terça-feira, 28 de junho de 2011

537. Cheques-dentistas não cobrem mais de 90 % das necessidades de saúde oral de crianças e adolescentes

A Ordem dos Médicos Dentistas apelou às autoridades para que comecem a entregar mais cedo nas escolas os cheques dentista, que estão a ter uma menor taxa de uso nas crianças em idade escolar. Segundo o relatório sobre o acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), dos 997 mil cheques emitidos desde o ano lectivo 2008/2009 aos alunos das escolas públicas apenas 57 por cento foram utilizados.
tvi24
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Vamos fazer contas. Em Portugal existem cerca de 1 800 000 crianças e adolescentes (valor por defeito). A recomendação é que sejam realizadas 2 consultas anuais por criança (1 800 000 X 2 = 3 600 000 consultas por ano); o cheque-dentista foi introduzido no ano lectivo de 2008/2009, há 3 anos (3 600 000 X 3 = 10 800 000 consultas). O número de cheques-dentistas distribuídos foram de 997 000, o que dá uma cobertura de 9,23 %

A conclusão é simples: o cheque-dentista cobre menos de 10 % das necessidades de saúde oral das crianças e jovens em Portugal.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

536. Tópicos para o desenvolvimento de uma política de saúde oral em Portugal (II)

Os recursos financeiros, humanos e matérias existentes no país são suficientes para melhorar significativamente o sector da saúde, englobando também a valência da saúde oral. Os tópicos apresentados na postagem anterior são apenas alguns exemplos do trabalho que é necessário fazer, parado nos últimos seis anos pelo Ministério da Saúde.
É necessário ter uma filosofia activa perante os problemas da saúde e saber lidar com soluções viáveis que geralmente não acarretam aumentos de despesas e que permitem rentabilizar largamente os recursos já disponíveis. A prevenção merece um grande destaque na saúde oral.
Outras medidas podem ser derivadas a partir de sobrepostos de que, em primeiro lugar, a politica deve estar unicamente centrada em benefício do doente. Para reflexão (a ordem aparece arbitrariamente):
1. – Criar urgências básicas de saúde oral nos hospitais centrais, afectando um médico estomatologista 24 horas por dia (em caso de urgência não se pode pedir a outros especialistas de diferentes áreas para tratar doenças específicas de saúde oral);
2. – Eliminar entraves burocráticos e acabar com todo o tipo de taxas e impostos cobrados para a legalização da prestação de cuidados de saúde oral em clínicas, consultórios e centros médicos, desde que se compram todos os requisitos necessários e legais para que fique assegurada a saúde dos pacientes;
3. – Tornar obrigatório seguros profissionais para todos os técnicos de saúde oral, sem excepção, de forma a cobrir todos os actos médicos praticados e a salvaguardar sempre a saúde dos pacientes;
4. – Tornar obrigatório seguros de saúde para toda a população, de forma a garantir que todas as pessoas possam aceder a cuidados de saúde no Serviço Nacional de Saúde e convencionados, incluindo o acesso a cuidados de saúde oral;
5. – Descriminar positivamente os cuidados de saúde primários, nomeadamente com carácter preventivo, facilitando e promovendo o acesso generalizado e de forma gratuita de crianças e jovens a exames de diagnósticos precoces de saúde oral em qualquer clínica ou consultório reconhecido pelo Ministério da Saúde;
6. – Proibir por completo a publicidade de todos os produtos e substâncias nocivas à higiene oral, designadamente spots televisivos de alimentos altamente prejudiciais à formação e educação para uma alimentação saudável;
7. – Combater eficazmente o comércio de alimentos e substâncias altamente nocivas à higiene oral, obrigando as empresas a identificar, de forma clara e bem visível nos rótulos, quais os seus efeitos prejudiciais para a saúde;
8. – Introduzir taxas moderadoras adicionais que penalize a população que recorra sistematicamente a cuidados de saúde em áreas não prioritárias, designadamente quando associadas a factores comportamentais de risco (interrupção voluntária da gravidez, doenças com origem no consumo do tabaco, doenças sexualmente transmissíveis, toxicodependência, etc.).

terça-feira, 14 de junho de 2011

535. Tópicos para o desenvolvimento de uma política de saúde oral em Portugal (I)

1. - Considerando o enorme fosso entre os cuidados de saúde oral disponibilizados à população em Portugal e aqueles que são prestados nos restantes países da União Europeia;
2. – Constatando as enormes desigualdades de rendimento entre as várias classes sociais, com reflexo directo nas oportunidades de acesso a cuidados de saúde oral;
3. – Sabendo que a saúde oral constitui um bem essencial para o bem-estar físico e psicológico de qualquer ser humano, desde a infância até à velhice (e que a sua ausência acarreta danos incalculáveis e imensuráveis, de forma permanente para o resto da vida, tanto em termos físicos como psicológicos)
4. – Observando-se uma falta de ética moral por parte dos responsáveis das pastas ministeriais da saúde dos últimos governos em estudar e aplicar medidas concretas de erradicação de doenças de saúde oral;
5. – Tendo em conta o quase nulo papel da Direcção – Geral da Saúde em promover uma eficaz e correcta prevenção real de saúde oral em ambiente escolar;
6. – Constatando o sistemático aproveitamento de recursos disponibilizados para a saúde oral, na ordem de muitos milhões de euros, gastos em publicidade, programas informáticos, brochuras e similares, sem que daí tivesse resultado um único tratamento médico real;
7. – Assumindo activamente que muitas entidades com interesses do sector da saúde oral em Portugal pretendem que tudo se mantenha na mesma, sem nenhuma evolução;
8. – Existindo em Portugal todos os recursos humanos e materiais necessários para uma completa assistência médica, em termos de saúde oral, a toda a população portuguesa.
É tempo de o futuro governo aplicar, desde já, várias medidas que humanizem o sector da saúde oral em Portugal, nomeadamente:
a) implementação do Cartão de Saúde Oral para todas as crianças e jovens;
b) afectação completa de todos os fundos destinados a programas de saúde oral unicamente em actos médicos;
c) utilização dos meios de comunicação sociais públicos, designadamente a televisão, para a promoção de uma cultura responsável de saúde oral;
d) divulgação máxima possível dos serviços de saúde oral disponível no país, designadamente os afectos ao Serviço Nacional de Saúde;
e) introdução de exames de saúde oral como requisito obrigatória para matrícula e renovação de matrícula em todos os estabelecimentos de ensino básico e secundário;
f) criação de um número de telefone nacional único, destinado exclusivamente à saúde oral;
g) celebração de contratos de prestação de serviços directamente entre o estado e os jovens médicos dentistas, formados recentemente, de forma a colocar no mercado de trabalho todos os médicos dentistas formados pelas universidades;
h) valorização das iniciativas que visem o reforço da cooperação entre as diversas especialidades médicas de saúde oral, dentária e de estomatologia e as restantes valências do Serviço Nacional de Saúde;
i) aposta em incentivos fiscais que permitam a criação e fixação de pequenas unidades de saúde oral em regiões mais desfavorecidas e mais afastadas das grandes cidades;
j) forte apoio à investigação científica de jovens formados, em áreas de elevado interesse para a saúde oral pública;
l) reformulação do papel de todas as instituições ligadas ao sector da saúde oral, nomeadamente em termos de competência e responsabilidades publicas;
m) introdução de parceria com países terceiros, definindo quotas anuais de emigração/imigração de técnicos de saúde oral;
n) estabelecer um prazo de legalização extraordinário para todos os técnicos de saúde oral ilegalmente estabelecidos no país, estipulando obrigações e deveres;
o) tornar obrigatório e publico um sistema nacional de avaliação anual de todos os profissionais ligados à saúde oral;
p) certificar oficialmente as entidades e organismos prestadores de serviços ou produtos necessários ao desenvolvimento de todas as actividades ligadas à saúde oral;
q) promover a formação prática de todos os técnicos em saúde oral, dotando as instituições de formação dos recursos necessários ao cumprimento das suas funções.

sábado, 11 de junho de 2011

534. TURMA DO BEM em Portugal

TURMA DO BEM
http://www.turmadobem.org.br/br/

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Hoje em Portugal, são 210 Dentistas do Bem e mais de 280 tratamentos odontológicos complexos oferecidos gratuitamente. Temos voluntários em mais de 50 cidades, de norte a sul de Portugal. O valor que a Fundação EDP investe, junto com o apoio da Jaba Recordati, ACEuropa e outros apoios é crucial para realizarmos o nosso trabalho. E temos plena consciência de que temos muito a fazer.

