domingo, 23 de maio de 2010

452. Dentistas associam-se a pediatras na saúde oral

Em 2008, os jovens de 15 anos apresentavam, em média, três dentes cariados, perdidos ou obturados. Uma média alta, que resulta muito da falta de prevenção em criança. Alertar os pediatras para a saúde oral é o objectivo da Sociedade de Odontopediatria.
O primeiro congresso ibérico desta subespecialidade de Medicina Dentária pretendeu dar umas luzes a pediatras, médicos-dentistas e higienistas orais sobre a melhor forma de lidar com os mais pequenos. "A saúde oral das crianças portuguesas tem vindo a melhorar, mas ainda há dados que ficam aquém das metas fixadas pela Organização Mundial da Saúde e dos níveis conseguidos nos países nórdicos, por exemplo", explicou ao JN Luís Pedro Ferreira, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Odontopediatria.
O encontro visou justamente alertar para isso. Criada há um ano, a sociedade associou-se à já antiga congénere espanhola para levar ao Porto vários especialistas internacionais em Odontopediatria. "Ainda persiste a ideia de que não é preciso tratar os dentes de leite. É um erro tremendo. Se a oclusão não estiver equilibrada, por exemplo, vai condicionar o crescimento ósseo do maxilar, vai gerar problemas de mastigação numa altura em que as crianças têm de assimilar o máximo de nutrientes e pode ainda originar problemas de dicção", explicou o médico dentista, que se subespecializou em Barcelona.
É que os dentes de leite surgem entre os seis meses e os três anos de idade e só começam a ser substituídos a partir dos seis, permanecendo com a dentição definitiva durante outros seis anos. "Qualquer infecção pode facilmente afectar o dente definitivo". A situação portuguesa melhorou com a implementação do Programa Nacional de Saúde Oral e, admite Luís Pedro Ferreira, ganhou novo impulso com o alargamento dos cheques-dentista às crianças.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

450. Turma do Bem em Portugal, pela Saúde Oral

Antes de tudo, parabenizo pelo excelente blog “Saúde Oral - A Saúde da Saúde Oral em Portugal”: notícias e comentários que trazem à tona a REALIDADE em que se encontra a saúde oral do portugueses. Pelo mesmo motivo, agradeço pela imensa fonte de dados e informações à cerca desta realidade.
Mas escrevo para dizer que a Turma do Bem, cuja missão é “mudar a percepção da sociedade na questão da saúde bucal e da classe odontológica com relação ao impacto socioambiental de sua atividade” exercida através do nosso principal projeto, o Dentista do Bem. Fundada por um dentista em 2002 no Brasil, país em que o povo também sofre com a falta de atendimento público de qualidade e a outra opção são os dentistas privados: uma classe profissional explorada e desvalorizada.
Através deste inovador projeto de voluntariado em rede, reconhecido internacionalmente, mudamos essa realidade pouco a pouco: já são 7 000 dentistas que atendem gratuitamente 12 000 crianças. E outros projetos, como a “Liga do Dentista Limpo” ou o “Dentista Verde” amparam e informam nossos Dentistas do Bem sobre questões importantes, atropeladas pelo cotidiano.
Abaixo, links de nossos documentários, que traduzem a nossa luta e podem ser vistos no Youtube:
Dente por dente:
Festa do Biscoito:
Estamos em expansão internacional, já estamos presentes em outros oito países da América Latina e com apoio da Fundação EDP, estamos a implementar o projeto em Portugal desde março. Gostaria muito de conhecer o autor ou autora do blog, e poder apresentar nossos desafios, que acredito serem os mesmo do blog Saúde Oral.
Meus sinceros cumprimentos, Murilo Casagrande
Turma do Bem Europa
Avenida Brasília - Central Tejo
1300-598 - Lisboa - Portugal
Tel: + 351 21 002 8125
Tm: + 351 92 620 8751

sexta-feira, 7 de maio de 2010

448. ESCOLA SECUNDÁRIA DR. FRANCISCO FERNANDES LOPES (OLHÃO): Produto Final não aprovado

Tal como já foi dito inúmeras vezes aqui no blogue ao longo do ano, o produto final (pelo menos o oficial) do projecto Saúde Oral era a implantação de máquinas que disponibilizam escovas e pastas dentríficas nas casas de banho da escola. A proposta foi a conselho executivo, contudo, por razões monetárias, esta não foi aprovada.
Como tal, este produto não vai ser realizado já. O grupo vai deixar tudo preparado para que, num próximo ano, as máquinas possam ser postas na escola.
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Extremamente confrangedor e desesperante ver um projecto a ficar na gaveta, quando se trata de algo que foi lançado e trabalhado pelos próprios jovens. É lamentável que as autoridades competentes, nomeadamente a Direcção Regional de Educação do Algarve e a Direcção – Geral de Saúde, façam tábua rasa das iniciativas dos jovens e nada façam para que esta iniciativa seja implantada no terreno e seja um projecto inovador a nível nacional; extremamente vergonhoso a atitude que estas instituições estão a ter para com estes jovens.
Entretanto já há largas dezenas de milhares de milhões de euros em modernização do parque escolar porque é dinheiro fresco que pode ser distribuído para os construtores civis; já a saúde oral das crianças e adolescentes pode ficar para a próxima geração, para os filhos dos nossos filhos.
É isto que os políticos e governantes têm para oferecer aos nossos jovens.

terça-feira, 4 de maio de 2010

447. Cheques-dentista por pagar aos profissionais

A promessa não foi cumprida. Os médicos dentistas da Região Norte continuam à espera do pagamento da maioria das consultas dadas no âmbito do Programa Nacional de Saúde Oral. Apesar de haver dinheiro. O caos nos serviços só regularizará em Junho.
A garantia dada ainda muito recentemente pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde era de que a pagamento dos cheques-dentista aos profissionais que tratam pacientes encaminhados pelos centros de saúde entraria nos eixos no passado dia 31 de Março. O argumento para justificar o atraso nos pagamentos, que se arrasta desde Outubro, era a incapacidade dos serviços das administrações regionais de Saúde (ARS) do Norte e do Centro em lidar com o volume de pedidos.
A verdade é que a ARS Centro resolveu o problema, mas não a do Norte. A falta de pessoal era a desculpa, numa fase em que caíram pedidos de pagamentos relativos aos tratamentos de crianças, integradas no Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral (PNPSO) em Maio de 2009. Os cheques foram entregues entre Julho e Agosto, originando um excesso de volume a partir de Setembro. Foi preciso recorrer a serviços externos para ajudar na gestão dos pagamentos.
Segundo Paulo Melo, secretário-geral da Ordem dos Médicos Dentistas, a situação só agora começa a ter solução. "De Outubro a Março foram validados 59.148 cheques-dentista, sendo que os prestadores enviaram a facturação correspondente a 12.486 cheques. Os últimos pagamentos dizem respeito, na sua maioria, a facturação de Dezembro", explica Paulo Melo. O próprio atraso levou os médicos a não enviar as facturas. A dívida acumulada está 285 400 euros, com promessa de liquidação "na próxima semana".
Só que, entretanto, vão acumulando os cheques emitidos desde Janeiro. A indicação oficial, adianta o dirigente, é a de que a normalização dos pagamentos (a 30 dias) só será uma realidade em Junho. "Já fizemos sentir aos secretário de Estado que a promessa não foi cumprida", apesar de haver "um sinal" de melhoria. No Centro, com menos volume de vales, a contratação de pessoal resolveu o problema, subsistindo apenas situações pontuais de "atrasos pouco significativos". Nas outras ARS, não se verificou qualquer problema.
O PNPSO permitiu o acesso a cuidados de saúde oral a algumas camadas da população, através da entrega de vales de 40 euros para tratamentos nos consultórios privados que aderiram ao programa. Começou por abranger as cerca de 65 mil grávidas anualmente acompanhadas nos centros de Saúde (não se estendem às que optam pela privada) e os idosos beneficiários do complemento solidário, grupo cuja adesão à medida continua fraco, por dificuldades de "informação" dos próprios e de cruzamento de dados com a Segurança Social. No ano passado, estendeu-se às crianças de sete, dez e 13 anos. Com perto de 30 milhões de euros alocados este ano, o PNPSO alarga-se em breve aos doentes com VIH.
Jornal de Notícias (19 de Abril de 2010)
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Se o Ministério da Saúde e a Direcção – Geral de Saúde provocam o caos tratar uma percentagem tão pequena de crianças e adolescentes, então imagine-se como andará o resto da população portuguesa em termos de saúde oral.
Era bom que a Comissão de Saúde da Assembleia da República apurasse os responsáveis pelo caos que há na saúde oral em Portugal; os portugueses pagam impostos para pagar o trabalho feito pelos senhores deputados e desejam ser esclarecidos porque motivo a saúde oral não funciona em Portugal.

