segunda-feira, 28 de setembro de 2009

392. Cerca de 45 mil alunos do ensino particular foram excluídos pelo Ministério da Saúde

Nas escolas públicas basta ter a idade certa para receber um cheque-dentista. Nas particulares, para além da idade, também é preciso ter baixos rendimentos para se ter direito a um.
Os alunos do ensino básico que estão a estudar em escolas particulares só podem beneficiar dos cheques-dentista emitidos pelo Ministério da Saúde (MS) se foram oriundos de agregados com baixos rendimentos e já auferirem, por isso, ajudas do Estado para frequentarem aqueles estabelecimentos, confirmou ao PÚBLICO a assessora de imprensa do ministério, Helena Marteleira. Esta condição - que exclui cerca de 45 mil alunos do privado, um terço dos que frequentam ali o básico - não se encontra prevista na portaria que, em Março passado, alargou a emissão dos cheques-dentista às crianças e jovens com menos de 16 anos, uma das principais novidades do novo Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral (PNPSO).
E também não é aplicada aos alunos que estudam em escolas públicas ou em instituições particulares de solidariedade social (IPSS), os quais podem beneficiar do cheque, no valor de 40 euros, independentemente dos rendimentos do seu agregado.
"Não faz sentido nenhum. Os ricos que têm filhos nas escolas públicas recebem os cheques, mas os da classe média que estão no privado não podem beneficiar", comenta Rodrigo de Melo, director executivo da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo.
"Era preciso começar por algum lado e é obrigação do Estado começar pela escola pública", justifica Helena Marteleiro. A assessora do MS garantiu, contudo, que até 2013 a "globalidade" dos jovens com menos de 16 anos ficará abrangida pelo PNPSO, independentemente do tipo de escola que frequente. Mas esta é uma fronteira assumida em pleno pela Direcção-Geral de Saúde (DGS), que nas suas circulares descreve assim o objectivo geral do plano: "Aos 15 anos, os jovens que frequentam as escolas públicas e IPSS do continente devem ter todos os dentes permanentes devidamente tratados e/ou protegidos (...)".
Segundo a DGS, entre Abril e 31 de Agosto foram emitidos 199.102 cheques para tratamentos dentários de menores nascidos em 2002, 1999 e 1996. Até ao final do mês passado, tinham sido utilizados apenas 86.672. O prazo de validade terminava a 30 de Agosto, mas foi prolongado até ao final de Outubro, uma vez que muitos cheques só foram distribuídos no final do ano lectivo ou mesmo já em férias, explica Rui Calado, um dos responsáveis na DGS pelo plano.
Até Dezembro, serão emitidos cheques para os que nasceram em 2002, 1999 e 1996. Excluindo os que frequentam o ensino particular, são cerca de 250 mil menores, quase cinco vezes mais dos que foram abrangidos, em 2008, pelo anterior plano de saúde oral, frisa Calado, que não tem dúvidas sobre o impacto positivo desta dilatação.
Um estudo da DGS dá conta de que, com muito menos utentes abrangidos, a percentagem de crianças com cárie aos seis anos passou de 67 por cento em 2000 para 49 por cento em 2005.
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Este texto permite varias reflexões. Algumas perspectivas de analise:
a) Existem pais que se podem dar ao luxo de colocar os filhos no ensino privado; terão também esses pais consciência plena que podem suportar todos os gastos de prevenção de saúde dos seus educandos em hospitais ou clínicas privadas?
b) Poderá o estado (Ministério da Saúde e Ministério da Educação) ter o direito de seleccionar e discriminar os cidadãos que devem ter acesso a cuidados médicos preventivos, favorecendo uns e penalizando outros?
c) Que tipo de sociedade iremos ter no futuro em Portugal, a partir do momento em que crianças e jovens inocentes são directamente discriminados no acesso aos cuidados de saúde básicos de qualquer ser humano?
NOTA FINAL: Só por má fé aparece o último paragrafo da notícia; o mesmo estudo demonstra que nas crianças mais velhas ocorreu exactamente o oposto, em que se agravou consideravelmente o estado da sua saúde oral.
Manifeste a sua opinião.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

391. Cultura oral em escolas do Norte

Programa de Incentivo para a Educação em Saúde Oral (PIESO) arranca no próximo ano lectivo em 21 estabelecimentos de ensino. Um projecto que integra cadernos educativos com actividades para o 1.º e 2.º ciclos e sugestões para o 12.º ano.
A saúde oral é essencialmente um problema comportamental e, por isso, há dicas importantes que devem ser assimiladas o mais cedo possível. A higiene oral até pode ser um tema que passa ao lado de determinados planos curriculares, mas é ponto de honra para quem trabalha na área.
A pensar na promoção de cuidados de saúde oral na comunidade escolar - sem nunca esquecer o trio fundamental da prevenção, formação e educação -, a União Portuguesa de Prevenção Oral (UPPO) prepara-se para colocar o assunto na ordem do dia. Ou seja, a saúde oral vai entrar no circuito de 21 escolas do Norte do país já no próximo ano lectivo. O processo está ainda numa fase de elaboração, mas a missão já tem um nome.
Programa de Incentivo para a Educação em Saúde Oral (PIESO) é o nome do projecto que vai colocar a saúde oral em destaque no 1.º e 2.º ciclos do Ensino Básico e no Secundário. Acções de educação e motivação para a saúde oral estão assim na lista da UPPO, num trabalho de parceria que envolve a Administração Regional de Saúde do Norte e a Direcção Regional de Educação do Norte. O PIESO engloba ainda acções de formação em centros de saúde a profissionais da área e a equipas de saúde escolar, de forma a promover a interacção entre os diversos intervenientes.
O presidente da UPPO, Mário Rodrigues, explica como o programa será aplicado no terreno a turmas do 2.º ano de escolaridade do 1.º ciclo, do 5.º ano do 2.º ciclo e a alunos do 12.º ano. As crianças mais novas do 1.º ciclo, de seis escolas do Porto, terão três sessões orientadas por técnicos da UPPO e no final poderá ser apresentada uma peça de teatro, para que os cuidados a ter com os dentes estejam presentes no dia a dia. As acções têm um importante suporte. "Os cadernos educativos correspondem a actividades em saúde oral", adianta o responsável. A avaliação será feita através de questionários e alguns testes epidemiológicos.
O 5.º ano do 2.º ciclo é contemplado com dez sessões, duas das quais a cargo de técnicos da UPPO. "As restantes oito serão dadas pelos professores". Os docentes são também um público-alvo do PIESO ou não fossem uma peça fundamental da comunidade escolar. Para este nível de ensino, há também cadernos de apoio educativo para orientar as actividades e estão previstas duas sessões, de duas horas, para educadores e pais.
No 12.º ano, o objectivo é lançar desafios na Área de Projecto. O PIESO entra em cena para que os alunos do Secundário possam agarrar algumas ideias em nome de uma saudável cultura de saúde oral. Aqui a intervenção da UPPO é mais de consultadoria. E ideias não faltam. Criar um dicionário de saúde oral ou um guia prático sobre o tema. Idealizar jogos educativos ou planear acções de sensibilização para os mais pequeninos. Ocupar uma coluna do jornal da escola com o assunto ou criar uma história infantil sobre a higiene oral. Estes são alguns dos trabalhos possíveis.
As actividades do 2.º ciclo e do Secundário envolverão 15 escolas dos distritos da área de influência da Administração Regional de Saúde do Norte. O PIESO da UPPO, que trabalha em prol da implementação de uma cultural de saúde oral de uma forma integrada, conta com várias parcerias institucionais, nomeadamente a Associação Nacional de Professores e a Confederação Nacional das Associações de Pais.
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Mais uma iniciativa em prol da educação para a saúde oral. Mas reparem que, em todo o projecto, não se refere que todos os alunos serão previamente observados e tratados por técnicos de saúde oral. Pergunto: qual o interesse em integrar estes programas de saúde oral nos currículos dos alunos se não é feito um diagnóstico previamente e permitido o tratamento dentário a todas as crianças e adolescentes antes da aplicação da iniciativa?
Obviamente primeiro há que tratar da saúde e depois sim fazer prevenção; o contrário é andar com a carroça à frente dos bois.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