Quanto ao projecto vir ou não de fora, é irrelevante. Os voluntários, o coração da TdB, são em sua grande maioria, cidadãos portugueses. Replicabilidade, resultados comprovados, actuação em mais de 10 países e uma rede de 9000 voluntários são as razões que fizeram a EDP Brasil apoiar esse projecto no Brasil desde 2008 e a Fundação EDP ser co-fundadora da iniciativa que em menos de um ano apresentou resultados extraordinários.
Mantemos uma óptima relação com as outras organizações. O Doutor Miguel Pavão, presidente do Mundo a Sorrir, e o Doutor Cassiano Scapini, coordenador do projecto da LBV no Porto, são nossos voluntários e atendem 2 crianças cada.
Por último, recebemos o prémio de "Projecto de Solidariedade Social" da revista Saúde Oral, o que mostra o reconhecimento de parte expressiva dos profissionais da odontologia portuguesa. Aliás, neste momento de crise, o que mais precisamos são de boas ideias e de solidariedade. Para somarmos, esclarecermos, valorizarmos e melhorarmos a odontologia em Portugal. Principalmente em Lisboa, onde temos mais de 200 jovens em fila de espera.
Cumprimentos,
Murilo Casagrande
Gestor Internacional da TdB
210028125
Murilo@turmadobem.org.pt

quarta-feira, 8 de junho de 2011

533. O fim de um ciclo

O fim do governo do José Sócrates é o culminar de um período negro para a saúde oral dos portugueses. Os últimos seis anos foram marcados por um período ridículo de espera no combate eficaz que falta fazer em Portugal, no âmbito do combate às doenças relacionadas com a saúde oral.
A troco de quase nada e do silenciamento do assunto na comunicação social, o faz de conta que tudo correu sobre rodas na saúde oral escondeu a pura demagogia de quem nunca esteve interessado em fazer alguma coisa positiva, deixando afundar a péssima saúde oral dos portugueses, cada vez mais longe da qualidade de vida dos cidadãos europeus.
Esperemos por um outro tempo e novos governantes para alterar o estado pantanoso em que navega a saúde oral dos portugueses.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

532. Crianças aprendem a cuidar dos dentes na Clinicalm em Almeirim

Destemido, Salvador, quatro anos de idade, é o primeiro a subir para a cadeira do dentista. Muito compenetrada no seu papel de médica a fingir, Jéssica, um ano mais nova, coloca a máscara protectora na boca e ouve atentamente as indicações da médica a sério. Com o espelho descartável na mão a menina observa a boca de Salvador para ver se está tudo bem com os seus dentes. Jéssica e Salvador são duas das cerca de meia centena de crianças do Infantário Conde Sobral, em Almeirim, que visitaram as instalações da Clinicalm.
O objectivo daquele género de visitas que a Clinicalm iniciou há cerca de dois anos é alertar as crianças para a importância de lavar os dentes e de ir regularmente ao dentista. “Ainda há crianças que não são incentivadas a ter hábitos de higiene oral e por isso decidimos ajudar”, explica Maria Pinto Correia, directora clínica e gerente.
Para a maioria das crianças aquele foi o primeiro contacto com um dentista. Maria Pinto Correia diz que é importante elas perceberem como funciona uma consulta para perderem os medos que possam estar associados a esta especialidade médica.
A médica dentista diz que os pais levam os filhos ao dentista bastante tarde. Geralmente depois de já terem nascido os dentes definitivos. “A primeira consulta deveria ocorrer na altura do nascimento dos primeiros dentes de leite. O facto de não virem ao dentista prejudica a dentição no futuro”, esclarece.
Durante a visita das crianças foi possível detectar alguns dentes cariados. A médica aconselha que as crianças lavem os dentes, pelo menos, duas vezes por dia e visitem o médico duas vezes por ano. “Assim que começam a nascer os primeiros dentes de leite devem ser lavados nem que seja com um pano ou compressa. Quando começam a comer doces é muito importante que lavem os dentes com frequência”, sublinha.
A acção de formação começou com o visionamento de um filme animado onde o doutor Dentolas explica a importância de ter dentes saudáveis. No final as crianças receberam uma pasta dentífrica de presente e um panfleto em que explica os cuidados a ter com a dentição.
Apesar de defender que a prevenção continua a ser a melhor estratégia para uma boa saúde oral, a médica dentista lamenta que os pacientes só recorram aos médicos quando os problemas já estão activos. A Clinicalm dispõe de uma equipa de cinco médicos dentistas, dois ginecologistas, uma psicóloga, uma nutricionista, uma terapeuta da fala e dois assistentes.
O Mirante

quarta-feira, 25 de maio de 2011

531. BRASIL: experiências macabras sobre crianças impunes

Por um acordo firmado com o Ministério Público do Distrito Federal, o dentista Wilson Oliveira Santos que tirou todos os dentes de César Oliveira Ferreira desembolsará de R$ 51 mil.
Contudo, o procedimento feito à revelia dos responsáveis pelo rapaz teve destino muito mais brando: ele se livrou da punição no processo que analisava a violação a quatro incisos do Código de Ética Odontológico em seu artigo quinto, justamente o que trata dos deveres fundamentais dos profissionais e entidades de Odontologia.
(Ver história macabra teclando aqui)
UOL Notícias
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A barbaridade da sentença aplicada ao crime hediondo praticado sobre pessoa menor de idade revela até onde a falta de ética profissional pode ir; lamentável que crimes tão absurdos passem incólume às organizações odontológicas e à justiça brasileira.

Acredito que este crime praticado noutro país teria uma pena de muitos anos de prisão e a proibição para o resto da vida do odontologista ter qualquer contacto com crianças.
Infelizmente o crime foi praticado dentro das fronteiras do Brasil. Haja vozes internacionais para denunciar a violação dos direitos humanos onde quer que eles ocorram.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

530. Casal de médicos estrangeiros que 'importava' dentistas

Antes eram três, agora são cinco. Cinco clínicas de medicina, em Tavira, Loulé, Olhão, Estoi e Tunes, a operar em condições aparentemente legais. Três delas foram encerradas a 16 de Novembro após uma operação conjunta do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, com a presença da Autoridade de Saúde Pública, Ordem dos Médicos e Ordem dos Médicos Dentistas. Mas entretanto, após nova inspeção das autoridades de saúde, o Expresso apurou no local que as clínicas já foram reabertas e os proprietários - ele médico dentista, ela médica cardiologista - até já abriram mais duas, em Estoi e em Tunes.
Contactado pelo Expresso, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro, diz que é tempo de agir: "Não queremos que a situação possa descambar para prejuízo dos doentes. Temos de agir antes disso", diz, garantindo não poder atuar só em face da situação da imigração ilegal, "sem que a sentença transite em julgado". Isto porque, recorde-se, os proprietários das cinco clínicas - dois médicos de nacionalidade brasileira, mas legalizados em Portugal e inscritos na Ordem dos Médicos - estão acusados de vários crimes: de auxílio à imigração ilegal, angariação de mão-de-obra ilegal, crime continuado de corrupção de substâncias alimentares ou medicinais, e do crime de extorsão.
Segundo a acusação do Ministério Público de Olhão, o casal terá ainda de responder em julgamento pela autoria moral de outros dois, o crime continuado de usurpação de funções e o de falsificação de documentos, relativos à cobertura dada aos imigrantes brasileiros que trabalhavam nas clínicas como dentistas e passavam receitas em nome do proprietário. Não estavam inscritos na Ordem nem tinham vistos de trabalho legalizados em Portugal.
Por outro lado, a Ordem garante que já remeteu o caso desde Novembro para o Conselho Deontológico e de Disciplina da OMD sobre este caso."Iremos solicitar à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) a identificação dos respectivos corpos clínicos, nomeadamente dos diretores clínicos responsáveis pelo funcionamento das clínicas", acrescenta Orlando Monteiro.
Jornal Expresso (13 de Abril de 2011)

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Estas situações devem ser severamente punidas e a Ordem dos Médicos Dentistas deve estabelecer urgentemente parcerias com as associações profissionais estrangeiras, nomeadamente do Brasil, a fim de regular a entrada em Portugal de profissionais altamente qualificados no âmbito da saúde oral.
Por outro lado, é obrigação das autoridades portuguesas assegurarem todas as condições que assegurem a plena integração dos imigrantes que escolherem o nosso país para viver e trabalhar, sem qualquer tipo de descriminação.

sábado, 7 de maio de 2011

529. Rastreio dentário permite tratamentos gratuitos a crianças carenciadas

Dez crianças do Centro de Acolhimento da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha fizeram no passado dia 6 um rastreio dentário. Dessas dez crianças seis foram assinaladas por terem problemas graves de saúde oral e vão ser seguidos por um médico dentista da cidade, que realizará o tratamento de forma gratuita e voluntária.
O rastreio foi efectuado por dois dentistas – Luís Felipe de Podesta e Fernando Augusto, da associação “Turma do Bem”, que se deslocaram à Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo para promover esta actividade. “Normalmente este rastreio é feito em instituições ou em escolas mas aqui em Caldas da Rainha não conseguimos a abertura de nenhuma escola”, disse Fernando Augusto. Segundo este responsável, devido à pouca divulgação, “não entrou nenhum jovem para fazer o rastreio na Junta mas depois durante o dia obtivemos autorização para mudar o rastreio para as instalações do Centro de Acolhimento da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha e a iniciativa acabou por ser positiva”.
A “Turma do Bem”, associação que existe há vários anos no Brasil, ajuda crianças e jovens a recuperar o sorriso, e chegou a Portugal em 2009, tendo já conquistado a solidariedade de muitos dentistas que aderiram ao projecto. A sua existência neste país é possibilitada através de uma parceria com a Fundação EDP, e o projecto já ajudou já mais de 100 adolescentes dos 11 aos 18 anos, carenciados, angariando para a sua rede de Dentistas do Bem cerca de 140 profissionais voluntários.
Os jovens mais carenciados que fazem o rastreio e apresentam problemas dentários graves com sintomas de infecção, dor ou sensibilidade são depois encaminhados para um dentista voluntário que faz todo o tratamento gratuito e é responsável pelo acompanhamento do beneficiário até ele completar 18 anos. No que concerne aos dentistas das Caldas da Rainha, o projecto foi bem aceite angariando para a sua rede cinco profissionais voluntários que criaram na cidade dez vagas. “Encaminhámos seis jovens, portanto, ainda temos quatro vagas para preencher”, apontou este responsável.
Segundo Fernando Augusto, à semelhança do Brasil, também Portugal tem problemas com as doenças orais como a cárie, a gengivite e problemas de ortodontia. “Aproximadamente 60% dos jovens até os 14 anos nunca foram ao dentista e com apenas 15 anos, um jovem tem 70% dos dentes comprometidos e apresenta problemas dentários graves com sintomas de infecção, dor ou sensibilidade”, divulgou o dentista.
Aliando o tratamento gratuito à educação e informação sobre a higiene oral, pretende-se também, segundo o dentista, “contribuir para aumentar a auto-estima destes jovens, bem como a sua empregabilidade, uma vez que uma má saúde oral é um fator de exclusão”.
Portugal foi o primeiro país da Europa a acolher o projecto idealizado e fundado pelo dentista brasileiro Fábio Bibancos, tendo como co-produtora a Fundação EDP. Actualmente existem mais de 8.000 Dentistas do Bem no Brasil, em Portugal e em 9 países da América Latina (Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e México). Só em 2010 estes voluntários atenderam nos próprios consultórios mais de 16 mil jovens em todo o mundo.
Marlene Sousa
Jornal das Caldas


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Infelizmente as boas iniciativas em Portugal têm de vir do estrangeiro; louva-se o projecto da “Turma do Bem”. Mas é extremamente vergonhoso para Portugal que a EDP, tendo receitas de largas dezenas de milhares de milhões de euros todos os anos, contribua para tratar apenas 100 crianças; se é essa a missão social da EDP, então estamos conversados.


