domingo, 14 de outubro de 2012

588. Cheques - dentistas: Usa alunos para burlar o Estado

Deu consultas dentárias a 50 alunos carenciados, mas quando chegou a altura de pedir o pagamento ao Estado, cobrou a triplicar. No total, o dentista, com um consultório no Porto, burlou em 4 mil euros. Foi constituído arguido, anteontem, pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária por falsificação de documentos e burla.
A investigação durava há vários meses, no âmbito do combate à fraude no Serviço Nacional de Saúde. O dentista colaborava com uma escola do Porto, no Sistema de Informação da Saúde Oral (SISO) que faz parte do programa em que o Estado financia tratamentos dentários a alunos carenciados. A escola dá os cheques-dentista aos alunos e depois o Estado paga as consultas ao dentista.
O médico atendeu 50 alunos da mesma escola. Estes só foram a uma consulta, mas o dentista cobrou ao Estado três consultas a cada um dos alunos, ou seja quatro mil euros. A investigação avançou porque os casos são de alunos de uma só escola. Foram feitas buscas no consultório do médico e as crianças confirmaram que só tiveram uma consulta. A PJ investiga se existem mais casos em outras escolas
* * *
Este é um exemplo real em que a existência dos famigerados cheques – dentistas revela-se completamente absurdo e em que as crianças são tratadas como número, não se atendendo às suas reais necessidades de saúde oral.
As crianças devem ter tratamentos dentários em função das suas necessidades; os cheques – dentistas constituem um programa que limita o acesso das crianças à saúde oral. A Ordem dos Médicos Dentistas deverá denunciar a situação e solicitar urgentemente a substituição do programa de saúde oral baseado nos cheques – dentistas por outro programa que defenda os reais interesses e direitos das crianças e dos jovens.
Pactuar com o atual programa de saúde oral para crianças e jovens significa abrir caminho a todo o tipo de ilegalidades. Só um programa baseado em critérios clínicos poderá dar credibilidade a um real programa de saúde oral infantil.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

586. Saúde Oral: um complot completo em Portugal

Em Portugal existe um verdadeiro complot formado pelas classes que dirigem o país e que têm completo desprezo quando são colocados problemas decorrentes da falta de igualdade de acesso da população a tratamentos dentários.
Por outro lado, crimes hediondos de saúde oral cometidos dentro do Serviço Nacional de Saúde são completamente abafados pela burocracia criada, em benefício de criminosos e mal feitores que praticam barbaridades sem que sejam devidamente acusados criminalmente.
Pessoas desqualificadas praticam todo o tipo de crimes físicos e psicológicos que afectam permanentemente as vítimas, sem que daí saia culpa alguma.
Tem tudo isto a haver por quem luta por justiça há mais de seis anos (VER AQUI TODA A PEÇA) mas nenhuma instituição deste país assume responsabilidades.
Todas as instituições foram devidamente informadas e solicitadas para a análise da situação descrita, pedindo-se uma profunda e detalhada análise aos actos administrativos e de saúde praticados que resultaram na situação descrita.
Ninguém assume responsabilidades, desde as instâncias governativas às instituições de justiça do país: Ministério da Saúde, Direcção – Geral de Saúde, Administração Regional de Saúde do Alentejo, Inspecção – Geral para as Actividades da Saúde, Provedor de Justiça, Procuradoria _ Geral da República, Presidência da República, Comissão de Saúde da Assembleia da República e Supremo Tribunal de Justiça. A estas instituições foi solicitada a devida reparação dos crimes hediondos descritos e, passados seis anos, nenhuma justiça foi feita. A única resposta obtida foi sempre a mesma: tentativa de passar o caso para outro organismo, tentando sempre nunca resolver o caso, num ciclo vicioso sem qualquer fim.
Afinal, actuando ao serviço do estado, de qualquer maneira e infligindo os piores tratamentos possíveis a pessoa menor de idade, que pediu e confiou nos tratamentos a que foi submetido, vê-se agora completamente desamparado e com a vida seriamente afectada a todos os níveis devido a um conjunto de pessoas a quem o estado devia obrigatoriamente pedir contas e agir criminalmente.
Afinal, foi para que serviu o 25 de Abril de 1974, se os direitos humanos continuam a ser uma simples miragem para quem apenas precisa dos mais elementares direitos de acesso à saúde?
Algum dia será feita realmente justiça e todos os criminosos responsáveis pela situação descrita pagarão pelos seus actos?

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

585. BRASIL: autoridades zelam pela saúde oral da população

O Brasil Sorridente, que faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS), é o maior programa de atendimento odontológico público e gratuito do mundo. Quase 90% das cidades brasileiras contam com alguma das 21.700 equipes de dentistas e técnicos em saúde bucal. Segundo a presidenta Dilma Rousseff, o governo federal vai investir no Brasil Sorridente 3,6 mil milhões de reais até 2014. Além dos consultórios odontológicos dos postos de saúde, o Brasil Sorridente também tem unidades móveis, e está fazendo mutirões para levar o tratamento de dente ou a confecção de próteses, as dentaduras, às regiões onde vive a população mais pobre, áreas rurais e assentamentos por todo o país.

