quando questionamos sobre se aplicam próteses, remeteram, de pronto, para um dentista de confiança, no Porto, e, como em quase todos os outros laboratórios visitados, tinham logo ali à mão um cartão para oferecer.
“Se detectarmos que há algum tipo de relação ilegal ou reprovável entre dentistas e técnicos de próteses, tomaremos todas as medidas legais para denunciar e punir os infractores”, assegurou, ao JN, Orlando Monteiro da Silva, que, em ultima instancia, ameaça entregar o caso ao Ministério Público.
JN – É legal um técnico contactar directamente com clientes de próteses?
Orlando Monteiro da Silva – Os protésicos são responsáveis apenas pelo fabrico dos dispositivos médicos que são prescritos pelos médicos dentistas. O contacto directo com o doente ou a colocação do dispositivo na cavidade oral não podem acontecer.
JN – Quais os crimes em causa?
Orlando Monteiro da Silva – Ofensas à integridade física, usurpação de funções, burla, entre outros.
JN – Do que vimos nas “clínicas ilegais” visitadas, os preços são mais baixos do que nas clínicas legais, com dentistas. Este aparente aumento da prestação ilegal de cuidados de saúde é resultado da crise económica?
Orlando Monteiro da Silva – Não é uma lógica que possa ser estabelecida. Mas pensar-se que fica mais barato é um engano. Se alguém não pode praticar atos de saúde, porque não os sabe fazer como é suposto para uma prática segura, isto não fica mais barato. Fica bem mais caro. As pessoas que sofrem com os resultados menos felizes percebem quão mais caro resulta reparar lesões e danos eventuais. Portugal não pode ser o reino dos “arrancas”.
Transcrição do artigo “Mais de 50clínicas prestam serviços ilegais”, da autoria do jornalista Miguel Gonçalves, publicado na edição escrita do Jornal de Notícias do dia 24 de Junho de 2012 
* * *
As declarações do presidente da OMD são pouco clarificadoras para a resolução do problema. Afinal de contas quem é que forma os protésicos? Quem foram os instrutores e as instituições nacionais que formaram técnicos que causam ofensas à integridade física, usurpam funções, burlas, etc.? Aí sim, senhor presidente da OMD, deveria ter identificado cada um desses instrutores e instituições...