MENSAGEM COLOCADA NOS COMENTÁRIOS: Não é verdade que as boas iniciativas tenham de vir de fora! Em Portugal há bons projectos solidários, como o Projecto Dentes Saudáveis do Dr. Risadas da Associação Entreajuda, tem também os muitos projectos da ONG Portuguesa Mundo a Sorrir, o projecto da Legião da Boa Vontade e muitos outros mais pequenos, mas muito bem feitos.

O que é preciso, é saber qual a razão da EDP apoiar viagens e custos para "importar" projectos de fora, quando em Portugal deveriam ser apoiados muitas boas práticas!

sábado, 30 de abril de 2011

528. A (pouca) saúde oral nos Açores

2011: Açores estão na vanguarda da saúde oral pública em todo o país - O Secretário Regional da Saúde (...) que o Governo Regional foi pioneiro na decisão de colocar médicos dentistas nos centros de saúde, onde hoje trabalham 17 profissionais desta especialidade (ver aqui);

2005: Dos actuais 71 médicos dentistas que exercem a actividade nos Açores, 56 optaram pela clínica privada e apenas 15 estão ligados ao Serviço Regional de Saúde (ver aqui).

domingo, 17 de abril de 2011

527. A saúde oral reflecte o estado do país

O pedido de resgate financeiro de Portugal às instituições internacionais reflecte o estado calamitoso das contas publicas do país, onde se gasta excessivamente mais do que se produz, em resultado de politicas económicas desastrosas seguidas pelos dois principais partidos que governaram Portugal nos últimos trinta anos (Partido Socialista e Partido Social Democrata), com a conivência indirecta e descarada do actual Presidente da República, que deixou o país à beira da falência. Estes dois partidos tornaram-se os principais focos que minaram a economia nacional, ao criarem devastadores buracos das contas nacionais, ao apostarem num modelo de crescimento económico insustentável, aplicando os principais recursos nacionais em investimentos não produtivos, aumentando o peso do estado na economia e acentuando uma vasta teia de clientelismo e de corrupção, no exercício dos cargos públicos, ficando Portugal a viver, quase sempre, à custa da entrada de dividendos procedentes da União Europeia.

O aparelho do estado é hoje uma máquina pesadíssima, que cresceu de forma exponencial e que hoje afoga a maior parte dos nossos recursos, condicionando fortemente qualquer processo de desenvolvimento do país; tudo é controlado pela administração pública, burocrática e que não produz qualquer riqueza. Os organismos públicos, tanto os pertencentes à administração central como o pertencente à administração local, são sobretudo entidades que servem, em primeiro lugar, para garantir emprego aos amigos e aos amigos dos amigos do poder político, quase sempre sem qualquer mérito para o exercício das funções para que as pessoas são nomeadas (salvo raras excepções), patente sobre após os eventos eleitorais. Assim, o estado é composto maioritariamente por pessoas que não produzem nenhuma riqueza para o país, representando o principal factor de estagnação e retrocesso económico.

No âmbito da administração publica central, e designadamente do Ministério da Saúde, assistimos hoje aos mais bárbaros ataques aos ideais do espírito da Revolução de 25 de Abril de 1974, desmantelando serviços de saúde e transferindo parte do sector para entidades privadas, arrasando o acesso a cuidados de saúde às populações mais carenciadas e particularmente fora dos grandes centros urbanos. No entanto, o Ministério da Saúde nada faz para reduzir drasticamente as suas despesas desnecessárias, nomeadamente cortando no seu pessoal que quase nada produz e que serve apenas para receberem vencimentos ao final de cada mês. O desenvolvimento das tecnologias de informação e de comunicação parecem levar séculos a chegarem a muitos sectores administrativos do Ministério da Saúde: processos automáticos e que levariam cinco minutos a executarem por um técnico administrativo competente podem ainda hoje levar vários dias ou semanas a serem executados por dezenas de empregados, geralmente incompetentes para o exercício dos respectivos cargos (salvo seja raras excepções). Assim, determinados gabinetes e assessorias do Ministério da Saúde empregam largos recursos humanos que pouco ou nada produzem, representando um enorme encargo financeiro para o próprio Ministério da Saúde e sustentados por quem realmente produz riqueza em Portugal; todas essas pessoas deverão ser recicladas e colocadas em funções realmente produtivas e os recursos financeiros retirados integralmente para as valências necessárias, designadamente para o essencial, ou seja, colocados à disposição da população, em forma de actos médicos.

Na saúde oral, o país tem vindo constantemente a retroceder ao longo dos últimos anos, a tal ponto que este ano não existe uma única vaga para a formação de médicos estomatologistas; assim, dentro de breves anos, teremos de ir ao estrangeiro para conseguirmos ir a uma consulta de estomatologia. Não existe nenhuma linha orientadora para o sector e “comprou-se” o silencio de determinados sectores da saúde oral com os cheque – dentistas, uma fraude de saúde publica que ainda hoje ninguém soube explicar porque tem determinado valor e só é possível obter em determinadas idades, como se a saúde oral tivesse o privilégio de ser específica de ser apenas necessária numa determinada data pré – estabelecida; no entanto, determinados gabinetes do Ministério da saúde afundam-se em estudos e mais estudos que, uma vez concluídos, ficam guardados em gavetas e não servem para nada, a não ser para justificar mais um investimento que não se sabe para que serviu.

Sempre que uma entidade externa solícita apoio, o Ministério da Saúde presta-se em colaborar na promoção da saúde oral dos portugueses, contribuindo com folhetos sobre tudo e mais alguma coisa; no entanto, por exemplo e salvo situações meramente pontuais e residuais, nunca ninguém ouviu falar em Portugal na promoção de rastreios de saúde oral nas escolas e o encaminhamento de todas as situações problemáticas para tratamento com o médico de família, sabendo que actualmente a prevenção pode poupar, segundo os especialistas, quase 30 000 euros por pessoa.
Enfim, a saúde oral reflecte o estado do país, à deriva e moribundo, gerido por políticos e governantes que ficam muito a desejar enquanto cidadãos de bens e administradores das causas públicas.

terça-feira, 12 de abril de 2011

526. Algarve: 7 dentistas de 3 clínicas em Olhão, Loulé e Tavira arguidos por imigração ilegal

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) anunciou hoje que sete dentistas estrangeiros a trabalhar em Portugal foram constituídos arguidos pelo crime de auxílio à imigração ilegal e angariação de mão-de-obra ilegal.
Dois dos arguidos ficaram com termo de identidade e residência, estão proibidos de sair do país e foram-lhes aplicadas cauções de 30 mil e 17.500 euros. As acusações assentaram numa operação do SEF em três clínicas dentárias de Olhão, Loulé e Tavira e nas casas dos arguidos, que foram acusados de sete crimes de auxílio à imigração ilegal, sete de angariação de mão-de-obra ilegal, um de extorsão, um continuado de falsificação de documentos e um crime continuado de corrupção de substâncias alimentares ou medicinais.
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Estão de parabéns as autoridades portuguesas e a Ordem dos Médicos Dentistas; é necessário uma maior fiscalização das actividades relacionadas com a medicina dentária no nosso país, de forma a garantir absoluta segurança e de garantia dos actos médicos a todos os pacientes. Aos criminosos deseja-se que cumpram as respectivas penas na íntegra e aqueles que sejam estrangeiros deverão ser obrigados posteriormente a abandonar o país.
Torna-se muito urgente que a Ordem dos Médicos Dentistas estabeleça parcerias com as suas congéneres estrangeiras para regular a entrada de dentistas estrangeiros no nosso país.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

525. LISBOA: Triagem odontológica gratuita para jovens

O Museu da Eletricidade acolhe, no dia 9 de abril, entre as 14h00 e as 17h30, uma triagem odontológica totalmente gratuita e de livre acesso a jovens estudantes com idades entre os 11 e os 17 anos. Esta é uma iniciativa dinamizada pela Organização Não Governamental Turma do Bem.
Mais de 50 voluntários portugueses e brasileiros (dentistas e estudantes de odontologia), bem como o fundador da ONG e dentista Fábio Bibancos vão estar presentes na ação, onde serão observadas crianças ligadas a associações da grande Lisboa e outros jovens com problemas orais considerados graves.
Durante o primeiro ano de existência em Portugal, o projeto Dentistas do Bem ajudou já mais de 100 crianças carenciadas com o apoio de cerca de 140 profissionais voluntários. Todos os tratamentos prestados são gratuitos e cada voluntário é responsável pelo acompanhamento de cada criança até aos seus 18 anos.
Aliando o tratamento gratuito à educação e informação sobre a higiene oral, pretende-se também contribuir para aumentar a auto-estima destes jovens, bem como a sua empregabilidade, uma vez que uma má saúde oral é um fator de exclusão.
Portugal foi o primeiro país da Europa a acolher o projeto idealizado e fundado pelo dentista brasileiro Fábio Bibancos, tendo como co-fundadora a Fundação EDP.
Boas Notícias

sexta-feira, 1 de abril de 2011

524. Organizações lançam Manifesto pela Saúde Oral

Um grupo de sete organizações lançou um Manifesto pela Saúde Oral que pretende corrigir injustiças e promover igualdade no acesso a serviços dentários.