Transcrição
Apresentador: Olá, você, em todo o Brasil, eu sou o Luciano Seixas e estou aqui para mais um Café com a Presidenta Dilma. Bom dia, presidenta!
Presidenta: Bom dia, Luciano! E um bom-dia a você, ouvinte, que nos acompanha aqui no Café!
Apresentador: Presidenta, hoje, eu queria conversar com a senhora sobre o Brasil Sorridente, o programa de atendimento dentário do SUS. O governo está ampliando as ações do Brasil Sorridente, presidenta?
Presidenta: Olha, Luciano, está, sim. O Brasil Sorridente já é o maior programa de atendimento odontológico público e gratuito do mundo. Quase 90% das cidades brasileiras contam com equipes de dentistas e técnicos em saúde bucal do SUS, o Sistema Único de Saúde. Agora, nós estamos ampliando, sabe, Luciano, a parceria com os estados e os municípios. Estamos investindo cada vez mais para que a população possa tratar dos dentes desde a infância até a idade adulta. Isso significa, Luciano, prevenir as cáries, fazer uma obturação ou até um atendimento mais especializado, como é o caso do tratamento de canal ou um tratamento de gengiva. Até 2014, vamos investir R$ 3,6 bilhões no Brasil Sorridente.
Apresentador: Presidenta, conta para nós como é que a população tem acesso aos dentistas do Brasil Sorridente.
Presidenta: Olha, Luciano, a população é atendida por dentistas, técnicos e auxiliares nos consultórios odontológicos dos postos de saúde e, também, nos 181 consultórios móveis que atendem a população das localidades mais pobres e mais distantes do país. Hoje, temos 21.700 equipes com dentistas e técnicos de saúde bucal em todas as regiões do país, Luciano, em todas. Nós estamos mudando aquela história triste das pessoas que não podiam ir ao dentista porque não tinham dinheiro para pagar o tratamento. Só no ano passado, o Brasil Sorridente fez mais de 150 milhões de atendimentos odontológicos em todo o país. Esse número vai crescer ainda mais, porque o governo federal vai, sistematicamente, comprar mais consultórios para oferecer mais serviços nos municípios brasileiros.
Apresentador: Presidenta, é uma pena que muitos brasileiros tenham perdido os dentes antes de ter acesso a todos esses serviços do Brasil Sorridente, não é mesmo?
Presidenta: É sim, Luciano, é sim. Mas o Brasil Sorridente tem uma ação muito importante, que é a colocação de próteses dentárias: nossa conhecida dentadura, Luciano. Essas dentaduras ajudam a resgatar a autoestima, a dar mais qualidade de vida para esses brasileiros e brasileiras, porque muita gente tem vergonha de conversar, de sorrir, tem dificuldade até de conseguir um emprego porque perdeu os dentes. Para você ter uma ideia da importância dessa ação do governo, cerca de 4,3 milhões de adultos no Brasil precisam de algum tipo de prótese dentária. Por isso, Luciano, nós também estamos investindo na instalação de novos laboratórios de prótese para que eles possam produzir essas dentaduras nas diferentes regiões do país. Hoje, nós temos laboratórios em 1.304 municípios brasileiros.
Apresentador: Mas, presidenta, às vezes, essas pessoas moram longe do centro da cidade e é difícil para elas procurar um dentista.
Presidenta: Para atender essas pessoas, nós estamos investindo também nos consultórios móveis, que são equipados com todos os equipamentos de um consultório odontológico. Nesses consultórios móveis se pode fazer tanto tratamento dentário que colocar essas próteses que nós nos referimos antes. O dentista tem até aparelho de raio-X para fazer um diagnóstico mais preciso. Hoje, nós temos 181 consultórios móveis em todo o país, e vamos entregar aos estados e município mais mil unidades odontológicas até o final de 2013. Outra boa notícia, Luciano, é que o governo federal está antecipando o repasse dos recursos aos estados e aos municípios para que eles organizem mutirões e prestem atendimento onde vive a população extremamente pobre, nas áreas rurais, nos assentamentos. Queremos buscar as pessoas que mais precisam do tratamento dentário. Queremos salvar os dentes e, quando não for mais possível, colocar próteses.
Apresentador: Então, presidenta, pelo que a senhora acabou de falar, esses mutirões vão devolver o sorriso a muita gente!
Presidenta: Ah, Luciano, a ideia é essa mesmo. Na próxima sexta-feira, por exemplo, eu vou acompanhar um desses mutirões que estão acontecendo por todo o país. Eu vou a Rio Pardo de Minas, lá no norte de Minas, para conferir como está o atendimento à população. Em Rio Pardo, mais da metade da população vive no campo, como ocorre em vários pequenos municípios do Brasil. Então, o consultório móvel vai ajudar muito a cuidar da saúde bucal dos moradores em toda aquela região. Sabe, Luciano, tratar dos dentes é tratar da saúde integral da pessoa, prevenindo problemas de digestão, prevenindo problemas no coração e até nos rins. Todos os brasileiros e brasileiras merecem um atendimento integral à sua saúde, por isso, Luciano, nós estamos fazendo o Brasil Sorridente como sendo um dos principais programas do SUS.
Apresentador: Presidenta, infelizmente, nós chegamos ao fim do programa de hoje. Obrigado por mais esse Café. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

584. SINAS@Saúde.Oral


Nesta área é disponibilizada informação sobre a avaliação da qualidade em prestadores de cuidados de saúde oral. A designação “Saúde Oral” prende-se com a intenção de incluir os diversos tipos de cuidados disponíveis – medicina dentária, estomatologia, odontologia… – numa área global e abrangente.
Até ao surgimento do SINAS, a Saúde Oral, em Portugal, não estava sujeita a qualquer tipo de avaliação em termos da qualidade dos serviços prestados: até à data inexistem, no nosso país, trabalhos sistemáticos e estruturados no âmbito da avaliação da qualidade relativamente à Saúde Oral; adicionalmente, verificou-se a carência de um documento agregador das indicações e guidelines clínicas em uso na prática diária, apesar da existência de manuais técnicos. Com o objetivo de colmatar esta lacuna em termos de sistematização documental, foi criado um grupo de trabalho dedicado à produção de um sistema de avaliação da qualidade para a área da Saúde Oral, que pudesse ser integrado no Projeto SINAS.
O grupo contou com a colaboração de elementos externos à ERS, convidados pela sua experiência e reconhecido mérito, procurando abranger vários âmbitos de especialidade clínica e técnica, desde a área dos cuidados de saúde oral até à da qualidade, higiene e segurança. Não se pretende aqui avaliar a prática clínica na sua vertente técnica ou deontológica, mas antes aferir da existência e cumprimento de procedimentos e requisitos conducentes à melhor qualidade dos serviços prestados.
São objeto de avaliação todos os estabelecimentos onde se prestam cuidados de saúde oral, sejam clínicas ou consultórios, com medicina dentária, estomatologia ou odontologia, que estejam registados na ERS e, quando aplicável, devidamente Licenciados. Os dados que servem de base à avaliação são submetidos pelos prestadores e da sua exclusiva responsabilidade. No entanto, são realizadas pela ERS auditorias sistemáticas, a estabelecimentos selecionados aleatoriamente, com o intuito de verificar, in loco, a consistência da informação submetida.
É do conhecimento de todos os intervenientes que, nos termos do artigo 51.º, n.º 1, al. c) do Decreto-lei n.º 127/2009, de 27 de maio, a não prestação de informações, e a prestação de informações inexatas ou incompletas pelos prestadores de cuidados de saúde, quando requeridas pela ERS, no uso dos seus poderes, constitui prática de contraordenação, punível com a aplicação de uma coima de €750 a €3740,98 (Pessoa Singular) ou de €1000 a €44.891,81 (Pessoa Coletiva), nos termos previstos na primeira parte da al. c) do n.º 1 do art.º 51.º do mesmo diploma.
A Comissão de Acompanhamento do SINAS@Saúde.Oral, constituída por diversas personalidades de referência e reconhecida idoneidade, tem vindo a seguir o desenvolvimento do Projeto desde o seu início. A ERS procura assim assegurar-se de que estão representados todos os atores, intervenientes e interessados no processo.
A Comissão reúne com a periodicidade entendida como necessária e oportuna, avaliando o próprio sistema, dando conselhos e opiniões relativamente ao mesmo. Apesar de se tratar de um aconselhamento não vinculativo, o trabalho da Comissão tem sido uma mais-valia inestimável, designadamente enquanto guia para a linha de orientação do projeto no seu global.
Composição da Comissão de Acompanhamento SINAS@Saúde.Oral:
Professor Doutor Américo Afonso (Médico Dentista / Professor da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto / Professor da CESPU - Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário), Doutor António Faria (Médico Dentista), Doutor Carlos Falcão (Médico Dentista), Professora Doutora Filomena Salazar (Médica Dentista / CESPU - Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário), Professor Doutor Germano Rocha (Médico Dentista / Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto), Professor Doutor Jaime Portugal (Médico Dentista / Professor Associado da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa), Professor Doutor José Pedro Figueiredo (Médico Estomatologista / Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra), Doutor Luís Tovim (Médico Dentista), Engenheiro Manuel Batista (Engenheiro Civil), Doutor Nuno Afonso (Médico Dentista), Professora Doutora Patrícia Manarte Monteiro (Médica Dentista / Universidade Fernando Pessoa), Professor Doutor Paulo Maurício (Médico Dentista / Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz), Professor Doutor Pedro Nicolau (Médico Estomatologista / Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Coimbra), Professor Doutor Rui Amaral Mendes (Médico Dentista / Universidade Católica Portuguesa – Centro Regional das Beiras), Professor Doutor Rui Pinto (Médico Dentista) e Doutora Vanda Urzal (Médica Dentista). 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