domingo, 2 de maio de 2010

446. Governo dos Açores investe na saúde escolar

As crianças e jovens açorianos, até aos 18 anos, vão passar a ser alvo de exames de saúde periódicos, a partir do próximo ano lectivo, no âmbito de um programa de saúde escolar promovido pelo Governo Regional dos Açores.
O Programa Regional de Saúde Escolar e de Saúde Infanto-Juvenil foi hoje apresentando no auditório da Escola Básica Integrada Francisco Ornelas da Câmara, integrado nas comemorações do Dia Mundial da Saúde. Na ocasião foi, também assinado um protocolo entre as Secretarias Regionais da Saúde e da Educação e Formação, que estabelece os mecanismos de cooperação com vista à implementação deste programa inovador, que contempla a realização de vários exames periódicos para despistagem de doenças em áreas como a saúde oral, obesidade, visão e audição.
Pretende-se incutir nos alunos do Pré-escolar ao Secundário competências de autonomia, de responsabilidade e sentido crítico, indispensáveis à adopção de comportamentos e estilos de vida saudáveis. A Secretaria da Saúde vai assegurar que as unidades de Saúde incluam a promoção da saúde em meio escolar nos respectivos planos de actividade, enquanto a Secretaria Regional da Educação e Formação se compromete a efectuar uma reorganização dos programas do ensino básico e secundário, na perspectiva do desenvolvimento da educação para a saúde, nos projectos de escola e de turma.
Serão formadas 17 equipas de saúde escolar, que incluirão um médico e um enfermeiro na base de 24 horas semanais por cada grupo de 2500 alunos. Podem integrar, ainda, estas equipas outros profissionais da área da Saúde e da Educação. “O Governo Regional, ao intervir na prevenção e no diagnóstico, estará a contribuir para a saúde e bem-estar das nossas crianças e jovens e, simultaneamente, espera-se que venha a reduzir substancialmente os custos sociais e económicos decorrentes de uma despistagem e tratamento tardios”, afirmou a Secretária Regional da Educação e Formação.
Para Lina Mendes este projecto de saúde escolar tem de funcionar como um contributo do Governo para a salvaguarda da saúde das populações mais jovens, sem contudo se sobrepor ao papel das famílias e dos encarregados de educação, os quais são em primeira instância os principais responsáveis pela saúde dos seus filhos/educandos.
Numa fase posterior é intenção da Secretaria Regional da Educação e Formação criar uma base de dados que garanta que cada aluno do Sistema Educativo Açoriano tenha um registo pessoal que integre não só informação relativas ao seu percurso escolar, mas também dados da sua saúde. Segundo Lina Mendes, este registo permitirá melhorar consideravelmente os níveis da gestão escolar, uma vez que, por exemplo, quando um aluno mudar de escola, o novo estabelecimento de ensino terá acesso imediato a todo o historial escolar e de saúde do aluno que recebe.
Para o Secretário Regional da Saúde estamos perante “um Plano de grande alcance em termos de prevenção e, porventura, um dos mais sólidos investimentos na saúde”. Segundo Miguel Correia muitas das nossas crianças e dos nossos jovens têm excesso de peso, uma alimentação desequilibrada e praticam pouca actividade física. Por outro lado a ameaça constante das dependências coloca em sério risco a adopção plena de uma vida saudável.
“Queremos que as nossas crianças sejam vistas regularmente pelo médico, que os seus parâmetros de saúde sejam avaliados periodicamente, que os nossos jovens saibam mais sobre saúde, saibam cozinhar refeições rápidas, divertidas e saudáveis”, disse.
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Não se entende que estes projectos não sejam de âmbito nacional, restringindo-se apenas a uma percentagem muito reduzida de crianças e jovens do país. É nestes aspectos que as entidades promotoras da saúde, e designadamente as organizações de médicos dentistas terão de actuar junto do governo, designadamente dos Ministérios da Saúde e da Educação e da Direcção-Geral de Saúde; tenham coragem e assumam as responsabilidades que lhes competem.
Enquanto não se apostar a sério em cuidados de saúde oral primários em todas as escolas e centros de saúde do país, continuaremos a ser um país europeu lembrado pelas piores condições de saúde oral da população.
Não poderemos continuar a enterrar a cabeça na areia e deixar tudo na mesma como está: a pior coisa que a geração de hoje pode fazer é limitar desde já a saúde oral dos nossos filhos e netos, deixando-os à sorte que tiverem e serem primeiros candidatos a futuros adultos revoltados com o sistema.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

445. Oito falsos dentistas condenados a penas de prisão

Oito falsos dentistas foram condenados a penas de prisão e multas nos últimos dois anos, por exercício ilegal da profissão e usurpação de funções, de acordo com dados da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD). O bastonário, Orlando Monteiro da Silva, disse ao DN que a maior parte dos casos culminaram "em penas suspensas de dois anos e pagamentos de multas", que foram de 800 a 12 mi l euros. O médico avançou que em 2008, 2009 e nos primeiros meses de 2010 foram recebidas 47 denúncias e contabilizadas 38 queixas-crime, das quais oito terminaram em condenações. "Até agora, nunca perdemos uma acção", refere.
Apesar de estarmos perante dezenas de casos de provável má prática, exercício ilegal ou incumprimento das condições de higiene, Orlando Monteiro da Silva garante que "esta é apenas a ponta do icebergue. Há muitos casos que não são punidos e outros não se conseguem provar porque partem de denúncias anónimas", lamenta. Apesar de haver bastantes queixas-crime relacionadas com situações que envolvem risco higiossanitário, "cerca de 80% devem-se a casos de usurpação de funções e exercício ilegal", sublinha.
No primeiro caso, estamos a falar de situações em que os envolvidos não têm as habilitações para exercer a profissão e ainda se auto-intitulam dentistas; no segundo, não têm a formação necessária, como os protésicos ou odontologistas.
O médico alerta para a existência de redes de emigração, com médicos que estão ilegais no País e não estão registados na Ordem. "Por vezes, há colegas que estão registados e que encobrem a situação. Estes médicos chegam a saltar de clínica em clínica de um determinado grupo ou a trabalhar apenas por três ou quatro meses." Em todo o caso, há situações de profissionais portugueses e estrangeiros que têm formação mas não estão registados na OMD ou não pediram equivalência em relação ao curso de outro país.
A OMD já fez uma campanha junto das autoridades no âmbito da verificação das unidades e profissionais. O médico apela ainda aos utentes que, "em caso de dúvida, peçam a cédula profissional do médico e verifiquem o cartão identificativo da clínica". O objectivo futuro é que as pessoas possam consultar um site onde estão os médicos inscritos na Ordem.
As queixas e denúncias relacionadas com condições higiossanitárias implicam um trabalho conjunto com as autoridades de saúde pública, que podem determinar o encerramento das unidades, mesmo que a título temporário. "Só este ano, foram encerradas dez clínicas e consultórios, mas calculamos que haja 30 a 40 encerramentos por ano", acrescenta o bastonário.
Há muitas situações em que não são utilizados os dispositivos médicos autorizados. Exemplo é o recurso a implantes dentários contrafeitos, sem certificação. "Muitas vezes são materiais de baixo custo que podem pôr em causa a saúde do doente." As denúncias partem tanto de utentes como de médicos e mais profissionais de saúde, entre outros.
Diário de Notícias
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O exercício da actividade de médico dentista, bem como de todas as actividades profissionais que se relacionam com a saúde oral, assume uma importância vital para a saúde humana; um simples erro ou negligência pode vir a condicionar permanente a vida de um paciente, facto que pode assumir repercussões desastrosas e afectar negativamente a vida de uma pessoa. Agora imagine-se se tais erros ou negligência forem praticados sobre jovens ou crianças e os efeitos que daí podem advir para o resto das suas vidas, tanto em termos físicos como em termos psicológicos.
É necessário uma autoridade vigilante e permanente sobre todos os locais onde quer que se façam tratamentos dentários; a fiscalização permanente constitui regra de ouro e de salvaguarda da saúde pública.
Todos os profissionais de saúde oral deverão ter toda a sua actividade profissional coberta por um seguro; a formação profissional deverá ser obrigatória e necessária anualmente para que o profissional de saúde oral possa continuar a exercer a sua actividade.O estado jamais deve permitir o exercício de actividades relacionadas com a saúde oral se não se cumprirem as regras atrás enumeradas.

terça-feira, 27 de abril de 2010

444. Mais de 400 jovens dentistas emigraram para Inglaterra

Há jovens licenciados em Medicina Dentária a ganhar à volta de 500 euros. Outros, pagos à percentagem, auferem menos ainda. A culpa é do excesso de licenciados, que os obriga, não raras vezes, a procurar o estrangeiro. Só em Inglaterra estão já mais de 400.
A denúncia partiu do recém- -formado Sindicato dos Médicos Dentistas (SMD), que alerta para a difícil integração de jovens licenciados no mercado de trabalho. Um risco para o qual a Ordem da classe (OMD) tem vindo a alertar há alguns anos, perante a multiplicação de cursos superiores. Portugal conta já com sete faculdades, em que se inscrevem anualmente perto meio milhar de estudantes.
"Existe uma enorme quantidade de médicos dentistas", admite António Roseiro, do SMD, que recusa, contudo, falar em excesso. "O que há em excesso é a falta de assistência", com um acesso aos cuidados orais ainda restrito para grande parte da população portuguesa. Por falta de cuidados orais no Serviço Nacional de Saúde - que o programa dos cheques-dentista só resolve em pequena parte.
Do seu lado, o bastonário da OMD prefere mesmo falar em excesso. Portugal tem dentistas a mais para um país com a acessibilidade a cuidados orais como o nosso. Diz Orlando Monteiro da Silva que ainda há a ideia errada de que a Medicina Dentária é como o resto da Medicina e tem boas saídas profissionais. "Não é de todo assim".
Resultado: alguns aceitam trabalhar com salários baixos, mas, sendo um "profissão independente, livre e autónoma, nenhum organismo pode interferir" no assunto. "Em 98% dos casos, são profissionais liberais que trabalham em consultórios próprios ou a recibo verde". Por que é que aceitam essas condições? "Porque têm medo de falar", diz António Roseiro. Daí resulta a falta de meios para uma formação contínua que é essencial na profissão, garante. Sobra a solução da emigração. "Só em Inglaterra, há três meses, estavam mais de 400 portugueses registados na respectiva Ordem", assegura o bastonário. E há mais noutros países.
Jornal de Notícias
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O resultado de dezenas de anos das politicas de saúde seguidas pelo Ministério da Saúde, apadrinhadas pela Direcção – Geral de Saúde e elogiadas pelo bloco central na Assembleia da República estão, definitivamente, a levar para o caos a prestação de cuidados de saúde oral no nosso país. A destruição do que resta dos serviços de saúde oral dentro do Serviço Nacional de Saúde e a entrega das responsabilidades da saúde pública a interesses de grupos económicos privados que visam apenas o lucro começam agora a afectar directamente os próprios profissionais de saúde oral formados no nosso país.
É inadmissível a exploração directa dos jovens dentistas em Portugal, feita por clínicas e grupos económicos, com a conveniência das entidades governamentais que nada fiscalizam e que deixam as relações de trabalho destes profissionais altamente qualificados em situações completamente precárias e sujeitas a todo o tipo de exploração.
Seja bem-vindo o Sindicato dos Médicos Dentistas; é tempo também de os médicos dentistas e outros profissionais de saúde oral demonstrarem firmeza e determinação nas políticas de saúde oral públicas do nosso país e darem um alerta vermelho convincente ao governo para a necessidade urgente de alterar profundamente as actuais políticas na área de saúde oral, partindo rapidamente para a necessidade de valorizar socialmente o papel desempenhado por estes profissionais.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