A associação portuguesa Mundo a Sorrir é uma das subscritoras do Manifesto que está a ser representado pela autoridade espanhola em odontologia Ilustre Colégio Oficial de Odontólogos y Estomatólogos da I Região.

“Este manifesto pretende que os profissionais de saúde, elementos das organizações e responsáveis de entidades públicas e privadas se unam e se responsabilizem por iniciativas de cooperação e parceria, de forma a diminuir as diferenças existentes nas populações em termos de saúde oral”, refere a Mundo a Sorrir.

No Manifesto lê-se que existe a “necessidade de parcerias entre os diferentes interlocutores que operam no setor da saúde em geral, e da dental em particular. Consideramos imprescindível que haja um compromisso tanto das instituições públicas, como das instituições privadas [para promover igualdade no acesso à saúde], assim como o papel que as Universidades devem assumir para fomentar uma consciência solidária da sociedade civil”.

“Entendemos também como nossa a responsabilidade da difusão da referida consciência solidária entre cada um dos profissionais da saúde, como parte principal da força social que deve persuadir os poderes públicos e instituições privadas”. “Declaramos veementemente que nenhum ser humano deve ver-se excluído de acesso a serviços de saúde, nomeadamente de saúde oral, por motivos económicos ou sociais”, refere o comunicado.
Saúde Oral - Revista Profissional de Estomatologia e Medicina Dentária

quarta-feira, 30 de março de 2011

523. Rastreio de cancro oral dirigido à população do Porto

O edifício da Alfândega vai receber amanhã, quinta-feira, o primeiro rastreio gratuito de cancro oral dirigido à população do Porto. Uma iniciativa pioneira, promovida pelo Grupo CESPU - Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário, que poderá servir de modelo em futuras acções públicas no combate ao cancro oral. O rastreio, que decorre entre as 10h00 e as 17h00, consiste num exame clínico detalhado completamente indolor, e vai contar com a presença de um dos maiores especialistas internacionais nesta área, também conselheiro da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Na Europa, Portugal e Espanha estão na linha da frente da incidência do cancro oral. Segundo os últimos números disponíveis, em 2008, estima-se que tenham ocorrido 1025 novos casos de cancro da cavidade oral no nosso país. "São números que nos devem preocupar e estimular, no sentido de realizar e promover iniciativas dirigidas à população, de forma a inverter estes resultados", defende Luís Monteiro, médico dentista da rede Nova Saúde e professor de Patologia Oral do Grupo CESPU. Tanto mais, acrescenta, que "grande parte é detectada tardiamente e mais de metade morre de cancro oral ao fim de cinco anos".

Sendo a prevenção uma das áreas prioritárias a intervir, o Grupo CESPU, através da rede Nova Saúde, vai promover esta quinta-feira, dia 31 de Março, no edifício da Alfândega, o primeiro rastreio gratuito dirigido à população do Porto. "A CESPU foi pioneira na prestação destes rastreios à população. Em 2010, começámos a fazer rastreios de cancro oral, juntamente com o Hospital Nossa Senhora da Conceição e Câmara Municipal de Valongo, à população de Valongo. Em 2011, vamos manter este tipo de iniciativas, agora promovendo um mega-rastreio no centro da cidade do Porto", explica Luís Monteiro.

Num inquérito realizado entre Fevereiro e Março deste ano a 501 utentes que frequentam a consulta externa do Hospital Nossa Senhora da Conceição de Valongo, concluiu-se que 98,5 por cento dos inquiridos nunca efectuou nenhum rastreio de cancro oral. "Este é um cenário que urge mudar. Campanhas de educação devem ser estabelecidas para permitir informação sobre o cancro oral e motivar as populações a prevenir-se contra esta patologia", adverte Luís Monteiro. Até porque, segundo o mesmo estudo, o conhecimento de cancro oral na população inquirida revela ser deficiente, com grande parte dos inquiridos a admitir nunca ter ouvido falar em cancro oral. É curioso notar que este foi o tipo de cancro menos referido e menos conhecido que o cancro do pâncreas, com uma incidência bastante menor que o cancro oral.

O rastreio na Alfândega do Porto vai decorrer entre as 10h00 e as 17h00 e vai consistir num exame clínico detalhado completamente indolor e numa sessão de ensino e orientação sobre cancro oral, envolvendo docentes e alunos do curso de Medicina Dentária da CESPU, coordenados pelo britânico Saman Warnakulasuryia, o especialista que mais tem realizado rastreios de cancro oral no mundo, sendo mesmo conselheiro da OMS nesta área.
Informação recebida por correio electrónico

segunda-feira, 28 de março de 2011

522. Dentes: Profissionais acusam o Estado de não dar prioridade à saúde oral

O medo e a falta de dinheiro e de informação afastam os portugueses da cadeira do dentista. Portugal é dos países da Europa que têm pior saúde oral, com quase todas as crianças a apresentarem pelo menos uma cárie e com elevado número de idosos sem dentes. Cáries, doenças gengivais, falta de dentes e dores articulares, resultantes da falta de tratamento e de reabilitação incorrecta, obrigam muitos portugueses a enfrentar a temível broca do dentista. O especialista Ricardo Marques aponta o dedo ao Estado pelo desinteresse na instrução de crianças, adultos e idosos para as boas práticas de saúde dentária, e na adopção de programas de promoção da higiene oral nas escolas e nos lares de terceira idade. Para este especialista em Medicina Dentária, medidas como os cheques-dentista para idosos, crianças ou grávidas são "populistas e pouco abrangentes". Outro problema é a organização do Serviço Nacional de Saúde, que fica aquém das necessidades: "Faltam médicos nos centros de saúde", acusa. Há também um obstáculo cultural. "Temos uma cultura superpenalizadora do dentista e uma falta de apelo à estética dentária", critica o especialista, para quem a má higiene oral é um problema "estrutural". A dor é o sintoma, e o tratamento passa por ir ao dentista, pelo menos uma vez por ano. A prevenção é o remédio: alimentação cuidada, escovagem dos dentes várias vezes ao dia com uma pasta rica em flúor, passar a fita dentária e bochechar com elixir. "O adiar dos problemas da medicina dentária gera outros mais complexos, caros e penosos", adverte Ricardo Marques. A saúde oral condiciona o bem-estar, e a falta de tratamento, ou quando este não é apropriado, leva a outros problemas: enxaquecas, mau hálito ou doenças gástricas. A ausência de um sorriso perfeito reflecte-se na auto-estima. Preocupantes são também as faltas ao trabalho. Cerca de 100 euros anuais bastam para manter os dentes saudáveis. A ausência de idas ao dentista pode custar 30 mil euros. "Poupam-se milhões em consultas e antibióticos, reduzem-se as baixas e os atrasos no trabalho", alerta Ricardo Marques, lamentando que a "saúde oral não seja uma prioridade no País".

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DISCURSO DIRECTO

"FOI DISTRIBUÍDO UM MILHÃO DE CHEQUES-DENTISTA"

Rui Calado, Coord. do Programa de Promoção da Saúde Oral


– Os programas de promoção da saúde oral são suficientes?
– Estão a ser desenvolvidos de forma satisfatória. Garantimos o acesso dos grupos mais vulneráveis ao dentista. Já há muitas crianças sem cáries, e queremos alargar a atribuição de cheques--dentista a pessoas infectadas com o vírus da sida.
– A saúde oral é uma prioridade?
– Em 2010, foi dos únicos programas que não sofreram cortes no orçamento e, nos últimos dois anos e meio, conseguimos entregar um milhão de cheques-dentista. Isto demonstra bem a dedicação do Estado.
– Faltam dentistas nos centros de saúde?
– Não é preciso construir consultórios nos centros de saúde. Aí há higienistas orais que prestam cuidados de prevenção primários. Para os casos mais graves, temos 3800 profissionais que têm um acordo com o Serviço Nacional de Saúde, a operar em consultórios privados.
Correio da Manhã

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O especialista alerta as entidades governamentais: por 100 euros que o estado investisse na saúde oral dos portugueses pode poupar 30 000 euros (ou seja, investindo agora 100 euros anualmente pode vir a poupar até 29 900 euros no futuro) . Será que o Governo e a Direcção – Geral de Saúde vão continuar a negar o acesso da maioria dos portugueses a cuidados básicos de saúde oral? Que é feito das centenas de consultórios dentários do Serviço Nacional de Saúde encerrados? E o Ministério da Educação vai continuar a gastar milhares de milhões de euros em reformular o parque escolar e a esquecer-se por completo que as crianças e jovens precisam de cuidados de saúde oral? E porque é que as organizações médicas ligadas à saúde oral continuam a manter quase um silêncio completo sobre o estado calamitoso da saúde oral em Portugal? A vergonha em política tem limites, senhores governantes.

domingo, 20 de março de 2011

521. Alunos da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa em protesto

(Tecle sobre as imagens para ver o vídeo)

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Os alunos da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa estão em greve contra os cortes orçamentais. Os quarto e quinto anos são essencialmente práticos e atendem cerca de 100 utentes por dia, mas por causa dos cortes falta-lhes material básico para as consultas.