581. SUGESTÃO: estágio obrigatório de 1 ano nos centros de saúde do S.N.S.


O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, defendeu hoje, em Penafiel, que o curso superior que forma aqueles profissionais de saúde volte a ter seis anos, invertendo as recomendações de Bolonha. "Com Bolonha, perdeu-se um sexto ano, importantíssimo em termos de experiência clínica e de integração dos médicos dentistas no mercado de trabalho", afirmou, em declarações à Agência Lusa. Para o bastonário, em relação a essa matéria, "é crescente o consenso dentro da profissão e das faculdades de medicina dentária".
Orlando Monteiro da Silva criticou, por outro lado, o facto de Portugal ter sido "demasiado lesto" a adotar a declaração de Bolonha, "particularmente na área da saúde e da medicina dentária". Revelando que, em breve, em Coimbra, aquela ordem profissional vai discutir a questão com o secretário de Estado do Ensino Superior, o bastonário admitiu que desse encontro poderá "sair um documento oficial a solicitar o sexto ano". "Vários países europeus estão a seguir esta linha e nós não podemos ficar para trás nesta matéria", recordou.
O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas falava em Penafiel à margem de um congresso da sociedade científica GIRSO, promovido pela Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário (CESPU), que reúne algumas dezenas de especialistas de saúde oral de vários países europeus. Nesse congresso, o presidente da entidade organizadora, Almeida Dias, aproveitou a sessão de abertura para defender o prolongamento de cinco para seis anos na formação académica dos médicos dentistas. À Lusa, o bastonário admitiu que o prolongamento até pode ser substituído por um estágio, se "for bem estruturado e coordenado entre todos os intervenientes", nomeadamente "faculdades, hospitais, centros de saúde e alguma prática privada da profissão".
"O estágio ou um período de internato clínico poderá ser bastante útil", observou à Lusa, defendendo, porém, a introdução de "regras bem claras". Orlando Monteiro da Silva lembrou que "a nova lei das ordens profissionais, que está em revisão na Assembleia da República, já prevê um estágio". "Julgo que essa é uma oportunidade a ter em linha de conta", disse.
O prolongamento da formação vai, insistiu, "criar um consenso para uma atividade da saúde, onde a saída demasiado cedo para o contacto com a profissão deve ser repensada a bem da qualidade da medicina dentária e da formação".