389. Rotulagem das pastas dentífricas

Circular Informativa N.º 169/CD Data: 10/10/2008
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As pastas dentífricas com flúor destinadas a crianças foram objecto, a nível Europeu, de recente reavaliação relativamente ao risco, tendo culminado com a transposição da respectiva Directiva (Directiva 2007/53/CE de 29 de Agosto de 2007) para o Decreto-Lei nº 189/2008, de 24 de Setembro. Efectivamente, o desenvolvimento do esmalte do dente em fase pré-eruptiva pode ser alterado por diversos factores, entre eles o excesso de flúor. O flúor absorvido em excesso pode causar fluorose, manifestando-se no aparecimento de manchas brancas e acastanhadas do esmalte que são irreversíveis.
Dado que, em crianças com menos de 6 anos e sem adequada supervisão parental, a deglutição de pasta dentífrica contribui para a quantidade de flúor ingerido, foi decidido acrescentar a seguinte advertência na rotulagem dos dentífricos, desde que não seja contra-indicada para crianças:
“Crianças com idade igual ou inferior a 6 anos: utilizar uma quantidade do tamanho de uma ervilha, com supervisão durante a escovagem para minimizar a deglutição. Se estiver a tomar flúor proveniente de outras fontes, consulte o seu médico dentista ou médico assistente”.
Os fabricantes, a pessoa por conta de quem o produto é fabricado ou o responsável pela colocação no mercado devem providenciar para que, a partir de 19 de Março de 2009, só possam estar disponíveis ao consumidor pastas dentífricas contendo 0,1 a 0,15% de flúor que incluam a advertência referida, excepto se já constar a indicação, por exemplo, “Unicamente para adultos”. O INFARMED, I.P alerta os profissionais de saúde e os consumidores para a necessidade de verificação da informação constante das pastas dentífricas com flúor.
Direcção de Produtos de Saúde (Fax: 21 798 7281; pchc@infarmed.pt)
O Conselho Directivo Luisa Carvalho
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Amanhã vou comprar uma pasta dentífrica numa farmácia e verificar se a lei está efectivamente a ser cumprida. Logo ficarei a saber se a farmácia está a comercializar a pasta dentífrica dentro ou fora da lei.
Poderá estar em causa um atentado à saúde pública no caso de a lei não estar a ser rigorosamente cumprida e fiscalizada pelas autoridades competentes.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

388. BRASIL: Programas de saúde oral nas escolas

Brasil (Distrito Federal) - O governador José Roberto Arruda lança nesta sexta-feira (28), às 10h, no Recanto das Emas, o Dentista na Escola, que oferecerá atendimento odontológico diário aos alunos da rede pública. A partir de hoje, o projeto funcionará em dez escolas, mas o objetivo levá-lo aos 334 mil alunos do Ensino Fundamental.
Já a partir da semana que vem, começa a chegar às escolas de Ensino Fundamental material didático para o desenvolvimento da educação em saúde bucal. Este material será distribuído aos professores e aos 334 mil alunos do Fundamental.
Na semana passada foi realizado um treinamento com os chefes do Núcleo de Monitoramento Pedagógico e Supervisores Pedagógicos de todas as Regionais de Ensino, para apresentação do material e orientação de como inseri-lo no dia-a-dia do aluno. No entanto, cada professor, segundo sua experiência individual, poderá utilizar o material como um norte para a introdução gradativa do tema.
Os professores do Ensino Fundamental trabalharão o tema saúde bucal de forma transversal (de 1ª à 4ª série no ensino fundamental de 8 anos ou do 1° ao 5° ano no ensino fundamental de 9 anos) e interdisciplinar (de 5ª à 8ª série no ensino fundamental de 8 anos ou do 6° ao 9° ano no ensino fundamental de 9 anos).
De imediato, dez consultórios fixos - A partir desta sexta, além do CEF 104 do Recanto, as seguintes escolas terão consultórios fixos do Dentista na Escola: CAIC de Planaltina, CEF 206 do Recanto das Emas, CEF Telebrasília do Riacho Fundo I, EC 02 do Riacho Fundo II, EC Vila Boa de São Sebastião e quatro escolas do Paranoá – EC 01, CEF 01, CEF 03 e CAIC Sta. Paulina.
As escolas com mais de 1.000 alunos terão consultórios fixos. Nas menores, incluindo as da área rural, os alunos serão atendidos por unidades móveis contratadas pela Secretaria de Saúde – carretas com três a quatro cadeiras odontológicas e um aparelho de raios X cada uma.
Os serviços oferecidos compreenderão restaurações em dentes permanentes e de leite; selante de fóssulas e fissuras; remoção e/ou alívio da dor; remoção de focos de infecção; periodontia (raspagem sub e supra-gengival); cirurgias menores; e aplicação de flúor.
Prevenção e cura - O projeto, uma parceria entre as secretarias de Educação e de Saúde, terá duas frentes de atuação: uma curativa e outra educativa e preventiva.
A parte curativa será realizada nos consultórios, fixos ou móveis, onde o atendimento será realizado por cirurgiões-dentistas e técnicos em saúde bucal concursados do quadro das secretarias de Saúde e de Educação. A parte educativa e preventiva será realizada por estes mesmos profissionais por meio de palestras, oficinas, orientação de higiene oral e escovação supervisonada.
Os profissionais que atuarão nos consultórios fixos nas escolas deverão reservar, durante os cinco dias da semana, um período pela manhã e outro pela tarde, para se dedicar à orientação de higiene oral e realização de escovação supervisonada dos alunos.
Serão realizadas também ações de educação e prevenção em saúde bucal, onde será feita a orientação de higiene oral e entregue um kit de higiene bucal, ao menos três vezes ao ano a todos os alunos do Ensino Fundamental. Esse kit de higiene bucal é composto por escova de dente, fio dental, creme dental grande, com flúor; creme dental com flúor e revelador da placa bacteriana – indicado para a escovação noturna, item que possibilita ao próprio aluno identificar se a escovação é bem feita e corrigi-la se necessário.
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No Brasil, os programas de saúde oral destinados aos jovens vão aonde é preciso: à escola e tentam abranger todas as crianças e jovens sem excepção. Este exemplo demonstra claramente o interesse por medidas eficazes e concretas, onde o estado é capaz de constituir-se como o principal e fundamental elemento de protecção da saúde oral das crianças e jovens.
Este é o melhor exemplo como a protecção dos direitos das crianças e jovens no acesso a cuidados de saúde oral é exercido pelo próprio estado; também em Portugal compete ao estado assumir idênticas responsabilidades, permitindo que a saúde oral faça parte integrante dos currículos escolares dos ensinos básicos e secundários, e que a prevenção e o tratamento dentário seja oferecido em meio escolar a todas as crianças e jovens em idade escolar, sem quaisquer limitações ou restrições.
A importância da promoção da saúde oral na escola nunca, em caso algum, deverá ser colocado a um nível inferior à promoção da educação sexual; a todas as crianças e jovens deverá ser assegurado o direito ao recebimento de todos os tratamentos necessários dentários necessários à sua idade; estes deverão ser incluídos dos projectos educativos das escolas e os Ministérios da Educação e da Saúde deverão disponibilizar às escolas todos os recursos para a sua implementação.
É tempo de abandonar definitivamente programas de saúde oral de duvidosa execução, sempre em constantes alterações consoante os ministros que se vão substituindo-se uns aos outros nos governos, e apostar definitivamente numa saúde oral escolar universal de carácter curativa e preventiva feita nas escolas, em parceria com a comunidade e com técnicos especialistas contratados pelo Estado.

sábado, 12 de setembro de 2009

387. 210 mil cheques-dentista utilizados desde Maio de 2008

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Em pouco mais de um ano foram emitidos perto de 360 mil cheques dentista tendo sido utilizados cerca de 210 mil. As grávidas foram as que mais beneficiaram da ajuda, seguindo-se os idosos. Os jovens em idade escolar, o último grupo a aderir ao Programa Nacional de Saúde Oral, são os que menos recorreram aos cheques dentista.
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O facto de aqueles que mais precisarem de acesso generalizado aos cuidados de saúde oral serem os que menos acessos têm tido demonstra claramente a perversão do programa.
Para quem está por dentro do programa e conhece claramente o seu funcionamento entende facilmente as suas perversidades e que o mesmo serve apenas para colmatar parcialmente as manifestas debilidades do Serviço Nacional de Saúde.
Esperemos por um novo governo, uma nova equipa à frente do Ministério da Saúde e uma nova política de saúde oral, voltada para os reais interesses das pessoas necessitadas e não para colmatar lacunas e satisfazer interesses terceiros.
A Medicina Oral não pode ser um privilégio para quem quer que seja e tem de estar disponível no Serviço Nacional de Saúde, em todos os Centros de Saúde do país, em forma agrupada ou não, em perfeita situação de igualdade com a oferta do sector privado, de modo a permitir que sejam as pessoas a escolherem a quem recorrer; é exactamente para isso que todos nós pagamos impostos.