443. Projecto visa cuidar da saúde oral de grávidas e crianças desfavorecidas



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É vergonhoso o pântano da saúde oral em Portugal; infelizmente alguma coisa que se faça tem de partir de iniciativas de carácter privado e de forma voluntária.
É urgente tomadas de posição em defesa das pessoas necessitadas e vitimizadas pelo sistema; a saúde oral deve ser colocada à disposição de todos os portugueses em igualdade de circunstâncias.
O Governo, a Assembleia da República e a Direcção – Geral da Saúde, têm de tomar medidas urgentes para porem fim às tremendas desigualdades em matéria de acesso a cuidados de saúde dentários que hoje existem no nosso país. É urgente e necessária uma profunda reformulação das actuais políticas, de forma a canalizar recursos para actos médicos e esvaziar organismos amorfos que representam despesas e têm zero de mais – valia para a melhoria da saúde oral dos portugueses; os mesmos recursos financeiros podem e devem permitir muito e melhor prestação de cuidados de saúde oral.
É preciso colocar em pé de igualdade o sector público e o sector privado; ambos têm de prestar serviços mínimos de qualidade à população, em termos de saúde oral, sem descriminação baseada nos rendimentos, classe social ou idade das pessoas.
Torna-se premente dar início à promoção da saúde oral preventiva, logo desde a primeira infância, e institucionalizar urgentemente o Boletim Individual de Saúde Oral; veja-se exemplos feitos noutros países, muito menos desenvolvidos que Portugal mas que nos levam muitos anos de avanço em termos de saúde oral.
Elimine-se programas de contratualização, autênticos sacos azuis que mais não são do que meras esmolas que nada resolvem e que tudo deixam ficar na mesma.
Os médicos dentistas formados no país à custa dos impostos de todos os portugueses têm de estar ao serviço de toda a população; as suas diversas organizações, a todos os níveis, devem zelar pelo bem da saúde publica e denunciar energicamente e repudiar, de forma veemente, a utilização da saúde oral como meio de enriquecimento e de manipulação por multinacionais e grupos económicos, que deterioram gravemente a acessibilidade aos cuidados de saúde dentários de quem tem mais necessidades e não o pode fazer por motivos económicos.
Só assim será possível ter melhor saúde oral em Portugal, sem que isso signifique qualquer aumento das despesas de saúde nos orçamentos do país.

Se não têm capacidade para actuar, então coloquem os vossos cargos à disposição e deixem outros fazerem mais e melhor.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

442. Riscos para a saúde em 1 de cada 3 consultórios dentários



Um terço das clínicas dentárias tem condições de higiene que podem gerar perigo ou risco grave para a saúde pública. A conclusão integra o relatório da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), no âmbito de uma fiscalização a consultórios privados, feito com o apoio da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD). Das 36 clínicas investigadas, 12 foram alvo de medidas cautelares de saúde pública, como o encerramento.As condições de higiene eram, aliás, um dos pontos centrais daquela que é a primeira investigação feita na área da medicina dentária privada. Todas as 36 clínicas investigadas apresentavam deficiências nas instalações ou nas condições de higiene, o que motivou recomendações.Orlando Monteiro da Silva, bastonário da OMD, disse ao DN que as "situações não eram suficientemente graves para pôr em causa a actividade", ao contrário do que aconteceu com as 12 unidades acima referidas. Três delas tiveram de fechar, a que se juntaram mais duas que o fizeram parcialmente, devido a problemas no raio-X.
A maior parte destas irregularidades (20% da amostra) envolvia os materiais utilizados, que foram destruídos logo no momento. Exemplos são lâminas de bisturi ou medicamentos fora de prazo.
A investigação envolveu 36 unidades das cinco regiões do País, grande parte das quais já tinha motivado queixas à IGAS. O Ministério da Saúde e a OMD realçam, porém, que o universo inicial envolvia 46 unidades, mas acabou por ser reduzido. Orlando Silva refere que "muitas destas unidades fecharam as portas, mas tiveram conhecimento da acção inspectiva. Sabemos que algumas integravam um grupo de clínicas."Os inspectores verificaram também que 13 das clínicas não tinham um seguro de responsabilidade civil para os profissionais, um número que atinge 71% das unidades quando o seguro se refere à actividade total do local, o que pode ser complicado caso seja necessário pagar indemnizações. De qualquer forma, neste e noutros casos de irregularidades, a passagem da IGAS motivou mudanças imediatas após a fiscalização.
É um velho problema. Nenhum consultório está licenciado, apesar de uma lei de 2001 o determinar. Na altura, nove das 36 clínicas já tinham feito o pedido, no entanto, ainda não tinham resposta. Este problema deve-se ao facto de a lei não ter sido regulamentada, situação que espera resolução.
Também o equipamento para raio-X está por licenciar: seis tinham licença, sete já o tinha pedido e 22 estavam "ilegais".
Positiva foi a outra vertente essencial da fiscalização: os profissionais. Dos 123 dentistas das unidades, 118 tinham cédula profissional. Dos cinco estomatologistas, quatro eram qualificados. Os restantes casos estavam em vias de ser resolvidos. A maioria dos dentistas (99), a que se juntam dois estomatologistas, estava em regime de prestação de serviços.
Todas as unidades eram dirigidas por directores clínicos, 64% dos quais presentes fisicamente. Mas só 40% tinham designado um substituto deste responsável em caso de necessidade.
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Em Portugal, tome cautela sempre e pense duas vezes antes de transpor as portas de qualquer clínica ou consultório dentário; acautele-se, pois nada lhe garante que não saia pior, em termos de saúde.
Isto para não falar já na técnica da repartição do valor da consulta por vários recibos e outras consultas fictícias (pratica residual), na promessa de maiores reembolsos pela segurança social ou pelas companhias de seguros para os pacientes – forma hábil de agravar facilmente os custos dos tratamentos.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

441. À atenção da UNICEF e das organizações de defesa dos direitos humanos no Brasil

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Pelos factos mencionados solicita-se que a justiça brasileira actue em conformidade com os actos práticos pelo dentista Wilson Oliveira Santos sobre o menor César de Oliveira, servindo de forma exemplar para toda a comunidade odontológica.
Face aos bárbaros actos praticados sobre pessoa humana menor de idade, em pleno Século XXI, apela-se à justiça brasileira que seja implacável no julgamento do referido dentista, de tal forma que possa ser equivalente ao crime hediondo que praticou.
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Justiça oferece benefício a dentista que
arrancou todos os dentes de estudante
A Justiça vai propor ao dentista Wilson Oliveira Santos a suspensão condicional do processo que ele responde na 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). A juíza Geilza Fátima Cavalcante Diniz marcou para 20 de maio a audiência para oferecer o benefício previsto em lei para delitos com pena igual ou inferior a um ano.
O cirurgião-dentista responde ao processo criminal por ter arrancado todos os dentes do estudante César de Oliveira, 17 anos, em 23 de setembro passado. A mãe do rapaz, Maria Aldenora Oliveira, denunciou o caso na 5ª Delegacia de Polícia no segundo semestre do ano passado. Após ouvir as testemunhas e ter o laudo do Instituto Médico Legal em mãos, o delegado Laércio Rosseto convenceu-se tratar-se de lesão corporal gravíssima com dolo. No entendimento da polícia, o médico teria arrancando dentes saudáveis do adolescente.
Mas quando o processo chegou às mãos do promotor Diaulas Ribeiro, da Promotoria de Defesa da Saúde, o entendimento mudou. Em setembro passado, depois de interrogar Wilson Oliveira por quatro horas, o promotor Diaulas Ribeiro entendeu que o profissional agiu com negligência e não com dolo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

440. Uma escova de dentes com pasta incorporada, “2 em 1”

Uma escova de dentes com pasta incorporada, “2 em 1”, é a ideia de negócio, de um grupo de alunos do 12º ano, turma C, de Sócioeconómicas, da Escola Secundária da Baixa da Banheira, que foi um dos projectos seleccionados para representar o país, no evento internacional “JÁ-YE EUROPE TRADE FAIR 2010 LISBON”, que decorreu nos dias 19, 20 e 21 de Março, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, com a participação de 23 países. A participação nesta feira internacional surgiu no âmbito do “Programa A Empresa” da Júnior Achievement – Aprender a Empreender, que se encontra a decorrer na escola, nas aulas da Área de Projecto.
A equipa de alunos da Escola Secundária da Baixa da Banheira seleccionada, criadores da mini-empresa “Hi! Brush” (Valódia Lopes, Cliff Duarte, Gonçalo Assunção, Soraia Ramalho e Ana Catarina Almeida) apresentou um projecto original e inovador no âmbito do empreendedorismo e foi escolhida para estar presente na feira, que este ano decorreu em Lisboa, entre as seis equipas eleitas a nível nacional para representar o país.
De acordo com a professora Cristina Santos, coordenadora do projecto, “a participação nesta feira internacional foi muito importante para os alunos, para a escola e para o concelho, em todos os aspectos. O feedback dos alunos foi muito positivo, sobretudo pela partilha de experiências que esta iniciativa permitiu”. Os alunos da Escola Secundária da Baixa da Banheira vão agora participar numa competição de mini-empresas criadas por alunos de todo o país, que decorrerá na primeira semana de Junho e da qual vai sair vencedora a mini-empresa que vai representar o país na competição europeia que terá lugar em Itália, de 20 a 23 de Julho.
Recorde-se que a Câmara Municipal da Moita atribuiu um apoio financeiro no valor de 500 euros a este grupo de alunos, de modo a contribuir para a sua participação nesta iniciativa.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