domingo, 24 de junho de 2012

580. Ameaça à saúde em 50 falsas clínicas dentárias

Em Portugal, mais de meia centena de laboratórios de prótese dentária prestam serviços de forma ilegal. O JN visitou alguns e encontrou um perigoso cenário de ameaça à saúde pública e ao direito à imagem.
Utensílios médicos e moldes de próteses com ferrugem, seringas guardadas em garrafas de Coca-Cola, técnicos a manusearem a cavidade oral sem luvas e com objectos não esterilizados, empregadas de limpeza a auxiliar “dentistas”, “consultórios” a funcionar em moradias privadas, instalações velhas e com sanitários decrépitos, lixo por separar, câmaras de vídeo (não autorizadas pela Comissão Nacional de Protecção de Dados, confirmou o JN) à porta e na sala de espera dos “consultórios”, técnicos de prótese dentária a fazer biscates em consultórios de dentistas e dentistas a extrair dentes em casas particulares, protésicos que anestesiam, arrancam dentes e removem implantes. Nas duas semanas que percorremos o país, fazendo-nos passar por cliente, testemunhamos situações tão insólitas quanto impensáveis para o século XXI.
O mais inacreditável é que quase todos os laboratórios que visitamos continuam a trabalhar normalmente, sem temer fiscalizações, não obstante a denúncia feita e divulgada pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), em Maio, à Inspecção – Geral das Actividades em Saúde, Administração Central do Sistema de Saúde, Infarmed e Ministério da Saúde, entidades a quem enviou uma vasta lista de laboratórios que prestam cuidados de saúde directamente aos utentes, o que não é permitido por Lei.
Em espinho, há um laboratório de prótese dentária que, sem receios, afixa, na rua, um placard com o horário de atendimento ao público e até anuncia serviço de urgência, sabendo que a intervenção na cavidade oral é da exclusiva competência do dentista ou estomatologista e, em alguns casos, do odontologista.
O repórter do JN entrou nas referidas instalações, aguardando na sala de espera pela saída do outro “doente”. Quando chegou a sua vez, contou à “médica” a sua história clínica: “Tenho um implante que quero retirar e substituir por uma prótese. Fazem esse serviço? O que propõem e quanto cobram?”.
“Para remover o implante, sugerimos um dentista da nossa confiança. Tudo o resto nos fazemos. Cobramos 250 euros por cada dente”, respondeu, muito naturalmente, a “doutora”.
Antes disso, já o JN havia visitado outro laboratório, no edifício contíguo. Na sala de espera, comum a outros serviços prestados no mesmo piso, perguntámos se era ali que arrancavam dentes e colocavam próteses. Uma idosa apressou-se a responder, sem rodeios: “É aqui, sim, mas este é fraquinho. Cobra barato, mas não é tão bom quanto outro no prédio aqui ao lado. Esse leva mais dinheiro, mas tem mais qualidade e fama”.
Ainda em Espinho, visitamos um outro protésico, a quem contamos a mesma história clínica. O técnico, que nos atendeu na sala de espera, sem luvas, nem de um minuto precisou para fazer o diagnóstico: “Vá a um dentista retirar o implante e venha cá que fazemos e colocamos a prótese”.
Em Castro Daire, o laboratório que visitamos é uma barafunda. O técnico assumiu que, não fosse faltar-lhe ali “ferramenta”, e até extracção de implantes faria. Para esse efeito, sugeriu, como quase todos os protésicos, a ida a um “médico amigo” – de imediato sacou de um maço de cartões de visita, que tinha logo ali à mão, com o nome (curiosamente, ambos com o mesmo sobrenome) e contacto do dentista – e esclareceu: “Vai lá que ele extrai o implante e depois tratamos aqui da prótese. Ele é rapaz novo, mas já começa a ter experiência. Eu próprio também vou lá algumas vezes ajudar”. Trezentos euros por uma prótese esquelética e 1 200 euros por cinco dentes numa prótese fixa foi quanto nos pediram.
Em Viseu, num velho edifício, algo assustador, a assistente do protésico, na ausência deste, garante que o serviço ali prestado aos doentes “é de excelente qualidade”, seja prótese esquelética, acrílica, fixa ou ortodontia. “Sabe, o senhor MC tem muita experiência a lidar com a boca dos doentes”, explica.
Em Valongo, o “consultório” visitado funciona numa modesta casa de habitação, com videovigilância à porta. A assistente do “dentista” é a empregada de limpeza, que muito diligente, explica ao JN que “nunca nenhum doente” ali atendido – “e têm sido muitos” garante – “teve razão de queixa”. “Se precisar de extrair algum dente, vem aqui a casa, todas as quartas-feiras à tarde, um dentista, que lhe pode fazer esse serviço. Se preferir ser atendido no Porto, pelo senhor FS, ele também tem lá um consultório”, esclareceu a “auxiliar de acção médica”, facultando um cartão com as moradas médicas.
Na Marinha Grande, o centro integrado de saúde oral – assim anunciado à porta de uma habitação – conta com um técnico bastante conhecido na terra, que tem também consultório em Leiria. Entrámos no seu consultório, sentámo-nos na cadeira de dentista e o protésico viu a boca do repórter do JN, fez o diagnóstico, apontou para uma tabela de preços de próteses e deu uma boa notícia: “Se quiser que lhe retire o implante que tem na boca, para lhe aplicar uma prótese feita por mim, faço-o, sem problemas e sem custos. Quanto à prótese, se forem três dentes, cobro 16º euros (acrílica) ou 340 euros (esquelética)”.
Em Leiria, o “consultório” visitado pelo JN, cuja sala de espera tem videovigilância – “uma situação ilegal”, garante a CNPD –, assume aplicar “todo o tipo de próteses e aparelhos fixos e removíveis”. “Só não fazemos extracções de dentes e cirurgias. Aí, recomendamos um dentista aqui ao fundo da rua”, disse uma técnica, numa conversa rápida, já que, lá dentro, alguém aguardava por si. E quando o repórter do JN deixava as instalações, quatro idosos entravam no prédio e questionavam-nos sobre a localização do “consultório do dentista, que mete próteses”.
O mais luxuoso dos laboratórios visitados pelo JN, a funcionar num moderno e imponente edifício de serviços, fica localizado em Leiria, ao lado de um dentista. Na sala de espera, um doente confidencia ao repórter que foi ali mandado por um médico de um hospital. “Fiz uma operação e partiram-me a placa. Assumiram que me pagavam uma nova e disseram para vir aqui, que depois eles faziam contas com este laboratório”, disse. Ao que o jornalista pergunta: “Mas vem só fazer o molde ou é aqui que também lhe aplicam e ajeitam a placa?”. Resposta: “Não, os técnicos, aqui, fazem tudo. Depois, o hospital paga-lhes”. De facto, o repórter, minutos depois, acabou por confirmar isso mesmo, lá dentro, sentado numa cadeira de dentista. Na presença de um protésico, que o observou e prometeu aplicar uma prótese esquelética, com três dentes, por 380 euros, contando já com a necessária remoção prévia de um implante. “Depois ainda lhe posso fazer uma atenção no preço”, prometeu.
Ali, como em tantos outros laboratórios visitados pelo JN, os cartões de visita têm um espaço para assinalar o dia e a hora das consultas. “É mais uma prova que atendem doentes, o que é ilegal”, diz o bastonário da OMD que não encontra explicação para o facto de alguns laboratórios – em Espinho, por exemplo – anunciarem acordos com subsistemas de saúde.
Em Matosinhos, o único local visitado pelo JN cujos funcionários tiveram um discurso mais defensivo – um vistoso sistema de videovigilância à porta, de resto, deixa logo transparecer um certo receio com visitas indesejadas –, o serviço, também ilegal, mas que toda a vizinhança sabe ali existir, prende-se com a aplicação de aparelhos de correcção dentária a crianças. Quando questionamos sobre se aplicam próteses, remeteram, de pronto, para um dentista de confiança, no Porto, e, como em quase todos os outros laboratórios visitados, tinham logo ali à mão um cartão para oferecer.
“Se detectarmos que há algum tipo de relação ilegal ou reprovável entre dentistas e técnicos de próteses, tomaremos todas as medidas legais para denunciar e punir os infractores”, assegurou, ao JN, Orlando Monteiro da Silva, que, em ultima instancia, ameaça entregar o caso ao Ministério Público.
JN – É legal um técnico contactar directamente com clientes de próteses?
Orlando Monteiro da Silva – Os protésicos são responsáveis apenas pelo fabrico dos dispositivos médicos que são prescritos pelos médicos dentistas. O contacto directo com o doente ou a colocação do dispositivo na cavidade oral não podem acontecer.
JN – Quais os crimes em causa?
Orlando Monteiro da Silva – Ofensas à integridade física, usurpação de funções, burla, entre outros.
JN – Do que vimos nas “clínicas ilegais” visitadas, os preços são mais baixos do que nas clínicas legais, com dentistas. Este aparente aumento da prestação ilegal de cuidados de saúde é resultado da crise económica?
Orlando Monteiro da Silva – Não é uma lógica que possa ser estabelecida. Mas pensar-se que fica mais barato é um engano. Se alguém não pode praticar atos de saúde, porque não os sabe fazer como é suposto para uma prática segura, isto não fica mais barato. Fica bem mais caro. As pessoas que sofrem com os resultados menos felizes percebem quão mais caro resulta reparar lesões e danos eventuais. Portugal não pode ser o reino dos “arrancas”.
Transcrição do artigo “Mais de 50clínicas prestam serviços ilegais”, da autoria do jornalista Miguel Gonçalves, publicado na edição escrita do Jornal de Notícias do dia 24 de Junho de 2012 
* * *
As declarações do presidente da OMD são pouco clarificadoras para a resolução do problema. Afinal de contas quem é que forma os protésicos? Quem foram os instrutores e as instituições nacionais que formaram técnicos que causam ofensas à integridade física, usurpam funções, burlas, etc.? Aí sim, senhor presidente da OMD, deveria ter identificado cada um desses instrutores e instituições...