386. Excerto do debate LOUÇA X PAULO PORTAS (11.09.2009)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

385. RABO DE PEIXE: PS quer criar mais consultas dentárias

O candidato do PS/Açores à Câmara Municipal da Ribeira Grande, Ricardo Silva, defendeu a abertura de um consultório de medicina dentária na Vila de Rabo de Peixe. Ricardo Silva falava depois de uma visita à unidade de saúde de Rabo de Peixe, acompanhado da directora clínica do Centro de Saúde da Ribeira Grande, Rosa Lourenço.
Sendo Rabo de Peixe uma vila muito populosa, com uma elevada taxa de população jovem que procura diariamente o Centro de Saúde da Ribeira Grande para tratamento dentário, o candidato socialista - citado em nota partidária -, sustenta ser uma “necessidade” e uma “prioridade” a cumprir se for eleito. “Sendo reeleito irei apoiar a instalação na unidade de saúde de Rabo de Peixe de um consultório dentário público, com todo o equipamento necessário para a prestação de cuidados na saúde oral”, garantiu o candidato à eleições de 11 de Outubro.
Açoriano Oriental

domingo, 6 de setembro de 2009

384. Programa Eleitoral do PS no âmbito da saúde oral

Defender e desenvolver o Serviço Nacional de Saúde (Compromissos principais):
1.-Assegurar, até ao final da legislatura, a cobertura nacional das Unidades de Saúde
Familiar;
2.-Estender o Programa de Saúde Oral a todas as crianças entre os 4 e os 16 anos;
3.-Duplicar o número de lugares na Rede de Cuidados Continuados.
Bases Programáticas do Partido Socialista
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O programa eleitoral do Partido Socialista faz referência, numa linha, ao alargamento do Programa de Saúde Oral a todas as crianças dos 4 aos 16 anos. Só não se entende que, após quatro anos e meio no governo, o Partido Socialista ainda irá demorar mais quatro anos a alargar o Programa de Saúde Oral apenas a uma faixa da população infanto-juvenil, assumindo desde já o compromisso de deixar largas centenas de milhares de crianças e jovens automaticamente fora do programa nos próximos quatro anos (menores de 4 anos e maiores de 16 anos de idade).
É preciso lembrar que o governo do Partido Socialista extinguiu este ano o Programa Nacional de Saúde Oral, do qual tive o cuidado de fazer uma análise detalhada e apontar medidas para o seu aperfeiçoamento; no entanto, o governo tomou a iniciativa de o extinguir.
E nada se fala na integração da saúde oral no Serviço Nacional de Saúde. Digamos que, no caso do Partido Socialista vier a ganhar as eleições legislativas do próximo dia 27 de Setembro e voltar a formar governo, perspectiva-se a continuação das políticas de desresponsabilização do estado pela saúde oral dos portugueses, que continuará a ser essencialmente privatizada e em benefício apenas das classes sociais de elevados rendimentos, desprezando o seu acesso à esmagadora maioria da população portuguesa que paga impostos para formar médicos dentistas que depois não estão disponíveis nos hospitais e centros de saúde para atender as pessoas que precisam de ser tratadas.
Sabendo-se do provérbio de que quem cala consente, seria bom que as classes profissionais ligadas à saúde oral em Portugal também efectuassem uma análise aos programas eleitorais de cada um dos partidos e emitissem uma opinião sobre os mesmos, antes das eleições, para que os portugueses ficassem realmente esclarecidos sobre o rumo que os políticos querem dar à saúde oral em Portugal.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

383. Programa Eleitoral do PSD no âmbito da saúde oral

Desenvolveremos políticas específicas de saúde infantil, nomeadamente com um rastreio universal de condições dentárias, visuais e auditivas e com o alargamento da saúde dentária infantil paga pelo Estado.
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Entre as 40 páginas do Programa Eleitoral aparecem 3 linhas com referência aos compromissos que o PSD assume para a próxima legislatura, no caso de ser governo. Medidas pertinentes que parecem ser muito vagas e que ficam aquém do muito que ainda se tem de trabalhar pela saúde oral em Portugal, nomeadamente com a sua plena integração no Serviço Nacional de Saúde.
Pelo menos temos já um compromisso assumido por um partido; como estarão os outros partidos? Também apresentam alguma proposta no âmbito da saúde oral? A caixa de correio electrónico (tempogero@gmail.com) está disponível para a sua recepção.



sábado, 29 de agosto de 2009

382. Porque terei eu de tudo suportar ?

"Para que todos saibam deixo aqui a lista de todas as entidades a quem expos o meu caso, e da qual continuo a aguardar a justa e devida justiça por tudo o que aconteceu comigo; em caso de necessidade comprovo toda a correspondência com cada um dos organismos.
  • Procuradoria-geral da República;
  • Provedor de Justiça;
  • Ex-Ministro da Saúde e actual Eurodeputado Correia de Campos;
  • Actual presidente da Administração Regional de Saúde do Alentejo;
  • Director-Geral da Saúde;
  • Inspecção Geral das Actividades em Saúde;
  • Supremo Tribunal de Justiça.
Continuo a aguardar que se faça a devida reposição de danos físicos e morais de que fui vítima, uma vez que até este momento ainda não obtive quaisquer reparações pelos factos ocorridos. Em última instância reservo-me o direito de recorrer de todos estes organismos para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Enquanto frequentei o ensino secundário procurei apoio junto ao centro de saúde de Vila Viçosa, onde fui acompanhado por uma doutora “Guida”; desse infeliz tempo tenho a recordação de apenas ter feito um electroencefalograma pelas queixas de zumbido que já padecia na altura; nunca, mas mesmo nunca, foi-me possibilitado qualquer tipo de apoio ou acompanhamento a nível de estomatologia. Mesmo para o serviço militar, fui inspeccionado como carne para canhão, sem que alguém tenha-me realizado qualquer tipo de exame dentário.
Serviram-se assim sempre da minha ingenuidade para, indirectamente, desprezarem-me pois tinham perfeita consciência do que poderia acontecer-me no futuro quando atingisse a idade adulta. Será que nunca terão pensado que, quando fosse adulto, eu também queria ser um homem feliz e realizado como as restantes pessoas ou, pelo contrário, ao demonstrarem desprezo por mim serviu para servirem o seu próprio ego?
Resumindo, ninguém se importou pelo meu futuro; ninguém pensou duas vezes que eu também um dia iria chegar à idade adulta e quereria realizar-me pessoalmente e constituir família. Assumindo a posição que tomaram, o que fizeram (médicos e serviços de saúde a que recorri) foi tornar a minha vida adulta num inferno, votado ao abandono e à solidão. Por isso, hoje sinto um tremendo ódio e remorsos pelas pessoas que na devida altura deviam e teriam a obrigação de ter tornado a minha vida completamente diferente para melhor. Não suporto agora ter de pagar impostos para sustentar esses indivíduos que lixaram-me a minha qualidade de vida para sempre, pois sendo eu criança e adolescente, não estava à altura de ter a mesma consciência que eles tinham relativamente ao que me iria suceder.!"

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

381. Odontologia à noite e em oito anos

Entre os projetos de reestruturação e expansão da UFRGS para 2010, a que promete ter maior impacto é a criação do curso noturno de Odontologia, já aprovado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Expansão (Cepe). Com aulas exclusivamente à noite, a tradicional formação foi redesenhada e vai exigir oito anos de estudo (16 semestres) para que os alunos consigam cumprir 18 a 22 horas semanais.
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Este exemplo concreto, oriundo do Brasil (Rio Grande do Sul) mostra-nos como é possível rentabilizar os recursos disponíveis para a formação de técnicos de medicina oral, existindo meios e havendo necessidade de haver um maior número de especialistas de saúde oral para atender a população.
Também por cá, em Portugal, se deverá apostar na diversificação da oferta formativa, ao nível das várias valências da saúde oral, aproveitando os recursos disponíveis e possibilitando uma via alternativa de formação para os adultos já activos e que não tiveram a possibilidade de se formarem enquanto jovens.
Fica aqui o repto às várias faculdades de medicina oral espalhadas pelo país para que criem também cursos pós-laborais idênticos aos cursos de regime diurno, com as devidas adaptações dos planos curriculares. Seria dada resposta à larga procura de formação e, por outro lado, constituiria mais uma formula de possibilitar o aumento substancial de recursos humanos da área da saúde oral, ainda tão escassos face às tremendas necessidades básicas actuais da população do nosso país, em termos de saúde oral.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

380. DENTISTAS: Bastonário quer regulação e controlo de sociedades comerciais de saúde oral

O actual bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas e candidato às próximas eleições defendeu hoje a regulação e o controlo das sociedades comerciais que prestam cuidados de saúde oral, algumas delas detidas por pessoas externas à profissão. Orlando Monteiro da Silva alerta para o perigo destas sociedades, que efectuam publicidade enganosa, regendo-se "quase em exclusivo por uma lógica do negócio sem ter em conta a ética e deontologia da profissão". Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), tornou-se "incomportável que os profissionais sejam regulados e as sociedades anónimas e de franshising não respeitem as obrigações a que os médicos dentistas estão sujeitos".
Na sua candidatura a bastonário – as eleições decorrem a 12 de Dezembro –, Orlando Monteiro da Silva propõe a negociação com o Governo e com a Assembleia da República, no âmbito do processo de revisão do estatuto da Ordem, de um regime especial de constituição das sociedade comerciais de prestação de cuidados no âmbito da saúde oral. Este regime especial, explicou, implicaria a obrigatoriedade do registo destas sociedades na OMD, assim como a obrigatoriedade de o capital social ser detido, em parte, por médicos dentistas. "É nossa intenção propor uma percentagem de quota que assegure que o controlo das sociedades pertencerá, de facto, a médicos dentistas", antecipou.
O regime especial proposto já existe em Portugal para várias outras profissões, nomeadamente advogados, revisores oficiais de contas e solicitadores. Segundo Orlando Monteiro da Silva, a sua candidatura não está contra a criação de sociedades ligadas à saúde oral, mas contra as situações em "que os critérios de rentabilidade e lucro se construam à custa de salários terceiro-mundistas e da baixa qualidade dos serviços prestados". Nos últimos dois a três anos, explicou, assistiu-se a uma profunda modificação da forma como a profissão de médico dentista se organiza.
Segundo Orlando Monteiro da Silva, tem-se verificado "o alastramento de estruturas orientadas exclusivamente para uma lógica de lucro imediato, com uma visão da prestação de cuidados de saúde como um negócio indistinto e com estratégias comerciais agressivas". Estas estruturas, adiantou, usam mensagens de publicidade enganosa, publicitam especialidades que não existem, colocam em causa os princípios éticos fundamentais para a profissão e prejudicam a saúde pública e o consumidor. Este tipo de empresas, frisou Orlando Monteiro da Silva, socorrem-se normalmente de lacunas no ordenamento jurídico português, da actuação deficiente das autoridades de regulação, da morosidade da justiça, da dificuldade de identificar directores clínicos e inclusive de algumas destas estruturas serem entidades franchisadas.
Além de considerar que esta actividade lesa os consumidores, levando-os a fazer tratamentos de que não necessitam, também diz que prejudica os jovens médicos dentistas, "que são obrigados a aceitar honorários e condições de trabalho ultrajantes e humilhantes, hipotecando a independência da profissão".