439. Saúde Oral como movimento da sociedade civil

O Saúde Oral está manifestamente interessado em reforçar as campanhas tendentes a chamar a atenção das entidades competentes para a necessidade urgente de definir uma estratégia nacional para a saúde oral, a fim de eliminar as gravíssimas desigualdades existentes actualmente no nosso país.
Enquanto força dinâmica nascida a partir da sociedade civil, pretende-se chamar a atenção da sociedade portuguesa e procurar todas as soluções possíveis que possam contribuir para colocar a saúde oral como condição prioritária para o bem-estar da pessoa humana, durante toda a sua vida.
O trabalho que se tem pela frente é muito árduo e demoroso; a sensibilização das autoridades competentes e a necessidade de alertar a opinião pública para os graves problemas de saúde pública decorrentes pelo desprezo pela saúde oral da população, especialmente dos grupos sociais mais vulneráveis, como sejam as crianças, adolescentes e idosos, seguidas por governo atrás de governo, carecem de um grande esforço e mobilidade de pessoas que se possam entregar a esta causa e que manifestem empenho e interesse pelo bem da sociedade civil em geral.
É chegada a altura de partir para contactos formais com todos os órgãos de soberania que tenham alguma competência na definição das políticas de saúde oral no nosso país.
Se tem algum tempo disponível e pode contribuir para esta causa pelo bem de todos, associe-se voluntariamente ao Saúde Oral; vamos reunir-nos todos juntos num próximo fim-de-semana e definir passos concretos que possam ser a seguidos.
Colabore: contacte o Saúde Oral pelo endereço de correio electrónico tempogero@gmail.com referindo o seu nome, profissão, localidade, contacto telefónico e forma de colaboração que pretende prestar.
À medida que crescer o número de pessoas interessadas nesta causa, serão então definidas as estratégias a seguir e marcada uma reunião formal, num ponto do país que seja geograficamente estratégico para contar com a maior presença possível de pessoas que se queiram juntar a esta causa.
Pelo Saúde Oral:

segunda-feira, 5 de abril de 2010

438. Câmara de Gaia apresentou Projecto de Prevenção para alunos do 1º Ciclo

A apresentação do projecto "Sorria com Gaia" - Prevenção da Saúde Oral - destinado aos alunos do 1º Ciclo de todo o concelho de Gaia, decorreu na Escola Básica do 1º Ciclo e Jardim de Infância do Maninho, na freguesia da Madalena. Este projecto resulta de uma parceria entre a Câmara de Gaia, a Escola Profissional de Saúde e a Clínica Oralsaúde.
Foi concebido com o intuito de promover a aquisição de conhecimentos sobre saúde oral por parte das crianças de Gaia, designadamente criar boas práticas ao nível da prevenção entre os jovens que frequentam o primeiro ciclo; realizar o rastreio e o despiste de casos graves; acabar com o receio de ir ao dentista e impulsionar a investigação sobre a saúde oral na comunidade de Vila Nova de Gaia.
"Dos rastreios já efectuados, aproximadamente cerca de 50% das crianças de Gaia tem cáries e é necessário fazer intervenção. A Escola Profissional de Saúde compromete-se a fornecer à autarquia estatísticas dos resultados, de forma a informar qual o estado da saúde oral nas crianças", referiu Aguiar Falcão, responsável pela Escola Profissional de Saúde.
De acordo com o programa, cerca de 12 mil crianças que frequentam o 1º. Ciclo do Ensino Básico serão sujeitas a rastreio. Neste ano lectivo, são contempladas as que frequentam o 4º ano e, na próxima época, estender-se-á a todos os alunos do Ensino Básico.
"Esta iniciativa enquadra-se numa estratégia Municipal que visa a melhoria do bem-estar e a qualidade de vida das populações, com a possibilidade de abrir a gestão à sociedade e envolver agentes locais. Estabelecemos uma parceria com uma entidade local ligada à Saúde Oral, através de um protocolo com a Escola Profissional de Saúde e cujo objectivo é divulgar e promover comportamentos e hábitos na higiene oral e na saúde", salientou a Vereadora Mercês Ferreira.
Para estimular as crianças a terem boas práticas, foi entregue, a cada uma delas, o "Kit do Agente Sorriso", constituído por uma pequena mala com pasta dentífrica, escova, fio dental e uma amostra de flúor. Depois de o aluno ter efectuado a escovagem, aplicado o flúor e utilizado o fio dental, o rastreio foi executado com uma câmara intra-oral, a qual proporciona uma fácil observação e registo e permite à criança verificar, no próprio momento, as consequências do seu comportamento. Os resultados do rastreio são depois entregues ao aluno, ao professor e aos pais, acompanhado de uma nota, na qual são sugeridas as melhores práticas de saúde oral, como, por exemplo, visitar o médico dentista, se tal for necessário.
Portal do Cidadão de Vila Nova de Gaia
* * *
A importância da saúde oral feita por uma autarquia local, em colaboração com entidades responsáveis e com objectivos sociais.
Infelizmente são muito raros estes exemplos no país; um especial obrigado à Câmara Municipal de Gaia por esta iniciativa.

terça-feira, 30 de março de 2010

437. Casquinha nutritiva

A directora adjunta da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, Rosária Alves, inovou durante a visita à Escola N.º 1 de Coruche, ao dar aos alunos casquinhas de pêra que estes tinham consumido anteriormente com a justificação de que a casca é o mais nutritivo daquela fruta. Disse-lhes ainda que quando não lavarem os dentes, comer uma boa maçã é um bom substituto.
O Cavaleiro regista os bons conselhos da responsável da DREL, esperando que as crianças não os levem ao extremo de comerem as cascas e deitarem fora a fruta...
* * *
Subscrevo globalmente a opinião de Cavaleiro Andante. Já agora, sugiro à directora adjunta da Direcção Regional de Educação, Rosaria Alves, que se lembre de dar os mesmos bons conselhos a todos os elementos da sua família.
Já houve um Ministro da Saúde (Correia de Campos) que mandou os meninos escovar os dentes para combater uma doença infecto-contagiosa (cárie dentária); agora temos uma directora ajunta da Direcção Regional de Educação a recomendar maças …
Já nada surpreende na saúde oral em Portugal.

quinta-feira, 25 de março de 2010

435. 11ª edição do Mês da Saúde Oral da Colgate e SPEMD

A Colgate e a SPEMD (Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária) promovem, em Março de 2010, a 11 ª edição do "Mês da Saúde Oral da Colgate e SPEMD".
Durante um mês, médicos estomatologistas e médicos dentistas vão realizar rastreios dentários gratuitos (sem radiografias ou tratamentos) à população em todo o país, incluindo Madeira e Açores, com o objectivo de prevenir as doenças da boca e intensificar a pedagogia sobre a higiene oral junto da população portuguesa.
Uma das mensagens em que os profissionais de Higiene Oral vão insistir é na escovagem dos dentes. Esta tarefa deve ser realizada depois de cada refeição e antes de adormecer, para reduzir o risco de aparecimento de cáries, problemas nas gengivas e mau hálito, provocados pelas bactérias alojadas na boca e que se alimentam dos restos de alimentos que ficam entre os dentes.
Para não contaminar a boca, a escovagem deve ser efectuada sempre com uma escova limpa e, de preferência, adaptada às necessidades de cada um. Mesmo assim, é recomendável a troca de escovas de três em três meses e sempre que o utilizador atravessou um período de doença.
Os profissionais de Higiene Oral também falarão da importância do elixir e do fio dentário. Uma limpeza realmente eficaz da boca não dispensa estes dois objectos, ideais para combater a placa bacteriana, 80% da qual está distribuída pela língua, palato e bochechas. Só a restante é que está alojada entre os dentes.
Independentemente da utilização diária da escova, elixir e fio dentário, todos os profissionais de Higiene Oral defendem a visita regular ao dentista. A avaliação profissional do estado da saúde dentária continua a ser o melhor método de prevenir as doenças orais, como por exemplo a gengivite e as cáries, que nem sequer geram dor na sua fase inicial.
Graças ao Mês da Saúde Oral da Colgate e SPEMD, lançado, em 2000, já foram realizados mais de 100 mil exames dentários gratuitos e prevenidos incontáveis casos potenciais de doenças orais.
Para participarem no Mês da Saúde Oral da Colgate e SPEMD, os interessados podem obter informações sobre o consultório aderente mais próximo da sua residência, através da “linha azul” – 808 305 306 -, entre as 12h00 e as 23h00.
Para qualquer esclarecimento, contacte por favor:
Emirec Comunicação - Cristina Brito; Telf: 21 301 13 90

segunda-feira, 22 de março de 2010

434. Saúde oral contratualizada: Mais despesas com pior saúde

A implementação de programas de saúde oral com recurso à contratualização de privados, politica seguida pelos últimos governos, tem arrastado para o fundo a saúde oral dos portugueses.
No caso do programa de saúde oral para crianças e adolescentes, não bastava transmitir à opinião pública a ideia de um novo programa, quando na prática se trata de fazer a substituição de um programa por outro programa; agora todos sabemos que o novo programa vem agravar ainda mais a descriminação entre crianças e jovens privilegiadas com acesso aquele programa e as outras crianças e jovens que vão ficar definitivamente afastados de qualquer tipo de apoio.
Extremamente aberrante é o facto de as crianças e adolescentes só possam ter acesso ao programa em determinadas idades: para o governo, as cáries dentárias e outros problemas de saúde oral aparecem em idades pré-determinadas.
E não se fala dos milhares de euros desviados para promover campanhas na comunicação social, quando parte dessa comunicação social já é suportada pelos nossos impostos.
Cada vez mais vimos o estado a desresponsabilizar-se pela saúde oral dos portugueses, quase já definitivamente entregue a interesses privados, que visam o lucro em primeiro lugar. Tenta-se delapidar os últimos recursos ainda existentes no Serviço Nacional de Saúde; muitos passam a ver as pessoas como número apetecível enquanto fonte de lucro e quanto menos prevenção maior será a fatia de mercado no futuro.
Numa coisa estão também todos de acordo: implementar um Boletim de Saúde Oral para todas as crianças e adolescentes em Portugal é uma coisa que não se pode ouvir falar; isso só se pode fazer em países menos desenvolvidos que Portugal, onde os pais não tenham rendimentos suficientes para pagar a saúde oral dos filhos.
Lamentável é a mancha negra que as organizações dos médicos dentistas podem estar a deixar, ao colaborarem com toda esta farsa. Será que não terão força alguma para mostrarem claramente ao país de que mais despesas dos nossos impostos está a resultar em pior saúde oral?