Esta quarta-feira, fizeram um protesto silencioso, com máscaras pretas em vez das máscaras clínicas. Perto de 500 consultas tiveram de ser adiadas esta semana. Os alunos aproveitaram a inauguração de uma nova clínica na faculdade para mostrar o descontentamento e tentar encontrar uma solução.

quinta-feira, 17 de março de 2011

520. Prevençao em saúde oral

http://www.casimirodeandrade.com/
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PREVENÇÃO - Escovagem
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· Antes, usar um elixir bucal;
· Depois, passar o fio/fita dental (pelo menos, uma vez por dia);
· Utilizar uma pasta dentífrica fluoretada;
· Deve ser efectuada nos 15 minutos após cada refeição;
· Deve ser feita de manhã (ao levantar) e à noite (ao deitar);
· A escova deve ser média ou macia, nunca dura, e ser substituída de mês e meio em mês e meio ou, no máximo, a cada três meses;
· Passar por todas as superfícies dos dentes;
· Manter os dentes limpos principalmente junto à linha gengival, evitando a placa bacteriana e o tártaro.
PREVENÇÃO - Hábitos e precauções com os
dentes temporários (de leite)
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· Lembre-se que a sua criança gosta de brincar com a escova mas não consegue verdadeiramente limpar os dentes. A escovagem, para ser bem sucedida, necessita de ser efectuada com um controlo dos movimentos finos, o que normalmente surge na criança por volta dos 7 ou 8 anos, quando a mesma aprende a escrever e desenvolve destreza nas mãos;
· Escovar ao levantar, deitar e depois das refeições ;
· Limitar lanches entre as refeições, principalmente com alimentos e/ou bebidas açucaradas;
· Evitar as bebidas gaseificadas, pois provocam erosão dos dentes;
· Cuidado com os alimentos adesivos, uma vez que quanto mais adesivos mais cariogénicos (exemplos: caramelos, rebuçados, ...);
· Ter o cuidado de explicar à criança que não deve ingerir a pasta dentífrica;
· Usar uma pequena porção de pasta dentífrica na escovagem (guie-se pelo tamanho da unha do dedo mindinho);
· Os filamentos da escova devem ir de encontro às várias faces dentárias, executando movimentos de rotação suaves;
· Aplicar flúor na criança de 6 em 6 meses e usar diariamente uma pasta dentífrica fluoretada.

PREVENÇÃO - Outros conselhos
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· Visitar regularmente o médico dentista (no mínimo, uma vez por ano);
· Fazer uma dieta equilibrada e substituir os doces por alimentos mais nutritivos como queijo, frutas ou vegetais;
· Evitar que a criança tenha o hábito de chuchar no dedo: pode causar problemas no posicionamento dos dentes e no crescimento dos maxilares;
· Evitar fumar;
· Selar todos os dentes que possuam sulcos ou fissuras, quer sejam temporários, quer sejam permanentes (aplicação de uma camada de resina sobre a face de mastigação do dente, protegendo-o das agressões bacterianas). 80% das cáries surgem nos sulcos e fissuras e só 20% surgem nas superfícies lisas. O flúor só actua perante superfícies lisas, o que significa que só protege 20% das cáries.

terça-feira, 15 de março de 2011

519. Saúde escolar: realidade ou ficção em Portugal?




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Qualquer sistema de ensino moderno e eficiente suporta-se também de um eficaz sistema de saúde escolar. O exemplo apresentado na imagem refere-se aos Estados Unidos.
Pelo contrário, em Portugal, a maior parte das crianças e adolescentes nunca terão qualquer tipo de apoio em termos de saúde escolar, e muito menos em termos de saúde oral. Todo o que se faça em algumas escolas resulta da carolice de alguns professores.
É assim o destino traçado às actuais gerações que frequentam o ensino básico e secundário em Portugal.

Gerofil

quarta-feira, 9 de março de 2011

518. UNICEF pede mais atenção aos adolescentes para quebrar o ciclo de pobreza

A comunidade internacional deve intensificar os investimentos nos adolescentes se quiser quebrar o ciclo de pobreza, especialmente nos países menos desenvolvidos, que têm uma população muito jovem, advertiu a UNICEF, num relatório hoje divulgado. O relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, intitulado “Adolescência - Uma Fase de Oportunidades”, aborda a situação mundial da infância.

A UNICEF revela que o mundo tem 1,2 mil milhões de adolescentes entre 10 e 19 anos, sendo 18 por cento da população mundial. O estudo explica que os países devem começar a mostrar o mesmo interesse na adolescência que têm dado a crianças nas últimas duas décadas e que permitiu avanços consideráveis no combate à mortalidade infantil ou na escolarização fundamental, entre outros indicadores

.A taxa global de mortalidade de crianças menores de cinco anos foi reduzida em 33 por cento nos últimos 20 anos, ao mesmo tempo que se conseguiu colocar mais meninas na escola primária, informa o estudo. Em contrapartida, os progressos realizados em relação à adolescência 'foram menores” e o estudo mostra que mais de 70 milhões de jovens em idade de frequentar o ensino secundário não estão nas escolas, a maioria raparigas.

A UNICEF adverte que 'se os adolescentes não são educados, não conseguem adquirir os conhecimentos e as habilidades necessárias para evitar os perigos que representam o abuso, a exploração e a violência a que estão expostos'. O relatório cita como exemplo o Brasil, que conseguiu evitar a morte de 26 mil crianças entre 1998 e 2008, mas cerca de 86 mil adolescentes - entre 15 e 19 - perderam a vida por causa da violência e da delinquência.

O estudo aponta ainda que cerca de 30 por cento dos novos casos de HIV/SIDA se registam anualmente nos jovens entre 15 e 24 anos, acrescentando que nos países em desenvolvimento um em cada três adolescentes casa antes dos 18 anos. Segundo a UNICEF, a adolescência é a fase da vida em que as desigualdades se manifestam 'mais claramente', particularmente para 88 por cento dos adolescentes que vivem em países em desenvolvimento, recordando que 81 milhões de jovens no mundo não têm um emprego.

A agência das Nações Unidas recomenda a recolha de dados mais precisos sobre a situação real dos adolescentes e, posteriormente, o aumento do investimento em educação e capacitação para saírem da pobreza. A UNICEF apela a que se incentivem os jovens a uma maior participação na vida pública, à promulgação de leis e programas que protejam os adolescentes e ao combate das condições sociais que os impedem de fugir à pobreza.


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A UNICEF lembra a todos que o combate à pobreza e à exclusão social começa na infância. Também em Portugal torna-se necessário apostar em políticas que possibilitem o combate à pobreza e à exclusão de crianças e adolescentes, particularmente daqueles que sejam oriundos das classes sociais mais desfavorecidas.

A adolescência (entre os 12 e os 17 anos, ou seja, a idade em que os jovens frequentam o Terceiro Ciclo do Ensino Básico e o Ensino Secundário em Portugal) constitui a fase da vida que vai determinar a personalidade futura dos homens e das mulheres; é muito importante a concentração de esforços no sentido de dotar os jovens das ferramentas que irão necessitar para o resto das suas vidas. Assim, é também nesta fase da vida em que se deve apostar nos cuidados de saúde primários, incluindo a saúde oral.
Infelizmente, em Portugal, a esmagadora maioria dos jovens entre os 12 e os 17 anos não tem possibilidades de acesso a cuidados de saúde dentários e os cheques-dentistas servem mais de propaganda do que realmente fazer qualquer tipo de tratamento idóneo.
Portugal, em termos de saúde primária, designadamente em saúde oral, não é certamente local aconselhado para jovens crescerem em segurança.
O acesso a cuidados de saúde oral primários deveria ser prioridade absoluta na área da saúde infantil e juvenil. Hoje largas centenas de milhares de crianças e jovens portugueses continuam sem ter qualquer possibilidade de acesso de cuidados de saúde oral; amanhã serão homens e mulheres frustrados por viverem num país onde os cuidados de saúdes são proporcionados às pessoas consoante a sua origem social. Alguém do governo capaz de ser sensível à questão?
Para quando um Cartão Nacional de Saúde Oral?

terça-feira, 1 de março de 2011

517. Bruxelas apresenta programa de acções para reforçar direitos dos menores

De acordo com o executivo comunitário, esta iniciativa “enumerará uma série de ações concretas através das quais a UE pode contribuir com um valor acrescido para as políticas nacionais que visam o bem-estar e segurança das crianças, promovendo designadamente um acesso à Justiça adaptado às crianças, quando estas têm de participar num processo judicial, uma melhor informação sobre os seus direitos e tornando a Internet mais segura para elas”.
Trata-se, segundo Bruxelas, de “reafirmar o compromisso
forte do conjunto das instituições da UE e dos Estados-membros em promover e proteger os direitos das crianças em todas as políticas europeias”.
“Convém que, no futuro, as políticas da União Europeia (UE) que afetem direta ou indiretamente as crianças sejam concebidas, aplicadas e seguidas tendo em consideração o superior interesse
das crianças”, defende o executivo comunitário.
A Comissão nota, a propósito, que “numerosas ações tomadas pela UE têm incidências sobre as crianças”, pelo que “a União pode por isso trazer, em múltiplos domínios, uma mais-valia essencial”, podendo tanto apoiar a ação dos Estados-membros, como ajudá-los, fornecendo um quadro para a adoção de boas práticas
em vigor no espaço comunitário.
Bruxelas lembra que os direitos das crianças estão integrados nos “direitos fundamentais que a UE se compromete a respeitar em virtude da carta dos direitos fundamentais da União Europeia” e sublinha que o Tratado de Lisboa, em vigor há cerca de um ano, “impõe também à UE a promoção da protecção dos direitos das crianças”.
Destak
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Portugal precisa urgentemente de definir na lei, preto no branco, o direito de todas as crianças e adolescentes terem acesso a cuidados de saúde dentários, sem quaisquer descriminações de origem racial, estrato social, cor política dos pais, idade ou quaisquer outras formas de discriminações encobertas e com base na ignorância infantil ou falta de ética das entidades de saúde ou escolares.
Num país onde se forçam os jovens a prolongar a vida escolar sem que isso lhes garanta nenhum futuro em termos de projecto de vida, as autoridades centrais e o poder político ainda fazem tábua rasa dos mais elementares direitos à dignidade do ser humano, recorrendo à imaturidade psicológica das crianças e jovens e negando-lhes os mais elementares direitos humanos que são o acesso a determinados cuidados de saúde que condicionam o resto da vida de qualquer pessoa.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