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

379. Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral - Relatório Contratualização 2008

CONCLUSÕES: No ano 2008 a contratualização permitiu abranger, para tratamento dentários 65 371 crianças e jovens, dos 3 aos 16 anos. A nível nacional, estiveram envolvidos 92% dos Centros de Saúde. As regiões de saúde do Algarve e do Alentejo desenvolveram a contratualização médico-dentária, incluída no Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, em 100% dos Centros de Saúde existentes naquelas regiões.
Relativamente aos profissionais de saúde contratualizados, estomatologistas e médicos dentistas, aderiram 1532, mais 28% do que em 2007. A taxa de execução em 2007 foi de 81% e em 2008 82%. Contudo o número de crianças e jovens aumentou 19%. De 65 000 crianças e jovens previstos para tratamento dentário, passou-se para 80 000, mais 15 000 do que no ano anterior.
Das 65 371 crianças e jovens que, efectivamente, entraram em programa, 61 612 terminaram os tratamentos dentários efectuados no âmbito da contratualização (94%). As regiões de saúde do Norte e do Centro situaram-se acima da média nacional tendo ambas, atingido 98%. A região de saúde do Algarve atingiu 87%, Lisboa e Vale do Tejo, 88% e o Alentejo 87%.
O número médio de consultas realizadas por criança ou jovem foi 2,2. Destaca-se a região de saúde do Norte onde a média atingida chegou aos 2,6. Apesar das dificuldades relativas ao tratamento das crianças do grupo etário 3-5 anos, a percentagem de crianças incluídas neste processo foi, a nível nacional, de 9% destacando-se a região do Algarve com maior percentagem de encaminhamentos e consequentes tratamentos de crianças deste grupo (12%).
Através da intervenção médico-dentária obtiveram-se ganhos em saúde importantes, nomeadamente no que diz respeito ao tratamento de dentes que apresentavam lesões de cárie dentária. Foram tratados 71% dos dentes temporários e 96% dos dentes permanentes que apresentavam lesões de cárie dentária.
A contratualização com os profissionais de saúde foi efectuada mediante a celebração de contrato entre as duas partes, prestador privado e Administração Regional de Saúde. Para a concretização deste processo e obtenção dos resultados apresentados, é de realçar o empenho dos profissionais dos Centros de Saúde, das Administrações Regionais de Saúde, dos estomatologistas e médicos dentistas contratualizados os quais, de um modo geral, demonstraram inexcedível profissionalismo, tendo todos contribuído para a promoção da saúde das crianças e jovens.
Fonte: Direcção-Geral de Saúde
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A conclusão do relatório refere que foram tratadas 65 371 crianças e jovens dos 3 aos 16 anos; segundo os dados do I.N.E existem mais de 1 000 000 de crianças e jovens entre aquelas idades em Portugal. Fazendo as contas, mesmo que cada criança ou jovem só tenha direito a participar um único ano, ao longo de toda a sua infância e adolescência, no referido programa, constata-se que o referido programa nunca e jamais conseguirá abranger todas as crianças e jovens do país.
E pergunto, uma criança ou um jovem só pode ter acompanhamento da sua saúde oral num só e único ano ao longo de toda a sua infância e adolescência? O caro leitor tirará concerteza as suas ilações.
Só a teimosia em negar o direito à saúde oral praticado sobre pessoa imatura pode levar a este tipo de políticas de saúde, espezinhando direitos e comprometendo a qualidade de vida daqueles que são mais necessitados.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

378. Avaria de cadeira deixa utentes sem dentista há mais de três meses em Centro de Saúde

Os utentes do Centro de Saúde da Ajuda, em Lisboa, muitos dos quais idosos e de baixos rendimentos, estão sem dentista há mais de três meses porque a cadeira da especialidade de estomatologia está avariada. A cadeira já há muito que andava a dar sinais de decadência junto dos utentes e dos médicos. Uma utente do Centro da Ajuda, recorda-se de, na sua última consulta, ter quase precisado de um escadote para se conseguir sentar, uma vez que o sistema de elevação não estava, nem a subir, nem a baixar. "Foi preciso muita ginástica!", confessou, entre risos.
As avarias da cadeira tornam-se insustentáveis e a suspensão das consultas de dentistas acabou por acontecer, arrastando-se no tempo. O impasse levou mesmo um grupo de moradores a organizar um abaixo-assinado para contestar a demora e a falta de respostas da direcção do Centro de Saúde da Ajuda.
"É inaceitável esta situação. Muitas pessoas estão a ser prejudicadas, sobretudo idosos", critica um dos promotores da petição, responsabilizando o Ministério da Saúde por não disponibilizar verbas para a substituição da cadeira-dentista, temendo que a falta da cadeira seja um pretexto para acabar com a especialidade; lembra que os idosos e as pessoas carenciadas não têm meios para recorrerem ao privado. "O centro já teve dois dentistas, depois ficou só com um. Este é um receio que tenho, de que a especialidade deixe de existir. Mas, estaremos disponíveis para lutar", avisa um dos subscritores do abaixo-assinado.
A petição, com mais de duas centenas de assinaturas, foi esta semana enviada para a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Ministério da Saúde e para o Centro da Ajuda, explicou, por sua vez, o presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, Joaquim Granadeiro. O autarca revelou ao JN que esteve, há poucos, dias, reunido com um responsável do Centro de Saúde que garantiu que o problema será resolvido brevemente. "Depois de ter enviado o abaixo-assinado, fui contactado pelo director, que me disse que a cadeira seria arranjada e que as consultas seriam retomadas", adiantou Joaquim Granadeiro.
O presidente referiu ainda que a ausência prolongada de consultas tem sido objecto de muitas queixas por parte de munícipes na Junta de Freguesia.
* * *
Na minha modesta opinião já se deveria ter empacotado e enviado a cadeira para o Gabinete do Senhor Director Geral da Saúde ou ao Gabinete da Senhora Ministra da Saúde; estou em querer que ambos ainda desconhecem o assunto e que ainda hão-de solicitar um inquérito de averiguações ao sucedido, não se vá dar o caso de algum deles vir a cair da dita cadeira.

377. Entrevista no "Jornal 2" do bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas

CopyRight @ Medicosdentistas
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Uma excelente intervenção do presidente da Ordem dos Médicos Dentistas no Jornal 2 da RTP (emissão do dia 4 de Agosto de 2009). Hoje torna-se claro que o actual pântano da saúde oral em Portugal tem responsáveis: conjunto de políticos sem escrúpulos e altos dirigentes instalados no aparelho estatal, com uma falta de visão de planeamento e de estratégia, alheados dos problemas sociais da população e que têm agravado, de forma continuada, os problemas da saúde oral no país.
Esta situação tem de mudar radicalmente com o próximo governo, que deverá formar e colocar os recursos humanos da área da saúde oral ao serviço de toda a população, sem quaisquer tipos de discriminação. Urge colocar um ponto final na violação dos mais elementares direitos humanos praticados em Portugal que é a discriminação actual no acesso a cuidados de saúde.
Não se pode continuar a permitir que a maioria da população activa portuguesa continue a pagar impostos para cuidar apenas da saúde oral das classes sociais da burguesia e do aparelho estatal.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

376. Saúde Oral a bater no fundo em Portugal

Dentistas portugueses em Inglaterra:


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Bastonário dos dentistas quer mais investimento:
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Jovens fazem rastreio dentário:
CopyRight @ RTP
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Estas reportagens mostram o lastimável ponto da situação a que se chegou no nosso país com as políticas que os vários governos executaram desde o 25 de Abril de 1974 até aos nossos dias: investimentos na abertura de faculdades e formação de médicos dentistas sem qualquer planeamento, excesso de oferta de médicos dentistas no mercado interno nacional, exportação dos nossos melhores dentistas para o estrangeiro a troco de nada (depois de terem custado dezenas ou centenas de milhões de euros dos nossos impostos) e nunca como hoje a população está tão abandonada à sua sorte em termos de saúde oral.
Torna-se urgente e necessário uma profunda e drástica mudança do panorama da saúde oral no nosso país, a todos os níveis, e não deixar impunes os políticos totalmente irresponsáveis que são os verdadeiros responsáveis por esta degradação dos cuidados de saúde em Portugal e que deveriam responder na justiça por tão gravíssimos erros praticados enquanto governantes.
O país não pode continuar a tolerar a aberração dos sucessivos ministros que têm orientado as políticas de saúde oral no nosso país; trata-se de crimes públicos em que a justiça deverá agir rapidamente.