domingo, 17 de junho de 2012

579. Estudo a que alunos da Casa Pia foram sujeitos cumpriu todas as "leis e convenções nacionais e internacionais"


A Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (FMDUL) que levou a cabo um estudo de tratamento dentário a crianças da Casa Pia, entre 1997 e 2006, defende que o mesmo "respeitou todas as leis, regulamentos e convenções, nacionais e internacionais, relacionadas com os aspectos éticos e de protecção de participantes humanos".
As declarações, feitas através de comunicado à imprensa, surgem um dia depois de o secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social ter solicitado ao Procurador-Geral da República (PGR) que apure se existiu “algum ilícito criminal” na execução de um protocolo que levou ao tratamento dentário de 507 crianças da Casa Pia de Lisboa.
Na participação, o governante refere que o estudo em causa foi objecto de uma reportagem pela RTP, no passado dia 28 de Maio, denominada As Cobaias e que nela é referido que as substâncias utilizadas nos tratamentos eram “muito tóxicas”. No entanto, o "Casa Pia Study, como foi chamado, foinoticiado pelo PÚBLICO a 14 de Novembro de 2003. Diz respeito a um estudo norte-americano sobre o uso de de amálgamas de mercúrio, os vulgares "chumbos", nos tratamentos dentários com 500 crianças da Casa Pia. Desde o primeiro dia, houve polémica – que se reacendeu agora, graças a uma reportagem emitida pela RTP1 no final de Maio.
Como o PÚBLICO noticiou há nove anos, num trabalho que deu direito a manchete e que se estendia por quatro páginas no interior da edição de 14 de Novembro de 2003, não havia na altura ensaio nacional que pudesse gabar-se de ter um orçamento tão avultado – nove milhões de euros. O "Casa Pia Study" era, à data do seu lançamento, o mais caro projecto do National Institute of Dental Research (NIDCR), um dos 27 centros de pesquisa dos institutos nacionais de saúde norte-americanos.
O estudo The Casa Pia Study of the Health Effects of Dental Amalgam in Children foi feito em parceria entre a FMDUL e a Universidade de Washington, Seattle. Em simultâneo, nos EUA decorreu um estudo paralelo sob a responsabilidade do New England Research Institute. Todos os materiais utilizados, incluindo o amálgama dentário, consistiram em "materiais comerciais devidamente certificados" e as técnicas utilizadas nas restaurações dos dentes "respeitaram os protocolos padronizados".
A utilização do amálgama dentário "era e continua a ser advogada por várias entidades internacionais". A saber: a Organização Mundial de Saúde, a Federação Dentária Internacional, a Food and Drug Administration (a organização norte-americana equivalente ao Infarmed português), o Conselho Europeu de Dentistas e a Comissão Europeia.
Além de ter sido pedido consentimento aos alunos que participaram, A FMDUL pediu ainda autorização aos pais e responsáveis legais e os dois provedores da Casa Pia, Luís Rebelo e Catalina Pestana, deram também autorização.
"Ao contrário do que é afirmado na reportagem, não foram restaurados 16 dentes por aluno, mas 16 superfícies. O número médio de dentes restaurados por aluno foi entre cinco e seis", diz o comunicado. A segurança dos alunos e os resultados intercalares foram "sujeitos a monitorização permanente por parte de uma comissão independente formada por um grupo de peritos nas várias áreas de interesse do estudo. Esta comissão tinha a responsabilidade e o poder de interromper o estudo".
Entre 2005 e 2007 foi feita uma auditoria aos aspectos éticos e de protecção dos participantes pelo Office for Human Research Protections, um órgão do governo federal norte-americano, por causa de uma queixa que incluia aspectos abordados na reportagem. Essa auditoria concluiu que as queixas eram "improcedentes" e o processo foi arquivado "definitivamente".
PÚBLICO
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Independentemente dos ilícitos que possam ter ocorrido com a experiência mencionada na notícia, é extremamente lamentável e revela completa falta de ética e imoralidade ver um o secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social estar preocupado com uma situação ocorrida no passado e não fazer uma exaustiva auditoria aos actuais programas de saúde oral que tratam menos de 10 % das necessidades de saúde oral e dentária das crianças e jovens portugueses, descriminando a esmagadora maioria a quem deveria ser dirigido o programa.
A demagogia e a vergonha devem ter limites para determinados políticos.

domingo, 10 de junho de 2012

domingo, 13 de maio de 2012

576. A saúde oral em Portugal descrita por si


Escreva e remeta-nos a sua opinião acerca da saúde oral em Portugal. Apresente a sua opinião, publique os seus artigos ou reflicta sobre o trabalho já desenvolvido por este blogue. Para o bem da saúde oral de todos os portugueses.
Colabore e participe: tempogero@gmail.com

domingo, 6 de maio de 2012

575. Dentista monta burla milionária à Polícia


Polícias e familiares directos, para qualquer problema de saúde dentária, desde há largos anos que tinham como referência o médico José Pedro Casimiro, ao serviço numa clínica na Amora, Seixal. Só que este, com ou sem conivência dos primeiros – é o que agora falta à PJ apurar – terá burlado os Serviços de Assistência na Doença da PSP em largos milhares, com falsos tratamentos aos agentes e familiares.
A Direcção Nacional da PSP está a colaborar com a investigação da Judiciária de Setúbal, apurou o CM, no sentido de apurar o real valor em que os seus serviços foram lesados e se há elementos da própria Polícia coniventes com o esquema de burlas em série. A investigação passará agora por ouvir todos os envolvidos ao longo de vários anos – agentes da PSP e familiares directos (cônjuges e filhos), sendo que estes últimos são poucos, uma vez que há alguns anos lhes foi retirado o direito aos Serviços de Assistência na Doença da PSP. A PJ quer saber que tratamentos dentários fizeram e se são cúmplices do esquema ou se o seu nome foi usado de forma abusiva. Na divisão da PSP do Seixal, há cerca de 200 polícias divididos pelas seis esquadras locais.
A denúncia terá partido dos próprios Serviços de Assistência na Doença da PSP, face às suspeitas de irregularidades encontradas nas contas astronómicas a pagar ao médico do Seixal – sucessivos tratamentos dentários em nome das mesmas pessoas, agentes da PSP ou familiares. O caso chegou à Judiciária de Setúbal, que consultou nos serviços da PSP toda a documentação respeitante às dívidas reclamadas por José Pedro Casimiro – e encontrou indícios claros de crime, consolidados recentemente na operação de buscas realizadas à clínica Implante Médico na Amora, Seixal. O dentista foi constituído arguido e aguarda o desenrolar da investigação em liberdade.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

574. Estudo diz que excesso de radiografias dentárias aumenta probabilidade de tumores cerebrais

As pessoas que fazem regularmente radiografias aos dentes têm mais tendência a sofrer de tumores no cérebro, mostra um estudo de investigadores americanos publicado hoje na revista americana Cancer que aconselha a evitar fazer aqueles exames anualmente, informa a agência France Press (AFP).
O estudo, que é publicado na revista editada pela American Cancer Society, foi conduzido por Elizabeth Claus, da Universidade de Yale, e tem como base dados recolhidos junto de 1433 doentes americanos com idades entre os 20 e 79 anos a quem foram diagnosticados tumores no cérebro de tipo meningioma, que é geralmente benigno.
Os doentes que tinham feito um exame radiográfico aos dentes, tendo assim estado sujeitos a raios x, tinham 1,4 a 3 vezes mais probabilidade de desenvolver um meningioma, continua o estudo. As taxas de prevalência dependiam do tipo de exame dentário feito, os raios-x podem ser usados de diferentes forças, e da idade dos pacientes.
O meningioma é um tumor que se forma na membrana que envolve o cérebro. Na maior parte das vezes, estes tumores são benignos mas desenvolvem-se rapidamente, podendo provocar incapacidades e induzir riscos mortais em certas condições.
As pessoas que fazem radiografias dentárias estão hoje expostas a menos radiações do que no passado, refere a AFP, mas, ainda assim, este estudo vem alertar dentistas e doentes a repensarem as razões que os levam a fazer radiografias, refere Elizabeth Claus.
“O estudo oferece uma oportunidade para se estar vigilante em matéria de uso de raios-x para os dentes que, tal como outros factores de riscos, pode ser atenuado”, declarou a investigadora.
Refira-se que a Associação Dentária Americana (American Dental Society) recomenda que seja feito um exame dentário às crianças, todos os anos, ou uma vez em cada dois anos; aos adolescentes sugere-se que seja feito a cada 18 meses ou três anos; e nos adultos a cada dois a três anos.