515. Um blogue a divulgar: SAÚDE ORAL

Atendendo aos vários pedidos solicitados, nomeadamente de pessoas que estão a frequentar pós-graduações, mestrados ou doutoramentos ligados à saúde pública e afins, dá-se inteira liberdade para a cópia e reprodução de todos os artigos publicados neste blogue. Solicita-se que se faça referencia à fonte dos artigos, que se encontra no final de cada mensagem publicada no blogue.
Pode acompanhar a actividade do Saúde Oral nas redes sociais, lendo e subscrevendo o Friendfeed, o Twitter e o Facebook ou active o RSS do feedburner no seu computador para acompanhar as actualizações do Saúde Oral.
Solicita-se que faça a divulgação deste blogue por todos os seus contactos; pode ter a certeza que alguém lhe agradecerá no futuro. A saúde oral é um bem que diz respeito a todos, sem quaisquer distinções de grupo social, raça, género, idade ou localização geográfica; a saúde oral é a primeira porta de entrada do nosso organismo e determina a qualidade de vida de cada um de nós.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

514. Saúde Oral em Portugal, uma questão de bom senso

Tem este Blogue primado por alertar as autoridades competentes, as instituições profissionais e a sociedade civil em geral para a necessária reformulação dos cuidados de saúde oral da população portuguesa e a sua integração no Serviço Nacional de Saúde, em igualdade de circunstancias com o sector privado.
Em pleno século XXI faz sentido desenvolver todos os esforços para que o Ministério da Saúde Português considere a saúde oral como uma valência prioritária no âmbito da saúde pública, integrando-a nos cuidados de saúde prioritários e desenvolvendo todos os meios que possibilitem a eliminação das actuais vergonhosas acessibilidades de acesso a tratamentos dentários, de que são vitimas, em primeiro grau, crianças, jovens e idosos dependentes, de fracos recursos e afastados geograficamente dos grandes centros urbanos.
É urgente reformular a ética seguida pela actual equipa do Ministério da Saúde, cobarde com os fracos ou desfavorecidos e submissa com os fortes, em que retira direitos fundamentais de saúde estabelecidos na Constituição da República e entrega chorudos negócios da saúde a privados.
Feita uma análise profunda à situação da saúde oral em Portugal (consulte aqui o estudo; veja as suas análises nos links que se encontram no final deste texto), o Ministério da Saúde e a Direcção – Geral de Saúde fizeram tábua rasa de todas as suas conclusões e atiraram o mesmo estudo para o lixo; até hoje jamais houve qualquer iniciativa tomada pelo governo relativamente às necessidades reais prementes de saúde oral especificadas naquele estudo. Importa também salientar quem, com o seu silêncio, permite que nada se faça e tudo continue na mesma situação.
Enquanto o Ministério da Saúde gasta centenas de milhões de euros na prática de dezenas de milhares de abortos um pouco por todo o país (parece que não se importam que haja mais idosos que população activa dentro de poucos anos), a protecção da saúde infantil e juvenil é uma absoluta miragem que não se vê ao fundo do túnel.
Os largos milhares de milhões de euros que o estado perdeu com a venda absolutamente ruinosa da rede fixa de telefone à PT, sem concurso público, o gasto de centenas de milhões de euros em compra de material bélico (submarinos, já avariados quando da sua aquisição), as centenas de milhões de euros em aeroportos que não passam do papel (Ota) ou que ficam completamente às moscas (Beja), o desperdício de dinheiro na aposta do TGV que não se sabe se existirá algum dia, dava tudo reunido para melhorar significativamente os cuidados de saúde primários da população e não haver mais nenhuma criança portuguesa a ficar excluída de cuidados de saúde oral.
Moral e eticamente, há pessoas que estão a prestar um péssimo serviço ao país, quer estando no governo quer apoiando as medidas irracionais, discriminatórias e violadoras de direitos humanos executadas pela actual equipa do Ministério da Saúde.

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Análise ao

Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais








sábado, 5 de fevereiro de 2011

512. Nos Estados Unidos não se brinca com a saúde oral

Chronic Disease Prevention
and Health Promotion
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Nos Estados Unidos trabalha-se arduamente na prevenção e combate às doenças relativas à saúde oral, beneficiando toda a população do país.
Em Portugal “compra-se” o silêncio de quem pode e deve denunciar publicamente o quase completo abandono na prestação de cuidados de saúde oral à população por parte do Ministério da Saúde.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

511. Dentistas ingleses avaliados pela Internet

No Reino Unido, os pacientes já podem avaliar os consultórios de dentistas através de um serviço on-line lançado pelo Ministério da Saúde britânico.
O Governo inglês lançou um serviço on-line que permite aos cidadãos avaliar e classificar os serviços de dentista, tal como já acontece noutras áreas de saúde. Com a criação deste serviço, o doente pode aceder a informações num só lugar, como por exemplo horários, localizações e serviços adicionais oferecidos pelos 22 mil dentistas do Serviço Nacional de Saúde.
Com um total de 1,2 milhões de visitas ao dentista por mês, o Governo pretende facilitar a vida dos pacientes dando-lhes indicações sobre os serviços odontológicos, mas também comunicar directamente com os profissionais do Serviço Nacional de Saúde. Esta experiência tem como objectivo melhorar os resultados das clínicas dentários, através da troca de informação.
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É essencial dar aos pacientes a possibilidade de também poderem avaliar os cuidados de saúde oral que recebem. Ao mesmo tempo também seria uma óptima estratégia para combater praticas abusivas que constantemente ainda se podem observar em variadíssimas clínicas ou consultórios (cobrar serviços sem informar o preço antes dos tratamentos, passagem de vários recibos pela mesma consulta de forma a optimizar o máximo lucro possível e a lesar gravemente a Segurança Social e/ou ADSE com comparticipações fictícias, etc.)
Esta é uma das medidas emblemáticas que a Ordem dos Médicos Dentistas já deveria ter implementado há muito tempo. A capacidade de avaliar os serviços prestados, a todos os níveis, será fundamental para manter padrões de elevada qualidade, garantido a saúde dos pacientes e permitindo que cada pessoa possa escolher livremente o seu medico dentista.Será assim tão difícil colocar esta estratégia em prática no nosso país?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

510. Associação Portuguesa de Medicina Dentária Hospitalar


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O contributo da Medicina Dentária para a saúde da população não se esgota no seu exercício como profissão liberal.
O Médico Dentista terá que actuar no futuro como um importante agente de promoção integral da saúde, envolvendo-se activamente nas actividades de prevenção, rastreio e tratamento de todas as doenças que tenham a ver com o bem-estar dos pacientes; deverá interessar-se pela integração da sua actividade nas unidades de saúde locais (Centros de Saúde, Hospitais, públicos ou privados), participando e promovendo encontros com outros profissionais de saúde, nomeadamente com as especialidades médicas que lhe são mais próximas (Estomatologia, Otorrinolaringologia, Cirurgia Maxilo-Facial), mas também Medicina Geral e Familiar ou Saúde Pública.
Só deste modo poderá estabelecer uma colaboração mais estreita com toda a comunidade médica, tendo como objectivo último o tratamento e o bem estar dos doentes.
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Numa altura que tanto se fala da crise económica e nas dificuldades cada vez maiores dos portugueses em ter acesso a cuidados de saúde, é bom lembrar também que o estado português gastou, nos últimos vinte anos, largas centenas de milhões de euros a formar médicos dentistas. A pergunta é a seguinte: quanto pagou cada português para a formação desses largos milhares de médicos dentistas e quantos deles estão hoje a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde?Talvez não se conheça outro país do mundo onde recursos humanos altamente especializados, em que o estado investe dezenas de milhares de euros para a sua formação, não tenham depois qualquer utilidade no Serviço Nacional de Saúde.É bom que se saiba quem são os verdadeiros responsáveis pelo desastre da saúde oral em Portugal, depois de largas centenas de milhões de euros gastos dos nossos impostos. É altura de determinados políticos começarem a ser responsabilizados criminalmente por estas políticas.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