domingo, 2 de agosto de 2009

375. Clínica dentária acusada de fraude de 200 mil à ADSE

Durante cinco anos, uma clínica do Porto inventou consultas e emitiu recibos falsos que foram comparticipados pela ADSE. A fraude rondou os 200 mil euros. O MP acusou 63 funcionários dos ex-SMAS e os donos da clínica.
No topo da fraude que, segundo a acusação do Ministério Público (MP), ontem avançada pelo "Público", atinge quase 200 mil euros, estão os donos da Clínica Dentária Santo Ildefonso, no Porto - Felisberto Horácio, odontologista e a esposa, Julieta Monteiro, que geria a empresa. Ambos estão acusados de burla qualificada e falsificação de documentos. No rol de acusados estão também 63 funcionários do ex-Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS) do Porto, também pelos mesmos crimes e alegadamente cúmplices da estratégia delineada pelos donos da clínica.
Segundo o MP, o esquema consistia na emissão de falsos recibos a favor da referida clínica. Através do endosso das facturas aos ex-SMAS do Porto, actualmente Empresa de Águas do Município do Porto, EM, a ADSE pagou quase 200 mil euros em comparticipações, relativas a apoios e protecção social dos funcionários e agentes da Administração Pública. A acusação considera que existem provas de que, em alguns casos, os funcionários do SMAS do Porto nunca foram sequer clientes da unidade de saúde e que, curiosamente, os recibos de tratamentos apareciam em nome de seus familiares ou colegas.
Em outras situações, porém, os investigadores chegaram à conclusão que o valor dos recibos tinha sido aumentado de forma fraudulenta com o único propósito de sacar reembolsos, muitas vezes de actos clínicos nunca praticados. Por vezes, estes valores funcionavam como uma espécie de conta-corrente, para pagamento de tratamentos aos dentes que, de facto, eram efectuados.
Toda a gente ganhava dinheiro: os gerentes da clínica recebiam verbas de cuidados de saúde nunca prestados e os funcionários do ex-SMAS do Porto (ou familiares) nada pagavam sempre que tinham necessidade de qualquer tratamento médico. As facilidades eram tantas que o tema passou de boca em boca e tornou-se conhecido na empresa. Por outro lado, os gerentes da Clínica Dentária de Santo Ildefonso, procuraram estabelecer relações de amizade e confiança com os potenciais clientes, facilitando, inclusive, os pagamentos de serviços não previstos a amigos e familiares.
O propósito foi duplo: por um lado, fazer aumentar os lucros e, por outro, fazer crescer, consideravelmente o número de clientes, já que, no período em causa (2001-2005) muitos deles foram à clínica por serem funcionários do ex-SMAS e saberem, antecipadamente que, nada pagavam pelos cuidados médicos efectuados. Feito o cruzamento de dados e verificado o excessivo número de recibos, alguns deles rasurados por uma funcionária do ex-SMAS do Porto (que, num mês, chegou a receber mais de comparticipações da ADSE do que o ordenado pago pelos ex-SMAS) os investigadores concluíram que os arguidos mantiveram um plano entre si destinado ao enriquecimento ilícito para a sociedade que eram sócios, decorrente dos valores entregues em dinheiro pela ADSE.
Deduzida a acusação do MP, os 65 arguidos aguardam, agora, o início do julgamento.

domingo, 26 de julho de 2009

373. 10 Conselhos para manteres o teu sorriso sempre bonito

10 Conselhos para manteres o teu sorriso sempre bonito:
1. Escova os dentes pelo menos duas/três vezes por dia, preferencialmente após as refeições e antes de te deitares;
2. Utiliza uma escova do tamanho adequado, macia e com uma cabeça pequena, para evitar lesões sobre os dentes e gengivas;
3. Procura utilizar sempre um dentífrico com 1.000 a 1.500 ppm de flúor (pergunta ao teu dentista qual o dentífrico mais adequado para os teus dentes);
4. Evita escovar os dentes só na horizontal. Coloca a escova ligeiramente inclinada, na passagem pelos dentes, para que estes não se desgastem com o tempo;
5. Utiliza diariamente fio dentário, antes da escovagem, para retirar restos alimentares e bactérias dos espaços que existem entre os dentes e entre estes e as gengivas;
6. Segue as recomendações do teu dentista na utilização de elixir para o bochecho;
7. Procura manter os dentes bem limpos, sobretudo junto à linha gengival, evitando a placa bacteriana e tártaro;
8. Efectua uma revisão dentária regular, preferencialmente de 6 em 6 meses, e um check-up oral pelo menos uma vez durante o ano;
9. Mantém uma dieta equilibrada e procura substituir os doces por alimentos mais nutritivos como o queijo, frutos ou vegetais frescos;
10. Se tens sensibilidade dentária visita o seu dentista porque pode ser um indicador de uma cárie dentária, um dente fracturado.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

372. Fórum Novas Fronteiras 2009-2013 foi palco de promessas eleitorais no âmbito da saúde oral

A saúde, o tema em debate no Fórum Novas Fronteiras desta quarta-feira, mereceu, no final das intervenções dos especialistas, a participação do primeiro-ministro, José Sócrates, que elogiou o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Com grande ênfase, Sócrates falou numa das grandes metas a atingir no seu próximo mandato. Trata-se do programa cheque-dentista. O líder socialista afirmou que pretende generalizar a abrangência deste programa. Actualmente apenas atinge as crianças com sete, dez e treze anos, num total de 200 mil.
«O nosso compromisso é garantir até ao final da legislatura o acesso a cuidados de saúde oral de todas as crianças e todos os jovens dos quatro aos 16 anos», esclareceu o líder do PS.
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José Sócrates promete garantir o famigerado programa de saúde oral baseado no cheque-dentista a todas as crianças e jovens entre os 4 e os 16 anos de idade em 2013, ou seja, apenas para quem nasceu entre 1997 e 2009. Ficam assim automaticamente garantido, pelo actual chefe de governo, o afastamento do referido programa de largas centenas de milhares de crianças e adolescentes nascidos antes de 1997, independentemente de qualquer critério clínico ou de origem social.
Tendo já em conta a precariedade do referido programa de cheque-dentista, torna-se evidente que não será com a continuação da actual política de saúde preconizada pelo Partido Socialista que a maior parte das crianças e jovens portugueses terão acesso a cuidados de saúde oral. Assim, a maioria da futura geração de homens e mulheres do nosso país continuará fora de quaisquer possibilidade de acesso a cuidados de saúde oral no nosso país.
Agora que José Sócrates colocou preto no branco sobre o que vai continuar a ser a política de saúde oral caso continue a ser Primeiro-ministro, fica a pergunta: valerá a pena votar no Partido Socialista nas próximas eleições legislativas? Talvez você não tenha interesse no tema mas será que vamos sacrificar quase mais uma geração inteira, gastando dezenas de milhares de milhões de euros em investimentos de muito duvidoso interesse para a melhoria de vida da população, ao mesmo tempo que se vai negar o acesso da maior parte das crianças e jovens a cuidados de saúde oral?
Pense bem antes de votar.

terça-feira, 21 de julho de 2009

371. Em Portugal, os criminosos têm melhor assistência de saúde oral que as pessoas sem cadastros

"É de notar que, embora tal não suceda noutros campos, o sistema prisional, hoje, fornece um apoio mais relevante aos reclusos que o SNS à população livre, designadamente no que toca a cuidados dentários."