segunda-feira, 15 de março de 2010

433. A balbúrdia dos cheques dentistas

SNS já emitiu meio milhão de cheques
* * *
Com cerca de meio milhão de primeiros cheques-dentista já emitidos, o Programa Nacional de Saúde Oral vai agora ser alargado a crianças em "idades intermédias". Um alargamento que não o é bem, uma vez que, por um lado, retoma crianças que deixaram passar a validade do cheque pedido em 2009 e, por outro, prolonga o tratamento àquelas que, atendidas no ano passado, precisem de mais acompanhamento. Assim, além das crianças de sete, dez e 13 anos que têm direito a dois ou três vales, este ano as de oito onze e 14 que precisem de continuar o tratamento iniciado em 2009 poderão ser referenciadas pelo médico de família.
Por outro lado, o Ministério da Saúde (MS) decidiu abrir a crianças dessas idades intermédias a possibilidade de voltar a ter cheques-dentista, depois de, no ano lectivo passado, terem visto os seus cheques caducados. Na altura, fruto da entrega tardia dos vales - cuja validade era até 31 de Agosto -, muitas ficaram sem tratamento, como admite a própria Direcção-Geral da Saúde (que ontem emitiu uma nota dando conta do alargamento do PNSO). Os cheques deste ano mantêm a validade de 31 de Agosto.
O secretário de Estado Adjunto e da Saúde garante que o objectivo, a prazo, é "garantir cuidados de saúde oral a todas as crianças e jovens entre os quatro e os 16 anos". Manuel Pizarro não avança, contudo, um prazo para essa cobertura universal. "Será progressivo", disse ao JN. "Temos um caminho a percorrer" em relação a outros países, admite.
Quanto aos restantes grupos abrangidos pelo PNSO, Manuel Pizarro fala na adesão "razoável" das grávidas acompanhadas nos centros de saúde, mas da fraca participação dos idosos beneficiários do complemento solidário. Um atraso que atribui à "dificuldade de acesso à informação". "Temos que trabalhar numa estratégia de divulgação" da medida.
Os cheques são emitidos pelo médico de família, nos centros de saúde, dando ao utente a possibilidade de escolher o consultório privado que entenda de entre os médicos dentistas aderentes ao PNSO. Recentemente, estalou uma polémica envolvendo a dívida do Estado a estes profissionais, problema que é reconhecido pelo MS. "Os serviços administrativos não tiveram capacidade para responder à avalanche de cheques" nas regiões Norte e Centro. Mas o compromisso é regularizar os pagamentos até ao final do mês, garante Pizarro.
* * *
Uma autentica balbúrdia ao nível dos cheques dentistas:
- umas vezes carecas outras não;
- quem estuda no ensino público tem direito a cheque dentista; já quem estuda no ensino privado não tem direito a cheque dentista;
- é para todas as crianças mas não se sabe se é para quando já tiverem mais de 18 anos;
- a todo o momento alteram-se as regras;
- o Tribunal de Contas já chamou à atenção do governo pelo facto dos cheques dentistas serem uma forma de acentuar ainda mais as disparidades entre quem tem e quem não tem acesso à saúde oral;
- ninguém leva os idosos aos consultórios de dentistas;
- são os atrasos inqualificáveis no pagamento aos médicos dentistas.
Enfim, uma completa palhaçada ou vergonha em que já nada se entende e que ilustra o designo que o Ministério da Saúde, a Direcção-Geral da Saúde e a Ordem dos Médicos Dentistas traçaram para a saúde oral das crianças, jovens e idosos portugueses.Só gostava de saber como é possível saber as necessidades de tratamento de cada pessoa mesmo antes de começar os tratamentos. E depois, se a verba atribuída a cada criança, jovem ou idoso se esgotar, quem vai suportar o resto dos tratamentos?

sexta-feira, 12 de março de 2010

432. O fisco não gosta de doentes

O governo prepara-se para aprovar na Assembleia da República e submeter a Bruxelas o Programa de Estabilidade e Crescimento 2010 – 2013 (PEC). A leitura atenta das linhas orientadoras que estão subjacentes à elaboração definitiva do PEC sobrepõem, de imediato, um aumento geral de impostos a pagar por cada família, através da introdução de mecanismos fiscais indirectos que irão fazer reduzir substancialmente os reembolsos anuais.
Assim, à “limitação equitativa das deduções à colecta e dos benefícios fiscais em sede de IRS, tendo em conta o nível de rendimentos do contribuinte” está associada à ideia de reduzir ainda mais os benefícios fiscais às famílias que apresentam, por exemplo, maiores despesas de saúde.
Infelizmente, o governo parece que quer vir a utilizar os impostos para penalizar quem mais precisa de cuidados de saúde, agravando drasticamente a igualdade entre todos os portugueses no acesso a cuidados médicos.
Será que o governo já sabe quem serão as pessoas que irão estar doentes? Usar a saúde das pessoas para tapar buracos orçamentais criados noutros sectores só pode ser baixa politica feita por quem não tenha qualquer noção de que a saúde não é algo que se possa escolher. Infelizmente não bastava já o desmantelamento de inúmeros serviços prestados pelo Serviço Nacional de Saúde; a partir de agora serão também castigadas as pessoas que não escolherem ficar doentes, para não falarmos já dos doentes crónicos.
Infelizmente, a saúde dos portugueses é efectivamente para ficar cada vez mais doente.

terça-feira, 9 de março de 2010

431. O caminho tenebroso da infância em Portugal (2ª parte/Conclusão)

Conjugando o conceito de saúde, definido pela Organização Mundial de Saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças, com a Declaração Universal dos Direitos das Crianças, podemos afirmar que Portugal é um país que está em permanente violação dos direitos humanos, ao não reconhecer oficialmente como doença todas as patologias associadas à saúde oral. Neste contexto, o nosso país atropela os elementares direitos das crianças e adolescentes que, não tendo maturidade psicológicas, são negligenciados pelo serviço nacional de saúde e vítimas de crueldades de repercussões imprevisíveis para o resto das suas vidas.
A politica de desprezo feita pelos governos relativamente à prevenção e tratamento das doenças associadas à saúde oral é bem patente por uma ausência, em Portugal, de qualquer rastreio obrigatório a todas as crianças e adolescentes ao nível dentário, Por outro lado, os governos vão encerrando serviços de saúde oral que ainda vão existindo nos hospitais e centros de saúde, aproveitando a ausência de uma carreira técnica específica para estomatologistas, médicos dentistas e higienistas orais dentro da própria função pública.
O recurso a contratualizações a privados, no âmbito da saúde oral, feitas ultimamente pelos governos, demonstra total inoperância por parte do Ministério da Saúde e da Educação em encarar e resolver o problema, colocando a saúde pública nas mãos de interesses exclusivamente económicos.
Assistimos actualmente à entrega, pelo governo, das responsabilidades de saúde oral a entidades que manifestam muitas vezes uma clara falta de ética e que nunca demonstraram interesse em fazer prevenção primária, geralmente associadas ou coniventes a grupos empresariais e a multinacionais, que pretendem manter o panorama actual, de forma a garantir clientela a médio e a longo prazo.
A consequência dos atropelos à dignidade humana praticados pelos anteriores governos e o actual, no âmbito da saúde oral, com a conivência de organizações directa e indirectamente ligados à saúde oral, resulta nos piores atropelos aos direitos e dignidade da pessoa humana que, em último caso, é vitimado pelo sistema, uma vez que não pode escolher nascer numa família poderosa e rica, com todos os direitos, e uma família sem recursos e pobre, a quem se nega todos os seus direitos, uma vez que não pode pagá-los.
Enquanto governo e associações ou grupos envolvidos na saúde oral pactuarem com a situação vigente, está-se a violar diariamente os mais elementares direitos da Declaração Universal dos Direitos das Crianças, impedindo que uma larguíssima percentagem das mesmas nunca possa ter os adequados tratamentos de saúde oral, com repercussões imprevisíveis para o resto das suas vidas.
Até quando vai continuar esta atroz politica de saúde oral em Portugal? Afinal, onde está a ética da saúde oral? A sensibilidade para os problemas de saúde oral, nomeadamente na infância e na adolescência, requer um comportamento completamente diferente do actual por parte do governo e das entidades ligadas à prática da saúde oral.
Será que estão também à espera que ocorra o suicídio de alguma criança ou adolescente por que lhe serem negados cuidados de saúde oral?

domingo, 7 de março de 2010

430. O caminho tenebroso da infância em Portugal (1ª parte)

A semana passada ficou tristemente célebre por Portugal passar a ser um país onde há crianças que se suicidam por serem vítimas de Bullyng na escola.
Infelizmente, a degradação das condições de vida da população trabalhadora, sujeita a todo o tipo de vexames sociais, quer nas relações laborais quer nas relações de integração social, tem complicado drasticamente o devido acompanhamento familiar da educação dos filhos.
Cada vez mais assistimos ao encerramento de todo um conjunto de apoios sociais de vizinhança que marcavam os pacatos ambientes dos pequenos meios rurais e urbanos. A política de estrangulamento de serviços públicos prestados aos meios mais afastados dos grandes centros, efectuados pelos últimos governos, tem agravado cada vez mais as condições de vida da esmagadora maioria da população dessas áreas que fica cada vez mais desprotegida de acesso a bens essenciais, nomeadamente a cuidados de saúde.
A desregulamentação das leis laborais atira a esmagadora maioria das classes trabalhadoras para horários de trabalho completamente desadequados ao acompanhamento educativo dos filhos; o encerramento de milhares de escolas primárias e a concentração de centenas de crianças e jovens em meios escolares de maiores dimensões despersonalizou gravemente a relação de proximidade entre docentes e discentes; o prolongamento completamente atroz dos horários escolares não traduz rigorosamente nenhum benefício saudável para as crianças e jovens; a educação para a saúde pura e simplesmente não existe na esmagadora maioria das escolas; o acompanhamento de crianças e jovens com necessidades educativas foi drasticamente reduzido pelos últimos governos.
Tudo isto reflecte-se negativamente na personalidade das crianças e jovens, hoje mais que nunca autenticas máquinas apenas para aprender, mesmo que não tenham nenhuma capacidade para o fazer.
O desnorte irracional da educação básica seguida no país, sem que ninguém saiba efectivamente quais as capacidades que um jovem deve adquirir no final do seu percurso académico e formativo, é um sintoma que ilustra o tenebroso caminho levado pelos actuais governantes.
Na área da saúde primária, é verdadeiramente atroz o que se passa na saúde escolar no país: a esmagadora maioria da população escolar do ensino básico não efectua qualquer controlo médico ao longo dos anos que frequenta a escola. No âmbito da saúde oral não há qualquer controlo da situação e a esmagadora maioria das crianças e jovens nunca são examinados e devidamente tratados ao longo de toda a sua vida escolar, com as devidas consequências para o resto de toda a sua vida.
Num país onde se gastam anualmente largos milhares de milhões de euros em investimentos de muito duvidoso retorno, os cuidados de saúde primários das crianças e jovens são puramente negligenciados pelo sistema de ensino.
Todos estes dramas ilustram o protagonismo e incompetência dos políticos que têm governado o país desde o 25 de Abril de 1974.
(Continua)