sábado, 21 de abril de 2012

573. Gengivite e suas causas

Doença comum na gengiva pode tornar-se ainda pior sem tratamento adequado, comprometendo dentes, mandíbula e maxilar.Sua gengiva está vermelha, inchada ou sensível? Então, é melhor procurar rápido um dentista. Esses sintomas podem ser o começo de uma inflamação da gengiva, a gengivite.
Outro sintoma da doença é o sangramento gengival. Nos casos de gengivite severa, o sangramento é espontâneo, acontecendo episódios de manchas no traveseiro ao acordar. De acordo com o cirurgião dentista Dr. Paulo Lago da Cirillo Personal Kit, “após a inflamação aguda da gengiva, ocorrem em muitos casos a retração da gengiva, deixando-as com uma aparência alongada. Também pode ocasionar a formação de bolsas entre os dentes e a gengiva, onde se acumulam restos de comida e placa”, declara.
Um dos fatores principais para o aparecimento da gengivite é a má escovação dental. Porém, sua causa direta é a placa bacteriana, película viscosa, bastante aderente e sem cor. Não sendo removida, a placa produz toxinas que causam a doença.No estágio inicial da doença da gengiva, quando o osso e o tecido conjuntivo que segura os dentes no lugar ainda não foram atingidos, os danos podem ser revertidos. 
A prevenção vem com o hábito da escovação diária (3 vezes ao dia), passando sempre fio dental, usando enxaguante bucal e creme dental. Entretanto, se não tratada, a gengivite pode evoluir para uma periodontite e causar danos permanentes aos dentes e mandíbula/maxilar. Neste caso, os prejuízos não ficam somente às gengivas, os ossos que revestem a raiz dental, também são afetados, levando a um quadro de reabsorção óssea e mobilidade dos dentes.
Assim, o tratamento é possível com uma limpeza profissional pelo dentista removendo a placa e tártaro
Portal Fator Brasil

quinta-feira, 12 de abril de 2012

572. Cáries do biberão: saiba o que são e como preveni-las

As cáries do biberão ou cáries precoce são uma doença que aparece na boca do bebé e que deve ser prevenida, aconselha o Serviço de Pediatria do Hospital Cuf Descobertas. «As cáries do biberão são provocadas pela exposição frequente e demorada dos dentes a soluções (líquidas ou cremosas) com açúcares, como o leite, as papas, e os sumos de fruta», explica Ana Serrão Neto, coordenadora do Serviço de Pediatria da Cuf.
O contacto prolongado desses líquidos com a dentição do bebé faz com que bactérias nocivas se acumulem em volta dos dentes, o que provoca a formação de cáries dentárias, para o evitar é importante «que os pais não deixem o seu bebé adormecer com biberão de leite ou sumo na boca», explica Ana Serrão ao SOL. A partir da erupção do primeiro dente do bebé é essencial que os pais iniciem o hábito da higiene oral, o que, de acordo com os especialistas, significa que os dentes devem ser escovados pelo menos duas vezes por dia, sendo «uma delas obrigatoriamente antes de deitar ou a seguir à toma do biberão», diz o Serviço de Pediatria da Cuf.
Como escovar os dentes do seu bebé? - Ana Serrão Neto explica que «escovar os dentes de leite da criança de forma eficaz e segura» exige que se sigam alguns passos: «No início, quando ainda há poucos dentes, pode utilizar-se uma gaze, uma dedeira específica para o efeito ou uma escova de dentes macia e com um tamanho adequado à boca do bebé».
A médica aconselha ainda os pais a fazerem visitas regulares ao dentista e atesta que, para evitar traumas, «é importante que a criança perceba que uma visita ao profissional de saúde oral é uma experiência positiva», na medida em que o médico vai «controlar o crescimento e desenvolvimento dentário do bebé».
SOL

quarta-feira, 4 de abril de 2012

571. Dentistas: autoridades têm "mais vontade de actuar" contra prática ilegal

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas diz que não se pode falar num aumento de casos de prática ilegal, mas sim de uma maior “vontade de actuar” das autoridades competentes, avança a agência Lusa. Em reacção à condenação, conhecida na sexta-feira, dos proprietários (um médico dentista e uma médica cardiologista) de três clínicas dentárias não licenciadas nos concelhos de Olhão, Loulé e Tavira, Orlando Monteiro recorda, em declarações à Lusa, que já “há bastante tempo” que se registam “muitas situações de clandestinidade na área da medicina dentária”.

O que tem havido, destaca, “é uma maior capacidade de actuação das autoridades e de articulação das diversas entidades entre si”. Desde o início de 2011, “foram feitas mais de cem inspecções”, normalmente decorrentes de denúncias ou queixas de utentes e profissionais, que levaram já à “suspensão de 28 clínicas e consultórios de medicina dentária”, refere o bastonário.

Orlando Monteiro adiantou que o caso do médico dentista condenado na sexta-feira está a ser avaliado pelo conselho deontológico e de disciplina, que poderá decretar a sua suspensão ou expulsão. Os proprietários das três clínicas dentárias encerradas no Algarve em Abril de 2011 foram condenados a penas suspensas por auxílio e angariação de mão-de-obra ilegal, falsificação de documentos e usurpação de funções. A investigação iniciou-se em Setembro de 2010, por indícios de que o casal recrutava trabalhadores estrangeiros através de anúncios publicados na internet, em páginas portuguesas e brasileiras.

Os estrangeiros recrutados vinham para Portugal trabalhar como médicos dentistas em três clínicas dentárias não licenciadas e propriedade dos arguidos, nos concelhos de Olhão, Loulé e Tavira. O casal ajudava os trabalhadores a entrarem ilegalmente em território nacional, colocando-os a exercer medicina dentária sem as habilitações exigidas.

O bastonário dos dentistas elogia “a celeridade da justiça”, recordando que “é bastante razoável” haver já uma sentença para vistorias feitas em Novembro de 2010. Sublinhando que a articulação entre as diversas entidades competentes – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Entidade Reguladora da Saúde e Ordem dos Médicos Dentistas – “nem sempre é fácil”, o bastonário nota os “passos na direcção certa que têm permitido detectar este tipo de situações”. Porém, alerta, apesar da suspensão de actividade, estas clínicas ilegais “muitas vezes reabrem com nomes diferentes”. Foi o que aconteceu no caso das três clínicas do Algarve, em que os proprietários agora condenados, “voltaram a abrir noutro local”, relata.

Rcmpharma

* * *

Acção eficaz e muito positiva das autoridades competentes. No entanto, estas acções devem ser acompanhadas por outro tipo de medidas, designadamente considerando a actual conjuntura económica do país e o facto do Algarve constituir destino turístico. Combater a pratica da medicina dentária ilegal é dever obrigatório das entidades competentes; oferecer cuidados de saúde oral à população constitui dever obrigatório do Ministério da Saúde que deve disponibilizar uma rede de prestação de cuidados de saúde oral, preventivos e continuados, nos centros de saúde e hospitais centrais. Só assim é possível combater a oferta ilegal de cuidados de saúde oral.

A actual crise económica exige medidas urgentes de apoio à população carente. É necessário dotar o país de profissionais de saúde oral altamente competentes e dêem respostas às reais necessidades do país; o combate à ilegalidade na prestação de cuidados de saúde oral faz-se também de forma preventiva, valorizando as intervenções sociais de apoio à comunidade e dando oportunidades de formação aos profissionais que dela necessitam para ficarem com as competências necessárias para o exercício da profissão.

Torna-se também muito urgente que as autoridades portuguesas estabeleçam acordos bilaterais que regulem a imigração e de emigração de profissionais de saúde oral, designadamente com os países que não pertençam à União Europeia. O lado humanitário destes profissionais deve ser respeitado, quer se trate de cidadãos brasileiros que pretendam exercer a profissão em Portugal, quer se trate de cidadãos portugueses que pretendam exercer a profissão no Reino Unido. A todos eles exige-se igualdade de tratamento e de oportunidades, tanto de formação como de carreira. Só assim será possível defender e valorizar o exercício das profissões ligadas à medicina dentária e à prestação de cuidados de saúde oral.