domingo, 17 de junho de 2012

579. Estudo a que alunos da Casa Pia foram sujeitos cumpriu todas as "leis e convenções nacionais e internacionais"


A Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (FMDUL) que levou a cabo um estudo de tratamento dentário a crianças da Casa Pia, entre 1997 e 2006, defende que o mesmo "respeitou todas as leis, regulamentos e convenções, nacionais e internacionais, relacionadas com os aspectos éticos e de protecção de participantes humanos".
As declarações, feitas através de comunicado à imprensa, surgem um dia depois de o secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social ter solicitado ao Procurador-Geral da República (PGR) que apure se existiu “algum ilícito criminal” na execução de um protocolo que levou ao tratamento dentário de 507 crianças da Casa Pia de Lisboa.
Na participação, o governante refere que o estudo em causa foi objecto de uma reportagem pela RTP, no passado dia 28 de Maio, denominada As Cobaias e que nela é referido que as substâncias utilizadas nos tratamentos eram “muito tóxicas”. No entanto, o "Casa Pia Study, como foi chamado, foinoticiado pelo PÚBLICO a 14 de Novembro de 2003. Diz respeito a um estudo norte-americano sobre o uso de de amálgamas de mercúrio, os vulgares "chumbos", nos tratamentos dentários com 500 crianças da Casa Pia. Desde o primeiro dia, houve polémica – que se reacendeu agora, graças a uma reportagem emitida pela RTP1 no final de Maio.
Como o PÚBLICO noticiou há nove anos, num trabalho que deu direito a manchete e que se estendia por quatro páginas no interior da edição de 14 de Novembro de 2003, não havia na altura ensaio nacional que pudesse gabar-se de ter um orçamento tão avultado – nove milhões de euros. O "Casa Pia Study" era, à data do seu lançamento, o mais caro projecto do National Institute of Dental Research (NIDCR), um dos 27 centros de pesquisa dos institutos nacionais de saúde norte-americanos.
O estudo The Casa Pia Study of the Health Effects of Dental Amalgam in Children foi feito em parceria entre a FMDUL e a Universidade de Washington, Seattle. Em simultâneo, nos EUA decorreu um estudo paralelo sob a responsabilidade do New England Research Institute. Todos os materiais utilizados, incluindo o amálgama dentário, consistiram em "materiais comerciais devidamente certificados" e as técnicas utilizadas nas restaurações dos dentes "respeitaram os protocolos padronizados".
A utilização do amálgama dentário "era e continua a ser advogada por várias entidades internacionais". A saber: a Organização Mundial de Saúde, a Federação Dentária Internacional, a Food and Drug Administration (a organização norte-americana equivalente ao Infarmed português), o Conselho Europeu de Dentistas e a Comissão Europeia.
Além de ter sido pedido consentimento aos alunos que participaram, A FMDUL pediu ainda autorização aos pais e responsáveis legais e os dois provedores da Casa Pia, Luís Rebelo e Catalina Pestana, deram também autorização.
"Ao contrário do que é afirmado na reportagem, não foram restaurados 16 dentes por aluno, mas 16 superfícies. O número médio de dentes restaurados por aluno foi entre cinco e seis", diz o comunicado. A segurança dos alunos e os resultados intercalares foram "sujeitos a monitorização permanente por parte de uma comissão independente formada por um grupo de peritos nas várias áreas de interesse do estudo. Esta comissão tinha a responsabilidade e o poder de interromper o estudo".
Entre 2005 e 2007 foi feita uma auditoria aos aspectos éticos e de protecção dos participantes pelo Office for Human Research Protections, um órgão do governo federal norte-americano, por causa de uma queixa que incluia aspectos abordados na reportagem. Essa auditoria concluiu que as queixas eram "improcedentes" e o processo foi arquivado "definitivamente".
PÚBLICO
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Independentemente dos ilícitos que possam ter ocorrido com a experiência mencionada na notícia, é extremamente lamentável e revela completa falta de ética e imoralidade ver um o secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social estar preocupado com uma situação ocorrida no passado e não fazer uma exaustiva auditoria aos actuais programas de saúde oral que tratam menos de 10 % das necessidades de saúde oral e dentária das crianças e jovens portugueses, descriminando a esmagadora maioria a quem deveria ser dirigido o programa.
A demagogia e a vergonha devem ter limites para determinados políticos.

domingo, 10 de junho de 2012

domingo, 13 de maio de 2012

576. A saúde oral em Portugal descrita por si


Escreva e remeta-nos a sua opinião acerca da saúde oral em Portugal. Apresente a sua opinião, publique os seus artigos ou reflicta sobre o trabalho já desenvolvido por este blogue. Para o bem da saúde oral de todos os portugueses.
Colabore e participe: tempogero@gmail.com

domingo, 6 de maio de 2012

575. Dentista monta burla milionária à Polícia


Polícias e familiares directos, para qualquer problema de saúde dentária, desde há largos anos que tinham como referência o médico José Pedro Casimiro, ao serviço numa clínica na Amora, Seixal. Só que este, com ou sem conivência dos primeiros – é o que agora falta à PJ apurar – terá burlado os Serviços de Assistência na Doença da PSP em largos milhares, com falsos tratamentos aos agentes e familiares.
A Direcção Nacional da PSP está a colaborar com a investigação da Judiciária de Setúbal, apurou o CM, no sentido de apurar o real valor em que os seus serviços foram lesados e se há elementos da própria Polícia coniventes com o esquema de burlas em série. A investigação passará agora por ouvir todos os envolvidos ao longo de vários anos – agentes da PSP e familiares directos (cônjuges e filhos), sendo que estes últimos são poucos, uma vez que há alguns anos lhes foi retirado o direito aos Serviços de Assistência na Doença da PSP. A PJ quer saber que tratamentos dentários fizeram e se são cúmplices do esquema ou se o seu nome foi usado de forma abusiva. Na divisão da PSP do Seixal, há cerca de 200 polícias divididos pelas seis esquadras locais.
A denúncia terá partido dos próprios Serviços de Assistência na Doença da PSP, face às suspeitas de irregularidades encontradas nas contas astronómicas a pagar ao médico do Seixal – sucessivos tratamentos dentários em nome das mesmas pessoas, agentes da PSP ou familiares. O caso chegou à Judiciária de Setúbal, que consultou nos serviços da PSP toda a documentação respeitante às dívidas reclamadas por José Pedro Casimiro – e encontrou indícios claros de crime, consolidados recentemente na operação de buscas realizadas à clínica Implante Médico na Amora, Seixal. O dentista foi constituído arguido e aguarda o desenrolar da investigação em liberdade.