sexta-feira, 5 de março de 2010

429. Tabagismo causa 19 em cada 20 dos tumores da boca


Entre as pessoas que desenvolvem cancro da cabeça e do pescoço, 95% são fumadoras ou têm histórico de tabagismo. O estudo do Instituto do Cancro do Estado de São Paulo (Icesp) também mostra que os homens representam 90% dos afectados, noticia o site Estadão.com.br.
O levantamento foi feito com 327 pacientes em tratamento no instituto. Os dados referem-se a tumores que atingem o tracto aerodigestivo, ou seja, boca, faringe, laringe e traqueia. Segundo o oncologista do Icesp Gilberto Castro, mais de 65% dos casos correspondem a tumores na cavidade bucal e na faringe.
"O tabagismo é o principal factor de risco para este tipo de cancro. O consumo de bebidas alcoólicas, principalmente destiladas, também eleva o risco. Geralmente, os dois hábitos estão associados", afirma Fernando Luiz Dias, chefe de Cirurgia da Cabeça e Pescoço do Instituto Nacional do Cancro do Brasil (Inca). "A acção é cumulativa. O tempo que o paciente fumou e a quantidade de cigarros por dia fazem toda a diferença."
O especialista explica que o problema é mais incidente em homens não só porque fumam mais, mas também porque cuidam menos da saúde bucal. "A presença de placa bacteriana e de dentes quebrados que causam traumas crónicos na bochecha, por exemplo, também elevam o risco." A infecção por papilomavírus humano (HPV), que ocorre por contágio sexual, pode causar cancro da garganta.
Por estarem em locais visíveis, estes tumores podem ser detectados precocemente, até através do auto-exame. Mas, segundo o oncologista do Icesp, mais de 70% dos pacientes que procuram atendimento já estão com a doença em estadio avançado. "Se for tratada no início, as probabilidades de cura são boas. Mas, como a maioria chega tarde, 70% acaba por morrer em cinco anos. Muitas vezes, aqueles que sobrevivem ficam com sequelas que prejudicam a qualidade de vida", diz.
Além de nódulos no pescoço que perduram por mais de duas semanas, outros sintomas deste tipo de cancro são manchas brancas ou vermelhas, aftas com sangramento e cicatrização demorada, mudanças na voz ou rouquidão persistente e dificuldade para engolir.
* * *
Faça favor de continuar a fumar. O dinheiro dos meus impostos pode ser desviados para depois pagar o tratamento dos cancros que você vier a ter, em vez de poderem ser canalizados para a prevenção e tratamento da cárie dentária das crianças e jovens. O governo português até agradece pelo seu vício.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

428. Como pode uma Ordem deixar-se humilhar pelo próprio Governo?

Governo paga a dentistas com cheques 'carecas'
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Há milhares de dentistas, sobretudo no Norte e Centro do país, a quem o Estado deve dezenas de milhar de euros, desde o ano passado, por serviços prestados no âmbito dos cheques-dentista. Os lesados, indignados, dizem que os cheques do Governo são "carecas". "Conheço colegas, em início de carreira, que estão a passar muito mal, porque, não tendo ainda clientela, contavam com os cheques-dentista para pagar despesas fixas decorrentes do exercício da actividade. Só que, como o Estado é o primeiro a dar o mau exemplo, é mau pagador, esses colegas não têm, agora, como pagar, até, os materiais usados com os pacientes enviados pelo Ministério da Saúde", assegurou, ao JN, um médico do Porto, a quem a Administração Regional de Saúde do Norte deve cerca de seis mil euros, desde Outubro de 2009.
O JN contactou o Ministério da Saúde, administrações regionais de saúde (ARS) do Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve e a Ordem dos Médicos Dentistas para apurar os valores totais em dívida, desde a criação do cheque-dentista, em Junho de 2008. Porém, só a ARS de Lisboa e Vale do Tejo, a menos contestada, revelou: 178.960 euros. As ARS que pagam pior são as do Norte e Centro. As que pagam melhor são as do Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo.
Há médicos na Região Norte que, até hoje, ainda não receberam qualquer serviço prestado no âmbito dos cheques-dentista. A maior parte, no entanto, não recebe desde Outubro de 2009. A João Pedro Oliveira, da Clínica do Cértoma, em Anadia, a ARS Centro deve, desde há meio ano, cerca de dez mil euros. A Ana Lampreia, da Clínica Supermed, a ARS Alentejo deve cerca de 800 euros. Mas os exemplos são mais do que muitos. O JN ouviu mais de meia centena de dentistas e todos se queixam de pagamentos "incompreensivelmente tardios".
Ana Filipa, de Braga, diz que numa das clínicas onde atende, desde Julho de 2009, pacientes com cheque-dentista, a ARS Norte nunca lhe chegou a pagar qualquer serviço. Maria José Cameira, de Faro, critica a burocracia conducente aos pagamentos e diz que demora menos tempo a atender alguns pacientes do que a preencher os seus formulários. André Neto, da Clínica Sorriso Alfacinha, em Lisboa, diz que o que costumam ter em dívida consigo dá para pagar a uma funcionária e que se tivesse de viver com o dinheiro dos cheques-dentista "já tinha morrido". Rita Barroso, de Coimbra, queixa-se de não receber desde Outubro de 2009.
Ao JN, Filomena Lages, da ARS Centro, reconheceu ter facturas por pagar com cerca de quatro meses, mas atribuiu parte da culpa aos médicos, que "preenchem incorrectamente os formulários". Antonino Leite, da ARS Norte, atribui a "culpa" ao volume de trabalho.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

427. PORTUGAL SÉCULO XXI: A miséria arrastada 36 anos depois do 25 de Abril

No ano de 2009, a solidariedade dos leitores do JN chegou a 19 famílias, através da rubrica "Todo o Homem é meu Irmão". Os donativos ajudaram a melhorar significativamente algumas destas vidas.
A ajuda - na maioria dos casos monetária - contribuiu, por exemplo, para sorrisos menos tímidos; ou para alguém poder ler ou andar na rua sem tropeçar. Foram imensos os pedidos para tratamentos de saúde oral, normalmente muito caros e fora do Sistema Nacional de Saúde. Foram muitos também os pedidos de ajuda para comprar um par de óculos.Todas as semanas "choveram" pedidos de auxílio à redacção do JN e a maioria deles já chegou sem qualquer esperança ou expectativa de resposta. Para muitos, o JN constituiu a última hipótese. É o caso de Maria, por exemplo, que correu inúmeros dentistas e que já sem esperança pediu ao "Todo o Homem" apoio para pagar o tratamento dentário do seu filho. Maria disse ao JN ter ficado surpreendida pelo facto de a sua carta ter tido resposta.
Todas as cartas são devidamente analisadas, sendo verificada a veracidade do seu conteúdo. Depois é publicada e a generosidade dos leitores faz o resto. Este ano - de donativo em donativo - chegou a 19 agregados familiares.
A mesma rubrica conquistou o suficiente para cem cabazes de Natal para famílias mais carenciadas.
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Se a Senhora Ministra da Saúde, o senhor Director-Geral da Saúde, o Presidentes da Ordem dos Médicos, o Presidente da Ordem dos Médicos Dentistas e a Senhora Ministra da Educação tivessem o mérito de viver nas mesmíssimas condições de vida durante seis meses, que as populações retratadas na notícia e de certeza absoluta que teriam uma actuação das políticas de saúde no país absolutamente diferentes das que continuam a pregoar a sete ventos.
Infelizmente, a democracia e a igualdade terminam no dia em que há eleições.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