Outra vertente a valorizar será o trabalho conjunto entre todas as organizações intervenientes na prestação de cuidados de saúde oral; só um trabalho em conjunto entre o Ministério da Saúde, a Direcção – Geral de Saúde e todas as associações profissionais e académicas dentárias e de cuidados de saúde oral poderá obter resultados positivos e em benefício de toda a população.

terça-feira, 20 de março de 2012

570. Especialidades Odontológicas

CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCO – MAXILO – FACIAL: Especialidade que tem como objectivo o diagnóstico e o tratamento cirúrgico das doenças, traumatismos, lesões e anomalias do aparelho mastigatório e anexos.
DENTÍSTICA: É uma especialidade odontológica que se ocupa da prevenção e do tratamento das doenças e defeitos que afectam os dentes naturais. É a parte da Odontologia que cuida das restaurações dentárias.
DISFUNÇÃO TÊMPORO-MANDIBULAR E DOR OROFACIAL: A especialidade pretende estimular pesquisas e estudos científicos para compreender melhor o diagnóstico e o tratamento das dores e desordens orofaciais.
ENDODONTIA: Especialidade da Odontologia que trata dos procedimentos terapêuticos dos condutos radiculares. É o tratamento de canal.
ESTOMATOLOGIA: É a especialidade da Odontologia que estuda a boca e suas doenças.
IMAGINOLOGIA DENTO-MAXILO-FACIAL: É o nome hoje dado à Radiologia dentária. Trata-se de tomadas radiográficas no consultório dentário. Existem vários tipos de radiografias da qual o radiologista pode lançar mão na Odontologia. As mais comuns são a periapical, a interproximal e a panorâmica.
IMPLANTODONTIA: É a área da Odontologia que trata dos implantes dentais. É um novo campo da Odontologia que envolve a reconstrução de dentes perdidos e suas estruturas de suporte.
ODONTOGERIATRIA: Parte da Odontologia que cuida da saúde bucal das pessoas idosas. É uma especialidade recente, mas que veio para ficar, pois, com o aumento da vida média das pessoas, juntamente com os aspectos preventivos que vêm sendo usados, cada vez mais pessoas da terceira idade estão necessitando de cuidados odontológicos.
ODONTOLOGIA DO TRABALHO: A Odontologia do Trabalho busca a prevenção da saúde bucal do trabalhador, uma vez que muitas doenças ocupacionais comprometem a saúde bucal individual e colectiva dos trabalhadores, demandando abordagens especiais sobre o ambiente de produção, com o diagnóstico e a redução de riscos.
ODONTOLOGIA LEGAL: É a especialidade que tem por objectivo a pesquisa de fenómenos psíquicos, físicos, químicos e biológicos que podem atingir ou ser atingido pelo homem, vivo ou morto.
ODONTOLOGIA PARA PACIENTES COM NECESSIDADES ESPECIAIS: Tem como objectivo o diagnóstico, a prevenção, o tratamento e o controle dos problemas de saúde bucal dos pacientes que apresentam complexidades no seu sistema biológico, psicológico e/ou social.
ODONTOPEDIATRIA: Especialidade que cuida do tratamento dos dentes da criança. Dá muita ênfase aos cuidados preventivos, e nada melhor que a prevenção nesta época, para as crianças crescerem sem cárie e com uma boca saudável.
ORTODONTIA: É a especialidade que trata da colocação de aparelhos. Trata dos desvios das anomalias dento-faciais, proporcionando melhor aparência, maior conforto e saúde oral ao indivíduo.
ORTOPEDIA FUNCIONAL DOS MAXILARES: É a especialidade que deve diagnosticar, prevenir, controlar e tratar os problemas de crescimento e desenvolvimento que afectam os arcos dentários e suas bases.
PATOLOGIA BUCAL: Parte da Medicina que estuda as origens, sintomas e natureza das doenças bucais.
PERIODONTIA: É um dos ramos da Odontologia e constitui o estudo, prevenção e tratamento das doenças que acometem os tecidos que envolvem os dentes. Está relacionado com o tratamento das gengivas.
PRÓTESE DENTAL: Especialidade que cuida da substituição dos elementos dentários, através de coroas, pontes fixas, próteses parciais e totais.
PRÓTESE BUCO-MAXILO-FACIAL: Especialidade da Odontologia que restaura os dentes, maxilares e face.
SAÚDE COLETIVA: Objectiva possibilitar às populações, sobretudo carentes, uma cobertura odontológica de prevenção e cura das doenças da boca e dos dentes, através de programas sociais.
Portal Arcos

sexta-feira, 16 de março de 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

567. 13ª Edição do Mês de Saúde Oral da Colgate e da SPEMD

Durante o mês de Março, a Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicna Dentária (SPEMD) e a Colgate promovem a 13ª edição do Mês de Saúde Oral da Colgate e da SPEMD.
Com o objectivo de prevenir as doenças orais e intensificar a educação para uma correcta higiene oral junto da população portuguesa, a SPEMD (Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária) e a Colgate realizam, em Março, a iniciativa “Mês da Saúde Oral 2012”. Durante este período, centenas de médicos estomatologistas e médicos dentistas de todo o País (incluindo Açores e Madeira) vão abrir as portas dos seus consultórios para realizarem, voluntariamente, rastreios dentários gratuitos à população (sem tratamento ou exame radiográfico).Para a SPEMD e a Colgate o Mês da Saúde Oral permite que a população possa ter acesso, de forma gratuita, a uma avaliação completa do seu estado de sua saúde oral e ainda, através de uma forma pedagógica, realçar a importância de ter hábitos de higiene oral correctos.
O “Mês da Saúde Oral da Colgate e SPEMD” já permitiu, desde 2000, a realização de mais de 120 mil rastreios dentários gratuitos e institucionalizou-se entre a população portuguesa, que todos os anos adere a esta campanha, e os profissionais de saúde oral, que continuam a colaborar neste esforço comum em prol da boa higiene oral da população portuguesa. Para participarem no Mês da Saúde Oral da Colgate e SPEMD, os interessados podem obter informações sobre o consultório aderente mais próximo da sua área através da “linha azul” – 808 305 306, a partir de 1 de Março, entre as 11h00 às 19h00 durante os dias da semana e das 10h00 às 14h00 aos sábados, ou através dos sites http://www.colgate.pt/ e http://www.spemd.pt/
SPEMD