terça-feira, 14 de julho de 2009

370. Ministro promete dentista gratuito para crianças

Em devido tempo solicitei aos partidos políticos representados na Assembleia da República que fizessem chegar ao SAÚDE ORAL as propostas relativas à saúde oral contempladas nos seus programas para a próxima legislatura. Até ao momento apenas o CDS-PP teve o obséquio de corresponder ao pedido, que pode ser lido teclando aqui.
Sendo assim, e tendo todos conhecimento da politica absurda de descriminação que continua a ser protagonizado pelo actual Ministério da Saúde, afecto ao governo do PS, no campo da saúde oral, dividindo entre portugueses de primeira (muito poucos e sobretudo quem tem dinheiro) e portugueses de segunda (a esmagadora maioria da população e quem mais contribui com impostos), vale a pena lembrar outras políticas por outras forças partidárias quando estiveram no poder.
Abaixo fica a promessa do então Ministro da Saúde Luís Filipe Pereira, afecto ao governo do PSD/CDS em 2004, prometendo consultas gratuitas para todas as crianças e adolescentes até aos 18 anos, para além da promessa da viabilidade da saúde oral no SNS (promessas que eram muito, mas muito mais, que do temos actualmente e implementadas pelo governo do Partido Socialista, nos últimos meses do seu mandato).
Entretanto fico a aguardar pelas propostas dos outros partidos políticos.
Gerofil
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Ministro promete dentista gratuito para crianças
O ministro da Saúde comprometeu-se ontem a implementar, já no próximo ano, duas consultas gratuitas de medicina dentária para todos os cidadãos até aos 18 anos. A promessa foi feita numa reunião com o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro, que admitiu considerar curioso a notícia cair "assim, de repente".
Segundo Orlando Monteiro, Luís Filipe Pereira tem em mãos um plano nacional de saúde oral delineado pela Direcção Geral da Saúde (DGS), que prevê consultas "em consultórios privados", através de uma espécie de convenção em que o Estado "pagará 37,5 euros" por cada exame clínico. Já com dotação orçamental (que Luís Filipe Pereira não quis adiantar à OMD), a iniciativa arranca "em 2005" e deverá ser implementada "gradualmente", sob supervisão conjunta da DGS e da OMD.
Mais "tímida" parece ser a intenção do ministro de começar a rentabilizar os equipamentos de medicina dentária que existem, parados, no SNS. "Ficou combinado que se iria trabalhar para abrir as vagas congeladas de alguns hospitais - muito poucos - e a partir daí estudar" a viabilidade da introdução da saúde oral no SNS, disse Orlando Monteiro, adiantando que Luís Filipe Pereira "frisou bem que não queria abrir demasiadas expectativas à população, para não abrir uma comporta que se tornasse incontrolável em termos de custos". A ideia parece ser fazer experiências-piloto em centros de saúde já equipados, "só para certos tratamento e com taxas moderadoras adequadas". Mas não tem data de arranque.
O bastonário da OMD aproveitou a audiência para denunciar a imposição de serviços gratuitos aos dentistas pelos seguros de saúde e as convenções com o sistema de segurança social da administração pública (ADSE), cujos valores "não cobrem sequer o preço dos materiais" e motivam situações ilegais de sobrefacturação. O ministro remeteu a questão para o Ministério das Finanças, a Autoridade da Concorrência e a Entidade Reguladora da Saúde.

domingo, 12 de julho de 2009

369. Candidatos a bastonário da OMD: Website dos candidatos

368. The most toothless smile in Europe

Portugal has the most toothless smile in Europe! How? Why?
First of all, the problem is cultural and educational. There has never been a program of dental education in the country. For Example, "Between a top model cell phone and a healthy smile people prefer the phone!" Even Public figures, with no financial problems, appear on TV with smiles full of holes, because most of the people think oral health is not a priority!
Second, the public health system has no dental care whatsoever. The oral health of the Portuguese depends on the private sector. Not surprisingly, many people never go to the dentist until it is too late, when pain is not more bearable!
Third, the situation is even more serious when we consider that millions of Portuguese do not have access to dental care. For lack of buying power (a visit costs between 30 and 75 euros). The problem is especially serious among the old, with one half of senior citizens in Portugal not having one tooth in their mouth! The pensions are so low that they don't cover the high expenses of dentistry.
The lack of teeth results in problems of a psychiatric nature, such as isolation and shame. All in all, not a pretty picture.The problem though is not a shortage of dentists. In a region where almost no dentists even existed twenty years ago, there are now enough to attend to the population. All of them are private and not cheap. The seven Portuguese dental schools (three public and four private) now turn out about five hundred graduates in Dental Medicine.
In a few years the growth in the area will be out of control and this will bring serious problems. Of the 4,500 dentists registered in the Order of Medical Dentists (OMD), 20% are foreigners (from 34 nationalities).
The government also allows non-qualified dentists to operate legally. In a controversial decision the National Assembly passed a law legalizing all the dentists without diplomas (called "mechanics") to carry on their practice, with the dubious obligation to do a certain number of courses in a determined number of years. No one thinks that these so called dentists will ever do any courses. Many of them are semi-illiterate and some are too old to set foot in a classroom. Not surprisingly, the population with fewer financial means prefers these ? dentists? because they are cheaper.
The OMD says that in Portugal there are "hundreds of illegal dental clinics." The denunciation of this "shameless situation that occurs in Dentistry, without any control?, comes from Orlando Monteiro da Silva, president of the organization. He states that public health is at risk from the possible transmission of communicable diseases, like Aids and hepatitus, by way of blood and saliva. Furthermore, there is illegal competition for professionals who are already facing the shadow of unemployment.
Recently, the Assembly of the Republic approved a law, readied by the parliamentary group of the Democratic Social Party (PSD) , that will give to the order, powers to inspect and to combat the false dentists, who proliferate all over the country, with particular prominence in the outskirts of Lisbon.
The present law was the only way to change the Order statutes, which now give the Order power to intervening in the combat against the shamless situation that is taking place in Portuguese dentistry, where hundreds of individuals practice with no academic training whatsoever.
With this change in the law, the OMD doesn`t hesitate to "call the police" and "order the closing of clinics that operate illegally?. In addition to the Doctors in Dentistry, who are graduates of the schools of Dental Medicine, there are about 600 "Odontologistas", recognized by the National Association of Portuguese Dentists (ANDEP). Some of these dentists are Brazilians (university graduates and others are graduates of recent courses in Portugal, while others have no diploma whatsoever).
Special recognition was given to these professionals in order to preserve acquired rights. Hundreds of candidates were left out, and despite being excluded by the ANDEP, continue to practice dentistry. These are the targets to be hit. The argument of the OMD, besides the obvious illegal competition, relies on aspects of public health, like improper sterilization of material. Patients visiting these "dentists" put their health at risk!
The European Commission has instituted a suit against Portugal in the Justice Court of the European Communities, because it considers that the legislation regulating the profession of dentist violates the community directives on Dental Medicine. For the Commission, which is acting after a complaint from the OMD, the profession of ?Odontologista?, as it is defined in Portuguese legislation, has a "field of activity almost identical" to that of the graduates of the schools of Medicine and Dental Medicine. Odontology appears as an "alternative and competing" profession with that of dentist, when its professionals do not have the qualifications foreseen in European directives.
The OMD contested Law 4/99, which has already been repealed, but has still not been able to hinder the "odontologistas", who have been awarded professional documents, even some who have any university training.It is thus that the smile of the Portuguese goes!
André Almeida, Dental Student of Health Sciences Faculty of Fernando Pessoa University

sexta-feira, 10 de julho de 2009

367. Ministra refere que dificuldade de acesso a dentistas não é exclusiva de Portugal

A ministra da Saúde, Ana Jorge, sublinha, em declarações à TSF, que a maioria dos idosos, grávidas e crianças já tem acesso a cheques dentista, mas justifica que a dificuldade que se mantém no acesso da população a esta especialidade não é um problema de Portugal.
Em declarações à TSF, a ministra Ana Jorge, lembrou que a maioria dos idosos, grávidas e crianças já têm cheques dentista e referiu que a dificuldade no acesso aos dentistas é um problema que também se coloca nos países mais desenvolvidos da Europa.
«É um problema que não é exclusivo de Portugal. Estamos preocupados com isso de tal forma, que uma das preocupações foi tentar alargar progressivamente à população os cuidados de saúde oral», afirmou.
TSF
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Todos sabem perfeitamente que cerca de 90 % da população ficou excluída do acesso a cheque dentistas que, no caso das crianças, só servem para serem tratados em determinadas idades e não de quando realmente precisam. Mais: a esmagadora maioria dos médicos dentistas que integram o programa fazem-no na maior parte das vezes por caridade, perdendo dinheiro face aos preços irrisórios dos cheques dentistas.
Relativamente à comparação com outros países, não será com o mal dos outros que os portugueses vão viver melhor.A forma demagógica do comportamento do governo que pretende passar para a opinião publica o já desacreditado programa de saúde oral, muitas vezes ajudado pela comunicação social mais ou menos estatizada, demonstra que não será com os actuais governantes que a saúde oral chegará a mais de 90 % da população portuguesa, continuando a ser quase um exclusivo da burguesia.