426. Petição CONTRIBUTO PARA A SAÚDE ORAL EM PORTUGAL

(Assine esta petição aqui)
Endereço na internet:
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Para: Portugal - CONTRIBUTO PARA A SAÚDE ORAL EM PORTUGAL (Sugestões laicas em três tópicos para a um projecto nacional abrangendo a Medicina Dentária).
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I - A MEDICINA DENTÁRIA NO
SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE
Algum dia o bálsamo da ciência havia de chegar às chagas do povo sofredor Miguel Torga (11 de Abril de 1978). Quando Miguel Torga antecipava a vitória que viria a revelar-se o Serviço Nacional de Saúde, não imaginaria que parte da anatomia humana seria mutilada na planificação dos cuidados de saúde básicos em Portugal.
Apesar de em Novembro de 1974 estar previsto nos Subsídios para o lançamento das bases do Serviço Nacional de Saúde a prestação gratuita e universal de cuidados de saúde oral, 30 anos volvidos após a criação do Serviço Nacional de Saúde, a Medicina Dentária é uma lacuna indefinitivamente adiada no SNS.
Estando fundamentada a importância da Saúde Oral no equilíbrio geral do corpo humano e estando estabelecida a importância da Medicina Dentária na articulação com as diversas especialidades médicas, é incompreensível que a prestação dos cuidados de saúde oral seja ignorada no modelo do Serviço Nacional de Saúde português.
Considerando que o actual primeiro-ministro classifica o SNS como a grande conquista social da democracia moderna, estão criadas as condições para alcançar essa demanda que foi a criação de um sistema público de saúde. É fundamental sensibilizar o Estado para que a inclusão da Saúde Oral no SNS se cumpra como imperativo constitucional.
Apesar dos avanços e recuos sobre o conceito de um serviço público de saúde em Portugal é importante alertar que o próprio coordenador do estudo sobre a sustentabilidade do SNS – Jorge Simões – reconhece que o único serviço em que não existe universalidade no SNS é a Medicina Dentária. Aliás, este confessa que o valor desperdiçado em convenções deveria ser aplicado nos cuidados de Saúde Oral.
Em contraponto a esta apreciação temos a chocante constatação que a ministra da Saúde, Ana Jorge, confessa que não fez contas e não sabe quanto custaria colocar médicos dentistas em todos os centros de saúde. Mais constrangedora se torna esta situação quando o Ministério da Saúde afirma que é mais rápido fazer protocolos com os privados do que criar um serviço de saúde oral público. Este despreocupado desconhecimento é o testemunho que em trinta anos não foi elaborado um plano estrutural para integração da Medicina Dentária na Saúde em Portugal.
Conhecendo as bases argumentativas que levaram António Arnaut a criar o Serviço Nacional de Saúde é simples demonstrar que nenhuma alternativa (seja um sistema de co-pagamentos, seja um sistema de opting out ou ainda um sistema de parcerias público-privadas) permite reduzir os cargos do Estado nem por outro lado melhorar os cuidados de saúde prestados. Como o próprio Arnaut explica, este tipo de parcerias só interessam aos investidores porque lhes garante, previamente, um lucro compensador, sem qualquer risco.
Deste modo, o actual modelo cheque-dentista, é uma oportunidade perdida onde podemos constatar não só um esbanjamento do erário, como o incumprimento dos pilares fundamentais do Serviço Nacional de Saúde: a sua universalidade e gratuidade.
Não será por acaso que o relatório da Organização Mundial de Saúde de 2007 refere que the publicly funded oral health care system in Portugal is not comprehensive. Um programa que avilta a prevenção, que privilegia os tratamentos curativos, que desresponsabiliza a intervenção a nível escolar e que não garante uma protecção universal, global, multidisciplinar e planificada só poderá ser catalogada como… incompreensível!
Como António Arnaut defendia em 16 de Maio de 1979 (data do discurso de encerramento do debate parlamentar do Serviço Nacional de Saúde) um projecto de saúde pública deve prever a articulação com instituições particulares apenas em casos excepcionais. Somando a enormidade de euros gastos de forma (quase) inconsequente na iniciativa “cheque-dentista” e somando as verbas injectadas em subsistemas e convenções seria possível criar uma Medicina Dentária pública sem qualquer perturbação no Orçamento de Estado.
Um sistema de parceria público-privada só deveria ser considerado em zonas limítrofes/situações extremas em que não é viável a prestação de serviços médico-dentários ou quando a capacidade de resposta do Estado é insuficiente para garantir a integridade do paciente. Assim, como em tantas outras disciplinas médicas, o Serviço Nacional de Saúde e as instituições privadas de saúde devem existir sem colocar em causa a liberdade de escolha do paciente, a universalidade dos cuidados prestados ou até a sobrevivência de cada uma destas alternativas (como se tem constatado em todas especialidades médicas em 30 anos de Serviço Nacional de Saúde).
Tecidas estas considerações é incontornável considerar que o Serviço Nacional de Saúde ainda não atingiu o seu mote enquanto a Medicina Dentária não for considerada como sua parte integrante. Os médicos dentistas devem ser vistos como um investimento e não como um custo.
Deste modo é fundamental:
- Alterar as linhas de pensamento da Ordem dos Médicos Dentistas que considera que é mais fácil e barato articular os consultórios particulares do que criar um Serviço Nacional de Saúde com Medicina Dentária integrada (RTP1 – 16 de Junho de 2009);
- Elaborar de um plano nacional de intervenção ao nível da prevenção privilegiando a intervenção ao nível escolar;
- Integrar a Medicina Dentária em todos os centros de saúde, unidades de saúde familiar ou outras instituições públicas de saúde para que nestas estruturas possam ser prestados todos os tratamentos básicos (preventivos e curativos) de Saúde Oral;
- Incluir a Medicina Dentária nos serviços de urgência de todos os hospitais concelhios e distritais;
- Introduzir o outrora conceito de “periféricos” a todos os médicos dentistas recém-licenciados de forma a garantir uma cobertura geográfica global nos cuidados de saúde oral (em detrimento à esquecida mas explicita vontade do cessante secretário-geral em criar um estágio não remunerado).
- Inserir a Medicina Dentária em equipas multidisciplinares de hospitais centrais para que se possa dar resposta efectiva a todos casos clínicos complexos e diferenciados.
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II - CONSTRUIR UMA PROFISSÃO CREDÍVEL
FUNDADA EM BOAS PRÁTICAS
O leopardo quando morre deixa a sua pele. O homem quando morre deixa a sua reputação (Ditado Chinês). Entre o senso comum nem sempre existiu uma associação positiva entre a Medicina Dentária e as qualidades de seriedade, credibilidade e profissionalismo. São sobretudo razões culturais e históricas que levam à presente constatação: o amadorismo de quem cuidou durante anos a saúde oral das populações (representada literariamente desde Fernando Namora até Luís Sepúlveda), como a sintomatologia dolorosa que conviveu com a prática clínica diária, nunca contribuíram para construir a consideração que a Medicina Dentária merece.
No entanto, a classe dos médicos dentistas também tem a sua quota-parte de responsabilidade na falta de apreço social da sua profissão. Cabe ao próprio médico dentista lutar pela sua credibilização na estrutura global da prestação de cuidados de saúde. O respeito de um ofício deve começar pelos próprios que o exercem.
Assim são os médicos dentistas que devem criar o seu manual de boas práticas e exigir, através de estruturas criadas para esse efeito, que a ética e a deontologia sejam aplicadas na prática clínica quotidiana. Qualquer profissão organizada de forma cooperativa tem a obrigação de censurar a má prática clínica. Assim, para além de um código deontológico com alíneas de sentido lato, é fundamental criar linhas de conduta concretas e explícitas para os diversos profissionais.
Deste modo é imperativo criar um manual de boas práticas e a estruturação de equipas que, de forma idónea e independente, fiscalizem a actuação dos médicos dentistas. Dentro deste manual de boas práticas deverão constar, por exemplo, linhas de orientação na área da terapêutica já que, apesar do médico dentista possuir uma ampla faculdade de prescrição, deveria o mesmo limitar esse poder a determinada terapêutica não devendo receitar medicamentos que não estão no âmbito da sua prática clínica. Devem ainda os médicos dentistas, através de um consenso com outros grupos profissionais, determinar as áreas comuns e distintas de actuação entre médicos dentistas, médicos estomatologistas, médicos especialistas em cirurgia maxilo-facial e até higienistas.
É também essencial definir a legitimidade do médico dentista exercer funções para as quais não foi formado ou preparado, nomeadamente consultas de cessação tabágica ou tratamentos estéticos como a aplicação de toxina botulínica.
Também no sentido de estruturar uma imagem credível da sua profissão, os cânones definidos para uma boa prática clínica devem afastar-se das lógicas mercantilistas que têm sido expostas através de chocantes campanhas de publicidade e técnicas de marketing. É fundamental que os pacientes possam distinguir que um médico dentista é diferente de um dentífrico e que a lógica retalhista não seja aplicada à prestação de serviços de saúde.
Por fim, a credibilidade da profissão de médico dentista também passa pelo respeito que deve existir entre colegas de profissão. Através de legislação própria, os médicos dentistas devem decretar uma solidariedade que permita lutar contra o sub-emprego que se constata e aplicar uma lógica de dignidade laboral entre os que contratam e são contratados.
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III - EXCELÊNCIA NA CIÊNCIA, RIGOR NO
ENSINO, DEVER NA FORMAÇÃO
Instrução e capacidade humana são sinónimos (Francis Bacon). Apesar da sua obsessão pelos movimentos da boca e pela anatomia dos dentes, Francis Bacon nunca imaginaria ser citado para ilustrar a importância da educação na qualidade da Medicina Dentária. A excelência do médico dentista passa pela sua superioridade ao nível do ensino, ciência e da sua formação contínua.
Ao nível do ensino, a formação universitária depara-se com um grande problema: forma demasiados profissionais com competências excessivamente frágeis. Se se torna preocupante o excesso de profissionais, mais inquietante é a falta de preparação com que estes saem para o mercado de trabalho. Tirando proveito do Processo de Bolonha, as instituições universitárias aumentaram o número de vagas e criaram múltiplos tipos de pós-graduação para combater os problemas de financiamento que enfrentavam.
Assim, ao mesmo tempo que se rouba conhecimento ao “pré-grado”, assistimos a uma evolução decadente das competências conferidas aos médicos dentistas recém-licenciados. Tudo isto para legitimar a criação de cursos de especialização e para garantir empregos rendosos nas cúpulas da docência. Por mais contraditório que pareça ensina-se hoje menos aos discentes do que na época das primogénitas canteras.
Deste modo, urge a necessidade de interferir construtivamente ao nível do Ensino Superior. A história recente demonstra que uma auto-regulação é inconsequente e que a Ordem dos Médicos Dentistas deve pressionar estas instituições no sentido de adaptar os numerus clausus às necessidades do mercado de trabalho, estabelecer preceitos de excelência nos programas curriculares e incutir uma doutrina de rigor onde a endogamia e atemorização dos discentes se torne uma vaga memória do passado.
Por outro lado, para que um médico dentista atinja um nível de superioridade é fundamental que recicle os seus conhecimentos. Desta forma, é fundamental promover congressos e formações que, mais do que feiras de vaidades e marcas de materiais, se afirmem como eventos científicos de referência. Exige-se um congresso anual com uma menor dispersão de temas e que promova conhecimento em qualidade. Um menor número de salas centradas em assuntos de relevo são mudanças fundamentais para marcar a diferença deste evento. Para credibilizar este congresso será fundamental que os inevitáveis eventos comerciais associados se afastem da decadência de mini-sambódromos, simuladores de jogos de automóveis e situações decrépitas afins.
Este congresso, como outras formações que imperativamente devem ser promovidas pela Ordem dos Médicos Dentistas, deve fazer parte de um sistema de créditos de actualização obrigatórios.
À semelhança de outras ordens profissionais, a OMD deve obrigar a séria reciclagem dos profissionais de Medicina Dentária. Concomitantemente, o médico dentista deve ser apoiado na sua prática clínica quotidiana. A criação de um grupo de apoio à decisão clínica será uma ideia fundamental a concretizar a curto prazo de tempo de forma a auxiliar o médico dentista em situações clínicas mais complexas.
Também neste âmbito a criação de guidelines (que sejam mais do que traduções de documentos estrangeiros), é essencial para orientar e proteger os médicos dentistas no seu exercício profissional.
Para terminar esta tríade de obtenção da primazia na Medicina Dentária é fundamental fomentar a criação de conhecimento, estimular a investigação na Medicina Dentária e renegar o marasmo de pouca monta que observamos na criação de artigos de revisão.
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RECICLAR O ORGANIGRAMA, INOVAR A ABORDAGEM, SONHAR COM O FUTURO - Só o mais sábio dos homens e o mais estúpido dos homens nunca mudam (Confúcio).
A Medicina Dentária em Portugal necessita de uma abertura à sociedade em geral e simultaneamente de uma reestruturação das suas linhas mestras. É necessária uma nova liderança com maior sentido de Estado. A Ordem dos Médicos Dentistas deve pensar de forma mais global, defender os médicos dentistas e sobretudo, lutar pelo bem comum da população portuguesa.
É necessária uma ruptura com esta vontade de manter o status quo e alcançar muito mais do que se considera satisfatório. É altura de fomentar o prestígio da profissão e democratizar o acesso aos cuidados médico-dentários. Que a Medicina Dentária se faça segundo a arte.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