509. ANGOLA: Crianças serão agentes contra a cárie dentária

Huambo – O projecto sorriso pretende criar, este ano, agentes infantis de saúde bocal nas escolas, para que através de palestras e demonstrações guiadas seja reforçada a mensagem contra a cárie dentária. É também perspectiva para este ano criar grupos teatrais infantis para que as crianças possam ser activistas contra a cárie dentária e outras doenças da boca, que afectam maioritariamente os pequenos.
A responsável do projecto, Sara Soeli Leandro, revelou hoje, em declarações à Angop, que a criação de agentes infantis de sensibilização deverá se repercutir na expansão das actividades de saúde bocal, envolvendo maior número de escolas municipais. Sara Soeli Leandro adiantou que, para consolidar os conhecimentos teóricos que as crianças vão aprender nas palestras, serão distribuídos 100 mil kits de saúde bocal, compostos por escovas, pepsodente e cartilha explicativa sobre os cuidados a ter durante a escovação.
Explicou que em cada palestra os alunos têm a oportunidade de fazer uma escovação acompanhada, dos seus dentes, para que eles aprendam a técnica de escovar os dentes de forma saudável. Referiu que esta escovação supervisionada é feita através de um kit portátil (escovódromo) adquirido em 2010, composto por pia, água e espelho.
Segundo a fonte, este trabalho de saúde pública é uma iniciativa do governo provincial através da direcção local de saúde em parceria com o sector da educação e apesar dos constrangimentos económicos, o projecto sorriso abrangeu, em 2010, mais de 50 mil crianças, em toda província. Foram ainda montadas, em 2010, secções de estomatologia nos municípios do Londuimbali (Alto-Hama), Ukuma, Bailundo, Huambo e Katchiungo.
A aposta é continuar, no decorrer deste ano, para que nos 11 municípios que compõem a província as populações tenham este serviço a funcionar. Lamentou, no entanto, a insuficiência de técnicos da área de estomatologia para que os serviços funcionem com regularidade. “Temos projecto de um curso de estomatologia na província, estamos a espera que o governo aprove o documento para reduzir o défice de quadros”, continuou.
Outra aposta do projecto é continuar a prestar atenção as mulheres grávidas através do pré natal deontológico, que visa orientar e seguir de forma diferenciada as gestantes para evitar complicações inúmeras que possam vir a ter e também acabar com o mito de que grávida não pode extrair o dente. Executado pela Empresa Privada de Gestão em Saúde AMOSMID, o projecto existe a mais de cinco anos e tem sido aplaudido por muitas famílias, principalmente as das comunidades rurais, pois muitas crianças aprenderam a escovar os dentes numa das palestras escolares, depois do cinco anos de idade.
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Quantos projectos serão necessários importar de países do Terceiro Mundo para que em Portugal também haja prevenção de saúde oral dirigida a todas as crianças e jovens de todas as escolas do ensino básico e secundário? Será apenas importante encher as cabecinhas dos meninos com Educação Sexual?
Já estamos fartos de ver milhões e milhões de panfletos produzidos pela Direcção-Geral da Saúde e de campanhas exorbitantes de dinheiros mal gastos em spots publicitários nas televisões, em que nada contribuem para a melhoria da saúde oral dos portugueses. Todo esse dinheiro teria sido muito melhor empregue se tivesse sido dispendido em actos médicos; largas centenas de milhares de crianças podiam ter agora um sorriso que talvez nunca mais o terão no resto das suas vidas.Não acredito que o Director – Geral da Saúde e a Senhora Ministra da Saúde sejam assim pessoas tão frias e insensíveis ao sofrimento de crianças e jovens carentes de saúde oral, crianças essas que ficarão marcadas física e psicologicamente para o resto das suas vidas. Não há ninguém que não perceba que uma prevenção bem feita ficava extremamente mais barata ao próprio Ministério da Saúde do que fazer tratamentos apenas quando surjam as doenças orais.
Sinceramente, as políticas actuais de saúde oral em Portugal precisam de uma revolução a todos os níveis.

domingo, 16 de janeiro de 2011

508. Implante dentário

O implante dentario é um serviço da odontologia executado para compensar a ausência de um ou mais dentes danificados que não apresentam a possibilidade de recuperação. A colocação de pontes ou próteses simples tem a desvantagem destas ficarem apoiadas nos dentes vizinhos e fornecerem margem para movimentação dos dentes postiços, o que não acontece na fixação usando o implante. O preço para a realização do procedimento não é muito alto se levado em consideração a qualidade superior e longevidade de duração do implante dentario.
O procedimento do implante dental é realizado por meio da colocação no osso da mandíbula ou do maxilar, abaixo da gengiva, de um parafuso de titânio que funciona como suporte para a fixação de uma prótese dentária. A micro cirurgia para fixação do parafuso de titânio é feita no próprio consultório do dentista, com anestesia local e requer cerca de uma hora para a realização. Antes da finalização do implante quando é colocada a prótese com dente(s), é necessário se aguardar um período de recuperação de três a seis meses para a correta integração do parafuso na estrutura óssea mandibular ou maxilar.
A realização de implante dentario é restrita a pessoas com a formação óssea já completa, que geralmente ocorre perto da maioridade, e que não possuam problemas graves de saúde, sendo assim necessária uma avaliação prévia minuciosa do candidato à prótese.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

507. Hospital de Valongo realiza rastreios de cancro oral em bairros sociais

Uma equipa do Hospital de Valongo iniciou quarta-feira um rastreio de cancro oral no âmbito de uma iniciativa que irá abranger todos os bairros sociais do concelho e que se prolonga até ao final de 2011, avança a agência Lusa.
Renato Matos, vogal executivo do Conselho de Administração daquele hospital, explicou à Lusa que o objectivo é sensibilizar a população e dar a conhecer as principais causas desta doença, cujo número de casos tem aumentado em Portugal.
"O seu aparecimento está muito associado a hábitos tabágicos e alcoólicos (cerca de 75% dos casos), assim como ao consumo de estupefacientes. Ou seja, na esmagadora maioria dos casos depende de hábitos de risco", sustentou Renato Matos.
O administrador do hospital de Valongo explicou que, prosseguindo uma “política de proximidade” com a população, esta unidade de saúde pretende alertar a população para esta doença.
Iniciativas de sensibilização são cruciais - “Havendo uma correcta informação, as pessoas poderão detectar sintomas visíveis, em tempo de recuperação, por isso, iniciativas de sensibilização como esta são cruciais”, frisou. De acordo com o médico, “todas as situações consideradas suspeitas serão submetidas a biopsia e os pacientes receberão o adequado tratamento no Hospital de Valongo”.
Os clínicos que participam nos rastreios são do serviço de medicina dentária e estomatologia do hospital e da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU).
O primeiro rastreio decorre quarta e quinta-feira no Empreendimento Social da Outrela, na cidade de Valongo.
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Sabendo que o numero de internatos em estomatologia em Portugal este ano é zero e que alguém tenta estrangular a carreira destes profissionais, era bom que fossem para o terreno e tomassem conta das asneiras que praticam enquanto altos quadros da administração pública.
Bem-haja ainda médicos estomatologistas que rumam contra quem nunca prestará contas pelas suas decisões, graças aos amigos e interesses instalados nos altos cargos de decisão política do país. Seria excelente que a esses dirigentes nunca fosse permitido ter acesso a assistência médica oncológica no futuro.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

506. MADEIRA: Carrinha de selantes de dentes inactiva preocupa Ordem

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) está preocupada com o abandono, em Abril de 2010, da colocação de selantes de fissuras nos dentes das crianças até os 10 anos. Tal como está preocupada com a inactivação da carrinha cedida pela Fundação Horácio Roque (que custou 75 mil euros) e que ía às escolas para tal efeito.
As preocupações foram hoje expressas na apresentação pública dos dados referentes à implementação do Programa Regional de Promoção de Saúde Oral (PRPSO) no período compreendido entre 1995 e 2010. Em conferência de imprensa, Gil Alves, Doris Sousa e Catarina Cortez revelaram dados que permitiram baixar de 90% (nalguns casos) para 50% a incidência da cárie dentária em crianças entre 3 e 10 anos (população-alvo do programa).
Na faixa etária dos 3 anos todos os concelhos diminuiram a prevalência da cárie à excepção, na última avaliação, de Santana, Santa Cruz, Porto Santo e Câmara de Lobos. Nas faixas etárias dos 6 e dos 9 anos todos os concelhos baixaram a cárie à excepção do Porto Santo.
Recorde-se que a "delapidação dos recursos humanos" adstritos ao PRPSO, implementada a partir de 19 de Maio de 2010, levou ao abandono da equipa coordenada por Gil Alves. Desde essa altura, por estratégia da equipa sucessora, o higienista oral que aplicava os selantes foi colocado no Porto Santo e a carrinha, na Madeira, ficou sem essa valência.
Em jeito de balanço, referem que os programas de promoção de saúde oral não dão votos (têm um horizonte temporal para além dos 4 anos) pelo que só os implementam políticos informados. E que a prevenção é a melhor resposta bastando, tantas vezes, a escovagem dos dentes três vezes ao dia.
Refira-se que o programa começou em Outubro de 1996 depois de, em Abril de 1995, a OMD ter sido convidada pela então directora regional de saúde, Ermelinda Alves, a colaborar na implementação do PRPSO. O objectivo era atingir a população alvo entre os 3 os 10 anos de idade (com rastreios aos 3, 6 e 9 anos). As escolas pré-primárias e do 1.º ciclo do ensino básico de todos os concelhos da Região foram parceiras privilegiadas, via Secretaria e Direcção Regional de Educação.
A 1.ª fase arrancou em Outubro de 1996 nas escolas dos concelhos rurais da Ribeira Brava, Ponta do Sol e Porto Moniz. Por sinal as mais carenciadas na higiene oral e no acesso aos dentistas. Depois estendeu-se a Calheta, Santana e São Vicente (1998); Machico (1999); Santa Cruz e Porto Santo (2000); Câmara de Lobos (2004); e Funchal (2006). Este último ainda não abrnagido totalmente nas suas escolas de ensino básico.
Refira-se que, no plano regional de saúde 2004/2010, a meta era erradicar a cárie dentária, até 2010, de 50% das crianças. No ano lectivo 2009/2010 o programa abrangia um total de 19 mil crianças, distribuídas por 182 escolas e 929 turmas. Crianças que receberam sessões de saúde oral ministradas por dentistas, higienistas, monitores, enfermeiros, nutricionistas, professores e educadores. Mas também para auxiliares de acção educativa, amas que acolhem crianças entre 6 e 36 meses de idade, pais e outros profissionais.
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Extremamente confrangedor e total falta de ética moral persistir em políticas de desprezo pelos mais pobres e indefesos, quando todos sabemos as largas centenas de milhões de euros transferidos anualmente para a Madeira e que está a encher os bolsos de alguém. Haja coragem e denuncie-se esta situação aberrante no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
O regime político em vigor no território português carece de profundas alterações muito rapidamente.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