366. Candidatos a bastonários da Ordem dos Médicoa Dentistas

Candidato a Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas em Viseu - O candidato a Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Fernando Guerra, esteve na cidade de Viseu para apresentar as linhas de orientação da sua candidatura, auscultando ainda os problemas com que se debatem diariamente os médicos dentistas da região. Fernando Guerra referiu que o objectivo principal desta candidatura passa pela “revitalização da instituição que é a Ordem dos Médicos Dentistas”.
“Queremos introduzir um discurso inovador, encontrar propostas diferentes e concretas para que possam ser encontradas soluções para vários problemas, que teimam em persistir”, explicou. O professor auxiliar da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra considera que representa “uma alternativa clara ao rumo que a Ordem tem tido”.
“Procuramos dar novas energias, incutir claramente soluções inovadoras para que a ordem possa reequilibrar a profissão do médico dentista”, apontou. A pouco mais de seis meses das eleições, o candidato tem vindo a percorrer o país, “de forma a partilhar experiências, escutar os colegas, reaproximar as políticas que se pretendem introduzir na Ordem dos Médicos Dentistas aos médicos dentistas”.
“Os médicos dentistas têm respondido de uma forma muito positiva a este desafio, têm apresentado nestes encontros os seus pontos de vista, partilhado as suas experiências, chamado à atenção para as muitas coisas com que se debatem no seu dia-a-dia”, frisou. Entre as linhas de força, apresenta a necessidade de “reorientar a Ordem dos Médicos Dentistas para as questões profissionais, alargando também a intervenção dos médicos dentistas na sociedade, propondo um plano de saúde oral racional e integrado”.
“Achamos que as verbas que estão disponibilizadas para a Saúde Oral em Portugal carecem de ser racionalizadas, de ter médicos dentistas no terreno a implementar as estratégias da saúde oral. Os médicos dentistas devem integrar o Serviço Nacional de saúde e devem ser eles os protagonistas das estratégias que se desenrolam nesta área”, defendeu. Lamenta que até então “isto não tenha acontecido”. Por isso, “apresentámos propostas concretas, nomeadamente a criação de um Plano Nacional de Urgências em saúde oral e a integração dos médicos dentistas nas equipas nucleares de saúde escolar, para além da atribuição de um boletim de saúde oral aos recém-nascidos e crianças do jardim de infância e do primeiro ciclo”.
Fernando Alberto Guerra é licenciado pela Faculdade de Medicina de Coimbra (1993), concluiu o Mestrado em Outubro de 1997, o Doutoramento em Janeiro de 2004 e efectuou provas de Agregação em Julho de 2008. É professor auxiliar da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra desde 6 de Janeiro de 2004 e investigador principal ou em co-autoria em projectos de investigação nacionais e internacionais sendo responsável pelo Laboratório de Histologia de Tecidos da Cavidade Oral do Departamento de Medicina Dentária. Fernando Guerra cessou, em Março, as funções de pró-reitor da Universidade de Coimbra, para se candidatar à Ordem dos Médicos Dentistas.
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Bastonário dos dentistas apresenta recandidatura este sábado - Cedendo ao «apelo da classe», o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, vai recandidatar-se ao cargo, com propostas como o alargamento do cheque-dentista. O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas revelou que apresenta, este sábado, a sua recandidatura ao cargo e que irá propor, entre outras coisas, o alargamento dos cheques-dentista a crianças de idades que ainda não foram contempladas, bem como a pessoas diabéticas.
Monteiro da Silva indica que as suas propostas incidem sobre a inserção obrigatória da medicina dentária na medicina do trabalho e a entrada dos médicos-dentistas nos hospitais públicos através de uma carreira própria. Duas outras propostas surgem também em cima da mesa, como a contratação de médicos desta especialidade pelas Unidade de Saúde Familiar (USF) e a criação de um sistema nacional de comparticipação de cuidados básicos de saúde dentária para todos os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
De acordo com a Lusa, o actual bastonário cede assim ao apelo dos vários profissionais da especialidade que reclamaram a candidatura e o convenceram a dar «continuidade» às medidas em curso. Apesar de nos últimos anos muita coisa ter mudado na medicina dentária em Portugal e na saúde oral, Monteiro da Silva sublinha que ainda existe uma «faixa muito grande da população que não tem acesso aos cuidados desta especialidade».
Fábrica de Conteúdos

quinta-feira, 9 de julho de 2009

365. 4 tipos de alimentos que fazem sorrir

66% dos portugueses já teve pelo menos uma cárie e a grande maioria evita as visitas ao dentista, seja pelos custos associados ou por puro terror! É certo que a saúde oral passa pela higiene oral diária, mas também por olharmos ao que comemos.
Fique a conhecer 4 tipos de alimentos bons para os seus dentes:

  • Lacticínios (leite meio-gordo, iogurtes e queijo) - O cálcio é um elemento essencial para a constituição dos dentes e dos ossos. Uma dieta rica em cálcio protege os dentes e os maxilares. Uma dieta pobre em cálcio desprotege os maxilares, solta os dentes e expõe-los aos ataques de bactérias.
  • Pêras - As frutas cruas (não ácidas), ricas em água, estimulam a salivação, baixam o pH da boca e exercitam os maxilares. Ao mesmo tempo é feita uma limpeza natural às gengivas.
  • Chá preto - Estudos recentes revelam que o chá preto (de pH neutro) contem compostos que atacam as bactérias causadoras de cáries e doenças nas gengivas. No entanto não se deve adicionar açúcar ao chá.
  • Alimentos integrais - Os alimentos integrais possuem grandes níveis de vitamina D e Ferro, elementos essenciais para gengivas saudáveis. Também contêm magnésio, um importante constituinte dos ossos e dentes.

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quinta-feira, 2 de julho de 2009

363. Talvez numa clínica, perto de si

Este vídeo revela o escândalo praticado por várias clínicas, nomeadamente na prestação de cuidados de saúde oral. Também eu já fui "vitima" deste tipo abusivo numa determinada clínica existente em Elvas, num primeiro andar perto do centro da cidade, onde uma determinada doutora não hesitou em passar-me três recibos por uma só consulta pelo qual tive de pagar um preço completamente exorbitante, sem que tenha sido informado antes do início da consulta.
Isto só é e continuará a ser possível enquanto o estado, o governo e as administrações regionais de saúde continuarem a pactuar com privados sem escrúpulos e que apenas visam o lucro e a exploração dos paciente, não olhando a meios para atingirem os seus fins. Estou em crer que isto seria impossível de ocorrer num outro país membro da União Europeia.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

362. Quando a primeira consulta é grátis

http://www.dentisaude.com.pt/

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Várias clínicas e consultórios dentários oferecem uma primeira consulta grátis de observação (sem qualquer tratamento dentário ou então oferecendo uma simples limpeza). Aproveite e tire vantagem, já que pode ficar a saber como está a sua saúde oral e quais as recomendações para o seu caso.
Não se esqueça: tire partido da oferta da primeira consulta e opte por passar em duas ou três clínicas ou consultórios, no mínimo, para melhor se inteirar da sua saúde oral, consultar preços e solicitar orçamentos, tendo em consulta sempre a qualidade do serviço prestado. Depois, opte racionalmente para tomar a decisão mais acertada, tendo em conta em primeiro lugar a sua saúde.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

361) Fórum de Saúde Oral (Ordem dos Médicos Dentistas)

http://www.omd.pt/pt-PT/Forum/Forum.aspx
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A Ordem dos Médicos Dentista disponibiliza um Fórum de discussão on – line. Participe e divulgue o Fórum; façamos da saúde oral uma causa de saúde pública nacional.
A maior parte das conquistas sociais actuais só foram conseguidas apenas com um grande esforço, dedicação e empenho de pessoas anónimas que fizeram o seu melhor pelo bem da sociedade. Também nós teremos de deixar a nossa marca para as futuras gerações, contribuindo de forma desinteressada pelas causas sociais. E, em Portugal, a saúde oral ainda não é considerada pelo Estado como sendo uma doença; por isso, junte-se nesta caminhada pela causa pública; participe e dinamize todas as acções que possam contribuir para a declaração da saúde oral como uma doença de saúde pública, em plena igualdade com as restantes especialidades médicas.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

360) Há um maior cuidado na apresentação da boca

Após um atraso de décadas na prevenção da saúde oral, os portugueses começam agora a dar a real importância aos dentes. Fundamentais para mastigar os alimentos, para a pronúncia das palavras, mas também para a fisionomia da face, a perda de um dente pode ter consequências graves. Além de ser inestético e de deformar a face, há também perda óssea que, a longo prazo, é de difícil recuperação.
Para fazer a reabilitação da boca, a implantologia tem um papel importante, já que permite a “recuperação” dos dentes. Como explicou ao nosso jornal o presidente da Sociedade Científica Portugal Implantologia, Vasco Carvalho, um implante é um artefacto que substitui a raíz de um dente, sendo finalizado pela coroa, actualmente muito semelhante a um dente natural.
«O implante parece um parafuso, mas é muito rugoso em que o osso o agarra durante a osseointegração. A parte exterior é a coroa. Cinco ou seis implantes podem suportar 12 a 14 dentes», exemplificou aquele médico dentista que também é docente da Universidade Católica Portuguesa.
A implantologia é uma técnica que é desenvolvida apenas há 15 anos na Madeira e são poucos os médicos dentistas que a desenvolvem. O elevado custo da técnica limita o acesso da população. Contudo, Vasco Carvalho garante que cada caso é uma situação diferente. Aquele médico dentista reconhece que a colocação de implantes para as pessoas que têm dificuldades financeiras «é uma miragem», mas também é certo que «se aumentar a quantidade de implantes dentários que são colocados isso irá permitir a perda de patentes e esses preços começam por ser mais acessíveis a todos».
Mesmo assim, sublinha que as pessoas por vezes preferem mudar de automóvel a investir na saúde. Por isso, lembra que «hoje ninguém arranja emprego sem dentes ou ninguém vai para a televisão sem dentes, o aspecto da boca conta».
O aspecto positivo desta técnica de reabilitação da boca é a de que a taxa de sucesso dos implantes actualmente é muito elevada, chegando aos 98 por cento e podem durar «uma vida» se houver cuidados de higiene. É que os tecidos à volta dos implantes podem sofrer as mesmas doenças que surgem nas raízes naturais dos dentes, como a “piorreia”, que costuma atacar o osso e os tecidos à sua volta.
Ainda assim, a técnica da implantologia não tem muitas contra-indicações. Há uns anos atrás, os diabéticos não poderiam colocar implantes, mas com a evolução dos materiais usados e, desde que o protocolo seja seguido, um diabético pode ter a sua boca reabilitada. O mesmo acontece com um doente que tenha feito tratamento oncológico. Neste caso, tem de cumprir um determinado prazo, antes de se submeter à cirurgia. Nos dois casos, o risco de o osso não integrar o implante é quase o mesmo do que nas pessoas saudáveis.
Vasco Carvalho defende que a implantologia não pode ser encarada da mesma forma que se vai ao supermercado comprar produtos, porque tem de haver um trabalho de uma equipa de profissionais. Neste sentido, defendeu que a implantologia «com o tempo terá que fazer parte da intervenção dos colegas, claro que há casos mais complexos que merecem técnicas mais invasivas e mais complexas», mas a implantologia é uma boa solução para a recuperação da boca de quem anda desdentado.
Excesso de médicos dentistas - Enquanto que nos Estados Unidos ou em alguns países europeus as escolas de medicina dentária já contavam muitos anos, em Portugal estas só surgiram em 1976 e foram oferecidas pela Noruega. «Até aí a população estava entregue ao cuidado de alguns práticos de estomatologia», contou Vasco Carvalho, docente de História da Medicina Dentária, na Universidade Católica Portuguesa. Mesmo assim, a evolução da medicina dentária em Portugal foi muito rápida e durante anos «foi do melhor que o país teve».
Actualmente conta com mais de 6.500 profissionais, «um excesso», considera. «Antes, se não tínhamos médicos, como poderíamos ter bons dentes?», questionou Vasco Carvalho. Contudo, há uma questão que o atormenta que é a adaptação dos cursos a Bolonha, o que vai tirar um ano no curso de medicina dentária. «Vamos perder e muito», considera.
Confrontado se os médicos dentistas deveriam integrar os sistemas nacionais e regionais de saúde, aquele profissional afirmou que isso sairia muito caro aos governos. Quanto à prevenção da saúde oral, Vasco Carvalho diz que tem de começar pelos pais. A acção na escola é importante, mas são os adultos que têm de limitar o acesso das crianças aos açúcares refinados e incentivar a comer, por exemplo, uma maçã às dentadas que tem fibras importantes para os dentes.
Apesar da conjuntura económica difícil, os portugueses vão ao dentista por prevenção e há muitas pessoas que aderiram ao cheque dentista da Ordem dos Médicos Dentistas. «É pouco, mas é melhor do que nada». «O problema é que há um núcleo da população que se não têm para comer, não vão ter para comprar pasta para escovar os dentes», lamentou.
Marília Dantas