425. Investigadores da FMUP validam diagnóstico odontológico baseado em fotografias

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que o diagnóstico remoto de problemas dentários em crianças, com base em fotografias, constitui um recurso válido na selecção das que devem ser encaminhadas a um dentista.
A investigação passou por dois momentos avaliativos. A análise, por parte de quatro dentistas, de três fotografias dos dentes (perspectiva frontal, superior e inferior) de 66 crianças com idades entre os 4 e os 6 anos - cada dentista preencheu um questionário baseado na observância das fotos, disponibilizadas no sistema MedQuest, desenvolvido pela FMUP, indicando os problemas orais visionados e se a criança deveria ou não visitar o dentista. Posto isto, a criança foi avaliada numa consulta dentária tradicional. Comparados os resultados dos dois tipos de avaliação, o telediagnóstico (teledentistry) demonstrou ter uma sensibilidade entre 94 e 100 por cento e uma especificidade entre os 52 e os 100 por cento.
Em Portugal, os mais pequenos mostram uma alta prevalência de cáries com apenas 6 anos, sendo que só a partir dessa idade começam as suas visitas dentais. Quanto mais cedo for determinado o tratamento, mais cedo a saúde bucal estará assegurada.
"Os próprios professores tirando fotografias na escola e utilizando as tecnologias disponíveis, aumentam a viabilidade das campanhas de saúde oral a nível escolar, regional e nacional". A longo prazo pode, segundo Rui Amável (Centro de Investigação em Tecnologias e Sistemas de Informação em Saúde-CESIMED, FMUP) e Ricardo Cruz-Correia (Serviço de Bioestatística e Informação Médica da FMUP), autores do estudo, pensar-se numa "casa dental".
A combinação das telecomunicações com a odontologia - teledentistry - veio permitir a troca de informações clínicas e imagens, com o propósito de facilitar o acesso a cuidados primários pediátricos. Apesar deste modelo ser usado com sucesso em várias especialidades médicas, não é tão amplamente aceite e utilizado em odontologia. Mas, segundo os autores "o desenvolvimento do telediagnóstico só vai beneficiar os cuidados dentários, melhorar o diagnóstico e os serviços odontológicos".
O telediagnóstico, através da tecnologia fotográfica digital, apresenta-se como potencial identificadora de problemas bucais e constitui um recurso a explorar.
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

424. A dramática saúde oral também na Região Autónoma da Madeira

O Serviço Regional de Saúde da nossa Região tem lacunas demasiado graves. Abordando a situação da Saúde Oral, embora tenha havido algum esforço em melhorar este serviço, a realidade actual é muito dramática. As insuficiências atingem o desespero dos utentes.
Por exemplo, os alunos com mais de 12 anos, que pertencem a famílias desfavorecidas, nem é preciso ser muito pobre, não têm direito a um serviço de dentista de um modo rápido, eficiente e, em alguns casos, não têm mesmo nenhuma hipótese em resolver o seu problema de saúde oral. Apresento uma situação concreta e verídica.
Em Dezembro de 2009, uma minha aluna estava na aula com dores de dentes. Cabeça deitada na secretária, com um lenço embrulhado na cara. Não suportava as dores. As lágrimas corriam na sua face. Contou que há uns dias atrás acordara com uma leve dor, como piorou depois, devido aos seus fracos recursos financeiros, dirigiu-se ao Centro de Saúde, ao médico de família que a enviou para o hospital. Todavia, apesar da urgência, não teve direito a consulta de um dentista do Serviço Regional de Saúde, porque já tinha 15 anos.
Então, nova consulta ao médico de família, mais uma semana, e aí o médico, perante a situação e sem alternativa, como as dores de dentes da adolescente continuavam, receitou uns antibióticos e uns analgésicos para tentar remediar a situação e assim adiar o inadiável.
Um escândalo. Estupefacto com o relato da aluna e sensibilizado pela situação, pois a aluna não tinha condições sociais para um dentista particular e tinha excesso de idade para ser atendida no Hospital, tive de agir.
Não faz parte da minha filosofia de vida ficar parado a assistir sem nada fazer. Embora a aluna estivesse uns tempos melhor, pois esteve anestesiada com os medicamentos, mas logo que efeito passou, as dores insuportáveis voltaram. Ali estava ela perdida com dores. E eu sei o que são dores de dentes.
Entretanto, contactei, desde logo, a directora de turma que tentou tudo fazer para resolver o problema, mas não havia solução através da Escola. O seguro não cobria, a Acção social escolar muito menos e, deste modo, a escola estava amarrada sem nada poder fazer.
Lembrei-me de contactar o meu caro amigo André Escórcio a solicitar a sua ajuda. Como sei que é um homem preocupado com estas situações de injustiça e tem mais experiência do que eu, pedi-lhe ajuda.
Fez os seus contactos e eis que surge uma solução. A Directora de turma deveria contactar a Assistente Social da zona de residência da aluna para que esta técnica fizesse o estudo da família e depois de comprovar que a família não tinha realmente condições económicas para pagar um médico dentista particular, então seria solicitado a intervenção da Segurança Social. E assim se fez. A Assistente Social foi contactada, fizeram o processo de avaliação da família, que demorou alguns dias mais.
A directora de turma informou-me, na passada sexta-feira, que o caso, finalmente, mais de um mês depois, vai ser encaminhado para a segurança social. Vai ser!! Hoje tive aula com a aluna e perguntei se já tinha tido a consulta e disse-me, toda satisfeita, que já estava tudo resolvido e que agora só faltava marcar a consulta. Ainda não foi consultada!! Ainda tem as dores, mais suaves, porque os analgésicos cumprem o seu papel.
Ficamos muito contentes com o desfecho, embora insatisfeitos com a demora e com o tempo perdido em burocracias desnecessárias. Esta é a realidade do nosso sistema regional de saúde. A aluna teve sorte em ter encontrado professores interessados e atentos que detectaram o seu estado de saúde e não descansaram enquanto não encontraram uma solução, apesar da morosidade do processo. Contudo, este é um mero caso.
Como esta aluna existem centenas sem solução.
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Este caso ultrapassa todos os limites da dignidade humana. Espero que as autoridades, nomeadamente o Ministério da Educação e do Ministério da Saúde saibam apurar responsabilidades e onde falhou o sistema. Porque é que a jovem não foi imediatamente encaminhada para um estomatologista ou um médico dentista?
Afinal para que serve a Acção social escolar e os dentista do Serviço Regional de Saúde?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

423. Um país, várias regiões e diferentes abordagens de intervenção por parte da OMD

O líder da OMD na Madeira realça que existem 14 médicos dentistas a trabalharem nos centros de saúde da Região, de forma rotativa. No centro de saúde do Bom Jesus trabalham 11 (e quatro higienistas, um dos quais na área de coordenação do Programa de Saúde Oral) e no Porto Santo três, sendo que no Porto Moniz a prestação de serviços é feita por aqueles profissionais, todos os dias da semana, de forma rotativa.
Gil Alves vê com bons olhos o anúncio de mais uma cadeira (que pode ser um dentista a tempo inteiro ou profissionais de forma rotativa) no Bom Jesus e de uma outra no centro de saúde de Machico.
Refira-se ainda que no Porto Moniz são atendidas todas as crianças do concelho até aos 18 anos, enquanto que no Bom Jesus só até aos 12 anos. No primeiro são tratados também todos os adultos com patologias crónicas que não lhes permitam deslocações ao Funchal para efectuarem os seus tratamentos dentários. No concelho de Porto Santo o atendimento é generalizado a toda a população residente.
Gil Alves lembra igualmente que são asseguradas, no centro de saúde do Bom Jesus, as urgências escolares no âmbito da traumatologia dentária dos estudantes dos três aos 18 anos, desde o ano lectivo 2005/2006, na sequência de protocolo celebrado entre a SRAS e a Secretaria da Educação.
Jornal da Madeira
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Pela notícia fica-se a saber que a Ordem dos Médicos Dentistas na Madeira pugna por uma saúde oral pública nos Centros de Saúde da região. Teremos um dia também esse exemplo aplicado em Portugal Continental?