504. Saúde Oral em Portugal em 2010

  • "Continuamos com muitas pessoas à frente de poderes decisórios (...) com influência nas políticas de saúde oral, com mentalidades retrógradas da idade média, que fazem Portugal continuar na cauda da Europa em termos de saúde oral, muito mais perto dos países do Terceiro Mundo do que os países mais evoluídos, interessados unicamente nos seus próprios interesses e fazendo tábua rasa do que seja os mais elementares direitos humanos básicos da população, em termos de saúde oral. Quanto custará à consciência de cada uma dessas pessoas ver uma criança ou um adolescente vitima da mais pura negligência de saúde oral? Talvez esse facto não se coloque aos seus filhos ou netos."
Termina o ano de 2010 com poucas ou absolutamente nenhumas medidas de alteração à política desoladora da saúde oral em Portugal, deixando a população do país cada vez mais longe dos níveis de cuidados de saúde oral dos países desenvolvidos.
A persistência da actual equipa do Ministério da Saúde em liquidar o serviço de saúde oral prestado no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, cujo ultimo exemplo reside em tentar acabar com a carreira de médicos estomatologistas em Portugal, perspectiva um futuro muito pior no acesso aos cuidados de saúde oral da população.
Esta atroz política de destruição de cuidados já existentes (veja-se o mesmo exemplo para as maternidades, com portugueses obrigados a nascer no estrangeiro, ou para as urgências, obrigando pessoas a deslocar-se mais de cinquenta quilómetros para serem assistidos, muitas vezes esperando mais de doze horas) recai directamente sobre a população de menores recursos, pagadora dos impostos mais elevados da Europa mas impossibilitada de recorrer a serviços privados.
Associado à politica demagoga de favorecimento da burguesia rica, as organizações ligadas ao sector da saúde oral pouco ou nada fazem para alterar a situação, enveredando por um caminho promíscuo com as políticas do governo, colocando-se deste modo ao serviço da classe burguesa endinheirada capaz de pagar elevadas quantias em tratamentos e abandonando à sorte toda a população trabalhadora das classes médias e baixas que, apesar de pagarem as taxas de impostos mais elevadas de todos os países europeus e contribuírem directamente para a formação dos médicos dentistas, na pratica não têm direitos de assistências em termos de saúde oral.
As medidas de prevenção de saúde oral, em termos de saúde primária, são tomadas a conta gotas, conforme as circunstâncias, atropelando direitos consagrados na Constituição da República, sem qualquer estratégia mínima para o futuro e abertamente criticadas pelo Tribunal de Contas, ao violarem a igualdade de direitos constitucionais.
Aliado à destruição do que resta da saúde oral no Serviço Nacional de Saúde, o Ministério da Saúde liberaliza a entrada dos privados no âmbito da saúde oral, muitas vezes associados a multinacionais estrangeiras, que colocam em primeiro lugar a sua ânsia de fazer dinheiro com a saúde dos portugueses, actuando independentemente de quaisquer necessidades prioritárias de saúde pública.
As mais elevadas instâncias de saúde do país, designadamente a Direcção – Geral de Saúde, atropelam-se em patrocinar brochuras, fotocópias ou publicidade, gastando milhões e milhões de euros retirados directamente de fundos que deviam ser entregues aos médicos dentistas para tratar os seus pacientes; a Saúde Escolar na prática não existe, abandonando milhões de crianças e jovens à sorte que tiverem na vida.
Nunca se ouviu a Direcção – Geral de saúde ou a Ordem dos Médicos Dentistas defender publicamente a extrema urgência de implementar um Boletim de Saúde Oral, nomeadamente para as crianças e adolescentes, de modo a permitir uma eficaz politica de combate e erradicação da cárie dentária infantil em Portugal. Parece que preferem que tudo continue na mesma.
Nada se houve na urgentíssima necessidade de defender os profissionais de saúde oral no âmbito das suas relações de trabalho com as entidades patronais, deixando-os à mercê de escrupulosos vigaristas de exploração de mão – de – obra barata.
Continuamos com muitas pessoas à frente de poderes decisórios, no Governo, na Assembleia da República e nas organizações do sector com influência nas políticas de saúde oral, com mentalidades retrógradas da idade média, que fazem Portugal continuar na cauda da Europa em termos de saúde oral, muito mais perto dos países do Terceiro Mundo do que os países mais evoluídos, interessados unicamente nos seus próprios interesses e fazendo tábua rasa do que seja os mais elementares direitos humanos básicos da população, em termos de saúde oral. Quanto custará à consciência de cada uma dessas pessoas ver uma criança ou um adolescente vitima da mais pura negligência de saúde oral? Talvez esse facto não se coloque aos seus filhos ou netos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

503. Votos de Feliz Natal e de um Próspero Ano Novo

Caminhamos para mais um Natal e o início de um novo ano. Nesta altura lembramo-nos de todos os nossos familiares e amigos, a quem renovamos os nossos desejos de paz e saúde.
Também este blogue deseja um melhor ano de 2011 para todos os portugueses, e que o direito à saúde oral seja consagrado a todos, sem limitações de ordem social ou económica.
Aos políticos instalados na governação do país, e particularmente aos deputados representados na Assembleia da República, à Senhora Ministra da Saúde, ao Senhor Director – Geral de Saúde e ao Senhor Presidente da República, deseja-se que cumpram as suas obrigações para os cargos que foram eleitos e que moralmente compreendam que a saúde oral constitui um direito fundamental e inquestionável do ser humano. Pede-se a todos os políticos que unam esforços e determinem o acesso geral da população a cuidados de saúde oral, particularmente dos mais carenciados, das crianças, jovens e idosos e da população excluída socialmente. Quem gostará de ter um filho sem a mínima hipótese de ter os seus dentes devidamente tratados? Alguém é capaz de calcular o sofrimento humano, físico e psicológico, que uma criança tenha de transportar ao longo de toda a sua vida pela simples falta de um tratamento adequado e digno de saúde oral?
Aos profissionais de saúde oral pede-se que contribuam para a melhoria da saúde oral de todos os portugueses, sem qualquer descriminação assente em grupos sociais ou classes económicas; a sua formação foi paga pelos impostos de todos os portugueses que trabalham, pelo que moralmente devem também prestar cuidados de saúde oral a toda a população qualquer que sejam as suas possibilidades.
Às organizações ligadas directamente à saúde oral pede-se o devido respeito pela vida humana, que não tem nenhum preço em qualquer parte do mundo; na medida do possível deverão tentar baixar consideravelmente os custos dos tratamentos de saúde oral de forma a tornarem-se acessíveis a toda a população, sem colocarem em causa a justa remuneração salarial dos profissionais de saúde oral.
A caridade na saúde oral não constitui nenhuma resolução do problema; pelo contrário, serve para perpetuar os problemas já existentes.
Portugal não pode continuar a ser o parente pobre da saúde oral dos países da União Europeia. Afinal, a cárie dentária é uma doença que pode e deve ser erradicada de Portugal.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

502. AÇORES: Menos saúde e pior saúde

Os conselhos de administração dos três hospitais dos Açores vão passar a registar o tempo de demora da chegada às urgências dos médicos que estão de prevenção, anunciou ontem o secretário regional da Saúde. “Vamos dar orientações aos conselhos de administração dos hospitais para que procedam ao registo das chamadas de prevenção e o registo da hora a que o profissional chegou à urgência”, afirmou Miguel Correia, salientando que se trata de uma “medida pedagógica”.
Miguel Correia, que falava na sessão de abertura das X Jornadas de Médicos de Clínica Geral, na Horta, Faial, respondeu desta forma à contestação que se tem registado nos hospitais dos Açores, depois do governo regional ter suspendido parcialmente as prevenções médicas durante a madrugada em algumas especialidades, como psiquiatria, oncologia e estomatologia.
O secretário regional da Saúde salientou que, para quem acusa o governo de “pôr em causa a qualidade do serviço prestado aos utentes” com estes cortes nas prevenções, esta é “uma medida que vai certamente melhorar a qualidade do serviço”. Miguel Correia anunciou ainda, para “combater o desperdício” no sector da saúde, a criação de um grupo de trabalho que pretende criar regras comuns em todas as unidades de saúde em relação às prescrições médicas e à utilização de meios complementares de diagnóstico.
O secretário regional da Saúde salientou ainda que o executivo regional pretende criar mais unidades de saúde de ilha e unidades de saúde familiar para combater a falta de médicos de clínica geral no arquipélago. Segundo Miguel Correia, o governo pretende também aumentar o número de utentes por médico de família, que actualmente está fixado em 1500 doentes por médico.Entretanto, o director clínico do Hospital de Ponta Delgada, Laurindo Frias, afirmou, no final de uma reunião da comissão médica, que os cortes nas prevenções decididas pelo Governo dos Açores não foram aceites pela equipa médica do hospital. “A reunião foi marcada por muita contestação e esta equipa tem uma posição unânime de que estas medidas não podem ir para a frente. Por isso, não vai haver colaboração em nada para que as medidas sejam implementadas", afirmou o responsável clínico, acrescentando que lhe foi "pedido que a escala da próxima semana seja igual às anteriores”.
Em causa estão as medidas restritivas de prevenções médicas em algumas especialidades decididas pelo executivo regional, contra as quais Laurindo Frias também se manifestou. “Eu próprio sou contra estes cortes, sempre fui, mas agora estou mais legitimado a dizer que sou contra porque todos têm a mesma opinião”, afirmou, admitindo que poderá ser tomadas “uma posição de força” depois de uma reunião que vai ter com a direcção clínica do hospital. Nesse sentido, salientou que “a comissão médica é um órgão consultivo do director clínico", acrescentando que agora vai "pensar sobre este assunto" com a sua equipa e depois transmitirá o resultado "ao conselho de administração e à tutela”.
Os cortes nas prevenções das especialidades de Psiquiatria, Cirurgia Plástica, Estomatologia e Oncologia no Hospital de Ponta Delgada foram implementados a partir de 01 de Novembro e fazem parte do pacote de medidas restritivas do Governo Regional dos Açores aplicadas aos três hospitais da região.
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Tentativa desesperada do Governo Regional dos Açores em limitar o acesso à saúde por parte da população. Clara demonstração de retrocesso civilizacional.