quarta-feira, 17 de junho de 2009

359) Opiniões acerca do Programa SERVIÇO DE SAÚDE - Saúde Oral (2009-06-16)

Algumas considerações acerca das várias intervenções no programa:
-positivamente esteve o Doutor João Pimenta, que foca exactamente o principal problema hoje em Portugal na área da saúde oral: os profissionais de saúde oral deveriam estar nos Centros de Saúde e Centros Hospitalares; há dinheiro para muitas coisas mas já não há dinheiro para ter dentistas nos Centros de Saúde. Estou também de acordo, ao comentar o sorriso sarcástico do Doutor Rui Calado, presente no programa, que sabe exactamente onde deveriam estar os profissionais de saúde oral existentes em Portugal;
-o Doutor Francisco Salvado, Coordenador do Serviço de Estomatologia do Hospital de Santa Maria também esteve muito bem, ao lembrar que o cheque-dentista chega apenas a menos de um milhão de portugueses, deixando de fora mais de nove milhões; questionou também acerca da necessidade de apoiar outros grupos de risco, nomeadamente os idosos com dificuldades de locomoção, os deficientes e os doentes oncológicos, além do perigo do abandono da saúde escolar. Já agora, permitam-me lembrar que aguardo esclarecimentos da Direcção-Geral de Saúde relativamente ao Protocolo da promoção da educação para a saúde em meio escolar, assinado entre os Ministérios da Saúde e da Educação no dia 7 de Setembro de 2006, conforme a postagem número 347 deste blogue, publicada no dia 8 de Maio do corrente ano e que, passado mais de um mês, continuo a aguardar pela resposta; tenho algumas dúvidas que o referido protocolo não tenha passado disso mesmo, tendo morrido no mesmo dia em que foi assinado.
-pelo contrário, muito mal esteve o Doutor Paulo Melo, da direcção da Ordem dos Médicos Dentistas, ao considerar que a realidade nacional mudou muito e que seria desadequado que o Serviço Nacional de Saúde gastar uma enorme quantidade de recursos humanos e financeiros em equipar os Centros de Saúde; é exactamente esta posição defendida pelo Doutor Paulo Melo que faz com que cada vez mais se agrave o problema da saúde oral dos portugueses. Com estas opiniões simplesmente estaremos a andar para trás, pois negar a integração dos serviços de saúde oral nos centros de saúde será infelizmente dar continuidade a mais do mesmo, afastando cada vez mais a maior parte da população, obrigada a pagar impostos, de qualquer acesso à saúde oral, assim meia privada;
-por último, saliento aquilo que o Doutor Rui Calado afirmou, ao comentar que a saúde oral não é considerada uma doença em Portugal; eu acrescento, opinião a começar pelos políticos e seguida pelo próprio Ministério da Saúde;
-tenho pena que ninguém tenha falado, durante o programa, que todos os portugueses são obrigados a pagar impostos para a formação dos médicos dentistas mas que, depois de formados, os médicos dentistas não estão disponíveis para tratar a saúde oral de todos os portugueses; mais, considero uma falta de moralidade e extremamente malicioso haver preocupações com gastos de recursos hoje, quando todos sabem os ganhos e poupanças de recursos que se começariam imediatamente a obter no dia de amanhã.
Gerofil
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358) RTP: SERVIÇO DE SAÚDE - Saúde Oral (2009-06-16)













357) Enxaguante bucal favorece câncer de boca

O uso de enxaguatórios bucais no Brasil cresceu 2.277% de 1992 a 2007, mostra um levantamento realizado pelo cirurgião-dentista Marco Antônio Manfredini, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), baseado em informações da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. De 2002 a 2007, o aumento foi de 190%.
Para Manfredini, o incentivo ao consumo indiscriminado de enxaguatórios deve ser criticado. "Observamos um grande investimento na indução ao uso do produto. E é importante dizer que, ao contrário da pasta, da escova e do fio dental, o colutório não tem indicação universal. É preciso concentrar a utilização para casos específicos."
Além de não ser essencial à saúde oral, o uso frequente de enxaguatórios bucais com álcool aumenta os riscos de câncer de boca e da faringe. Uma revisão científica publicada no fim de 2008 na revista da Academia Dental Australiana compilou estudos do mundo todo que encontraram essa relação. De acordo com os pesquisadores, há evidências suficientes para aceitar a ideia de que enxaguatórios bucais com álcool contribuem para aumentar a taxa de câncer oral.
Grande parte dos produtos comercializados no Brasil contém álcool. Um estudo brasileiro realizado com 309 pacientes e publicado no ano passado na "Revista de Saúde Pública" também encontrou a mesma associação. "Algumas marcas chegam a ter 26% de álcool, e há pessoas que usam todos os dias. Hoje existem produtos no mercado sem álcool, que devem ser os escolhidos", diz o oncologista Luiz Paulo Kowalski, diretor do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital A. C. Camargo e um dos autores do trabalho.
De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), fabricantes são obrigados a informar na embalagem a presença de álcool na composição. O álcool presente nos enxaguantes contribui para o aumento das taxas de câncer oral de forma similar às bebidas alcoólicas --e sabe-se que o álcool é o segundo fator de risco para a doença, depois do tabagismo, aumentando de cinco a nove vezes os riscos.
"Brinco que a pessoa bebe sem usufruir da parte boa da bebida. O produto tem álcool não porque é um antisséptico, mas porque é um veículo muito eficiente, industrialmente conveniente e muito barato. Por isso as versões sem álcool tendem a ser mais caras", explica o dentista Alberto Consolaro, professor de patologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP.
O álcool não é um agente causador de câncer isoladamente, mas uma enzima do organismo o transforma em acetaldeído, substância que pode alterar as células da boca e causar tumores na região. "O problema é usar diariamente o produto, pois o dano constante não dá tempo de as células se repararem. O uso de enxaguatórios bucais [com álcool] precisa ser mais estudado, mas é algo parecido com o que ocorre com o cigarro: quanto mais exposição, maior o risco", diz Kowalski. Por isso, dentistas recomendam o uso do produto sem álcool, seja manipulado, seja de marca.
"O produto é um bom auxiliar na limpeza da boca, mas não deve conter álcool. As pessoas acham que um enxágue que queima a boca é melhor, mas produto bom não precisa dar essa sensação. A substância antisséptica não é o álcool", diz Consolaro.
Indicações Dentistas recomendam o uso de enxaguatórios após cirurgias, raspagem de dente, casos de alta incidência de cárie, doenças da gengiva e para pessoas que não têm coordenação motora para realizar uma boa escovação. Para o restante da população, o uso é opcional, apesar de boa parte da publicidade desse tipo de produto sugerir que ele combate mau hálito.
"Do ponto de vista da higiene bucal, não é necessário. Quem tem boa higiene bucal geralmente não tem halitose --e, se tiver, não será o enxaguatório que vai resolver o problema", afirma Manfredini.
GazetaWEB.com