sábado, 25 de fevereiro de 2012

566. Saúde oral em Portugal: marcha inversa ao contrário do resto do mundo

Portugal, em pleno século XXI e 26 anos depois de ser país membro da União Europeia, permanece sem qualquer política concreta de saúde oral, deixando a esmagadora maioria da população portuguesa sem nenhuma cobertura pública, efectiva e real, na área dos cuidados de saúde oral. Simultaneamente, os grupos económicos privados interessados na medicina oral vão acumulando chorudos negócios associados à especulação dos preços das consultas, onde uma ordem profissional pretendeu implementar preços mínimos relativamente aos preços a aplicar em consultas de medicina dentária.
A política de saúde oral em Portugal encontra-se completamente descredibilizada, uma vez que não garante publicamente quaisquer direitos de assistência médica à população impossibilitada de recorrer financeiramente ao sector privado.
Todas as propostas já apresentadas ao actual governo para começar a alterar profundamente o sector da saúde oral em Portugal (por favor leia aqui e aqui) ainda não obtiveram nenhuma resposta.
Por outro lado continua a sangria de recursos públicos, supostamente destinados à saúde oral, que vão directamente para outras instituições (por favor leia aqui, aqui e aqui) sem que haja algum benefício da população mais necessitada e carente de assistência médica. Por exemplo, centenas de milhares de euros ou talvez alguns milhões de euros serviram para sanear as contas das estações de televisão em vez de possibilitarem o tratamento de saúde oral a largos milhares de crianças e jovens.
Proliferam pelo país complôs que permitem a diversas instituições fazerem uso de recursos públicos, sem que se veja um efectivo e real contributo para a melhoria da saúde oral em Portugal. Afinal, muitas dessas instituições talvez sobrevivem à custa do orçamento de estado, composto pelos impostos de quem trabalha.
Enfim, gasta-se demasiadamente recursos públicos que sistematicamente pouca eficácia acarreta para a sociedade em geral.
No estrangeiro fazem-se tremendos esforços e canalizam-se recursos para travar verdadeiras batalhas na luta contra as doenças orais, desenvolvendo-se programas que visam eliminar a cárie dentária. Em Portugal, pelo contrário, o governo central, as instituições políticas que deveriam estar ao serviço da sociedade, as instituições públicas de saúde e mesmo grande parte do sector da própria saúde oral constituem os principais obstáculos para a promoção e renovação do actual panorama desolador da decadente saúde oral da maior parte da população portuguesa.
Senhor Presidente da República, Professor Cavaco Silva, Senhor Primeiro - Ministro, Doutor Pedro Passos Coelho, Senhor Director - Geral da Saúde, Doutor Francisco George, Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Doutor Orlando Monteiro da Silva: qual o critério segundo o qual uma criança ou jovem pode receber todos os tratamentos de saúde oral que necessite para que venha a usufruir de uma vida saudável e sem quaisquer sequelas associadas à saúde oral e uma outra criança ou jovem jamais tenha direito a um tratamento que a possa livrar de sofrer de sequelas irreversíveis e permanentes, tanto físicas como psicológicas, para o resto da sua vida?
Que tipo de regime político existe em Portugal? Será que quem não seja capaz de estar à altura do desempenho das funções públicas se demite e coloca o seu cargo à disposição de quem saiba fazer mais e melhor pela causa pública?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

562. HIGIENE DE SAÚDE ORAL: Os bons hábitos nascem cedo

Verdade e como o leitor sabe, a sua implementação depende exclusivamente dos pais. Se o/a leitor/a foi pai/mãe há pouco tempo, tome nota destes conselhos que nem sempre chegam aos ouvidos de toda a gente. Falo-vos então da higiene oral dos vossos petizes.
A higiene oral, ao contrário do que se costuma pensar, deve começar antes da erupção dos primeiros dentinhos. E de que forma, pergunta o leitor? Ora muito bem, após cada mamada, seja de leite materno ou de leite artificial, as gengivas, língua, bochechas do bebé devem ser limpas com a ponta de uma fralda ou compressa embebida em água fervida ou soro. Este hábito deve ser diário, sobretudo ao deitar.
É extremamente importante proceder a estes hábitos, pois é na superfície das gengivas que irão nascer os futuros dentes. Estudos afirmam que quanto mais cedo se tomarem estas medidas, mais receptivos estarão os filhotes no futuro em relação aos cuidados com a sua saúde oral.
Quando os primeiros dentinhos nascerem, os pais poderão utilizar um dentífrico à base de flúor, em pequena quantidade (do tamanho da unha do dedo mindinho do vosso petiz), e escovar duas vezes ao dia, com uma escova própria ou fralda envolta no próprio dedo, os primeiros dentes da criança. Ao fazer um ano de idade, deverão deixar o rebento colaborar na tarefa, de maneira a envolvê-lo e a fomentar este hábito tão essencial na prevenção essencialmente das cáries.
Por volta dos seis meses de idade os dentes começam a nascer, e este processo geralmente torna as gengivas dos bebés muito sensíveis e irritadas. Deste modo, outra das vantagens quando se esfregam as gengivas, é proporcionar alívio e conforto aos bebés.
Os pais deverão ter também em atenção o mau hábito de deixar as crianças ficarem durante muito tempo com a tetina do biberão na boca. Os leites artificiais têm açúcar, muitas das vezes coloca-se papa (que também tem muito açúcar) no biberão para engrossar o leite e o que acontece é que se as crianças ficarem demasiado tempo com as tetinas na boca, há uma exposição excessiva dos dentes a estes açúcares. Não devem permitir que o vosso bebé adormeça, por exemplo, com o biberão na boca.
Não se esqueçam também de usufruir do cheque-dentista a que todas as crianças têm direito (isto se o Orçamento de Estado ainda o permitir está claro) aquando da sua entrada na escola primária.
Devem reduzir ao máximo a ingestão de doces e bebidas gaseificadas (estas provocam a erosão dos dentes) pelas vossas crianças enquanto puderem, pois já sabem que o passar dos anos, os petizes irão ganhar peso, estatura e vontade própria e não tardarão a fazer o que lhes dá na real gana e a não ligarem aos vossos conselhos, por isso aproveitem enquanto podem para instituir hábitos saudáveis, até porque de certo que serão os pais que pagarão as contas do dentista, e convenhamos, que não são nada baratinhas!
Caros leitores, já sabem o que fazer para prevenir o aparecimento de cáries nos vossos rebentos, pois mais vale prevenir que remediar!
Vanessa Silva (Licenciada em Enfermagem)

sábado, 7 de janeiro de 2012

561. Nordeste transmontano vai ficar em situação de ruptura na prestação de cuidados de saúde

O funcionamento dos serviços de cuidados de Saúde na região do Nordeste Transmontano vai ser afectado a partir do próximo ano com a dispensa de 179 médicos e técnicos de saúde. Os serviços de urgência, radiologia e medicina dentária são algumas das especialidades que vão ficar em causa devido à falta de profissionais, mas o caso mais grave é o do serviço de urgência básica de Vila Nova de Foz Côa que terá mesmo que fechar se as equipas não forem reforçadas.
Consultas de medicina dentária e de pedologia poderão deixar de existir na maioria dos centros de saúde. No total são cerca de 180 profissionais de saúde que se encontram com o seu posto de trabalho ameaçado devido às recentes políticas para o sector fomentadas pelo governo em exercício. Apoiados no argumento da contenção orçamental e diminuição do deficit público, os responsáveis do actual governo do PSD/PP vão lançar cerca de 180 pessoas no desemprego, a maioria funcionários qualificados que trabalham e vivem na região do Nordeste Transmontano.
* * *
Eliminar serviços públicos de medicina dentária a populações que vivem afastadas dos grandes centros urbanos e sem outras alternativas aos já precários cuidados de saúde oral existentes no Serviço Nacional de Saúde constitui desprezo pela própria população que paga impostos para sustentar o estado.
O Ministério da Saúde sabe que investir hoje 100 euros em medicina oral pode poupar 10 000 euros no futuro
(os estudos existem e não enganam ninguém; talvez só o Senhor Ministro da Saúde não tem conhecimento).
A Ordem dos Médicos Dentistas devia opor-se eficazmente a este tipo de políticas e não ficar cúmplice da degradação dos serviços de medicina oral disponibilizados à população.